Escolhas

Capitulo 11

Bom, lá estava eu correndo pela floresta atrás de uma bunda peluda com um rabo grosso e marrom.

"É falta de educação falar da traseira dos outros, sabia?"

"Falta de educação é você invadir meu cérebro sem a minha autorização!"

"Diana, sabe que eu gostei de você?"

Que novidade era aquela? Geralmente por onde eu passava não costumava deixar boas lembranças. Alias, fazendo a uma rápida retrospectiva da minha vida, eu percebi que naqueles dias eu vivi intensamente cada hora, cada instante que valeu por toda a uma vida

"É La Push, baby, La Push!"

Até que a peluda marrom era engraçada.

"Claire!"

"A sim, Claire, então vai demorar muito até chegarmos ao teu bangalô?"

"Não muito e o melhor, estaremos a sós. Não que isto seja muito eficiente, depois eles saberão de tudo mesmo."

"O tal do elo, não é? Como agora."

"Sim, e estou muito feliz de você fazer parte do nosso bando! Mais uma garota! Vamos mostrar para eles a nossa força, Diana.

"Eu estava fazendo justamente este serviço lá atrás, até Chad aparecer"

"Sim, eu vi tudo! Olha Diana, como já falei, a Nessie é da família, ela é a garota do Jake..."

"Ai que está, eu não entendo estas coisas! Você tem noção de como está a minha cabeça? Uma semana atrás, eu era uma garota normal..."

"Normal?"

"Bem, pensando melhor, nunca fui assim tão normal, mas em comparação com o hoje, neste momento em que me encontro correndo de quatro no meio da mata em um lugar esquecido pelo mundo, eu me achava sim, muito normal!"

"É compreensivo. Pelo o que entendi a Leah nunca te falou de La Push, não é?"

"Alguns dias atrás se alguém me falasse este nome, eu iria achar que era alguma dança mexicana"

Claire riu alegremente, ela era jovial e eu fiquei pensando quantos anos ela deveria ter.

"Vou fazer vinte e dois. Quil está organizando uma festa surpresa, e todo mundo já sabe de tudo, mas finge não saberem."

"Paranóico!"

"Logo você se acostuma."

"Difícil!"

"É o nosso mundo, Diana. Nos esforçamos para que as coisas simples sejam realmente simples por aqui."

"Simples? Vocês transformaram o lance da alma gêmea em conto de terror! E este papo de todo mundo saber o que todo mundo pensa então? Mas nem um peido por aqui fica em segredo!"

Chegamos em um lugar diferente, eu vi Claire se dirigindo para atrás de uma arvore.

"Espere aqui."

Não demorou muito e quem veio no lugar da loba marrom era uma mulher alta e esquia, ela tinha um rosto muito simpático também.

–Eu tomei a liberdade de lhe trazer uma muda de roupa.

Como era interessante aquilo, mesmo na forma de loba eu podia entender a linguagem humana também. Me dirigi para trás da mesma arvore e vi uma sacola. De repente eu havia me esquecido de pergunta como fazia para reverter o processo.

"Transformar!"

Nada.

"Humana!"

Ridículo.

"De pé!"

Muito deprimente.

Eu resolvi voltar e olhar para Clarie, fiquei com pena de mim mesma, da minha boca grande saiu um grunhido infeliz.

–Algum problema, Diana?

Todos!

Eu não desejava ter que enumerá-los. Bati a pata dianteira no chão e balancei a minha cabeça. A imagem da cara de Paul apareceu na minha cabeça, ele ia torrar a minha periquita.

"Vamos lá Claire, ta escrito na minha cara peluda, mulher!"

Como foi que eu me transformei da primeira vez? Foi sob adrenalina, eu cai de um precipício. Como eu deveria fazer? Não tinha nada perto para cair de cabeça e virar humana de novo.

Oh, merda!

Agora eu grunhia com gosto e bem alto. Sei lá o que passou na cabeça da Claire, mas ela passou a mão na minha cabeça e o que foi aquilo? Eu senti minhas orelhas indo lá para trás e minha bunda foi ao chão.

–Calma Diana, vai lá trás novamente e se concentre. Pense em você humana, sinta o sangue em suas veias e deixe o processo acontecer.

E se não desse certo?

Eu me virei com medo de ficar uma loba para sempre e fui para trás da arvore. Olhei novamente para a sacola, foi tão rápido com a Claire, mas ela já tinha experiência. Um barulho chamou a minha atenção bem no momento em que eu ia me concentrar, um cheiro diferente era, algum animal eu sabia. Podia até ouvir o coração batendo. E sabe o que fiz? Ao invés de me concentrar, sai feito um cão de caça para dentro da mata. O coração do animal batia acelerado e eu não sei dizer o motivo, mas sabia, ele estava sendo caçado e não era por mim. Meu focinho sentiu o cheiro de água, eu passei a ouvir o barulho da correnteza e percebi que estava perto do riacho que cruzava a mata. Ouvi passos, era estranho, eu podia sentir que era algo grande, mas muito leve também e corria. Eu nunca fui muito certa do juízo, então fiz a coisa mais idiota e passei a correr paralelo aquilo que caçava o animal. Logo pude ver, era um cervo, um jovem macho. A cada instante eu ficava mais impressionada, pois naquela nova estrutura em que me encontrava tinha a muitas vantagens. E não precisava ler uma enciclopédia para saber diferenciar se o cervo era macho ou fêmea, bastava sentir o cheiro dele que vinha acompanhado de medo, pois o bicho sabia que ia morrer e soltava no ar o seu pavor. Sei lá quem o estava caçando, mas estava se divertindo primeiro e não demorou muito e eu pude ver um vulto enorme pulando pelos galhos das arvores, com tanta agilidade e leveza que parecia ser impossível de se acreditar. O pior foi que a criatura rosnou para mim e eu o reconheci. Era o cara fedido e grandão que encontrei antes de virar loba. Lembrei ainda da garota do Jake o chamando de tio. Aquele cara medonho tava tocando terror no pobre do cervo e agora se embirrou para o meu lado. Não era muito inteligente me meter com ele, se fosse considerar todo aquele tamanho. Mas ai, lembrei do que ele me disse, que eu estava do lado errado da fronteira. Depois percebi que estávamos ambos correndo em paralelo ao riacho e, para a minha sorte o cervo estava do meu lado, então, as regras eram as minhas.

Acelerei meus passos e me agitei ao sentir o quanto de velocidade alcançara. E o melhor eu podia ver tudo como se estivesse em câmera lenta, menos o grandão que também, agilizou do lado dele. O cervo burro foi para a beira do riacho, o imbecil iria atravessar para o lado do grandalhão ou morrer afogado. Eu vi dentes brancos e firmes aparecerem na boca do cara, ele estava rindo e de mim. Eu dei um pulo assim que o cervo entrou de vez na água. O grandão também pulou, mas eu fui por uma questão de segundos, mais rápida e com a força do meu corpo projetei o cervo para fora da água, ele ainda continuava do meu lado, mas eu fiquei dentro da água e, acho que ali deveria ser território neutro.

Bingo!

O grandão rosnou e veio para cima de mim babando. O cara metia medo, não vou mentir. Eu conseguir me esquivar com sorte, mas sentir a força dos dedos dele arrancando uns fios dos meus pelos e pulei para fora da água do meu lado. Me afastei rapidamente e olhei para o grandão que ficou dentro da água rindo assustadoramente.

–Quando desejar brincar de novo, lobinha, estarei a disposição!

Eu hein! Quem era louco?

Mas como eu estava do meu lado e, vi que o cara não se moveu dentro da água, me dei a ousadia de ser atrevida e arreganhei meus dentes para ele e rosnei. O cara pulou para frente e bateu as mãos na água, eu nem esperei pelo resto, me virei e comecei a correr, bem rápido. A gargalhada dele foi ficando para trás, mas meus pêlos ainda estavam em pé de tanto pavor.

Eu não podia esquecer, bater na ruiva fedida era uma coisa, mexer com a família dela era outra bem diferente. Procurei me concentrar e logo capturei o cheiro da Claire, não demorou muito e eu a encontrei onde a havia deixado e, a garota estava braba.

–Diana, é melhor você aprender algumas coisas bem rápido por aqui! Primeiro, não arranjamos encrenca com os frios, pois somos aliados. Depois é melhor você se situar, pois se aquele Cullen a pegasse de jeito nem Jake, nem Chad,poderiam salvar esta tua bunda peluda.

Lá estava ela, parada no meio da mata, com cara de poucas comadres, com as mãos na cintura e batendo o pé. Achava que somente minha mãe conseguia ficar braba comigo daquele jeito, eu enfiei meu rabo no meio das pernas e fui para trás da arvore e desta vez, me concentrei bastante, mesmo ainda ouvindo a voz grossa do grandalhão me chamando.

–Lobinhaaaa, estou aqui! Vem pegar o osso, vem totó!

Cara irritante!

Eu pensei em mim mesma, como humana e procurei relaxar os músculos, foi estranho, foi algo puxando e repuxando, esticando e logo senti o chão, os gravetos machucando meus joelhos e as palmas das minhas mãos. Eu virara humana e estava de quatro com a bunda arrebitada e o vento batendo nela.

Vidinha difícil!

Com raiva peguei a sacola e lá encontrei um shortinho e uma blusinha. Pelo visto aquele povo não costumava usar roupas completas, mas depois achei que fazia sentido, para que gastar tanto se tudo iria virar farrapos quando fossemos nos transformar? No fundo da sacola havia umas chinelas, eu as calcei, eram um numero um pouco menor que o meu, mas já serviam para alguma coisa. Sai de trás da arvore e a Claire ainda estava com cara de quem comeu e não gostou do gosto da comida.

–Tudo bem, você já deu o seu recado, foi mal, eu sei. Mas acontece que eu ainda não tenho controle sabe? Caso não se lembre, sei lá, mas faz apenas algumas horas que eu descobri e da pior forma possível que eu não passo de uma cachorra.

–Todos passamos por isto e, não costumamos nos atirar de um precipício ou arranjamos encrenca com alguém que é dez vezes maior do que podemos agüentar. Somos lobos e não idiotas.

–Bem, caso não tenha visto, o cara estava caçando do nosso lado.

–O que você sabe sobre o acordo e a fronteira?

–Nada! Foi ele mesmo quem mencionou isto ai! Olha Claire, eu te ouvi, pronto. Mas fique sabendo que não vou ficar aqui ouvindo sabão de você e nem de mais ninguém. Então, se ainda está em pé aquela conversa sobre garotas lobas, beleza, do contrário já fui embora.

Vi Claire suspirando e depois relaxando os ombros.

–Tem razão, acho que exagerei, mas quero que saiba que seria um problema muito grande se alguma coisa tivesse acontecido com você. Mesmo com o tratado, ou a aliança que conseguimos firmar com este clã, até onde eu sei, aquele Cullen é tão cabeça oca quanto você.

–Valeu!

–Não falo pro seu mal! Apenas analiso os fatos. Venha, vamos terminar o caminho conversando amigavelmente. Eu quero que você conheça o melhor de La Push, Diana.

–Vai mesmo ser uma enorme surpresa descobrir que este lugar tem algo de bom.

Claire riu alto. Acho que a brabeza dela foi embora.

–Como não? E Chad?

É a brabeza foi embora, mas outra coisa ficou no lugar, os olhos dela brilhavam maliciosamente.

–O que tem ele?

–A qual é Diana, todo mundo viu o beijo.

Não sei por que diabos, fiquei constrangida.

–Escapou.

–Escapou? É assim que vocês falam lá de onde veio?

–Engraçadinha! Aqui em La Push, vocês falam o que?

–Que a loba arrasou!

Eu estava gostando daquela garota.

–Bom, é que ele chegou perto demais e ai, eu perdi o controle. Alias, desde que aqui cheguei é somente isto o que ando fazendo.

–Entendo!

–Que nada! Você nasceu neste mundo louco, eu tenho a impressão que tudo aqui deve ser normal para vocês e...

Fiquei com a boca muito aberta, pois saímos de um trecho da mata e logo alcançamos uma espécie de estrada, eu me sentia como se estivesse em um daqueles filmes antigos e românticos. Onde tudo valorizava o casal a dar o seu primeiro beijo.

–Oh, Claire, que lugar é este?

–A trilha dos amantes.

–Já desconfiava.

Claire gargalhou – Sim, mas Diana, não somos tolos ingênuos, nossa vida não é um conto cor de rosa. Quando vier para fogueira dos anciões irá descobrir o motivo de ainda existirmos. Olhe, é logo ali.

Nós quase que corríamos, aquela sensação era muito boa, poder e velocidade aliada aos instintos animais, eu me sentia como uma daquelas personagens fantásticas dos quadrinhos. Depois consegui me surpreender pela segunda fez, meu estomago roncou, foi um escândalo mesmo. Um cheiro indecentemente bom vinha logo a frente o que me fez acelerar. Logo pude avistar a casa, não era bem um bangalô como o de mamãe. Era toda feita de alvenaria e tinha também a uma aconchegante sacada. Eu freie bem forte com o calcanhar esquerdo, do outro lado, chegando com a gente, vinha uma viatura de policia.

Já arranjei tanta encrenca na vida que logo pensei que era comigo.

–A fedida chamou a policia?

–Não acho que a Nessie tenha alguma participação nisto, apesar de ser o avô dela.

Puta merda, quando eu resolvia fazer alguma coisa era sempre bem feito. Aquela garota tinha uma família e tanto!

O carro parou e a porta do passageiro abriu primeiro e, eu gritei!

–Mamãe?

Esqueci todo o resto.

–Filha!

Mesmo a voz sendo rouca, mesmo as rugas na face e o cabelo não ser totalmente preto, eu tinha diante dos meus olhos a imagem perfeita da minha mãe. Ela me sorriu e aquilo aqueceu meu coração complicado. Eu corri ao seu encontro e nem perguntei nada me jogando nos braços dela.

Foi tão bom!

Eu me agarrei nela, meu corpo tremia e minha mente dizia que não era ela, mas, meus instintos me diziam outra coisa, pois estava tudo lá, até mesmo o cheiro.

–Oh, minha criança, não vou deixar nada de mal te acontecer!

A voz era envelhecida, mas era do mesmo timbre que eu conhecia. Ela passou a alisar meus cabelos e depois beijou meu rosto que estava todo molhado. Como eu desejei voltar no tempo e poder abraçar a minha mãe de verdade e dizer como eu a amava. A mulher limpou meu rosto com as mãos e foi muito engraçado, pois eu fazia o mesmo com o rosto dela. Nós rimos e nos abraçamos novamente. Alguém limpou a garganta ao nosso lado algum tempo depois.

–Sue, volto mais tarde.

–Obrigada, Charles.

Eu virei meu rosto para o homem, ele havia tirado o chapéu de policial, já era um senhor com vários cabelos grisalhos. Mas foi os olhos dele que chamaram a minha atenção, pois mesmo com as rugas, eles tinham uma cor marrom diferente, era como se fosse chocolate derretido.

–Moça!

Então aquele era o avô da fedida? Eu cheirei bem, ele não fedia e me parecia bem humano.

–Você é normal!

O homem riu alegremente e aquilo o fez ficar simpático.

–Um dos poucos por aqui, moça, um dos poucos. Passem bem!

Ele entrou na viatura, dando a ré e logo saiu lentamente até sumir de nossas vistas. Eu estava abraçada a ela, Sue, era seu nome.

–Vamos entrar? Mamãe fez uma bela mesa de comida para conversamos mais a vontade.

–Do jeito que a tua mãe cozinha, daria para chamar os meninos.

A voz dela era tão parecida...

Então ela se voltou para mim novamente, os olhos negros brilhavam emocionados. Como um ser humano normal poderia suportar tanta emoção em tão pouco tempo?

–Diana!

Ela soletrou meu nome como se fosse um poema.

–Minha neta!

Dizem por ai, que avós e netos tem uma cumplicidade natural, algo que eu nunca pude comprovar, pois nunca conheci a nenhum de meus avós, até aquele momento.

–Meu Deus!

–Como você é bonita, minha filha! Que alegria poder te conhecer.

Eu toquei com a ponta dos dedinhos a bochecha dela, parecia ainda inacreditável.

–Você é mesmo você?

Ela balançou a cabeça e me abraçou novamente, depois disse com a voz muito embargada de emoção.

–Sou e com muito orgulho!

Eu queria naquele momento gritar para o mundo, para todos os bichos daquela mata estranha, para os meninos lobos, para toda aquela cidadezinha infernal que eu estava muito feliz.

Eu tinha uma avó e, ela me amava.

–Vou apresentá-la na fogueira dos anciões como a minha neta, como uma legitima Clearwater.

Minha avó empinou o nariz e falou cheia de si. É, depois daquilo me bateu uma vontade muito forte de vê-la fazendo esta apresentação. Nós caminhamos abraçadas para dentro da casa, na varanda Claire sorria para nós.

–São muito parecidas.

Eu estufei meu peito, aquilo para mim era um elogio. Vovó deu um beijo no rosto da Claire.

–Obrigada queria, por buscar minha neta!

–Não foi nada, era uma obrigação. Afinal,somos todas mulheres e lobas.

Eu olhei assustada para o lado.

–Vovó, você também?

Um sorriso lindo alargou no rosto dela.

–Sim! E Deus me permitiu corrigir aos meus erros e agora posso falar sobre esta herança com a minha neta.

Minha cabeça pifou!

Eu nem vi direito o momento que passamos pela soleira da porta e entramos na casa. Como a de Emily, a cozinha já era a porta de entrada e meus olhos se arregalaram e muito.

–Sue, seja bem vinda a minha casa.

Uma senhora muito simpática deu a volta na mesa e cumprimentou a minha avó com um beijo no rosto.

–Obrigada Helen, já conhece a minha neta? Esta é Diana!

–Eu estava muito ansiosa por conhecê-la. Como você é bonita, meu bem!

A tal da Helen me deu um beijo no rosto também.

–Venham sentem-se. Diana, você precisa se alimentar.

–Dona Helen, eu não vou mentir, meu estomago esta doendo de fome.

–Claro que sim querida, é a transformação que faz isto.

Eu tinha tantas coisas para aprender.

–Mas se eu for comer tudo o que desejar, logo ficarei enorme!

Claire que já bebericava café me contrariou.

–Diana, esta é uma das vantagens de sermos lobas, ficaremos para sempre saradas, e não importa o quanto comermos.

–Não brinca?

–É sim, olhe para Sue!

Olhei para vovó, ela havia se sentando elegantemente ao meu lado e jogou com muita classe os cabelos enormes para trás antes de me sorrir. Eu olhei para o corpo dela, parecia que ela era uma freqüentadora assídua da academia.

–Querida, nosso metabolismo é acelerado na queima de energia e envelhecemos muito lentamente. No meu caso nem tanto, pois somente vim a descobrir que poderia virar uma loba, quando Leah foi embora.

Uma sombra de tristeza apareceu na face da minha avó e aquilo me deixou angustiada.

–Vovó, por favor, não fique triste.

Ela ergueu seu rosto para mim sorrindo.

–Tem razão, hoje é dia de alegria, você está aqui!

Eu sorri também e peguei um bolinho enorme e o mordi com gosto, estava faminta.

–Queria ter acordado na tua casa vovó, tudo teria sido muito diferente.

–Oh, Diana. Se eu soubesse que você viria, ficaria a tua espera de braços abertos. Mas foi tudo tão rápido. Quando um dos meninos de Sam veio me avisar, você já estava embrenhada na mata e já se transformara. Eu tive vontade de virar loba e ir ao teu encontro, mas Charles, apesar de tudo, ainda não se acostumou e, bem, ele não é nenhum adolescente. Eu procuro poupar o coração dele.

–Charles é o policial?

–Sim, meu bem!

Eu olhei bem para ela e depois, para as minhas mãos.

–Ele não é o meu avô! É o teu namorado?

–Meu companheiro. Temos vivido juntos nestes quase dezoito anos. Ele me ajudou a superar a dor de perder Leah, pois perdera para a vida uma filha na mesma época. Encontramos consolo nos braços um do outro.

–Vovó – eu olhei para Claire antes de voltar a falar – me disseram que ele é o avó de uma garota muito estranha.

–Sim, eu sei do teu encontro com Jacob e Nessie.

–Bom, isto já ajuda, economiza meu verbo. Então vou perguntar direto, o que é este negocio de imprint? Eu não consigo entender como um cara como o Sr. Maravilha, pode ter isto com aquela coisa. Eu já ouvi você, Claire, mas cara, ela fede!

–Todos eles!

–Ah, sim, vi outros dois lá na mata.

–Ao total são nove, somente daquele clã. As vezes aparecem outros, mas não nos importunam.

–Vovó, você estava me dizendo que vive a um relacionamento estável com aquele policial, bem, esta na cara que ele não é índio e você parece muito feliz com ele.

–Obrigada querida!

–Então temos escolhas, não é?

–Temos sim, mas, para cada uma, teremos uma conseqüência. Sua mãe, escolheu viver longe de nós após a rejeição de Jacob.

–Estamos falando do Jacob?

–Sim, meu bem, pode não parecer, mas Jacob tem idade para ser teu pai!

–E ele esnobou a mamãe por causa daquela fedida?

–Bem, foi um pouco antes, Jacob caiu de amores pela filha de Charles, Bella.

–Esta tal de Bella é do clã dos fedidos?

–Na época não. Ela havia voltado para Forks, para viver com Charles. Era uma mocinha fraquinha e estranha, parecia que a qualquer instante um pé de vento iria levá-la pelos ares. Sempre procuramos esconder a real natureza de nosso mundo para os humanos, mas a filha de Charles se apaixonou por um frio.

–Frio?

–É assim que os chamamos.

Era um apelido muito delicado, devo admitir.

–No começo, quase entramos em guerra, pois tínhamos um acordo, eles não caçariam humanos em Forks, era este o tratado.

Eu senti um arrepio percorrendo a minha espinha. Por um momento havia me esquecido o que eles eram de verdade.

–Mas, o leitor de mentes se apaixonou pela filha de Charles, ele jurou amor eterno por ela.

–Nossa, inacreditável!

–Sim, uma historia e tanto, qualquer dia eu a conto em detalhes, mas para resumir, eles se casaram e aquilo deixou Jacob arrasado. Depois a filha de Charles engravidou do frio.

Eu espirrei café para todos os lados naquele momento.

–Desculpa Claire, desculpa dona Helen!

Peguei um guardanapo e passei a limpar o estrago que havia feito na mesa.

–Vovó, os caras, eles...eles...

–Nos pensávamos isto também! Mas pelo o que entendi, somente as fêmeas deles não podem engravidar.

–Quil me disse que eles são geladeiras ambulantes de espermas.

–Então eles fazem mesmo, sexo?

–Quil partilha do mesmo elo que Jake, ele falou que sim e, varias vezes ao dia!

–Então, a tal da Nessie, ela é filha de uma humana e um vampiro? Por isto ela fede tanto e é tão estranha?

–Sim.

–O que Jacob viu naquela coisa?

–Eles sofreram imprint.

–Mas isto não deveria acontecer somente entre os lobos?

Eu vi as mãos de minha avó tremerem muito.

–Jacob, aquele idiota! Ele misturou tudo, deixou que os sentimentos que nutria pela filha de Charles perturbá-lo e os transferiu para aquela, aquela...

Eu acho que a vovó não ia muito com a cara da tal da Nessie.

–Diana, você irá até a fogueira dos anciões, saberá sobre a origem de nossa historia e o nosso propósito e depois, poderá comprovar que o que Jake sente por aquela criatura não é um imprint.

–Você não gosta deles, vovó?

–Minha Leah foi acusada de dar as costas para as tradições quando abandonou La Push, mas eu digo, que Jacob Black fez muito pior quando resolveu escolher como companheira um de nossos inimigos naturais. Qual mulher se sentiria bem por ser rejeitada por uma morta viva? Que ele não desejasse ficar com a minha Leah, mas na aldeia tínhamos moças lindas e férteis. Ele escolheu jogar a semente do alpha supremo e grande líder em uma cova fria e sem vida...

É a minha avó não estava nada contente com a escolha de Jacob Black.

Continua...