Cap. 10- Laços


Samara havia acabado de ir para seu quarto ano. Suas férias haviam sido agradáveis na medida do possível. Sua mãe parecia cada vez mais distante do mundo embora tivesse arrumado um emprego trouxa que mantinha com muito esforço. Sam queria ajudar mas não havia como no pouco tempo que tinha fora de Hogwarts.

Severo, seu querido irmão estava mais afastado dela. Trocava muitas cartas com seus colegas de Hogwarts, por que Sam se recusava a chamar aquelas pessoas de amigos, Malfoy, Mulciber e Avery. Estava fascinado pelas últimas edições do Profeta Diário e vivia recordando artigos que lhe chamavam a atenção. Sam havia parado para ler um deles uma vez, falava de uma morte misteriosa de um nascido trouxa que estava sendo relacionada com outras series de mortes de trouxas ou mestiços que estavam acontecendo. A menina não havia gostado.

Os irmãos Snape sempre haviam sido unidos. Era estranho para ela que agora Severo tivesse segredos.

Claro, a bruxa suspeitava que estivesse relacionado com os acontecimentos do último ano.

A trégua que Sirius havia prometido depois dos desagradáveis ocorridos, causados por este mesmo, tinha dado mais certo do que ambos esperavam. Parecia que Samava e Sirius haviam cansado de brigar e estavam interessados em manter a paz. O que surpreendeu à todos, principalmente Sam, que havia descoberto afinal, que a companhia daquele insuportável grupo do Potter, não era afinal, tão insuportável. Principalmente Remo.

Por isso mesmo Samara estranhou tanto o convite de Régulos Black durante as férias para visitá-lo em sua casa.

O bruxo havia insistido várias vezes durante o mês para que a amiga fosse lá e, devido a seu afastamento de Severo, Sam achou melhor ir. Estava sufocada naquela casa.

Assim, uma semana antes do fim das férias a bruxinha se arrumou da melhor forma que pôde para conhecer a tão famosa mansão da família Black. Será que Sirius estaria lá? Será que gostaria da presença dela?

- Sam! Que bom que veio!

Régulo a recebeu com um grande sorriso, porém muito mais contido do que era de costume. Logo atrás dele Sam pode ver os atentos olhos da que deveria ser a Senhora Black, estavam pregados nos dois jovens.

- Bom, você insistiu tanto não foi? E estava realmente com saudades. - Falou a bruxinha sorrindo.

A mansão Black era belíssima. Um grande hall na entrada que dava logo para a enorme sala de estar, toda acarpetada e decorada com tons escuros, em sua maioria verde. Mobília brilhante e ostensiva. Quadros dos membros importantes da família por toda à parte. O dinheiro gritava naquela casa. Era inteira decorada para mostrar o poder da família e intimidar os visitantes. Sam achou que funcionava bem.

- Muito prazer senhora Black. - Disse Sam estendendo a mão para cumprimentar a bruxa- Escuto só coisas boas da senhora. - Completou. Era uma mentira deslavada.

- Aposto que sim. Minha família não dá motivos para queixas. Sente-se srta Snape.

Samara não pode deixar de notar um tom desagradável ao pronunciar seu sobrenome. Seu filho parecia tenso.

- Então, meu filho tem me falado coisas boas da srta também. Disse que é uma aluna aplicada e gananciosa. Valores que eu prezo muito.

- Obrigada senhora Black- Disse a menina sem saber se realmente deveria agradecer.

- Conheço sua família. Muito mais a história dela do que a família em si.

Sam não gostou do rumo daquela conversa. Régulo se mexeu incomodado em seu banco.

- Sua família quase sempre teve uma história de muita tradição e respeito. É uma pena que nem todos os filhos tenham seguido essa linha.

A pequena Snape corou.

- Sua mãe, coitada, fez péssimas escolhas, mas, parece que se deu conta disso afinal, não é? Infelizmente é tarde para ela voltar ao mundo mágico. Não seria bem aceita na sociedade e ela sabe disso, no entanto, não culpo você, querida.

A menina se surpreendeu com a súbita alteração no tom de voz da mãe dos irmãos Black.

- Sei muito bem que nem toda carne puxa o sangue bom da família, alguns parecem que nasceram simplesmente para criar a desonra e discórdia.

Feliz pela oportunidade e mudar de assunto, Sam resolveu manifestar sua opinião:

- Sim, felizmente não é o caso da senhora, seus dois filhos devem ser motivo de muito orgulho.

Imediatamente a menina desejou não ter dito aquilo. Régulo se virou repentinamente para Sam e voltou um olhar assustado para a mãe que enrubesceu.

- Régulo é sem dúvidas motivo de orgulho para mim, no entanto não sei a que outro filho se refere, só tenho este.

- Mas...- Sam olhou sem entender e buscou apoio do amigo.

- Eu não lhe contei Samara, o Si...

- NÃO DIGA! – Gritou a senhora Black, repentinamente assustando os dois. – Meu outro filho está morto. Respeite isso por favor.

O coração de Samara parou de bater por um minuto.

- Desculpe, senhora Black, creio que não compreendi bem.

- Qual parte? - Falou a mulher, já com sinais de impaciência.

- Esperem - Régulo se meteu nesse momento- Mãe eu não expliquei a situação à ela. Sam, deixe eu lhe levar até meu quarto e lá conto tudo. Mãe, com licença.

Assim os dois seguiram para o quarto de Régulo aos olhares repreensivos da Senhora Black. Sam não olhava mais a decoração. As palavras da senhora Black martelavam na sua cabeça.

- Pronto- Falou Rég assim que chegou ao quarto e encostou a porta- Agora podemos conversar melhor. Desculpe por aquilo lá embaixo.

- O que houve com Sirius? - Falou a bruxa sem esperar o amigo se acomodar.

- Meu querido irmão fugiu de casa. Saiu batendo a porta dizendo que iria morar com a família que ele deveria ter nascido. - Falou Régulo sem entusiasmo.

Foi como tirar um peso das costas de Samara.

- Nossa, mas que susto sua mãe me deu. Achei que ele tivesse realmente morrido. - Falou a bruxa com a mão no peito, finalmente se sentando na poltrona indicada por Régulo.

- Eu não teria me preocupado. Seria melhor se ele morresse.

- Régulo! Não fale assim. Ruim ou não ele é seu irmão! Tudo bem eu desejar isso mas, você não.

- Não faça essa cara. Você sabe que nós não nos damos bem. Sei que ele também desejaria o mesmo pra mim.

Samara poderia jurar que ouviu um tom de tristeza na voz do amigo quando ele terminou a frase.

- Eu duvido. Sirius não é mau. Só é egoísta e idiota. - Concluiu a bruxa quase sorrindo ao final.

- Sirius sempre fez tudo que pôde para provocar e trazer desgosto à essa família. Quando ele voltou do primeiro ano chegou gritando em casa " Viva a Grifinória".

Sam não conseguiu segurar uma risada. Era mesmo a cara de Sirius.

- Olhe, embora essa sua súbita simpatia com aqueles garotos insuportáveis tenha chamado a atenção de toda a Sonserina no geral, eu não estava pensando em falar deles. - Régulo falou sem sorrir.

- Não sou amiga deles. Aconteceu uma coisa. Não dá pra explicar. Desculpe. Mas nós dois continuamos amigos, por isso vim aqui. Não quero perder sua amizade. Andamos nos afastando nos últimos tempos. Até Severo está estranho comigo. - Falou Samara, a tristeza clara na sua voz.

- Está acontecendo alguma coisa na Sonserina que eu ainda não descobri, mas irei. - Falou o menino. - Os alunos mais velhos andam misteriosos.

Sam se sentia muito feliz por finalmente poder falar daquele assunto e conseguir debater sobre o comportamento misterioso de alguns meninos.

Assim, o dia se passou rápido com os dois amigos conversando como há muito tempo não faziam.

Então, antes de anoitecer a senhora Black apareceu ao quarto para lembrar que já era tarde e a visita já deveria estar querendo ir embora. Sam, entendendo que estava sendo gentilmente expulsa, pegou suas coisas e se despediu de todos. O dia havia sido muito melhor do que ela esperava.

Passado a semana, mais uma vez os irmãos Snape arrumaram seus malões para voltar à Hogwarts. O clima entre eles no entanto, estava bem diferente.

- Escute,- Começou Severo para a irmã assim que os dois avistaram o Expresso de Hogwarts. - Tenho uns assuntos para tratar com o pessoal. Fique numa cabine que logo eu encontro você, Ok?

- O que você está aprontando Severo? O que está escondendo de mim? Desde quando temos segredos? - Falou Samara magoada.

- Segredos eu não sei, mas da sua lealdade eu comecei a desconfiar quando você resolveu ficar mais com aqueles idiotas amigos do Potter que com seus amigos da Sonserina.

Samara não teve oportunidade de se defender. Severo foi mais rápido que ela e se afastou logo indo em direção aos amigos.

- Sam?- Uma voz distante havia chamado despertando a bruxa de seu transe.

Olhando em volta Samara procurou Régulo, mas quem ela viu acenando alegremente para ela foi Remo Lupin.

O estômago da menina deu um aperto estranho.

- Olá Remo, como está? A lua cheia foi há poucos dias. - Falou a menina com um tom de preocupação.

- Oh, e você lembrou? - Disse o lobisomem sorrindo divertidamente para a amiga.

- Claro que sim. - Respondeu Sam, também sorrindo.- Depois de tudo que aconteceu é difícil esquecer. Nunca mais verei a lua cheia da mesma forma.

- Ah, e nem nós, garantimos à você! - Uma voz alegre veio de trás de Samara. Imediatamente ela reconheceu Tiago Potter.

- Com certeza, principalmente se o que estamos planejando der certo! - A voz de Sirius pode ser ouvida também.

- E o que vocês estão planejando? - Perguntou a bruxa curiosa.

Sam observou o tom de reprovação no rosto de Remo.

- Ah, mas é claro que você não ficará sabendo não é? Não é merecedora de tal. É uma Sonserina!

Samara pensou em responder a provocação de Sirius mas um fato que ela considerou mais importante lhe veio a cabeça primeiro.

- Você fugiu de casa? - Sam não conseguiu segurar o sorriso do rosto. Ela não iria admitir nunca, mas havia admirado Sirius enormemente por esse feito.

O Black sorriu orgulhoso de seu próprio feito e pareceu muito surpreso por Samara saber.

- Pois é, não aguentei mais aquela casa maldita. Mas como ficou sabendo?

- Eu fui visitar seu irmão nas férias. Sua mãe me fez pensar que você havia morrido.

Samara achou por um instante que Remo havia se mexido estranhamente ao seu lado, mas quando se voltou à ele, seu rosto estava impassível.

- Bom, não duvido que essa fosse mesmo a vontade de todos. - Disse Sirius sério, de repente.

- Vamos entrando no trem? Terminamos de conversar no caminho. - Falou Tiago parecendo querer mudar de assunto.

- Han, ok, vão indo eu...

- Porque, você não vai? – Perguntou Tiago se virando para ela.

Então foi quando a menina pesou todos os acontecimentos dos últimos tempos. Sentar com eles seria uma declaração direta contra toda a Sonserina, e seu irmão.

De repente pensar em Severo lhe deu raiva. Não era justo o tratamento que estava recebendo dele nos últimos tempos. Além disso, antigamente ele também costumava sentar com uma cera aluna ruiva da Grifinória. Outros tempos. Outro Severo.

- Sim, eu vou sim – Decidiu a menina surpreendendo Sirius e Remo.

- Olha só, - Começou Black- tem alguém aqui que está começando a fazer escolher certas.

Sam esperava que sim.

Toda a viagem foi tranquila. Pedro logo se juntou ao grupo e apesar do estranhamento de ver Sam por ali, não demorou a ficar a vontade para conversar, embora, ele não fosse muito de falar.

Samara olhava divertida para a cena. Todos já trajados com seus uniformes. Uma cor prata e verde da Sonserina se destacava das dourado e vermelhas da Grifinória. Remo sorriu para Sam percebendo seus pensamentos.

Então um outro brilho dourado chamou a atenção da bruxa.

- Por que esse pomo idiota na sua mão, Tiago?

- Ahh, você não ficou sabendo? Esse ano abrem vagas para apanhador no time de quadribol da Grifinória e, com certeza eu serei o escolhido. Fiz os testes ano passado e fui disparado melhor que todos os outros candidatos. - Falou Potter dando uma piscadinha para Sam, a arrogância embutida em cada tom de sua voz.

- Com certeza! - Concordou Pedro- Vi os testes. Tiago é o melhor.

- Viram? - Sorriu Tiago cheio de satisfação.

- A opinião de Pedro não conta, todo mundo sabe que ele aprova qualquer coisa que venha de vocês, por mais idiota que seja. Eu particularmente rezo pra que você não consiga, ficará mais insuportável do que já é.

Tiago e Pedro fecharam a cara. Sirius e Remo seguraram suas risadas.

De repente a porta da cabine se abriu e a cor vermelha invadiu de vez a cabine.

Lilian Evans havia acabado de entrar.

- Sam! Achei que fosse encontrar você aqui. Quis fazer isso antes que outros fizessem. Ah, olá pra vocês. - Acrescentou a ruiva sem muita importância para o resto da cabine.

- Quem está me procurando? Severo? - Perguntou Samara.

- Entre outros. Eles não querem deixar você em paz.

- Lily, porque não se junta a nós? - Convidou Tiago, o mais cordialmente que pôde.

- Obrigada, prefiro me manter afastada, só vim avisar a Sam, estou indo. - Falou Lily já se virando para sair.

- Espere! Vou com você! - Disse Sam se levantando.

- Ei! - Remo se levantou também e segurou a mão de Sam. Parecia que ela havia levado um choque. - Você não tem que ir se não quiser. Eles não mandam em você!

- Remo, você não tem idéia do que eles podem fazer por causa disso. Eu não quero mais brigas entre nós este ano, tudo está tão bem.

- Então você vai fugir igual uma covarde? - Falou Sirius sério.

- Igual você fez? Quem é você pra me falar em fugir? - Rebateu Samara sem conseguir se conter.

- Eu fugi pra ficar com as pessoas que me aceitam como sou! - Respondeu Sirius se levantando também, alterado. - Não me compare a você! Vá então! Se quer mesmo ficar com eles. Só não venha depois dando uma de nossa amiga.

Aquilo doeu em Sam.

- Por favor, não me peçam pra escolher entre vocês e meu irmã sempre foi meu único amigo e é praticamente toda a família que eu tenho. Sempre fomos só nós dois. Ele é quem mais importa pra mim nessa história. Desculpe. - Falou Samara se virando e finalmente soltando a mão de Remo, logo seguida por Lily que olhava tristemente para tudo.

- Ótimo, vá então. - Disse Sirius com desprezo.

E Samara foi. O calor da mão de Remo e a voz de Sirius ainda guardados em si.

Sam só implorava para que Severo fizesse sua escolha valer a pena. Doía muito.