"Rachel, espera." Disse Finn, no corredor, quase alcançando Rachel, que parou, virando-se.
"O que você quer, garoto? Tripudiar? Estragar mais o meu dia? Não basta roubar os meus amigos... o meu coral?"
"Rachel, calma. Eu não quero roubar nada! Eu só quero participar. E se eu propuser mudanças e vocês não quiserem implementar, eu sempre posso pensar em outra coisa... ou, se eu achar que sem elas a gente não ganha, eu sempre posso sair. Eu só quero fazer alguma atividade, caramba! E a melhor atividade pra mim é o coral."
"E por que você veio atrás de mim? Eles disseram que, se a sua entrada me fizesse sair, eles não iam te aceitar, por acaso?"
"Não. Talvez, eles dissessem, no final das contas... mas nem deu tempo pra isso. Suas amigas vinham atrás de você e eu pedi pra elas me deixarem vir."
"E por que você se importa?" Disse, ainda irritada. A presença dele no coral já mexia com o coração dela e ele mal tinha acabado de chegar. Ele causaria uma confusão insuportável na vida dela, se eles convivessem três vezes por semana, depois das aulas.
"Você é muito talentosa".
"Sério?" Perguntou, desconfiada.
"Sim. Eu sei porque também sou muito talentoso." O jeito dele de falar, dessa vez, não soou presunçoso, mas engraçado, o que a fez rir, pela primeira vez, desde que entrara na sala do coral e o encontrara lá. "E você também é linda. Principalmente quando você deixa de lado essa pose toda de irritadinha, e coloca esse sorriso no rosto." Completou, tocando o rosto dela, olhando bem dentro de seus olhos.
"Tira a mão de mim, agora." Ela conseguiu falar, secamente, apesar de poder jurar que seus ossos estavam virando geléia, ao sentir a mão dele em sua pele, ao ver o brilho do seu olhar, direcionado a ela.
Ele não obedeceu à ordem dela. Aliás, muito pelo contrário. Ele deslizou a mão que estava no rosto de Rachel, colocando-a na nuca da morena, enquanto sua outra mão a puxava, pela cintura, envolvendo-a. Ao mesmo tempo, ele inclinou o corpo, pressionando seus lábios contra os dela, que ficou na ponta dos pés, instintivamente, retribuindo o beijo.
Percebendo que ela não protestava, ele a segurou com mais força, aprofundando o beijo, pedindo passagem para sua língua, que foi recebida pela língua doce da garota, tendo início um movimento lento de exploração mútua. O beijo era delicioso e as mãos de Finn no corpo dela faziam com que Rachel se sentisse tonta, mas ela ainda tinha um namorado e aquele garoto tinha um encontro marcado com a vadia das vadias, no dia seguinte.
Rachel não só empurrou Finn, de repente, como lhe dou um sonoro tapa no rosto.
"Ai." Ele quase gritou, colocando a mão no rosto. "Isso doeu, garota!"
"É pra doer mesmo. Você é um idiota, que quer entrar pro Glee club, e quer que eu fique nele, só pra ficar me agarrando... me beijando à força."
"Você pode negar o quanto quiser, mas você me beijou também... e isso vale dez tapas desse." Ele sorriu, querendo parecer debochado, mas, na verdade, feliz.
"Eu não..."
"Cala a boca, Rachel. Pelo amor de Deus! Só tem a gente aqui... qual é o sentido de negar que me beijou?" Falou, perdendo a paciência.
"Arrrrgh... você tem o... poder... de me irritar!"
"Fica irritadinha aí o quanto quiser... problema seu. Quanto ao clube, eu não quero que fique nele, pra eu te beijar... eu... eu até dou minha palavra de que eu não te beijo mais, pra você ficar. Ou melhor, eu dou minha palavra de que eu não tomo mais a iniciativa de te beijar."
"E não é a mesma coisa?" Era ela quem não tinha paciência, agora, e revirava os olhos.
"Talvez." Disse, irônico e malicioso. "De qualquer jeito, eu dou minha palavra. Pode ficar no clube, sem medo, porque ninguém nunca vai saber que eu já te beijei... e eu não vou fazer nada. Meu contato com você vai ser só o necessário pro clube. Eu não quero que você fique porque é linda, mas porque tem talento vocal."
"Eu não sei..."
"Você tem talento, Rachel. E está jogando fora, saindo do coral."
"E você é tão bonzinho, que não pode deixar isso acontecer?" Ironizou.
"Na verdade, não tem nada a ver com bondade. Fazer parte de algo especial te torna especial, certo? E eu era parte de algo especial em Akron e não quero passar esse ano todo sem a sensação que eu tinha lá. Só que, para o 'Novas Direções' ser especial, eu preciso de uma garota que faça solos, que cante bem como eu. E, pelo que eu vi, você é a melhor. Simples assim!"
"Ok. Eu fico... e deixo você ficar, se o pessoal decidir assim. Mas só tô fazendo isso porque eu adoro cantar... e não acho justo eu sair do coral que EU criei, com as minhas melhores amigas." Disse, ainda com ar de superioridade. "E eu não tenho direito de negar a eles qualquer coisa que aumente as nossas chances de ganhar... mesmo que VOCÊ seja essa tal coisa."
Dito isso, ela andou na direção da sala do coral, sem esperar por ele. Ele a seguiu, contente. Ele não só iria ter a chance de cantar para os colegas e, provavelmente, se tornar integrante do clube, com grandes chances de ser o líder deles, em pouco tempo, pois já contava com o apoio do treinador, como também tinha acabado de ter certeza que nem tudo estava perdido, em relação a Rachel.
Ela definitivamente tinha correspondido ao beijo que ele lhe dera, e tinha gostado. Ele pode sentir a diferença na respiração dela, a pressão da mão que ela colocou no ombro dele, para se equilibrar, o rosto dela vermelho, quando ela o afastou. Ela podia até ter namorado e nem ter se dado conta ainda, mas ela tinha uma atração por ele, portanto ele tinha chances e Finn Hudson não desperdiça jamais suas chances.
Os dois entraram na sala do coral, juntos (ela podia não querer esperar mas as pernas dele lhe davam uma boa vantagem), e encontram a turma ensaiando algo. O Sr. Schuester percebera que a demora dos dois em retornarem estava deixando grande parte deles nervosa, então havia decidido ensaiar, enquanto Finn e Rachel estivessem conversando (ou, pelo menos, ele torcia para que fosse uma conversa e não uma briga, e ambos voltassem ao coral).
A entrada deles fez o ensaio parar e todos começaram a perguntar, ao mesmo tempo, se Rachel ia ficar, se aceitaria Finn no coral, se Finn ainda queria entrar para o grupo, se ele cantaria para eles, agora. O professor conseguiu acalmá-los, depois de um tempo, e Rachel disse que ia aceitar o novo membro, se essa fosse a vontade do grupo. Sam e Quinn a abraçaram e a levaram para sentar perto deles, enquanto os outros gritavam e aplaudiam, em comemoração.
Finalmente, Finn pode conversar com os músicos e se posicionar no meio da sala, abrindo a boca para deixar todos ali impressionados, além de felizes por haver alguém como o rapaz, disposto a se juntar a eles.
Rachel sabia que Finn Hudson era um destaque no Vocal Adrenaline, que, por sua vez, era um coral de grande qualidade. Ela já tinha ouvido falar nele, muito mais do que sonharia mencionar a qualquer pessoa. Obviamente ela esperava uma linda voz, uma ótima técnica, afinação perfeita.
O que ela não esperava era que Finn Hudson fosse o gigante de sorriso lindo que virou o mundo dela de cabeça para baixo, em menos de uma semana. O que ela não esperava era que os beijos dele, o toque dele, o sorriso, o olhar, fizessem o coração dela disparar dentro do peito. O que ela não esperava era que a voz dele a fizesse ficar tonta, arrepiada, hipnotizada, boba.
Rachel não sabia o que fazer. Queria correr, queria sumir. Queria ficar, queria pular nos braços dele e pedir que ele a beijasse.
Santo Deus! Quem poderia sonhar que o famoso Finn Hudson ia ser, um dia, a perdição de Rachel Barbra Corcoran Berry?
