Puxa, Hermione...

Hermione virou-se curiosa para ver quem estava falando com ela tão arrasado. Billy caminhava displicentemente em sua direção. Os ombros caídos, o olhar triste. Quando viu que tinha a atenção dela fechou o punho e o levou em direção ao coração, como se tivesse sido apunhalado.

Eu não esperava isso de você... – falou teatralmente.

Bom dia para você também, Billy! – Hermione retomou o caminho da sala de aula.

Eu achei que você odiasse o Malfoy! – ele correu para alcançá-la. – Achei que vocês não se suportassem!

As coisas mudam, Billy! – ela falou simplesmente. Não se conformava com o modo como as pessoas estavam se metendo na vida dela.

Então é verdade mesmo? – ele a parou bruscamente.

Verdade o quê? – ela perguntou impaciente, empurrando-o e entrando finalmente na classe.

Que você e o Malfoy estão namorando! – Billy falou um pouco alto demais. Muitos olhares convergiram para eles nesse momento.

Hermione sentiu a face esquentar. Odiava chamar tanta atenção, e ter as palavras Malfoy e namoro na mesma frase definitivamente chamava a atenção: - Claro que eu não estou namorando o Malfoy! – ela respondeu no mesmo tom, para deixar tudo bem claro.

Como não está?! – uma voz meio esganiçada a abordou. – Não precisa mentir, Granger! Eu já sei da verdade! O Draco já terminou tudo comigo para ficar com você! – Chelsie falou com os olhos cada vez mais vermelhos. Agora a sala inteira prestava atenção ao trio.

Eu não terminei nada com você porque nós nunca namoramos, Chelsie! – Draco chegou e aí o espetáculo ficou realmente interessante. Até o professor, que entrou logo depois dele, resolver assistir o desfecho da conversa. – E eu também não estou namorando a Granger!

Mas...

Mas nada! – ele se enfezou. – Eu já te disse que não gosto de você o suficiente para ficar i só /i com você, não é? – ele baixou um pouco o tom. Os ouvintes fingiram não prestar atenção ao espetáculo. – Eu não gosto o suficiente de ninguém, ouviu? E minha capacidade de gostar diminui mais ainda quando a pessoa em questão acha que é minha dona! – a essa altura ele já falava bem baixo e bem perto do rosto dela. – Bom dia, Granger! – ele se virou para Hermione, como se tivesse acabado de chegar. – Solomons. – e passou por Billy para tomar seu lugar no fundo da sala.

Hum, hum... Bom dia, senhores! - o professor falou. – Agora que acabou mais um capítulo da novela "A vida amorosa de Draco Malfoy", acho que podemos começar nossa aula, certo?

Algumas pessoas riram. Hermione escondeu o rosto nas mãos, Billy sentou-se logo atrás dela e Chelsie, depois de ficar alguns segundos atordoada, em pé, no meio da sala, resolveu sentar-se.

Então quer dizer que não é nada sério? – Billy se inclinou para frente para perguntar a Hermione.

Você ouviu, não ouviu?! – ela respondeu impaciente.

Que bom! – ele falou sem o menor peso na consciência.

Hermione teve uma leve dificuldade de prestar atenção nas aulas do dia. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Além de ter um caso tórrido e sem compromisso, baseado simplesmente em atração física, com o cara que odiou a vida inteira, seu melhor amigo a flagra na cama, só coberta por lençóis, a cunhada aparece do nada para especular, ela é pivô de uma briga, e ainda se vê envolvida numa cena ridícula no meio da sala de aula, na frente de um professor. Era demais para a cabeça de qualquer um. Ainda por cima, a frase de Draco causara um impacto no mínimo estranho dentro dela: uma mistura de decepção e alívio.

Onde você pensa que vai, Granger? – Draco a alcançou já no pátio da universidade, no fim das aulas.

Hum? Ah, oi Malfoy! – ela parou para atendê-lo.

Achei que íamos almoçar juntos? – ele a encarou, sério.

Sabe? Eu andei pensando...

Nem termine essa frase, Granger!

Não! Deixe-me terminar! – ela falou antes de começar a ouvir sermão. – Eu acho melhor deixarmos esse almoço para outro dia, sabe? Eu acho que vou comer em casa mesmo, depois venho para a biblioteca... – ele ia interromper, mas ela apenas levantou uma das mãos e continuou. – e termino de passar a limpo nosso trabalho! Aí nos livramos dele de uma vez!

Isso você pode fazer lá em casa, depois de almoçarmos, Granger!

Ha, Draco! – ela riu. – Você sabe que se eu for para sua casa a última coisa que vamos fazer é trabalho...

Boris e Marissa passaram pelos dois exatamente nessa hora. Hermione acenou para eles, muito sem graça. Draco acenou também, muito mais à vontade.

Isso definitivamente não me incomoda, Granger! – ele sorriu, mais ainda quando viu que ela estava vermelha de vergonha.

Bom, mas me incomoda, e muito! Odeio deixar as coisas pela metade! E eu já estou quase acabando! – ela insistiu. – Outro dia, ok? Além disso, vai ser bom para a Chelsie se acalmar um pouco.

Ela não tem nada a ver com as nossas vidas, Granger! Ela está cansada de saber que eu não me envolvo seriamente com ninguém! – ele a encarou por um tempo. Não conseguiu interpretar a fisionomia dela. – E nem pretendo!

Isso é bom... – Hermione falou para ganhar tempo. Tinha que pensar em algo para dizer, ou melhor, tinha que interpretar o que estava sentindo para poder dizer alguma coisa. – É bom que isso fique bem claro para todas as mulheres com quem você sai porque eu odeio pagar mico em público, sabe?

Acho que todas elas já perceberam isso... – ele falou displicente. Colocou as mãos no bolso e continuou a analisá-la.

Que bom... Então, tchau! – ela voltou a caminhar.

Como assim, tchau, Granger?! Você vai me dar um bolo?

Não é um bolo! – ela parou achando graça. – Seria um bolo se eu te deixasse esperando, mas você sabe que eu não vou, então... – ela voltou a andar. – Se quiser aparecer mais tarde para me ajudar... – ela se virou para ele e sorriu. Draco pareceu se animar um pouco com a idéia. – Vou estar na biblioteca a partir das 14 horas! Tchauzinho!

Haja paciência, Granger! Haja paciência! – ele murmurou. Sem opção, aparatou para almoçar, como sempre, sozinho.

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"O paciente apresenta manchas azuladas na pele e inchaço na língua. A medicação adequada..." – Não... Adequada não... Hum... Indicada! Isso indicada... Apague 'adequada' e coloque 'indicada'! – ela falou para a pena de repetição rápida, que no mesmo instante apagou a palavra reescrevendo sobre ela de trás para frente, e depois escreveu da maneira certa.

Ainda aí, Granger? – Draco apoiou-se no espaldar da cadeira, fazendo Hermione se assustar.

O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, inclinando a cabeça para olhá-lo.

Vim te ajudar! – ele sorriu para ela, em seguida depositou-lhe um beijo rápido nos lábios. – E pelo visto foi bom, porque você é muito lerda! – ele sentou-se do outro lado da mesa analisando alguns pergaminhos.

Hermione ainda estava meio atordoada com aquele selinho dado ali, bem no meio da biblioteca, apesar dela estar vazia. – Hum... Pode começar, então! – ela respondeu. Eu tenho outra pena de repetição rápida. Você pode ditar para ela por pensamento, sem precisar pronunciar a palavra. Assim terminamos mais rápido e um não atrapalha o outro. – ela falou calmamente, já separando as partes que ele poderia fazer.

E aí você vai comigo para casa? – ele aceitou a incumbência.

Não sei... – ela o olhou, desconfiada. – Descobri que esqueci de fazer a tarefa de Herbologia para medi-bruxos.

Você fugia assim do Weasley, Granger? – ele se inclinou para falar com ela bem baixo.

Eu não precisava fugir dele! – ela respondeu seca. – Ele sabia a hora de parar! – cutucou.

Quer dizer que ele não dava conta do recado, é isso? – ele cochichou mais ainda.

Hermione o olhou brava, mas foi obrigada a rir da situação: - Eu não vou ficar discutindo a vida sexual que eu tinha com meu marido, Malfoy.

Hum... Eu sabia! – ele se recostou e voltou a olhar os pergaminhos. – Você está acostumada com pouco, por isso está estranhando o meu jeito, não é?

Não seja ridículo! – ela falou um pouco mais alto. – Eu nunca tive o que reclamar do Rony, ta legal! Ele era ótimo!

Eu sou melhor, não sou? – ele se inclinou novamente, fazendo cara de garoto levado.

Você é insuportável, isso sim! – ela riu, mas decidiu definitivamente voltar ao trabalho. – E se você veio aqui para me atormentar é melhor ir embora, hein!

Ok, ok... Vou parar de atormentar, Granger... Embora eu desconfie que você gosta de ser atormentada... – os dois se encararam, ele sorriu. – Ou você seria um pouquinho mais fácil, porque no fim eu sempre consigo o que quero, não é?

Ela resmungou qualquer coisa e voltou ao trabalho. Draco se endireitou na cadeira, colocou a pena em posição sobre um pergaminho em branco e começou a passar mentalmente o trabalho para a pena.

"A poção com raízes de tetraphyllum é muito teimosa..." – i "Teimosa? Droga! Apaga isso! É eficaz!" /i – e a pena o obedeceu. – i "Certo..." /i – "contra males de..." – ele a observou discretamente. – "...umedecer os lábios..." – i "Ah, saco!" /i – ele exclamou em pensamento. - i "Apague isso!" /i

Definitivamente não ia conseguir se concentrar e, para piorar, estava começando a ver que ela tinha razão. Ir para casa dele seria pior ainda. Jamais conseguiriam terminar o trabalho. Parou para observá-la. Tão absorta, tão interessada. Não é a toa que conseguia tirar sempre boas notas, mas será possível que ela não parava nunca? Jamais deixava as obrigações de lado, um minuto que seja, para um momento de prazer?

i "Não me importa se o Weasley aturava isso! Eu não vou aturar!" /i – decidido, Draco se levantou e caminhou até a cadeira dela. Hermione aparentemente nem notara a movimentação. – Eu não estou agüentando, Granger... – ele sussurrou bem perto do ouvido dela.

Hermione teve um leve sobressalto, mas não se deixou abater: - Pelo amor de Deus, Malfoy! Volta para o seu lugar! – ela falou o mais baixo que pode.

Eu não consigo me concentrar perto de você, Granger! – ele falou novamente, roçando os lábios no pescoço dela. – Pára um pouco com isso. Tem tempo para entregar esse trabalho... – agora ele deslizava uma das mãos do pescoço para o colo dela.

Malfoy! – ela falou esganiçada, mas baixo. Levantou-se imediatamente, fazendo um pouco de barulho com a cadeira. – Estamos no meio da biblioteca! – sussurrou e ficou de frente para ele, que a olhava satisfeito pela reação dela.

A biblioteca está vazia, Granger... – ele sorriu, colocando as mãos na cintura dela.

Mas poderia chegar alguém! Algum professor! – ela tentava afastá-lo, sem muito sucesso.

Tem um corredor no fundo da biblioteca, onde ficam os documentos da época da inquisição... – ele encostou o corpo no dela, ela prendeu a respiração. – Ninguém vai até lá... – beijou o pescoço. – E ninguém vai nos ouvir... – ele sorriu com malícia e beijou os lábios dela.

Ficou maluco? – ela perguntou com a voz um pouco fraca, sentindo o corpo dele reagir à remota idéia de transar na biblioteca da universidade.

Você nunca transou num lugar público, Granger? – ele riu do estado dela.

Claro que não! – ela retomou um pouco do autocontrole.

Não sabe o que está perdendo! – ele se afastou apenas para puxá-la pela mão em direção ao tal corredor.

Malfoy, não!

Opa! Acho que cheguei em má hora!

Ben? Chegou numa ótima hora! – Hermione exclamou. Soltou-se da mão de Draco, que havia se distraído completamente com a chegada repentina do rapaz.

Oi, Malfoy! – ele cumprimentou sorridente.

Que diabos você quer aqui?! – Draco perguntou, brusco.

Draco! – Hermione já voltara a tomar seu lugar na mesa. – Sente-se, Ben! – ela convidou.

Eu não vou me demorar muito... – ele sorriu com a cara desapontada de Draco. – Hum... Só vim te entregar isso... – ele entregou um envelope nas mãos de Hermione. – Achei que você ia sentir falta, mas pelo jeito...

Não diz besteira! – ela pegou as fotos dos filhos e guardou imediatamente na bolsa. – Eu ia buscar! Em todo caso, obrigada... – ela sorriu.

Draco, vencido, sentou-se e voltou a se concentrar na pena e no pergaminho, adivinhando que nem adiantaria tentar descobrir o que o amigo de Hermione tinha para lhe entregar.

Ah! Ia me esquecendo! – ele exclamou de repente. – Aquele aparelhinho que os seus cunhados inventaram! – ele sorriu radiante. – É uma coisa incrível! A próxima vez que falar com eles diga que funciona muito bem!

A essa altura Draco já estava completamente interessado no assunto. Olhou de Ben para Hermione tentando entender do que se tratava, mas nem ela sabia o que era.

Gemialidades Weasley! – ela explicou para Draco. - Que aparelho, Ben?

Não é isso que você está pensando, boba! – ele tirou uma caixinha do tamanho de um celular do bolso. – É isso! Um detector de opção sexual!

Um o quê?! – ela riu. Draco fez careta.

É! Olha só! Você só precisa apontar para a pessoa em questão... – e ele apontou o aparelho para Hermione, e ele mudou de cor. – Viu? Cor de rosa! Quer dizer que você é hetero! Não é demais?

Não sei nem o que dizer... – Hermione começou a rir.

Se apontarmos para um homem... Posso testar você, Malfoy? – ele se virou para Draco, sorridente.

Aponta esse negócio para a sua mãe Cold! – ele respondeu.

Hum... Quem não deve não teme, hein? Hermione! Você andou me contando lorota, foi?

Hermione escondeu o rosto nas mãos, Draco fitou Ben como se visse algo muito ruim na sua frente.

Vai me deixar na dúvida, Malfoy? Não né? Olha só! – antes que Draco pudesse contestar o aparelho já havia mudado de cor novamente. – Azul! Você não mentiu, Mione! Agora se eu aponto para mim mesmo: lilás! Não é demais!

Quando foi que esse louco conheceu os Weasley? – Draco perguntou mal humorado.

Ele foi comigo esse final de semana. Conheceu toda família! – Hermione riu.

Você fala como se ainda fizesse parte da família, Granger!

E como não falaria se ela... – mas ele parou bem na hora. – Todo mundo adora essa mulher! – ele completou logo, Hermione respirou aliviada. – A mãe do Rony a trata como se fosse uma filha! Eu gostaria de fazer parte de uma família grande assim, sabia? – ele apoiou a cabeça em uma das mãos e suspirou.

Eu vou embora, Granger! – Draco recolheu parte dos pergaminhos, devolveu a pena e se levantou. – Vou terminar isso em casa! Tchau!

Hermione ficou olhando-o se afastar, estupefata, sem entender nada. Ben olhava dela para ele, esperando uma reação, que só veio depois que ele deu um chutão em Hermione por baixo da mesa.

Malfoy!

Ele parou para olhá-la.

Eu passo na sua casa amanhã? Para a gente almoçar?

Se você não tiver coisa melhor para fazer, Granger! – ele respondeu carrancudo.

Ter, eu tenho... – ela falou, Ben quase teve uma síncope. – Mas vou precisar de você para isso... – ela sorriu, sabe-se lá como, sem ficar vermelha.

Draco não conseguiu se manter sério depois dessa. Deu um leve sorriso e foi embora.

Uau! Ponto para você, garota! – Ben falou. – Achei que você ia deixá-lo ir embora bravo!

Homens! Basta puxar um pouquinho o saco e eles se derretem de uma vez!

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Eu realmente achei que você ia me enrolar de novo! – Draco falou sorrindo. Apoiado sobre o cotovelo acariciando o rosto dela.

Eu não te enrolei! – Hermione respondeu também sorrindo e puxou os lençóis para se cobrir.

Por que você se cobre? Eu já vi tudo aí!

Bobo! – ela ri ficando vermelha. – Não estou acostumada a ficar nua na frente dos outros desse jeito.

Eu sabia! Ele realmente não dava no coro, não é? – ele se deitou ao lado dela, um braço apoiando a cabeça.

Por que você sempre fala dele, hein? Eu sempre desconfiei que você tivesse uma fixação por eles, sabia?

Fixação?! – ele se virou de lado, indignado. – Fala sério...

Estou com fome! Você me convidou para almoçar e até agora nada! – ela se virou para ele, disposta a encerrar o assunto.

Decidindo que era mais fácil seguir a tática dela, e fingir que nada havia acontecido, ele respondeu:

Você me disse que ia fazer coisa melhor... – e a puxou pela nuca para mais um beijo.

Ela sorriu: - Mas eu já fiz... Agora preciso me reabastecer!

Ok... Quer comer aqui? Eu mando os elfos fazerem alguma coisa. Ou prefere comer fora?

Hum... Vamos dar uma folguinha para os seus elfos, não é? Assim você aproveita e me mostra a cidade!

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Um vento cortante assolava a cidade naquela tarde, nuvens pesadas deixavam o ambiente escuro, mas ainda assim tratava-se de um passeio agradável. Draco com certeza conhecia muita coisa por ali. Comportava-se como um verdadeiro guia turístico, contando histórias sobre os lugares que viam e fatos engraçados que ele mesmo havia vivido ali. Andavam pela Quinta Avenida, e Hermione estava feliz por ter deixado seu cartão de crédito no alojamento.

Vê aquele café? – Draco perguntou apontando para uma loja com uma porta pequena, ladeada por uma janela com cortina florida, um lugar aparentemente aconchegante. – É o portal para o Beco Diagonal americano!

Sério? – Hermione perguntou empolgada. – Depois vamos até lá, mas só depois de comermos alguma coisa, Malfoy! Eu realmente estou com fome! – ela sorriu.

Vamos até lá, então! Tem um restaurante...

Não! – Hermione sorriu, os olhos brilhantes fitando um grande M amarelo e arredondado. – Você já comeu no Mc Donald's?

Onde?

Ali, Malfoy! – ela apontou já o puxando pela mão.

Aquele lugar todo colorido com um palhaço horrível na frente? – ele a puxou de volta, fazendo-a parar. – É um lugar trouxa!

E daí? – ela o olhou, meio ofendida.

É para crianças! – ele tentou consertar.

Não é só para crianças, Malfoy! E você precisa se habituar a comer com trouxas, sabia? Eu não acredito que você só come no tal Beco Diagonal americano!

É Gueto Transversal!

Tanto faz! Hoje você vai comer num lugar trouxa, afinal você convidou uma nascida trouxa para almoçar! Agora arque com as conseqüências! – e voltou a puxá-lo.

Droga! – ele murmurou. – Que tipo de comida eles servem aí?

Comida gordurosa, que entope as veias do coração, mas que é uma delícia! – ela empurrou a porta do restaurante para entrarem.

A cada passo que dava Draco se convencia de que não era uma boa idéia estar ali. Cheiro de fritura, mesas apertadas, ambiente completamente lotado, e gente com cara de que vai perder a chave do portal se não engolir todo hambúrguer de uma vez só. Mas os olhos de criança numa loja de brinquedos que Hermione esboçava fazia valer a pena.

Olha! Esta semana vem brinde do Shrek!

Quem?

Se importa de comer o pacote para crianças? – ela sorriu fazendo cara de cachorro pidão.

Fala sério! – ele virou os olhos. – Qual é a diferença?

É menor, mais caro, mas vem com um brinquedo! – ela respondeu levando-o até o balcão para fazer o pedido.

E para que você quer o brinquedo, Granger? – ele aguardou na fila, com a cara amarrada.

Hum... Eu coleciono...

Não está um pouco grandinha para colecionar brinquedos? – ele sorriu.

E você está bem grandinho para ficar reclamando de tudo, Malfoy! – ela sorriu de volta.

Pois não? – a mocinha sorridente e apressada perguntou.

Dois Mclanche Feliz, por favor!

O que você está fazendo? – Draco perguntou horrorizado.

Como assim? – ela o olhou a meio caminho de abrir a bolsa.

Eu não vou deixar você pagar a conta!

Você tem dinheiro trouxa? – ela sussurrou.

Cancela o pedido! Vamos para outro lugar!

Relaxa, Malfoy! – ela soltou a mão dele, só então percebeu que estavam de mãos dadas desde que ela o puxou para a lanchonete. – Hum... Depois você me dá o equivalente em galeões... – falou meio sem graça.

Confuso, Draco não respondeu, mas fez questão de, no mínimo, carregar a bandeja até a mesa dos dois.

Tirei o Burro, e você? – ela perguntou.

Um gato... – ele falou olhando com estranheza para aquele gato laranja usando botas e um chapéu.

O Gato de Botas! Posso? – ela estendeu a mão.

Hum... – ele balançou os ombros e lhe entregou o brinquedinho. - Fala sério, Granger, para quem você vai dar esses brinquedos?

Hum... Para... A minha afilhada! – ela sorriu abocanhando seu hambúrguer.

A filha do Potter?

Umhum!

Draco tirou um pedaço do seu hambúrguer também. – Como é mesmo o nome dela?

Kelly.

Hum... Mas eles têm outro filho, não têm?

Uhum... – ela engoliu um pedaço do lanche. – Kevin. Acho que o Neville vai batizá-lo.

Longbotton?! – ele pareceu espantado.

É! – ela tomou um gole de refrigerante. – Ele se casou com a Luna, sabia? – ele arregalou os olhos, quase tanto quanto a própria Luna. – Ela montou uma loja de antiguidades lá no Beco. Faz o maior sucesso!

Antiguidades ou esquisitices? – ele riu. – E o que você faz lá na Inglaterra, exatamente?

Hum... Eu trabalho como medi-bruxa no Saint' Mungus, na seção de acidentes mágicos. Gina também trabalha lá... E você?

Eu já te disse. Abri minha própria empresa com o pouco dinheiro que sobrou depois da guerra. O ministério confiscou a maior parte, mas eu ainda tinha direito à herança da minha mãe.

Sua mãe também morreu? – ela perguntou insegura.

Não, mas concordou em dar a minha parte. De qualquer maneira ela não sabe fazer nada e, sem o meu pai, o dinheiro acabaria logo. Agora eu o faço render e mando sempre uma quantia mensal para ela.

Hum... Ela não se casou de novo? – ela mergulhou a ponta da batatinha no catchup.

E por que se casaria de novo? – ele perguntou indignado.

Hum... Eu não me lembro dela muito bem, mas ela é nova, não é? Poderia se apaixonar de novo, ou não?

Não sei se ela ia querer... – ele experimentou a batata com molho. – Você quer?

O que?

Se apaixonar de novo? – ele perguntou displicente, ela baixou os olhos. – Você também é nova, bem mais nova que a minha mãe!

Mas eu estou bem assim... – ela respondeu simplesmente.

Hum... Acho que ela também...

E você? – ela rebateu. - Está bem assim, pulando de galho em galho, mas sem criar um afeto por ninguém? Sem "gostar o suficiente de alguém", como você mesmo disse?

De que adianta gostar de alguém, Granger? Só para perder a pessoa e ficar sofrendo o resto da vida, como você?

Você não me parece sofrer por causa da Parkinson! – ambos esqueceram-se dos lanches.

Mas eu já sofri bastante, Granger! Só que já faz cinco anos! Até quando você gostaria que eu chorasse por ela?

Você chorou por ela?! – Hermione realmente se assustou.

É modo de dizer, Granger!

Hum...

Mas eu me senti culpado, sabe? – ele tomou um gole do seu refrigerante, mas parecia ter perdido o interesse pelo hambúrguer. – Eu briguei com ela naquele dia, falei muita besteira, mas também... Eu já tinha avisado para ela! O que ela queria que eu dissesse?

Hermione ainda o olhava, mas sem entender absolutamente nada do que ele dizia.

Ela estava grávida, Granger!

Hermione errou a mira da batatinha e acabou virando o copinho de catchup na mesa. – Você tem um filho?! – ela perguntou abobada.

Você é surda? Ela ainda estava grávida quando morreu!

E você brigou com ela? Por estar grávida?! – ela se indignou.

Eu já tinha falado que não queria filhos! – ele limpou obsessivamente o catchup da mesa com um guardanapo de papel. – Eu não tenho paciência com crianças, nunca quis ser pai, e nós estávamos em guerra! Quem seria louco o suficiente para ter um filho durante a guerra?! – ele esperou que ela concordasse, mas ela apenas acenou para uma garçonete e pediu mais molho. – Depois eu pensei melhor, percebi que tinha exagerado, mas já era tarde demais. No dia seguinte soube que ela tinha sido morta pelos comensais. Alguns deles foram presos naquele dia... – ele baixou a cabeça, querendo esconder o que sentia. – Meu pai morreu antes de saber que não havia feito nada para impedir a morte do neto dele! O Malfoy sangue puro do qual ele tanto se orgulharia! – uma de suas mãos estava fortemente fechada sobre a mesa.

Seu pai... Ele estava...

Estava! Por isso não se assuste quando ouvir dizer que eu não fui ao enterro dele, ou que eu não lamentei nem um pouco sua morte!

Eu sinto muito, Malfoy...

Hum... – ele tomou mais um gole do refrigerante e começou a brincar com uma batatinha no molho substituído. – E você?

Hum?

Sua vez, Granger! Eu já contei a parte sombria da minha vida, conte-me a sua!

Ah, Malfoy...

Vamos lá! Põe para fora! – ele colocou a batata inteira na boca. – Como foi que o Weasley morreu?

Hermione suspirou. Até onde aquela conversa os levaria? Para que falar sobre coisas tão íntimas? Se soubesse que terminaria assim ela nem teria perguntado nada.

Eu já te falei... – ela começou. – Foi em casa mesmo, estava chovendo pra caramba. Eu acordei no meio da noite com o... – ela se remexeu na cadeira. – com o barulho da porta. Quando saí para ver o que era, afinal poderia muito bem ser um comensal da morte, eu vi que era ele... Estava com muita dor, mas não parecia machucado. Ele me falou um monte de coisas, não me deixou chamar ajuda... Sabia que não ia adiantar mais... – uma lágrima escorreu de seu olho, Draco já se arrependera de sua insistência. – Não havia mais o que fazer. Ele simplesmente parou de falar... – ela fungou. – Até hoje eu me lembro dele em dias de tempestade. É quando eu costumo ter pesadelos...

Eu tenho que parar de ser tão insistente... – Draco falou, secando as lágrimas dela com uma das mãos. – Me desculpe...

Não tem importância... – ela riu. – Você está certo... Eu preciso "por para fora"... Nem foi tão ruim assim, há algum tempo eu me debulharia em lágrimas e só pararia daqui a uns dois dias. – ela secou o rosto.

Mione?

Oh oh! – ela abriu a bolsa e foi direto para o espelhinho. – Oi!

Oi... Que houve? Você estava chorando? – Gina perguntou preocupada.

Não foi nada demais...

Onde você está? Parece o Mc Donald's! – ela sorriu. – Com quem você está?! – ela perguntou como se não acreditasse na resposta que viria a seguir.

Você sabe com quem eu estou, então por que pergunta? – ela falou envergonhada.

E vocês brigaram de novo?! É por isso que você está chorando? Hermione!

Ai! O que você quer, hein? – ela falou impaciente, mais ainda porque Draco não parava de rir.

Só vim te...

É ela? – Harry perguntou ao longe.

É... – ela respondeu e fez cara de preocupada para Hermione.

Oi Mione!

Oi Harry, tudo bem?

Tudo, e você?

Tudo bem!

Olha, Mione... Eu queria pedir desculpas por aquele dia sabe? Eu não estava esperando... aquilo, sabe?

Tudo bem, Harry... – ela começou a ficar vermelha. Draco prestava muita atenção à conversa.

Hum... Então? Quem era?

Draco a encarou, desafiando-a a dizer quem era seu acompanhante naquele dia. Hermione ficou nervosa, e ter Draco rindo da situação não ajudava em nada:

Ninguém importante! – ela disse simplesmente. Draco quase engasgou.

Bom... A Gina já falou que nós vamos te visitar final de semana que vem? – ele mudou de assunto, parecendo aliviado.

Eu ia falar agorinha... – Gina emendou.

Nós vamos levar as crianças! Tudo bem para você?

Ehr... Claro! Que horas vocês chegam? – ela perguntou preocupada, como esconderia os filhos de Draco se eles viessem para Nova York.

À tarde, mas falamos com você depois. Agora eu preciso voltar antes que alguém se estatele nas vassouras! Um beijo!

Outro... – ela respondeu.

Bom... – Gina voltou. – Então é isso! Até final de semana que vem!

Até...

Vou ter que aproveitar bem a semana, não é? – Draco perguntou displicente. Você, com certeza, não vai me querer por perto com o Potter por aqui, não é?

Também não é assim... – ela falou insegura. Ao mesmo tempo não queria convidá-lo para ficar com eles. – Vai ter criança junto... E você disse que não tem paciência...

Não mesmo, mas não se preocupe... Talvez eu resolva dar uma volta por aí... Acho que vou convidar a Chelsie...

Faça isso! – ela falou, séria. – Mas quando voltar tenha certeza de que ela não vai mais dar escândalo, ouviu?

Sim senhora! – ele sorriu. – Eu já terminei. Vamos?

Vamos... – eles se levantaram e saíram do estabelecimento.

Do lado de fora o tempo parecia muito mais hostil do que antes. As nuvens estavam completamente escuras e já era possível vislumbrar alguns relâmpagos. Hermione puxou o casaco para mais perto do corpo, Draco a observava, apreensivo.

Eu acho melhor ir para casa, Malfoy...

Ir para casa fazer o que, Granger? Ficar se lembrando do Weasley quando o céu resolver desabar? Não mesmo! – ele segurou a mão dela e a levou em direção a praça de onde eles haviam aparatado.

Mas Malfoy... – e os dois aparataram, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

Mal eles chegaram aos portões da casa de Draco, pingos de chuva começaram a molhar o chão. Um trovão particularmente alto fez Hermione se assustar. Ela olhou para o céu, exatamente o mesmo céu que ela olhara horas antes de Rony chegar em casa, pela última vez.

Dorme aqui hoje...

O que?

Dorme aqui! Eu te fiz lembrar do dia em que o Weasley morreu e vou me sentir culpado se você tiver pesadelos. – ele ainda a puxava, a chuva estava engrossando.

Não precisa, Malfoy...

Acho que podemos começar a nos tratar pelo primeiro nome, não é? – ele parou assim que eles entraram no saguão seco e aconchegante.

Boa tarde, sr Malfoy. O seu casaco? – Sammy aparatou ao lado deles. Pegou o casaco de Draco e depois o de Hermione.

Não precisa aprontar o jantar muito cedo hoje, Sammy, mas quando o fizer, ponha mais um prato na mesa. – ele a olhou e sorriu. Não havia como não aceitar o convite.

Pois não, sr Malfoy! – o elfo falou sorridente. Fez uma reverência exagerada e aparatou com os casacos.

Hum... Parece que eu fiquei sem escolha quanto ao jantar, mas eu não vou dormir aqui! – ela falou.

Por que não? – ele insistiu. Puxou-a pelas mãos até seus corpos se encostarem.

Eu... Eu não trouxe nada... Nem pijama, escova de dentes...

Ah, por favor! Conjure-os! Você é uma bruxa ou não?

Olha Malfoy...

Draco! Chame-me de Draco! – os dois ficaram se olhando por um tempo.

Não sei se...

Você já sabe muito mais sobre mim do que qualquer outra. E eu acho que já sei coisas o suficiente sobre você, não é? Por que continuar com toda essa formalidade?

Bom... – ela estava insegura. – Tudo bem, Draco... – ela sorriu.

Vamos lá para cima... – ele sussurrou, puxando-a pela mão.

Os relâmpagos cortavam o céu e os trovões assolavam os ouvidos daqueles que queriam dormir, mas Hermione não os ouvia. Tinha outros sons em que prestar atenção. Os sons que Draco emitia quando a sentia tocá-lo. O som do nome dela, o primeiro nome, sussurrado em meio aos gemidos de prazer que ele não conseguia refrear enquanto sentia os lábios dela envolvê-lo suavemente, a língua brincar com seus sentidos, a boca sugá-lo impulsionada pelo êxtase que ele demonstrava a cada momento.

Draco sentiu a explosão do prazer tomar conta de seu corpo, mas ainda não era o suficiente. Ele não podia se contentar em apenas sentir prazer tinha que proporcioná-lo também. Ele não esperou Hermione se recompor quando achou que ele estivesse satisfeito. Segurou-a pelos ombros para que ela se levantasse, então a puxou pela cintura e a deitou na cama, colocando-se por cima dela imediatamente. Tomou os lábios dela com urgência, sentiu-a se acomodar ao redor de seu corpo. Ofegou quando ela remexeu o quadril procurando o encaixe de seus corpos. Ele sorriu, ainda com os lábios encostados aos dela.

Draco...

Ainda não, Hermione...

Ele desceu seus beijos pelo corpo dela, brincou com seus seios, sugando-os e mordiscando-os. Continuou pela barriga, molhando o corpo dela com sua língua até tocá-la em sua parte mais íntima e senti-la se contorcer de prazer.

Ah, Draco... – ela gemia, agora agarrada aos cabelos dele.

Ele a lambia, quanto mais ela pedia.

Draco... Assim não...

Ele parou quando percebeu que ela não ia agüentar mais. Sentiu-a afrouxar os dedos em seus cabelos e relaxar o corpo sobre o colchão.

Por que você me tortura desse jeito, Draco? – ela sussurrou ainda de olhos fechados, esperando o que viria a seguir.

Por que você fica louca, Hermione, quanto mais excitada eu te deixo... – ele a encarou, sorrindo, satisfeito com o efeito que causava.

Você vai me deixar louca de verdade se não me possuir de uma vez... – ela sussurrou.

Como você é impaciente, Hermione... – ele sorriu, mas penetrou o corpo dela antes mesmo de terminar a frase.

Hermione gemeu e enroscou as pernas no corpo dele. Arranhava suas costas e gemia cada vez mais, comandando com sussurros os movimentos dele. Era tudo muito intenso, muito diferente, de um jeito que nenhum deles sabia explicar.

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...Hermione...

Hum? – ela perguntou ainda sonolenta. Seus olhos estranharam a claridade que invadia o quarto. – Que foi? – ela sussurrou. Virou-se devagar para olhá-lo. Continuava dormindo. – Draco? – não se mexeu. A respiração continuava leve e ritmada. Hermione olhou ao redor. O tempo lá fora continuava nublado. Uma garoa fria molhava o chão. Ela não tinha coragem de desviar os olhos, tinha medo do que poderia ver.

...Hermione...

Ah não, Rony... – ela sussurrou. Fechou os olhos e levou as mãos ao rosto, como uma criança com medo de bicho papão. – Eu não fiz nada de errado. Nada de errado!

Hermione? – Draco se mexeu ao lado dela. – O que foi?

Foi você que me chamou? – ela perguntou sabendo a resposta. – Outras duas vezes?

Não... – ele levantou um pouco o corpo, preocupado. – A não ser que o tenha feito dormindo... O que houve? – ele tocou o ombro dela, tentando fazê-la olhar para ele.

Eu ouvi a voz dele...

Voz de quem?

Do Rony...

Hermione...

Eu acho que estou ficando louca, Draco! – ela finalmente o olhou, o rosto manchado de lágrimas. – Eu ouço a voz dele! Eu o vejo, Draco! Eu não quero mais...

Fica calma, Hermione... – ele a observava sem saber o que fazer.

Eu não quero mais vê-lo... Eu tenho medo! Eu não estou fazendo nada de errado, estou?! – ela perguntou com a voz esganiçada.

Claro que não... – Draco falou, paciente, mas com certa pena. – E você não tem do que ter medo. – ele a enlaçou pela cintura e a puxou para perto de seu corpo, num abraço confortador. – Não precisa ter medo, Hermione. Eu estou aqui com você, só estamos nós dois aqui! – ele beijou o rosto dela. – Foi só impressão sua!

Hermione fechou os olhos, mais calma. Sabia que não teria por que ter medo de Rony. Ele jamais lhe faria mal, mesmo que estivesse por ali. Mas de alguma forma ela estava assustada e sentia-se bem melhor estando com Draco. Era como se ele pudesse protegê-la de Rony, da lembrança de Rony.

Draco não sabia como agir numa situação como aquela. Como concorrer com alguém que já estava morto, mas que mesmo assim tinha tanta influência? E por que aquilo o incomodava tanto? Já teve o que queria, várias vezes, e sabia que teria outras vezes mais, não precisava ser gentil com ela, ou fingir que se preocupava. Ela voltaria se ele pedisse, mesmo que a tratasse como tratou todas as outras, afinal, todas as outras voltaram. Mas com ela era diferente. Com ela ele se preocupava. Não conseguia ser indiferente aos problemas dela, não conseguia não querer saber mais sobre ela, não conseguia simplesmente deixá-la daquele jeito, assustada, por mais que ele não tivesse nada a ver com aquele assunto. Aquilo não estava certo, e o estava deixando confuso.