Robin estava vestindo seu terno quando Marian entrou em casa, ofegante. Ela parecia ter corrido uma maratona.
"Pensei que fosse comprar o café da manhã, amor."
"Eu.."
Ela havia realmente corrido muito. As bochechas coradas denunciavam o esforço físico.
"Você está abusando da saúde, Marian. Tome cuidado."
"Eu avisei você, Robin. Avisei que ela não ia pegar leve."
"Ela quem? Do que você está falando?"
"Regina."
Ela estendeu o jornal local, segurando-o pela borda. As manchetes escritas em letras garrafais lhe chamaram a atenção, e seu maxilar rangeu de raiva. Marian olhou para ele com compaixão.
"Baby..."
Ele fechou os olhos por alguns segundos, os músculos do corpo endurecendo e os pulsos cerrados. Marian ficou em silêncio. Quando Robin abriu os olhos, seu semblante estava diferente. Ele respirou fundo e voltou a se arrumar.
"Se é assim que eles querem jogar, é assim que iremos jogar."
Regina estava sentada no carro lendo o jornal enquanto bebia seu café. Ela quase se sentia culpada. Resgatar um erro cometido por Robin na adolescência era um golpe baixíssimo, mas ela dera carta branca aos seus assessores e eles não brincavam em serviço. Ela tinha ciência que Robin a culparia e viria com tudo, e ela estava pronta para isso.
Graham estudava os movimentos da família Hood sistematicamente. A melhor maneira de se preparar para uma guerra era conhecer o inimigo. Vigiava a rotina escolar de Roland, a rotina de Marian, a rotina de Robin. Em algum momento, ele encontraria algo útil.
Duas semanas depois, tudo o que ele conseguira fora notar um leve clima entre Marian e Killian, mas ela estava centrada demais para cair em tentação. Marian tinha potencial político, ela tinha foco. Isso era inegável a seu respeito.
Graham conversara com Gold e eles tinham a mesma gana indestrutível de fazer com que Regina vencesse. As motivações podiam ser diferentes, mas a intensidade não. Consideraram todos os graus de ataque, até os mais radicais. Sabiam que Regina não aceitaria ultrapassar alguns limites e por isso mesmo, combinaram entre eles que não deixariam ninguém ser um obstáculo à vitória, nem mesmo a própria Regina. Era claro que Robin tinha uma reputação limpa e forte e a imagem de família feliz e isso seria trabalhoso de desconstruir. O primeiro passo já tinha sido dado. O ataque à imagem pessoal.
Na próxima etapa, eles precisavam plantar um escândalo moral. O que era um pouco complicado quando o alvo está apaixonado pela candidata concorrente.
"Alô?"
"Gostaria de falar com a Zelena."
"A senhora tem horário marcado com ela?"
"Apenas diga a ela que é a Marian."
Dois bipes depois, a linha foi redirecionada.
"Marian, querida! Há quanto tempo!"
"Nem de diga, Zelena. Morro de saudades. Mas infelizmente, não é por saudade que eu liguei."
"O que houve?"
"Precisamos da sua ajuda."
"Qual é a situação?"
"O Robin está concorrendo à prefeito."
"Mas isso é ótimo querida! Seu marido é ideal para esse cargo."
"Eu sei, mas o problema é que a concorrência joga sujo e você conhece o Robin. Ele sempre quer fazer a coisa certa."
"Não se preocupe. Pegarei o próximo voo."
Sentados no cais com os pés descalços, Regina e David se abraçaram. Ela descansou a cabeça no ombro dele enquanto David olhava para a água.
"Baby, posso lhe perguntar uma coisa?"
"David, é óbvio que pode. Pode perguntar qualquer coisa."
Ela se levantou do ombro dele, os dedos deles ainda entrelaçados.
"Você tem alguma coisa a ver com aquela reportagem sobre o Robin?"
"Por que está me perguntando isso, dear?"
"Gina." Suspirou ele enquanto a puxava para si e lhe dava um beijo carinhoso. "Eu gosto do Robin. Ele é meu amigo, um amigo que eu prezo muito."
"David, estamos numa campanha política. O que você está me pedindo, realmente? Que deixe seu amigo vencer?"
"Não, não é isso. Não leve para o lado pessoal, tudo bem? Você pode fazer isso por mim?"
"Eu posso, mas a campanha não é feita somente por mim."
"Os outros não me importam. Apenas jogue limpo com ele, ok? Por mim."
"Tudo bem."
"É por isso que eu te amo."
E ele a beijou novamente.
