Chichi começa a sentir-se estranha junto de Kakarotto, enquanto julgava que talvez fosse diferente dos demais...
Porém, uma vozinha em sua cabeça pede cautela, pois, era cedo demais.
Nisso, ele faz algo, que a surpreende, pois nenhum saiya-jin faria algo assim e diria tais palavras a um ser considerado inferior na visão deles.
OooOooOooOooO
No dia seguinte, ela acorda com um som de metal e ao abrir os olhos, vê que seu dono abria a porta e passa a temê-lo.
Ao ver o olhar de medo dela, suspira cansado, falando:
– Disse que não ia puni-la e não vou fazer isso. Já disse que gostei quando a vi derrubar aqueles dois bêbados e que gosto de lutar. Pode me olhar nos olhos, Chichi.
Percebe que se acalma, um pouco, embora procurasse manter uma distância considerável dele, que torna a falar, dessa vez em tom de pedido:
– Por favor, olhe nos meus olhos.
Ela arregala os olhos ao ouvir ,"por favor,". Nunca, em seus sonhos mais dementes, sonharia em ouvir tais palavras daquela raça de bárbaros e cruéis.
Hesitando inicialmente, ergue os olhos e se depara com um sorriso. Não de desafio, irônico ou malicioso. Apenas, um sorriso gentil que faz seu coração parar, enquanto fica boquiaberta.
Ele sorri ainda mais ao ver a estupefação dela e então, continuando com um tom gentil, fala:
– Precisamos ir a Central de Registro e as compras. Você precisa de roupas novas e irá escolhê-las. O que acha?
– Eu... Escolher? Como... Mesmo? Mas... - ela fica em uma perda de palavras, enquanto balbucia as poucas que saíam, pois, era outra surpresa que não esperava.
Mas, uma vozinha em sua cabeça a avisa para manter-se em alerta. Poderia estar apenas brincando para ganhar sua confiança e depois, esmagar a mesma, machucando-a profundamente.
Além disso, só uma idiota completa começaria a se apaixonar pelo seu dono. Era propriedade dele e ele poderia fazer o que quisesse. Na visão deles, os chikyuu-jins eram inferiores, sendo meramente vermes para serem pisoteados.
Nesse momento, não consegue deixar de lembrar da morte de seu pai por um Oozaru, pelo que descobriu anos depois ao testemunhar a transformação de um saiya-jin, apenas para puni-la, aterrorizando-a.
Não pode deixar de temer, pois, nunca apanhara e fora sacudida como um chocalho, quanto naquele dia, apenas por que cuspira na face dele. Algo que nunca mais fez a um dono, pois, não queria ver novamente um Oozaru na sua frente.
O saiya-jin fica chateado ao ver o olhar dela distante e um tanto quanto triste, não entendendo o por que da mudança súbita, assim como quando ela treme, percebendo que era de medo e provavelmente, de alguma recordação sua.
Nisso, uma lágrima escorre pelo rosto delicado, sendo secado por um dedo dele que colhe a lágrima gentilmente, olhando-a com pesar, para depois afagar levemente a face dela, recolhendo em seguida a sua mão.
Tal gesto foi capturado por Chichi, que inicialmente se encolheu quando viu a mão dele se aproximando de seu rosto, mesmo que fosse lentamente.
Porém, ao ver que fora um toque gentil, torna a olhar para cima ficando surpresa em ver um olhar triste.
Nisso, Kakarotto pergunta tristemente:
– As suas lembranças são tão dolorosas assim?
– Era livre e tinha meu pai. Ele foi tirado de mim, brutalmente, assim como a minha vida. Vivi anos mergulhados no inferno, passando nas mãos de vários donos, um mais cruel que o outro, assim como imaginativo para aplicar castigos! - ela grita, sentindo raiva pela dor que sentia em seu coração, enquanto seus orbes ficavam umedecidos, uma parte de seu gênio selado por alguns anos vindo a tona.
– "Imaginativo"? - arqueia o cenho.
– Oh! Sim! Um deles fez questão de mostrar a transformação Oozaru de vocês e percebendo que eu era resistente, me usou como um chocalho, além de me fazer chocar em algumas pedras, até que eu perdesse a consciência, pois, cuspi na cara dele! Assim como outro que após me estuprar, eu me vinguei ao arrancar pêlo de sua cauda. Ele me colocou no meio de um grupo de dez homens e disse para se divertirem comigo! Fui estuprada em uma orgia por horas a fio, até que fiquei inconsciente! Outro...!
Nisso, Kakarotto a abraça, enquanto chora em silêncio por alguns segundo, sendo lágrimas de tristeza e ira pelo que aconteceu com Chichi, enquanto esta socava seu tórax, até que se cansa, passando a debulhar-se em lágrimas que escorriam pela pelagem vermelha dele, que a abraça ainda mais para conforta-la, enquanto orava para que a tivesse encontrado mais cedo.
Senta com cuidado na cama, colocando-a sentada em seus joelhos, com ela de lado, debulhando-se em lágrimas com seu corpo tremendo pela dor, enquanto que ele parara de chorar para cerrar os dentes em ira.
Ele apoia seu queixo na cabeça da jovem, enquanto rosna, sentindo um ódio mortal pelos que a fizeram sofrer. Eles experimentariam sua ira, pois iria descobri-los em breve, quando fosse com Chichi para a Central de Identificação, para identifica-la como sua escrava.
Como um general, cujo status só se encontrava abaixo do rei, não precisaria dar quaisquer satisfações de seus atos. Ademais, mesmo naquele planeta, prevalecia a lei do mais forte e do mais fraco, com o mais forte sempre tendo razão.
Frente a isso, sorri malignamente, pois, conheceriam pessoalmente o inferno e ele faria questão de mostra-los, pois pagariam amargamente pelo que fizeram com aquela que ele amava.
Enrola sua cauda na cintura dela, enquanto continua confortando-a, acarinhando a cabeça e afagando as suas costas, enquanto sentia o choro dela diminuir, até que acaba dormindo, abraçada a ele, embora ocasionalmente fungasse.
Kakarotto se levanta e a coloca deitada na cama, cobrindo-a, para em seguida se ajeitar na beirada da mesma, deitando ao lado dela, apoiando sua cabeça em uma de suas mãos, enquanto que com a outra afagava o rosto dela, gentilmente, após colocar alguns fios negros atrás da orelha delicada.
Agora mais do que nunca, odiara a missão que cumprira por causa da lavagem cerebral que fizeram nele desde que era um bebê.
Então, afunda seu nariz nos cabelos sedosos aspirando o perfume da terráquea, enquanto continuava a carícia, enquanto que a sua cauda persistia enrolada na cintura dela, possessivamente.
Ao notar que poderia perder a consciência, se afasta momentaneamente, enquanto lutava para recuperar o controle, fechando os olhos. Ao conseguir se acalmar, considera que é mais seguro apenas velar o seu sono.
Após algumas horas, percebendo que Chichi estava para despertar, ele retira a cauda e se levanta em um piscar de olhos, se deslocando para um pequeno banco ao lado da cama, pois suspeitava que se o visse na sua cama, acabaria se apavorando e não queria isso.
A chikyuu-jin abre os olhos, sentindo como se um grande peso tivesse sido retirado de seu peito, enquanto se recordava, estupefata, que a confortara, embora tivesse a impressão que sentira carícias gentis em seu rosto, embora achasse que eram impressão sua, assim como parecera sentir seu cabelo úmido com lágrimas dele quando a confortava, embora julgasse ter sido apenas uma impressão, pois, não haveria motivo para um deles chorar por um ser inferior. Ademais, não conseguia vê-los chorando por ser algo surreal demais.
Então, escuta a voz de seu dono e ao olhar para o lado, o vê sentado na espécie de banco, olhando-a atentamente e com a face visivelmente preocupada:
– Está se sentindo melhor?
Ela fica em uma perda de palavras, até que sacode a cabeça e responde, se recuperando:
– Estou... - hesita levemente, para depois falar, enquanto o olhava um pouco receosa - Muito obrigada por me confortar, Kakarotto-sama.
Nisso, ele dá um de seus mais belos sorrisos, fazendo a jovem perder o fôlego por instantes, enquanto via ele se levantando e falando, ao se voltar para ela na porta da cela:
– O café da manhã está pronto. Comeremos e então iremos sair.
Nisso, se retira, subindo as escadas com a chikyuu-jin o observando e se questionando qual era o "plano dele", pois, infelizmente, crescera cética e não acreditava que um saiya-jin seria gentil com alguém da raça dela, piorando o fato que era escrava do mesmo.
Para Chichi, tudo tinha um motivo e desconfiava que ele possuía algum motivo esdruxulo ou quisesse apenas "brincar" de um jeito doentio. Sempre ficaria em guarda. Não podia agir como uma tonta apaixonada. Eles eram de mundos diferentes. Ela era sua escrava e ele o seu dono.
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