Capítulo 11 – O Traidor
A Ordem da Fênix tinha sido, mais uma vez, golpeada com força brutal.
O assassinato de Edgar e Emily Bones e de seus bebês foi amplamente divulgado pelo Profeta Diário que lançava a mesma pergunta que atormentava milhares de bruxos: Se Voldemort pregava a purificação da comunidade bruxa contra os nascidos trouxas e a supremacia deles perante os trouxas em geral, porque atacar tão cruelmente uma tradicional família puro-sangue como a família Bones?
Não fazia o menor sentido, mas infelizmente ninguém teria oportunidade para questionar Voldemort ou seus Comensais sobre essa terrível mudança de métodos.
Lucy que, depois da perda de Gwen e de Marlene, acreditava que não agüentaria ver mais nenhum de seus amigos partir, esteve completamente 'apagada' nos dias que se seguiram à morte de Edgar e Emily.
Não conseguia entrar no quartel dos aurores sem lembrar-se de Edgar ali, sempre pronto para 'irritá-la'. Algumas vezes se pegava pensando nas brincadeiras constantes, na cumplicidade ou no tanto que eles formavam uma dupla perfeita, mesmo que Moody dissesse o contrário...
Moody também esteve bastante abatido, afinal, mesmo não admitindo porque sempre queria parecer 'durão', Edgar era um grande amigo e um de seus melhores homens.
'A senhorita Lucy que o estragava de vez em quando...' – Ele comentou certo dia, se referindo ao fato de Edgar se insubordinar a algumas ordens.
A loirinha passou alguns dias sendo liberada por Moody por não se encontrar em condições de combate. Ela chegava ao quartel dos aurores e já ia direto à sala de entrevista conversar com Moody.
Ele fazia com Lucy alguns testes de resistência e logo a liberava, desanimado. Num desses dias, ela estava a caminho do elevador para ir embora quando tropeçou em Peter.
- Oh, me desculpa... Estou tão distraída...
- Tudo bem. – Respondeu ele pegando do chão alguns papéis que derrubara com o encontrão.
- O que você está fazendo perdido aqui embaixo? – Perguntou Lucy finalmente percebendo que Peter seria a última pessoa que ela esperaria encontrar por ali.
- Vim encontrar o Sirius.
- Ele está de folga hoje. – Ela explicou e Peter fez uma expressão bastante triste.
- Ah... Eu vou embora então... – Peter comentou ainda sem encarar Lucy.
- Eu te acompanho até o átrio. – Falou a loirinha, mas logo parou porque Moody aparecera na porta do quartel dos aurores e a chamava com urgência.
- Nos vemos outra hora... – Falou Peter se despedindo da loirinha e virando o corredor logo em seguida.
Lucy andou até Moody que parecia bastante aborrecido.
- Desistiu de me dar folga? – Ela perguntou divertida ao se aproximar do chefe.
- Mais ou menos... – Moody olhou ao redor para se certificar que estavam sozinhos e puxou Lucy pelo braço para longe da porta em que estavam.
- Aconteceu alguma coisa?
- O Black e o Lupin foram mandados para investigar uma denúncia de que Comensais da Morte estão se reunindo em Wimbledon. É uma missão completamente sigilosa e a senhorita pode perceber por quê.
- Eles correm sério perigo se forem descobertos no 'ninho' das cobras...
- Exatamente. Acontece que eles estão perdidos na região e isso me causou certa preocupação. Apesar de achar que a senhorita não está em perfeitas condições de combate, acredito que essa 'pequena' missão de socorrê-los e auxiliá-los não será um problema. – Falou Moody aparentando estar muito preocupado por ser uma 'pequena' missão. – Você é a única pessoa que eu posso contar no momento.
- Claro Moody... Vou aparatar por lá imediatamente.
Nesse momento os dois ouviram um barulho no corredor e a loirinha andou desconfiada até lá.
- Vazio... – Ela murmurou observando o corredor.
- O barulho deve ter vindo da sala de Uso Impróprio da Magia. – Comentou Moody.
- Bem, vigilância constante... – A loirinha falou sorrindo. – Vou para a minha missão, não tire os olhos da sua preciosa pirâmide, por favor!
Moody sorriu levemente e voltou para o quartel dos aurores.
- Senhorita Stravinska! – Dumbledore andou até a russa que acabava de entrar em sua sala e a cumprimentou gentilmente com um beijo na mão. – Encantado em conhecê-la.
- O prazer é meu professor Dumbledore. – Ela abriu um sorriso gentil e permitiu que ele a encaminhasse para uma poltrona no outro extremo da sala.
O diretor serviu duas taças de hidromel, entregou uma à Viktoriya e sentou do outro lado da escrivaninha sorrindo bondosamente.
Vika experimentou a bebida e ficou ainda algum tempo em silêncio decidindo como começar a conversa. Aninia lhe diria para ir direto ao ponto, Lucy lhe diria para conversar amenidades antes. Mordeu de leve o canto dos lábios antes de decidir pela segunda tática que lhe parecia muito mais fácil.
- Era um sonho antigo meu conhecer Hogwarts. – Ela comentou enquanto lançava um olhar curioso aos objetos da sala do diretor.
- É uma pena não ter tido a oportunidade de vê-la estudando aqui senhorita. Mas ainda podemos dar uma volta pela escola, se ainda tiver interesse em conhecer o castelo.
- Vou adorar. – Ela abriu um sorriso tão sincero como quando tinha quatro anos de idade e ganhou sua tão sonhada bicicleta.
Dumbledore pousou sua taça na mesa e inclinou a cabeça de lado para observá-la.
- Mas temo que a senhorita não tenha vindo aqui só para conhecer Hogwarts...
Viktoriya manteve o sorriso.
- Não. Claro que não. – Ela respondeu e tomou mais um gole de hidromel antes de continuar. – É que o assunto é um pouco delicado e... Um tanto confuso.
- Deixe-me ajudá-la um pouco então... É relacionado à viagem que você fez à Espanha?
- Mais ou menos.
- Vocês descobriram alguma coisa interessante por lá?
- Digamos que sim... Na verdade lá eu apenas aprofundei minhas pesquisas, a descoberta foi feita aqui em Londres mesmo. O problema é que não sei se essa descoberta pode significar alguma coisa relevante... Recentemente eu me deparei com o termo Horcrux em um documento que estava traduzindo e isso me chamou a atenção. De alguma forma, apesar de achar Voldemort patético, acredito que ele seria o tipo de pessoa capaz de criar Horcruxes para poder passar toda a eternidade nos infernizando e tentando dominar o mundo como se ele fosse o tal.
Dumbledore riu da maneira que ela se referia a Voldemort, mas logo se recostou na cadeira para considerar a dimensão do problema que a russa lhe apresentava.
- A senhorita tem idéia do que as Horcruxes realmente representam?
- Sim, eu sei. – Ela respondeu sorrindo. – E o senhor acha que por isso nem mesmo Voldemort seria capaz de criá-las?
O diretor a fitou por mais alguns instantes antes de responder pausadamente.
- Gostaria muito de acreditar que essa idéia nunca tenha passado pela cabeça de Voldemort.
- Mas... – A russa tamborilou a mesa do diretor com um sorriso quase presunçoso. – Admite que é possível?
- Sim, admito que é. – Dumbledore estreitou os olhos na direção da morena e pediu num tom bondoso. – A senhorita está disposta a me contar tudo o que descobriu em suas pesquisas?
Viktoriya sorriu ainda mais.
- Foi para isso que eu vim aqui.
No final do dia Lucy e Sirius aparataram juntos na varanda da casa da loirinha. Estavam machucados e ela ainda tinha as vestes sujas e rasgadas.
Lucy apontou a varinha para a porta e murmurou algumas palavras que Sirius não pôde entender por estar concentrado demais em tirar os sapatos e jogá-los fora.
A loirinha entrou em casa indo direto para o chuveiro.
- Tem um vidro no armário da cozinha com uma solução de tentáculos de murtisco amassados. – Lucy gritou para Sirius de dentro do banheiro. – Deve aliviar um pouco seus machucados.
O maroto seguiu a recomendação de Lucy e ela o encontrou, minutos depois, esparramado na poltrona ao lado da lareira acesa.
- Você está muito melhor. – Ele comentou sorrindo e estendendo um copo de fire-whisky na direção da loirinha.
Lucy nem parecia a mesma pessoa que tinha entrado em casa poucos minutos antes. Estava com um delicado vestido cor-de-rosa e uma fita da mesma cor prendendo os cabelos que naquele dia estavam cacheados.
- Aliviou um pouco as dores? – Ela perguntou apontando para os ferimentos do maroto.
- A Lis trataria melhor os meus ferimentos... Mas já está bom assim.
A loirinha sorriu e deitou no sofá de frente para Sirius.
- Que dia... – Ela comentou sabendo que Sirius estava louco por uma deixa para começar a falar sobre o ataque desproporcional que haviam sofrido.
- Ele tentou nos entregar aos Comensais... – Falou Sirius levantando do sofá e dando uma volta pela sala.
Lucy fechou os olhos tentando reunir paciência para responder.
- O Remus jamais faria isso, Sirius. – Ela falou ainda nervosa. Não agüentava ter que discutir esse assunto com o namorado.
- E como você explica esse ataque de hoje? Como você explica que os Comensais sabiam exatamente onde nos encontrar? E não diga que foi coincidência!
- Outra pessoa pode ter ficado sabendo, talvez eles deduziram, não sei. A única coisa que eu sei é que o Remus não seria capaz de nos trair.
- Mas alguém está nos traindo. E até o James acha que o Remus está estranho já faz tempo. – Sirius falou sério esperando convencê-la com esse novo argumento.
- Já te passou pela cabeça que ele pode estar com medo? Voldemort se aliou aos lobisomens, Remus não aceitou e jamais aceitaria essa união, ele pode estar se sentindo ameaçado!
- Todos nós estamos ameaçados você não acha? E quanto ao ataque de hoje, além de nós dois apenas ele e o Moody sabiam onde nós estaríamos. Se você acha que é mais provável que Alastor Moody traia a Ordem...
- É o que você devia achar, afinal o Remus é que é seu amigo não o Alastor.
Sirius sentou novamente no sofá e ficou observando o fogo na lareira por um tempo. É claro que não queria acreditar que Remus era o traidor, mas... As evidências eram claras e nem Lucy podia ignorá-las.
- É isso que Voldemort quer você não entende? – A loirinha perguntou sentando-se no sofá com Sirius e mexendo no cabelo dele. – Ele nos quer desunidos, desconfiados um do outro. É ele o nosso inimigo Sirius. Ele e os Comensais. E para mim já basta ter todos eles contra nós, não quero também ficar contra as pessoas que eu gosto.
- É tão difícil não ter certeza de quem podemos confiar...
A loirinha riu fazendo ele a encarar um tanto assustado.
- O que foi?
- Estava pensando... Se eu for começar a ficar paranóica com isso também vou ter que te mandar embora agora...
- Por quê?
- Você está usando uma camisa verde e você detesta verde. Talvez você esteja sob a Imperius ou talvez seja um Comensal que bebeu a poção polissuco e não anotou as preferências por cores de Sirius Black...
- Que absurdo... É claro que você sabe quando sou eu mesmo.
- Sim, eu sei realmente. Mas não por causa da sua camisa ou por que você me ofereceu fire-whisky ao invés de cerveja amanteigada. É porque eu sinto que é você. É a mesma coisa com o Remus... Não importa o que aconteça, eu tenho certeza que ele está do nosso lado, eu simplesmente sei disso.
- Tudo bem. Vamos encerrar esse assunto por hoje. – Falou ele não completamente convencido. – Temos coisas mais interessantes com o que nos ocupar essa noite.
- Como namorar, por exemplo? – Ela piscou um olho e sorriu maliciosa.
- Exatamente. – Sirius sorriu também.
- Já terminaram? – Susan perguntou alegre quando viu Lily entrar na cozinha.
- Ih... Longe disso. – A ruiva respondeu divertida. – James está super empolgado com aquele papel de parede animado...
- Meu neto vai ficar tonto com todas aquelas vassouras voando pelas paredes!
Lily riu e abriu a geladeira para pegar a jarra de suco.
- Não tanto, eu consegui convencer o James a pintarmos todo o quarto e só aplicar aquele papel em uma pequena parte da parede.
Susan sorriu aprovando a idéia e apontou para a jarra que Lily colocara sobre a bancada da cozinha.
- Esse suco está ruim. Vou preparar um novo para vocês e já levo lá em cima.
- Obrigada Su.
- Quer abacaxi de novo?
- Abacaxi. – Lily respondeu enquanto deixava a cozinha.
Encontrou James no caminho da escada.
- Estava indo te buscar. – Ele falou sorridente dando um selinho na esposa e a puxando pela mão para o andar de cima.
- Nem demorei tanto assim...
- Tchan-ram! O que acha Lis? – James perguntou parando no umbral da porta e apontando para as paredes decoradas.
Todo o quarto tinha sido pintado de azul e o papel animado aplicado até a altura de mais ou menos um metro de altura.
- Está ótimo James! – A ruiva respondeu parecendo animada. – É só que...
- O que?
- Não combinamos que seria tudo neutro? Porque você já pintou de azul? – Ela tentou disfarçar sem sucesso uma nota de leve decepção em sua voz.
- Ah, isso... – O maroto comentou sorridente e apontou a varinha para as paredes que começaram a oscilar nas cores do arco-íris. – É só escolher.
- Que lindo! – A ruiva bateu palmas e deu um beijo no rosto do esposo. – Pode deixar o azul por enquanto então...
- Obrigado. – Ele agradeceu com uma mesura.
Susan entrou no quarto com as bebidas enquanto James fazia as paredes pararem de piscar multicoloridas.
- Ficou perfeito meu filho. Vejo que criatividade é uma coisa que nunca lhe falta!
- Não mesmo... – Lily sorriu.
- Posso montar os móveis? – Ele apontou empolgado para as caixas arrumadas num canto do quarto.
- O carpete primeiro, querido.
- Não se empolguem muito vocês dois, o jantar já está quase pronto.
- Tudo bem. – James respondeu sorrindo enquanto sua mãe deixava o quarto.
Lily esperou na porta enquanto James estendia e pregava o carpete bege e sentou no meio do quarto quando ele terminou.
- O bebê vai poder engatinhar sem medo por aqui. – Ela comentou verificando o quanto tinha ficado fofinho o chão do quarto.
- O que eu monto primeiro?
- Aquela caixa branca. – Lily apontou para a maior. – É o berço.
James começou a montar o berço e Lily deitou de costas no carpete para analisar uma lista que tirara do bolso.
- 'Euterpe' eliminado. – Ela começou a apontar a varinha para os nomes que não queria e eles logo ficavam com um 'X' em cima. – 'Altheda'? De onde vocês tiraram isso?
- Acho que esse o Sirius viu em um livro de história da magia...
- O Sirius tem um livro de história da magia? Estou surpresa! – Lily sorriu e voltou sua atenção para a lista. – 'Torpheus'? Está de brincadeira não está? Eliminado. 'Sophie' é bonito, vou deixar por enquanto. 'Hélix'... 'Hélix Potter'. Feio. 'Depulso' ridículo...
- Ridículo? Você está muito exigente Lis...
- Meu filho não vai ter o nome de um feitiço James.
- É... Seria complicado chamá-lo em voz alta. – O maroto coçou o queixo pensando na possibilidade.
- Achei um bonito. 'Harry'. – A ruiva sorriu ao pronunciar o nome. – 'Harry Potter'. Olha só... Adorei esse!
- Jura? – James pareceu surpreso.
- Sim. Esse fica por enquanto. 'Eshe' eliminado. 'Nailah' também. 'Acrísio'? Ai Merlin! 'Telassa' não... 'Aydee' vocês foram longe...
- Prontinho. – James sorriu e Lily abaixou a lista em cima da sua barriga para olhar o quarto.
Todos os móveis estavam montados e organizados no quarto.
- Uau! Que eficiência!
- Gostou?
- Está ficando lindo Jay. – A ruiva sentou novamente no carpete para observar o quarto. – E saber que daqui a pouquinho ele já vai estar aqui andando por esse quarto. Um pedacinho de vida pra gente cuidar...
- Ah Lis, você está chorando... – O maroto soltou sua varinha no chão e correu para abraçar a esposa. – Por Merlin, você estava tão empolgada detonando a minha lista de nomes para o bebê!
A ruiva sorriu entre as lágrimas.
- Me desculpa... – Ela se afastou e James limpou de leve as lágrimas no rosto da ruiva. – É que eu fico emocionada quando penso na responsabilidade que vamos ter... Será que seremos bons pais para ele?
- Você vai ser perfeita Lis. – James respondeu passando os dedos no rosto da esposa e em seguida baixando a mão para acariciar a barriga dela. – E eu vou fazer de tudo pra estar à sua altura.
Lily beijou o maroto e guardou a lista de nomes no bolso do seu macacão.
- Conseguiu alguma coisa? – James apontou para lista antes de estender a mão para ajudá-la a levantar.
- Por enquanto separei Sophie para menina e Harry para menino.
- De mais de cem nomes você ficou só com um de cada? – Ele arregalou os olhos.
- Fala sério Jay, essa lista é mais para me fazer rir do que sugestões de verdade. – Lily sorriu e andou até a porta do quarto. – Vamos, acho que a Susan já está nos chamando para o jantar.
- É uma lista séria. – Ele resmungou seguindo atrás da esposa.
- Claro que é Jay.
- Quando a Lucy chegou para nos ajudar, estávamos sendo atacados por uma dúzia de Comensais! Foram horas até nos livrarmos de todos eles, vencidos pelo cansaço creio eu. – Sirius finalizou o relato que fazia a James sobre o ataque que sofrera com Remus no dia anterior.
- E a sua teoria brilhante é que o Remus estava tentando entregá-los aos Comensais? Porque ele se incluiria nessa presepada?
- Para dar autenticidade?
- Não sei Almofadinhas... É o Remus, cara...
- Eu sei que é ele. Mas alguma coisa muito estranha está acontecendo.
James fez uma careta deixando claro que não levava Sirius a sério e voltou sua atenção para o jogo. O Tutshill Tornados estava vencendo o Wigtown Wanders por 80X20.
- Lily acha que a nossa lista de nomes é uma piada. – Ele comentou de repente.
- Toda a lista?
- Quase toda... Ontem ela leu duas páginas e só selecionou Sophie e Harry.
- Ah, eu gosto de Harry... – Sirius comentou.
- Você lembra o que significa?
- Droga, Bronwen! Rebate esse balaço, cara!
- Aposto que não é isso... – James falou rindo.
- Não mesmo. Acho que esse eu tirei daquela revista em quadrinhos que nós vimos uma vez na sala do Filch, lembra?
- Mais ou menos...
Eles ficaram em silêncio observando o artilheiro do Tutshill se posicionar para cobrar uma falta.
- Ele nunca erra daí. – James comentou e logo deu um pulo da arquibancada para comemorar o gol com o amigo.
- A Lis não gostou de 'Eshe'? – Perguntou Sirius quando o jogo voltou a se acalmar – O significado é bonito! Alguma coisa como presente, dádiva...
- Achou ridículo se bem me lembro das palavras dela... Na verdade ela achou isso de quase todos...
- Inclusive de 'Aydee'?
- Não... Disse apenas que fomos longe demais nesse.
- Eu acho Aydee um nome lindo... – Comentou uma ruiva sentada ao lado de Sirius.
O maroto teve um sobressalto em percebê-la participando da conversa, mas logo sorriu galantemente.
- Você parece mesmo ter muito bom gosto! E qual o seu nome?
- Annabeth.
- Uau! É um nome lindo também! Talvez eu deva incluí-lo na minha lista...
- Jura? – Ela gargalhou – Que gracinha... E seu nome é?
- Sirius. – O maroto apertou a mão dela e os dois logo mergulharam em uma conversa animada sobre nomes e depois sobre quadribol.
James apenas se limitou a fazer uma expressão desaprovadora, mas que passou totalmente despercebida pelo amigo.
Nas semanas seguintes Lucy foi quase que obrigada a se recuperar da perda de Edgar, Emily e dos bebês, afinal Alastor Moody já tinha muitos problemas com escalas e com aurores feridos e não podia se dar ao luxo de conceder licença para Lucy o tempo que ela achasse necessário para se recuperar.
Donald Swinton foi mesmo designado como nova dupla da loirinha e ela se lamentava por Moody ter escolhido alguém tão o oposto de Edgar.
Mas era exatamente o que Alastor tinha previsto quando decidiu colocá-lo de dupla dela. Quando tinham uma missão que Lucy se negava a cumprir, Swinton fazia sem lhe pedir opinião. Se Lucy era atacada, mas não tão gravemente e estaria em condições de voltar ao combate em poucos segundos, ele logo lhe metia nas mãos uma chave de portal e a loirinha caía, enlouquecida, no saguão de entrada do St. Mungus.
Swinton não brincava, não contava piadas, não fazia bolinhas e aviões de papel, era imune ao dom 'adoravelmente persuasivo' da loirinha e não sorria. Nunca Lucy viu um único sorriso lhe passar pelo rosto.
- Queria saber por que esse mau humor tão constante... – Ela comentou com Alice certa vez.
A amiga lhe sugerira que pedisse ao Moody colocar a loirinha com Diliring Horton que, apesar de também ser completamente diferente de Edgar, era um tanto mais sociável do que Swinton.
- Acho ótimo que não esteja gostando dele. – Lhe respondera Moody quando a loirinha tentou pedir a substituição. – Sinal que ele não se deixa levar pelas suas teimosias.
- Eu não preciso ser mandada para o St. Mungus cada vez que um feitiço me atinge! A recepcionista já pensa que é alguma brincadeira minha! – Ela falou com raiva.
Não agüentava mais aparecer do nada na recepção do hospital e ter que logo em seguida desaparatar furiosa dali.
- Então não permita que nenhum feitiço lhe atinja senhorita.
Parecia que o quanto Lucy ficava aborrecida, Moody ficava proporcionalmente satisfeito.
Passou-se mais de duas semanas até que Moody, vencido pelo cansaço das insistências diárias, colocou Lucy como dupla de Diliring Horton.
Apesar de extremamente agradecida pela mudança, ainda haviam duas coisas que tiravam o sono da loirinha.
A primeira é que Aninia tivera bebê no início de junho como previra, mas tinha decidido manter seu filho longe de Voldemort e, portanto, isolado do mundo bruxo a tal ponto que nem Alice nem Lucy tinham conseguido conhecer Eros ainda. A segunda coisa é que Remus desaparecera completamente desde o dia do ataque dos Comensais que sofrera com Sirius e Lucy. A loirinha tinha ido até a casa dele diversas vezes para tentar conversar, mas não encontrava nada, nem ninguém.
Isso estimulava ainda mais as teorias absurdas de Sirius que parecia estar completamente convencido de que o traidor era Remus.
Foi apenas no final da primeira quinzena de junho que ela tivera sucesso ao tocar a campainha do apartamento de Remus.
Ele ajeitava a manga de sua blusa quando abriu a porta para Lucy.
- Qual o sabor da minha geléia favorita?
- Você parou de comer geléia no nosso quarto ano, Remito. Quando teve aquela alergia horrorosa. – A loirinha respondeu sorrindo e deu um abraço apertado no garoto.
- Não vai me perguntar nada? – Perguntou ele quando se separaram.
- Sim. Porque você está usando uma blusa de frio com o calor que está fazendo lá fora?
- Não era esse tipo de pergunta que eu me referia. – Falou ele fechando a porta e sentando no sofá de frente para a loirinha.
Lucy abriu um sorriso.
- E então?
- Ah, estou um pouco resfriado.
- Pééém - Fez Lucy imitando uma campainha. – Resposta errada. Você está adquirindo o hábito terrível de tentar mentir para mim, sabia?
- Não estou...
- Tudo bem. Quer ficar com a blusa, pode ficar, não me importo.
Remus sorriu um tanto aliviado. Mas apenas por alguns instantes porque a loirinha logo fez outra pergunta que ele não queria responder.
- Onde esteve durante tantos dias? Senti sua falta lobinho.
- Precisei viajar.
- Oh! É claro que precisou viajar! Isso eu deduzi sozinha.
- Aceita um chá? Um café? – Perguntou ele andando até a cozinha.
- Um copo d'água está ótimo.
Ele serviu água para a loirinha, uma xícara de chá para si e voltou para a sala.
- Não vai mesmo me contar onde esteve?
Ela encarou os olhos frios do amigo, mas ele desviou o olhar para o outro canto da sala.
- Eu... Eu não posso. Sinto muito.
- Pensei que fosse sua amiga.
- Você é. Mas ainda assim...
Lucy levantou e deu uma volta pela sala.
- Remus, eu preciso saber o que está acontecendo com você. Eu estou preocupada, mas você não se abre comigo, não se abre com ninguém e isso... Isso está me deixando louca.
- Você acha que sou eu o traidor, não é?
- Não! Você sabe que eu jamais pensaria isso de você. Só que eu preciso saber o que está acontecendo contigo, pra te ajudar se for preciso!
- Ninguém pode me ajudar. – Ele respondeu ainda sem encará-la.
- Você está muito diferente. – Lucy falou cansada. – Eu sinto falta do amigo que eu podia contar em tempo integral, do amigo que só tinha a verdade pra me falar, mesmo quando essa verdade doía, da única pessoa do mundo que sabe que eu mexo involuntariamente na orelha esquerda quando estou contando uma mentira. Do amigo que se deixava convencer por mim só pelo fato de eu sorrir e lhe entregar uma barra de chocolate!
- Não somos mais crianças, Lucy. Algumas coisas mudam. – Ele respondeu com lágrimas nos olhos.
- Não Remus. Existem coisas que nunca mudam. Eu sou a mesma de sempre, você é que não é mais.
Ele levantou e andou até a janela encarando o pôr do sol lá fora.
A loirinha desviou os olhos para a mesa da cozinha e viu uma coisa que fez seu coração gelar. Foi como se tivesse perdido por um momento a capacidade de respirar, sentou novamente no sofá e olhou para Remus indignada.
- Você a está deixando morrer!
- O que? – Ele virou para encará-la e Lucy apontou para o vaso de flores em cima da mesa.
- Você jurou que elas durariam para sempre. Eu não acredito que você está fazendo isso comigo, com a gente.
Ele ficou um tempo em silêncio e quando abriu a boca falou delicadamente tentando não magoá-la.
- Lucy, são apenas flores, não é motivo para você...
Mas Remus não chegou a completar a frase. A loirinha levantou do sofá tão furiosa que ele recuou dois passos. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu e saiu do apartamento batendo a porta atrás de si.
- Droga! – Remus levou as mãos ao rosto e desabou no sofá.
Ele sabia que tinha feito a coisa errada. Mentir para Lucy era a pior coisa que ele poderia desejar. Mas as flores o denunciaram, as flores que Lucy dissera em Hogwarts que se ele cuidasse bem durariam enquanto eles fossem amigos. Quando ele decidiu mentir, imediatamente a amizade deles começou a enfraquecer.
Remus encostou a cabeça no encosto do sofá e encarou o teto. Realmente não precisava ter feito isso... Porque decidira se isolar depois de perder Gwen e Marlene? E porque se envergonhava da missão que Dumbledore lhe dera? Afinal ele era um lobisomem, todos os seus amigos sabiam e o aceitavam assim desde Hogwarts. Porque ter vergonha disso logo agora? Eles entenderiam perfeitamente que estava andando com lobisomens nos últimos tempos, prováveis seguidores de Voldemort, apenas para tentar convencê-los a se voltar contra esse mal.
Mas não era assim que Remus se sentia. Não queria precisar se infiltrar entre essas pessoas... Alguns mais lobos do que humanos, a maioria tão terrível quanto Grayback...
Não contara nada sobre sua missão nem para Marlene. Mas a morena jamais lhe pressionou para contar qualquer coisa, desde Hogwarts ela tinha sempre respeitado seu espaço e deixado que ele falasse apenas o que julgava necessário. Sentia uma falta terrível de Marlene. Além dela, Remus só tinha confiança suficiente em Lily e Lucy para esse tipo de assunto.
Tinha certeza que Lily, assim como Marlene, nunca iria pressioná-lo para contar nada, mas Lucy... A loirinha era diferente. Ela se entregava numa amizade sempre incondicionalmente, e só admitia que a recíproca fosse equivalente. Do contrário, ela se sentia traída.
Se falasse apenas para Lucy e Lily, se pedisse a elas segredo...
Remus encarou o jarro de flores em cima da mesa e suspirou.
- Talvez não seja muito tarde pra reparar isso.
- Lu, eu confio plenamente no seu instinto. – Falou Lily quando a loirinha contou para ela sobre as suspeitas de Sirius e a conversa que ela tivera com Remus no dia anterior.
- Mas eu estou confusa, Lis... Alguma coisa me diz que o Sirius pode ter razão, mas por outro lado... É do Remus que estamos falando...
- Eu sei... Também não quero acreditar quando o James comenta alguma coisa sobre isso.
Lily parou na esquina, leu o pergaminho que estava carregando e apontou para o outro lado da rua.
- Os números ímpares são do outro lado.
Lucy concordou e elas atravessaram a rua.
A Ordem da Fênix tinha recebido uma denúncia de que alguns Comensais da Morte estavam mantendo alguns bruxos seqüestrados em uma construção abandonada, na periferia de Londres. Lily, que estava de folga no hospital naquele dia, tinha aceitado a missão de ir lá apenas sondar o terreno e Lucy decidiu acompanhá-la.
- Quem você sente que tem razão?
- Lis... Eu me enganei completamente com o Edward... – A loirinha lembrou-se do seu namorado Comensal. – Entende? Mesmo que o Remus seja o traidor, eu gosto tanto dele que meus sentidos ficam confusos e eu não consigo ter certeza de nada.
- Eu entendo o que você quer dizer. – Lily parou por um momento observando os números das casas. – Devia ser aqui. Do 'oitocentos e vinte e sete' pula para 'um mil duzentos e cinco'.
- Os números começam a decrescer na próxima quadra. – Lucy mostrou para a amiga o outro lado da rua com o mesmo problema.
Lily retomou a caminhada.
- Lu... Você acha que no caso do Edgar...
- Não. – Lucy respondeu bruscamente. – Lis eu não acreditaria nem se o próprio Remus me falasse que foi ele.
- Imaginei que não mesmo... Foi muita crueldade.
- Foram dois golpes muito traiçoeiros, tanto a Lene quanto o Ed e a Emy... O Remus que eu conheço jamais seria capaz de uma coisa dessas.
No meio do caminho delas surgiu, de repente, uma nuvem de fumaça violeta. As duas empunharam as varinhas e deram um passo para trás para se recuperarem do susto.
Quando a nuvem se dissipou, elas perceberam que ficara ali um pequeno pedaço de pergaminho caído no chão.
Lucy pegou o pergaminho e o leu em voz alta.
- 'Saiam daí urgente. Armadilha. '
Elas tinham segundos pra decidir.
- E agora o que a gente faz? – Lucy perguntou ainda empunhando a varinha.
- Acho que devemos acreditar Lu.
- Vamos acreditar num misterioso bilhete anônimo? Isso está muito estranho.
- Eu sei, mas nossa segurança vem antes que qualquer coisa. Vamos Lu, vamos embora daqui logo.
E falando isso elas desaparataram para a casa de Lily em St. Evelyn Shire.
Dorcas voltou da cozinha com dois copos de suco.
- Viciei em abacaxi. – Lily reclamou sorrindo.
- É gostoso até. Mas ainda prefiro suco de abóbora. – A morena comentou sentando no mesmo sofá que a amiga. – A Lucy não quis vir?
- Disse que precisava fazer uma coisa importante. E quando ela não entra em detalhes é porque sabe que vai levar bronca se alguém souber o que está fazendo.
Dorcas riu.
- Então seremos apenas nós duas no encontro de meninas de hoje. A Alice mandou um patrono avisando que está com muita dor de cabeça.
- Nossos encontros estão cada vez mais raros e essas duas ainda faltam... – Lily comentou indignada.
Dorcas concordou com um sorriso.
- Lis, você lembra quando brincávamos de 'Escravos de Jó' em Hogwarts? E quem perdia tomava uma dose de fire-whisky?
- Não está pensando em resgatar nossas brincadeiras antigas, está? – Lily perguntou gargalhando com a lembrança.
- Não dá por causa do bebê. Mas nós tínhamos um joguinhos bem divertidos...
- Tínhamos mesmo... Mas isso foi antes de eu me tornar uma monitora defensora das regras.
- É, na época que a Lucy ainda me odiava.
A ruiva riu com a lembrança.
- A Lu nunca te odiou, Dorcas. O problema é que ela é muito ciumenta...
- Queria saber o que ela está aprontando para não ter vindo aqui. Ela passou a semana inteira no Ministério falando sobre nosso encontro de meninas.
- Se ela se meter em encrenca, não vamos demorar muito para saber... – Lily comentou com um sorriso. – Sabe, jogos de cartas também são divertidos mesmo sem a punição de uma dose de álcool.
Dorcas se animou e conjurou um baralho para elas.
- E o que vai ser? Truco, Poker, Rouba Monte...
- Poker! – Lily determinou entusiasmada.
Lucy hesitou antes de entrar no Hog's Head, mordeu o canto dos lábios e depois respirou fundo. Tinha certeza que ele estaria ali e não demorou muito para reconhecê-lo sentado sozinho num canto afastado do bar.
A loirinha sentou de frente para o Comensal encarando-o nos olhos, todo o seu senso de cautela tinha ficado do lado de fora do bar e ela pensou que Moody a mataria se soubesse o que estava fazendo, e como estava fazendo.
- Tentando ler minha mente, sangue ruim?
- Não preciso. Porque você fez aquilo, Snape?
- Fiz o quê?
- Nos salvou.
- Não sei do que você está falando. – Ele respondeu com desdém voltando a atenção para sua cerveja amanteigada.
- Sabe tanto quanto eu que foi você quem escreveu aquele bilhete.
- Não sei de bilhete nenhum.
Lucy segurou-lhe o pulso obrigando-o a encará-la.
- Se não queria que eu soubesse devia ter ao menos mudado a letra. Acho que o traidor do nosso lado se esqueceu de falar que eu tenho um arquivo com a letra de cada suspeito de ser um Comensal. Assim como também tenho a vida inteira de cada um de vocês, com alguns detalhes tão íntimos que você não imaginaria o que fui capaz de fazer para consegui-los.
O Comensal tinha toda a atenção nela.
- Porque está me contando essas coisas?
- Porque não acredito que você seja de todo uma má pessoa. – Ela respondeu dando de ombros.
Na verdade desde que suspeitara da tentativa de deserção de Régulus Black, Lucy vinha procurando indícios de Comensais que demonstrassem qualquer ato que significasse que não eram mais tão leais a Voldemort.
Snape se enfureceu.
- Você não sabe nada sobre a minha vida!
- Será? – Ela perguntou arqueando a sobrancelha. – Posso garantir que sei o suficiente para pedir que procure Dumbledore e conte-lhe que está arrependido de ter se tornado um comensal. Só ele terá condições de te proteger, de te fazer voltar em segurança.
Ele a encarou incrédulo. Como ela tinha a audácia de sugerir aquilo?
Lucy percebeu que já era o suficiente para aquele dia, levantou-se da mesa com um sorriso e se aproximou dele para sussurrar:
- Lily ficaria feliz de ter você do nosso lado.
- Ela escolheu o Potter.
- Você a fez escolher o James. – Explicou a loirinha percebendo que Snape podia matá-la com o olhar que lhe lançou. – Lily simplesmente te adorava, não importava o que quer que falássemos a seu respeito. Até hoje ela te defende se alguém se refere a você como 'Seboso Snape' ou 'Ranhoso'.
- Mas não foi capaz de me perdoar quando... Quando eu falei aquilo.
- Você a magoou profundamente naquele dia. Ela chorou durante dias por ter perdido a sua amizade.
Os dois se encararam em silêncio por um tempo. Lucy teve que admitir mais uma vez que Snape era um Oclumente quase tão bom quanto Dorcas, o que quer que estivesse passando em sua cabeça ela jamais saberia.
- Caso decida ouvir meu conselho, tenho certeza que você sabe como me encontrar. – Ela abriu um sorriso mínimo. – Apenas não conte a Voldemort, detestaria receber uma visita tão importante sem ter chá e biscoitos preparados...
E falando isso ela deixou o bar.
N/a:
Olá pessoas!
Bem, tudo o que eu tenho para comentar hoje é que me sinto extremamente culpada pela demora descomunal para postar esse capítulo! Mas tive tantos motivos e contratempos que nem vale a pena descrever tudo aqui. Só posso prometer que não faço mais isso... XD
Beijos para todos que estão lendo, em especial para as gracinhas: 1 Lily Evans, Yuufu, Rose Anne Samartinne, Liadan Gregory, Kaah~ (Olá! Muito obrigada pelos elogios! Concordo com você, o Rabicho merece sofrer! E bastante! rsrsrs É... Nárnia e HP... eu sou meio louca mesmo... rsrsrs Aiii... me desculpa te fazer chorar... e agora que eu pensei sobre isso: parece que só as crianças gigantes estão ganhando a minha 'proteção' por aqui... huahuahuauha Obrigada pelo carinho flor!) e Caroline Evans Potter.
Luci E. Potter.
