- CAPÍTULO X -
"Tua pele, meu pensamento"
Conforme o final do ano se aproximava, os alunos ganhavam novo entusiasmo. Neste domingo, aparentemente os alunos dedicaram-se aos estudos permanecendo, em sua maioria em suas salas comunais, na biblioteca, ou ainda no salão principal criando grupos de estudos mistos.
Sentada em seu sofá em frente à lareira, Lauren começava a compreender um dos motivos da repulsa dos alunos – exceto os sonserinos – às masmorras. Acompanhando a chegada do inverno, as masmorras esfriavam rapidamente, mais rápido do que em qualquer outra parte do castelo devido a ausência de luz.
Decidindo entre congelar em seus aposentos ou ir até madame Pudfoot tomar uma xícara de chá com bolo de chocolate e nozes que lembravam-lhe os que sua avó lhe fazia, Lauren vestiu sua capa e procurou Elisa para acompanhar-lhe. Bateu na porta do laboratório da sala de poções e, para sua surpresa, fora Snape quem abriu a porta.
– Ohn, me desculpe, pensei que fosse Elisa que estivesse aqui.
– Ela não está – disse ressaltando o óbvio.
– Você sabe onde ela está?
– Disse-me apenas que estaria fora até o entardecer e pediu-me que verificasse o cozimento de uma poção de hora em hora – ele explicou de forma impaciente perante a expressão dela.
– Que pena. – disse fechando os braços em torno de si – Até logo Snape – disse virando-se para o corredor
– Como pretende sair Srta. McKinnon?
– Como... Como sabe que pretendo sair?
– Capa grossa – ele apontou para a roupa dela
– Simples. – falou desviando apenas o rosto em direção a ele – Vou pedir ao Filcth para abrir o portão.
– A-ham – ele disse erguendo uma sobrancelha – e como pretende encontra-lo?
– Qual é o problema afinal? – virando-se completamente para ele – O que está pretendendo hoje? Me aborrecer? Ótimo, pois fique feliz, você já conseguiu.
Encararam-se por alguns segundos em silêncio. Segundos que pareceram horas. Lauren já estava farta das implicâncias e do sarcasmo de Snape para com ela, reforçado nas últimas semanas e acabou revelando seu descontentamento. Snape não esperava por tal reação. Lauren sempre fora passiva, ignorando suas ironias. O canto de seus lábios curvou-se em um pequeno sorriso. Chegara ela ao limite de sua raiva? Se ele continuasse, ela desistiria da idéia ridícula e pediria anulação do acordo?
– De forma alguma srta. McKinnon. Apenas perguntei como encontraria Filtch na floresta.
Lauren suspirou rápido, e virou-se a fim de voltar ao seu quarto, refez seu passos quando uma idéia passou-lhe em mente. Ela não o deixaria vencer tão fácilmente.
– Ótimo, então você pode abrir o portão – falou mexendo os lábios devagar
– Porque não pede a Daymon?
– Daymon? Porque eu iria até ele se posso pedir a você? – ela falou sorrindo docemente – "ou melhor, importunar você" – pensou
– Pensei que tivesse vindo até aqui em busca de companhia, tenho certeza que Daymon não a recusaria...
– Não se preocupe, eu posso muito bem ir sozinha – respondeu se aproximando, ignorando a malícia contida nas palavras dele.
Snape trancou a porta da sala e ambos rumaram à saída.
" Daymon? O que ele está insinuando? Era só o que me faltava, mais um motivo para implicâncias." – pensou enquanto caminhavam para fora da escola
– Ainda há tempo de desistir. É uma longa caminhada até Hogsmeade, já que você não sabe... aparatar.
– Não menos prazerosa do que conversar com você, eu garanto.
Olharam-se. Lauren queria rir abertamente, contudo seus lábios prenderam o sorriso, enquanto seus olhos fixavam-se nos dele. Analisou-o. A face contraída formava um vinco acentuado entre as sobrancelhas e seu lábio superior quando crispado formava duas curvas pequenas. Involuntariamente seu coração bateu mais rápido.
– Bem, - esperou que ela passasse pelo portão - divirta-se – fechando-o com mais força que o necessário.
– Espere, como vai saber que eu estou de volta?
– Esteja aqui, pontualmente as quatro.
– E... se eu não estiver? – ela provocou?
– Então eu lhe aconselho a reforçar suas vestes, aparentemente vai chover.
– Bom saber Sr. Snape, bom saber.
– Estarei aqui as quatro – Lauren falou virando-se para Snape que apenas assentiu.
O sol se escondia por entre as nuvens deixando o caminho até Hogsmeade bucólico, a paisagem coberta pelo gelo ressaltava o verde das árvores, junto ao azul acinzentado do céu.
"Chocolate com rum" – Lauren pensou na bebida que tomaria, lembrando-se ao mesmo tempo de Snape.
Quando chegou a Hogsmeade, Lauren não resistiu a tentação de visitar a Livraria, comprando um exemplar sobre a História da Magia e algumas revistas, seguindo logo após à madame Pudfoot. Gostava de ir aquele lugar, embora o achasse romântico demais para si, porém Pudfoot conhecera sua mãe e sempre lhe recebia alegre. Não querendo provocar Snape mais uma vez, Lauren decidiu cumprir o combinado e refez o caminho para a escola.
Snape estava certo sobre a chuva. Nuvens acinzentadas dominaram o céu e logo os primeiros pingos surgiram; finos e esparsos, tornando o caminho de volta, embora dia cheio de sombras. Seus passos sobre o a beirada do caminho de terra eram quase silenciosos. O vento balançava a copa das árvores. Apertou o passo para não se atrasar. Foi somente quando o barulho repetiu-se pela terceira vez, que Lauren percebeu que havia algo errado. Não era o som do vento quebrando galhos frágeis e sim, gravetos sendo pisados no chão. A suposição fez com que Lauren passasse a andar no centro da estrada, apressadamente, o coração batendo descompassado.
Não queria olhar para trás ou para a floresta. Estava tomada pelo medo. Faltava muito pouco para a última curva da estrada onde em alguns minutos, Snape estaria esperando por ela.
– Lauren McKinnon – alguém cuspiu seu nome atrás de si.
A voz masculina era desconhecida embora parecesse conhecê-la, a entonação, porém era aterrorizante. Virou-se imediatamente, como reflexo e seu corpo paralisou em choque, por medo. Conhecia aquele homem, e sabia exatamente o que ele faria a ela.
Era Rodolphus Lestrange.
– O que você quer? – ela falou, tentando mantém sua voz e respiração controlada.
– Você não faz idéia? – sua voz era carregada de sarcasmo, dando um passo a frente.
– Você bem sabe que eu não sou trouxa. – ela disse recuando a mesma distância
– Hum, você é bem esperta McKinnon, mas não estou interessado na pureza do... seu sangue.
Lauren sentiu o olhar do homem percorrendo seu corpo. Faltavam apenas alguns metros para que ela pudesse avistar o portão do castelo e, consequentemente ser vista por Snape. Precisava vencer aquela distância.
– Não? Então agora você mata bruxos de sangue puro para o seu divertimento? – ela recuou mais alguns passos
– Certamente não, será apenas uma exceção.
– Entendo. Suponho que isto seja então, uma vingança. – fitou-o diretamente nos olhos – Quer se vingar pelo seu irmão ou... hum – parou indecisa sobre continuar
Seu coração pulsava tão rápido e forte, que sentia dores no tórax, enquanto suas pernas adormeciam, pulsavam e tremiam, denunciando que não resistiriam o peso de seu corpo por muito tempo. Faltavam menos de dez metros, porém seu corpo parecia cravado no mesmo lugar.
– Ou...? Diga McKinnon, eu quero ouvir, fale alto! Confirme que você se juntou aquele traidor.
As palavras fugiram-lhe, enquanto o ar escapava dos pulmões. O homem a sua frente a olhava com ódio, de forma cruel e impiedosa. Lauren reuniu suas forças e coragem. Não teria uma segunda chance. Jogou as sacolas no homem e correu o mais rápido que conseguiu indo à beira da estrada, diminuindo a distância. Quando conseguiu avistar o muro de pedra, foi empurrada indo direto ao chão. Não teve tempo de gritar, pois o homem tapara-lhe os lábios. Ele não precisou usar a varinha e a conduziu pela floresta apenas torcendo-lhe o pulso pelas costas.
A chuva ficara mais forte e somado ao barulho do balanço das árvores, tornava-se impossível Lauren ser escutada por alguém na estrada. Rodolphus soltou seus lábios, e segurou-lhe pelo pescoço.
– Por favor... me solte – disse deixando escapar uma lágrima – por favor...
Ele a empurrou contra uma árvore de tronco largo, tirando-lhe a capa a força, deixando-a com arranhões no colo e pescoço, puxando fios de seu vestido. Segurou os pulsos dela com força, apertando-os enquanto a virava de frente a ele. Rodolphus era forte o suficiente para imobilizá-la utilizando apenas uma mão.
– Como ele a convenceu? Hãn? O que ele fez a você?
– Pare – ela se contorceu – estás me machucando.
– Foi isso? – disse enquanto deslizava a mão livre pela cintura descendo à perna – foi assim que ele a convenceu a concomitar com ele? – apertando-a em sua direção
Os olhos dele encaravam-na, raivosos, luxuriosos, selvagens, enquanto o vestido era erguido por uma mão ansiosa. A distração dele ao tocar a perna coberta pela meia, foi o suficiente para que Lauren desferisse um chute com o joelho certeiro entre as pernas do homem, empurrando-o. Rodolphus curvou-se centrado na dor, mas não soltou os pulsos dela, mantendo-a presa.
– Vadia – disse desferindo-lhe um tapa, forte, fazendo com que ela cambaleasse.
Rodolfo empurrou-a novamente contra a árvore, e puxou a abertura nas costas do vestido, arrancando os botões que se recusaram a abrir. Beijou-a impondo seus lábios aos dela, sentindo todo o asco que ela possuía acerca do ato. O sangue dos arranhões espalhava-se no vestido devido à chuva.
– Vejamos o que você prefere McKinnon. – empurrando-a ao chão – Crucio.
Um grito percorreu a floresta, e novamente após. Os músculos de Lauren exaustos pela dor tremiam, o suor misturava-se a chuva e a terra lamacenta aderida ao vestido. Ela queria manter as esperanças; a cada segundo, porém, a certeza da morte tornava-se mais certa. Sentiu o homem se aproximar, abaixando-se e preparando-se para o ato final. Lauren não tinha dúvidas quanto a isso, ele a estupraria e depois a mataria, humilhando-a e rebaixando-a para depois mata-la da mesma forma que sua mãe morrera. Lágrimas escaparam-lhe dos olhos quando ele arrastou uma mão pelo seu corpo. Não adiantaria lutar, gritar. E mesmo que o quisesse seu corpo já estava exausto para tal atitude. Somente quando Rodolphus levantou-se com a varinha em punho, foi que Lauren percebeu que havia mais alguém ali. Rodolphus não foi capaz de se defender quando um raio vermelho impulsionou-o para longe de Lauren, dando tempo apenas para seu oponente se aproximar, Rodolphus atacou o homem tão logo ele se restabeleceu, travando um duelo mudo.
Lauren olhava a cena aturdida. Ainda não havia conseguido ver quem era o homem que a defendera. Apenas quando uma voz rompeu o silêncio, Lauren sentiu-se segura.
- Confunddos.
Snape lançou no homem um feitiço para confundi-lo. Fazendo-o seguir até Hogsmeade e lá, entregar-se. Ele não tinha dúvidas que funcionaria, além disso, obliviou-o para que não se lembrasse de nada que fizera a ela. Aproximou-se de Lauren. Sentiu raiva de si mesmo por deixá-la ir sozinha a Hogsmeade.
– Snape – ela o chamou, a voz falhando.
Ele agachou-se ao lado dela. Olhou-a. Não havia ferimentos graves, embora o corte acima dos seios fosse profundo. Ele procurou a abertura do vestido para fechá-lo cuidadosamente. Segurou-a pelas axilas para erguê-la, visto que seus pulsos estavam machucados. Vendo que ela ainda estava exposta e que sua capa estava mais suja do que seu vestido, Snape retirou sua capa e colocou sobre os ombros dela. Ela nada disse durante o percurso de volta ao castelo. O silêncio incomodou Snape.
– Nós já estamos chegando. – disse segurando-a com firmeza – Madame Pomfrey cuidará de você.
– Não. – falou contraindo os músculos – Não quero que mais ninguém me veja assim – olhou nos olhos dele – por favor – suplicou.
O corpo de Lauren ainda tremia, o rosto estava ruborizado pelo esforço, a pele suada, os olhos lacrimejantes. Snape a segurava, ajudando-a na sustentação, uma vez que não acreditava que ela conseguiria se manter em pé sozinha. Já conhecia Lauren o suficiente para dizer saber que ela preferia manter o acontecido o mais discreto possível.
– Você precisa ir ver Pomfrey. Está com um corte profundo, cheia de hematomas, mal consegue respirar, e ainda precisa de cuidados femininos.
– Ele não me... ele ... ele não tocou em mim – ofegou com o esforço – Por favor Snape, já fui o suficiente humilhada para que a escola inteira saiba o que aconteceu comigo. – a voz acompanhava as lágrimas que surgiam aos olhos – Eu não quero que mais ninguém saiba – encarou-o novamente – cuide de mim, eu sei que você pode fazê-lo sem Madame Pomfrey.
Snape sacudiu a cabeça negativamente, e contrariando sua opinião desviou da entrada principal do castelo, rumando para outra entrada. Se Pomfrey soubesse era certo que os outros professores também saberiam.
Com a chuva, a maioria dos alunos permaneceu em suas salas comunais, e passada a hora do jantar os corredores ficaram novamente vazios. Snape e Lauren não tiveram dificuldade de passar pelo hall à entrada das masmorras. Ele percebeu Lauren perdia cor gradativamente e, ao passar pelos banheiros, ela soltou-se dele, jogando a capa ao chão e andou apressadamente para uma privada. Vomitou.
Ao curvar-se, Lauren sentiu a pressão nas suas costelas, e não conseguiu conter um grito abafado de dor. Sentiu Snape segurando-a, uma mão abaixo dos seios – a qual Lauren segurou firmemente -, a outra sustentando a testa para que pudesse completar a ação. Terminado, a mão direita – que amparava suas costelas – alcançou a ela um lenço para limpar-se, voltando a segura-la novamente. Quando Lauren ergueu-se, a cor, snape percebeu já havia voltado às faces. Seguiram o caminho em silêncio em direção aos aposentos de Snape. Quando chegaram, foram direto para o laboratório particular ao lado da sala. Deu a ela uma poção para a dor, e com um meneio de varinha Lauren sentiu a dor nas costelas aliviar. Segurando o braço dela mostrou-lhe o banheiro que ficava no quarto, disse para tomar um banho, entregando a ela um roupão de banho. Snape esperou por ela sentado na beira da cama com o material e a poção para fazer os curativos nela.
– Me desculpe, – disse ao sair do banheiro – eu sujei o seu – a voz diminuindo – roupão. – apontando para as pequenas manchas de sangue
Snape nada disse, e de pé, fez sinal para que ela se deitasse.
– Ainda está em tempo de ir até Pomfrey – falou diante da hesitação de Lauren
– Não – deitando-se resoluta na cama.
Alguns minutos depois a mão de Lauren e os joelhos já estavam devidamente medicados. Faltava, porém, o corte mais profundo, no colo da mulher. Com a gaze embebida com a poção, Snape afastou o roupão, revelando parte do corpo de Lauren, sem expor seus seios. Não pode deixar de perceber o quando sua pele era alva e apesar de não tê-la tocado notara o quanto aparentava ser macia. Os seios cobertos pelo tecido eram médios e donos de uma forma perfeita. Quando passou a gaze pelo ferimento, percebeu Lauren estremecer levemente, enquanto a pele arrepiava-se. Pensou ser causado pelo frio, mas viu Lauren desviar o olhar para o lado, a face tomada pelo rubor. Voltou, imediatamente, a contemplar o corte, já que não poderia deixá-lo daquela forma, enquanto a velha chama - que ele pensava estar apagada para sempre - tomou conta de seu ser.
Músicas de inspiração: Struggle (parte do ataque e pans) e In Memoriam (só as partes calmas) e Fade To Black (para o final), todas do Apocalyptica.
Capítulo a moda D.H. Lawrence (autor de O Amante de Lady Chatterley).
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