Jogos e Desafios
Por Mukuroo
Obs 1: Saint Seiya não me pertence, como todos devem saber. Por ser um fic de Universo Alternativo os personagens deverão sofrer algumas alterações em suas personalidades.
Obs 2: Este é um fic dedicado especialmente à minha querida amiga Akane M.A.S.T., aquela que está presente sempre quando estou escrevendo um fic difícil. Àquela que me enche de porrada quando penso em matar um personagem e que me ajuda sempre com as idéias absurdas que tenho quando quero escrever uma história. O aniversário dela está longe, mas esse fic não é um presente de aniversário porque acredito que não precisamos de uma data especial para presentear alguém. É mais como um agradecimento pelo apoio e pela infinita paciência que ela tem comigo. Beijos, Akane. Te adoro
Obs 3: O casal principal dessa história é Shura e Aiolos. No entanto, não é uma continuação de Proposta Irresistível apesar de que eu recebi alguns pedidos para continuar aquele fic. Essa história é independente daquela, totalmente diferente inclusive se passa em uma outra época. Mas eu a escrevi justamente porque o casal é maravilhoso e eu amo esses dois juntos.
10
- Não há muita coisa a ser feita, Deba – Shura assegurou, sem esconder sua frustração. – Até Shion autorizar-nos a prosseguir, o caso fica restrito a ele. Estamos de mãos e pés atados até o juiz chegar no final da semana para interrogar Shiryu.
- E vamos ficar parados e deixar esse bando de foras-da-lei dar o golpe e escapar tranquilamente? – Aldebaran perguntou com aspereza e raiva.
Shura negou, com um gesto enérgico de cabeça.
- Claro que não. Vamos duplicar o número de homens de guarda à noite e outros, inclusive nós, faremos serviços dobrados, pois temos uma fazenda para administrar. Mas eu não me chamo Shura Capricorn, se não conseguir acabar com esses roubos.
Shura caminhou a passos largos até a cocheira e Aldebaran teve dificuldade em acompanhá-lo.
- Quero todos os homens armados até os dentes, e providencie para que todos tenham munição suficiente para usar, se for necessário. Deixe os novos contratados com Ikki. Não sei quais deles precisam ser vigiados de perto e tenho a impressão de que Astérion será um valor considerável, se for acossado. Shion não o teria recomendado, se não confiasse nele.
- O que o senhor ordenar, será feito, patrão. Scorpio contratou dois homens que parecem mais pistoleiros do que caubóis. Acho que muito antes do que esperamos, teremos uma batalha campal na região. – Aldebaran franziu a testa em sinal de preocupação.
- Pode ser – Shura concordou. – Mas devemos estar preparados, de um jeito ou de outro. Deixarei duas espingardas de caça com Aiolos e Dohko, isso os deixará em melhores condições de defesa. Também procurarei ficar sempre perto da casa. Você ficará encarregado de todo o esquema tático fora daqui.
Shura apontou o norte, onde o rebanho fora reunido em uma área menor, onde seria melhor vigiado.
- Eu me incumbirei de seguir as pegadas dos cavalos e de quem quer que seja. Organize turnos de guarda e certifique-se de que os vaqueiros não adormecerão naquela droga de cabine, na próxima vez que alguém decidir cortar a cerca.
- O senhor sabe tão bem quanto eu que Shiryu facilitou as coisas para os bandidos. O pior será se Seiya... – Aldebaran interrompeu-se, como quem se arrependia do que iria dizer. – Bem, nem sei mais o que teria feito diferença. Todos nós pensávamos que o homem agia com honestidade. E sei muito bem que Aiolos está se culpando por tê-lo contratado.
- Acredito que ele está preocupado com Aiolia – Shura assegurou. – Não se sabe onde ele se encontra e nem o que está arquitetando.
- Acha que ele pode estar envolvido com os ladrões de gado? – Aldebaran fez a pergunta com ar sombrio e as mãos em punho na cintura.
Fitou o caminho por onde Aiolos chegava puxando um cavalo com rédea curta. De cabeça abaixada, o loiro cochichava com o animal e afagava-lhe os pêlos lustrosos.
- Ele parece muito abatido com os acontecimentos, não é verdade, patrão?
- É. – Shura concordou.
Shura sabia que parte do aspecto desfavorável do esposo se devia à falta de sono da noite anterior. Apesar de assumir a responsabilidade de fato, não sentia remorso pelos momentos de prazer que encontrara nos braços de Aiolos. Acordara-o com palavras suaves, incapaz de conter o próprio desejo, acariciara-lhe a pele sedosa, beijara-lhe a boca e novamente haviam feito amor.
E o loiro correspondera plenamente. Aos primeiros clarões do amanhecer, ao vê-lo adormecido, teve certeza de que, ao acordar, Aiolos estria com os olhos brilhantes pelas lembranças do prazer que Shura despertara no seu corpo virginal.
Aiolos era um homem especial e, quanto mais o conhecia, mais o admirava, sob todos os pontos de vista. Jurou a si mesmo que sempre o trataria da melhor maneira possível.
- Todos saíram, Deba? – o loiro perguntou, parando na frente deles. – O senhor mandou todos para o norte?
- Sim, tentaremos proteger a manada da melhor forma possível. Estou a caminho de fazer a verificação dos cavalos. É uma pena que não tenhamos mais gente para ir até a divisa setentrional da fazenda. Os camaradas estão tentando cobrir a maior parte da região que for possível.
- E o recém-chegado? – Aiolos perguntou, com a testa franzida.
- Acho que trabalha bem. – Deba explicou. – Shura é da mesma opinião. Ele está acompanhando Ikki, que nos últimos dias mostrou um ótimo comportamento.
Aldebaran deu um sorriso leve e Shura lançou-lhe um olhar de advertência. Seria melhor Aiolos não ficar sabendo do teor da conversa que tivera com o garoto. Os outros vaqueiros também guardariam segredo e Ikki não cometeria mais enganos.
- Não seja muito duro com ele – Aiolos pediu. – Ele é apenas um menino querendo parecer importante. Aposto que o jovem Hyoga o manterá na linha. E se ele não puder, o irmão dele o fará com certeza.
Aiolos deu meia-volta e, com o capão no seu encalço, fitou em silencio as paisagens da fazenda que o rodeavam.
- Bem, queira desculpar-me, tenho de verificar o que se passa com os cavalos. – Aldebaran foi até onde sua montaria o esperava, selada, ao lado da porta do celeiro. Montou, abaixou mais a aba do chapéu e incitou com os calcanhares os flancos da égua preta.
Aiolos e Shura se afastaram. Distraído, o loiro acariciou o focinho do animal que conduzia.
- Não sei o que eu teria feito sem ele, depois que papai morreu.
- Ele é um homem extremamente leal, meu querido. – Shura salientou, convicto do que dizia.
Shura dava muito valor ao homem em que Aiolos confiara a fazenda durante os dias difíceis que enfrentara até ficar em condições de assumir o comando.
- Quantos cavalos você tratou esta manhã? – o moreno perguntou, com a cabeça inclinada para fitá-lo. – Você está bem? Receio que...
Aiolos deu uma gargalhada.
- Nem tente desculpar-se, Capricorn. Manter-me acordado metade da noite foi a melhor coisa que você poderia ter feito. E não vejo a hora de você trancar novamente a porta esta noite.
Shura sentiu um alívio enorme e fez uma careta engraçada.
- Você não está machucado? – ele murmurou.
A alegria do sorriso assegurou-o da negativa. Não se conteve e tomou-o nos braços.
Aiolos aconchegou-se e ergueu o rosto como se procurasse o sol e o houvesse encontrado.
- Você me faz muito feliz, Shu. Não quero repetir o que lhe disse ontem à noite para não aborrecê-lo, mas saiba que as palavras saíram do fundo de meu coração.
Comovido pela sinceridade do esposo, Shura murmurou promessas doces em seu ouvido e beijou-lhe os lábios carnudos.
* * *
Astérion bateu na porta da cozinha com o nó dos dedos, na hora do almoço.
- Entre! – Dohko gritou. – Você não precisa de convite, garoto. Está na hora de comer e parar um pouco de trabalhar.
- É por isso que estou aqui – ele afirmou, com timidez. – Aldebaran pediu que eu viesse buscar o almoço dos vaqueiros. Ele mandará metade deles de volta na hora do jantar. Mas se o senhor quiser mandar comida extra, poderemos ficar lá durante a noite.
- Ainda há mantimentos na cabana? – Dohko perguntou e fez uma lista mental do que teria de mandar com ele.
- Quando estive lá pela última vez, vi algumas latas de feijões e um recipiente cheio com café. – Aiolos interveio, em pé na porta. – Eles podem fazer sanduíches com o que sobrou de carne assada. Acho que há o suficiente para os homens ficarem alimentados por esta noite. Há bastante pão, biscoitos e pernil para cortar. Ah... E salada de batata!
- Senhor, isso para mim tem o som de banquete – Astérion afirmou, com veemência. – São as melhores notícias do dia.
- Alguma novidade por lá?
- Por enquanto, tudo calmo. Os camaradas estão fazendo patrulhas regulares na área, sem perder o rebanho de vista. Não é fácil controlar os animais em uma região tão ampla quanto aquela, mas os vaqueiros estão dando o melhor de si.
- O senhor me parece um excelente caubói, Astérion.
O Homem deu de ombros, com modéstia.
- Eu enfrento qualquer trabalho, sr. Aiolos. – ele declarou, sem sombra de falsidade.
Aiolos achou estranho que ele fosse melhor do que aparentava, mas se Shion e Shura estavam satisfeitos com ele, não seria ele a discordar.
- Aposto que sim.
Aiolos encerrou o assunto e foi em socorro de Dohko, que saía da despensa. Ajudou-o a carregar a vasilha cheia de salada de batata e ambos fatiaram o pernil, o pedaço de carne assada e embrulharam em papel encerado. As embalagens bem feitas não deixariam o sumo e os óleos se perderem. As carnes continuariam úmidas e comestíveis durante o dia todo.
- Esta comida sustentará a todos até amanhã – Astérion garantiu. Acomodou as carnes nos alforjes que trouxera. Depois o pão e a salada enrolados em toalhas separadas. E não esqueceu dos biscoitos. Ergueu as sacolas pesadas de couro e deu um sorriso endereçado a Dohko. – Aposto que nunca lhe deram um dia de folga, não é, senhor?
- Ultimamente, não. – ele suspirou. – Mantenha os olhos abertos em cima daquelas reses. Assim pelo menos Aiolos poderá descansar.
- É o que farei.
Aiolos sentiu uma certa hesitação por parte do rapaz. Ele abriu a porta e olhou para trás.
Qual seria a mensagem que ele pretendia passar? – loiro se perguntou, vendo-o se afastar.
Shura estava certo. O homem sabia cavalgar. Com poucos movimentos suaves, fazia o cavalo obedecer a seus comandos. Um ligeiro puxar de rédeas ou um leve aperto nas ilhargas. As botas e a sela eram de boa qualidade, também como Shura dissera. Gostaria de ter certeza de que o homem também era.
- Eu queria saber onde Shion o encontrou – ele falou mais consigo mesmo do que com Dohko.
Pôs três pratos na mesa e arrumou a cozinha para o almoço. Shura não tardaria a chegar. Dali a pouco puxou a corda do sino, fazendo o badalo tocar só uma vez de cada lado. O som deveria anunciar o almoço e não uma emergência.
Ainda ouvia as palavras da resposta de Dohko.
- Shion deve ter alguma coisa escondida na manga. Algo me parece estranho. E olhe que não sou nem mesmo um jogador.
* * *
Nos dias que se seguiram a atividade foi incessante. A carga de trabalho aumentara. Os homens faziam vigília dobrada, o que aumentara as tarefas de Aiolos. Algumas vezes Shura e Seiya ajudavam-no no trabalho com os cavalos. Ambos cavalgavam com movimentos precisos, flexíveis e elegantes na sela, como se dançassem em uníssono com os animais.
Naquele dia, Seiya ficara com a tarefa de treinar os animais recém-amansados e fazê-los desfilar. Esperavam um comprador, representante de fazendeiros de Montana. Shura esmerava-se na escolha dos melhores cavalos para vender. Já fizera uma previsão para a próxima safra de potros que nasceriam no ano seguinte, como resultado do cruzamento com o novo garanhão, mantido perto da estrebaria.
Aiolos começava a partilhar daquele ânimo, apesar da preocupação com os ladrões de gado e do trabalho adicional ocasionado por eles.
Os braços doíam de tanto escovar pelagens e as pernas ardiam de tanto andar com os cavalos para exercitá-los.
E sua mente fervilhava com pensamentos que não ousava pôr sobre os ombros largos de Shura. Por mais que ele fosse um ouvinte atento, não tinha coragem de expressar em voz alta as imagens apavorantes e nítidas que o acordaram no meio da noite. Aiolia balançando perdurado em uma corda. Gemeu alto ao lembrar-se do rosto contorcido e que lhe parecera tão real, mesmo sabendo tratar-se de um sonho.
- Uma moeda por seus pensamentos, querido... – Shura trouxe-o de volta à realidade.
Aiolos assustou-se de ver que sua mente estava muito longe do animal que deveria estar tratando.
- Você não gostaria de saber – o loiro murmurou, voltando para sua tarefa.
- Mas também não quero ficar na ignorância – o moreno garantiu e segurou-o pelo braço, para impedi-lo de continuar a escovação. – Dá a impressão de que você acabou de perder o melhor amigo. E disso eu estaria informado, coração.
- Você é o melhor amigo que já tive – Aiolos afirmou com veemência, escovando com mais força a barriga do cavalo com a mão livre. – E depois da noite passada, não creio que eu esteja em perigo de perdê-lo.
Shura gargalhou.
- Agora está melhor. Eu declaro, senhor, que as suas faces estão tão rosadas quanto as flores que Dohko cultiva na varanda.
- Preciso mesmo que me alegre – o loiro admitiu. – Tenho pensado em muitas coisas tristes ultimamente.
- Aiolia? – o moreno desconfiou e Aiolos anuiu.
- Você não pode fazer nada, Olos, exceto atrair coisas boas com pensamentos positivos. Mesmo assim, não tenha muita certeza de que ajudarão. A menos que volte logo, tenho receio de que será considerado uma parte do bando de meliantes que rondam a região.
- Soube alguma coisa de Shion? – Aiolos lembrou-se de Shiryu na prisão da cidade.
- Sim. Acho que Shiryu não terá chance. Shion disse que o juiz chegou e sentenciou-o à prisão. Deu-lhe três dias de prazo para revelar os nomes dos outros. Prometeu-lhe uma sentença menor, se confessasse. Mas eu não acredito que Shiryu vá revelar o que sabe. Vamos esperar para ver.
- Shion falou com você pessoalmente?
- Não. Milo Scorpio foi quem me contou isso, ontem a noite, e Seiya trouxe as novidades. Acho que Shion está prevendo algum acontecimento na cidade. Talvez uma fuga da cadeia. Os ladrões de gado devem estar pensando em pôr as mãos em Shiryu. Devem ter medo de que o comparsa fale demais.
- O juiz ainda está na cidade?
- Sim. Ele pediu a Shion que contratasse outro auxiliar e deixasse o homem vigiando a prisão durante vinte e quatro horas.
- O que você acha? – Aiolos perguntou, com o coração disparado.
- Que devemos estar preparados para qualquer coisa, Olos.
* * *
O jantar transcorreu em silêncio, com somente quatro pessoas à mesa. Aldebaran apressou-se em voltar para o alojamento. Pretendia dormir um pouco, antes de outro longo dia que o esperava.
- Vou sair cedo para alcançar Seiya – ele avisou Shura e virou-se para Dohko. – Ser á que o senhor poderia faze ruma fornada de biscoitos para os homens? Naquela distância, qualquer alimento fresco tem o sabor de manjar dos céus.
Ele levantou a mão, quando Aiolos se preparava para falar.
- Ninguém está se queixando, Aiolos. São apenas fatos da vida. Nós os mimamos demais com boa comida. Mas eles merecem. Não é fácil manter aquele gado todo sob controle e fazer revezamento contínuo de guarda.
- E Astérion?
- Tem feito Ikki trabalhar com afinco. – Aldebaran deu uma risadinha. – É perito no laço e seu cavalo é bem treinado. Tomara que ele fique por aqui, quando tudo isso terminar. Um homem como ele, ou talvez mais alguns, serão muito úteis quando estivermos a pleno vapor, treinando os potros novos que pretendemos vender daqui a dois anos.
Shura saiu com Aldebaran e Dohko acenou para Aiolos segui-los.
- Pode deixar, eu arrumarei a cozinha. Vá sentar-se um pouco lá fora. Aproveite o ar frio e espere Shura voltar.
Era uma sugestão agradável. Aiolos saiu da cozinha e foi até a extremidade da varanda. Olhou para o céu e fixou-se nas estrelas que apareciam aos poucos. A tristeza veio com a escuridão e Aiolos pensou novamente em Aiolia, com o coração apertado.
Concluiu que o irmão nunca fora um forte. Talvez houvesse ficado em posição de inferioridade há alguns anos quando Aiolos e o pai estavam muito unidos.
Lembrou-se das falhas do irmão, de seu estado de rebelião permanente. Ponderou com tristeza sobre o que poderia ter feito para ajudá-lo, durante a ultima estadia na fazenda.
Talvez o casamento com Shura fosse a ultima gota de água. Aiolia deveria ter sentido que estava do outro lado do muro. Mesmo assim, não se arrependia em nenhum momento pela decisão tomada.
- Mas se...
No momento em que seus lábios pronunciaram as duas palavras melancólicas, viu um cavaleiro que se aproximava devagar.
Saiu correndo do canto onde se encontrara e apressou-se em saudar a figura solitária, sem importar-se com o perigo.
- Olia? – ele chamou, esperançoso. – É você, Olia?
- Sim. Sou eu – ele respondeu, disfarçando a voz, com medo de ser descoberto.
Parou debaixo de uma árvore ao lado da casa, desmontou e, sem largar as rédeas, ficou observando Aiolos se aproximar.
- Eu não sabia se você falaria comigo...
- Onde foi que esteve? – Mesmo sem querer, o tom foi acusatório e ele voltou para a sela. – Espere! – o loiro agarrou o outro pela camisa. – Estive muito preocupado com você. Não fique bravo, Olia. Fique aqui e vamos conversar.
Aiolia manteve-se ereto, apesar do esforço que o loiro fazia para puxá-lo. Aiolia queria desculpar-se pelas palavras ásperas.
- Você sempre me acusa primeiro, não é verdade? – Aiolia não escondeu a ira. – Tudo o que acontece de errado é culpa minha.
- Não é verdade – Aiolos negou a injustiça. – Foi você quem fugiu e me deixou na miséria. Se não fosse por Shura...
- Droga de Shura! Tudo isso começou por culpa dele. Ele me ludibriou, ficou com meu dinheiro e com a fazenda.
Aiolos procurou respirar com mais calma, ao reconhecer a fúria que Aiolia irradiava.
- Por que o odeia tanto? – Aiolos fez a pergunta com muita tristeza. – Foi o destino que o fez estar lá naquele dia. Se não fosse ele, teria sido qualquer outro. E este poderia não ser tão bom quanto Shura é.
- Estou vendo mesmo como ele é "bom". – Aiolia zombou. – Arrancou-o da prateleira, disse algumas palavras diante do sacerdote, tomou conta de tudo e carregou o bando todo para seu lado.
- Nós já conversamos sobre isso e não adiantou nada, não é? – Aiolos afastou-se dele, ao pressentir a inutilidade do discurso. – Por que voltou dessa vez? Não tenho dinheiro e com os roubos...
- Ah, os roubos... – Ele foi brusco. – O que houve agora? Por acaso está pensando que eu me envolvi em uma coisa dessas?
Aiolos pressentiu que ouvia uma falsidade, mas não poderia acusar sem provas.
- Não sei em que pensar – Aiolos balançou a cabeça. – No dia do meu casamento, ladrões de gado atacaram durante a festa e nós perdemos um grupo de reses nos limites ao norte.
- Eu não tenho nada a ver com isso – Aiolia declarou, de cabeça erguida.
- Então para onde o senhor foi, quando desapareceu naquela noite? – Uma voz sombria ecoou pela noite e Shura aproximou-se, vindo do lado contrário de Aiolia.
- Não é da sua conta, "irmão" – Aiolia declarou com sarcasmo, encarando o outro, que era bem mais alto.
- Bem, acontece que eu acho que é – Shura persistiu. – Você fugiu e depois de algumas horas perdemos uma boa fatia do rebanho.
- Eu sei. E segundo ouvi falar na cidade, Shiryu é o camarada que deve ser acusado! E que também foram comprar uma corda nova.
- Ele irá para a prisão, Olia. Não irão enforcá-lo. – Shura suavizou o tom de voz. – Por acaso está com medo que ele o denuncie?
- Não tenho nada a ver com isso – Aiolia reiterou, mal humorado.
- Parem! – Aiolos não suportou mais. Espalmou a mão no peito de Shura que inspirou fundo, na medida de seu ódio. – Não façamos nada esta noite. – O loiro virou para o irmão e indicou o alojamento. – Vá até lá, Olia, e tenha uma bela noite de sono. Falaremos amanhã cedo.
Aiolia concordou, depois de mirar Shura com superioridade. Conduziu o cavalo até o galpão fechado. Aiolos sentiu às costas a fúria do marido. O moreno o virou com força, mas Aiolos o encarou com altivez.
Impossível aquilo estar acontecendo!
O moreno se comoveu ao ver as lágrimas rolarem. A raiva feneceu junto com a preocupação com Aiolos, que ficava entre Aiolia e todo aquele desastre que havia acontecido.
- Olos...
O loiro se jogou em seus braços e rompeu em soluços incontroláveis.
- Querido, não deixe que ele jogue areia nos seus olhos. Você tem um coração bondoso demais em relação a Aiolia e ele se aproveita disso.
- Você acha mesmo que ele faz parte do roubo, não é? – Aiolos levantou a cabeça para fitá-lo.
- Eu acho que sim.
Shura não se sentia tranqüilo em hospedá-lo, mesmo sendo só por uma noite, dentro dos limites da fazenda. Era como se deixasse o inimigo atravessar os portões. Ainda assim, mantê-lo à vista poderia ser mais seguro.
- O que ele queria? – Shura perguntou.
- Ele não explicou. Apenas disse que...
O loiro hesitou e fitou a estrebaria. Dentro, a lamparina brilhava. Podia ver-se Aiolia desencilhando o cavalo.
- Eu não sei por que ele voltou – Aiolos comentou, desanimado. – Fiquei apenas contente por vê-lo e pensei que ele não apareceria, se fosse culpado de alguma coisa – Deu uma risada áspera e cobriu a boca com a palma da mão. – Tem razão, sou mesmo um tolo.
Shura suspirou, aliviado. Talvez Aiolos tivesse começado a enxergar Aiolia sob uma nova luz.
- Nada disso. É apenas a bondade que o orienta. Vou dar uma volta e pedir a Aldebaran que fique atento. Conversaremos amanhã cedo. Aiolia terá de esclarecer algumas coisas, senão terá de ir embora daqui.
* * *
Uma hora depois, Shura foi dormir. Aiolos estava encolhido no meio da cama, com a cabeça quase coberta pelo lençol. Ele o aconchegou de encontro ao peito e percebeu que Aiolos se descontraía, após alguns instantes de hesitação.
- Ainda acordado? – o moreno murmurou a pergunta, tirou-lhe os cabelos do rosto, curvou-lhe a cabeça para trás e o beijou.
Cálido e macio, Aiolos retribuiu não com paixão ou desejo. Mas como se necessitasse do conforto de sua presença. O moreno o beijou, sem fazer exigências, apesar da ânsia. Aiolos não se oporia em ser acalentado, pois era o que ele mais desejava. Conduzi-lo a um estado de ansiedade amorosa poderia requerer algum esforço e Shura estava determinado a reforçar a intimidade entre ambos.
De acordo com o ponto de vista de Shura, deveria ser formada uma barreira contra a influencia de Aiolia, e esta seria erguida mais facilmente se continuassem a aumentar o teor explosivo do relacionamento.
- Acho que não estou com vontade – o loiro confessou quando ele lhe mordiscou a ponta do lábio inferior.
- Claro que está, querido – o moreno insistiu, em voz baixa e convincente. – Preciso de você, Olos.
Shura acariciou-lhe as costas, levantou a camisa até encontrar a pele suave do abdome. Aiolos mexeu-se e sacudiu a cabeça, relutante.
Shura não se deu por vencido. Murmurou palavras de admiração e, recostado no cotovelo, esboçou um rosário de beijos pequeninos pelo rosto e pescoço do esposo. Aiolos deitou-se de costas. O moreno acariciou as coxas e, depois de erguer-lhe uma perna, fez carinhos na panturrilha.
- Você é tão macio, querido – o moreno murmurou.
O moreno passou a ponta dos dedos na pele lisa da parte interna das coxas e beijou o marido novamente.
- Beije-me, meu querido. Olos... por favor.
E o loiro o fez, hesitante a princípio. Mas estremeceu no sentir que o esposo tocava nas suas partes mais delicadas e íntimas, e deixou escapar um soluço.
- Você não está agindo de modo correto. – Apesar da relutância, o loiro era incapaz de resistir. A onde de desejo evidente na voz deixou Shura satisfeito. – Esta noite eu não queria. – Empurrou-lhe o peito, mas roçar os pelos escuros deixou o loiro arrepiado.
- Olos, se quiser, eu posso parar, mas eu não gostaria de fazê-lo. Acho que você precisa tanto quanto...
- Eu sei... Mas estou percebendo que as coisas não estão certas e não sei como consertá-las.
- Não pense nisso agora. De jeito nenhum, meu querido. Apenas permite que eu o ame.
- Quando se casou comigo, não foi só por isso, foi? – Aiolos perguntou, com tristeza.
- Vindo de você, eu quero qualquer coisa, querido – Shura afirmou com sinceridade. – Nunca precisei tanto de um homem.
- Precisar? – A palavra era melancólica.
Shura ergueu a cabeça e entendeu a argumentação oculta.
- Querer seria o termo mais exato? Eu gosto de você, querido. Quero fazer parte de sua vida até a minha morte. Mas não o obrigarei a fazer nada contra a sua vontade. Diga uma só palavra e eu lhe darei um beijo de boa noite.
Aiolos suspirou e passou a mão levemente no rosto do marido.
- Sou um rabugento, não é mesmo? Agindo como uma criança idiota, quando na verdade o que eu quero é... ser seu esposo, Shu. Quem sabe se não estou precisando de alguma persuasão.
Aiolos enterrou os dedos nos cabelos de Shura e, com pressão suave, trouxe-o para a frente de sua camisa.
Shura tocou o tecido macio com a boca e mordeu um botão.
- Acho que não vai desabotoar...
O moreno riu quando Aiolos enfiou os dedos da casa, debaixo da boca do marido. O loiro continuou a tarefa de soltar o pequeno botão e Shura aguardou, impaciente, até ver exposta a pele alva. Shura terminou de livrar-se daqueles panos que o incomodavam e encostou o rosto não barbeado no peito macio dele.
- Você é maravilhoso. – o moreno sussurrou.
Shura virou o rosto e prendeu levemente entre os lábios o mamilo rígido e róseo. Aiolos deu um gemido e agarrou-lhe a cabeça. Era tudo que Shura precisava. Aquele som simples deu-lhe a certeza de que o esposo o acompanharia.
- Shu...
O desejo de Aiolos se fazia presente e Shura regozijou-se com aquela generosidade. Ainda assim, o moreno agiu devagar. Não gostaria de pressionar o outro depressa demais na direção dos movimentos finais do ato de amor. Faria com que as preliminares durassem bastante, arrancaria gemidos de prazer e satisfaria a necessidade pulsante que sentia sob suas mãos.
O desejo tornou-se urgente. Aiolos segurou-lhe a cabeça com mais força e ergueu os quadris de encontro a ele.
Shura respondeu com um som baixo, faminto e rouco que morreu na garganta e que era uma mistura de desejo e triunfo. E na sua entrega, ele recebeu uma dádiva. No prazer, encontrou satisfação além da expectativa. Os gritos de paixão de Aiolos não poderiam ser mais significativos.
Shura compreendeu que o esposo trilhara um caminho muito difícil para atingir seu coração ressecado. Aquilo lhe deu a certeza de que não era mais um ser solitário e que acabava de se deparar, após uma longa busca, com a finalidade de sua vida.
Aquele homem o tornara vulnerável.
E temeroso.
Continua...
Bem bem... finalmente Aiolia voltou né? O que será que o ruivinho está tramando? Gostaram do capítulo? Espero reviews porque Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido em? Agradeço a todos que estão acompanhando esse fic e principalmente minha beta Akane. Beijos a todos da Muk-chan \o/
