Finn recebeu o teste dele de matemática e viu a nota zero escrita na parte de cima, no canto direito, bem grande e em vermelho. E ela parecia aumentar de tamanho à medida que ele continuava encarando o papel.
Ele sabia que aquele momento chegaria, mas evitou pensar nele o máximo que pôde. Mas agora não adiantava mais. O teste estava bem nas mãos dele e não poderia ter sido pior. Não poderia ter sido pior mesmo, afinal, zero era a nota mais baixa que alguém podia tirar.
Ele chegou a agradecer aos céus por isso, porque, se não fosse, ele temia chegar a tirar uma nota menor ainda.
Sentiu calafrios. Estava ferrado.
Ou aumentava as notas, ou adeus o time de futebol.
Ele precisava da Rachel.
Finn foi até a carteira onde a garota estava sentada e cutucou o ombro dela com o dedo. Rachel levantou o rosto para ele e Finn sorriu. Ele começara a gostar muito do rosto dela. Não era perfeito, como o de Quinn, mas, de alguma forma, as imperfeições deixavam-no ainda mais bonito e atraente, na opinião de Finn.
– Pelo seu sorriso, acho que a nota não foi tão ruim quanto esperava.
Lembrando daquilo, Finn parou de sorrir.
– Ah... – Finn coçou atrás da cabeça. – Na verdade, foi tão ruim quanto eu esperava sim.
Rachel o observou sentar ao lado dela. Ele entregou-lhe o teste e ela viu a nota que estava escrita lá.
– Ai. – ela fez uma careta para ele. – Era mesmo isso que você esperava?
– Na verdade, eu agradeço à Deus que não se pode tirar menos do que isso.
Ele forçou um sorriso envergonhado para Rachel e ela riu também.
– Tudo bem. Nem tudo está perdido ainda. Você pode melhorar as notas antes do diretor te expulsar do time de futebol para te forçar a isso.
– Era aí que eu queria chegar. Rachel, – ele segurou a mão dela que estava sobre a carteira com as duas mãos. – eu preciso da sua ajuda.
Rachel tirou a mão de dentro das dele.
– Eu prometi que ia te ajudar e vou. Nós vamos ter aquelas aulas, se você quiser.
– Eu quero – ele suspirou de alívio. – Ah, Rachel, você me ajuda tanto. É como se fosse o meu próprio anjo.
Ele a abraçou e a beijou no rosto, em agradecimento. Depois do beijo que trocaram no campo de futebol, Finn parecia ter ficado mais à vontade com ela. Ele a tocava e a beijava com mais frequencia. Era como se, naquele dia, uma barreira tivesse sido quebrada para ele e Finn começara a se sentir mais íntimo de Rachel de alguma forma, que nem ele sabia explicar muito bem.
Mas não importava. Ele gostava de passar o tempo com ela e estava feliz por tê-la escolhido para aquele plano de reconquistar Quinn.
Por falar em Quinn, depois do beijo entre Finn e Rachel na frente de todos, ela viera falar com ele no vestiário, dizendo que era uma vergonha o que Finn tinha feito e que ele a tinha humilhado. As outras pessoas sabiam que ela era sua ex-namorada e que estava ali vendo tudo, portanto, claro que iriam rir dela, Quinn dizia.
Finn tentara explicar que ninguém teria a ousadia de rir dela, mas Quinn nem sequer lhe dera ouvidos. Aliás, como sempre fora no relacionamento deles. Ela só falava e falava, esperando que ele ficasse escutando tudo e depois pedisse desculpas, mesmo quando ele estava com a razão.
E Finn pedia.
Mas daquela vez não. Ele simplesmente não conseguia sentir culpa por aquele momento.
Quinn saíra do vestiário masculino batendo a porta forte e, desde então, eles não tinham voltado a se falar.
Quanto à relação dele com Rachel, também era confusa. Finn achava que estava tudo caminhando bem, mas Rachel parecia distante. Ele tinha a impressão de que, às vezes, ela até mesmo o evitava. Assim como aconteceu há pouco tempo atrás, quando ele segurou a mão dela e ela a retirou. E o jeito que ela ficou travada quando ele a abraçou.
Mas não havia razão nenhuma para isso. Finn devia estar imaginando coisas. Rachel não o estava evitando, não tinha sentido. Era só uma impressão mesmo.
A não ser que ela estivesse achado que o beijo foi muito além do que era permitido. Claro que Rachel aceitara ajudá-lo e, até então, ele não tinha motivos para reclamar, muito pelo contrário. Mas Finn tinha que admitir que a beijara de forma bastante calorosa e ela podia não ter gostado.
Será que ela estava pensando que ele fora longe demais e por isso começara a agir de maneira estranha?
Mas, sempre quando Finn pensava naquele momento, e, acreditem, ele pensou bastante, lembrava da maneira como ela tinha retribuído o beijo. Rachel demonstrara a mesma vontade que ele. Se ele tinha sido caloroso demais, ela não ficou atrás.
No entanto, se havia algo que atrapalhara o namoro dele com Quinn, esse algo era a falta de comunicação, e Finn não estava disposto a deixar que isso acontecesse de novo. Não que ele estivesse namorando com Rachel, ela era apenas uma amiga, nada mais do que isso. Os dois se davam bem, é claro, ele gostava dela, mas era só isso.
Finn definitivamente não estava pensando nela como se fosse de fato sua namorada.
Mas, enfim, voltando ao assunto, o que ele queria dizer era que não custava nada perguntar.
– Então, é isso que você tem que fazer quando o problema chega neste ponto. – Rachel explicava a Finn. – Você usa esta fórmula aqui.
Os dois estavam, finalmente, tendo aquela aula que Rachel prometera. Eles estavam na casa dela, sentados à mesa da sala, com livros e anotações espalhados por todos os cantos. Rachel estava sentada na cabeceira da mesa e ele, no canto logo à direita dela.
– Entendeu? – Rachel perguntou.
– Entendi.
E era verdade. Nem mesmo Finn estava acreditando, mas estava entendendo aqueles problemas de matemática que ela estava explicando. Rachel acabara de ensinar a teoria e agora eles estavam nas questões. Por incrível que parecesse, a matemática estava começando a fazer sentido na cabeça de Finn.
– Você é muito boa nisso, sabia? – ele disse a ela. – Em ensinar eu quero dizer. Nunca pensei que fosse chegar o dia que eu conseguiria entender esse monte de números.
Rachel fez aquela cara de convencida que só ela sabia fazer.
– Bom, eu me esforço para fazer direito aquilo a que me proponho. Você não deveria estar tão surpreendido.
Finn não pôde evitar rir dela.
– E não estou. Só estou comentando. Claro que você iria ser muito boa nisso também. Você é boa em tudo.
– Obrigada. – ela agradeceu, mas deixando claro que ele só estava falando o óbvio. – Mas tem certeza de que entendeu tudo até aqui?
Ele não respondeu, apenas olhou para ela. Rachel estava inclinada na direção de Finn, numa posição que permitia que ela acompanhasse com ele os passos da resolução da questão, anotada num caderno em frente ao garoto.
O cabelo dela ainda estava meio úmido, devido ao banho que tomara antes dele chegar, e o cheiro de jasmim penetrava nas narinas do garoto, mais forte do que nunca.
– Que cheiro é esse?
– O quê? – Rachel pareceu atônita com a súbita mudança de assunto.
– Esse cheiro. – ele repetiu. – De jasmim.
– Ah. – ela se pôs um pouco mais ereta na cadeira. – É o meu shampoo. É de jasmim.
– Eu gosto. – ele confessou.
– Obrigada.
Finn viu Rachel dar um pequeno sorriso tímido e colocar uma mecha do cabelo atrás da orelha, ao mesmo tempo em que corava levemente.
Era adorável.
– Se eu fosse seu namorado, te daria um beijo agora. – ele falou, sem pensar.
Rachel abriu mais os olhos, surpresa. Então, se recostou totalmente no encosto da cadeira, se afastando dele, sem dizer nada.
Ela ainda estava meio balançada com o que ocorrera no campo de futebol. Rachel foi do céu ao inferno num curto espaço de tempo e ainda tentava se recuperar. Vê-lo olhando para Quinn depois do beijo que haviam trocado a deixara realmente abalada.
O problema maior, e Rachel sabia agora, era que, no momento em que o beijo acontecia, ela se sentira tão envolvida que achou que ele também estava. Ela realmente acreditou que Finn poderia ter aproveitado aquele momento tanto quanto ela.
Mas era bobagem, porque Rachel estava apaixonada por ele, por isso o beijo tinha sido especial, mas Finn não estava apaixonado por ela. E, quanto mais se sobe, maior é a queda, dizem.
Rachel pôde experimentar isso naquele dia.
Ela ainda não tinha desistido, uma vez que, como havia decidido no início, agora que começara, não ia terminar até que chegasse ao fim. Mas isso não significava que ela não fosse sofrer com o que acontecia no meio.
Era difícil estar apaixonada por quem não retribuía o sentimento. Imagine estar nessa situação há anos. E, mais ainda, imagine ter que fingir estar namorando com quem você ama porque esse alguém ama outra e quer recuperá-la.
Rachel suspirou audivelmente.
– Rachel, – Finn começou, depois de ter ouvido o suspiro. – tem uma coisa que eu gostaria de perguntar.
– Uhum. – ela murmurou.
– É sobre o beijo de depois do jogo.
Rachel apoiou o queixo na mão, tentando parecer desinteressada.
– O que tem?
– Eu senti que depois daquilo você meio que... – Finn hesitou. – Eu não sei direito, talvez seja apenas uma impressão... Mas eu venho sentindo você um pouco distante.
Rachel apenas franziu a testa para ele. Como ela não disse nada, Finn continuou.
– Mas estou preocupado que não seja. – agitado, ele enrolava o dedo no arame do livro. – Não quero que haja mal entendido entre nós, por isso gostaria de deixar as coisas claras.
Rachel começou a ficar preocupada. Por que ele estava falando aquilo? Será que tinha percebido os sentimentos dela e queria deixar claro que não sentia o mesmo?
– O que você quer dizer, exatamente? – ela perguntou.
– Eu quero saber se você se chateou com o que aconteceu. Quer dizer, você não tinha se mostrado contrária a que eu te beijasse, mas talvez eu tenha passado um pouco dos limites naquele dia.
– Passado dos limites?
– É. Passado dos limites. Rachel, a última coisa que eu quero é te ofender.
Ofender? Ele estava pensando que ela não tinha gostado do beijo?
Ela teve vontade de soltar uma gargalhada histérica.
Oh, céus, se fosse aquilo mesmo, ele não poderia estar mais enganado! Não era que não tivesse gostado do beijo. Ela gostou até demais! Esse era o problema. Ela não gostou do que veio depois. Porque, mesmo sabendo para quê todo aquele plano servia, mesmo sabendo que ele gostava de Quinn, Rachel não conseguia evitar se sentir mal quando as evidências eram escancaradas bem na sua frente.
– Eu não fiquei ofendida. – ela respondeu, simplesmente.
– Mas, então, por que...?
– É impressão sua. – ela o interrompeu. – Como você disse antes, é apenas impressão sua.
Ele a olhou por um momento e depois perguntou:
– Tem certeza?
– Tenho. – Rachel afirmou com a cabeça. – Eu não me importo que me beije.
Finn sorriu amplamente. Ele se sentia aliviado.
– Ótimo. – ele disse e, quando viu a expressão dela, apressou-se a explicar. – Quer dizer, com todo o plano e tal, seria difícil de continuar se você não se sentisse confortável.
Rachel ouviu a explicação dele e depois segurou o lápis novamente.
– Bom, acho que já chega de conversa. Vamos voltar a estudar, é por isso que você está aqui, não?
Natalia, Cristina, Flávia, Carla, Re, Gaby, Ste, Liane, Patricia, Leticia, rfgleek, Dita, Eduardo, Sheilla, Bruna, Aline, Taiane, Karen, Gerci, Joana, Mari (finchelouca), Simone F, Liu, Grazi, Mari Soarez e NathM.
Obrigada pelas reviews! ;)
