Disclaimer: Inuyasha pertence à Takahashi Rumiko.

-o-o-o-

She's a Lady

"… I am moody, messy

I get restless, and it's senseless

How you never seem to care

(…)

When I'm angry, you listen

Make me happy it's a mission

(…)

It seems like I can finally rest my head

on something real

I like the way that feels…"

-o-o-o-

Não preciso dizer que, após aquele escândalo de Jakotsu, eu o persegui pela festa inteira tentando recuperar a maldita câmera com uma mão, ao passo que com a outra eu tentava esmurrar o nariz daquele imbecil – em vão, diga-se de passagem.

- JAKOTSU, ME DÁ ESSA CÂMERA! – Naquele momento estávamos feito dois idiotas dentro de um corredor, correndo de uma ponta à outra.

- RIN-CHAN TÁ PEGANDO O SESSHY-DELÍCIA! NOOSSA QUE BA-BA-DO!

- Deixe de ser idiota! – Eu estava vermelha.

- Mas que amasso era aquele, hein?

- Você está me matando de vergonha! – Olhei para os lados, preocupada.

- E eu achando que você não tinha ninguém…

- Jakotsu… - Rosnei, vermelha, minhas mãos fechadas em punho.

- Rin-chan, o Sesshy tem pegada?

- JAKOTSU! – Minha cara estava vermelha, roxa, amarela, azul, um verdadeiro arco-íris. Aqueles malditos saltos estúpidos estavam me atrapalhando. – Pare de falar essas coisas, seu idiota! – Tentei acelerar o passo.

Jakotsu, na ponta do corredor rindo enquanto simultaneamente corria, limitou-se a rir.

- Juro que não conto à ninguém, mas me diga: ele tem ou não tem pegada?

Eu ignorei meus saltos e avancei em direção ao imbecil, que fez meia volta, me ultrapassou correndo para o meio do salão rindo feito uma cacatua fosforescente, enquanto gravava tudo e todos na câmera frontal.

- Jakotsu! – Eu tentava passar entre o amontado de pessoas, que nos olhavam e riam achando que estávamos zoando ou algo assim.

Jakotsu, que tinha colocado a câmera na função frontal, corria pela festa de uma forma maníaca sorrindo.

- Gente, olha só, a Rin-chan tá pegando o Sesshy! Precisamos achar a Sango! – Ele berrava para si mesmo na filmagem, enquanto eu, atrás, o perseguia feito o Hulk no meio da multidão. E eu de fato me sentia assim, eu seria capaz de trucidar alguém naquele momento.

- Jakotsu seu idiota, eu vou arrancar sua cabeça! Jakotsu! – Meu rosto estava vermelho e as pessoas me olhavam meio assustadas no meio da pista.

Como se não bastasse, para me ajudar, a música que iniciou fez todos se juntarem no meio da pista, alguém agarrou minha cintura e de repente eu estava num maldito trenzinho.

Dale a tu cuerpo alegria Macarena

Dale a tu cuerpo alegria, Macarena

Hey Macarena

- Rin-chan! – Descobri que quem estava atrás de mim era Miroku, que estava estranhamente animado. – Vamos dançar!

- Me larga, Miroku! – Berrei, irritada.

Macarena tiene un novio que se llama

Que se llama de apellido Vitorino

Que en la jura de bandera el muchacho

Se metio con dos amigos

- Apenas dance Rin-chan! – Parecendo um bêbado, Miroku remexia os quadris animadamente. – Depois podemos ver os patos de gelo!

- Patos de quem? Que diabo você andou tomando?

- Olha o Jakotsu e a Sango-chan… - Os olhos dele se fixaram em Jakotsu e Sango, que puxavam o grande caracacol que tinha se formado no salão dançando aquela maldita música. Àquela altura do campeonato eu já nem sabia onde Sesshoumaru estava. – Ela não é linda?

Observei Miroku com uma marca de mão num lado do rosto – e eu estava presente na hora que ele a "ganhou" – com os olhos vidrados em Sango e me questionei sobre a sanidade das pessoas com quem eu convivia.

- Só pode ter maconha nesse ponche. – Resmunguei comigo mesma, e então avistei os dois imbecis que chamo de amigos rindo e acenando para mim. Eu soube imediatamente que Jakotsu tinha contado algo a Sango quando ela olhou para mim, apontou o dedo e deu um berro abafado pela música.

Meu Deus, por que?

Dale a tu cuerpo alegria Macarena

Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosas buenas

Dale a tu cuerpo alegria, Macarena

Hey Macarena

Eu soube que era melhor dar logo no pé, eles não me deixariam em paz. Mas tentar me desvencilhar de um Miroku sob efeito de alguma planta alucinógena, no meio daquele caracol enorme de gente dançando Macarena não é uma tarefa fácil, juro que se eu pudesse abrir um buraco para sair no Japão eu o faria. E quando eu achei que eu tinha finalmente me livrado, esbarrei em Jakotsu que começou a me gravar enquanto eu tentava fugir, com Sango no encalço rindo escandalosamente. E tudo isso no meio da maldita pista de dança enquanto Macarena tocava no último volume.

- Rin-chan, por favor nos conte, desde quando vocês estão juntos? – Ele me seguia de perto enquanto andávamos no meio das pessoas.

- Não é da sua conta! – Berrei, e quando o vi me gravando, senti meu sangue queimar de raiva. – Jakotsu guarde essa maldita câmera ou vai registrar sua própria morte!

- Mas Rin-chan, somos seus amigos, você tem que nos contar!

- Eu tenho é que arrumar um jeito de sumir com os restos mortais de vocês depois que eu mata-los! – Bufei.

- Ai que violência para alguém que estava se amassando com o Sesshy-delícia. – Jakotsu estalou a língua.

- Jakotsu… - Fechei minhas mãos em punhos.

- Aliás! Sango-chan! Pede pra colocarem aquele holofote na Rin-chan, vamos fazer essa revelação épica com estilo!

Aquela foi a gota d'água que me leva à explicação do seguinte fato: a foto do casamento de Kagome foi um tanto quanto peculiar.

No meio, claro, estava Kagome junto à Inuyasha. Ao lado de Inuyasha, Sesshoumaru e demais pessoas da família Inokuma e amigos, todos compactados, o que se repetia ao lado da Kagome. E é aí que chegamos à peculiaridade: no meio da testa de Jakotsu, que estava ao meu lado, havia um galo, assim como a orelha de Sango, inchada e vermelha.

Segundos antes do flash nos cegar, murmurei para os dois:

- Eu avisei.

É claro que depois daquele escândalo todo foi impossível manter minha relação com Sesshoumaru oculta. Kagome descobriu tudo logo em seguida, assim como todas as pessoas num raio de 10km naquele maldito lugar naquela noite. Juro que eu nunca senti um desejo tão grande de ser um avestruz ou de ser uma serial killer (tudo isso simultaneamente), porque chegou a um ponto da noite em que todos falavam mais de nós dois do que dos noivos que, aliás, apenas riam e nos zoavam em todas as oportunidades possíveis, pelo menos até a hora de irem embora para a lua-de-mel. Inuyasha também ganhou um galo, diga-se de passagem. Mas não fui eu, juro.

Quanto à Sesshoumaru, não sei como, mas ele apenas mantinha-se impassível bebericando a bebida dele, o braço em torno dos meus ombros. Depois de fazer sala e ser motivo da conversa de nossos amigos e colegas, decidimos ir embora, não antes de ver Hao e Kagura enroscados num cantinho do jardim, algo que me fez rir e provocou um arquear de sobrancelhas de Sesshoumaru.

De tudo que aconteceu comigo até esse casamento ocorrer – finalmente acabou, amém, que Deus abençoe esse padre –, eu posso dizer que conhecer o irmão mais velho de Inuyasha realmente trouxe uma Rin nova à tona, com desejos, sonhos e por que não, perspectivas novas para o futuro.

Dentro do meu carro, com Sesshoumaru ao meu lado, eu sorri, sentindo o vento bagunçar meus cabelos.

A noite, afinal, tinha atingido seu propósito: eu tinha resolvido minha vida.

-o-o-o-

Alguns meses depois…

Fazia uma noite estrelada. E eu sabia que fazia uma noite estrelada porque acima de mim um manto negro e brilhante se estendia como um verdadeiro tapete negro, de uma maneira que eu sequer conseguia parar de sorrir.

- Está gostando?

A voz grave e macia me fez desviar os olhos do céu a muito custo para que eu pudesse fitar o rosto de Sesshoumaru Inokuma, que, deitado ao meu lado, também olhava o céu. Eu podia ver o perfil perfeitamente bem feito do rosto dele.

- Muito. – Sorri abertamente.

Sesshoumaru girou a cabeça de forma que seus olhos dourados encontraram os meus, fitando-me com intensidade. Abaixo do céu e no meio do oceano, havíamos apenas nós dois deitados numa espreguiçadeira extremamente confortável e macia que nos mantinha perto o suficiente para que eu pudesse me inclinar para dar um selinho nele, como eu fiz no instante seguinte , voltando ao meu lugar em seguida, me esticando feito um gato na espreguiçadeira.

Nos entreolhamos por alguns instantes, antes de eu rir, pensando em como minha vida tinha mudado bastante naqueles meses.

Sesshoumaru, me observando, arqueou uma sobrancelha.

- Qual é a graça?

Girei, ficando de frente para ele. Ao nosso redor, o mar, silencioso, também parecia querer escutar o que eu tinha a dizer. Apenas o leve balançar do mar fazia a lancha onde estávamos se agitar suavemente.

- Você nunca imaginou que aquela garota de roupas esquisitas que entrou no seu carro sem querer ia ser sua futura namorada. – Abri um sorrisinho.

Uma sombra de zombaria passou pelo rosto bem feito de Sesshoumaru quando ele apoiou a cabeça em um dos braços.

- Devo concordar. Nunca pensei que ia namorar… - De repente ele estendeu a mão, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Eu sorri quando ele deixou o dorso da mão passar por minha bochecha. -… Uma fazendeira.

Fechei a cara na hora, enquanto Sesshoumaru abria um sorriso de canto.

- Você nunca vai esquecer isso. – Bufei.

- Realmente. – Ele concordou, dando um leve risada.

- Mas é um cara de lua mesmo. – Fiz um bico enquanto o ouvia rir de leve.

Girei os olhos, e voltei a olhar o céu. Muitas coisas haviam acontecido ao longo daqueles três meses. Além de oficializar minha relação com Sesshoumaru, eu tinha finalmente publicado meu livro que, para minha surpresa, tinha alcançando o primeiro lugar dos livros mais vendidos do ranking do New York Times, algo inédito ao longo da minha carreira. Eu, que nunca tinha aparecido publicamente para meus leitores, agora tinha uma sessão de autógrafos marcada dali a dois dias, e a mera ideia de mostrar meu rosto, de me... Expor, fazia meu estômago se contorcer desconfortavelmente. Eu sempre fui tímida. Sinceramente a, ideia me fazia querer me esconder dentro do banheiro para o resto da eternidade.

- Pare de pensar sobre isso, Rin. – A voz grave me fez olhar um Sesshoumaru que tinha se apoiado sobre o cotovelo, me observando.

Soltei um suspiro e me sentei em posição de lótus, o vento bagunçando meus cabelos.

- E se eles não gostarem de mim? – Encolhi os ombros.

Sesshoumaru sentou-se também, e estendeu a mão em direção ao meu rosto, acariciando-o.

- Duvido que alguém não possa gostar de você. – Ele murmurou, voz grave tomada por uma ternura incrível, a e então segurou minha mão, beijando meus dedos suavemente. Eu senti meu coração pular dentro do peito. – Não seja tão exigente consigo mesma. Seus livros sempre são bem recebidos.

- Mas eu nunca apareci antes… - Eu ainda me sentia exasperada. -… Eu nem tenho uma assinatura. – Arriei os ombros.

Sesshoumaru segurou meu queixo e me fez encará-lo, de forma que eu pude ver absolutamente de perto o quanto o dourado daqueles olhos era lindo.

- Você não tem com o que se preocupar, pequena. – Sesshoumaru murmurou, num tom que fez meus nervos, antes a flor da pele, se acalmarem imediatamente. Eu amava quando ele me chamava daquela maneira. Minha boca se abriu num sorriso. – Apenas seja quem você é. Não há o que temer se seguir esse conselho.

Meu sorriso se alargou ao passo que eu colocava minha mão sobre as dele, que tinham envolvido meu rosto suavemente.

- Verdade?

Sesshoumaru deslizou os polegares pelas laterais do meu rosto de forma lenta, os olhos estudando-me com ternura.

- Quando não é infantil, ou teimosa ou birrenta, ou… - Ele não concluiu a frase, um sorriso tomando os lábios bem feitos diante da minha expressão. -… Uma fazendeira…

Ali eu amarrei a cara, ao passo que Sesshoumaru me envolvia entre os braços dele, me fazendo ficar sob as pernas masculinas instantes depois. Desde que tínhamos assumido nossa relação, era muito mais comum vê-lo sorrir ou rir, ainda que ele fizesse isso apenas quando estávamos sozinhos e de uma maneira discreta.

- Rin… - As mãos firmes de Sesshoumaru tinham envolvido minha cintura, ao passo que eu tinha envolvido meus braços no pescoço dele. -… Apenas fique tranquila. Você vai se sair bem. – Os dedos dele deslizaram por minhas bochechas.

Aquelas palavras surtiram efeito. Eu abri um sorriso imenso, observando como aqueles olhos dourados pareciam ler minha alma e deixei meu rosto ficar sobre o ombro masculino enquanto o abraçava.

Era incrível como Sesshoumaru parecia ter meu manual de instruções. Éramos opostos em muitos aspectos, aqueles meses juntos me mostraram isso. Apesar disso, Sesshoumaru sabia lidar perfeitamente com meu jeito estabanado e minhas manias, e eu realmente conseguia driblar todas aquelas muralhas que ele colocava em torno de si mesmo, conseguindo ver um lado que nem todos conheciam e que era encantador o suficiente para que eu entendesse o porque de eu estar com ele. Claro, nós discutíamos como qualquer casal normal, algo que era corriqueiro justamente por sermos diferentes. Para compensar, porém, havia outros pontos da nossa relação que eram ótimos. Ter alguém que curtia as mesmas músicas ou gostos similares era inquestionavelmente bom, mas ter alguém com coisas novas para mostrar era incrível. Em três meses eu viajei, conheci e vivenciei muitas experiências memoráveis que me fizeram encarar as coisas de maneira diferente.

Não era raro, entretanto, eu me sentir vulnerável e insegura, ainda que houvesse mais coisas boas do que ruins para contabilizar. É que… Não havia como negar, éramos pessoas opostas, bastava analisar a forma como nos conhecemos para perceber. Quando eu via aquelas mulheres lindas na empresa dos Inokuma, nos seus vestidos de marca e saltos imensos, ao passo que eu não abria mão do meu jeans ou dos meus all stars, eu realmente me sentia uma mendiga inserida no lugar errado. O próprio Sesshoumaru era um exemplo, eu o achava inteiramente lindo dentro de qualquer terno que ele colocasse, e simultaneamente me questionava com frequência se eu também não deveria mudar.

Foi nesse ponto que simplesmente entendi tudo num "click". O que tinha nos aproximado era justamente o era o fato de sermos opostos. E isso aconteceu num dia qualquer, numa sexta-feira perfeitamente normal. Eu estava pegando a calda para o pote de sorvete que tomávamos aquela noite e de repente me toquei que, oh meu Deus, eu estava dividindo um pote de sorvete com Sesshoumaru Inokuma. Mais: ele estava confortavelmente acomodado no meu sofá velhinho, assistindo "E o vento levou" sem parecer sem incomodar com qualquer coisa senão minha demora – Sesshoumaru adorava me perturbar.

E foi aí que eu desencanei da história toda. Se eu fosse como as mulheres que ele convivia eu não seria… Eu. Então tinha compreendido com algum custo, depois de muito me "auto-tormentar", que eu não precisava mudar. Nem por Sesshoumaru e nem por ninguém. Bastava eu ser quem eu de fato deveria ser e tudo estaria certo, caso contrário não teria conquistado o que tinha nos dias atuais.

- Você tem os melhores conselhos. – Murmurei, afastando meu rosto para fitar o de um Sesshoumaru cuja sobrancelha tinha se arqueado com minha declaração. Não evitei rir. – É verdade, não estou zoando.

- Se você diz… - E então as mãos dele deslizaram por minhas costas, por debaixo do tecido da blusa que eu usava. -… Posso aconselhar sem receio que as estrelas também são lindas vistas da cama do primeiro andar. Deveríamos ir para lá. – Os olhos dourados ganharam um lampejo de malícia.

Deslizei as mãos pelos ombros largos, não evitando sorrir de forma tola.

- Esse é um bom conselho.

Sesshoumaru também sorriu, antes de me puxar para os braços dele, onde eu sempre e inevitavelmente perdia noção do tempo e da realidade.

-o-o-o

Fazia uma manhã ensolarada, era primavera, as flores enfeitavam a rua e os passarinhos cantavam animadamente. Tudo estava lindo e maravilhoso.

Lindo e maravilhoso uma ova. Atrás de uma prateleira de livros, eu me escondia. E quando digo esconder, digo esconder e pensar seriamente na hipótese de sair correndo e berrando para bem longe dali, porque nem flores, nem passarinhos ou primavera estavam me ajudando naquele maldito dia.

- Minha cara Rin, se você estiver pensando em fugir devo adverti-la de não conseguirá. – Como sempre ocorria, Hao surgiu do nada, aquele sorriso astucioso no canto da boca.

Quase pulei de susto, girando no ar feito uma maníaca.

- Hao! – Exclamei, ofegante, e soltei o ar que aprisionei nos pulmões pelo susto, o metralhando com os olhos em seguida. – Não me assuste assim, seu idiota!

Hao apenas riu, como de praxe. Aquele dia ele estava elegante, usando jeans e uma camisa social, os cabelos castanhos emoldurando o rosto masculino.

- Estou apenas me certificando de que a escritora estará presente na sessão de autógrafos.

Cruzei os braços, emburrada.

- Eu estarei.

- Então melhore essa cara. Sabe sorrir? É só esticar os cantos da boca.

Mostrei o dedo do meio à Hao, que apenas deu ombros, risonho.

- Incrível como você consegue ser delicada e amável.

Girei os olhos.

- Não estou com paciência hoje.

- Notei. Mas terá de ser receptiva com seus leitores. – Ele assumiu um ar mais sério, e então colocou as mãos nos bolsos, parecendo relaxado. – Eu sei que é assustador, já que você publicou os demais livros no anonimato, mas eles vão gostar de você.

Suspirei, observando um Hao risonho. Ele tinha se tornado um bom amigo.

- Será? – Eu tentava respirar de uma maneira que não sufocasse, como eu achava que ia ocorrer a qualquer momento.

- Bem, você não tem nenhuma serra elétrica, arma, machado ou as coisas bizarras que você costuma dizer que não cabem na sua bolsa, já é um passo para não assustar as pessoas. – Ele mesmo deu risada da própria piada.

Ajeitei os óculos escuros na ponte do nariz, girando os olhos.

- Você não está vendo, mas por trás dos óculos estou girando os olhos.

- Oh, eu sei. – Ele piscou, e então estendeu o braço para consultar as horas no relógio de pulso. – Estamos no tempo limite. Vamos Rin-chan. – Ele estendeu o braço agora num gesto de apoio.

Hesitei.

- Acho que vou vomitar.

Hao girou os olhos e enlaçou o braço no meu.

- Não, você não vai. Apenas sorria e acene, você vai ver como as pessoas vão acha-la incrível e isso vai passar. Agora sorria e fique decente para que nossas fotos fiquem legais.

O olhei com uma sobrancelha arqueada.

- Você é terrível.

- Não, querida, eu sou o editor da melhor escritora da atualidade. – E então ele piscou, antes de caminharmos até o local onde ocorreria a sessão.

E eu devo dizer que todo e qualquer medo que eu havia sentido nos dias anteriores tinha sido sem qualquer razão racional, já que as pessoas simplesmente tinham me adorado. Não havia palavras para dizer o quanto eu me sentia feliz, satisfeita e orgulhosa de mim mesma e do meu trabalho quando dei o último autografo, agradecendo mentalmente à Sesshoumaru pela infinita paciência de me ajudar a criar uma assinatura decente.

Hao, que tinha se encarregado de me dar apoio moral, já que todos meus amigos e namorado estavam trabalhando e o evento tinha sido à tarde, parou ao meu lado e me encarou com a típica expressão de "eu disse".

- E então? – Ele encarava as pessoas indo embora, algumas acenando animadas para mim.

- Foi… Legal. – Admiti, meio encabulada.

Hao sorriu, concordando num manear de cabeça.

- "Agora tragam-me o horizonte…" – Hao sorriu, citando a famosa frase de Jack Sparrow enquanto eu ria. – Ou champanhe, também serve. – Acrescentou, segundos depois.

- Você não presta. – Balancei a cabeça negativamente.

Hao deu ombros, passando os dedos pelos cabelos.

- Querida, é por isso mesmo que você me adora. Agora… - Ele consultou novamente as horas no relógio de pulso. – Vamos, temos um jantar para ir.

Arregalei os olhos. Eu tinha marcado de ver todos que não tinham ido me ver à noite.

- Eu já tenho compromisso, Hao.

- Eu sei. Estamos falando do mesmo jantar que você não me convidou, diga-se de passagem.

Lancei as mãos para o alto me espreguiçando, antes de começarmos a sair da livraria.

- Sem drama. Você geralmente nem precisa de um convite.

- Por isso mesmo irei relevar isso.

Eu ri, girando os olhos.

- Vai levar Kagura?

- Nope.

- Achei que estavam juntos.

Hao passou a mão pelos cabelos, os bagunçando.

- Nunca daria certo entre nós. De mulheres loucas na minha vida, já basta você e a Anna.

Abri um sorriso de canto quando chegamos ao estacionamento.

- Namorada nova?

- Digamos que sim. – Ele já estava buscando as chaves da moto nos bolsos.

- Leve-a essa noite.

Hao já estava colocando o capacete quando me encarou, dando ombros.

- Pode deixar. – Ele montou na moto.

- Hao? – Chamei, antes dele girar a chave na ignição.

Hao voltou-se para me olhar, ajeitando as luvas nas mãos.

- Obrigado. – Eu sorri.

- Pelo o que? – A voz dele era risonha.

- Por tudo.

Hao ficou alguns segundos me encarando, antes de apenas fazer um "v" de vitória com os dedos e ligar a moto, indo embora. Dei ombros e rumei para meu carro.

Fui para casa tomar um banho e, conforme havia combinado, Sesshoumaru foi me buscar para irmos para o apartamento de Kagome e Inuyasha, onde todos nos encontraríamos. Quando a campainha tocou e eu o vi, não pude deixar de pular nos braços dele o abraçando forte já no corredor, sentindo-me absolutamente contente. Senti os braços de Sesshoumaru ao meu redor e quando me afastei, havia um sorriso imenso na minha boca.

- Foi incrível! – Exclamei, animada.

Sesshoumaru acariciou meu rosto suavemente, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

- Tenho certeza que sim. – Ele deu um sorriso de canto. – Estou orgulhoso de você, fazendeira.

Girei os olhos enquanto o via sorrir com zombaria. Eu já nem ligava mais.

- Obrigado por… Ter me incentivado. – Não pude deixar de dizer, meu rosto ganhando cor. Era verdade, os meses de edição final do livro tinha sido desgastantes e Sesshoumaru tinha sido firme em me incentivar. – Amo você.

Os olhos dourados de Sesshoumaru sondaram meu rosto antes dele murmurar, de uma forma terna:

- Também amo você.

Ficamos alguns segundos parados no meio do corredor apreciando a sensação leve, calma e singela que aquilo nos passava, pelo menos até eu me lembrar que estávamos atrasados. Corri para trancar a porta e meia hora depois estava sendo recepcionada por uma Kagome que quase me matou num abraço sufocante, dizendo que estava ansiosa para saber como tinha sido a sessão.

- Se você parar de tentar me matar eu juro que conto. – Resmunguei, massageando o pescoço.

Ela apenas deu ombros, dizendo para eu largar de ser ranzinza antes de fechar a porta e me fazer entrar junto com Sesshoumaru. Jakotsu, Sango, Miroku e Inuyasha já estavam lá, todos reunidos na sala conversando. Quando me viu, Jakotsu se pendurou em meu pescoço junto com Sango enquanto caíamos os três esparramados no sofá. Resmunguei mais uma vez antes deles simplesmente me ignorarem e me fazerem contar cada detalhe da tarde, pelo menos até Hao chegar junto com Anna. Foi outro alvoroço quando ele apresentou a loira de olhos castanhos extremamente reservada, mas muito bonita e inteligente. Parecia uma modelo e não pude deixar de fazer um joinha para ele, em aprovação. Em um gesto típico de Hao, ele deu uma piscadinha.

No todo foi uma ótima noite. Jantamos na imensa mesa da cozinha igualmente gigante de Kagome, que parecia muito satisfeita com os elogios feito à comida dela, que realmente estava ótima. Depois fizemos um mutirão e a ajudamos a lavar e secar a louça. Mais tarde, quando voltamos para a sala, descobri que todos tinham comprado um exemplar do meu livro e levado para eu assinar, algo que me constrangeu, surpreendeu e tocou também. Com exceção de Sesshoumaru, que deu ombros dizendo que já tinha o dele em casa assinado e guardado, todos levaram os seus.

- Ai que assinatura divina! – Jakotsu abraçou o livro contra o peito. – Essa capa e essa assinatura merecem ser transformados num quadro. – Ele suspirou.

- Créditos ao Hao pela capa. – Dei ombros.

- Hao-sama, essa capa ficou maravilhosa! Você é fantástico! – Jakotsu não escondia de ninguém o quanto supostamente era interessado em Hao.

- Oh, obrigado. – Hao deu um leve sorriso, habituado. Ele tinha uma cara de pau tão absurda que sequer ligava mais para Jakotsu falando aquelas coisas.

Não pude evitar de dar risada, me recostando no sofá enquanto me aninhava à Sesshoumaru, que conversava com Inuyasha. Observei meus amigos, um por um, e pensei no quanto as coisas tinham mudado.

Miroku e Sango estavam sentados na ponta do sofá, também abraçados. Depois de muitas discussões, briguinhas toscas e intervenções de Kagome e Jakotsu, eles estavam se acertando. Inuyasha e Kagome, sentados lado a lado, tinham um casamento harmonioso apesar de brigarem ocasionalmente. No geral, eu sempre os via feliz. Hao e Anna também estavam aninhados no sofá, ele comentava alguma coisa com ela ao passo que segurava a mão feminina, provavelmente prometendo alguma coisa. Eu gostava de Hao, ele me irritava bastante, mas era um bom amigo. Sesshoumaru não tinha muita simpatia por ele pelo alto teor de cara de pau de Hao, mas os dois conviviam pacificamente.

E por fim havia Jakotsu, que lia a parte de trás do livro, o explorando numa genuína curiosidade. Ele era a criatura mais perturbada, animada, extravagante e irritante da face da terra, mas também era leal, amigo, companheiro e divertido. Eu tinha me apegado à ele.

- No que tanto pensa? – A voz grave de Sesshoumaru ao pé da minha orelha fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.

Eu sorri, colocando uma mecha atrás da orelha e me aninhei contra o peitoral dele, encarando o par de olhos dourados que habitualmente fazia meu coração se acelerar, como naquele momento.

- Apenas pensando em como minha vida mudou.

A mão de Sesshoumaru se entrelaçou à minha, antes dele perguntar:

- Para melhor?

Pensei em tudo que tinha vivido naqueles últimos tempos. Desde encontros às cegas, passando por festas com e sem mutantes, risos, lágrimas, decepções, alegrias e experiências novas, que iam do meu guarda roupa até minha essência como pessoa.

- Definitivamente para melhor.

"Eu sou mal-humorada, e bagunçada

Eu consigo ser inquieta, e isto é incrível

Como você parece nunca se preocupar

Quando eu estou brava, você escuta

Me fazer feliz, é sua missão

É como se eu finalmente pudesse

descansar minha cabeça em algo real

Eu gosto de como sinto isso

Oh

É como se você me conhecesse melhor do que eu mesma

Eu amo o modo como você pode dizer

Todos os pedaços de mim…"

(Ashlee Simpson – Pieces of me)

-o-o-o-

N.A: E acaboooou! Haha, oi people! Viram, dessa vez nem demorei muito! Bem, está aqui o último capítulo da minha história mais comprida ao longo da minha trajetória aqui no . Estou até orgulhosa de mim, haha. Demorei para finalizar, mas cá estamos, finalmente o último capítulo. Espero que vocês tenham gostado, eu tentei mostrar um quadro geral de todos ao longo de meses. O trecho da música usado engloba todos, e não apenas Sesshoumaru e Rin, porque a história tratou de mostrar a evolução da Rin com ajuda direta e indireta dos amigos dela. Eu amei escrever essa história, tive ótimos retornos dos leitores e fiquei muito feliz mesmo de ter conseguido finalizá-la. Algo que me deixou particularmente surpresa e empolgada em primeiro lugar foi a aceitação da própria Rin, que fugiu um pouco (em minha opinião) das "Rin's" que costumo ver nas demais histórias, mais tímida e introspectiva. Quis explorar outro ângulo da personalidade dela e foi muito show de bola saber e perceber que houve aceitação. Também me senti da mesma maneira em relação ao Hao, que pertence à outro anime. A principio achei que vocês não iam gostar, mas na realidade o Hao acabou roubando a cena haha a propósito, a Anna, que apareceu nesse capítulo, também é do mesmo anime que o Hao. Mas enfim, muito obrigada de coração a todos que favoritaram, seguiram e comentaram "She's a Lady", que nasceu do meu imenso amor ao filme "Miss Simpatia".

As reviews que receber desse capítulo vou responder através do próprio sistema do , então quem quiser alguma resposta comente com o login para que eu possa respondê-los. Pra quem não tiver conta, fica aqui já de antemão meu muito obrigado pelo carinho e por ter acompanhado essa história! Um abraço forte em cada um de vocês!

Nos vemos futuramente em outras histórias!

Abraço grande pra vocês, fui!

Mille Evans