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Capítulo Onze - Ciao Amore

Agora.

Bella POV.

Em uma madrugada extremamente quente do verão californiano, eu fui acordada por um movimento brusco na cama ao meu lado, quando meu marido praticamente caiu da cama ao tentar se levantar. Ele tinha acordado no meio da noite ao sentir uma dor aguda no peito ao mesmo tempo em que subitamente sentia dificuldades ao tentar respirar e eu, como a boa esposa que era, imediatamente liguei para uma ambulância, antes de correr até um dos seguranças e pedir que me ajudassem a descer com o meu marido para o primeiro andar, onde a ambulância o esperaria. Não que meus esforços tenham dado certo, no entanto. Ele mal havia sido levado até a UTI do Centro Médico de Los Angeles, quando não resistiu e nos deixou. No hospital, o médico lamentou a sua perda e me disse que tinha feito tudo o que podia mas que,, infelizmente, exatamente às quatro e trinta e sete da manhã, meu marido havia dado a sua última respiração. Ainda sem acreditar que aquilo tinha realmente acontecido, eu perguntei se podia ir vê-lo antes que o levassem para o necrotério e o médico prontamente assentiu.

- Vou deixar vocês a sós - ele disse com pesar, tocando meu ombro uma última vez, antes de fechar a cortina atrás de si. Mas eu não consegui responder, meus olhos estavam fixos no homem deitado na cama. O homem que praticamente pagou para casar comigo, o homem que me tratou como uma possessão e que me obrigava a fazer coisas que jamais quis. O homem que muitas vezes perdeu o controle da situação e então usou sua força para me lembrar quem era que mandava. O homem que por meses praticamente me teve como sua prisioneira. Porém, quando eu olhava para seu corpo pálido na cama, eu não sentia ódio ou qualquer outra coisa. Naquele momento, eu percebi que pra mim ele não passava de um nada, que as coisas que ele tinha feito comigo pouco me importavam mais. Percebi que, pra mim, ele não passava de um covarde insignificante, no qual o seu único propósito tinha sido ficar no caminho até que eu conseguisse o que eu finalmente queria: ser livre e poder finalmente seguir minha vida como eu sempre tinha sonhado.

E foi assim, com um último olhar sem emoções alguma, que eu finalmente saí do quarto. Depois de resolver alguns detalhes formais com o médico, ele me acompanhou até o lado de fora do hospital, onde o segurança que tinha me acompanhado até o hospital me esperava. Seu olhar deixava claro que ele sentia pena de mim e achava que eu precisava de algum tipo de conforto, mas tudo o que eu fiz foi pedir que ele me levasse para casa. Quando eu finalmente cheguei em casa, já se passava das seis da manhã, e alguns funcionários já estavam acordados e me esperando para saber se eu precisava de alguma coisa.

- Eu agradeço pela preocupação - disse, respirando fundo e encarando as cozinheiras, alguns seguranças e até mesmo a governanta. - Mas tudo o que eu preciso agora é ficar sozinha. Grace, se possível, gostaria que você cuidasse dos detalhes do funeral - disse e ela prontamente assentiu. - Jessica e Lauren, se encarreguem de avisar a todos por favor.

- Sim, senhora - todos assentiram e eu subi as escadas.

Era diferente subir as escadas para aquele quarto agora que eu não precisava mais temer alguma coisa quando passasse pela porta. Um sorriso se abriu no canto dos meus lábios e eu fechei a porta do quarto atrás de mim, caminhando diretamente até o barzinho, onde preparei minha dose perfeita de uísque e então peguei um cigarro, indo até a varanda do quarto e o acendendo. À essa altura Edward provavelmente já estava sabendo do que tinha acontecido e eu deixei um sorriso maior nascer em meus lábios, antes de dar mais uma tragada e então voltar para dentro do quarto, seguindo até meu closet e então até o meu cofre pessoal.

Calmamente, digitei minha senha e quando a trava se abriu, imediatamente peguei o grosso envelope e o carreguei comigo até o pequeno sofá de dois lugares que tinha ali dentro, dando mais um gole no uísque. Todos os documentos já estavam assinados e autenticados, mas o único que realmente importava ali era o documento em que meu amado marido tinha assinado deixando claro que eu já não precisava mais de acompanhamento psicológico e que, finalmente, eu estava sendo emancipada. Ninguém mais possuía nenhum controle sobre minhas ações ou sobre o dinheiro que meu pai verdadeiro tinha me deixado. Ninguém mais possuía algum tipo de controle sobre mim. Eu estava livre, finalmente.

Horas mais tarde, tudo para o funeral do meu marido já estava pronto. Os documentos já haviam sido entregues ao nosso advogado e em breve chegariam à empresa também. Durante o dia, eu fiquei trancada no quarto. Para todos, eu estava desolada e indisposta, mas a realidade é que eu estava me preparando. Preparando-me para chorar, para receber abraços de condolência, me preparando para ser a viúva desolada que tinha perdido o marido perfeito. Mas, também, me preparar para meu momento meu primeiro dia como uma mulher livre. Foram horas me arrumando e não deixando nem um fio de cabelo fora do lugar. Afinal de contas, Isabella nunca estava nada menos que perfeita em público.

Por isso, quando eu finalmente saí do quarto, eu estava a verdadeira personificação de uma viúva negra. Um vestido de seda preto abraçava meu corpo até pouco abaixo dos meus joelhos, meu par de Louboutins, também pretos, calçavam meus pés. Meu cabelo cor de mogno caía em meus ombros em perfeitas ondas, enquanto meus lábios estavam pintados com um batom vermelho forte. E, para finalizar, meus olhos estavam cobertos pelo delicado véu preto do pequeno chapéu que eu usava. O barulho do meu salto fino ecoava pelas paredes frias da casa enquanto eu caminhava em direção à porta de saída, onde um motorista me aguardava para me levar até o funeral e, quando finalmente chegamos à igreja onde ele ocorreria, eu respirei fundo, trabalhando na minha melhor expressão de tristeza, antes de sair do carro e ser acompanhada até a parte de dentro.

A igreja estava cheia, meu marido, por mais que não fosse tão querido por todos que o conhecessem, era uma pessoa bastante conhecida. Além de familiares, amigos, investidores, os empregados da casa também estavam acomodados ao fundo da igreja. Enquanto a missa acontecia, eu estava sentada ao lado dos meus pais, que por fora, assim como eu, tinham uma expressão triste, mas eu sabia que por dentro eles estavam sorrindo já imaginando toda a fortuna que ganhariam com a morte do meu marido. Como se eu fosse burra o suficiente para deixar que isso acontecesse.

Quando a misa acabou, foi a hora de todos virem até onde eu estava sentada para prestarem suas condolências; não que todas fossem verdadeiras, no entanto, eu sabia que era mais uma obrigação social do que qualquer outra coisa. Um por um, as pessoas foram me abraçando e dizendo o quão tristes elas estavam pela perda do meu marido e em como elas sentiam muito. E eu mantive a postura de esposa perfeita, aceitando os abraços e vez ou outra até mesmo deixando que uma lágrima caísse, até que finalmente foi a vez dele vir prestar suas condolências. Aos olhos dos outros, ele era apenas mais um empregado da casa, mas nós dois sabíamos que ele era muito mais do que isso.

- Eu sinto muito pela sua perda - ele murmurou, me abraçando apertado, antes de se soltar.

- Muito obrigada - eu respondi baixinho, mantendo minha postura.

Por mais alguns minutos, eu continuei sentada ali, então eu resolvi que já havia sido o suficiente e pedi que meus seguranças me acompanhassem até em casa. Mais uma vez, meu salto ecoava enquanto eu caminhava e, quando estávamos saindo da igreja, meus olhos imediatamente bateram em Edward mais uma vez. Assim como todos os outros funcionários, ele continuava sentado nos últimos bancos dali. Por alguns segundos nossos olhos se encontraram e eu me permiti deixar que aquela corrente de calor passasse pelo meu corpo assim como todas as vezes em que nossos olhos se encontravam ou nossos corpos se tocavam. O olhar dele dizia a mesma coisa que o meu: em breve.

E então, desviando os olhos dos seus mais uma vez, eu coloquei meus óculos escuros e deixei que um pequeno sorriso nascesse no canto dos meus lábios, antes de continuar o meu caminho.

Em breve, eu pensei antes de entrar definitivamente no carro. Em breve eu seria sua, indefinida e eternamente.


E chegamos ao penúltimo capítulo da história, pretendo postar o último no máximo até quinta-feira! Seja certo ou seja errado, tudo está encaminhando para a Bella finalmente ser livre e poder viver ao lado do seu grande amor. Algumas pessoas estão querendo saber o nome do marido da Bella: ele é quem vocês quiserem que ele seja. Como a Bella disse, ele é irrelevante, só serviu para ela poder ser livre. Pode ser o Aro, o Alec, o James, o Carlisle, o Jasper, o Emmett... um personagem novo. Então isso fica a critério de vocês. :) Enfim, não deixem de comentar me contando o que acharam que eu volto logo logo com o desfecho da história para vocês! Bjs