Feliz 2009 para todos! XD

Agradecimento às reviews: Pequena Perola, Girlalicious, Tia Kirie, Kaemilly e sango7higurashi!

Diclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo X – Ponto fraco

Todo ser humano, por mais incrivelmente forte que seja, por mais cruel e destemido, tem sua fraqueza. Não importa se reside no passado, no presente ou no futuro. Essa fraqueza existe. E quanto mais fria a pessoa, mais fundo essa fraqueza está enterrada, e quando ela vem à tona, dói mais do que qualquer outra coisa. Dói mais que qualquer ferimento físico.

Não era a primeira vez que Panji parava no início daquele corredor, desejando adentrar por sua escuridão e descobrir seus segredos. Na verdade, ela se pegava fazendo isso toda vez que entrava na grande mansão Uchiha.

Sasuke estava em uma reunião com o Hokage, Fugaku estava na Academia. Nada a impedia de dar mais alguns passos e andar até a porta onde o corredor terminava. Mas, por alguma razão desconhecida, ela temia dar os passos que a levariam para a tal porta. Receava o que acharia atrás dela.

Pela primeira vez, em anos, Panji estava com medo.

- Medo? – a voz de Sakura soava, longe. – Desde quando você tem medo?

- Okaa-san! – a pequena gemia. – Os trovões estão muito altos.

Sakura balançou a cabeça, incrédula.

- Inacreditável. Com sete anos você se tornou uma chuunin! Sete anos! Como pode ter medo de meros trovões?!

Panji estava sentada em um canto, abraçando as pernas, os olhos cheios de um sentimento que era muito novo dentro dela, algo que nunca sentira em sua pequena existência de 10 anos.

- Okaa-san, não entende? Parece que... Parece que coisas ruins acontecem quando chove. Parece que a chuva... – mas ela não quis terminar sua frase, ou melhor, não pôde, pois o estrondo inconfundível de um trovão balançou a sala em estilo oriental.

Sakura suspirou e sentou-se ao lado de sua filha. Estava na hora de contar-lhe uma coisa, que talvez influísse no medo irracional que a menina estava tendo naquele momento.

- Seu pai morreu num dia de chuva por um jutsu de raiton.

Imediatamente, a expressão de Panji se modificou e ela encarou sua mãe, perplexa.

- Sério?

- Sim.

Contra todo seu medo, ela se levantou e olhou pela janela. Seus olhos mostravam agora que ela havia tomado uma decisão.

- Então, eu vou lá para fora. Não posso ter medo de nada disso.

- Não posso ter medo de nada disso. – Panji disse a si mesmo, repetindo suas próprias palavras como um mantra.

Não, não podia ter medo de nada daquilo. Ela era uma Uchiha, ela era Kirigakure no Yuurei. Não havia nada no mundo que pudesse machucá-la, nada.

Respirou fundo e começou a andar, seus olhos rapidamente se acostumaram à escuridão do estreito corredor, e antes do que imaginara, chegava à sua tão sonhada porta. Num movimento quase felino, ela girou a maçaneta e entrou no cômodo.


- Ela desapareceu deixando penas de corvo. – Neji repitiu a frase que Kakashi acabara de dizer.

- Sasuke, esse não era... – Naruto começou.

- Um jutsu típico dos Uchiha. Na verdade, típico do meu pai, que ele passou para meu irmão. – o Uchiha completou.

- Então ela é mesmo... – Naruto não tinha coragem o suficiente para terminar aquela frase, não conseguiria deixar aquelas palavras escaparem de sua boca.

- Ou ela é filha dele, ou fez uma boa pesquisa para nos confundir. – Sasuke disse.

- Ela é tão... Fria. – Kakashi disse. – Parece que não consegue sentir nada por ninguém. E disse que matou seus amigos.

Sasuke escondeu o rosto entre as mãos. As coisas estavam ficando fora de controle. Ele já suspeitava que ela pudesse ser filha de Sakura, conseqüentemente, de Itachi, mas não queria que os outros descobrissem. Era algo que ele pretendia levar para seu túmulo.

- Se ela for mesmo filha de Itachi, isso explica porque é tão poderosa. – Naruto declarou.

- Não, Naruto. Implica que ela possuiu o Mangekyou. – Sasuke disse.

- Ótimo... – Neji resmungou. – Ela vai ter que sair daqui. Ela é uma ameaça. E filha de traidores!

- Ela não pode sair. – Sasuke argumentou. – Se ela sair o Mizukage usará isso como desculpa para começar uma guerra!

- Qual seu problema, Sasuke? Essa menina é filha do irmão que você odiava e matou e da mulher que você amava e te recusou! – Neji gritava, perdendo o controle, como jamais fazia. – Não sente nada abrigando-a dentro de sua própria casa?!

Sasuke se levantou e segurou Neji pelo colarinho. A raiva emanando dele, como em ondas. Ondas mortíferas. Mas o soltou, e encarou a parede, como se pudesse furá-la apenas com um olhar.

- Não temos provas de que ela é realmente filha deles. Não podemos, nem devemos fazer nada enquanto não houver provas.

- Tem razão, Sasuke. – Naruto disse, suspirando. – Fique de olho nela enquanto isso.

Sasuke assentiu e saiu da sala, antes que pudesse fazer uma grande besteira.


O sol entrava no quarto por uma janela de vidros empoeirados e cortinas rasgadas. O quarto era muito escuro e sujo. Escuro porque sempre o fora e sujo pelo tempo que ficara trancado, sem o menor tipo de cuidado.

Panji estava simplesmente encantada. Havia kunais e shurikens em cima da cômoda; uma katana negra na parede; uma máscara ANBU em cima da colcha de veludo, comida por traças.

Tudo ali fazia se lembrar das histórias que sua mãe lhe contava. Tudo ali a fazia se lembrar de alguém que ela jamais conhecera e nunca teria tal oportunidade. Aquele quarto era seu ponto fraco. O único.

Deixou-se cair no chão, lágrimas escapando de seus olhos frios, como nunca havia feito antes. Imaginou a cara de sua mãe se visse aquela cena, e tal pensamento só fez suas lágrimas ficarem ainda mais fortes.

Daria tudo para ter a oportunidade de conhecê-lo, saber o que ele acharia dela, se a amaria, se ficaria orgulhoso de saber o que ela era, quão forte se tornara.

Mas ela nunca saberia. Não, jamais saberia. E a culpa era de Sasuke.

- Então, a bela e cruel Fantasma da Névoa também sabe chorar. – a única voz que não queria ouvir soou em seus ouvidos.

- Cale a boca. – ela grunhiu, sem se preocupar em enxugar as lágrimas que caíam por seu rosto pálido.

- Imagino que queira uma vingança.

- Vingança é uma preocupação dos fracassados. Eu não sou uma fracassada.

Aquelas palavras atingiram Sasuke exatamente do jeito que ela queria. Como uma ofensa a ele.

- Uchiha Panji. Esse é o sobrenome que você tem escondido tão bem, durante todos esses anos. Incrível que o tenha conseguido por tanto tempo.

- Cala a boca, você não sabe de nada, não entende nada.

- Entendo sim. Também tive meu pai morto por alguém da minha família.

Panji riu.

- O que te faz acreditar que eu te considero minha família? Minha única família é minha mãe. Não preciso de mais ninguém.

- Ah sim, Sakura. – e ao dizer o nome, a dor voltou a seu peito, com toda a força contida durante quinze anos.

- Ver que você sofre por causa dela é ridículo. Foi você quem a abandonou primeiro.

- Então você sabe toda a história.

- Claro que eu sei.

- Eu ia voltar. Mas ela não quis esperar.

- Claro, claro. – Panji disse, em tom de escárnio. – Depois de matar o grande Uchiha Itachi você voltaria para Konoha e se casaria com a frágil Haruno Sakura que te esperou durante anos e anos. Quem você pensa que ela é? Durante anos ela se escondeu na sombra do ridículo time de vocês! E quando saiu ela se tornou uma das melhores e mais perigosas Akatsuki! Parceira de Itachi. Ela se saiu muito melhor sem vocês.

O que ela dizia fazia sentido. Na verdade, fazia mais do que sentido. Era a mais pura verdade. No time 7, Sakura não era nada. Na Akatsuki, ela foi tudo. A médica que curou todos eles, a Flor que ficou tão poderosa.

- Mas você não estava satisfeito. – Panji continuou. – Você precisava arruinar a vida dela mais uma vez. E o fez, sem nenhuma vez pensar nela. E ainda tem a ousadia de dizer que a ama. Você é ridículo.

- Mas mesmo assim você veio a Konoha e aceitou ficar hospedada na minha casa. Por quê?

- Eu estava entediada. E essa era a melhor missão que o velho tinha para mim.

- Não acredito.

Panji deu de ombros.

- Faça como quiser. – e se levantou, pronta para deixá-lo sozinho.

- Preciso falar com ela. – ele disse antes que Panji deixasse o quarto. – É muito importante. Agora, ainda mais importante.

- Ela não vai querer falar com você.

- Você não pode ter certeza disso.

- Posso sim.

- Apenas me fale aonde exatamente você moram.

- Não ganho nada te dando essa informação.

- Ganha sim. Protegerei seu segredo. Ninguém saberá.

Não era algo que ela queria para si. Pouco se importava agora de quem saberia quem ela realmente era. Mas não podia pensar só nela. Tinha que pensar em sua mãe também. Não estava sozinha naquela história.

- Se você ousar fazer alguma coisa que não deve, eu juro que te mato.

Sasuke sorriu vitorioso, enquanto memorizava as direções que ela falava.

- Pode ficar com o quarto, se quiser. Tecnicamente, ele é seu.

E pela primeira vez, em anos, Panji sorriu verdadeiramente.