Capítulo 11 -Mitsue.

-Inacreditável! –uma voz feminina, cortante como o fel, foi escutada ao longe, por entre os muros do castelo. –Você é inacreditável!

A yokai, cópia perfeita do irmão, andava de um lado para o outro completamente irritada e indócil. Parecia que nada a faria reconsiderar ou pensar que a proposta que o irmão fizera seria algo bom para todos.

O feudo de Souichiro estremecia à medida que Mitsue, uma das yokais mais belas, praguejava e cerrava os punhos.

A beldade se movia para lá e para cá fazendo com que o seu General a acompanhasse com a boca semi-aberta todos os seus movimentos. Ela era realmente linda, uma verdadeira princesa. Seus olhos verde oliva eram a primeira porta de entrada para seu espírito arrebatador e complicado. Os cabelos negros lisos pendiam pelos ombros, estavam presos pela metade num coque mal feito. Duas mexas pequenas desenhavam o contorno de cada lado do seu rosto liso e oval, sem nenhuma marca.

A boca simétrica e o nariz pequeno lhe davam um ar gracioso, mas nenhum pouco infantil. A cortina de cílios longos e bem escuros davam-lhe uma sensualidade sem precedentes.

Ela usava um kimono vinho escuro de pura seda que não possuía estampas. Um obi preto marcava bem a sua cintura fina. Um laço enorme pendia pelas costas como numa cascata envolta a tantos outros laços e fitas.

-Mitsue, é melhor você escutar... –Souichiro tentava controlar os ânimos da irmã gêmea temperamental que o fuzilava constantemente.

-Escutar o quê? O quê tem pra me dizer, meu Lord? –Mitsue falou as últimas palavras com uma ironia amarga que fez o irmão rir brandamente e sentar-se no chão de maneira despreocupada.

-Está vendo as coisas de maneira muito pessimista, minha Lady. –foi a vez dele ironizar e elevar uma sobrancelha. –Está tão nervosa que não consegue compreender.

-Compreender o que Souichiro? –ela rosnou enquanto procurava algo para atirar no irmão. –Você me vendeu para aquele feudo repugnante! Faz ideia do que isso significa pra mim? Aliás, tem ideia do que isso significaria para o nosso pai? Como ousou a cometer tal atrocidade? Nunca fomos de nos render!

-Como você fala! –ele girou os olhos impaciente e cruzou os braços na altura do peito. –Deixe de ser tão escandalosa e dramática, Mitsue. Não há sentido em travar uma guerra contra Sesshoumaru agora. Somos inimigos, isso é um fato, mas sem a intromissão dele conseguirei muitos outros aliados e terras. Seu casamento será temporário, até eu conseguir força suficiente para acabar com Sesshoumaru.

-E enquanto isso eu tenho que ser submissa e ter herdeiros com ele? Até lá eu durmo com medo de ser morta a qualquer instante? Já imaginou o que eu irei passar naquele lugar? Pro inferno você e seu plano idiota!

-Já chega! –ele a fitou irritado levantando-se do chão com urgência e autoridade. –Você vai e isso é tudo! Não sei porque está tão aborrecida! Esse sempre foi o seu papel! Você nasceu para isso, para fazer alianças! Cumpra seu papel, seja digna! Deixa de ser mimada por um minuto, pare de pensar só em você e pense no seu feudo, no que nosso pai construiu!

Por um momento Mitsue engoliu a seco, emudeceu totalmente com a voz alterada e grosseira do irmão que quase nunca falava daquela maneira autoritária com ela. E mesmo vendo razão, mesmo entendendo o lado do senhor feudal a sua frente, não conseguiu deixar de lhe encarar com os olhos duros e magoados.

-Da próxima vez que quiser salvar o seu feudo, que quiser propor acordos, ponha a sua cabeça, a sua vida em risco, e não a minha.

Mitsue saiu da sala em passos pesados deixando somente seu perfume natural de flores recém colhidas no recinto.

Souichiro respirou profundamente passando a mão pelos cabelos desgrenhados de forma ritmada.

Enquanto a Seiji continuava a fitar a porta por onde Mitsue havia desaparecido.

-Achei que seria mais fácil. –Souichiro resmungou. –Ela é impossível...

-Meu Senhor? –Seiji voltou-se para Souichiro tentando sair de seu transe.

-Nada. –ele girou os olhos aborrecido. –Vocês sempre ficam atordoados, iguais uns idiotas na presença dela. Não sei como não sentem vontade de matá-la algumas horas. Mesmo que ela tenha esse poder de encantar todo mundo, eu conseguiria quebrar essa barreira quando ela começasse a gritar e a espernear como agora.

-Dê tempo a ela. –Seiji deu de ombros. –Ela está se sentindo pressionada, indefesa, é natural que...

-Seiji cala a boca. –Souichiro praguejou irritado. –Não dá pra conversar sobre Mitsue com vocês! Sempre acabam a defendendo! Que inferno! Ela os tem na palma das mãos. Meus próprios servos!

...

Rin abriu os olhos de maneira monótona. Por um minuto esquecera de onde estava.

Assim que iria levantar-se do Futon macio e cheiroso, sentiu uma mão em seu ombro a empurrando de volta.

Levou um susto momentâneo que a fez virar-se para o lado.

E assim que concluiu esse movimento pode respirar aliviada e deixar um sorriso escapar dos lábios.

Sesshoumaru a encarava em silêncio. Ele sempre fazia isso pela manhã, mas antes da própria acordar. Contudo, daquela vez, ele aguardou. Queria ver como ela despertava, como se movia antes de finalmente abrir os olhos e voltar para aquele lugar recheado de agouros e inveja sem fim.

-Estava sonhando? –ele lhe perguntou brandamente.

-Não lembro... –ela balançou a cabeça negativamente. –Achei que esse fosse o sonho... Quero que não me acorde se não for real.

-Por acaso acha que o que passamos a algumas horas era um sonho? –ele suspirou incomodado. –Era uma violência, Rin. Por que não consigo controlar meus instintos?

-Por que quer tanto controlar seus instintos? –franziu o cenho confusa. –Eu não me importo de estar aqui. Já disse que era o que eu mais queria nesse mundo. Não tenho mais sete anos, senhor Sesshoumaru.

-Pare com isso. –ele girou os olhos irritado. –Pare de ficar me chamando de senhor! Odeio essa sua formalidade depois de tudo o que passamos. Soa tão sarcástico. Isso me lembra o quanto somos diferentes, o quanto é um absurdo eu estar tão encantado e incontrolável. Não quero ouvi-la mais me chamando assim. Não suporto mais. Sempre quando a ouço me chamando de senhor faz com que eu me lembre da criança que você foi e da criança que é.

-Não sou mais criança. –franziu o cenho, aquilo sempre a irritava.

-A Rin do passado ainda vive em você. Uma vive dentro da outra. Não imagina o quão terrível é tentar enxergar isso e não ver nada. É horrendo não poder controlar meus desejos. Você me impulsiona a fazer coisas erradas... –sorriu para si mesmo de forma irônica. –E mesmo percebendo tudo isso, não consigo parar de sentir seu corpo no meu. Não consigo deixar de sentir prazer em seu rosto corado, em seus suspiros descompassados, em sua pele macia e quente, nos seus gemidos baixos e provocantes. Você me tira do sério, Rin. E eu odeio essa vulnerabilidade. Essa excitação involuntária que você me faz sentir.

-Me magoa ouvir tudo isso. –ela balbuciou as palavras de forma triste. –Nunca quis lhe causar confusão e arrependimento. Me parte o coração ouvir tais palavras.

-Não é isso... –ele tentou corrigir ao ver o quanto ela havia esmorecido. –Eu só queria ter mais controle sobre meu corpo, sobre meus desejos vorazes. Eu não quero machucá-la, não gosto de feri-la. Não faz ideia do quanto é frágil, do quanto eu tenho que me controlar para não lhe causar ferimentos... Não que eu nunca tenha experimentado uma outra humana, mas é que com você...

-Comigo o quê? –indagou curiosa.

-Com você é diferente. Você me deixa louco, descontrolado... Você me ensandece.

Rin queria ter sorrido, mas não conseguiu. Queria ter rebatido, falado mais. Ter dito a ele que aquele anseio, aquele desejo desenfreado que ele sentia não era algo ruim. Mas ela acabou se calando. Preferiu assim. Ficar em silêncio mórbido sentindo o corpo quente dele encostando-se ao seu.

Por fim respirou fundo e aconchegou-se mais naqueles braços que a acolheram sem hesitação.

-Ainda é tão cedo... –ela murmurou. –Quero voltar a sonhar.

-Feche os olhos. –ele lhe disse brandamente.

-Só se prometer não me deixar quando eu abrir os olhos novamente.

-Eu nunca a deixei de verdade.

Ela sorriu enquanto cerrava os olhos levemente.

...

Akane arrumava os cabelos na frente do espelho de seu quarto. Os cabelos loiros naturais estavam presos num rabo de cavalo posto do lado direito. Algumas mechas emolduravam seu rosto oval, dando-lhe um ar descontraído.

Ela estava usando somente a parte de baixo de um kimono masculino de cor preta. Seu busto era protegido por faixas grossas não deixando seu peito totalmente desnudo.

Assim que ela deu-se por satisfeita e estava pronta para colocar o restante de sua roupa, aquela presença a fez congelar. Só pelo cheiro, pelo sibilar de seus passos, ela sabia bem quem era. Virou-se para trás com urgência ignorando suas vestimentas.

-Yashamaru?

O yokai dos olhos violetas e dos cabelos negros cumpridos acabou dando um passo para frente involuntariamente. Ficou um pouco desconsertado com aquela cena, com Akane vestida daquela maneira. Acabou virando-se de costas antes que pudesse se perder nas curvas bem desenhadas e na silhueta fina que ela possuía.

-Desculpe, não deveria ter entrado dessa maneira... –ele ensaiou um pouco constrangido cruzando os braços.

-Tudo bem... –ela disse dando de ombros. –Mas o quê veio fazer aqui?

-Vim saber como estava, se o seu ferimento está curado.

-Está sim. Estou bem melhor. –ela assentiu sorrindo.

-Hum... Eu só queria saber isso.

-Agora que tenho meus poderes de yokai não há problema algum.

-Fico aliviado em saber que está bem.

Ela por um minuto corou e ficou sem ter o que falar.

Akane odiava ficar sem saber o que responder. Era difícil compreender o porque daquele yokai sempre a deixar daquela forma tão vulnerável. Algo que ela definitivamente não era.

-Obrigado, Yashamaru. –ela conseguiu dizer mesmo que balbuciando. –Por tudo.

-Não precisa me agradecer... Eu já disse que tenho uma dívida eterna com você.

-E eu já falei para esquecer isso. –ela girou os olhos irritada. –Estamos igualados. Você salvou minha vida.

-Era o mínimo que eu poderia ter feito por você. –ele deu de ombros.

-Não faz ideia do quanto essa sua dívida me irrita! –ela rosnou nervosa. –Odeio pensar na ideia de que você só é bom pra mim porque acha que me deve algo!

-Não é bem assim. –ele respirou profundamente fitando o teto. –Você sabe...

-Sei? –indagou incrédula. –Não eu não sei! A única coisa que eu sei é que você me faz bem, mas ao mesmo tempo me mata aos poucos! Eu o amo Yashamaru e ao mesmo tempo o odeio! Eu o amo por me tratar tão bem, por me ajudar, por não me repudiar pelo o que eu sou, mas também o odeio por pensar que só faz isso por gratidão! Porque um dia eu o salvei.

-Akane não é bem assim...

-É claro que é! E eu sou uma idiota por pensar que... Por pensar que você... Argh!

Ela engoliu a seco a sua raiva, contudo acabou deixando de lado a sua inércia e correu até ele rapidamente. Akane o puxou pelo braço e o fez virar para ela. O fez virar para que seus olhos pudessem se encontrar duramente.

Yashamaru entendeu bem o que ela queria e acabou respondendo com um olhar rígido e sério o que não a intimidou em nenhum momento.

-Diz agora. –ela continuava irredutível. –Diz olhando nos meus olhos que não é gratidão.

-Como pode falar uma coisa dessas depois de tudo? –foi a vez dele indagar com incredulidade na voz. –Eu tenho tanta admiração por você, Akane, pelo ser que você é. Tenho tanto respeito. Não é por gratidão somente. E por muitas outras coisas.

-Então para de falar nessa maldita dívida!

-Se isso vai fazer você parar de ter ataques histéricos...

-Yashamaru, eu estou falando sério. –ela respirou profundamente buscando calma. –Não quero que faça nada porque acha que me deve alguma coisa. Eu não quero sua gratidão, fique com ela ou dê a alguém se quiser.

-Você ouviu o que eu falei? –ele girou os olhos incomodado. –Olha, esqueça...

-Quero esquecer é só você não ficar lembrando.

-Tudo bem. –ele assentiu.

-Promete que irá parar de falar nisso?

-Prometo. –assentiu.

-Você dá a sua palavra de que não faz nada pra mim por gratidão?

-Já disse que prometo! –ele balançou a cabeça negativamente odiando aquela situação. –Akane, você quer um contrato? Como pode ser tão desconfiada?

-Tudo bem, tudo bem... –ela assentiu satisfeita. –Então esse assunto está encerrado e quero que fique esquecido.

-Nem tudo será esquecido. –ele riu debochado.

-Do quê está falando?

-Não vou esquecer do que você falou. Não sabia que me amava.

E foi com essa frase que ela corou de vez. Acabou o soltando e virando-se de costas para evitar mais um momento constrangedor entre os dois. Aquilo estava virando rotina e ela não podia mais suportar a ideia de ficar falando de sentimentos na presença dele. Não tinha coragem para tal coisa e talvez nunca conseguisse expressar de fato o que sentia.

Aquelas palavras haviam saído de forma tão natural e óbvia que ela mesma não havia se dado conta do que havia proferido.

-Não seja idiota... –ela tentou recuar.

...

Rin abriu os olhos novamente.

Sesshoumaru não estava mais deitado ao seu lado.

A menina dos olhos amendoados respirou profundamente lamuriando-se por não ter percebido o momento em que ele levantara. Resolveu então sair do cômodo. Sentou-se no Futon monotonamente e acabou levando um susto com o que vira.

Sesshoumaru estava bem ali na sua frente olhando para além da janela e talvez até mais além do jardim que naquele momento era banhado por uma chuva fina quase imperceptível.

Rin por fim decidiu erguer-se de vez. Foi caminhando em passos lentos como se aquilo a fizesse passar despercebida pelo o grande senhor do castelo.

Ela ajoelhou-se a suas costas e o abraçou fortemente afundando o rosto no corpo daquele yokai que parecia imóvel e tão belo como uma estátua forjada por um mármore raro que dificilmente se partiria.

-Estava dormindo tão profundamente... Como consegue se desligar tanto da realidade? –ele lhe perguntou finalmente.

-É tão fácil sonhar ao seu lado, sabe bem disso. –ela respondeu sem delongas.

Ele não respondeu, ensaiou alguma coisa, mas acabou ficando quieto.

-Senhor Sesshoumaru...

-Rin, já pedi para não falar assim. –ele respirou profundamente. –Isso me cansa, não faz me faz bem.

-Perdoe-me... –ela engoliu a seco. –Mas não consigo falar de outra maneira. Sempre o tratei com tanto respeito.

-Tente então falar de outra maneira. Não posso suportar suas palavras quando se refere a mim. Me faz lembrar do passado.

-Tudo bem. –ela assentiu soltando-se de leve dele.

-Mas o que queria me falar?

-Ah, sim... –ela respirou fundo tentando não parecer melancólica demais. –O que pretende fazer?

-Está perguntando em relação ao acordo, não é?

-Sim.

Sesshoumaru virou-se para ela se libertando momentaneamente dos braços finos que envolviam suas costas. Ele estava com os olhos pesados, como se não quisesse tocar de novo naquele assunto. Falar para ela o que pretendia o arranhava por dentro, sabia que ela se esmoreceria e murcharia como as flores no outono. E ele definitivamente não gostava de ver aquela decadência que o definhava. Não queria ver sua frágil menina desfalecendo de agonia.

-Eu não sei ainda, Rin...

-É claro que sabe... –ela suspirou ao encarar aqueles olhos. –Sabe o que tem que fazer.

-Você não consegue compreender a complexidade.

-Claro que consigo. –ela rebateu seriamente. –Sei que fará o melhor para seu feudo. E sabe, sabe mais do que ninguém que deve se casar com essa yokai.

-Olha o que você me fala. Perceba bem suas palavras. –ele a segurou pelo braço levemente, mas acabou a puxando para um pouco mais perto. –Seus olhos lhe traem Rin.

-O quê quer dizer? –ela falou quase num murmúrio. –Não entendo...

-Como quer que eu coloque outra no lugar que deveria ser seu? Como consegue aceitar isso? Seu ser é tão vazio de orgulho. Não consigo entender...

-Por que preencher minha alma de orgulho? –ela sorriu com os olhos semicerrados levando as mãos ao contorno do rosto do yokai. –O orgulho só me afastaria do que eu mais quero...

Sesshoumaru emudeceu de vez, acabou soltando o braço de Rin e dando-lhe um sorriso quase irônico.

-Você é surpreendente.

-É tão surpreendente assim saber que não conseguiria dar-lhe as costas?

-Rin, eu não posso aceitar.

-Claro que pode. –ela assentiu seriamente. –Não só pode como deve.

Sesshoumaru acabou se cansando daquele assunto. Desviou os olhos dos dela e voltou-se para o lado de fora. Não chovia mais. O céu era pálido e cinza. A claridade por entre as nuvens espessas e leitosas não parecia o incomodar.

-Meu Lord? –ela o chamou com um sorriso.

-O que foi? –indagou sem voltar os olhos para ela.

-Eu o amo.

...

Os dias passaram como horas.

Um mês passou tão rápido e cruel que nem mesmo Rin pode acreditar.

Mesmo que os aposentos de seu senhor lhe trouxessem conforto e de vez em quando a fazia esquecer do mundo do lado de fora, não foi capaz de tornar aquele momento inevitável.

Ela estava estranhamente calma, por mais que o histerismo ora ou outra embarcasse no seu ser a fazendo chorar compulsivamente e entre inúmeros soluços de baixo das suas cobertas. Mas é claro que ela fazia tal coisa bem longe de seu Lord que sabia mais do que ninguém de sua lamúria e cólera.

Foi no início da tarde que eles chegaram.

Foi na tarde em que Rin tomava chá de maneira serena com os olhos inchados e sem a companhia de ninguém.

Assim que o pesado portão se moveu quatro rostos foram pouco a pouco aparecendo para aqueles que os fitavam de maneira curiosa do lado de dentro do castelo.

Um senhor feudal, de cabelos desgrenhados e olhos mais vivos do que tudo, com seu General e seu Comandante, parecia radiantemente confiante. Como se seu trunfo, uma princesa linda e estonteante fosse suficiente para calar qualquer argumento vindo do lado oposto.

Mas quem roubou a cena de fato não foram os três yokais, mas sim Mitsue, é claro. E mais claro ainda que todos ali se ajoelhariam facilmente aos seus pés implorando para serem seus servos. Para lavarem seus pés desnudos ou tocarem em sua pele por frações de segundos quem sabe.

Ela era a única que se entediava com aquilo. Os olhares de assédio lhe eram tão comuns e monótonos. Já estava acostumada a recebê-los e podia dizer, mais do que ninguém, que estava cansada de seu dom.

Do outro lado do portão Kenji e Yashamaru os esperavam boquiabertos.

Mas aquela incredulidade e admiração não demoraram muito, pelo menos não para Yashamaru que balançou a cabeça de forma negativa, como se tentasse voltar a si.

O yokai dos longos cabelos negros caminhou com seriedade até aqueles seres.

-Por favor, meu senhor os aguarda.

-Por que seu Lord não veio até aqui nos receber? –Souichiro arqueou as sobrancelhas incomodado com aquela situação.

-Por favor, nos acompanhem. –Yashamaru voltou a fitar Souichiro que balançou a cabeça negativamente um pouco irritado pelo descaso.

...

Rin tentava espiar o que acontecia do lado de fora. Estava escondida atrás de uma porta tentando ver aqueles seres que chegavam. Havia tumulto e burburinho o que a deixava mais curiosa ainda.

Admitindo ou não queria ver, olhar bem nos olhos da yokai que provavelmente sentaria no trono ao lado do seu senhor. Mitsue, por mais que ela não a conhecesse, não lhe era agradável. Sentia raiva dela, raiva de saber que seu senhor iria levá-la para seus aposentos todas as noites e passar o que ela um dia passou ao lado daquele magnífico ser.

Ficou irritada por pensar daquela forma, por sentir tanto ciúme que chegava a queimar e a inflamar de ódio todo seu frágil corpo.

Por fim respirou fundo prendendo as lágrimas que talvez viessem a descer. Engoliu a seco e acabou deslizando o corpo para o chão. Ficou sentada nas próprias pernas deixando um único feixe de luz iluminar uma parte de seu rosto. Um enorme breu nas suas costas parecia não a incomodar.

-Rin, o quê está fazendo? –Em outro momento talvez ela teria levado um susto com aquela voz feminina em suas costas, mas naqueles minutos de tristeza a voz de Akane pareceu a única coisa boa que pudesse acontecer.

-Estou... Só olhando... –ela respondeu de forma monótona. –Tentando ver quem vem...

-Rin... –ela suspirou cansada sentando-se ao lado da amiga. –Olha, não fica assim... Não gosto de vê-la tão atordoada, não combina nem um pouco com você.

-Ela é bonita? –a pergunta não surpreendeu Akane.

-Bonita... Bem... Ela é sim... De fato ela é linda. –Akane assentiu sem gostar muito daquele assunto. –Mas que importância isso tem?

-Nenhuma. Eu só fiquei pensando...

-Rin, Sesshoumaru não irá lhe esquecer. –ela a interceptou antes mesmo que a menina pudesse prosseguir. –Sabe disso.

-Tenho medo, Akane... Medo que ele possa se apaixonar por ela. Não faz ideia como isso soa terrível para mim. Perdê-lo seria como perder a mim mesma. Minha vida só teve sentido e só tem sentido por causa dele.

-Isso não vai acontecer! –ela rebateu sem maiores problemas. –Pare de pensar nisso sim? Ele está detestando essa história tanto como você.

-Eu sei... –suspirou pesadamente voltando-se para Akane. –No final das contas fui eu quem o aconselhou a seguir em frente. Eu não deveria estar assim tão aborrecida.

-Tudo vai dar certo, Rin.

-Como posso pensar em tudo dando certo se perderei, pelo menos um pouco, do meu senhor? –ela teve que rir brandamente e fitar novamente o lado de fora. –Eu não sei Akane o que irá acontecer... O que sei é que eles irão se casar e com certeza morrerei primeiro que ela.

...

Pelos corredores do castelo, aqueles yokais iam seguindo até o grande salão.

Kenji estava tentando disfarçar, mas seus olhos não conseguiam desviar dos da linda Lady que caminhava como se estivesse flutuando.

Seus imensos cílios bem escuros e sua pele branca de porcelana pareciam com as de uma boneca.

A beldade se movia pouco, quase não olhava para os lados o que para ele era ótimo, pois sua indiscrição já havia passado dos limites. E antes que pudesse abaixar os olhos, Mitsue voltou-se para ele, o olhou de soslaio e sorriu. Um sorriso límpido que fez o sangue do Comandante subir.

Yashamaru deu uma cotovelada de leve em Kenji o fazendo voltar a si e continuar a andar. Mitsue soltou um riso abafado divertindo-se com aquela situação.

-Até que enfim percebeu que seu mau humor não nos seria útil nesse momento. –Souichiro falou a irmã.

-Quem disse que estou sorrindo por causa desse momento patético? –ela girou os olhos voltando-se para ele. –Não sabe de nada, irmão.

-Veja seus modos. –falou entre dentes. –Pense antes de fazer alguma asneira.

-Não encha meus ouvidos de tolice, Souichiro. Já estou farta de ouvir tanta asneira saindo de seus lábios. Deixe-me divertir ao menos, não há nada de errado nisso.

-Mitsue, eu juro que...

E antes que o senhor feudal pudesse concluir duas silhuetas surgiram no centro do grande salão luxuoso enfeitado por diversas flores.

Sesshoumaru estava impaciente olhando na direção de Souichiro e seus acompanhantes enquanto que Jaken também não parecia nenhum pouco entusiasmado com toda aquela encenação que parecia ridícula.

-Finalmente nos encontramos! –Souichiro acabou dizendo com um sorriso enorme. –Poderia ter nos recebido no portão.

-Não seja tão presunçoso. –Sesshoumaru sorriu irônico. –Acaso pensou que eu iria recebê-lo com festa em meu castelo? Não sejamos tão cínicos um com o outro. Isso seria ridículo demais.

-De acordo. –ele deu de ombros passando a mão pelos cabelos desarrumados, mas logo puxou Mitsue pelo braço a trazendo para o seu lado. –Como falei na última vez, estou trazendo minha irmã para que possa conhecê-la melhor.

Mitsue deu dois passos a frente e o fitou seriamente. Os olhos verde oliva não pareciam assim tão inofensivos como Souichiro havia contado a Sesshoumaru na última visita que ele o fizera. No entanto o mais incrível foi que o grande lorde das terras do Oeste não se sentiu incomodado, ao contrário, em algum canto dos olhos ferozes maquiados de serenidade, ele compreendeu o que Souichiro queria dizer. Mitsue não representaria, sem sombra de dúvidas, nenhum perigo. Pelo menos nenhum perigo mortal. Não lhe causaria transtornos inquietantes e sim somente os casuais.

-O quê o senhor acha, senhor Sesshoumaru? –Jaken voltou seus olhos para Sesshoumaru que não o olhou.

-Ainda não gosto dessa ideia. Não me conforta e nem me agrada...

-Mas... –Souichiro tentou interceptar Sesshoumaru que logo ergueu a mão para o yokai se calar e retomou a palavra.

-No entanto, eu já tomei a minha decisão... –e olhando bem fundo nos olhos de Mitsue ele prosseguiu. –Sua irmã, a princesa do Sul, Mitsue, será a senhora feudal desse castelo.

Mitsue respirou pesadamente enquanto Souichiro, seu General e seu Comandante deixavam um sorriso de satisfação dominar a face.

CONTINUA...

Nota da autora:

Oi gente!

Eu não morri!

Ainda existo hahaha!

Bom gente espero que todas vocês me desculpem pela minha demora, mas eu realmente estou surtando com a minha faculdade! E isso não é força de expressão infelizmente.

Pois bem, estou trazendo mais esse capítulo! Espero que tenham gostado, que a demora tenha sido compensada!

Grande beijo a todas.

Referente aos comentários anteriores...

Dentoumushi – Hahaha eu sabia que eu era má, mas não imaginava que era tanto assim!

Ah, eu espero sinceramente que a visão que todo mundo tá tendo da Mitsue seja mudada. Não coloquei essa personagem pra infernizar a vida da Rin não, eu pensei melhor e achei um papel bem mais interessante pra ela nessa história. Não queria deixar a fic repetitiva, nem nada, você entende né?

Pois é, a Rin é bem flexível mesmo, eu não sei se eu conseguiria aceitar essas condições, mas acho tão lindo esse relacionamento dos dois. To adorando mesmo.

Hahaha e minha imaginação com os personagens masculinos realmente tá de mais! Já que não tem homem bonito assim por ai dando sopa é melhor inventar mesmo hahaha que tristrezaaaa o que eu escrevi agora!

Também acho que nenhum supera o Yashamaru que tá um foférrimo com a Akane.

Beijos e compreendo perfeitamente a sua situação de não poder ficar vindo aqui sempre.

...

Bruna-san –Pois é, Roda da Fortuna é bem mais atual também né? Mas embora seja mais dinâmica e com uma Rin mais espontânea e decidida, ainda prefiro escrever essa fic. Adoro essa atmosfera medieval. Nessa fic eu sinto como se fosse uma continuação mesmo pra história desses dois personagens maravilhosos.

Assim, eu não acho difícil fazer Rin's tão diferentes, até porque como só tivemos contato com ela criança no Anime, não tem como saber que tipo de pessoa ela seria quando crescesse. E acho que essa é a verdadeira mágica da personagem. Criar com ela é muito fácil, dá muitos panos pra manga (como diria minha avó XD). Mas se eu fosse falar qual é a minha Rin favorita, certamente diria que é a de Dedilhado.

Mas voltando a essa Rin, estava pensando em várias coisas para alterar a maldita história de sua mortalidade. Eu já pensei em uma coisa bem interessante, é só aguardar =)!

Bem, acho que o Kenji ainda vai conseguir se redimir com você nos capítulos seguintes. Tenho algumas cenas bem legais em mente com esse personagem.

Espero que Akane e Yashamaru, mesmo com uma aparição tão pequena, tenham tirado o vazio do capítulo anterior, também amo muito os dois.

Hahaha Kohaku? Esqueça... Deixe-o nas outras duas fics... Nessa aqui com certeza ele não vai ter vez.

E sobre um provável baby, bem... Vou deixar essa história em off por enquanto!

Beijos!

...

lappstift –Interessante como Akane e Yashamaru, um casal totalmente secundário, pode chamar tanta atenção!

Eu também os amo e nunca imaginei que eles fossem causar tanta identificação por vocês. Fico feliz por eles, por essa aceitação maravilhosa.

Espero que a cena que eu coloquei dos dois nessa fic tenha deixado você e as meninas felizes, porque eu simplesmente adorei.

Hahaha engraçada a sua indignação com a Mitsue, mas acho que você deve ter mudado um pouquinho o seu conceito com ela.

Como eu falei com a Dentoumushi essa personagem não veio para aborrecer a Rin, tenho propostas bem melhores, muito mais interessantes que essa. É claro que as duas não vão morrer de amores uma pela a outra, mas não haverá grandes problemas. De mulher frustrada já bastava a Satsu, não é mesmo?

Beijos!

...

Anny Taishou –Hahaha acho que sua esperança do Sesshoumaru não aceitar essa proposta foi por água a baixo né?

Olha Anny, mas não fique chateada tenho certeza que você vai gostar do que virá pela frente. A Mitsue não é um demônio como a Satsu foi. Acho que todas ficaram traumatizadas com a imagem que a Satsu representou para a fic! Todo mundo fica pensando que qualquer outra yokai feminina vai ser igual a ela e não vai ser bem assim, posso garantir.

Bem, eu tenho muitos planos para ela. Vou dar uma agitada na fic, outros personagens com certeza estão por aparecer e muita coisa pra rolar.

Espero revê-la por aqui de novo xuxu.

Beijos!

...

Nathi Duarte –Por mais que você se esforce flor, seus comentários nunca serão pequenos e eu continuarei amando-os XD! Não precisa pedir desculpas, eu gosto de saber sim o que minhas leitoras estão sentindo, por que se não gostasse qual o sentido de escrever então?

Pois bem, adorei saber que pelo menos uma leitora gostou da ideia de Mitsue ser "anexada" ao castelo.

Também achei maravilhosa a reação da Rin! Uma reação digna de uma princesa diplomata eu diria. Acho que você falou tudo quando disse que essa foi uma enorme prova de amor. Sem sombra de dúvidas penso da mesma maneira.

Amor nada mais do que é se não isso: Liberdade. Deixar a pessoa seguir, não ser egoísta. E essa relação dos dois, pelo menos da parte dela, não há esse egoísmo, essa represaria que os casais convencionais possuem.

Acho que é por isso que gosto tanto dessa fic. Desse amor que parece impossível, mas que não é. Dessa atmosfera medieval.

E sobre a questão da gravidez, pode deixar que eu já pensava nisso desde quando comecei a escrever a fic. Tenho planos, muitos planos para isso, pode ficar tranquila.

Akane e Yashamaru estão um arraso mesmo, estão querendo a todo custo roubar a cena hahaha! Isso muito me diverte, ainda mais se tratando de dois personagens totalmente inventados por mim.

Kenji sendo amigo de Rin... Bem, acho que você está roubando algumas informações secretas da minha mente hahaha!

E pode deixar que colocarei mais emoção na fic, eu prometo!

E relaxa a respeito do comentário, como disse gosto muito de recebê-los. Eu sempre dei abertura para vocês escreverem o que quiserem, não vou ficar brava e nem nada. Sinta-se a vontade, a opinião de vocês é muito importante pra mim.

E espero que esse seu momento "dark" tenha passado, não é legal ficar assim!

Beijos!

...

Um grande beijo a todas vocês!

ATÉ O CAPÍTULO 12! (Que se Deus e meus professores quiserem sairá mais rápido! u_u).