Já á tarde, Naruto e Sakura estavam á sós:
_O teme está muito estranho ultimamente. -disse de repente com um olhar triste. _Enfrentamos muitas situações difíceis juntos e me entristece vê-lo desse jeito, mais frio e distante a cada dia. Na verdade ele sempre foi assim, mas depois da Midori ele havia melhorado um pouco. -terminou de falar sabendo que Sakura era responsável pela morte da garota, mas sem nenhum tom de acusação.
_É impressionante como você não tem ressentimento algum comigo mesmo sabendo o que eu fiz. -falou Sakura intrigada com o loiro.
_Quem sou eu para julgar ou acusar alguém Sakura-chan? Você devia ter os seus motivos e ainda assim, nada mudaria o que aconteceu. -a rosada percebeu um Naruto diferente da imagem que ele transmitia até então, ele realmente tinha um coração puro.
_Obrigada por não me recriminar. Quanto ao Sasuke... Ele deve ter os motivos dele também, não se preocupe, em pouco tempo eu deixarei vocês e tudo poderá voltar á ser como antes. -tentou tranquilizá-lo, mas não citaria nada sobre Sasuke, ela não tinha o direito de contar o passado dele para quem quer que fosse.
Ouviram uma movimentação por perto do acampamento, mas se tranquilizaram ao constatar que se tratava do moreno:
_Encontrei uma barraca de frutas no caminho e vi um cartaz de procurado com nossos rostos, por sorte não fui identificado. -disse firme, as expressões não transmitiam nenhum desespero, muito pelo contrário Sasuke era misterioso e escondia muito bem o que sentia ou pensava.
_Temos que despistá-los logo então. -decidiu Naruto.
Logo começaram á desmontar o acampamento e a preparar-se para percorrer um novo caminho.
Era noite quando avistaram um grupo de soldados de Madara parados conversando descontraídamente. Lembrando que o objetivo do trio não era roubar nada e sim agir para comprovar ainda mais a ideia de que haviam se afastado das aldeias.
_Ei seus bakas! São tão lerdos que nem conseguem reconhecer um inimigo quando veem um. -provocou Naruto sozinho diante dos oito homens.
Três deles tomaram a frente perseguindo o loiro que correu. Outros dois que passavam foram derrubados quando Sasuke saltou sobre eles de um telhado próximo. A rosada logo saiu de seu esconderijo atacando os outros três restantes.
Ela deu um murro no rosto de um deles e mal percebeu quando um outro a segurou por trás. Na sua frente, Sasuke atingia a cabeça do terceiro fazendo com que ele desmaiasse. Então o moreno puxou Sakura do inimigo, depois o segurou pela nuca empurrando sua cabeça de encontro á parede de uma casa.
Quando voltou-se para a rosada ela parecia querer falar algo, mas preferiu ficar calada, porém ele viu uma ponta de gratidão em seus foscos olhos verdes.
Mais adiante encontraram Naruto cercado por três homens caídos no chão:
_Estão todos bem? -perguntou sorridente.
Não houve resposta, apenas os olhos de Sakura que se arregalaram para um ponto em suas costas. O loiro virou-se e compreendeu o motivo: dezenas de soldados estavam armados com espadas e escudos prontos para matá-los.
_Corram! -a garota sussurrou e os rapazes não hesitaram em fazê-lo.
Continuaram correndo, o grupo também apressava-se barulhento atrás deles, provavelmente acordando os moradores que só não saiam nas janelas por puro medo.
Avistaram um grande armázem de madeira. Sakura na frente, indicou o caminho para que dessem a volta e entrassem pelos fundos e assim fizeram.
Naruto colocou a barra de madeira para trancar a porta. Os três estavam ofegantes e exaustos quando olharam á frente e viram um homem barbudo e com as roupas sujas, devia trabalhar ali.
Ele abriu a boca em menção de gritar e o loiro logo interveio:
_Ei, calma. Não lhe faremos mal algum. -falou com as mãos estendidas.
Nesse momento, os soldados passaram a esmurrar a porta do lado de fora gritando:
_ABRAM ESSA PORTA IMEDIATAMENTE!
_Não me deixarei levar por um bando de vagabundos! -esbravejou o homem com sua voz gultural, quando a rosada tomou a frente e ficou diante do homem, curvou-se e sussurrou algo em seu ouvido.
Os dois rapazes ficaram intrigados com o que ela havia feito, já que o homem agora tinha um brilho de excitação em seus olhos e um sorriso malicioso para ela, que prosseguiu falando um pouco mais alto agora:
_E para isso só precisa abrir essa porta e dizer que não há ninguém aqui além de você. -orientou com um tom mais sóbrio, sedutor.
Assistiram enquanto o homem andou e parou diante de um grande caixote de madeira, ergueu a tampa e falou:
_Escondam-se aqui.
Obedeceram e os três agacharam-se lá dentro para que ele fechasse o caixote. Então caminhou até a porta que estava quase sendo arrombada pelos soldados e com a maior simpatia que pôde, indagou:
_Desculpem, eu estava cortando as toras de madeira ao fundo. Há alguma coisa errada?
_Vimos três suspeitos entrando aqui. -um deles informou.
_Três pessoas? Mais isso é impossível, a porta estava trancada e eu só a abri agora aos senhores. -mentiu fingindo inocência.
_Ainda assim, será que podemos dar uma olhada?
_Claro, por favor entrem.
Os soldados correram seus olhos pelo depósito iluminado por lampiões. Viram várias peças de madeira, ferramentas e feno por todo o chão, até que um deles voltou-se para o grande caixote:
_Para que uma caixa deste tamanho?
_É para levar engradados nos grandes navios, um comerciante do sul que pediu.
_Capitão, não encontramos nada.
_Certo. Parece que teve sorte, mas é bom que não esteja mentindo. -falou em tom de ameaça.
_Mas é claro que não. Estou ás ordens. -negou acompanhando os soldados até a saída.
Depois de ter certeza de que estavam afastados, foi até o caixote e ergueu a tampa. O trio se retirou de lá.
_Essa passou perto. Agora sim podemos ir. -suspirou Naruto aliviado.
Iam se retirando naturalmente, quando o homem lhes chamou a atenção:
_Ei vadia, e a minha recompensa como me prometeu? -indagou sarcástico.
_Claro. -Sakura respondeu docemente lançando uma adaga no pescoço dele que caiu enquanto a cor vermelho rubro se espalhava ao seu redor.
Depois a garota pôs-se a caminhar lentamente como se nada tivesse acontecido. Naruto ficou surpreso com o quanto as aparências podiam enganar, já que Sakura parecia mais um anjo que não fazia mal á uma mosca, porém era exatamente o contrário, ela poderia ser tão fatal quanto um veneno.
Já Sasuke se repreendeu novamente, por ao menos por um momento ter se permitido esquecer do que aquela víbora era capaz.
Quando já haviam se afastado daquele ponto comercial com certeza a notícia já havia chegado ao Rei, o corpo havia sido descoberto e os três estavam calados.
_Bem, acho que já cumprimos nossa missão. Agora se me permitem rapazes, adeus. -disse Sakura virando-se de costas.
_Ei Sakura-chan. -Naruto chamou e ela voltou-se novamente.
Olharam-se nos olhos sem saber o que dizer e mal perceberam quando Sasuke aproximou-se dela, segurando-a pelo pescoço.
_SASUKE! -Naruto gritou separando-os.
Ficaram cara a cara puxando um ao outro pela gola das camisas.
_Pare com isso Sasuke!
_Será que você não vê Naruto? Ela vai continuar por aí a solta matando pessoas inocentes como Midori, você viu a frieza e a naturalidade com as quais ela faz isso. Ela é um monstro!
_Sasuke...
_O que foi Naruto? Vai ficar aí defendendo ela até quando?!
_Eu sei que o que ela faz não é certo, mas eu prometi ao Kakashi que não deixaria que você fizesse nada á ela e isso não vai acontecer. -disse soltando-o.
E foi aí que perceberam que a rosada não estava mais lá, havia desaparecido silenciosamente como a gélida brisa daquela noite.
Não podia continuar ali, não depois da ameaça de Sasuke. Era grata a Naruto por ter sido sempre tão doce com ela e ainda de certa forma salvar sua vida, pois pelo que dependesse do Uchiha, ela não a teria mais.
Sabia que no fundo ele estava certo. Ela era um monstro, incapaz de amar e ter compaixão pelo próximo. Então logo a dor que havia desaparecido á alguns dias retornou com tudo em seu peito. Vagava sem rumo e sem cautela, por mais que ainda estivesse sendo procurada.
Não sabia onde estava, apenas ouvia a música e gargalhadas espalhafatosas vindas de um bordel, não era o de Tsunade, mas lhe lembrava sua casa, o local onde sua vida miserável havia começado, desde a sua concepção.
Foi aí que ouviu a debochada voz que a trouxe de volta para a realidade e ao mesmo tempo de volta á um velho pesadelo.
