Capítulo 11
GINA
Já estava tão acostumada a sentir o calor do corpo dele junto ao meu que logo percebi a ausência do Draco. Abri os olhos e vi o lado da cama desarrumado, mas vazio e frio.
Levantei e fui procurá-lo pela casa, mas ele não estava em nenhum lugar. Voltei para o quarto e comecei a procurar indícios de invasão ou de luta. Foi aí que vi um pergaminho em cima da mesinha de cabeceira.
"Weasley,
Não tem sentido continuarmos presos nessa casa. Voltarei para minha casa e para a minha vida como era antes. Faça o mesmo, mas se quiser ficar um pouco na Mansão, não tem problema. Mas terá que desocupá-la em 72 horas.
Foi bom, mas toda aventura um dia acaba.
Draco Malfoy."
Tudo escureceu de repente e eu caí.
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DRACO
No exato momento em que saí da casa quis voltar, pegar aquela carta idiota que escrevi e rasgá-la em pedacinhos e depois ficar com Gina, para sempre. Mas não fiz isso, porque ela estava correndo risco.
E, sabe, nunca pensei que existia esse espírito grifinório-idiota de proteção em mim, mas não posso deixar que ela se machuque.
Afastei todos os pensamentos da minha mente quando cheguei ao Beco Diagonal. Agora o inimigo seria o único foco.
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GINA
Quando abri os olhos a dor tomou conta de mim. Ele tinha me deixado. A náusea tomou conta de mim e eu saí correndo para o banheiro.
Depois de quase despejar a alma ralo abaixo, sentei no chão frio e deixei que as lágrimas saíssem livremente. Não conseguia acreditar que tinha me deixado enganar por ele. E o pior, eu estava apaixonada por ele e agora era tarde demais.
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DRACO
Senti a presença dele antes que proferisse alguma palavra. Encarei o meu (possível) assassino e ele era uma pessoa vestida totalmente de preto, com o rosto oculto pela sombra de um chapéu.
Ele não falou, apenas gesticulou que deveríamos seguir em frente e eu obedeci.
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GINA
Com muita dificuldade voltei para o quarto e, num acesso de ódio, joguei coisas na parede, rasguei o lençol da cama e os travesseiros, peguei tudo o que havia na mesinha de cabeceira e joguei no chão, rasguei roupas e quebrei vidros.
Cansada, caí sem forças no chão e foi aí que percebi um outro pergaminho.
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DRACO
Andamos muito até chegarmos numa área residencial. Paramos de frente a um casarão abandonado e entramos.
"Pensei que você não viria, Draco." – ele disse, enquanto tirava o manto preto.
"Você pensa demais, Lúcio."
"Ah então você já sabia." – ele tirou o chapéu e sorriu – "Pensei que não reconheceria seu querido pai."
"A única pessoa que me odiaria tanto...meu próprio pai." – sorri, amargo – "Onde está minha mãe?"
"Infelizmente, Narcisa quis desistir, quis voltar e se entregar para o Ministério. Não pude deixar. Então, vamos dizer que tivemos um pequeno acidente e ela faleceu."
Senti o sangue congelar nas minhas veias.
"Assassino! Monstro!" – gritei.
"Por favor, Draco, elogios agora não." – ele sorriu cinicamente – "Vamos ao que interessa. Você fará um documento redigido de próprio punho deixando todos os seus bens para o seu querido pai."
"Você não pode voltar."
"Mas eu voltarei. Claro que não serei Lúcio Malfoy, farei algumas cirurgias plásticas e logo estarei de volta. Serei o novo Lorde das Trevas, Draco e não será você, um vermezinho insignificante que irá me impedir."
"O máximo que você vai conseguir é uma vaga na ala Psiquiátrica do St. Mungus. Que te faz imaginar que eu entregaria tudo sem pestanejar?"
"A Weasley. Sei muito bem que você gosta dela. O que, sinceramente, Draco, deixa-me enojado. Mas ela é bonitinha. Posso me divertir um pouquinho com ela, antes de matá-la."
O ódio tomou conta de mim, tirei a varinha do bolso interno das vestes e gritei, ao mesmo tempo que ele fazia o mesmo:
"Avada Kedrava!"
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GINA
Não posso acreditar no tamanho da imbecilidade do Malfoy.
Como ele poderia ter saído sozinho? Se tivesse pedido minha ajuda, seríamos mais fortes e venceríamos. Mas algum encosto grifinório se apoderou daquele corpo monumental e o fez agir assim.
Tentei ficar calma e pensar em alguma solução enquanto arrumava a bagunça que tinha feito com meu ataque de fúria.
Pensei em procurar Harry e contar tudo, mas isso não resolveria nada, porque ele ficaria histérico em saber da minha ligação com Draco e acabaria piorando a situação. A verdade é que só poderia esperar e torcer para que ele fosse mais rápido que o inimigo.
Já passava das 15hs quando terminei tudo, desci as escadas e ouvi um barulho na porta de entrada do casarão. Peguei a varinha e me aproximei lentamente. A porta foi aberta e quando vi aquela sombra, tudo escureceu.
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DRACO
Consegui ampará-la antes que caísse no chão. Era tão bom tê-la em meus braços novamente que a abracei forte só para ter certeza de que era verdade.
"Draco?"
"Oi."
"Você está vivo." – ela disse enquanto acariciava meu rosto.
"Sim, estou."
Ela desceu as mãos do meu rosto para os meus ombros suavemente, depois apertando com força até começar a me sacudir.
"Seu idiota! Eu pensei que você tinha morrido, Malfoy! Passei o dia preocupada! Desmaiei, vomitei tudo que comi desde que nasci e agora você me aparece com a cara mais lavada como se nada tivesse acontecido?" – ela me empurrou e se levantou.
"Gina, ele estava te ameaçando."
"E, por acaso, não sei me defender? Não fiz parte da maldita Armada de Dumbledore? Não lutei na porcaria daquela guerra e saí quase ilesa? Malfoy, eu não preciso que você me defenda."
Não sei o quê me deu mais raiva, a frieza dela ou tudo que passei para salvá-la.
"Mas se fosse o Potter você aceitaria de bom grado, não é, Weasley?"
"Não, não aceitaria."
"Certo." – falei ironicamente – "Mas agora já fui lá e salvei a porcaria do mundo para você. Matei o homem que estava me perseguindo. Era o meu pai." – vi quando a notícia abalou a Weasley, mas continuei – "Agora você está livre de mim. Se quiser pode voltar para sua vida." – e saí para o meu quarto.
"Você não vai fugir assim, Malfoy!" – ela me seguiu até o quarto e bateu a porta com força – "Você sabe como foi difícil ler aquela carta ridícula? Fui descartada como se esse tempo não tivesse nenhum significado para você."
"Isso não é verdade! Eu escrevi aquilo para o caso do pior acontecer, você poderia seguir normalmente com a sua vida. Aliás, como foi que você soube da verdade?"
"Eu joguei todas as gavetas no chão e, por acaso, vi a carta." – falou com raiva – "Mas depois arrumei tudo, enquanto pensava numa maneira de salvá-lo."
"Salvar? Você me salvando?" – sorri e dessa vez não havia ironia ou sarcasmo no gesto.
"Sim, porque é isso que uma pessoa faz quando... se importa com a outra." – disse cruzando os braços em frente ao corpo.
"Sei." – lentamente me aproximei e envolvi a cintura dela com meus braços – "Só isso?"
"É sim. Malfoy, solta." – disse enquanto tentava me empurrar.
"Não solto. E sabe por quê? Por que você me ama, Gina e está doida para me agarrar."
"Seu idiota!" – ela esbofeteou meus ombros até cansar e cair em prantos.
"Já passou, Gina." – estava difícil acompanhar tantas alterações de humor.
"Primeiro fiquei com raiva porque você tinha me deixado, depois desesperada porque não sabia como ajudá-lo."
"Eu sei. Me senti péssimo quando escrevi aquele bilhete, mas fiz pensando que se morresse, você poderia seguir sua vida em paz."
"Nunca ficaria em paz sem você." – ela descansou a cabeça no meu ombro e completou – "Eu te amo."
Ergui o rosto dela e disse, olhando-a nos olhos:
"Eu te amo também."
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NOTA DA AUTORA: OWN! #OLHOS BRILHANTES# Cês gostaram? Eu não! Minha idéia era outra, mas durante o capítulo fui mudando e cabou nisso. Esse era o último capítulo, mas decidi que não...hehehehe...
Espero que cês gostem! Desejo a vocês um feliz ano novo! Continuem me lendo nesse ano! HiHiHiHiHiHiHi
Beijos,
Manu Black
