Naruto não me pertence.

O que Machuca e Cura

"Eu, quero me afastar...
Meu coração, se aproximar.
Eu, quero esquecer...
Meu coração se lembrar.
Eu, quero a lucidez...
Meu coração a loucura.
Eu, quero viver...
Meu coração morre por você.
Eu, quero a realidade...
Meu coração vive a sonhar
com o dia em que você virá
E dirá entre um sorriso:
Também te amo, meu amor..."
Nikko Sercunvius

Cap. 11

Acreditar

Já entardecia novamente quando a equipe ANBU chegou à Konoha, todos cansados física e mentalmente precisavam ir pra casa. Sakura liberou os outros dois integrantes dizendo que iria aprontar o relatório para a Gondaime antes de ir dormir. Naruto ainda tentou argumentar com ela para que descansasse e amanhã resolvesse isso. Sem efeito, Sakura, apesar de muito cansada, não achava que podia dormir.

-"Naruto, vá ver Hinata e depois vá descansar, eu ficarei bem." – A moça tinha uma voz de tédio como que se implorando que ele parasse com aquela discussão.

-"Mas, Sakura, você também está cansada."

Um suspiro.

-"Está certo Uzumaki, o que você quiser, agora vá, por favor!"

Sasuke viu Naruto sorrir contente e despedir-se da garota e dele mesmo para ir atrás da Hyuuga.

Sakura acenou com um sorriso fraco e virou-se na direção de sua casa.

O Uchiha sorriu internamente, ela ainda não tinha mudado de todo, então, ele pôde perfeitamente descobrir seu blefe.

Naruto, assim que avistou a mansão Hyuuga pôs-se a correr, ele sentia seu coração disparar e sabia que não era a corrida. Era uma ansiedade incomum até mesmo ao Uzumaki, uma vontade de vê-la que o sufocava. Ele sabia o quão diferente era de quando ele achava que gostava da Haruno, ele sentia-se feliz em vê-la, ainda sentia, mas aquela alegria não se comparava à felicidade de estar com Hinata, era uma felicidade plena e que crescia a cada encontro com ela, aumentando a necessidade dela que ele sentia.

Ele colocou-se embaixo da janela e jogou algumas pedrinhas para chamar a atenção da menina, ele não devia admitir, mas tinha muito medo do Sr. Hiashi.

-"Naruto-kun?" – A voz fina da menina que apareceu na janela fez os olhinhos do loiro brilharem, em instantes ela descia as escadas cuidando para não ser vista, se encontraram então, nos fundos da mansão.

-"Hinata-chan... – O loiro falador perdia-se sem palavras às vezes. O melhor remédio era abraçá-la. - ...senti saudades."

-"Eu...Eu também Naruto-kun." – Extremamente corada a moça retribuiu o gesto, tão sem palavras quanto ele. Nunca pensou que pudesse ser tão feliz, ter o loiro junto de si era um sonho. Mas ela tinha algo perigoso para falar com o namorado.

Naruto não estava inclinado em deixar o calor da morena tão cedo, mas ela desfez delicadamente o abraço. Para perder-se nos olhos azuis tão cheios de vida.

O garoto não perdeu mais tempo e capturou os lábios dela, ela respondeu prontamente, a saudade era exigente e o beijo precisou tornar-se mais rápido, mais forte.

O casal passou algum tempo desfrutando carinhos um do outro e logo já era tarde da noite.

-"Acho melhor você entrar Hinata, para evitar problemas." – O rapaz disse acariciando o rosto da namorada.

-"Ano...Sobre isto Naruto-kun...Eu...Meu pai... As pessoas andam falando coisas sobre nós e se ele descobrir que andamos juntos eu não sei o que ele pode fazer, eu não queria pressionar você mas, mas..." – A voz baixa e a fala rápida mostrava o quanto a Hyuuga estava nervosa e embaraçada por falar sobre aquilo.

Naruto piscou, pareceu pensar por um momento o quão "problemático" aquilo seria, e deu razão ao Nara, "muito problemático". Durante estes instantes Hinata teve certeza de que ele desistiria dela.

Mas o loiro sorriu e pôs as mãos na nuca em sinal de relaxamento.

-"Yoshi...Não se preocupe Hinata, eu vou falar com seu pai! – Ela não sabia dizer se a pose "Nice Guy" que ele fazia era um indício de perigo ou não. Achou melhor reiterar que Hiashi–sama não era o que ela podia chamar de 'fácil', ainda mais com os precedentes que Naruto trazia consigo. – Diga a ele que venho para conversar com ele sexta à noite."

-"Assi-ssim tão de repente, Naruto, Hiashi-sama é muito tradicional e... – O sorriso confiante que ele sustentou a desarmou completamente. Ela podia temer por ele, mas não o desencorajaria, ela sorriu feliz por ele nem hesitar em enfrentar o líder Hyuuga, ela sabia que podia ser suicídio, mas ela não estragaria o momento. – Está certo Naruto-kun..."

-"Não se preocupe Hinata, seu pai vai aceitar nosso namoro, dattebayo! Se ele não aceitar a gente foge e fica junto mesmo assim!" – Esbravejou decidido enquanto dava um beijo na namorada e se despedia dela.

Hinata deixou seu queixo cair enquanto recebia o beijo de Naruto, ela falaria alguma coisa se ele não tivesse saído tão rápido da vista dela.

-"Fugir? Mas do que é que aquele doido estava falando?" – Maneando a cabeça enquanto sorria, ela entrou em casa novamente, pensando em como a vida ficava mais leve ao lado dele.

Sakura chegou em casa quando estava quase tudo escuro e, na penumbra, jogou suas coisas num canto subindo as escadas desesperada por um banho.

Embaixo do chuveiro ela pensava em como era bom estar em casa, ela adorava missões, mas estar em casa era maravilhoso. Ainda mais depois de uma missão tão desapontadora, tão simples, achava que era rank C e olhe lá!

Ainda assim ela precisava fazer esses relatórios muito bem feitos, sua Shishou precisava saber nos mínimos detalhes o que havia acontecido lá, caso fosse necessário no futuro.

Depois do banho, vestida confortavelmente com um pijama curto de algodão e os cabelos soltos ainda molhados ela foi buscar comida em sua própria cozinha. Chá e um sanduíche bem feito com salada, queijo e presunto, foi para seu quarto e sentou-se para começar seu trabalho nos relatórios.

Alguns segundos depois de começar a escrever ela subitamente parou o que fazia, virou a cadeira de frente para a janela de seu quarto, relaxou com as pernas esticadas, e, segurando sua caneca com as duas mãos tomando em goles pequenos ela estranhamente fixou os olhos em algum ponto depois da cortina.

-"Hum..." – A garota resmungou, levantou-se e saiu do quarto.

Voltou poucos minutos depois, com outra caneca em mãos, colocou-a em seu criado mudo e sentou-se novamente na mesma posição. Olhos novamente fixos na janela.

Depois de vários minutos ela piscou demoradamente.

-"Seu chá vai esfriar, eu não vou esquentá-lo para você."

Silêncio e uma leve brisa na cortina do quarto. Ela deu de ombros.

Mais alguns goles e ela havia terminado. Ela cortou seu sanduíche pela metade e serviu um pedaço ao lado da xícara no criado mudo, o outro ela mordeu, ainda na mesma posição.

Ela desviou o olhar para a xícara cheia e novamente para a janela.

Mais uma brisa, mas agora um pouco mais forte. E a cortina abriu-se; o suficiente para que o moreno, conhecido dela, entrasse no quarto.

Ela deu um pequeno sorriso e pegou a caneca cheia estendendo para ele.

Um braço esticado lhe servindo uma caneca de chá nunca pareceu tão surreal para Sasuke.

Ele hesitou alguns segundos, mas ela continuava firme com o braço estendido. Alcançou a caneca.

-"Por quê?" – Ele perguntou com a habitual voz tranqüila.

-"Que eu lhe ofereci chá?" – Ela deu um sorrisinho sarcástico – "Você deve estar lá fora desde que cheguei, por que parou de esconder sua presença se demorou tanto para entrar?"

-"Eu não parei." – Ele disse, simples assim.

-"Oh! – Os olhos dela se abriram um pouco em surpresa, logo voltando ao normal. – Certo, desculpe se não queria que eu te visse." – Ela sorriu novamente. Irritando-o

-"Hn." – Ele tomou um gole do chá.

-"Aqui, eu reparti meu sanduíche." – Estendeu para ele também.

-"Obrigado." – Não aceitou.

-"Ora vamos, eu mesma fiz, ele está muito bom." – Ela disse dando uma mordida em seu próprio e estendendo ainda mais o braço com o sanduíche para ele. Ele pegou a comida e sentou-se na beirada da cama dela. Ela sorriu de forma discreta.

Ela comia sem olhar para ele, Sasuke por sua vez comia devagar e não perdia nem um detalhe dos movimentos dela.

-"Por que mentiu para Naruto?" – Ele perguntou.

-"Foi por isso que veio? Sabia que eu não dormiria?" – Ela não perguntou em tom de acusação. Ele percebeu.

-"Vocês mudaram. Você mudou muito Sakura." – Ele disse voltando a tomar seu chá.

-"Eu sei. Você também anda me surpreendendo" – Ela disse calma.

-"Mas eu fiquei feliz por saber que ainda sei alguma coisa sobre você, sobre Naruto."

Os olhos dela se arregalaram, ele disse que ficou feliz? Mas que diabos!

-"Ninguém muda na essência Sasuke, ninguém." – Ela ignorou alguns pulos do seu coração.

-"É nisso que eu quero acreditar." – O moreno recitou a frase como se fosse um pedido.

Mais surpresa. E mais alguns pulos do coração.

Segundos de silêncio e olhares sustentados, verdes e negros.

O telefone tocou e ela demorou alguns toques para atender.

-"Desculpe-me, Sasuke, só um minuto. Moshi, moshi... Ah! Ohayo Yuki!"

Ela sorriu abertamente quando soube quem era e o rapaz em sua frente franziu o cenho.

-"Ah, foi uma missão muito boba Yuki. – Ela disse em tom de confidência e Sasuke levantou-se – Nee, amanhã eu só vou para o hospital depois do almoço. Ok, até amanhã."

Ela desligou o telefone em tempo de vê-lo sair pela janela. Confusa com o que tinha se passado. Voltou a fazer o relatório.

Na manhã seguinte, não era assim tão cedo, mas a médica-nin acordou sem precisar do despertador. Arrumou-se para o trabalho, tomou seu café e saiu em direção à torre da Hokage.

-"Com licença Shishou." – Ela disse já abrindo a porta.

-"Entre Sakura, ouvi que você chegou ontem, foram rápidos, como foi a missão?"

-"Patética, chunins resolveriam o problema." – Ela revirou os olhos e Tsunade achou engraçado.

-"É mesmo?"

-"É, mas você pode verificar todos os detalhes no meu relatório. Agora estou indo para o hospital, quero ver como andam as coisas."

-"Ora, tudo na mais perfeita ordem, não acha que eu faço um bom trabalho?" – A loira pareceu se indignar com a possível alegação de que não dava conta do serviço.

Sakura olhou as pilhas acumuladas em cima da mesa de sua mestra e suspirou.

-"Oh! Claro. – A Quinta percebeu o sarcasmo, mas não teve tempo de revidar. - Até mais tarde, ja ne."

-"Sakura, - ela chamou a atenção de sua discípula - e a equipe? Acha que vocês conseguem trabalhar juntos?"

-"A equipe está incrivelmente bem entrosada Shishou, e Naruto está muito empolgado em voltar a atuar com Sasuke."

-"E você? Está empolgada em trabalhar com ele?" – Sakura sabia que ela estava apenas preocupada.

-"Não se preocupe Shishou, eu estou bem."

A mulher loira em sua frente continuou a olhá-la, como que querendo saber se aquilo era mesmo verdadeiro. Sakura sorriu agradecida pela preocupação.

-"Ja" – Ela sumiu entre flores de cerejeiras.

-"Ja..." – Ela despediu-se para o vazio de sua sala.

-"Eu já não disse a todas que não quero visitas circulando além da porta do PS? Parentes esperam notícias da porta para fora, pessoas preocupadas, nervosas e histéricas não ajudam em nada os médicos. – A rosada dizia em tom de repreensão para meia dúzia de enfermeiras responsáveis pelo pronto-socorro do hospital de Konoha. – Eu não quero ver essa confusão aqui novamente, eu fui clara? – Todas assentiram envergonhadas. – Muito bem, obrigada, podem voltar ao trabalho."

Ela passou as mãos pelo cabelo bagunçando um pouco e apertou com a ponta dos dedos os cantos dos olhos.

-"Mal chegou e já está apavorando os funcionários?" – A voz suave do seu amigo foi ouvida logo atrás de si.

-"Sabe que eu não sou uma chefe malvada."

-"Só extremamente exigente." – Yuki fez cara de entendido.

-"Peço apenas o que é possível de ser realizado." – Sorriu vitoriosa.

Ainda que Sakura fosse rígida no cargo de responsável pelo hospital, todos gostavam dela, justa e compreensiva ela era tranqüila a maior parte do tempo, mas claro, assim que presenciava coisas que vinham de encontro com sua ética, valores ou forma de trabalho, ela tinha seus momentos de fúria, ainda que contida.

Yuki a acompanhou até a cafeteria onde ele a colocou á par de tudo o que aconteceu durante sua ausência. Mostrou a ela a ficha dos pacientes mais complicados e avisou de alguns para os quais ele havia dado alta, além disso, falou sobre amenidades do hospital. A enfermeira que entrou em licença maternidade, a festa de aniversário de algum funcionário e algumas fofocas. Ela ria-se enquanto Yuki falava sobre um casal de shinobis que deu entrada no pronto socorro por conta de uma briga no relacionamento e que continuaram a discussão durante os procedimentos dos médicos, estapeavam-se cada qual em sua maca e quando tentaram colocá-los em salas diferentes o casal protestou levantando-se e fazendo do consultório quatro um campo de treinamento, shurikens eram lançadas bushins se desfaziam com golpes enquanto as enfermeiras se protegiam como podiam, e, com nenhum médico-nin de plantão para segurar a força dos ninjas, a equipe foi forçada a chamar Tsunade que trouxe à tiracolo dois chunnins para segurar os dois esquentadinhos. A rosada ouviu às gargalhadas que depois disso tudo os dois saíram abraçados do hospital, como se nada tivesse acontecido e o hospital teve que passar por uma reforma.

Ela adorava essas sublimidades da vida que levava, todas essas besteiras que a maioria das pessoas ignora.

Sakura deveria acabar seu plantão às seis da tarde, mas já eram perto das nove e meia quando ela deixava o hospital. Ela agradecia à Kami por ter se ocupado todo o dia não deixando espaço vago para "muitos" pensamentos sobre o Uchiha, mas agora ela sabia que seria inevitável, a noite sempre era pior.

Antes de sair ela encontrou-se com Yuki, também de saída.

-"Indo para casa tarde novamente Sakura?"

-"Só eu Yuki?"

-"Entrei mais tarde, saio mais tarde."

Sakura fez caras de que não acreditou muito e Yuki riu com humor.

-"Estou com fome, vamos comer alguma coisa?" – O moreno loiro sei lá!! perguntou

-"Vamos. Mas dessa vez eu escolho a comida, não agüento mais bife e batata frita. – Ela fez uma careta."

A sombra que costumeiramente acompanhava a moça todo fim de expediente olhou com ciúme os sorrisos e a careta divertida que ela fez para o médico. Ele sentiu seu sangue ferver, mas foi incapaz de reconhecer as sensações que lhe arrebatavam. Seguiu a garota e seu acompanhante até a porta de um restaurante qualquer.

O homem que costumava seguir a moça até em casa com extrema cautela nunca entendeu realmente por que o fazia, tampouco sabia o porquê de recentemente não conseguir concentrar-se direito a ponto de a moça perceber sua presença, como na última noite.

Vê-la conversando com o médico como ele nunca foi capaz de fazer deixou-o atordoado, o quebra-cabeça em sua mente dificultava-se ao invés de resolver-se e ele tentou por um instante pôr sua cabeça em ordem. Esse instante foi suficiente, logo, olhos verdes conheciam precisamente sua posição.

Através da janela do lugar ela olhava para ele, ela não podia vê-lo, ele agradeceu por isso, ou seu embaraço seria maior. Ela já não conversava como antes, ele percebeu, como que se esperasse o próximo passo dele. Valente como ninja, ele mostrou-se medroso como homem, acovardou-se do que quer que fosse que o tivesse levado até ali e voltou-se para o bairro Uchiha pondo-se caminho de casa.

A rosada soltou a respiração que esteve presa por vários segundos e piscou demoradamente tentando acalmar o seu coração que batia com desespero. A presença havia sumido.

-"Sakura? Daijobu ka?¹" – Seu amigo despertou-a.

-"Nanda²? Desculpe, está sim, só me distraí!" – Ela deu um sorriso amarelo.

-"Tem certeza? Você está pálida, deixe-me ver sua pressão?" – Ele disse já pegando gentilmente em seu pulso.

-"Não é necessário Yuki, estou bem. – Ela retirou seu braço das mãos dele, e ele estranhou a reação evasiva dela, olhando-a com preocupação. – É sério. – Ela relaxou um pouco e sorriu diante dos cuidados do amigo.

-"Certo então. Posso pedir a conta?"

Ela fez que sim com a cabeça e ele pareceu esquecer o acontecido.

Yuki a acompanhou até uma parte do caminho e quando estavam ambos perto de suas casas, se separaram, despediram-se com um abraço simples.

Fazendo o caminho de casa, a moça não se preocupava com o que as pessoas pensariam de sua conversa em voz alta com... Consigo mesma, oras. Ela tinha muita coisa em que pensar, e tantas coisas não cabiam dentro da cabeça.

-"O que ele quer afinal? Enlouquecer-me?" – Ela fez uma cara enfezada enquanto maneava a cabeça negativamente.

Mais alguns passos e ela aliviou a expressão.

-"Bom, se for isto ele está fazendo um bom trabalho..." – Ela suspirou e sorriu delicadamente enquanto continuava balançando a cabeça.

Em casa ela enfiou-se dentro de seu pijama e foi preparar o habitual chá que bebia antes de dormir. Se já era difícil pegar no sono com ele, imagine sem ele.

Deitou-se sem muito sono, milhares de coisas incomodando-a. Ainda bem, pensou ela, que os dias o hospital eram cansativos, ou então não dormiria nunca.

No outro dia levantou no horário de costume para trabalhar. Banhou-se, vestiu-se da forma elegante de sempre e amarrou os cabelos em um rabo de cavalo.

Depois de tomar um café simples, saiu de casa rumo ao hospital. Assim que entrou notou que a coisa estava agitada.

Ao que parecia um grupo de chuunins em missão simples foi emboscado, nada para preocupações, o grupo de ninjas forasteiros tinha sido vencido e os ninjas eram prisioneiros de Konoha. Agora tanto eles quanto os shinobis da vila da folha precisavam de cuidados médicos, lotando o PS.

-"Que seja! – A moça levantou os braços em rendição. – Mãos à obra."

Entrou rapidamente em sua sala, deixou a bolsa e vestiu o jaleco.

A kunoichi tratava de alguns shinobis feridos mais gravemente quando a enfermeira chefe avisou que Tsunade pediu dois médicos e uma enfermeira para cuidar dos ninjas prisioneiros. Sakura pensou em enviar dois médicos de outras seções já que o PS estava lotado, mas ponderou que haviam poucos médicos-nin. Ela chamou uma enfermeira da neurologia e resolveu ir ela mesma, a quinta havia pedido dois médicos, mas indo ela, bastaria.

Chegando à prisão ela avistou Shikamaru saindo do lugar.

-"Ohayou Shikamaru, vocês machucaram muito os garotos?" – Sakura falou divertida.

-"Tsc, esses arruaceiros, só serviram para dar trabalho... Que problemático! – Ele fez uma cara tediosa e olhou para a médica, que achava engraçadas as classificações do Nara, que iam de problemático até extremamente problemático sem variar muito a nomenclatura, apenas olhando as variadas expressões de tédio dele a rosada conseguia saber o quanto aquilo o aborrecia. – Você vai cuidar deles sozinha?"

-"Pretendo, devo me preocupar?" – Ela sorriu travessa, todos ali, incluindo a enfermeira, sabiam que não era necessária de forma alguma a preocupação.

-"Preocupo-me com eles, sem testemunhas você poderá machucá-los bastante..." – O garoto falou sem nenhum entusiasmo.

Ela deu uma gargalhada.

-"Bom, eles atacaram shinobis de Konoha certo? – Shikamaru olhou para ela sabendo que provavelmente eles a subestimariam e "acidentalmente" alguns acabariam mais machucados do que antes, nada fora do comum. – Você vai para Suna nos próximos dias certo?" – Ele afirmou com a cabeça.

-"Tsunade permitiu que eu vá cuidar de um problema."

Sakura começou a rir.

-"Ok, cuide muito bem desse seu problema então." – Ela falou debochada, sabia muito bem que "problema" era esse.

Ele franziu o cenho como se perguntasse do que é que ela estava falando.

-"Tanto faz. – Ela deu de ombros. – Você sabe que eu ficarei sabendo depois."

-"Ja ne, Sakura, ja ne..." – Ele disse já saindo, enquanto Sakura ria.

-"Vamos." – Ela disse para a enfermeira, e entraram.

A médica e a enfermeira haviam demorado muito mais do que imaginaram nos cuidados com os prisioneiros. Os shinobis de Konoha haviam feito bastante estrago nos adversários. Além disso, eles acharam que seria divertido tirar uma "casquinha" da médica gostosa que cuidava deles, o que definitivamente não fez bem à saúde dos ninjas, ela assegurou-se de que eles pensariam duas vezes antes de tocar na própria mãe. Sakura, como uma ninja patriota, pensou que era bem feito para eles, afinal não haviam medido o perigo ao desafiar ninjas do porte de Konohagakure.

No caminho de volta ao hospital já anoitecia e a médica-nin desejava ir embora logo. Quando ela avistou o ninja hiperativo de Konoha correndo esbaforido em sua direção ela soube que não seria dessa vez.

-"Sakura, me ajude Sakura eu... Hinata... Hiashi-sama... E...

O loiro estava em pânico e a rosada começava a se preocupar, julgando que era algo sério.

-"Calma Naruto, respire e me conte o que houve."

-"Eu disse à Hinata-chan que falaria com Hiashi-sama hoje sobre nosso namoro. Mas agora eu não sei o que fazer, e se ele não permitir, eu não sou o genro que ele pediu a Deus e não tenho família, mas eu amo a Hinata. E se ela não puder assumir a liderança do clã? E se ele pedir pra ela escolher entre eu e o clã e..." – O loiro falava sem parar para respirar e parecia desesperado com a idéia do encontro.

-"Naruto, sossegue! – A garota ordenou ao Uzumaki e avisou à enfermeira que ela poderia seguir na frente. O garoto parou de falar, mas continuava muito nervoso. – Agora escute, eu sei que Hiashi-sama é de dar medo em qualquer um, mas se você ama Hinata vai ter que enfrentar essa. Vocês são adultos e podem tomar suas próprias decisões. Eu sei que essa história de clã é complicada, mas a Hyuuga vai arranjar uma saída caso um imprevisto aconteça. – Ela sorriu para acalmá-lo – Hinata nunca se permitiria perder você, ela te ama muito, você sabe..."

-"Não posso pedir que ela escolha entre mim e o clã, entre mim e a família dela."

-"Realmente não pode. – O loiro olhou para ela com tristeza, talvez ele não quisesse que Sakura concordasse com ele. - Mas você não vai precisar, aliás, ela nem daria essa escolha a você, antes mesmo que percebesse, ela já o teria feito. Ela já teria optado por você. – Agora o olhar do garoto estava úmido. – E de mais a mais, não vamos nos precipitar certo? Nós ainda não sabemos o que Hiashi-sama vai falar sobre isso. É como dizem: sofrer antecipadamente é sofrer duas vezes."

A amiga sabia o quanto era penoso para Naruto imaginar que corria o risco de perder a namorada, ele a amava muito e pensar em infringir a ela a escolha entre ele e a família era ainda pior visto que ele sabia muito bem o quanto era ruim não ter uma.

-"Sakura..." – Ele estava com medo.

-"Não se preocupe, vai dar tudo certo. Seja forte como você sempre foi. Vamos ver o que ele vai falar para então tomar qualquer decisão. Vamos, vou te ajudar a se arrumar para o jantar." – A garota passou os braços pelos ombros do amigo e seguiram para a casa dele.

-"Nee, Sakura, acha que devo usar terno?" – O garoto perguntou enquanto abria a porta do pequeno apartamento.

-"Acho que não é necessário. Wow!! Eu nunca tinha visto sua casa tão arrumadinha." – Sakura estava surpresa.

-"Hehe... – Ele riu envergonhado. – É que ás vezes Hinata vem aqui em casa."

-"Está explicado então. Bem, vamos lá, vista alguma coisa que não seja estas roupas laranjadas. Uma calça jeans e camisa ou camiseta já servem." – Ela disse empurrando ele para o quarto.

Minutos depois ele voltou usando uma calça jeans escura e uma camisa, laranja.

-"Naruto! Seu armário é como o da Mônica? Só existem roupas de uma cor lá?" – A garota perguntou exasperada.

-"Mas é que eu gosto Sakura." – Ele disse com as mãos na nuca.

-"Que seja então. – Ela massageou as têmporas. - Pelo menos está usando a calça que eu lhe dei. Está bonito Naruto." – Por fim, ela disse orgulhosa.

Ele agradeceu o apoio da amiga com um abraço e eles saíram.

Naruto separou-se dela perto da mansão Hyuuga, recebeu outro abraço apertado e um beijo de boa sorte.

-"Me dê notícias, estarei torcendo por você!" Ela gritou quando já estava longe.

Ele acenou e sorriu.

A médica voltou ao hospital para pegar suas coisas, como não poderia deixar de ser perguntou às enfermeiras como estava tudo e saiu em seguida. Passou no mercado e foi para casa.

-"Humm. Peixe!!" – Inspirou a fumaça que saía do prato com arroz, salada e um pedaço razoável de peixe grelhado.

Ela já havia comido há algum tempo e começava a ficar nervosa esperando notícias de seu amigo.

Em certa mansão as coisas estavam um pouco... Estranhas.

O líder do clã Hyugga, a futura líder do clã e o namorado estavam na sala depois de um tenso jantar.

Naruto apenas havia cumprimentado o Sr. Hiashi quando chegou e passou a refeição toda comendo nervosamente sem olhar para ninguém. Hinata olhava do namorado para o pai que comia sem parar de encarar o "genro".

Agora, Uzumaki havia juntado toda a sua coragem e havia pedido, com alguma dificuldade, a permissão do pai de Hinata para namorá-la.

Num silêncio que se estendia por vários minutos desde que o garoto terminou de falar eles aguardavam nervosamente que o Sr. Hiashi acabasse de tomar seu chá e resolvesse se pronunciar.

Espera.

Silêncio.

Mais espera.

Naruto suava frio e Hinata apertou a mão dele forte.

Ele estava prestes a gritar, fazer um escândalo, apontar um dedo feio para Hiashi, falar "PERDEU!", agarrar Hinata, pular pela janela, e acabar logo com aquilo.

Mas o salvou a noite.

-"Bem garoto, você sabe que o clã Hyugga é muito importante e o futuro reservado à Hinata não é simplório como o seu. Acho que é justo que você saiba que todo o clã tem expectativas para com o líder, isso exigirá de Hinata coisas que o relacionamento de vocês não permitirá. Alianças com clãs poderosos que poderiam ser feitas e não serão, encontros diplomáticos que você poderá atrapalhar ou a riqueza que um possível pretendente pudesse trazer para o clã, enfim, coisas das quais vocês serão indubitavelmente culpados. – A jovem Hyuuga apertava os dentes e segurava o namorado que estava para pular no sogro. – Mas temos de ser realistas, Hinata é adulta e provavelmente ocupará o cargo de líder em breve, se for da vontade dela nada a impedirá de tomar essa decisão depois da posse, então, só me resta garantir que isso será feito da forma correta."

Nesse momento o loiro viu uma luz no fim do túnel e sorriu. O homem voltou a falar ignorando a alegria do casal.

Sakura cansou de esperar notícias, achou que logo o loiro estaria em sua porta contando uma novidade e aquela demora não era típica do Uzumaki. Resolveu sair e dar uma incerta nos arredores da mansão Hyuuga.

Assim que se aproximou da mansão pôde perceber que Naruto ainda estava lá dentro, e mais ainda, percebeu que não era a única espreitando o desfecho do romance Uzumaki/Hyuuga. Ela sorriu de forma sinistra.

Ela rapidamente saltou para um galho forte de uma imensa árvore que ficava perto o bastante para ver a movimentação da casa e a salvo de qualquer flagra.

A moça sorriu, estreitou os olhos e espiou pelo canto destes outro galho um pouco acima dela.

-"Quem diria que os Uchihas eram mexeriqueiros?" – Sussurrou divertida.

-"Engraçado. Eu não tive surpresa sobre os Harunos." – Alfinetou-a. Ela admitiu ser extremamente sexy e atordoante ouvi-lo sussurrando também.

-"Humpf. – Por um instante ela não teve resposta à provocação que ela mesma começara. Deu uma pausa breve. – Está preocupado com ele?"

-"Ele me atormentou a tarde toda sobre esse encontro e depois sumiu, eu só quis saber se ele tinha arrumado alguma encrenca, eu já estava indo embora."

Sakura riu baixo e Sasuke olhou curioso para ela.

-"Oh! Claro." – Ela disse, rodou os olhos e ele enrugou mais o cenho.

O moreno virou-se para ir embora, mas ela interveio.

-"Por favor, Sasuke, não seja bobo, fique aqui."

Ela sabia que ele também estava preocupado pelo amigo, mas não iria admitir. Ela pensou que talvez não devesse ter dito nada e que agora ele não ficaria mesmo com o pedido dela. Por pura birra. Mas ele surpreendeu-a mais uma vez e ajeitou-se novamente no galho.

-"Eu acho que não importa o que Hiashi-sama diga, Hinata não deixaria Naruto, ela o ama demais." – Sakura disse, acabando com o assunto.

-"Mas Naruto sim, ele, por outro lado, não permitiria que ela se separasse da família." – Ele disse sem tirar os olhos da mansão. A garota surpreendeu-se um pouco com o que ele disse, mas logo assumiu uma feição determinada.

-"Neste caso, eu socaria aquela cara boba dele até que ficasse inconsciente. – O garoto desviou o olhar da casa para olhar a moça. – Eu não deixaria que ele fizesse uma idiotice dessas, Hinata ama muito aquele tonto e seria burrice achar que ela seria mais feliz com a família do que com ele." – A mulher que Sasuke olhava agora tinha um sorriso cúmplice, provando a ligação dela com Naruto.

O moreno voltou a olhar para a casa com se entendendo o que ela quis dizer. Ainda que com uma pontinha estranha cutucando o coração.

-"Pensando assim, eu adoraria ajudar a fazê-lo mudar de idéia." – Sasuke olhou novamente para Sakura e ela para ele. E ela então pôde ver, de relance, um sorriso, mesmo que minúsculo, na boca dele.

O contato visual foi quebrado com um grito que assustou aos dois.

Um grito de dentro da casa.

Hinata.

-"O QUÊÊÊÊÊÊÊÊ?!" – O grito da moça não assustou apenas o casal que espionava o jantar, mas também o pai e o namorado que estava com ela na sala, Naruto inclusive soltou a mão dela com medo, muito medo.

-"Isso mesmo que você ouviu. Vocês devem se casar." – Hiashi repetiu.

0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0oContinuao0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0

1-Está tudo bem?

2-O quê?

Se vocês não se lembrarem da sombra que mencionei neste capítulo (parágrafo 99) vide cap. 01.

Hey hey Minna!!

Mais um! Esse ficou diferente não é?

Espero que vocês tenham gostado.

Obrigada a todas que estão lendo e comentando, obrigada de coração.

Respondendo as reviews por mail ok?

Beijos a todas.

Shichiyou