Sétimo dia, terceira parte

Ela havia feito o que havia feito? Fora uma clara afronta a ele. Mais do que normalmente seria, levando em conta o fato de que todos o conheciam como sendo um "maníaco" por limpeza. Mas ele só gostava de deixar as coisas limpas, qual era o problema dos outros com isso?

O sangue misturado com saliva escorreu por seu rosto. Em um rápido movimento — ele não sabia se ela estava machucada o suficiente para não reagir, mas ela era Mickasa Ackerman, não valia arriscar — ele segurou seus punhos com uma mão só enquanto usou a outra para puxar um lenço do bolso de sua calça, com o qual limpou o rosto antes de jogá-lo no chão ao seu lado. Voltou a segurar seus punhos com ambas as mãos. Ela o irritava. E também o excitava — e ele deveria terminar com aquilo antes que ela pudesse perceber o quanto.

Ele se sentia a droga de um tarado em pensar tais coisas de uma garota que tinha menos da metade de sua idade. Ela nem ao menos era maior de idade!, censurou uma voz a si mesmo. Mas a atração por ela era inegável. E ele tinha de admitir que o top justa que expunha boa parte de seu colo ou a posição na qual se encontravam não contribuíam em nada com seu auto-controle.

Eren estava olhando, ele pensou na tentativa de controlar a si mesmo. Só que não era suficiente, parecia até mesmo atiçá-lo. Ele tinha vontade terminar o que não conseguira, bem na frente de Eren. Provar a ele que ele fizera o que Eren não tinha coragem para. Quem sabe ele perceberia o quão lixo de homem ele era por recusar quem estava praticamente implorando por ele. Ainda mais Mikasa.


Ele não demonstrara estar irritado, embora soubesse que ele estava. Mas ele continha o mesmo olhar que naquele dia, no qual ela quase cedera. O olhar de quem está se controlando sobre algo. E não era a raiva que vinha contendo — ela já o vira fazer isso — era aquele sentimento que ela não conseguia identificar bem. E somando as coisas, provavelmente ele estava tão tentado quanto ela à terminarem o que ficou para depois — Não depois, pensou uma voz em sua mente. Nunca.

Ela conseguira fazer escapar uma perna de seu aperto, mas ele parecia não ter percebido, o olhar focado nela. Entretanto, ao invés de tentar afastá-lo com ela, ela a usou para enlaçar sua cintura, o empurrando ainda mais contra ela e unindo ainda mais os dois corpos, ele teria de fazer alguma coisa a respeito. Ela não entendera muito bem o uso da própria tática, se tencionava provocá-lo ou apenas queria que ele se aproximasse ainda mais.


O que diabos fora aquilo? Ela não tentara o afastar com a perna livre, mas sim os aproximara ainda mais? Ele não sabia o que pretendia aquilo, mas a maior aproximação o fez soltar um grunhido involuntário por entre os lábios enquanto se perguntava se deveria sair de cima dela ou aproveitar-se da situação. Provavelmente a segunda opção.


Diferente do que ela pensara que ele faria — desistiria e se afastaria — ele se aproximou mais, o suficiente para que ela percebesse que sua excitação com a posição era tão grande quanto a sua, o que lhe dava um arrepio de excitação e medo ao mesmo tempo. E se ele tentasse algo enquanto Eren ainda os observava? Ele parecia finalmente ter acreditado que ela não mantinha um caso com Rivaille.

Ainda segurando seus pulsos com as mãos, ele se aproximou de seu pescoço, desta vez descoberto por não estar usando a echarpe que havia retirado no quarto quando trocara a saia. Ele posicionou a cabeça do lado em que Eren se encontrava, o que quer que fizesse, ele não poderia ver. E no instante seguinte ela podia sentir sua respiração quente em seu pescoço subir até sua orelha.

— Você está provocando o homem errado, Mikasa. — ele sussurrou para que apenas ela escutasse, a voz rouca — Eu não sou o frouxo do Eren. Eu não vou fugir se você insistir em me tentar. — dissera antes de depositar um beijo em seu pescoço que lhe arrepiara o corpo inteiro

E no instante seguinte ele estava longe de seu corpo. Ele estava sentado no chão e Eren estava perto deles. Aparentemente ele havia puxado Rivaille para longe dela — um ato bastante corajoso, considerando que ele era seu superior. Mikasa procurou as roupas de Rivaille com os olhos, com medo de que ele fosse obrigado a lavá-las; não as encontrou.

— ELA ESTÁ MACHUCADA! — ela ouviu a voz de Eren bradar

— Eu sei. — ele respondeu com a costumeira impassibilidade enquanto se levantava e espanava a sujeira da roupa

— E você só conseguiu machucá-la ainda mais.

— Se ela perdeu por causa disso, talvez não merecesse estar aqui.

— Se você não se importa com seus subordinados, talvez você não devesse estar aqui.

Ela não ouviu Rivaille responder. Eren se aproximou dela, colocando uma mão em suas costas e outra sobre seus joelhos, a erguendo do chão. Um gemido involuntário de dor escapou de sua boca — embora não fosse a intenção e ela ouviu um "Desculpe" vindo dele. Ele deu as costas para seu superior e começou a andar em direção a casa enquanto carregava ela, entretanto fora parado pela voz do Heichou.

— Onde estão minhas roupas?

— Estão no poço. Lave-as você mesmo. — disse ele sem se virar para o superior — Eu vou cuidar da Mikasa. — e então voltou a seguir para a casa