N/A: Olá~ um aviso aqui bem rapidinho. Fiz uma pequena alteração no capítulo 7. Antes Remus estava no período do cio e alterei pois ele ainda vai entrar nesse período. Tive que fazer essa alteração e vocês vão entender melhor o porque nos próximos capítulos (; Então, eis aqui a segunda parte de 'Memories'. Espero que gostem! Nós vemos lá em baixo (:


THE CURSE OF THE FULL MOON

por Portia M. s2

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CAPÍTULO 11

Memories - PARTE 2

Flashback

James estava deitado numa maca da Ala Hospitalar. Já estava tarde da noite para visitas e por isso estranhou quando viu a porta da entrada se abrir.

Ficou surpreso quando viu Snape adentrar a sala. Prontamente fingiu que estava dormindo, mas o garoto nem sequer mandou um olhar em sua direção. Assistiu o garoto carregar dois pesados livros enquanto atravessava a sala nas pressas em direção ao escritório da Madame Pomfrey. Snape abriu a porta sem bater, mas Madame Pomfrey não o repreendeu, o contrário:

"Severus! Que surpresa tão tarde da noite! Venha, entre" Ouviu dali.

"É sobre a poção novamente. Eu-" Severus fechou a porta, abafando as vozes e não dando tempo de James ouvir mais da conversa.

Potter colocou os pés para fora da cama, usava meias, então nem se importou em calçar os chinelos. Caminhou rapidamente até a porta do escritório onde conseguiu ouvir as vozes com maior clareza.

"Não entendo o porquê deste tipo de acônito ter de entrar na poção" falava Snape num tom de voz intrigado. "Veja-" James ouviu o som de páginas sendo passadas com os dedos.

"Aqui, veja o que diz-"

"Sim, pois estou vendo" a voz de Madame Pomfrey estava calma.

A mulher estava cansada de explicar a Severus a lógica de usar tais ingredientes para começar a obter uma poção aceitável. Ficou muito feliz quando soube que Severus estava interessado nas suas poções de cura e como eram ministradas, e se demonstrou muito acessível a sanar as dúvidas que o jovem tinha quando descobriu que ele estava a trabalhar na sua própria poção personalizada. Mas o rapaz era teimoso e queria questionar até não haver mais explicações.

"Você se prendeu muito ao termo "cura", Severus querido". Ao ouvir a Senhora Pomfrey chamar o Snape de "querido", James estirou a língua como se fosse vomitar.

"Deves saber Severus, que a este ponto esta poção se tornará um poderoso antídoto"

Pomfrey viu como os olhos do garoto brilharam.

Ela deu uma pausa. "Você sabe a minha opinião sobre o uso deste tipo de poção, não sabe?"

O Sonserino sabia que a mulher apoiava as transformações de criaturas noturnas. Ela dizia que era o "natural". Severus rolou os olhos. "Sim, eu sei".

"Contudo, devo dizer. Tens trabalhado com muito afinco nesta poção. Com alguns testes, este antídoto poderá livrar muitas criaturas noturnas do sofrimento futuro".

Se James ouviu bem, Snape estava sendo parabenizado pela Madame Pomfrey por estar trabalhando numa poção antídoto e estar obtendo sucesso? O Potter sentiu uma fúria nascendo dentro de si. Como não havia pensado em trabalhar em algo assim antes? Claro, poções não era o seu forte.

Ouviu Snape dizer que apagaria a chama do caldeirão na próxima semana, e já estavam por se despedir. Correu de volta para sua cama e voltou a fingir que dormia. Snape saiu acompanhado de Madame Pomfrey que o levou até a porta e o desejou boa noite.

Alguns dias depois...

James foi dispensado da Ala Hospitalar, e já estava liberado para realizar suas atividades normalmente.

Encontrava-se na biblioteca. Ocupava uma mesa mais afastada e abarrotada de livros em cima. Perebas e Almofadinhas também se encontravam debruçados nos livros. Sirius sustentava o rosto com uma mão, enquanto Pedro piscava fortemente os olhos, tentando espantar o cansaço.

"É sério James, até quando vamos ficar em busca disso?" perguntou o Black enquanto bocejava e se espreguiçava na cadeira.

"Até encontrarmos, Sirius." James respondeu, como se aquilo fosse óbvio.

"Estamos nessa faz dias! E se você escutou errado?"

"Eu não ouvi nada errado, ok? Acredite em mim, estamos perto de descobrir o que aquele lunático está traman-"

O dedo de James parou de traçar uma linha onde se lia exatamente o que eles tanto buscavam ali.

"Aqui. ISSO!"

"Shhhhh!" Pediu a Senhora Prince.

James se desculpou. "Aqui, vejam! Eu sabia!"

Ele começou a ler para os outros dois:

"Acônitos de formas pontudas, e aparência áspera são frequentemente encontrados nas florestas tropicais do Brasil. Os Bruxos anciões dessa parte da América Latina, conhecem essa planta também como "mata-lobos" Ele parou nessa parte e deu um olhar significativo para Sirius e Pedro, antes de continuar. "Podem ser utilizados em poções para sanar a dor ou processos e até mesmo, curar".

"Sanar processos ou curar"? Repetiu Sirius. "Não faz muito sentido se são originados em florestas tropicais... Contém mais energia, são mais ativas. Como poderiam "sanar" algo?"

Mas James não o escutava. Estava pensando rapidamente, tentado resolver esse quebra-cabeças. "Criaturas noturnas" Madame Pomfrey tinha dito, "Mata-lobos" era o que o livro dizia... Uma poção, huh? Bem pensado, Ranhoso. Mas... Por quê? Seria porque o Lupin era o único a ficar de fora sempre que decidíamos aprontar com ele? E ainda, porque Lupin sempre o defendia?

"Sirius, o mapa".

"O quê?"

"O mapa, onde está? Eu preciso dele agora. Preciso checar algo".

"Mas James, não está com você?"

"Pedro, o mapa". James ignorou Sirius, abanando a mão, exigindo que o garoto lhe entregasse o mapa. Mas Pedro apenas balançou a cabeça de nervoso.

"Droga!" Potter bateu com o pé numa das pernas de madeira da mesa.

"Shhhhhhh!" A senhora Prince pediu novamente. Dessa vez foi Sirius quem se desculpou por James.

"Ei, o que há? Por que você ficou assim tão de repente, Pontas?" Perguntou Sirius, colocando uma mão no ombro de James.

"Pontas" James pensou. Tinha virado um Animago por causa daquela criatura. Não poderia aceitar que Lupin tivesse o traído dessa forma. Que tivesse traído o seu grupo de amigos verdadeiros. Mas era o que tudo indicava. Desde quando isso estava acontecendo e não perceberá? O processo de transformação de Pedro nem sequer ainda tinha terminado, como Lupin fora capaz de trair o seus amigos e escolher o Ranhoso?

Precisava saber se Lupin tinha de alguma forma, requisitado esse tipo de poção ao Snape.

"James... James!". Sirius continuava o chamando.

"Vamos embora. Eu preciso achar o mapa. Preciso sanar a última dúvida".

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Já na sala comunal da Grifinória, os três amigos se reuniam em volta da lareira e conversavam baixinho.

"Você tem certeza que não está em lugar nenhum em seu malão?" Perguntou Sirius.

"Já te disse! Está com Lupin, certeza". Afirmou Potter.

Sirius não pôde deixar de notar que James batia o pé no chão com frequência.

"Então... Você acha mesmo que eles estão juntos?" Sirius fez uma cara de nojo. "Quer dizer, é do Ranhoso que estamos falando!"

"Mas n-não importa, não é?" A voz fina e baixa de Pedro chamou a atenção dos outros dois.

"Não importa o quê, Wormtail?" perguntou James num tom falsamente contido.

Pedro apertava as mãos, tentando criar coragem de continuar. Desde cedo queria falar tais palavras.

"Isso não importa. E-Ele continua sendo nosso amigo, c-certo?" Pettigrew olhava apreensivo de Sirius para James, esperando por uma resposta. Mas James apenas desviou o olhar e voltou a encarar as chamas.

Lupin ainda era seu amigo, não poderia negar. Mas havia algo. Algo que o impossibilitava de afirmar com toda a certeza. E esse algo era Severus Snape. Não sabia como havia acontecido, mas tinha certeza de que acabaria com aquilo e resgataria seu amigo das garras do Ranhoso o mais rápido possível.

Um sorriso macabro apareceu em seu rosto. Pedro desviou o olhar.

"O que foi agora, Pontas?" Sirius perguntou, penteando os próprios cabelos com os dedos.

"Eu tenho um plano".

Lupin parecia não saber da existência da poção, Snape estava para desligar a chama do caldeirão bem próximo da lua cheia, e pelo que tinha deduzido, não haveria tempo para entregar a poção para Lupin. Snape guardaria a poção para a próxima oportunidade, ou até mesmo se ariscaria a entregar ainda este mês, no dia exato da lua cheia. Não sabia o quanto a relação deles estava avançada, não tinha certeza se Lupin confiava em Snape ao ponto de tomar uma poção desconhecida vinda das mãos dele. Em qualquer um dos casos, James estaria pronto.

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Duas semanas depois...

Remus e o restante dos Marotos se preparavam para mais uma lua cheia. Assim como Lupin se transformava em Lobisomen, James, Sirius e Peter se transformavam em cervo, cão e rato, respectivamente. Os três tinham se transformado em Animagos logo que descobriram que Lupin carregava sozinho a maldição da lua cheia, uma Licantropia. Remus não sabia o significado de amizade até então, mas ter seus companheiros transformados em Animagos para vigiarem sua transformação e lhe fazerem companhia em sua noite como Lobisomen, sim, isso significava algo como amizade. Foi contra a transformação dos amigos, não aceitava que tivessem que passar por aquilo por causa de uma maldição que não pertencia a eles. Mas a insistência de James motivou Sirius e depois Peter, e desde então Lupin se sentia em dívida com eles. Sempre que ao amanhecer depois da lua cheia, quando os agradecia, James falava que não precisava dizer "obrigado", mas por algum motivo Remus sentia que se não o agradecesse, James na verdade sentiria falta da demonstração de gratidão.

Com o tempo, Remus percebeu que ele era importante para os amigos, de tal forma que nem ele mesmo entendia ser. James, Sirius e Peter, precisavam de seu reconhecimento. E isso era estranho até certo ponto, porque afinal, ele não era um garoto popular nem nada do tipo. Era uma criança pobre e um lobisomem, não era como se fosse de algum prestígio ser seu amigo.

Durante seu tempo em Hogwarts, Remus tinha conseguido fazer outras amizades e não as atribuía graças aos Marotos. Os trabalhos em grupo com alunos de outras casas fizeram com que conseguisse conquistar amizades genuínas e que duraram até depois do ano letivo passado acabar. Andrë e Thomas da Hufflepuff, ou Takahashi da Ravenclaw eram exemplos disso. Tentou fazer com que estes se aproximassem dos outros Marotos, mas nenhum deles mostrou muito interesse em se conhecerem mais. Principalmente o Andrë que falava abertamente que não gostava das "três sombras" que viviam a lhe rodear.

Remus apenas sorria e dizia simplesmente que eles eram legais. Porque na verdade eles eram, pelo menos consigo, e era pensando dessa forma que tentava fazer com que isso bastasse.

"Vamos Remus, a lua ficará a pino mais cedo hoje, lembra? Temos que começar a preparação bem antes" James olhava para o relógio em seu pulso e segurava a porta do dormitório aberta. Remus estava terminado de separar um par de roupas em uma sacola, sempre levava roupas à mais por precaução.

Lá fora, encontrou Peter e Sirius.

"Está cedo, Prongs. Acho que não será necessário" Disse Sirius ao perceber que James queria cobri-los com a capa da invisibilidade.

Desceram as escadas e chegaram à entrada. Caminharam juntos pelo jardim em direção àquela parte mais afastada do castelo.

O fim de tarde estava mais frio que o esperado, todos se auto-abraçavam tentando trazer um pouco mais de calor para seus corpos, exceto Remus que não sentia tanto a mudança do clima devido a sua condição. Seu corpo já era naturalmente quente e perto da transformação, sua temperatura aumentava consideravelmente. A ventania soprava em seu ouvido e penteava seu cabelo um pouco mais comprido que o normal, para o lado.

Peter caminhava mais a frente, James e Sirius riam e conversavam alto sobre alguma coisa mais atrás e Remus caminhava um pouco mais afastado de todos, muito concentrado na grama que pisava. O crepúsculo já estava para acontecer, os raios de sol agora eram mínimos e serviam apenas para colorir de alaranjado e lilás algumas nuvens mais ao longe.

Ao avistarem o Salgueiro Lutador, sabiam que algo estava errado. Um feitiço tinha segurado os galhos da árvore para cima, algo nada usual de se ver. De trás da árvore, saiu Snape com a varinha em punhos.

James tentou controlar a fúria que lhe ocorreu. "Não é possível que este seboso sabia o feitiço para parar esses malditos galhos! Como?! Enquanto Petter tem que se esforçar para reunir os galhos certos para conseguirmos passar...! Como ele ousa?!" pensou. Não deixaria que Snape tentasse se mostrar superior mais uma vez. Estava cansado disso, faria com que ele entendesse seu verdadeiro lugar.

"Ranhoso... O que te traz aqui?" perguntou James, com um sorriso nos lábios, esquecendo o Salgueiro Lutador por um momento e lembrando-se do verdadeiro propósito para Snape estar ali.

"Remus, eu preciso falar com você" Falou Severus, ignorando o outro.

James sorriu e coçou a cabeça. "Ele vai dificultar isso, claro que vai"

Muito de repente, Potter direcionou sua varinha para Snape e lhe lançou um Levicorpus. O som de um vidro se quebrando na grama foi audível e a fumaça vermelha que emanava da poção desperdiçada ali, fez com que James risse abertamente. Snape tinha colaborado para o seu plano, e tinha levado a poção consigo. Agora sua poção "mata-lobos" estava evaporando naquele chão. Tinha sido tão fácil... James riu mais alto, não conseguindo se controlar.

"NÃAAO! NÃO!" O grito de Severus era ensurdecedor. O garoto se debatia, o rosto geralmente pálido, agora muito vermelho pelo esforço que fazia gritando e de cabeça para baixo.

Remus largou no chão as coisas que carregava e correu em direção a Severus.

"JAMES, PARE! AGORA!" pediu Lupin.

Mais próximo de Severus, Remus conseguiu ver as lágrimas que caiam pelas têmporas de Severus e molhavam a raiz de seus cabelos negros.

"JAMES!" Gritou novamente, virando em direção aos outros Marotos.

Remus segurou-o pela nuca e esperou que o garoto caísse de costas em seus braços para amortecer um pouco a sua queda. James finalmente liberou o feitiço e Snape caiu por cima de Lupin.

"Você está bem? Fale comigo, Severus?" Sussurrou.

Severus tentou se levantar o mais rápido que conseguiu. Olhava para o chão onde sua poção tinha sido desperdiçada. Não conseguia sentir raiva, sentia-se muito triste. Seus joelhos ameaçaram falhar, mas Remus o segurou pelos quadris. Snape logo se afastou, se apoiando na árvore enquanto chorava e encarava os cacos de vidro espalhados pelo chão. As lágrimas embaçavam sua visão, sentia que estava à beira de um colapso.

"Ahh, o ranhosinho vai chorar!"

"Ele já está chorando. Já chega, James" Disse Remus, se virando em direção a Potter. "Pra quê foi isso? Me responde! Eu já estou farto disso. Ele não fez nada para que você o atacasse de tal maneira" As narinas de Remus se mexiam.

Sirius se aproximou e colocou certa distância entre o corpo de Remus e James.

"Calma, Moony. Foi só uma brincadeira! Não precisa ficar assim" Disse Sirius.

Remus passou a mão pelos cabelos, tentando se acalmar. James mantinha atenção a tudo o que estava acontecendo. Se Remus tivesse ciência de que aquela era um poção mata-lobos, provavelmente já teria arrancado a sua cabeça fora só por tê-la desperdiçado, mas o garoto estava se acalmando.

Severus tinha enxugado as lágrimas, mas ainda muito abalado, começou a sentir os indícios de raiva, provocada pela ataque que tinha sofrido.

"Quê direitos pessoas como o Potter, tinham para atacar os outras assim?" Pensou, enraivecido. Queria falar tanta coisa, mas não sabia por onde começar.

De longe, James observava satisfeito para a feição raivosa a qual Snape agora olhava para Lupin.

"Escolha, Remus!" Lupin olhou para um Snape furioso. "Escolha agora. Eu ou eles." Apontou para os outros Marotos.

Parecia que aquela escolha resumia tudo o que Severus sentia que queria falar. Lupin olhou da direita para a esquerda, dos Marotos para Severus.

Odiava ver aquela expressão triste e magoada no rosto do garoto que gostava. Odiava o que estava causando a Severus. Sabia que James e os outros não iriam deixar o Sonserino em paz. Seu corpo não conseguiria lidar com tais sutis emoções estando prestes a uma transformação, mas ainda assim conseguiu sentir a amargura e a acidez que estava sendo criada dentro de si, um gosto salgado se formava em sua língua. Com certeza depois, doeria. Iria se arrepender profundamente, mas ao olhar para James e perceber o vestígio de um sorriso de escárnio nos lábios dele, soube que aquilo que estava prestes a fazer, seria o melhor para o garoto que amava.

"Desculpe Sev, mas..." Respirou profundo. Precisava continuar com aquilo. Os Marotos precisavam deixa-lo em paz, e Severus precisava seguir com a sua vida. Lupin nunca seria a sua pessoa ideal. "Mas... Eles são meus amigos".

Severus fez uma careta, como se não tivesse entendido o que tinha acabado de escutar.

"Amigos?! Eles só tem medo de você! Você não vê?!" Gritou em pleno crepúsculo, a vista embaçava com as lágrimas abundantes que ameaçavam cair novamente. Ele limpou os olhos com um movimento das mãos.

Remus há muito se questionava sobre os tão fiéis amigos que tinha ganhado na Grifinória. É verdade que enquanto refletia sobre o porquê de ainda ter essas amizades, tinha cogitado essa possibilidade "medo", mas não foi por muito tempo que deixou essa ideia permanecer em sua cabeça. Preferiu pensar que era mesmo uma companhia agradável, alguém que valesse a pena talvez, e se convenceu disso. Mas no fundo, sentia que estava se enganando. Porque parecia tão óbvio que estava omitindo a resposta certa? Até mesmo alguém de outra casa, como Severus, havia notado.

"Medo ou inveja, Remus! É com isso que você quer viver cercado?" Qualquer vestígio de sorriso no rosto de James, sumiu enquanto encarava Snape.

Lupin olhou de Severus para seus amigos. Por um momento considerou escolher Severus, essa escolha significava lutar. Era uma decisão cruel a ser tomada, e sua vida já estava tão amaldiçoada... Não sabia se teria forças para lutar por si, por Severus, e pelo sentimento que unia os dois. Sentiu uma lágrima quente deslizar pelo seu rosto.

"Vamos embora, Moony" James estendeu a mão para Remus.

"Eu sinto muito" Foi tudo o que Remus conseguiu dizer para Severus.

Passou por James, ignorando a mão estendida do garoto. Lupin que já estava de costas para James, não conseguiu ver o momento em que Potter acenou um "tchauzinho" para Severus, sorrindo sarcasticamente.

Snape apertou os punhos com força, sentindo suas unhas cravarem a carne fina da palma de sua mão. A dor não era nada comparada a fúria que sentia naquele momento. Severus sentiu as lágrimas pesadas caírem em seu rosto. Viu seu Remus ser levado para longe de si por aqueles que sabia que não o amavam de verdade, e não pôde fazer nada quanto a isso.

Não ficaria ali nem mais um segundo. Virou-se e caminhou em frente, sem uma direção certa, só sabia que estava se distanciando daquele lugar e esperava que seus passos apressados também conseguissem lhe levar para longe da amargura e da tristeza que parecia não querer lhe largar.

Remus não queria deixar Severus sem respostas. Balançou a cabeça, tentando negar para si mesmo o que tinha acabado de acontecer, a verdade era que estava se odiando naquele momento. Ele parou e olhou para trás, bem a tempo de ver Severus descer o morro e desaparecer em disparada ao lado contrário do castelo, o que o deixou preocupado sobre o destino do garoto. Mas não havia mais tempo para isso, e Remus precisava deixar Severus ir, antes que causasse um estrago maior ao garoto. Não suportaria ver o Severus gravemente machucado fisicamente ou algo do tipo por causa da maldição que lhe pertencia. Também, entraria num acordo com os Marotos, para que não o provocassem mais.

Snape era forte, ele saberia superar. Sorriu triste, uma lágrima restante caía do canto de seu olho. James o puxava pelo braço em direção a abertura na árvore, apenas o seguiu.

O Sonserino tinha acabado de descer o morro e então desabou sob seus joelhos. Já dentro da passagem na árvore, Remus ouviu um grito do lado de fora. Era o grito de Severus, um grito de dor e raiva. Seu peito tremeu dando inicio as lágrimas que molharam em abundância seu rosto, enquanto era levado por James, Sirius e Pedro.

James estava bem ao seu lado, segurando-o pela cintura. Remus tinha um braço apoiado nos ombros de Potter, e o outro no ombro de Sirius. Pedro seguia mais a frente, carregando a sua sacola. "Se concentre Moony, você não pode se transformar nesse estado tão abalado. Podes sofrer mais ainda..." A voz de Potter parecia tão distante, mesmo que estivesse ali bem ao seu lado. Tudo o que ele conseguia ouvir era o grito sofrido de seu Severus, repetindo em loop em seus ouvidos.

Tinha magoado o seu amor, e não teria mais volta. Essa seria a pior e mais duradoura dor que poderia sentir esta noite.

Fim do Flashback.

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Depois de fugir do Poltergeist naquela noite, tinham caminhado até as dependências do Sonserino, este que tinha convidado Lupin para uma ou duas doses de whisky de fogo para finalizar a noite.

Remus tinha aceitado. Bebia sua segunda dose, enquanto Severus ainda estava na primeira. Conversavam de pé, ali mesmo, apoiados em frente ao parapeito da lareira que Snape tinha acendido.

"Naquela tarde, eu estava pronto pra te dar a poção em que vinha trabalhando há meses. Eu tentei te entregar, mas aquele outro foi mais rápido. Se ele não tivesse me colocado de ponta a cabeça..." Severus apertou os lábios num linha muito fina. A raiva voltava a medida em que lembrava-se nitidamente daquele ocorrido.

"Todo esse tempo e eu achando que você tinha falhado. Depois daquele dia no lago, nunca mais tocastes no assunto. Porque você não me contou sobre isso?"

"A mensagem foi muito clara, Lupin. Ou você não se lembra de ter escolhido eles em vez de a mim?"

"Severus, e-eu não tinha escolha. Pelo menos não naquele momento." Remus passou a mão pelos cabelos. "Entenda, eu tinha medo de te machucar. V-você não sabe do que eu sou capaz quando perco o controle.."

Severus pigarreou tentando banir da sua mente o duplo significado que aquelas palavras tinham para si.

"E por acaso você não tinha medo de machucar seus queridos amigos, pois não?" Sorriu enviesado, tinha o encurralado, não haveria uma resposta para isso. Ou haveria?

"Eu acho que já é hora de você saber..."

"Saber o quê, exatamente?"

"Bem... Quando James soube que eu era um Lobisomen, e que eu passava minhas noites de lua cheia sozinho e geralmente retornava repletamente machucado, ele se preocupou tanto ao ponto de fazer uma loucura..."

Severus lhe olhava com uma face expectante.

"Ele se transformou em um Animago para poder me fazer companhia e cuidar de mim"

Aquelas palavras pareceram ter congelado o corpo de Severus.

"N-não pode ser. Animagos precisam ter registro no Ministério. Eles não tinham idade nem permissão para tal coisa". Snape sorriu nervoso.

"Não foi só ele. Sirius e Petter também aderiram a sua ideia. Eles fizeram tudo clandestinamente. Acredito que o único que sabia, além dos Marotos, era Albus. Mas nunca soubemos de fato, apenas suspeitávamos." Ao perceber o silêncio de Severus, Remus continuou "James era um cervo, Sirius um cão, e Petter um rato." Sorriu ao lembrar-se da primeira vez que viu aquela combinação excêntrica de animais parado em fila próximo ao salgueiro lutador. Tinha levado um baita susto.

A mente de Snape estava embaralhada. Era uma grande informação para se obter assim tão de repente. Tentou juntar as peças e aos poucos tudo passou a ficar mais claro. A amizade tão fidelizada dos Marotos a qual nem Severus, nem ninguém entendia como se tinha dado. "Um Lobisomem não atacaria outros animais, muito dificilmente" pensou.

"Até que o Potter não era tão burro o quanto eu pensava" Disse por fim. Ainda pensando sobre o que Remus tinha acabado de lhe confidenciar.

"Eu não concordei com isso. Nunca." Severus olhou para Lupin ao que percebeu sua voz mais alterada.

"Eu imagino que não" Disse simplesmente. Estava claro que aquilo perturbava Remus de alguma forma.

"Eles também sofriam pela transformação. James foi o primeiro a se acostumar, mas... O processo em si, era terrível. Eu odiava ver Petter sofrendo daquela forma para se transformar num.. Rato? E por minha causa?"

"Hey, Remus..." Severus se aproximou, tocando o ombro do maior. "Você sempre se preocupando com os outros, huh? Você não os obrigou nem nada do tipo, por que a preocupação? Eles sabiam o que estavam fazendo".

Lupin balançou a cabeça, concordando e tentando receber aquelas palavras de apoio. Afinal, tudo aquilo já fazia algum tempo.

Colocou a mão sob a de Severus em seu ombro.

"Na época, eu pensei que tivesses desistido, ou que a poção não tinha dado certo. Eu desconfiava que tinhas ficado com vergonha de me contar que tinhas falhado"

"Pois é, e na época eu também não sabia que você valorizava tanto os seus amigos por eles terem se tornado Animagos por você".

Era estranho admitir em voz alta, principalmente depois de ter a certeza por uma vida inteira, de que os outros Marotos eram tudo, menos amigos de Remus.

"Poderíamos ter conversado.." disse Lupin.

"Não... Nós éramos muito jovens... Não sei quem de nós dois seria capaz de ceder"

"Verdade. Fico grato por termos esclarecido essa parte, mesmo agora depois de tanto tempo. Você parecia muito irritado quando eu cheguei ao castelo" disse Lupin, lembrando-se da conversa que ouviu entre Severus e Dumbledore naquele seu primeiro dia de retorno.

"Isso porque você foi um idiota sumindo por todo esse tempo"

Remus suspirou. "Eu gostaria de te contar, Severus. Eu realmente gostaria, mas não sei..."

Severus inclinou o seu corpo mais para frente e beijou o sorriso calmo e duvidoso no rosto de Remus e depois o canto de seus lábios, causando um arrepio no corpo do maior.

"Não sabe o que?..." disse com os lábios encostados na bochecha de Remus.

"Não sei se... Se você vai me querer depois de tudo". Lupin fechou os olhos, sentido a proximidade do moreno e tentando prolongar aquele momento. Era mesmo verdade, poderia perder Severus depois de tudo. O Sonserino poderia escolher não ficar com ele depois que soubesse o que ele fez no passado, o porque de ter sumido da formada que sumiu. Remus não queria imaginar como seria se separar de Severus novamente, mas não poderia julgar se o homem afinal o rejeitasse. Lupin entendia, Snape teria todo o direto.

Severus se perguntou o que demais tinha acontecido com Lupin para que ele estivesse com tanto receio de falar sobre.

"O passado não me importa, Remus. Eu quero saber apenas se você quiser me contar e se isso for te fazer bem de alguma forma".

O maior soltou um murmúrio baixo de afirmação e puxou o corpo de Severus para um abraço aconchegante. Era bom estar ali, e especialmente com ele, depois de tudo o que tinha passado. A vida afinal lhe devia uns momentos de paz e felicidade com este que estava vivendo agora. Tinham tanto o que conversar sobre o passado, e ao mesmo tempo, sentia que deveriam aproveitar ao máximo para construir algo novo no presente. Tanto Severus quanto Remus, fizeram naquele momento uma promessa silenciosa: eles fariam valer a pena a nova chance que o destino parecia ter lhes proporcionado.

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N/A: Deixa um review por favorzinho pra incentivar uma autora, please? *-*' rs

Ainda não comecei a escrever o próximo capítulo.. hehe', mas definitivamente vamos ver mais sobre o passado de Remus. Kissos! S2

Vejo vocês no capítulo 12.

Lots of Love S2


Postado em 20/10/2018

User: ~esidois2

Autor: Portia M.

Fandom: Harry Potter

Ship: SS/RL; Snupin

Classificação: M/+18

Gênero: Romance, Drama, Universo Alternativo (por ter alguns personagens fora da personalidades original e por não seguir alguns eventos do livro).

Todos já sabem mas é sempre bom lembrar: Harry Potter e seus personagens pertencem a J.K. Rowling. Esta é apenas mais uma história ficcional criada de fã para fã.