Como prometido, o carnaval acabou e um novo capítulo saindo do forno!! Agora só lá pro dia 15 mesmo...
Ba, É até melhor vc ler a história original. Claro, já li e reli todos os capítulos. Aliás são 28 capítulos... Além disso, há duas continuações (Crawlspace ainda não publicou o último capítulo de uma) e ainda uma fic paralela, nas quais pretendo traduzir também. Enfim, se vc quiser saciar sua curiosidade, o profile dela está nos meus favoritos. E é lógico que coloco uma prévia do próximo capítulo para atiçar a curiosidade de vcs, hehehehe.
lmbs100, para vc entender algumas coisas vc poderia ver os capítulos que indiquei lá no final. Sailor Moon é um anime fascinante, é claro tem algumas tosquices, e algumas fases chatas, mas nada é perfeito. Estipulo datas para a publicação pq me conheço e conheço minha preguiça, hehehehe.
Boa leitura!
"Crueldades e Certezas do Destino"
Por Crawlspace
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"Aviso: Sailor Moon pertence a Naoko Takeuchi, não a mim. Só estou pegando os personagens emprestados por um tempinho".
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11. Coisas que Nunca Direi – Makoto
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"Ela está andando de um lado para outro".
Ken abriu não conseguia abrir os olhos totalmente, confuso com a voz do outro lado da linha. Estava acostumado a ser expulso da cama as três da manhã, mas pelo menos seu serviço de mensagens era melhor do que jogar frases sem sentido após ele falar alô.
Sentando-se lentamente, ele alcançou a luz ao lado da cama: "Kaya, é você?", perguntou sonolento.
"Sou eu", veio uma resposta cansada. "Ela está andando de um lado para outro. E Ami não faz isso. Ela não é tão nervosa assim".
Ken levantou a mão e a esfregou no rosto, sua mão pinicando pela barba que crescera durante o sono. "Kaya", disse com toda paciência do mundo, "pare de se mover".
Houve uma pausa do outro lado da linha e Ken imaginou a parada súbita dos passos dela. Ele ouviu um grunhido aborrecido e então: "Eu te odeio".
Ken sorriu. "Eu sei. Agora respire fundo". Quando ele ouviu Kaya expirar, falou: "Agora sente-se e me conte o que está acontecendo".
Kaya fez o que foi pedido. Quando começou a falar, sua voz continha uma fraqueza que Ken não estava acostumado a ouvir. "Fiz com que Ami ficasse em casa nessa noite. Depois do que aconteceu no hospital, pensei que seria o melhor se Ami colocasse alguma distância entre ela e Makoto. Apesar de tudo, ela não discutiu comigo, somente perguntou se podia ir lá dizer boa noite. Mas quando voltei para buscá-la algo estava errado. Ela disse que Makoto foi para cama antes dela se despedir e então tudo que ela fez foi ficar encolhida e apertando as mãos durante todo o caminho para casa. Quando chegamos, ela subiu para o quarto, mas ela está fazendo nada a não ser ficar andando para lá e pra cá na maior parte da noite. Ela continua pisando na mesma tábua quebrada a cada seis passos". Kaya suspirou, parecendo que estava à beira das lágrimas. "Eu só queria que ela não sofresse, Ken, e agora acho que só piorei as coisas".
Naquele momento, Ken desejou que estivesse lá para abraçá-la. Pondo o máximo de firmeza e conforto em sua voz, disse: "Você está fazendo o melhor por ela, Kaya. Ela entenderá algum dia, mesmo se ela não fizer isso agora. Mas você não pode protegê-la de tudo", ele disse gentilmente. "Não importa o tanto que tentamos, algumas vezes eles ainda sofrerão".
"Eu sei, mas tive que tentar", Kaya respondeu. "Vi todas aquelas garotas na sala de espera na tarde e fiquei muito feliz. É raro quando consigo ver todas juntas e elas estavam lá porque todas estavam preocupadas com Makoto. Mas no meio de tudo isso, quem está se preocupando com Ami?"
"Você já tentou falar com ela sobre isso?"
"Eu não sei como", Kaya admitiu, a frustração sendo visível pela sua voz. "Ela não vem até mim para conversar essas coisas, e até recentemente, era perfeito para mim deixá-la cuidar disso do seu próprio jeito. Você tem que entender, Ami é como se fosse uma flor que ainda não desabrochou (NT1).Ela sempre foi muito tímida sobre coisas e terrivelmente envergonhada sobre qualquer coisa que tenha a ver com sexualidade. Quando ela era mais nova, tentei conversar com ela. Ela sempre mexia nas minhas revistas de medicina e perguntava sobre as matérias, então pensei que não seria um problema. Estava certa de que ela realmente sabia o básico. Mas logo que comecei a falar, seus olhos encararam o chão e ela ficou vermelha. Depois disso ela me evitou por dias. Finalmente a encurralei na cozinha e a forcei a cozinhar um bolo. Ela fez com precisão e um pouco de experimentação, o que parecia com sua natureza. Adorava fazer aquilo desde que tinha idade o suficiente para alcançar a bancada e misturar as coisas. Porém, acho que fazer um bolo agora não ajudaria dessa vez".
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Rei virou-se de bruços definitivamente sem nenhuma elegância. Seu rosto enterrou-se no travesseiro enquanto um braço era lançado para trás do sofá. Ela rosnou aborrecida, enquanto suas pernas enrolavam-se nos lençóis que Makoto lhe emprestara. Sem levantar a cabeça, Rei tentou alcançar o lençol atrás dela mas só consegui tocá-lo com a ponta do dedo. Com outro rosnado, ela começou a rolar para o lado para ver se conseguia uma posição melhor e...
"Filho da...", Rei xingou quando suas costas encontraram nada a não ser o ar. Ao cair do sofá, seus braços foram ara cima e seu cotovelo bateu na mesinha de café. Segurando seu braço, com os olhos lacrimejantes, Rei soltou uma série de maldições e xingamentos que não condiziam com o seu papel de Sailor.
Após alguns minutos, Rei respirou fundo e esfregou a mão no lugar que ela sabia que teria um hematoma pela manhã e começou a desenrolar os lençóis que prendiam suas pernas. "Como Ami consegue dormir aqui toda noite?", perguntou para si mesma.
Quando se inclinou para puxar o tecido em volta dos seus pés, Rei foi longe o bastante para ver além do sofá. Foi andando de quatro e olhou assustada e confusa para a luz que vinha debaixo da porta da cozinha. "Sei que não estava ligada quando fui dormir". Então olhou para o relógio e sua expressão mudou. Dando de ombros, murmurou: "É, acho que apesar de tudo consegui dormir um pouco. Ah, sim. Acho que devo ir ver o que está acontecendo. É melhor do que ficar aqui sentada falando comigo mesma".
Quando entrou na cozinha, Rei encontrou Makoto sentada à mesa e petiscando um pote de manteiga de amendoim. A morena franziu o nariz com aquela visão.
Makoto sorriu para ela e levantou o pote. "Quer?", perguntou, sabendo muito bem qual seria a resposta de Rei. Então adicionou só para garantir. "É extragrosso".
Rei abriu um sorriso. "Ugh. Não, obrigada", sentou-se em um dos bancos em frente à bancada. "Você poderia pelo menos fazer um sanduíche disso".
Makoto balançou a cabeça enquanto engolia outra colherada. "Não mesmo. É melhor puro".
"Já que você tá dizendo", Rei replicou, não entendendo completamente a fascinação de Makoto pela substância. Então, imaginando o motivo da amiga estar acordada tão tarde, perguntou: "Você está se sentindo bem?"
"Tô. Só estava pensando em algumas coisas e não consegui dormir". Enfiou a colher no pote e rapou lentamente o conteúdo. "Me desculpe se te acordei".
"Você não me acordou", Rei disse balançando a cabeça. Sorriu quando lembrou do que lhe acordou. "Não estava conseguindo dormir. Sem querer ofender, Mako-chan, mas o seu sofá não é o melhor lugar para se dormir. Antes de vir para cozinha, eu estava justamente pensando em como Ami faz isso todas as noites".
Makoto ficou séria ao mencionarem o nome de Ami. Por um momento, seus olhos largaram os de Rei. Um segundo depois, quando ela os levantou novamente, Rei sentiu a diferença. Um muro baixou, e lá havia uma tristeza mais profunda do que qualquer coisa que sentiu antes na amiga. A sensação que aquilo causou em sua alma a deixou com arrepios.
Makoto inspirou lentamente. Antes de soltar o ar, disse: "Estava justamente aqui pensando que não sei por que Ami faz isso".
Rei hesitou. Então, bem cuidadosamente, disse: "Ela é sua amiga. Ela faz isso porque ela se importa contigo".
"Ótimo. Ela se importa", Makoto replicou. Deixou de encarar rei e descansou seu queixo nos braços em cima da mesa. "Ela se importa comigo e eu fiz nada a não ser machucá-la. E ainda assim ela se importa e ainda assim ela continua aqui. E ela odeia a nós dois por isso", Makoto terminou suspirando tristemente.
Rei deu um olhar analisando Makoto: "Você ouviu o que ela disse de noite, não foi?"
"Eu não estava tentando espiar", respondeu Makoto. "Só queria pegar um lâmpada para Minako. Então ouvi a voz de Ami e ela parecia tão chateada. Precisei saber o motivo e sabia que ela não me diria porque ela pensa que ando muito estressada". Makoto fez um som que em outras circunstâncias seria uma risada. "Agora suponho que não era por isso que ela me contaria, não é?"
Bem, agora ela sabia por que Makoto foi para cama sem se despedir de ninguém. Rei soltou um longo suspiro e passou as mãos pelos cabelos. "Perfeito", resmungou para si mesma. Então disse para Makoto: "Olha, Mako-chan, sobre o que ela disse... Ela só precisava desabafar um pouco. Ami estava segurando aquilo por um longo tempo. Ela não pode controlar o que sente, você sabe, e ela tem sido tão cuidadosa com isso. Só que hoje foi muito para ela. Mas ela ainda é sua amiga. Ela sempre será, não importa o que acontecer. Os sentimentos delas não tem nada a ver com a amizade que ela tem contigo. Só que esses sentimentos são complicados, espero que você entenda".
Makoto balançou a cabeça. "Não é isso, Rei. Não me importo por ela ter sentido algo por mim. O que me incomoda é que eu nunca soube. Tudo o que sempre quis foi protegê-la disso e, por causa de eu não ter visto isso acontecer, ela se machucou". A voz de Makoto ficou um pouco melancólica: "Me importo com ela mais do que já me importei com alguém. Eu queria ter sabido".
"Mako-chan", Rei disse hesitante, "do jeito que você fala, quase parece que..."
"Rei", Makoto interrompeu. Levantou a cabeça dos braços, olhou diretamente para os olhos de Rei e deu um dos maiores passos da sua vida. "Eu sou gay".
A boca de Rei caiu enquanto olhava surpresa para a amiga. Finalmente as palavras surgiram da sua boca: "Desde quando?"
Makoto riu. "Desde quando eu tinha treze e realizei que me divertia mais assistindo as líderes de torcida e os pompons delas do quer assistir o time de basquete. O time dos garotos, é claro. O time das garotas era outra história. Mas não havia nenhuma líder de torcida naqueles jogos. Acho que eles pensavam que só precisava de uma só equipe de torcida, sei lá", Makoto concluiu dando de ombros.
Rei continuou sentada lá, balançando a cabeça. Levou uma mão para a cabeça e massageou em cima dos olhos. "Não acredito", disse mais para si mesma. "E depois de tudo isso...". então tirou a mão dos olhos e olhou para Makoto. "Por que você nunca disse nada?"
Makoto não conseguiu evitar sentir amargura e esta estava evidente em sua voz quando falou: "Depois de tudo que vocês quatro me falaram, como você ainda me pergunta isso?"
"Nunca falamos disso na sua frente", Rei disse se defendendo, realizando tardiamente que estava admitindo toda as baboseiras delas.
A risada de Makoto foi, pelo menos, aliviante. "Não, acho que vocês não falaram. Você realmente não se lembra?"
Rei fez que não com a cabeça.
"'Não desista, Mako-chan'", Makoto disse puxando de volta aquela antiga lembrança. "'Ainda há um monte de garotos legais por aí'. Vocês quatro caindo em cima das outras e dizendo que seria um grande problema se eu tivesse uma paixão por outra garota. E Usagi. Não posso te dizer quantas vezes ela me disse que eu não deveria porque Haruka era uma mulher".(NT2)
"Ah", respondeu Rei, de repente sentindo-se muito culpada, "isso".
"É, isso", Makoto respondeu. "E depois de tudo o que aconteceu, você realmente esperava que eu falaria algo para vocês?"
"Aposto que você não falaria", Rei replicou.
"E acredite em mim, a ironia das nossas situações não caiu só em mim também. Vendo que eu não fui a única que desistiu dos homens".
Rei corou com aquilo. Querendo evitar que o assunto chegasse até ela, encostou-se na bancada e colocou suas mãos na nuca para espreguiçar-se. "Então", disse pensativa, "você realmente teve uma paixãozinha por Haruka, hã?"
"Talvez um pouco", Makoto admitiu. Ela sentou-se normalmente e pegou o pote de manteiga de amendoim. Brincando distraída com a colher, continuou: "Mas não era só aquilo. Naquela época, mas hoje nem tanto, pra mim Haruka parecia perfeita. Ela era linda, talentosa e não somente aceitou quem e o que ela era, mas ela também assumiu sem medo de ser feliz. Ela era tudo o que eu quis ser e só queria ficar por perto dela por um tempo. Tipo, talvez se eu estivesse perto dela, eu entenderia o meu jeito de ser".
"Elas parecem perfeitas, não é?" Rei disse. Riu um pouco. "Me lembro de quando Ami finalmente disse o que todas nós pensávamos. Que talvez elas realmente fossem um casal. Parecia tão estranho, mas ainda assim elas pareciam tão certas juntas. Nós só não éramos acostumadas com esse tipo de coisa, eu acho. Talvez foi por isso que estranhamos tanto quando você saiu com ela".
Rei sorriu arrependida para o olhar que Makoto lhe deu, então disse: "É, nós falamos de você. Não achava que você ficaria surpresa de descobrir isso. Mas você precisa saber que Ami nunca teve algo a ver com isso. Na verdade, uma vez ela até gritou conosco por causa disso. Literalmente ergueu a voz e nos disse que não estávamos colocando nossas prioridades em ordem. Então ela passou o resto do dia escondendo atrás de um livro e fingindo que não estava escutando. Foi quando que eu percebi. Tadinha dela, não sabia como fingir. Ou ela estava apaixonada por você ou ela estava interessada nas nossas fofocas".
Makoto ficou observando a colher enquanto desenhava 'oitos' na manteiga de amendoim. "Fico contente pelo menos dela ter você para conversar".
Rei saiu do banquinho e foi sentar ao lado da amiga. Colocou uma mão no braço da garota, esperando que Makoto aceitasse o que estava oferecendo.
Makoto sorriu para sua amiga. Dobrando os braços, descansou o queixo neles mais uma vez. "Sabe, não era só vocês", disse enquanto olhava para um ponto invisível na parede. "Não me sentia confortável sendo desse jeito, nunca. Era contra tudo que eu supostamente queria. Quero dizer, a princesa deveria se apaixonar por um príncipe e não por uma das damas de companhia".
Makoto deitou a cabeça, assim estava encarando Rei e essa imitou a posição. Pareciam nada mais do que duas crianças com suas cabeças juntas e trocando segredos.
"Quando era pequena", Makoto continuou, "minha mãe contou como ela conheceu papai e se apaixonaram. Aquilo era um conto de fadas para mim e sempre quis que fosse assim. Papai me chamaria de princesa e mamãe me contaria todas as coisas maravilhosas que aconteceriam quando eu crescesse e encontrasse um homem igualzinho ao meu pai. Meu príncipe. Então, quando comecei a entender algumas das coisas que estava sentindo, pude perceber tudo aquilo fugindo de mim". Makoto suspirou ao lembrar daquela frustração.
"Eu não queria perder o meu final feliz. E não queria ser diferente do que eu realmente era. Então fiz tudo para ignorar. Decidi que não iria esperar que meu príncipe encantado viesse atrás de mim, eu iria até ele. Quando ele me disse que não era feminina o bastante para chamar a atenção dos garotos, decidi ser uma mulher perfeita. Tentei, pelo menos. Pensava que se eu conseguisse aquilo e que se eu fosse paciente o bastante, um dos sapos que sempre andava beijando se tornaria no meu príncipe. Então ele corresponderia ao meu beijo, diria que me amava e me levaria para ver o pôr-do-sol e os nossos amigos nos dariam votos de felicidades junto com as criaturas do bosque", terminou com um sorriso depreciativo.
Rei, sentindo que tinha permissão, retornou o sorriso com um benevolente. "Mako-chan, você sabe que não é assim que as coisas acontecem. Mesmo em contos de fadas".
Makoto pensou brevemente na sua princesa e de todas as coisas que ela passou para ficar com o príncipe dela. "É, descobri isso depois de um tempo. Embora isso não me parou de tentar encontrar".
Inclinando-se mais para perto, Rei encostou sua testa com a de Makoto. Depois de um tempo, ela voltou um pouco, com um sorriso no rosto. "E você realmente sente algo por Ami?", perguntou com um tom de segredo.
Makoto refletiu o sorriso de Rei. "Desde da primeira vez que a vi. Mas Usagi era a única pessoa da escola que não tinha medo de falar comigo. Não iria estragar aquilo dando em cima da amiga dela. E também não foi nada fácil, porque quando vi Ami, ela era tão...", Makoto não conseguiu terminar. Ao invés disso, deu um suspiro de admiração.
Rei pareceu um pouco confusa com aquilo. "Me lembro de quando nos conhecemos, Mako-chan. Era um garoto quem você estava perseguindo, não Ami".
Makoto balançou um pouco a cabeça. "Ele lembrava do meu sempai e foi uma boa distração. Acredite, estava aliviada por aquilo na hora. Depois, porém, quando tudo acabou e quando fiquei sozinha, achava que não haveria água fria na cidade toda que tirasse a imagem dela da minha cabeça. Porque naquele momento em que a vi pela primeira vez, Ami era a minha fantasia de garota do colegial em carne e osso". Os olhos de Makoto se tornaram distantes enquanto relembrava-se da sua primeira impressão. Dava para sentir um pouco de admiração e desejo em sua voz. "Me lembro daquela garota adorável estando lá com o uniforme bem justo ao seu corpo, segurando uma gata preta e a sua boca formava um pequeno 'o'. Ela tinha um leve rubor em suas bochechas e os olhos... Kami, aqueles olhos. Se ela estivesse usando óculos não sei se sobreviveria. E quando Usagi me disse que Ami era uma menina tímida, do tipo intelectual, foi simplesmente... Rei?"
O rosto de Rei ensaiava algo que parecia um meio sorriso. Seu olho direito adquiriu um tique lento e ela parecia estar enxergando direito, embora Makoto sabia que era para algo que só Rei via. Makoto acenou em frente ao rosto de Rei e disse seu nome várias vezes antes da garota finalmente sair do transe.
Com um pulo que quase quebrou a cadeira, Rei focalizou novamente a garota à sua frente. Lançou um olhar acusador pra Makoto. "Ok, graças a você agora tenho uma imagem de Ami que eu nunca quis".
"Mas é uma boa imagem, não é?", Makoto disse maliciosamente.
"Isso é completamente fora de questão!", Rei retornou. Ela estremeceu, então respirou fundo e tentou desesperadamente tirar aquela nova imagem de sua cabeça. "Urrgg... Eu juro, vocês duas são perfeitas uma para outra", disse aborrecida. "Quando você falar com ela, tenha certeza de contar essa parte da garota de colegial. Ela vai gostar".
Makoto empalideceu. "Não posso contar para ela. E nem você".
Rei fez um gesto de desdém para Makoto. "Confie em mim. E lembre de perguntar para ela da parte em que você brinca com Luna", disse com uma risada. (NT3)
Makoto balançou a cabeça. "O que? Não, não é isso que eu quero dizer. Você não pode contar nada do que conversamos. Nada. E nem eu posso".
"Mas que inferno, por que não?", Rei questionou mais confusa agora. "Pensei que você estava apaixonada por ela".
"E estou".
"Então, qual é o problema?"
"Você não ouviu o que ela te falou?", Makoto perguntou como se a resposta fosse óbvia. "Ela me odeia. E odeia a si mesma por ter sempre me amado mesmo depois de tudo que fiz com ela". Ficou séria e olhou para seus dedos nervosos. "Cara, eu meio que pensava que ela estava feliz com o bebê. Entretanto, gastei quatro anos mal interpretando completamente tudo o que ela tentava me falar. Por que agora seria diferente?"
Rei fez vários barulhos que eram uma mistura de aborrecimento e confusão. "Do que você está falando? Pensei que você disse que estava nos espiando".
Makoto olhou de volta para ela. "E estava. Ela disse que odiava a si mesma e então começou a chorar. Não consegui agüentar mais. Então Minako voltou para a sala e tive que lidar com ela".
Rei jogou as mãos para cima, completamente irritada com essa garota. "Caramba, Mako-chan, se você vai ouvir a conversa das outras pessoas, você realmente precisa ficar até o final. Ami não te odeia. Não sei por que, para ela seria perfeito estar aqui com você, trocando fraudas e acordando as três da manhã com uma criança chorando. É isso o que ela quer, mesmo ela estando um pouco chateada por você não perceber isso sozinha".
"Sério?", Makoto perguntou baixinho, sentindo esperanças pela primeira vez.
Rei concordou. "Sim, de verdade".
A mente de Makoto releu a lista de dúvidas que ainda possuía. "Eu perguntarei se ela aceitará esse fardo, mesmo ela pensando que é isso que ela quer. Não seria justo fazer isso com ela".
"Acho que é muito mais injusto você não contar para ela. Porque, não contando, você tirará todas as escolhas dela. E desde que você tem uma, ela merece uma também. Sem mencionar que extremamente injusto se você deixar ela continuar te amando e pensando que não é desejada de volta".
"Ela me ama", Makoto disse com um sorriso tolo se espalhando pelo seu rosto. "Realmente, eu nunca imaginei..."
Rei sorriu enquanto as sombras que rodeavam Makoto sumiam. "É, ela te ama. E ela nunca imaginou isso também. Você irá falar com ela, certo?" Rei pressionou.
Makoto concordou. "Vou. Amanhã. Ela vai passar a noite aqui".
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Desistindo completamente do sofá, Rei estava estendida no chão, com as mãos na barriga e as pernas levantadas. Soprou suas franjas, o movimento acima de sua cabeça era a única distração que tinha naquela hora. Pelo menos, pensou consigo mesma, ela não era a única que não estava dormindo naquela noite. Rei tinha certeza que as duas de suas amigas estavam sofrendo também.
"Mas pelo menos elas estão sofrendo na cama delas", disse ao dar um longo suspiro.
Virando de lado, Rei apoiou a cabeça com uma mão. Esticou a outra até a bolsa e procurou por vários segundos até encontrar o objeto que estava procurando. Puxando seu comunicador, brincou com seus dedos várias vezes antes de finalmente ativá-lo.
Enquanto esperava a chamada ser atendida, Rei sentou-se e encostou-se no sofá. Após alguns minutos, a tela foi ativada e o rosto de uma loira sonolenta com os cabelos baguncados surgiu na tela.
"Já acordei, já acordei", Minako disse bocejando. Seus olhos estava metade abertos e suas palavras não saíam direito por causa do sono. "Quem está atacando agora? É melhor não ser aquela garota de novo. Ai!"
A tela caiu junto com Minako, que tropeçara. No fundo, Rei ouviu Artemis chorar de dor. Quando a cabeça de Minako surgiu de volta na tela, a loira estava esfregando cuidadosamente um ponto na sua cabeça. "Onde eu tenho que encontrar vocês garotas?"
Rei segurou uma risada. "Nós não estamos sendo atacadas, Minako. Você não precisa nos encontrar em nenhum lugar".
As feições de Minako relaxaram e a loira ficou séria e confusa. "Então por que você me ligou?"
"Não consigo dormir e estou entediada", Rei respondeu. Então franziu a testa. "E estou com uma imagem na minha cabeça que não consigo tirar".
"Rei", Minako choramingou, "são 4:30 da manhã. Se o sol ainda não acordou, eu também não quero estar".
Com um sorriso, Rei replicou: "Você nunca reclamou disso antes".
"Só porque você estava justamente do meu lado", Minako retornou, o rosto dando um sorriso sonolento. Esfregou os olhos e voltou para a cama. Deitada de bruços,com a cabeça apoiada nas mãos e com o comunicador à sua frente, perguntou: "Então que imagem é essa? Aposto que é sobre isso que você quer conversar".
Rei balançou a cabeça violentamente. "Uhn uhn. Eu quero que ela vá embora, não ficar pensando nela. Fale comigo. Não me importo quanto tempo vai demorar portanto que eu não fique pensando".
Minako pensou por um tempo, expulsando ar pelos lábios. Final mente disse: "Acho que Mako-chan ouviu você e Ami conversando mais cedo".
Rei a olhou quase irritada. "Por que você não me contou antes de você sair?"
Despreocupada, Minako deu de ombros. "Não tinha certeza, quero dizer, é de Ami que estamos falando. Ela nunca disse nada de mal sobre ninguém na vida dela. Mas Mako-chan parecia chateada com aquilo. Ela te contou alguma coisa?"
"Mako-chan me disse um bando de coisas", Rei respondeu com um suspiro.
Quando percebeu que Rei não iria mais adiante, Minako falou: "E você não vai me contar nada, vai?"
Rei fez que não com a cabeça.
"Ótimo", Minako respondeu. Então ela virou seu corpo, então tudo que Rei podia ver pelo o comunicador era o topo da cabeça da loira. Suas mãos brincaram com um laço rosa da sua camisola. "Então não vou te contar em como Mako-chan ficou quieta depois que ela ouviu vocês ou quanto estranho foi dela não querer mais ver Ami. Porque Mako-chan sempre quis ver Ami".
Minako entortou a cabeça, assim seu rosto sorridente estava de cabeça para baixo na tela de Rei. "Sabe, ela se importa com Ami. Realmente se importa".
Naquele ponto, Rei estava tão cansada para sentir outra coisa além de divertimento. "Por que você diz isso?"
"Bem", Minako respondeu enquanto voltava a ficar de bruços. "No começo não tinha certeza. Mas então houve todo aquele rolo com Haruka e comecei a pensar sobre como ela sempre rondava Ami. Mas ela sempre perseguia os garotos com a gente". Minako ficou séria de um jeito que Rei achava muito fofo. "Então ela foi e engravidou, o que matou toda a minha teoria com Ami. Até recentemente. Olha, Mako-chan consegue ficar apenas algumas horas com a gente a perturbando, mas Ami faz isso mais do que qualquer uma de nós e ela até deixou Ami se mudar para aí".
Rei riu. "Ami não vive com ela, Mina. Se ela vivesse, eu estaria dormindo na minha cama agora mesmo".
"Olhe em volta, Rei. Aqueles livros na prateleira ao lado da TV são de Ami. As chinelas dela estão aí na porta. Tem uma escova de dente dela no banheiro, as roupas delas estão no closet e ela tem até uma gaveta de roupas íntimas. Agora se isso não quer dizer: 'Eu moro aqui', não sei o que isso significa".
"Como você sabe disso?"
Minako abriu um sorriso inocente. "Estava caçando uma lâmpada. Enfim, o que vamos fazer?"
Rei balançou a cabeça. "Nós não vamos fazer nada. Mako-chan disse que ela lidaria com isso. Vamos dar um tempo para ela consertar as coisas do jeito dela. Mas se ela não fizer nada até o fim da semana, um leve persuasão de suas amigas virá a caminho".
"Mas nós poderíamos trancá-las no closet juntas", Minako sugeriu com uma risadinha.
"É", Rei sorriu. Então suspirou. "Sabe, acho que nós cinco tivemos um sério problema de comunicação ultimamente. Todas nós precisamos nos reunir e fazer uma festa só de fofocas".
Além da música da risada de Minako, Rei ouviu outro ruído. O clique metálico de uma chave abrindo uma fechadura seguido pela porta da frente abrindo lentamente.
"Tenho companhia, Mina" Rei disse baixinho e rapidamente. "Tenho que ir. Te amo". Desativou seu comunicador e o escondeu debaixo do travesseiro justamente na hora em que Ami a encontrou no chão.
"Rei, por que você está no chão?" Ami perguntou docemente enquanto adentrava pela sala de estar.
"É mais confortável do que o sofá. Mas por que você está aqui tão cedo. Ainda nem deu cinco horas".
Ami deu de ombros enquanto sentava-se numa cadeira em frente de Rei. "Não consegui dormir".
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
Makoto aproximou-se tão perto que agora sua boca estava ao lado do ouvido de Ami. Então sussurrou: "Quer saber um segredo? Ele também te ama. Quase o mesmo que a mãe dele ama". Então acariciou lentamente a orelha de Ami com os lábios.
Agora vai!
NOTAS DA TRADUTORA:
NT1: Não consegui uma tradução correta para a expressão 'late bloomer', traduzi ao pé da letra, que quer dizer 'uma flor de desabrochou atrasada'. Mas a expressão é usada no inglês para adolescentes que tem a puberdade atrasada, ou àqueles que não desenvolveram ainda a sexualidade ou que não se interessam ainda por sexo.
NT2: Ver Sailor Moon S, episódio 96. Mas vejam legendado, que a dublagem brasileira tira o significado de muita coisa. Nele, Makoto tem meio que um encontro com Haruka e as meninas começam a duvidar.
NT3: Ver Sailor Moon Classic, episódio 25. Bom, é o primeiro episódio de Makoto e já expliquei como ela e Ami se conheceram. Quem quiser o link para ver esses episódios no youtube legendados, entre em contato.
