Emma não conseguia esboçar nenhuma reação a não ser olhar para a forte luz dourada que saía do peito de Regina em direção ao corpo de Cora, que fora contida por uma espécie de força invisível e fora impossibilitada de se movimentar. Por mais que ela tentasse se esquivar mais enlaçada ela era pela mágica de sua própria filha. A magia branca conjurada por sua filha inconsciente era novidade até para Cora.

– O que está acontecendo aqui? – Cora furiosa sibilou entre dentes após várias tentativas de se livrar do ataque inesperado de Regina.

– Regina... – essa fora a tentativa desesperada de Emma chamar por Regina, mas sua voz lhe traíra saindo apenas num sussurro por causa do medo que tomava conta de si. Só a possibilidade de acontecer algo ruim com Regina enchia seu peito de um desespero sufocante. Ela queria que as coisas acontecessem de outra maneira e se ela pudesse voltar no tempo e tivesse afirmado que acreditava na inocência de Regina, talvez tudo acontecesse de uma forma diferente. Sem dor e tristeza. Principalmente, que Regina estivesse bem. – Eu sei que o nosso amor é mais forte que tudo. –uma única lágrima escorria por seu rosto enquanto Cora ria desdenhando do sofrimento da xerife.

– Emma... Emma... A salvadora! Será que você percebe que não há nada para fazer que mude esta situação? – esforçou-se a feiticeira para falar, a verdade era que o aperto da magia de Regina se tornava cada vez mais forte. – Nada muda o fato de que Regina está morta. Olhe sua palidez cadavérica. Em seu corpo não existe mais vida. O mais patético que a fraqueza de minha filha que lhe tirou sua vida. E sabe o que é...

– Não ouse mais falar uma palavra sobre Regina. – gritou Emma com uma força que ela não sabia que tinha. – De todas as pessoas do mundo você é a que menos tem direito de falar sobre Regina.

– Oh, agora que a xerife decidiu criar coragem para defender a mulher amada... – a feiticeira disse rangendo os dentes e em seus olhos tinha um brilho venenoso conseguindo arrancar de Emma um olhar de dor. – Já que até pouco atrás você estava a acusando de matar o grilo. Pensa que eu não sei o que aconteceu. Eu sei de tudo e tenho olhos em todos os lugares. Vi as lágrimas tolas que minha filha derramou por sua causa. – Cora apesar da força que fazia para se livrar das amarras de Regina ainda esboçava um sorriso de escárnio em seu rosto. – Tão original se fazer de corajosa sendo que nem ao menos foi capaz de fazer jus ao seu status de salvadora.


Mary Margareth andava de um lado para o outro segurando com força o telefone celular em sua mão trêmula. Não era a primeira e nem a segunda vez que ela tentava ligar para Emma e nada da loira atender ao telefone.

– Emma... Atende esse telefone. – a morena suplicava baixinho até que mais uma vez podia escutar o telefone de sua filha cair na caixa postal.

Sua intuição lhe gritava que algo estava errado. O silêncio em que a casa se encontrava também não ajudava em nada no desespero da morena. Até o barulho do vento parecia ter o poder de lhe enviar arrepios à espinha. O aperto em seu peito já lhe causava até certa dificuldade de respirar. Porém, apesar de todas essas emoções estarem prestes a transbordar ela precisava agir com calma.

Principalmente quando um adolescente esperto ficava sempre a espreita para captar qualquer coisa de errado que poderia estar acontecendo.

– Pelo menos Henry está dormindo. – pensou a morena consigo mesma, pois certamente seu neto estranharia toda sua inquietude, e Mary não iria saber explicar para ele tudo o que seu coração sentia.

Refletiu a professora ao olhar o corpo cansado de seu neto adormecido em sua cama. Ele, que quase não vinha dormindo direito por estar preocupado com Regina, foi vencido pelo cansaço. Henry tinha algumas características bem semelhantes ao de seu marido e ela tinha que redobrar toda sua atenção para que ele não fosse em direção ao perigo.

Aquele atentado ao qual Regina sofrera estava um tanto quanto esquisito. Tinha alguma coisa de errado naquela história... Ela só não sabia explicar o que era.

A morena fora despertada de seus conturbados devaneios por um som baixinho de choro. Olhou para Henry que choramingava em seu sono. Até dormindo ele não conseguia deixar de se preocupar com Regina. E havia sido assim desde que Archie morreu.

Henry falava para quem quisesse o ouvir que tinha certeza de que sua mãe era inocente. Que ela podia ter feito muita coisa de errado no passado, mas que daquela vez ela não tinha nada a ver com a morte do terapeuta. Ele afirmava que seu coração lhe dizia isso.

Com Emma era a mesma coisa. Ela tinha visto uma certeza no rosto de sua filha o quanto ela acreditava na inocência de Regina. Mary sentira que Emma ficara confusa ao ver as memórias de Pongo, mas ela não queria se meter na história. Deixaria que filha tomasse suas próprias decisões. Emma resolveu confrontar Regina e ela fugira. Depois de todo aquele incidente infeliz ela via em Emma um sentimento de consciência pesada. Como se ela percebesse tarde demais que havia cometido um erro.

E foi quando viu Regina desaparecer naquela nuvem de magia que Mary viu inocência em seus olhos. Não havia falado com ninguém sobre o assunto, mas ali ela percebeu que Regina era de fato inocente de tudo. Só que essa tarde tudo era diferente. Ela havia visto um brilho desconhecido no rosto de Regina. Um que ela nunca havia visto antes... E que beirava a indiferença. E Regina não agia de forma indiferente. Ela era emocional acima de qualquer outro sentimento que ela pudesse sentir.

Confusa... Era exatamente assim que sentia nesse exato momento. Sem saber o que pensar e muito menos como agir. Era como se estivesse com suas mãos e pernas atadas esperando o que aconteceria em seguida.

Ela lançou um olhar triste ao seu neto e caminhou até sua cama onde fez carinho nos cabelos castanhos de Henry e com o seu polegar delicadamente enxugou uma lágrima insistente que escorria pelo rosto do garoto. E ao mesmo tempo se deparava com a indecisão de acordar Henry ou deixá-lo dormir, mesmo tendo consciência que seu sono era inquieto.

Os olhos castanhos abriram subitamente e seu choro que antes era algo baixinho aumentou de intensidade. Mary puxou seu neto para si e o envolveu em um abraço com a intenção de reconfortá-lo.

– Henry, meu amor, é só um sonho. – dizia ela baixinho para o neto enquanto seu corpinho era sacudido pelos soluços causados por seu choro.

– Está acontecendo alguma coisa com minha mãe... Eu estou sentindo isso. – Henry disse tentando se esquivar do abraço de Mary. O desespero tomava conta de si.