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FEITICEIROS

Por Kath Klein

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 11

Um encontro com o Passado

'Sei que não está sendo fácil, mas tem que se manter fria.' Li falava para a namorada. Estavam no portão da casa amarela, Sakura com onze anos de idade estava dentro de casa com um Touya bem nervoso e irritado depois da conversa complicada que tivera com o casal assim que chegou em casa. O menino Syaoran estava lá dentro, arrumando-se para encontrar com o rapaz e irem para casa. Tinham apenas aqueles segundos para ficarem sozinhos e poderem conversar rapidamente sem interferirem no próprio passado.

Sakura suspirou. 'Não me censure pelo abraço.' Ela falou contrariada. 'O que eu mais queria era pedir para ele não ir embora de Tomoeda como você fez.' Explicou sem rodeios.

'Isso não é uma decisão sua, é dele.'

'Foi sua.'

'Não podemos falar nada, entendeu?' Tentou ser objetivo, não tinham tempo para discutir.

'Talvez...' Sakura sussurrou, abaixando os olhos para não fitar o namorado. Estava louca para tentar aparar algumas arestas do passado. 'Não enche o meu saco, Syaoran.' Resmungou já pronta para voltar para casa quando o rapaz segurou o seu pulso, impedindo-a de se afastar. Voltou a fitá-lo.

'Acredite em mim, o que eu mais queria era falar tudo para eles, mas não podemos. Eles precisam tomar as próprias decisões, por nós.'

Encararam-se por alguns segundos em silêncio. 'Você está certo.' Falou por fim. 'Mas não vou mentir. Se ela me perguntar algo vou responder.'

'Responda o mínimo e seja evasiva.'

'Não consigo ser assim.'

'Tente.'

Silêncio novamente. Ouviram um barulho vindo da casa e Syaoran soltou o pulso de Sakura. O que mais queriam era se abraçarem, mas sabiam que estavam sendo observados. O garoto desceu os degraus e passou por Sakura parando ao lado do rapaz. 'Estou pronto. Vamos?'

Syaoran ainda ficou um tempo fitando a namorada, levantou os olhos e observou Touya com cara de poucos amigos. Ele sentira que o irmão dela tinha se controlado ao máximo para não partir para cima dele, desviou os olhos para o garoto que observava os dois. 'Vamos. Cuide-se.' Falou para a namorada fitando-a rapidamente.

'Você também. Por favor, tome o remédio corretamente.' Ela respondeu e sorriu. Syaoran esboçou um sorriso, concordando e começou a caminhar junto com o menino. Sakura voltou-se para a sua antiga casa e observou o irmão no batente da porta, esperando-a. Subiu os degraus e virou-se para ver o rapaz e o menino afastando-se do local. Caminhavam um ao lado do outro. Quem olhasse poderia pensar que eram irmãos.

Touya observou a irmã fitando os dois. 'É bem estranho.' Ele falou. Sakura olhou para o irmão.

'O que é estranho, Touya?'

'Ver os dois juntos.' Ele respondeu e ela franziu a testa. 'A versão do moleque grande não está muito legal.' Falou com tom de preocupação. 'Você queria estar com ele, não é?'

Ela confirmou com a cabeça. 'Ele é muito teimoso.' Ela suspirou. 'Mas preciso ficar perto da minha versão mais nova. Para protegê-la.'

Touya trincou os dentes. 'Eu não tenho mais como protegê-la depois que dei meus poderes para Yue.'

Sakura pousou uma mão no ombro do irmão. 'Você fez a escolha certa.' Ela sorriu para ele.

'Espero que sim.' Falou desviando os olhos dela. 'Acho que seria bom você tomar um banho.'

'Obrigada, Touya. Por tudo.' A jovem agradeceu.

'Prometa-me apenas uma coisa, Sakura.' Falou devagar, notando o quanto Sakura havia se tornado parecida com as lembranças que ele tinha da mãe. Estava uma moça linda e pelo visto o moleque chinês ainda estava no seu encalço.

'O quê?'

Ele respirou fundo. 'Você sabe que ela precisa descobrir sozinha, não é?' O rapaz falou referindo-se à menina.

'Sim.' Sakura respondeu. 'Eu não posso falar nada a ela.' Ela desviou os olhos e fitou o chão. 'Mesmo que eu queira muito. Ela precisa descobrir sozinha.'

'É ele, não é?'

Sakura fitou o irmão com carinho. 'Sempre foi, não? Você sabia.'

Touya concordou. 'Sim.' Ficaram em silêncio um tempo. 'E você é feliz com ele? Responda-me com sinceridade, porque já o mato agora moleque que será mais fácil.'

Sakura sorriu. Deu um passo a frente e enlaçou a cintura do irmão com carinho. 'Eu sou muito feliz com ele, Touya.'

Ele a abraçou. 'Você é o que tenho de mais precioso. Não suportaria saber que ele não te faz feliz.'

'Touya.' Ela sussurrou. 'Sou feliz porque ele está ao meu lado.' Respondeu e sentiu que o irmão a apertava com mais força. Sentiu-o beijando sua cabeça.

'Assim espero.'

'Obrigada.' Ela falou com sinceridade. 'Logo iremos embora. Só precisamos resolver este problema.'

Touya acenou que sim com a cabeça. 'Não sei em que confusão você se meteu Sakura, mas sei que desta vez não é problema pequeno.'

Ela concordou. 'Sim... está tudo um pouco confuso agora.'

'Tenho certeza… que vocês conseguirão sair desta.'

'Sim.'


Sakura tomou um demorado banho. Touya lhe entregou uma das roupas de Nadeshiko que o pai ainda guardava. A jovem caminhou devagar pelo corredor observando sua antiga casa. Parou em frente ao retrato da mãe e o pegou, sorrindo. Devia uma visita ao túmulo dela. Desde que começou aquela loucura tinha deixado de lado as visitas aos seus pais. Suspirou passando o polegar pela imagem da jovem bonita e faceira.

'Você se parece muito com ela.' Ouviu a voz da menina atrás de si. Sakurinha estava observando-a da porta do quarto, vestida com o seu pijama. 'Se tivesse os cabelos negros e ondulados, eu poderia jurar que era ela.'

'Somos parecidas.' Sakura corrigiu, deixando o porta retrato no aparador. 'Vai sempre sentir a falta dela.' Disse, respondendo o que a menina estava louca para perguntar. Caminhou até o quarto e observou o colchão no chão ao lado da cama, pronto para ela dormir, mas estava sem sono. Estava preocupada demais com Syaoran, preocupada demais com aqueles dois malucos que resolveram aparecer do nada, preocupada demais com as pessoas que tinham deixado no seu tempo, preocupada demais com o que aquela maldita mulher tinha lhe falado com sarcasmo. "Ele morre." Fechou os olhos, sentindo-os arderem. "Ela mente!" Gritou o seu coração para seu cérebro.

'Você é muito séria.' A menina falou, observando a jovem que olhava para fora sentada no batente da janela. Na verdade, estava de tocaia caso aqueles malucos aparecessem. Ela voltou-se para o quarto. Tentou sorrir, conseguiu só esboçar uma leve curva nos lábios. 'Não consigo acreditar que um dia serei tão séria assim.' Ela falou brincando com as mãos e se aproximando da jovem. Kero estava na sua gaveta quarto, já dormindo.

'Estou preocupada. É apenas isso.' Tentou se justificar. Reparou que a menina apertava mais as mãos e mordia o lábio inferior. Estava nervosa, era assim que fazia até hoje. 'Se eu puder responder, farei isso.'

A menina arregalou os olhos de leve e levantou o rosto, fitando-a com intensidade. 'Ontem... sabe...' tentava encontrar as palavras para formular melhor a pergunta que nem ela mesma sabia. Desviou os olhos da jovem e fitou o lenço limpo e engomado que repousava na escrivaninha.

Sakura arregalou os olhos de leve, lembrando-se daquele episódio de sua vida e conseguiu sorrir de verdade. Voltou-se para a menina esperando, dando tempo para ela, isto é, dando tempo para si.

'Ontem no parque...' A menina continuou pegando o lenço e o segurando como se fosse uma relíquia.

'Não precisa me contar, eu me lembro bem.' Interrompeu, sabia que estava sendo difícil para ela.

A menina caminhou, aproximando-se. Levantou o rosto olhando-a diretamente. 'Eu vou encontrar aquela pessoa especial de quem o Yukito falou?' Perguntou enquanto duas lágrimas caíram dos olhos inocentes.

Sakura sentiu os olhos encherem de lágrimas, ao ver-se chorando ainda pequena. Sentiu vontade de dizer tudo para ela, que aquela pessoa era o seu companheiro de aventuras, que era com ele que ela encontraria a felicidade, que era nos braços dele que ela se sentiria segura, que era quando ele a beijava e a tocava que ela se sentia amada. Sentiu um bolo enorme se formar na garganta e não podia simplesmente colocá-lo para fora, Touya estava certo. Ela teria que descobrir sozinha.

'Vai, não se preocupe.' Respondeu, por fim, com a voz falhada.

'É como Yukito disse?'

'É muito mais do que ele disse.' Respondeu sorrindo.

'Eu vou demorar muito para achar esta pessoa?'

Sakura teve vontade de dizer que ela já o tinha achado, só precisava descobrir os seus verdadeiros sentimentos. 'Não posso lhe dizer mais nada' Falou pegando as mãos da menina que seguravam ainda o lenço. 'Mas pode ter certeza você vai ser muito feliz, porque eu sou muito feliz com o...' fez uma pausa louca para não pronunciar o nome tão amado. '...Com esta pessoa.'

Sentiu quando a menina pulou e abraçou sua cintura chorando livremente. Afagou os cabelos dela. Ficaram assim até os soluços da criança diminuírem e ficarem mais espaçados. Não soube direito quanto tempo ficaram abraçadas. Falou o que sempre falava para os outros. 'No final, tudo vai dar certo.' Sentiu a menina gesticular que sim e sorriu.

'Posso te pedir um favor?' Ouviu a voz infantil chorosa ainda agarrada a ela.

'Claro.'

'Você pode dormir comigo? É que eu não me lembro de como era dormir com a mamãe ao meu lado e você é tão parecida...' Falou afastando-se de Sakura e a fitando. Sorriram uma para outra.

Sakura caminhou até a cama e abriu os braços recebendo a pequena criatura. Enlaçou-a com carinho, sentindo o peso da cabecinha sobre o peito. Levantou a mão e continuou afagar os cabelos curtinhos cor de mel. Logo ouviu a respiração tranquila da criança e sorriu. Beijou-lhe a fronte. 'Boa noite.' Desejou. Reparou que a menina ainda tinha o lenço de Syaoran nas mãos e sorriu. Finalmente fechou os olhos para dormir. Seu último pensamento foi uma indagação de como Li estaria agindo com ele próprio mais novo.


O menino virou a chave na porta do apartamento e a empurrou. Já era tarde da noite e, com a confusão, acabou esquecendo de avisar Wei onde estava. Como havia previsto o senhor estava sentado de roupão no sofá, cochilando. Ele se aproximou do homem e o cutucou de leve. 'Wei?'

O pobre homem acordou com um susto. 'Hã?! Jovem Syaoran?'

'Desculpe-me, eu esqueci de avisar que estava na casa da Sakura.'

Wei olhou com carinho para aquele que considerava como um filho. 'Tudo bem. Que bom que está se dando tão bem com a senhorita Kinomoto.' O senhor arregalou os olhos, reparando no curativo na testa do menino. 'O que foi isso? Onde se machucou?' Perguntou preocupado afastando a franja e observando o curativo.

'Está tudo bem, Wei. Não se preocupe, por favor.' Ele falou com gentileza e voltou-se para trás. Li entrou no apartamento e ficou perto da porta, observando os dois. 'Hã... eu trouxe uma pessoa para ficar aqui.'

O senhor desviou os olhos do menino e observou o rapaz que estava perto da entrada do apartamento. Ele se levantou sem tirar os olhos dele numa mistura de fascinação e orgulho. Caminhou lentamente até o rapaz e, com lágrimas nos olhos, abraçou-o. Li lutava para não chorar. Era um guerreiro, não um menininho, mas receber o abraço daquele que considerava como o pai que nunca teve e que, infelizmente, o deixou havia bastante tempo era uma sensação sublime. Não queria admitir, mas desde que tinha chegado do futuro seus planos sempre foram visitar o senhor.

'Deus me deu a oportunidade de vê-lo agora.'

'Não sabe o quanto me faz falta, Wei.' Sussurrou ainda abraçado ao senhor como se não quisesse soltá-lo mais.

'Não sabe como me faz feliz ver o homem que se tornou.'

O menino observou a tudo em silêncio. Pela primeira vez desde que cravou os olhos na sua versão mais velha conseguia vê-lo com uma expressão feliz e emocionada. Wei se afastou do rapaz, mas ainda tinha suas mãos segurando os dois braços fortes dele.

'Olha só como o meu menino ficou?'

'Pare com isso, Wei.' Syaoran ficou encabulado.

O senhor ainda não tinha dito tudo. Voltou-se para o menino sorrindo. 'Viu como eu lhe falei que se fizesse todos os seus exercícios ficaria um guerreiro forte e poderoso, jovem Syaoran?'

'Acho que sim.' A criança respondeu sem jeito. Custava um pouco a crer que o rapaz, a quem, de certa forma, estava admirando, era realmente ele.

Wei franziu a testa ao observar com atenção o curativo por baixo da camisa do rapaz. 'Em que andou se metendo, meu filho?'

Syaoran levou uma das mãos até o ferimento. 'Não vim a passeio, Wei. Sabe que se estou aqui é porque tenho um motivo muito forte.'

'Um inimigo?'

Syaoran confirmou. 'Veio tentar me matar mais novo. Vim atrás dele.'

'Matar?' O senhor mostrou-se assustado. Voltou-se para o menino com o olhar preocupado. 'Está tudo bem, jovem Syaoran?'

O menino respondeu que sim.

'Melhor conversarmos em outra hora, não?' Li recomendou.

O senhor concordou com a cabeça. 'Vou preparar alguma coisa para comermos.' Falou afastando-se do rapaz e informando que depois queria dar uma olhada nos ferimentos dos dois para ver se precisavam de novos curativos. Logo estava cantarolando na cozinha.

Syaoran soltou o ar de forma vagarosa. Sabia que agora vinha uma enxurrada de perguntas às quais não poderia nem queria responder. Estava cansado, exausto. Caminhou até o sofá e sentou-se jogando a cabeça para trás apoiando-a no encosto. Fechou os olhos. Conhecia-se bem para saber que o garoto não ia sossegar até ter, pelo menos, parte das respostas. 'O que quer perguntar?'

O menino arregalou os olhos de leve. 'Como soube que...'

'Que você tá querendo me perguntar alguma coisa desde que saímos da casa da Sakura?' Divertiu-se enquanto colocava as pernas apoiadas na mesinha de centro para relaxar um pouco antes de comer.

'Isso.'

'Oras, eu sou você. Sei como reagiria se estivesse me vendo na minha idade.'

'Então me responda...'

'Você deve saber também que eu não vou contar nada que ache que irá interferir nas suas decisões.' Interrompeu o garoto.

'Não tem esse direito, eu quero saber do meu futuro e se você está aqui, deve me responder.'

O jovem encarou o menino e franziu a testa constatando que era realmente bem arrogante. 'Sakura tem razão, às vezes eu sou um idiota. É claro que não tem este direito, se eu falar o que você deve fazer nesta ou naquela situação, nunca irá aprender nada.'

O garoto caminhou até ele parando à sua frente com os olhos em chamas. 'Então você sabe o que está por atrás destes acontecimentos estranhos que estão ocorrendo em Tomoeda?' Perguntou. Li sabia que o garoto se referia à intervenção de Clow para que Sakura transformasse as cartas.

'Eu sei, mas não vou contar. Precisa conseguir as coisas por si só e não com a ajuda dos outros. Como acha que eu consegui chegar ao nível de magia que tenho hoje? Não tem ideia do que tive que passar para isso.' Falou sem querer, arrependeu-se na hora do que tinha dito. Abaixou as pernas irritado e levantou do sofá.

O menino foi até ele, parando a sua frente e impedindo que se afastasse. 'Você fez o treinamento?'

'Você já sabe a resposta.'

'Eu não sei se vou dar conta.' Falou com sinceridade.

'Pois eu sei.'

'É muito difícil e pesado, muitos não aguentam por muito tempo.'

'Acha que não vai dar conta? Tem certeza disto?' Perguntou erguendo uma sobrancelha.

O menino engoliu em seco. 'São 5 anos.'

'São.'

'É muito tempo para ficar longe dela.' O menino falou encarando o rapaz a sua frente. Syaoran lembrava claramente da confusão que estava na sua cabeça nesta época. Repousou uma mão no ombro do menino e tentou sorrir.

'Você vai saber o que fazer.' Respondeu por fim, afastando-se dele. Wei apareceu na porta da cozinha, chamando-os para comerem alguma coisa e foi prontamente atendido pelos dois Syaorans.

O rapaz repetiu o jantar umas três vezes sob o olhar assustado do menino e satisfeito de Wei. Estava morrendo de fome e havia muito tempo que não saboreava uma comida tão boa quanto a do velho senhor.

O menino entrou no seu quarto, deixou a esfera negra em cima da escrivaninha e olhou para o urso que tinha feito. Ainda não tivera coragem de entregá-lo para Sakura. Pegou-o entre as mãos, várias imagens da menina vieram a sua mente e, por último, a visão dela mais velha. Sorriu lembrando-se do abraço gostoso que ela lhe deu. Tinha sido carinhoso demais. Franziu a testa pensando que era um tonto. Jogou o urso no chão com raiva de si mesmo por ser tão covarde em não conseguir se declarar para a menina. O jovem entrou no quarto assustando o garoto.

'Eu tive uma ideia!' Li falou com entusiasmo. 'Talvez, se eu modificar um pouco o tabuleiro, poderemos usá-lo para...' Tropeçou no urso caído no chão. 'Hã… eu não me lembro de ser relaxado.' Falou irritado e voltou-se para o objeto em que tinha tropeçado. Reconheceu o urso que tinha feito. Abaixou-se e pegou o boneco, examinando-o. Estava bem feito. Surpreendeu-se, constatando que tinha jeito para trabalhos manuais. Sorriu de leve, lembrando-se do velho urso que nos últimos dias enfeitava a cama da jovem no dormitório da faculdade. Era surpreendente que tivesse durado tanto. O cachecol que ela tinha lhe feito com tanto carinho foi queimado pela família assim que chegara em Hong Kong. Foi um dos momentos mais penosos para ele. Engoliu o bolo que se formava na garganta. Tirou os olhos do boneco e fitou o menino a sua frente. Ele sofreria ainda um bocado e, agora, vendo-se, constatou que realmente era uma só criança quando entrou no inferno. 'Isso não é para estar no chão.'

'Não fica bem um urso no quarto de um homem.'

'Você não o fez para colocá-lo no seu quarto.'

O garoto novamente cravou seus olhos nos de Li. Perguntou o que queria desde que tinham saído da casa de Sakura. 'Você gosta dela?'

'Está querendo saber se vai conseguir esquecê-la?'

'Não me responda com outra pergunta.' Falou irritado. 'Sim ou não?!'

O jovem caminhou pelo quarto e colocou o urso na mesa do garoto. 'Não é esta a pergunta certa e não é a mim que deve fazê-la.'

'Ela gosta do Yukito e ele acabou de rejeitá-la, não posso declarar meus sentimentos agora.'

'Você vai saber a hora certa.'

'Apenas responda se eu vou conseguir.' Insistiu.

'Você é quem deve responder isso. Você conseguirá?' Sabia que estava sendo escorregadio e se sentiu um psicólogo barato, mas não era certo responder àquelas perguntas e ajudá-lo a esclarecer o que estava dentro dele. Ele era o resultado de tudo pelo que passou, bom ou ruim. A decisão tinha que ser dele e não ser cantada por outra pessoa, mesmo que esta pessoa fosse ele mais velho. Sacudiu um pouco a cabeça pensando que as coisas estavam ficando um pouco mais confusas do que poderia imaginar.

'Eu vou.' Ouviu a resposta que diria. 'Não sei qual vai ser a resposta dela, mas eu vou dizer o que eu sinto e, se ela não gostar de mim, não tem problema. O importante é que eu não posso mais fugir disso.'

'Agora sim eu estou me reconhecendo.' Ficaram um tempo em um silêncio incômodo, até que o rapaz lembrou do que tinha ido fazer no quarto. 'Ah! Onde está o Rashinban? Vou dar uma olhada nele e ver se eu consigo modificá-lo.'

O menino pegou o tabuleiro de dentro do baú e entregou ao rapaz que admirou a peça com gosto e saudades; tinha sido herança do pai.

'Boa Noite.' Desejou à criança ainda admirando a peça e tentando se lembrar como poderia mudar a magia do objeto mágico.

'Hei... não terminei!' A criança falou. 'Você tem... Quer dizer... Esquece. Você não vai me responder mesmo.'

'Sim, eu tenho uma garota. Mas não vou falar mais nada.' Respondeu, sabendo o que ele perguntaria.

O menino arregalou os olhos assustados. 'Já sei, é uma daquelas noivas que os anciões querem escolher para mim.'

'Quem escolhe minha namorada sou eu, não eles.' O jovem falou com voz assertiva antes de fechar a porta do quarto, informando que o diálogo sobre o futuro terminava ali.

O menino ainda ficou observando a porta fechada enquanto ouvia o rapaz se afastar para a sala. Olhou para o urso que estava agora na escrivaninha e sorriu. Pensou que a garota a quem ele tinha se referido não deveria ser Sakura ou será que era? Sorriu pensando que eles tinham viajado juntos para o passado, então, bem ou mal, estavam ainda em contato. Balançou a cabeça de leve, estava também exausto. Por fim se jogou de costas sobre a cama olhando o teto. 'Ela continua na minha vida.' Concluiu feliz.


O menino Syaoran acordou com um barulho estranho na sala, pensou que talvez os inimigos houvessem invadido sua casa. Pegou a esfera negra e materializou sua espada. Abriu a porta devagar e observou o corredor vazio. Pé ante pé caminhou até a sala. Espiou, esperando o pior, quando viu um rapaz se exercitando.

'Bom dia.' A voz do rapaz o assustou. Observou-o fazendo movimentos com a espada em punho. Ergueu uma sobrancelha fitando o relógio da sala, era muito cedo.

'Sempre acorda tão cedo?'

'Eu até dormi muito. Na maioria das vezes, a esta hora, já estou treinando no bosque.' Ele tentou fazer um movimento e sentiu uma fisgada no ombro. Aquilo estava doendo.

'O bosque de Tomoeda?' Ouviu o garoto perguntar enquanto se sentava no sofá para observá-lo.

'Qual mais seria?' Perguntou sem dar importância. Tentou novamente fazer o movimento e levou a mão livre ao machucado. Trocou a espada de mão. Era melhor treinar alguns golpes com a outra para tentar poupar a ferida.

'Realmente parece ser um bom lugar.' A criança ponderou.

'Aqui não tem muito espaço para treinar alguns golpes, imagina num dormitório.' Falou prestando atenção no movimento com o braço esquerdo; não era canhoto, apesar de treinar sempre com as duas mãos já prevendo situações como esta em que um dos membros estivesse impossibilitado. 'Droga...' deixou escapar depois de uma fisgada na ferida. Respirou fundo e voltou a endireitar o corpo para tentar novamente.

'Está doendo muito, não?'

'Não tanto.' Fez pouco caso.

'Eu vi que você hesitou em atacá-los. Não deveria.' O garoto falou, fazendo o guerreiro parar novamente o movimento e fitá-lo de forma profunda.

'Do que está falando?'

O menino pulou do sofá e caminhou até o rapaz parando em frente a ele. 'Se eles são uma ameaça à Sakura, você tem que acabar com eles. Entendeu?'

Li franziu a testa. 'Acabar?'

'Exatamente.'

Ficaram em silêncio apenas se encarando.

Li respirou fundo ainda observando a si mesmo mais jovem. 'Sabe, as coisas não vão ser fáceis.' Não queria falar do futuro para ele, mas, ver-se naquela idade, sabendo de tudo pelo que passaria tornava as coisas mais difíceis.

'Eu imagino que não…' O menino falou. 'Os anciões… estou enrolando-os demais.'

Syaoran confirmou com a cabeça e engoliu em seco. 'Você é mais forte do que acredita.'

'Eu sou teimoso.'

O rapaz sorriu. 'Também. Muito.'

'Não os quero se metendo na minha vida.'

'Eu sei.'

Voltaram a ficar em silêncio. Wei apareceu na sala. 'Jovem Syaoran! Acordado a esta hora!' Os dois quebraram o contato visual e fitaram o senhor. 'Vou preparar o desjejum para nós.'

Comeram o café da manhã e o menino foi se arrumar para a escola, deixando os dois adultos sozinhos. Ontem à noite eles haviam conversado por muitas e muitas horas. Não tinha conseguido entender tudo que falavam, mas ouvia o murmurinho do seu quarto. Em poucos minutos apareceu de uniforme e com a mochila nas costas.

'Eu já vou indo.'

'Levo você até a escola.' O jovem falou, levantando-se e caminhando até uma mesinha para pegar o Rashinban. Vestiu uma jaqueta que Wei havia lhe emprestado e o colocou dentro dela.

'Não precisa. Além disso, o que vou dizer aos outros?'

'Sei lá, diga que...' Nada vinha a cabeça do rapaz que calçava o tênis na entrada do apartamento para acompanhar o menino.

'É um primo, ou melhor, tio seu, jovem Syaoran.' Wei ajudou no que podia

'Pode ser.' O rapaz falou terminando de amarrar os tênis.

'Boa ideia, Wei. Vamos, Tio Chan?'

'Tio Chan? Não podia inventar um nome melhor, talvez...'

'Depois a gente decide isso. Vamos que eu já estou atrasado.' O menino falou já abrindo a porta e encarando-o. 'Estou atrasado, entendeu?' Insistiu. Li sorriu pensando que ele era realmente muito atrevido quando criança.

Os dois caminhavam conversando. O menino estava gostando da companhia de si mesmo mais velho, falavam sobre magia e lutas. De vez em quando o menino tentava tirar alguma informação do futuro, mas não conseguia muito. Depois que se mudou para Tomoeda, sua única companhia era Wei, e por algum tempo Meilyn, mas mesmo assim nunca conversou sobre estes assuntos com os dois. Pararam em frente ao portão da escola de Tomoeda.

Tomoyo logo caminhou ao encontro deles. 'Bom dia, Li.' Cumprimentou o garoto, mas tinha os olhos fixos no rapaz ao seu lado. 'É seu primo?'

'Bom dia, Daidouji. Não, meu tio. Tio Chan.' Apresentou. Li não conseguiu evitar uma careta ao ouvir o nome que havia recebido. O garoto tinha feito isso para sacaneá-lo.

'Prazer, senhor Li.' A menina cumprimentou, mas não tinha engolido aquela explicação. 'O senhor é muito, muito parecido com o seu sobrinho, não?'

Li franziu a testa, observando a menina. Tomoyo realmente era muito observadora. 'Acho que sim.' Fez-se de desentendido. Estava olhando para os lados procurando a namorada e a menina. Estava preocupado.

'Ela sempre se atrasa.' Ouviu a voz de Tomoyo e voltou a fitá-la, perguntando-se se ela já tinha sacado quem era realmente. Ele abriu a boca para perguntar de quem a menina estava falando quando dois furacões passaram por eles.

'Pronto, chegamos a tempo.' Sakura falou apoiando as mãos nos joelhos para respirar.

A menina nem conseguia falar nada de tanto que tinha corrido, ou melhor, praticamente voado da sua casa até a escola. O sinal tocou informando que os alunos deveriam entrar em suas salas. Tomoyo ignorou o sinal e caminhou até a jovem que agora estava em pé ao lado do "Tio Chan". Observou a troca de sorrisos entre os dois. 'E você quem é?'

A Sakura menina ficou toda enrolada sem saber o que dizer.

'Sou prima dela.' A jovem respondeu .

'Ah, então é minha prima também.' A esperta menina rebateu. 'Mas não lembro de você.'

'Sou da parte de Fujitaka Kinomoto.' Sakura ainda insistiu.

'E se parecendo tanto assim com minha prima Nadeshiko?' A menina não perdoou. Ela fitava as duas crianças a sua frente e depois os dois jovens. Estava na cara. Abriu um sorriso emocionado. 'Você ficou linda, Sakura!' As duas Sakuras ficaram sem graça e nem se deram ao trabalho de tentar manter a história. 'Pena que eu não trouxe a minha câmera.' Falou procurando por alguma coisa que pudesse substituir. Já estava tirando o celular da bolsa quando a jovem segurou seu ombro chamando sua atenção.

'É melhor não, Tomoyo.' Falou com delicadeza para não ferir os sentimentos da prima querida. 'Não deveríamos estar aqui.' Explicou e percebeu que ela tinha entendido. O sinal tocou novamente e o portão já estava fechando. 'Melhor se apressarem.' Alertou e viu os três correrem adentrando a escola.

Assim que o portão se fechou e as crianças saíram de vista, Sakura e Li se encararam de forma profunda. Ele deu um passo a frente e levantou o braço tocando de leve a face da jovem. Ela fechou os olhos adorando sentir a mão dele no seu rosto. Logo sentiu os lábios dele nos seus. Ele foi rápido, pois sabia que estavam se arriscando, mas desde ontem estava com vontade de beijar a namorada.

Ela o abraçou com carinho. 'Como está seu ferimento?'

'Wei trocou o curativo e estou tomando o remédio direito. Logo ficará bom.' Falou passando a mão nas costas da namorada e apoiando seu queixo no topo da cabeça dela. 'Estava preocupado com você.'

'Eu também.' Ela respondeu ouvindo as batidas do coração do rapaz. Apertou mais forte seus braços em torno da cintura dele. Sabia que não conseguiria mais viver sem ele na sua vida.

O rapaz sentiu a presença de Clow, levantou os olhos e viu Eriol ainda menino observando-os pela janela. Fez um gesto com a cabeça que foi prontamente respondido pelo garoto. Pensou que realmente o mago era uma caixinha de indiferença. Se fosse ele, já estaria ali questionando tudo, como o menino Syaoran fez durante a noite passada e a manhã inteira. Eriol, não. Ele não agia assim, ele era mais sutil e bem menos direto. Afastou-se da namorada mesmo que não quisesse fazê-lo. Era fácil de deduzir que, se viu Eriol pela janela, aquela era a a sala de aula dos outros. Era melhor que não os vissem namorando. Naquele tempo, ainda não tinha se declarado.


As crianças entraram na sala de aula quase colocando o coração para fora.

'Bom dia, Eriol.' Sakura cumprimentou o amigo caminhando em direção a sua carteira.

'Bom dia, Sakura, Tomoyo, Li.'

Li passou por ele e disse um bom dia quase inaudível, depositou sua mochila na carteira e já começou a tirar o material para a aula.

Tomoyo caminhou até o amigo. 'O que observava com tanto interesse?'

Eriol abriu um sorriso enigmático próprio dele e virou-se para a colega de classe. 'Um lindo casal de namorados se beijando.'

'Ai, ai, ai... Que lindo! Onde?' Sakura falou já olhando pela janela. O professor ainda não tinha chegado e a curiosidade foi maior.

'Eu também quero ver.' Naoko falou também se levantando de sua carteira e parando ao lado dos amigos. Chiharu também se juntou ao grupo que olhava pela janela em busca do casal enamorado.

Eriol soltou um suspiro. 'Pena que já foram.'

'Você e este seu "ai, ai, ai" bobo , Sakura'. Li resmungou bem contrariado.

'Não seja ranzinza, Li. As garotas são assim mesmo.' Eriol defendeu as amigas.

'As garotas são umas tolas, nunca se sabe como agir com elas.' Falou mais para si do que para o colega de classe.

'Não diga isso.' Tomoyo interveio.

'É, acho que eles já foram embora.' Sakura falou ainda observando através da janela. 'Lá embaixo só estou vendo a...' Ela olhou para Eriol, que sorria enigmaticamente. 'Minha prima e...' A frase morreu, não sabia o que falar sobre a versão mais velha de Syaoran.

Li finalmente olhou pela janela e viu o casal do futuro. O garoto explodiu de vermelho enquanto Eriol o observava e sorria.

'Que lindo!' Naoko exclamou observando o rapaz.

'Você acha?' Sakura comentou meio encabulada. A menina tinha pensado a mesma coisa ontem à tarde quando o conheceu, ou melhor, quando encontrou a versão mais velha do amigo.

'Claro. E você, Chiharu?'

'Nossa! Ele realmente é lindo; a moça também é muito bonita, parece uma princesa. Não eram eles os namorados, Eriol?'

O menino, ainda com o sorriso nos lábios, tirou os olhos de Li e observou o grupo de meninas assanhadas. 'Não. É uma pena, não é?'

Syaoran sentiu que era mentira e que o garoto estava se referindo a eles mesmo. "Ele disse se beijando?" Pensou olhando para os dois lá embaixo.

Naoko voltou-se para Sakura. 'Aquele rapaz é o namorado da sua prima?!'

'Hã...' Sakura sentiu as bochechas esquentarem. 'Não...'

'Tem certeza?' Chiharu perguntou ainda olhando o casal lá em baixo. 'Ele é um gato! Sua prima vai ser uma boba se deixá-lo escapar.'

Sakura coçava a cabeça mais sem jeito ainda. 'Ah, ela é minha prima distante...' Tentou falar.

'Ah! Então você não sabe se ele é o namorado dela ou não?' Naoko perguntou olhando para a amiga e depois voltou-se para o casal. 'Aposto que eles são namorados.'

Yamazaki aproximou-se para ver o que as meninas tanto olhavam pela janela. 'O que vocês estão vendo?'

'A prima da Sakura que está lá embaixo com um rapaz. A gente acha que é namorado dela.' Chiharu esclareceu.

Yamazaki espiou pela janela. Apertou mais ainda os olhos e depois voltou-se para Sakura, desviando os olhos para o menino que estava atrás dela. 'Hei, ele não parece o Li?'

Syaoran teve vontade de se esconder debaixo da carteira. Bateu a mão no rosto e balançou a cabeça de leve. Isso só poderia ser sacanagem.

Tomoyo sorriu. 'Ele é o tio do Li.' Pronto o garoto agora simplesmente queria sumir.

'A sua prima namora o tio do Li, Sakura?' Naoko falou com os olhos brilhantes.

Sakura explodiu de vermelha. 'Não... não...' Falou balançando as mãos a frente do corpo.

O professor Terada chegou cumprimentando a todos que se afastaram da janela para acomodarem-se em suas respectivas mesas.

Syaoran se sentou e abaixou a cabeça nos braços tentando controlar a vergonha que ainda sentia.

'Hei Syaoran.' Ele ouviu Sakura lhe chamar e levantou o rosto, deparando-se com os maravilhosos olhos verdes fitando-o, tão próximos que os narizes quase se tocavam.

'Sabe, eu estava pensando se você gostaria de ir ao festival no templo Tsukimine comigo...' A menina falou devagar.

O garoto engoliu em seco. Coçou a cabeça, mostrando que estava bem nervoso. 'Eu não sei... Tá tudo muito enrolado agora.'

'Mas é só no domingo que vem e a Sa... Quer dizer, ela...' falou referindo-se a falsa prima. '...me garantiu que estaria tudo resolvido até lá.'

'Então tá.'

'Então é uma promessa.' Ela falou mostrando o dedo mindinho

Syaoran enlaçou seu dedo mindinho no dela. 'É uma promessa.'

Tomoyo e Eriol sorriram.


'Vamos?' Pediu Syaoran empurrando de leve a namorada para se afastar da vista das crianças extremamente curiosas, na opinião dele. Sakura acompanhou sem grande resistência. Caminharam um ao lado do outro em silêncio. Pararam perto da escola, não queriam ficar longe das crianças. Takeda e Mirena logo atacariam. 'Hiiraguizawa nos viu. Só espero que não fale nenhuma besteira.'

Sakura sorriu de lado. 'Não se preocupe. Eriol não é de falar as coisas de forma clara.'

'Acho que tem razão.' Respirou fundo e fitou a namorada. 'Você está bem?'

'Não.' Foi a resposta sincera dela. 'E você sabe por quê?'

'Já discutimos isso.'

'Não discutimos. Você decidiu o que era o melhor e pronto. Como sempre.'

Syaoran ficou incomodado com a colocação dela. Ele sempre pensava no que era o certo a se fazer, não no que ele gostaria de fazer. Ficaram em silêncio. 'E o que você acha que é o certo a se fazer?' Perguntou encarando a ruiva profundamente.

'Eu não sei.'

'Ótimo. Então fazemos o que combinamos. Não falamos nada para eles.'

Sakura teve vontade de socar a cara do namorado com aquela conclusão. Será que ele não tinha ideia do que ela sofreu quando ele simplesmente desapareceu da face da Terra, por cinco anos, sem nem enviar um sinal de fumaça. 'Eu sofri muito quando você desapareceu por cinco anos, Syaoran.'

Li engoliu em seco. Também tinha sofrido e muito. Não só pela separação, como fisicamente. Foram um verdadeiro inferno aqueles cinco anos. Mas era necessário fazê-lo. 'Tinha que ser feito. Já te expliquei.'

Ela tentou sorrir de forma debochada, mas nem isso conseguiu. 'Claro... pelo Clã.'

'Não. Por mim.' Respondeu.

'Certo.' Ela sussurrou incomodada com a réplica dele. 'Sabe, agora que estamos juntos e eu não sou mais uma menina tola, se você decidir voltar para a China, eu juro que te tranco com Cadeado.' Ameaçou encarando-o. Li ergueu uma sobrancelha, mostrando-se incrédulo. Ela caminhou até ele, parando a sua frente, com o rosto a milímetros do dele. 'Não duvide.' Sussurrou de forma perigosa. Depois afastou-se do rapaz sorrindo para tentar dissipar o clima. Já tinha dado o recado que queria. 'E como foi sua estadia com o menino?' Perguntou faceira mudando totalmente tanto o tom de voz quanto o rosto.

Li precisou de alguns segundos, surpreso, primeiro com a ameaça e depois com aquela súbita mudança tanto de assunto quanto de humor da namorada. Semicerrou os olhos fitando-a e percebendo que, realmente, comparar a menina que acabaram de deixar na escola e a bela moça a sua frente era algo bem interessante. 'Foi tudo tranquilo. E contigo? Touya?'

'Também foi tudo bem.' Ela respondeu por fim. 'Touya é um irmão maravilhoso.' Falou sinceramente.

Syaoran retrucaria que o achava possessivo demais, mas depois da leve ameaça de Sakura a sua pessoa alguns minutos atrás pensou que talvez fosse questão mesmo de DNA.

O Rashinban que estava dentro do seu casaco começou a tremer. Ele pegou o tabuleiro mágico que brilhava intensamente. Sorriu de lado pensando que talvez sua ideia tivesse dado certo. 'As quatro direções dos poderes sagrados. Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas que dominam os cinco elementos mostrem-me com seus raios de luz os inimigos que vieram de outro tempo.'

Um raio saiu do tabuleiro em direção ao prédio onde as crianças estavam. Sakura observava a tudo com um misto de saudades e surpresa.

'Droga! Estão aqui. Vamos!' Ele falou, já começando a correr em direção a escola. Sakura foi atrás dele.

O casal chegou ao local olhando com temor o que acontecia. Crianças corriam por todos os lados, enquanto duas figuras se encontravam nos telhados emitindo raios destrutivos pelo prédio. E o que mais assustou a jovem: lá em cima estava o menino Syaoran tentando impedir Takeda.

'Realmente… eu sou muito teimoso!' Syaoran soltou, observando o menino enfrentar Takeda sozinho.

Continua.


Notas da Autora:

Mais um capitulo publicado! Estamos agora passando da metade da primeira instância de Feiticeiros. Muita coisa ainda está para acontecer! Espero que estejam gostando da história.

Obrigada a todos que estão acompanhando, mandando e-mails e reviews!

Até a próxima semana!

Beijos

Kath


Notas das Revisoras:

Yoru: Syaoran! Não! O que você está fazendo? Desce daí! Gente, garoto maluco... O que ele está tentando fazer? Morrer? Ave... que jeito de terminar o capítulo, viu... E que capítulo foi esse? Foi muito fofo! Só eu achei o pequeno Syaoran petulante enquanto conversava com seu Eu mais velho? Hehe... Ele não tem um pingo de respeito com ele mesmo... até trolou o Li, dizendo que o nome dele era Tio Chan, mesmo sabendo que o rapaz não tinha gostado daquele nome. Que pestinha esse menino... Já a Sakura parecia reverente com sua versão futura. Curiosa essa diferença. Ai, gente, a Sakurinha ainda está sofrendo por conta de ter seus sentimentos por Yukito rejeitados. Que tristeza. Não fique assim, Sakura. O seu verdadeiro amor está mais perto do que você imagina. Ele sempre esteve bem ao seu lado. Posso só imaginar como a Sakura deve estar se sentindo, não podendo contar nada pra si mesma. Mas concordo com essa atitude. Você é a soma de suas experiências, não dá pra mexer com o tempo. Ansiosíssima para ver como essa batalha vai terminar. Espero que não machuquem o menino.

Ja, nee.

Rô: Aiaiai... Parodiando Sakura... Eu fico tão confusa com esse capítulo... Sakura menina, Sakura quase adulta... Dois Syaorans fofos, essa é a melhor parte...

Depois de ver Flash (comentei até com a Kath) acho que os dois jovens adultos (eu sei, isso não existe) abriram muito sobre o futuro para as duas jovens crianças (também sei que não existe), tudo pode ser alterado no futuro, até mesmo o que os dois SeS já vivenciaram... E eles teriam lembranças? O Flash tem… kkkkk... É muito complicado escrever sobre passado, presente e futuro...

Mas cadê os vilões? Eu doida para ver Syaoran dar a maior surra neles e mandá-los para o futuro em pedacinhos... ou pó... sem problemas.

Apesar de ter me dado um tilti revisando, o capítulo ficou muito bom... Acho que vou tomar uma aspirina.

Bjs e até o próximo