Gaara desfaz o casulo e solta Ino, olhando ao redor. A areia estava toda remexida e algumas pedras haviam se soltado, rolando para longe. Agora um facho da luz do Sol chegava até eles, iluminando e aquecendo o lugar.
Ino observa tudo, em completo silêncio, depois fixa o olhar em Gaara, aguardando a reação do kazekage.
-Era uma armadilha. – Gaara declara, com calma.
-Isso não faz sentido, usei um jutsu secreto, poucas pessoas saberiam que estaríamos aqui. – Ela responde enquanto caminha pelo local. Eles tinham tido muita sorte, o que a faz lembrar que o ruivo salvara sua vida.
-Obrigada. – Ele a olha confuso, sem entender e ela explica. –Por salvar minha vida.
-Eu não a deixaria morrer. – Gaara responde estendendo a mão para ela. –Venha, vamos voltar parar Suna.
-Não entendo, este jutsu sempre funcionou, Naruto deveria estar em algum lugar aqui. Mas não há ninguém.
-Ino vamos deixar para pensar nisso depois, o inimigo ainda pode esta por perto. –Ela concorda e rapidamente sobe na plataforma de areia que ele tinha feito.
Eles chegam á Suna cansados e preocupados, ainda tentavam entender o que havia acontecido. –Preciso beber algo, agora. – Gaara concorda e ambos seguem em direção ao bordel. Eles entram e se acomodam em uma mesa, Ino pede duas garrafas de saquê e assim que a garçonete lhes servem, ela pega uma delas e bebe tudo direto do gargalo em um único gole, depois pede á jovem que trouxesse outra. Somente quando a garota se afasta é que ela olha para Gaara. –Aquela armadilha não era para nós.
-Por que diz isso? – Gaara pergunta encarando seus olhos azuis.
-Por que ninguém sabia que iríamos lá hoje. –Ino responde desviando o olhar.
-Nêmesis sabia, afinal aquelas roupas pertenciam á Naruto.
-Gaara, o Kensaku no Jutsu é um jutsu secreto, poucas pessoas sabem de sua existência.
-Talvez Nêmesis saiba.
-Está insinuando que Nêmesis é de Konoha?
-Ino, quero encontrar Nêmesis, farei o que for necessário. Não descartarei nenhuma possibilidade, nenhuma pista, tudo é relevante. Se Nêmesis conhece o Kensaku no Jutsu, então ele tem ligações com a Vila da Folha. –Ino o ouve em silêncio, analisando cada palavra do ruivo. –Faça uma lista de todas as pessoas que conhecem o Kensaku no Jutsu. Tsunade falará com cada uma delas.
-Tsunade não passa de uma velha inútil e bêbada, ela não ajudará em nada. Se quiser resultados, fale com Kakashi, ele será mais útil.
-Ele sabe sobre o Kensaku no Jutsu?
-É claro, ele é uma pessoa importante em nossa vila. Em minha opinião ele deveria ter sido nomeado Hokage no lugar da velhota.
-Então falarei com Kakashi. Assim que terminar a lista, me entregue. –Ele pega a garrafa e observa uma gota que escorria até o tampo da mesa, toma um gole pequeno e volta á falar. – Naruto também sabia sobre esse jutsu?
Ino analisa a pergunta, depois dá de ombros. –Talvez, não tenho certeza.
-Há alguma chance dele ter conhecimento disso?
-Tsunade poderia ter contado á Sakura, a cadela rosada goza da confiança da velhota.
-Entendo. Você pode estar certa. Faça a lista. – Gaara joga algum dinheiro sobre a mesa e levanta. –Eu preciso ir, tenho algo urgente para fazer. Ficará por aqui?
-Sim, ficarei mais um pouco, escapei da morte, e quero comemorar. No vemos mais tarde? – Ele concorda e se afasta, deixando Ino imersa em seus pensamentos. Ela termina de tomar sua bebida e sai também, tinha providências á toar. Depois, falaria sobre aquele atentado com Shikamaru, algo estava errado e ela precisava do discernimento dele neste momento.
XXX
-E então, doutor? O que acha? – Temari aguarda a resposta do médico que tinha examinado seu marido. Keylass tinha dormido durante horas, depois de ter falado seu nome e movido o braço. Quando acordara, já tarde da noite, estava tão imóvel quanto antes. Ele não tinha falado mais nenhuma palavra e não mexera mais nenhum músculo sequer, nem mesmo quando Leonte o cutucara para ver se provocava uma reação. Estava completamente inerte, como nos últimos anos, desde o derrame.
- Temari-dono, sei que espera que eu diga que Keylass-sama está melhorando, que ele pode se recuperar, mas nada mudou no quadro dele, na verdade até acho que ele piorou um pouco, sinto muito.
-Mas ele se moveu, ergueu um braço e falou meu nome. Eu vi.
-Sei que viu, contudo foram movimentos involuntários, espasmos musculares.
-Doutor, ele falou meu nome, tenho certeza do que ouvi. Eu não estava sozinha, havia um ninja de Konoha no quarto, comigo. Ele também viu e ouviu. – O médico lhe dá um olhar cético. – Temari, não se engane, seu marido jamais irá melhorar, não há menor chance de uma recuperação. Talvez, veja bem eu disse "talvez", ele consiga balbuciar algo, porém será sem consciência alguma, ele não terá ideia do que está falando.
-Ele disse meu nome claramente. –Temari declara irritada com o médico. Ela sabia o que vira no dia anterior e Shikamau também tinha visto. O Nara tinha saído logo após, alegando ter uma compromisso, mas Temari suspeitava que ele fora contar á Ino o que vira.
O médico dá de ombros, pelo jeito a mulher queria acreditar na recuperação do marido. –Sinto não poder ajudar mais, Temari-dono. –Temari assente, distraída e pede á Leonte que acompanhe o médico.
-É uma pena que uma mulher jovem e linda como Temari fique presa á um homem que passará o resto da vida vegetando. – O médico comenta com Leonte quando ambos param na porta da casa de Temari.
-Não há chance de Keylass-sama se recuperar?
-Não nenhuma, ele ficará em estado vegetativo até seu último dia de vida e Temari ficará ao lado dele, desperdiçando sua beleza e juventude. –Ele termina de falar e sai, deixando Leonte pensando em suas palavras em silêncio. Ele tinha visto como a possibilidade de uma recuperação tinha abalado Temari. Será que ela tinha esperanças que o marido melhorasse? Seria por isso que não tinha aceitado seu pedido de casamento? E se Keylass viesse a se recuperar? O que aconteceria?
Temari andava de um lado para o outro na sala. Ela tinha visto Keylass erguer o braço e chamá-la. Ele tinha dito seu nome, claramente. Então, por que agora permanecia imóvel? Seria mais um jogo cruel daquele monstro? Shikamaru também tinha visto o mesmo. Pensar no Nara á faz tomar a decisão de ir procurá-lo. Ela sai apressada, seguindo em direção aos alojamentos dos ninjas, sentia necessidade de falar com o moreno, talvez ele conseguisse ajudá-la á entender o que tinha acontecido.
Leonte observa a rua através da janela do quarto, ele acompanha Temari com os olhos, a loira andava rápido, praticamente corria. Aonde ela iria com tanta pressa? Sabia que Temari precisava de conforto naquele momento e pretendia passar a noite com ela, não podia perder a Sabaku.
Ele se afasta da janela, iria ver seu paciente, a cada dia ele odiava Keylass ainda mais, agora o marido de Temari representava um perigo.
Temari chega aos alojamentos e bate com os punhos na porta, desesperada. Sentia que seu controle tinha desaparecido. Estava apavorada com a possibilidade de Keylass se recuperar. A cada minuto ela tinha mais certeza de que o marido estava fingindo, ele pretendia infernizá-la novamente, iria aterrorizá-la. Temari não raciocinava mais, se sentia acuada, apavorada. Com força, ela bate a porta mais uma vez e chama pelo moreno.
Shikamaru estava sozinho observando o teto do alojamento. Tentava se concentrar em suas obrigações, mas a imagem de Temari surgia em sua mente á todo instante. Se lembrava do beijo que haviam trocado no quarto de Keylass. A mulher tinha se entregado ao contato com paixão.
Seus pensamentos são interrompidos por batidas violentas na porta, então pula da cama para abrir. Ele ouve a voz de Temari, ela o estava chamando, praticamente gritando seu nome. Ele abre a porta e ela cai em seus braços. –Shikamaru, por favor, me deixe ficar aqui.
O Nara se espanta com o desespero na voz da mulher e a aperta em seus braços. Temari tremia ofegante, como se tivesse corrido quilômetros. Ele a levanta nos braços e a carrega até sua cama, depositando-a sobre o colchão com delicadeza. Depois volta para trancar a porta.
Temari tinha se encolhido na cama, abraçando as próprias pernas. – Temari, o que aconteceu?
-Ele está fingindo, Shikamaru, ele está se recuperando, mas está fingindo que está mal. Ele quer me enlouquecer, contudo não vou deixar, não vou. – Ela fala com os olhos fechados, encolhendo o corpo ainda mais. Shikamaru se aproxima deitando ao lado ela, abraçando-a. –Acalme-se e me conte tudo.
- Nunca contei nada á ninguém, não posso, não consigo.
-Confie em mim, eu vou ajudá-la. – Ela abre os olhos e observa o moreno, deitado ao seu lado naquela cama estreita, o corpo dele irradiava calor, conforto, força. Tudo o que ela precisava naquele momento. Temari respira fundo e abraça Shikamaru, apertando-se de encontro ao peito dele.
Shikamaru acaricia as costas de Temari. –Me conte. – Ele pede beijando o pescoço dela. – Quero ajudar.
- Você não imagina o que eu passei, Shikamaru. – Ela sussurra e devagar começa a contar. Desabafa, abrindo seu coração, contando detalhes que jamais contara á ninguém, tudo o que tinha lhe acontecido, sem omitir nada. Todo o sofrimento, as humilhações, a violência, ela expunha sua alma, naquele momento, sem pudor, se sentindo aliviada por poder contar a verdade pela primeira vez em sua vida.
Shikamaru ouvia tudo revoltado e furioso. Temari continuava sussurrando, sua voz trêmula, sofrida. Ela fala por quase uma hora e então se cala, exausta, vazia de lágrimas, aliviada pelo desabafo. Os minutos correm, sem que nenhum dois diga algo. Shikamaru continuava acariciando as costas da kunoichi e percebe que toda a tensão tinha deixado o corpo dela. Ele a olha e constata que Temari estava dormindo, parecia uma criança que tinha tido um pesadelo e correra para a cama dos pais durante a noite.
Com cuidado Shikamaru se afasta da mulher e levanta, colocando uma coberta sobre Temari, depois sai do alojamento, trancando a porta. Avisaria os amigos para não perturbarem o sono dela. Pelo jeito Temari dormiria até o dia seguinte, daria tempo suficiente para que Shikamaru fizesse o que era necessário.
Assim que ele sai, Temari abre os olhos, se sentia mais forte agora que havia desabafado, sabia o que precisava fazer. Ela levanta e arruma as roupas, saindo do alojamento em seguida.
XXX
Keylass acorda e percebe que está sozinho no quarto. Ele olha para o lado, movendo a cabeça devagar. Estava recuperando os movimentos, contrariando o que disseram todos os médicos que o tinham examinado durante aqueles anos. Ele sorri, satisfeito. Iria fazer a esposa pagar por tudo o que lhe fizera, cada humilhação, depois cuidaria das kunoichis de Konoha, mataria a Hyuuga primeiro. Deixaria a loira por último, ela deveria sofrer muito, tinham gerado uma criança juntos, mas o bebê nascera morto e a culpa tinha sido dela. Ela tinha matado o filho dele, tinha certeza disso. Um menino que deveria seguir os passos do pai e substituí-lo em seu lugar no ritual.
A inútil da Sabaku não fora capaz de lhe dar um filho, apesar de todos os esforços dele durante as cópulas, ela era incapaz, estéril. Mas a loira de Konoha ficara grávida e matara o bebê.
Ele move os pés, depois as pernas e por últimos os braços, não fora fácil enganar o médico, contudo ele conseguira. Assim como enganara o enfermeiro imbecil. Pensar em Leonte o faz lembrar-se da necessidade de eliminar o homem que ousara tocar sua esposa. Esperaria ele voltar e o mataria. Seria fácil, pegaria o homem totalmente desprevenido.
Percebe que alguém se aproximava do quarto e aguça os ouvidos. Quem quer que fosse estava fazendo um enorme esforço para manter o silêncio. Keylass aguarda, imóvel, precisava manter a farsa se quisesse obter sua vingança.
A porta abre e ele mantém os olhos fechados, fingindo dormir. Provavelmente era Leonte.
-Você finge muito bem, Keylass, mas não consegue me enganar. Está na hora de pagar por tudo que fez. – Keylass abre os olhos, ao reconhecer a voz, sua última visão é de uma mão segurando a adaga que afunda em seu pescoço. Keylass morre de forma brutal, rápida, não faria mal á mais ninguém. Nunca mais.
XXX
Gaara caminha devagar, mantinha uma postura altiva, contudo estava preocupado, tudo estava dando errado e agora sua arma poderosa, Naruto, estava ao lado de Nêmesis, tentaria reverter a situação ao seu favor, contudo se sentia cansado. Cansado de lutar. Quando a guerra terminara ele havia imaginado que o mundo estava á salvo e ele poderia relaxar um pouco, doce ilusão. Encontrara uma Suna destruída, desorganizada, carente. Seu casamento fora a forma encontrada para salvar sua vila. Imaginara que seria o suficiente, contudo nunca esperara que uma ameaça tão letal quanto Nêmesis iria surgir.
Tentava descobrir o inimigo, trazê-lo a justiça, fazê-lo pagar pelos crimes cometidos, mas ainda não tinha a mínima ideia de quem ele era ou onde estaria. O que Nêmesis pretendia realmente? Quais eram seus reais planos? Afinal, qual era o objetivo do inimigo?
Gaara para e olha á sua volta, tinha ouvido um ruído de passos, alguém corria próximo de onde ele estava. Ele procura, preocupado e não vê nada, voltando a caminhar.
-Gaara. – Novamente o kazekage para e espera. Shikamaru aparece ao seu lado. – Eu vi um movimento agora há pouco parecia que alguém estava fugindo rapidamente.
-Eu ouvi passos. Eles vinham de lá. – O ruivo aponta para a esquerda. Shikamaru observa durante alguns segundos. – A casa da sua irmã fica naquela direção. Acho melhor olharmos.
-Minha irmã sabe se defender, Shikamaru.
-Ela não está lá, Gaara, eu a deixei dormindo em meu alojamento.
-E o que Temari fazia em seu quarto? – A pergunta é feita em tom zangado. Shikamaru acena lentamente com a cabeça. –Não é o que está pensando, Temari apareceu em meus aposentos há mais ou menos duas horas atrás, nervosa e agitada. Eu apenas lhe ofereci conforto e um lugar para descansar.
-Certo, vamos até lá, então. – Os dois homens seguem rapidamente em direção á casa de Temari encontrando o portão e a porta de entrada abertos. Eles correm para dentro e não encontram ninguém. – Será que ela voltou para casa?
-Não sei dizer, Shikamaru, minha irmã é muito imprevisível e independente. Até acho estranho ela ter procurado você para buscar conforto. Sobre o que conversaram?
- Keylass. – A resposta sai lacônica.
-Vamos subir, talvez ela esteja no quarto do marido, cuidando dele. Temari tem sido uma esposa dedicada, apesar daquele crápula não merecer nada disso. – Havia ressentimento nas palavras do Kazekage. Odiava pensar que a irmã tinha sofrido durante tanto tempo, calada. Shikamaru disfarça o sorriso, Temari havia lhe contatado o que de fato ela fazia ao marido e ele lhe dera razão. Entendia a necessidade de vingança da kunoichi de Suna.
Eles sobem as escadas e param diante da porta do quarto do enfermo, Gaara bate de leve e abre. O lugar estava escuro e Shikamaru aciona o interruptor sem sucesso. Gaara se aproxima da cama e acende o abajur, se assustando em seguida. O corpo de Keylass estava coberto de sangue que se derramara de um ferimento profundo no pescoço. Não havia a menor dúvida de que o homem estava morto. Os olhos arregalados de Keylass fitavam o vazio e demonstravam horror. Shikamaru também se aproxima e examina tudo cuidadosamente. –Cortou as artérias, foi rápido, ele nem teve tempo de reagir.
-Ele não poderia reagir, estava completamente paralisado.
-Eu e Temari vimos Keylass erguer o braço, Gaara. Ele falou o nome dela com clareza.
-Quando foi isso?
-Ontem depois que todos haviam partido. Eu fiquei com ela aqui. – O ruivo acena e volta a olhar para o homem estirado na cama. – Avisarei as autoridades.
-O enfermeiro dele deve estar por perto, Temari o deixou aqui no quarto, junto com Keylass. Vou procurá-lo, talvez ele tenha visto ou ouvido algo. – Shikamaru acaba de falar e sai. Gaara anda pelo aposento, parecia estar no lugar, quem quer que tivesse feito aquilo tinha sido cuidadoso e levado a arma com ele. Mais um crime sem explicação, mais um assassinato. Ele não lamentava. Keylass tivera o que merecia. O que o levava a pensar se Ino ou Hinata não tinham algo á ver com aquilo.
Shikamaru volta, sozinho. – Não encontrei Leonte em lugar algum da casa.
-Isso é estranho, Leonte é um profissional dedicado e responsável. Temari sempre aprovou os métodos e cuidados dele. Bem, precisamos tomar providências, venha comigo, não há nada para fazermos aqui, trancarei a porta e pedirei á um ninja que fique vigiando a entrada da casa.
-Eu vou falar com Temari. Ela precisa cuidar do enterro.
-Eu cuidarei disso, esse monstro não merece nenhuma lágrima, ele será sepultamento como traidor, do mesmo jeito que Nya.
-Ele não era um traidor.
-Mas era um criminoso, um estuprador e provavelmente um assassino também.
-Você está falando de sua cunhada? A noiva de Kankuro? – Gaara concorda. – Acha que ele matou a garota?
-Sim, acho. –Gaara responde olhando o corpo. Shikamaru se aproxima e analisa a cena, estava tudo arrumado, arrumado até demais. Ele volta sua atenção para o ferimento, era profundo, com aproximadamente cinco centímetros de largura, provavelmente a lâmina tinha sido enfiada até o cabo no pescoço da vítima. Quem fizera aquilo fora preciso, Keylass deveria ter morrido quase instantaneamente.
-Gaara, eu gostaria de examinar o corpo. Não tenho dúvidas de que Keylass merecia morrer, contudo, não posso deixar de pensar que estão ocorrendo muitos assassinatos sem explicação em Suna. E todas as vítimas têm ligação com você.
Gaara se espanta, Shikamaru estaria insinuando que ele tinha matado Nya, Karana e Keylass? Shikamaru adivinha os pensamentos do outro e rapidamente nega com a cabeça. –Não desconfio de você, mas precisamos expor quem está por trás desses crimes.
-Acha que foi a mesma pessoa?
-Sim, eu acho. E essa pessoa deve estar tentando incriminar você.
-Você pode estar certo. –Gaara responde depois de analisar a situação durante alguns minutos. Ele aponta o corpo na cama. –Investigue, mas seja muito discreto. Lembre-se que Temari, Ino e Hinata tinham motivos de sobra para matarem Keylass e eu não quero o nome de nenhuma delas envolvido nisso.
-Concordo, se eu encontrar algo que as incrimine levarei a informação até você no mesmo instante.
-Faça isso. – Gaara termina de falar e sai, deixando Shikamaru para trás para procurar por evidências e vestígios, ele tinha outros assunto pendentes. Tinha que encontrar uma forma de entrar em contato com Nêmesis, precisava saber mais sobre seu inimigo, ou jamais conseguiria eliminá-lo.
Shikamaru observa tudo detalhadamente. Cada canto do quarto e cada móvel são vistoriados cuidadosamente. Depois de uma hora ele para ao lado da cama e respira fundo. Não havia nenhum indicio ou vestígio do assassino, tinha sido um assassinato limpo, na verdade uma execução. Mas por que? Por que agora? Qual seria o motivo por trás da morte de Keylass?
Ele sai do quarto encontrando um ninja usando o uniforme de Suna parado do lado de fora, o cumprimenta rapidamente e sai, iria procurar por Ino e Hinata, aquilo poderia se tornar algo perigoso para elas, havia um assassino á solta em Suna e suas vitimas eram pessoas ligadas á Gaara.
Shikamaru percorre as ruas rapidamente até chega ao alojamento e encontra Ino sentada na varanda do alojamento. Ela se levanta assim que o vê, precisava lhe falar sobre o atentado.
-Shikamaru... – Ino começa e é interrompida pelo moreno. –Espere, Ino, estou voltando da casa de Temari. Eu e Gaara encontramos Keylass morto. Ele foi assassinado com uma faca enfiada no pescoço.
Ino dá de ombros e volta á se sentar. – Ele teve o que merecia. Não sinto nenhuma pena. Um problema á menos para nos preocuparmos.
-Você está certa, contudo... – Ino ergue o braço, interrompendo Shikamaru. -Shikamaru, eu e Gaara fomos até as pedras. Eu executei o Kensaku no Jutsu, estava rastreando Naruto. Usei as roupas dele para isso.
-E o que aconteceu? –Ele senta na mureta, os braços cruzados á espera. Ino olha em volta e depois encara o Nara, agora havia um brilho perigoso nos olhos azuis da loira. –Sofremos um atentado. –O espanto toma conta de Shikamaru que ouve atentamente Ino descrever o ocorrido. Depois fica alguns minutos em silêncio, digerindo as palavras e tentando entender como aquilo havia acontecido.
-Então, nosso inimigo também conhece o Kensaku no Jutsu, além de saber bloquear e inutilizar o Byakugan e os jutsus de Shino e Kiba.
-Sim, é o que parece.
-Algum suspeito? – A expressão de Ino não deixa dúvidas sobre o que ela pensava sobre aquilo. Shiakamaru soca a coluna de madeira, com raiva. –Temos que resolver isso, Ino.
-É o que eu pretendo fazer, Shikamaru. –Ela fica em pé e começa a se afastar. –Aonde vai, Ino?
-Para o bordel, vou dormir lá. Você já tem companhia. – Ela aponta a porta do quarto dele e depois sai em direção ao bordel. Shikamaru a observa durante alguns minutos e depois entra no próprio quarto, encontrando Temari dormindo em sua cama.
XXX
Artemis para na porta ao reconhecer o homem dentro do aposento. – Apocalipse?
-Oh, olá Artemis, faz tempo que não á vejo. Como tem passado? – Apocalipse observa a mulher parada á porta, com os braços cruzados e a expressão irritada.
-O que faz aqui? –Ela repete a pergunta sem responder ao cumprimento, não gostava do homem.
-Estou esperando por Hades ou Nêmesis para relatar o resultado de minha missão.
-Nêmesis está em campo e Hades descansando. – Artemis o olha com curiosidade. –Resultado de missão? Você tinha uma missão? Qual?
-Não é de sua conta, mas direi assim mesmo. Fui incumbido de eliminar dois traidores. Ambos estão mortos e enterrados. – O homem se senta, aguardando. Sabia que suas palavras iriam abalar a mulher á sua frente.
-Não temos traidores entre nós. – As palavras saem duras, ríspidas. Confiava em seus companheiros de grupo, alguns estavam ao lado de Nêmesis desde o principio, tinham ajudado á criar o grupo.
-Você está certa, agora não há mais traidores.
-De quem está falando, Apocalipse? Quem você matou?
- Recebi ordens para eliminar Apolo e Afrodite, ambos estão mortos. –Artemis o olha tentando adivinhar se ele dizia a verdade, não queria acreditar naquilo, contudo a postura do homem não deixava dúvidas sobre sua sinceridade. Ela senta e fecha os olhos, a imagem de Apolo vem clara á sua memória. Apocalipse observa as reações da mulher, não havia dúvidas de que Artesmis estava abalada, aquilo era interessante e útil, com certeza.
-Fiz o mais rápido possível, seu amigo não sofreu.
-Ele era mais que um amigo. –Ela responde indignada. – Por que fez isso?
-Já disse, Nêmesis ordenou que ambos fossem mortos.
Então Apolo e Afrodite estavam mortos. Ela reabre os olhos onde havia um brilho de raiva que não passa despercebido. -Apolo não merecia morrer. Nêmesis deveria ter falado comigo, antes de tomar essa decisão. Sabia o que Apolo significava para mim. –Ela bate com os punhos fechados sobre o tampo da mesa, Apolo fazia parte de sua infância.
-Apolo fez bobagem quando atacou Gaara. Isso quase atrapalhou os planos de Nêmesis.
-Já imaginou que talvez Apolo estivesse certo? Nêmesis está demorando demais na execução dos nossos planos. Pensei que á esta altura já teríamos tomado Suna. – A voz dela sai alta, aguda, não restava dúvidas de que ela estava revoltada com o ocorrido.
-Nêmesis teve que mudar seus planos. –Artemis o encara, o semblante sério. Sentia-se ferida, jamais imaginara que Nêmesis fosse capaz de eliminar Apolo.
-Você sabe muito bem o que aconteceu em Suna recentemente, isso adiou nossos planos. – Apocalipse acrescenta.
-Só porque Nêmesis quer realizar sua vingança também. No fundo somos todos iguais, só pensamos em nossas prioridades, sempre.
- Nêmesis quer salvar todo o mundo ninja. Sabe muito bem quais são nossos ideais.
-O que eu sei é que Hermes está desaparecido, Ares está agindo por conta própria e Apolo e Afrodite estão mortos. –A voz de Artemis se quebra ao dizer isso e ela respira fundo, tentando controlar as emoções. –E Gaara continua vivo. Talvez os interesses de Nêmesis estejam em outro lugar.
- O que você quer dizer, Artemis?
- Não estamos mais próximos do fim de nossa missão do que estávamos quando começamos á agir.
-Duvida de Nêmesis?
-Acho que estamos levando mais tempo do que o necessário, precisamos agir logo. Vou marcar uma reunião com todos os lideres do nosso grupo, está na hora de Nêmesis fazer o que nos prometeu.
-Sabe como é perigoso desafiar Nêmesis.
-Nêmesis irá se livrar de mim como fez com Afrodite e Apolo? –Apocalipse dá de ombros encarando a mulher á sua frente. – Pensei que você também queria se vingar, Artemis.
-Nêmesis não deveria ter eliminado Apolo e Afrodite, vai contra tudo o que acreditamos. – Artemis responde com raiva.
-Você deveria falar com Nêmesis á respeito. – Ela nega, levantando-se, zangada. Aquilo tinha sido uma traição, jamais esperara por isso. Eles eram leais á causa, Apolo e Afrodite eram seus amigos.
- Você disse que Hermes está desaparecido. O que houve? -Apocalipse pergunta depois de observar Artemis por um longo tempo.
-Ele deveria ter retornado ontem, mas não foi visto novamente. Acredito que Ares tenha algo á ver com isso.
-Ares? – Ela confirma. –Por que pensa assim?
-Ele está fora de controle, tem tomado decisões sem consultar Nêmesis ou o resto do grupo.
-Está falando de Nya e Karana?
- Sim, estou.
-Entendo. Então Ares pode ter pegado Hermes? Acha que ele matou nosso amigo?
-Apocalipse, não finja que se importa, sei muito bem á quem pertence sua lealdade, e não estou falando de Nêmesis. – Apocalipse fica sério. Artemis sorri vitoriosa. Ela fica em pé, e se vira para sair.
-O que você pretende fazer?
-Chamarei Hefesto, Poseidon, Atena, Persefone, Hades, Cronos e Zeus.
-Zeus? Acha que ele já está pronto?
-Ele tem que saber com quem está se envolvendo, em quem deve confiar.
Artemis lhe dá as costas e sai, iria procurar pelos outros. Caminha devagar e para diante de uma porta fechada, nada se ouvia do outro lado. Aquele era o quarto de Zeus, ela vira a maçaneta da porta e entra, encontrando o loiro deitado. Se aproxima sem fazer barulho e para ao lado da cama onde Zeus dormia.
Ela se debruça sobre o rapaz analisando-o. Ele estava magro, mas ainda era um belo homem. O olhar dela desce pelo corpo masculino coberto até a cintura deixando o peito e o abdomem definido, onde se destacava o selo da raposa, á mostra. Os ombros eram largos e seus braços fortes. Ela analisa o corpo dele, quando volta seu olhar para o rosto se surpreende ao vê-lo acordado. Rapidamente se afasta da cama, enquanto Zeus a analisava da cabeça aos pés com calma. Não estava surpreso co m a presença da mulher em seu quarto. já esperava encontrá-la ali.
Zeus cruza os braços embaixo da cabeça e encara a mulher. –O que faz aqui... ?
-Artemis, sou Artemis. –Ele volta a fechar os olhos, sem responder. –Não parece surpreso.
- Não estou. O que faz aqui em meu quarto, Artemis?
- Vim lhe falar sobre Nêmesis. – Ela espera que ele diga algo, mas Zeus permanece em silêncio. – Por que está aqui, Zeus? Por que ficou?
-Meus amigos estão aqui.
- Esse não foi o motivo, Nêmesis lhe deu uma escolha, ele iria libertá-lo. Poderia estar longe daqui, livre. Por que ficou?
Zeus parece pensar e Artemis aguarda, em silêncio. Depois de vários minutos, Zeus abre os olhos e senta na cama. – Fiquei porque Nêmesis quer o mesmo que eu sempre quis. Paz e liberdade. –
– Você está enganado em relação á Nêmesis, Naruto. Aqui não encontrará a paz que almeja.
-Por que diz isso?
-Nêmesis matou duas pessoas de nosso grupo, meus amigos. Pessoas que confiavam e seguiam Nêmesis. Eles também acreditavam na paz e agora estão mortos. Esse foi o preço por confiarem em Nêmesis, suas vidas. – Artemis termina de falar e lhe dá as costas, se dirigindo para a porta. –Espere, não vá.
- Eu não deveria estar aqui, nem você. Foi um erro. Deveria sair daqui. Vá embora.
-Artemis, quero falar com você. Fique, por favor. - Ele fala com suavidade, percebera que a mulher estava alterada, triste.
Artemis nega e sai do quarto, fechando a porta atrás de si. Precisava falar com os demais sobre Apolo e Afrodite. Eram seus amigos e foram mortos. Aquilo tinha sido um erro. Contudo, naquele momento seus pensamentos estavam em Zeus. Realmente, o nome lhe cabia, ele era um deus, um deus loiro e lindo. Estava ainda mais bonito. Ela endireita o corpo e respira fundo, tinha algo importante para fazer. Não perderia mais tempo.
XXX
Shikamaru analisa a adaga pela milésima vez. Diante dele se encontravam diversos livros abertos sobre religiões pagãs. Ele comparava os desenhos da lâmina com as figuras que estavam estampadas nas páginas á sua frente. Temari estava sentada do outro lado da mesa, ajudando-o, vestindo apenas um quimono verde, leve e curto, preso por uma faixa larga. Fazia três dias que Keylass morrera e tinha sido sepultado. Ela não comparecera ao enterro, não seria hipócrita á ponto de fingir tristeza. Sentia-se aliviada pela morte do marido e não escondia o fato. Seu problema agora era outro. O que fazer com Leonte. Ele ainda estava na casa dela, apesar de seus serviços como enfermeiro não serem mais necessários.
Temari solta um suspiro e se alonga, esticando os braços para cima. Shikamaru acompanha seus movimentos com um sorriso discreto. Eles estavam na casa dela, em seu escritório privativo. O lugar era decorado com bom gosto, móveis claros, vasos com plantas, tapetes coloridos e um sofá branco encostado á parede, embaixo de uma grande janela por onde entrava a luz da manhã.
-Encontrou algo, Shikamaru? –A voz melodiosa desperta Shikamaru. O homem nega e fecha o livro á sua frente. – Nada, as figuras não coincidem. Os desenhos entalhados na adaga são diferentes dos que eu encontrei na manta que cobria sua sobrinha.
-Não pertencem á mesma religião?
-Talvez pertençam, não sei dizer. Pode ser outra seita.
-Shikamaru, essa religião está extinta, foi proibida. Se Keylass fazia parte dela, era o último membro.
-Tem certeza de que não há mais ninguém que praticava essa religião?
Temari morde o lábio inferior, na verdade ainda existia alguém, ela suspeitava de uma pessoa. – Baki. – Ela fala em voz baixa, contudo Shikamaru á ouve e ergue uma sobrancelha, surpreso. –Baki? Baki-sensei? Professor de vocês?
-Ele mesmo.
-Está me dizendo que ele praticava essa religião violenta e cruel? Tem certeza disso. Temari? – Se ela estivesse certa, aquela informação mudava muitas coisas. Temari confirma. – Ele era discreto, mantinha isso em sigilo. Contudo, eu ouvi algumas conversas entre ele e meu pai, quando ainda estava na academia. Meu pai queria que ele abandonasse a essa religião e se convertesse á nossa crença.
- Quando foi isso?
-Como disse, eu ainda estava na academia. Baki era meu instrutor. Na época eu tinha uma queda por ele e prestava atenção á tudo o que ele dizia e fazia.
-Entendo. – Shikamaru reflete durante alguns segundos. –Temari, por que Baki partiu de Suna?
-Ele e Gaara tiveram uma discussão violenta quando Nyaara nasceu. Ele disse á Gaara que Nya e Nyaara deveriam morrer. Que meu irmão deveria lavar sua honra com o sangue delas. Como Gaara não concordou, é claro, Baki partiu de Suna. Nos abandonou. –Havia melancolia na voz da kunoichi, a partida de seu ex-sensei á entristecera.
Temari solta um suspiro e fica em pé, caminhando um pouco pela sala para esticar as pernas, depois se joga no sofá, sentando sobre as pernas. Ela e Shikamaru haviam passado a noite ali, lendo e relendo os livros, atrás de alguma informação sobre o assassino de Keylass.
Shikamaru também se levanta e para diante da Sabaku, que o analisa de cima á baixo, seu olhar era apreciativo. O homem vinha povoando seus sonhos, ela se lembrava muito bem do beijo que haviam trocado.
- Gosta do que vê? – A pergunta a traz de volta á realidade. Temari desvia o olhar, fingindo prestar atenção á um dos vasos perto do sofá. O tom provocativo a irrita.
-Você é sempre tão arrogante e convencido? – Pergunta sem se voltar. Shikamaru se abaixa e pega no queixo dela, obrigando-a a olhar para ele. – Eu tenho meus motivos. Sei que me deseja, Temari, desde que cheguei aqui. Está louca para fazer sexo comigo. Sente falta de um homem de verdade em sua vida. – As palavras são ditas carregadas de sedução, o tom era rouco e a expressão do Nara era séria. Ele não estava brincando, não mais.
-Não seja arrogante, há dezenas de homens em Suna que me querem, basta que eu estale os dedos. – Temari fala com altivez e fica em pé, zangada.
-Homens como Leonte? – As palavras são acompanhadas por um riso sarcástico. – Ele não serve para você, Princesa. Você não quer um boneco, quer um homem, alguém que não se ajoelhe aos seus pés e faça todas as suas vontades. Quer gemer de paixão e desejo. De prazer. Quer alguém que a trate como uma fêmea. Anseia por alguém como eu. E eu irei realizar seus anseios. -Shikamaru a puxa de encontro ao peito, abraçando-a, prendendo-a junto de seu corpo. Ela se apoia ao peito dele, queria afastá-lo, mas suas mãos se movem como se tivessem vontade própria. Acaricia os músculos rijos, descendo. Passa os braços pela cintura dele e ergue o rosto, encarando os olhos negros do rapaz. Sente seu corpo arder, ao se ver refletida nos orbes escuros dele.
O Nara abaixa o rosto e cola os lábios aos dela, em um beijo calmo, quente. Sua língua se enroscando á dela, as mãos afundando nos cabelos loiros que naquele momento se encontravam soltos. Ela se afasta alguns centímetros, cortando o contato.
Ele a observa enquanto Temari se dirige até a janela e fecha as pesadas cortinas, diminuindo a luz no ambiente. Shikamaru despe a camisa que usava, deixando o peito nu, seus músculos á mostra.
-Quem disse que você poderia ficar á vontade, Nara?
-Está quente aqui, Temari. Estou com calor e acredito que você também esteja. Sempre fica quente quando você está perto. – Ele joga a camisa no chão e a abraça apertado. – Quero você, Temari. Agora.
-E o que pretende fazer comigo, Shikamaru? – A pergunta é apenas sussurrada, em tom provocante. Shimamaru a empurra, derrubando-a no sofá, o quimono se abre expondo o corpo feminino e delicado ao olhar cobiçoso dele. O homem observa as curvas da mulher. Temari era linda.
Sedutora, Temari abre o quimono totalmente e leva as mãos aos seios, acariciando-os, sentindo o olhar de Shikamaru seguir seus movimentos. Ela fecha os olhos e geme, sua mão agora alcançando a própria intimidade. Afasta as coxas, abrindo suas pernas, excitando Shikamaru. Ele se despe rapidamente, expondo sua ereção e Temari sorri, com os olhos semicerrados. Ela dobra os joelhos e estica os braços em um convite mudo.
-Você é magnífica, Temari. Uma mulher como poucas. – Ele se ajoelha entre as pernas dela, afastando suas coxas, alisando a pele macia e perfumada. Abaixa a cabeça e lhe beija o pescoço, mordendo de leve. –E você me quer.
-Arrogante. – Ela sussurra antes de colar os lábios aos dele.
-É assim que você gosta, Temari, não negue. – A boca dele desce em direção aos seios, ele suga, morde, lambe fazendo a Sabaku estremecer e se remexer, sua intimidade se esfregando no membro ereto de Shikamaru. –Isso é tão bom, Shikamaru. – As palavras saem em um sussurro quente, parecendo veludo. Ele sorri e senta, afastando-se da mulher que o olha sem entender. –Droga, Shikamaru, o que está fazendo?
-Eu disse que seria diferente. Se você me quer, terá que pedir, Princesa.
-Maldito seja, Nara. – Shikamaru passa os dedos pelos lábios dela. –Vamos, Temari, diga o que quer, basta dizer e eu serei todo seu, mas terá que pedir. Posso ser arrogante, mas não serei fácil, não serei mais um brinquedo seu.
Ela tenta empurrá-lo, sem sucesso, o homem era forte e estava em vantagem em virtude de sua altura. Ele acaricia os quadris dela, subindo e descendo as mãos, enquanto a beijava com volúpia. –Diga Temari. – As palavras saem em encontro aos lábios da mulher, Shikamaru morde seu lábio inferior antes de voltar a beijá-la, roçando seu corpo ao dela. –Diga e eu a tomarei como nenhum homem antes de mim. Você descobrirá o que é prazer de verdade
-Shikamaru... – Ela gostaria de negar, queria dizer que não o queria, contudo seu corpo a traia, se movendo de encontro ao dele, se esfregando, tentando obter um contato ainda maior.
-Diga! – Havia exigência na voz dele, Shikamaru volta a beijar o pescoço dela, depois passa a língua quente sobre o local, deixando um rastro de saliva, fazendo a loira arfar.
-Droga, Shikamaru. Me possua, por favor. – Ele sorri vitorioso e volta a acariciar as coxas dela, afastando-as e se posicionando entre elas, seu membro roçando na intimidade molhada dela. Temari estava pronta para recebê-lo. –Me possua agora. – Ela volta á falar, ofegante, seus os olhos fechados. Passa a língua sobre os lábios entreabertos e geme em desespero. Shikamaru se move, penetrando-a, seu membro deslizando pela intimidade apertada e sequiosa dela.
-Abra os olhos, olhe para mim. – Não era um pedido e ela obedece prontamente, abrindo seus olhos e encarando o homem que se movia sobre ela. Shikamaru agora a estocava com força, quase machucando-a. Ele se retira dela e a vira, colocando-a de quatro, volta então a penetrá-la em um movimento firme, suas mãos sobre os quadris dela ditavam a velocidade, puxando-a com força de encontro ao seu corpo. Temari vibrava, gemia enlouquecida. Não queria que ele parasse nunca mais, sentia que o orgasmo estava próximo.
-Mais, mais, Shikamaru, não pare. – Temari grita enquanto suas nádegas se chocavam contra Shikamaru.
O corpo dele se movia para frente e para trás, e ela sentia toda a extensão de seu membro dentro de si. Ele dá tapas em suas nádegas, deixando marcas vermelhas o lugar e então estica o corpo para trás, jogando a cabeça para o alto. Temari estremece e goza, suas forças se esvaindo.
Shikamaru se movia com intensidade, sabia que a mulher iria gostar. Ele tinha retardado o próprio prazer o máximo que conseguira, queria que ela tivesse muito prazer, agora ele libera o seu gozo e se derrama dentro do corpo feminino, soltando um gemido alto e longo. Ambos caem no sofá, grudados um no outro. Abraçados eles recuperam o fôlego.
-Você nunca ouviu falar de preliminares?
-Você estava tão carente e necessitada então imaginei que não gostaria de perder tempo.
-Como é? Carente, eu?
-Sim, Temari, você mesma, esse enfermeiro seu mais parece um bonequinho. Acho que ele não está conseguindo satisfazê-la. Você realmente estava precisando de um homem de verdade.
A raiva invade Temari que se desvencilha dele e senta, olhando-o zangada. –Suma daqui, agora.
-A verdade dói? Não seja infantil, Temari. – As mãos dele percorrem os seios dela, enquanto falava. Temari o afasta e fica em pé. – Já disse para sair. Suma daqui ou chamarei os ninjas da Areia e mandarei prendê-lo.
Dando de ombros, ele se levanta, pegando as roupas que estavam jogadas no chão. A sua frente Temari o encarava zangada. Como ele podia falar assim com ela? Shikamaru veste a calça lentamente, depois joga a camiseta sobre o ombro e a olha longamente, aguardando. Temari coloca o quimono e caminha até a porta, abrindo-a. - Vá embora e não volte.
-Não voltarei. – De braços cruzados Temari aguarda que Shikamaru saia, sentia-se envergonhada pelo que fizera. Mas tinha sido maravilhoso, se ele não fosse tão arrogante, as coias poderiam evoluir entre eles.
Shikamaru para com a mão na porta e se volta para ela. –Quando precisar dos meus serviços novamente, sabe onde me encontrar.
-Ora seu bastardo. – A mão dela voa em direção ao rosto de Shikamaru, contudo ele é mais rápido e prende seu pulso, torcendo-o. –Me solte.
-Com prazer. – Empurrando a mulher, ele se vira para sair. Temari esfrega o pulso, com raiva. –Idiota, imbecil.
- Contudo você gostou, lembro muito bem de você gritando e pedindo mais. Você pode negar, mas eu sei que você gostou. Foi muito bom ouvir seus gritos de prazer.
- Eu odeio você, Shikamaru. Você é insuportável, arrogante e convencido. Como a Ino te aguenta? Ah, claro, me lembrei, ela trocou você pelo meu irmão.
As palavras de Temari fazem Shikamaru parar e retroceder, ele pega o queixo dela, obrigando-a a levantar o rosto. – Acha mesmo que Ino me trocou por Gaara? Não seja tola, Ino pode ficar com dezenas de homens, mas ela sempre volta para mim. Somos feitos do mesmo material, somos iguais.
-Acha mesmo que ela voltará para você? – Surpresa e diversão se misturavam na voz dela. – Acha que abandonará meu irmão? Ele é o Kazekage. Gaara quer que ela venha morar aqui. Não creio que ela saia de Suna tão cedo.
- Até logo, Temari, quando precisar dos meus serviços sabe onde me encontrar. – Ele sai, sem responder, deixando a mulher apreensiva. Seria mesmo possível que Ino deixasse Gaara e voltasse com Shikamaru para Konoha?
XXX
- Estamos todos aqui, Artemis. Já sabemos sobre Apolo e Afrodite e concordamos que isso não deveria ter ocorrido. Contudo, Apolo foi imprudente, o ataque contra o Kazekage foi um erro.
- Eu sei que Apolo errou, mas não era necessário matá-lo. A vida dele era muito mais valiosa do que a do Kazekage. Será que Nêmesis não viu isso? Não enxerga que matarmos uns aos outros nos iguala á nosso inimigo?
-Eu sei que Apolo era mais importante que Gaara. Assim como Afrodite. – Nêmesis entra na sala onde se encontravam vários membros de seu grupo reunidos. –Vocês ficaram loucos? Se reunir aqui não é sensato.
-Era necessário, Nêmesis. Precisamos conversar.
-E quem decide isso? Você? –Nêmesis aponta Artemis se aproximando devagar. – Apolo cometeu um grave erro. Eu disse que cuidarei de Gaara pessoalmente, quando chegasse a hora. Ele deveria ter esperado. Sabe que o sucesso de nossa missão assim como a nossa segurança dependem de nos mantermos atentos á nossos planos. Todos concordamos que eu ficaria no comando e vocês iriam seguir minhas ordens. Deixei isso muito claro.
-Sim, eu sei...
-Então por que está colocando minha capacidade de liderança em dúvida? Acha que não sei quem é o inimigo?
-Nêmesis, estamos aqui discutindo sobre Apolo e Afrodite. Ambos eram muito importantes. Você mandou que Apocalipse os matasse? Justamente Apocalipse? Sabe que ele não é de confiança. – O comentário parte de Hefesto.
-É mesmo? E temos provas de que ele não merece minha total confiança? Você tem provas, Hefesto? E você, Poseidon? Disse que não deveria vir á Suna á menos que eu chamasse. Mas, pelo jeito, vocês não sabem mais cumprir ordens. –Nêmesis olha no rosto de todos e pode ver o mal-estar causado por suas palavras. Meneando a cabeça, se aproxima de uma cadeira e senta, colocando os pés sobre a mesa. Ele faz um sinal para Hades que ainda estava em pé ao lado da porta. –Chame-os.
O homem sorri de leve e abre a porta fazendo sinal. Logo entram Afrodite e Apolo, este ainda muito ferido. O espanto surge nas faces de todos os presentes, com exceção de Hades e Nêmesis. O casal entra e Apolo senta em uma cadeira, exausto. Tinha sido muito custoso chegar á Suna.
Nêmesis fixa o olhar em Artemis, aguardando. A mulher se aproxima de Apolo e abraça o rapaz, entre aliviada e surpresa. –Você está vivo?
-Por muito pouco, se não fosse por Afrodite, eu não estaria aqui.
-Mas como? Apocalipse me disse que vocês dois estavam mortos e enterrados.
-Como você mesma pode ver, Apocalipse mentiu. –Nêmesis fala, encarando a mulher. –Eu também não confio em Apocalipse e foi por isso que disse á Hades que o mandasse matar nossos amigos. Precisava de provas e agora eu as tenho. Você se precipitou, Artemis, deveria ter vindo falar comigo, antes de convocar estar reunião e colocar todos aqui em perigo. Você pensou nisso? Analisou os riscos? Francamente, Artemis, esperava mais de você.
-E o que exatamente você esperava dela, Nêmesis? – A pergunta parte de Zeus que estava encostado em uma parede distante. – Você não diz nada á ninguém, simplesmente dá ordens e espera que todos á sigam sem perguntas.
-Zeus, você é novo no grupo e ainda não está pronto.
-Pronto para quê? Pelo que entendi, você quer eliminar os lideres das cinco nações ninjas, tanto os Senhores Feudais quanto seus Kages. Trouxe este grupo para Suna, contudo, até o momento, eles ainda estão vivos e gozam de muita saúde.
- Você duvida de minha estratégia?
-Que estratégia? Explodir algumas lojas e casas comerciais? Instalar o terror entre os ninjas? Assustar seus amigos? –Ele aponta Artemis. – Na minha modesta opinião, você me parece tão perdido quanto Gaara.
-Zeus, essa não é uma boa ideia. –Hades alerta, mas o loiro dá de ombros e se aproxima, colocando as mãos sobre a mesa. –Você disse que morreria ao eliminar Gaara e me quer liderando este grupo após sua morte. Mas Gaara e você continuam vivos. Pode me dizer exatamente quais são seus planos futuros? O que pretende fazer amanhã? E na próxima semana? E na próxima? Eu estou aqui há uma semana, contudo ainda não vi nada de concreto. Artemis teve motivos para convocar esta reunião. Apolo e Afrodite ainda estão vivos, porém não sabemos porque nem o que pretende fazer com eles.
Nêmesis faz sinal para Afrodite se aproximar. A mulher se abaixa, com medo. Estava assustada desde que tinha recebido a mensagem de Nêmesis.
- Você e Apolo ficarão escondidos, ele pensará que ambos fugiram e ficará preocupado, contudo não poderá fazer nada sem levantar suspeitas. Ele irá procurar por vocês, isso o manterá ocupado. Eu cuidarei dele depois.
- Nêmesis, você pretende procurar por Gaara?
- Gaara está sem opções, sem trunfos, sem poder de barganha. Em um beco sem saída. Como eu queria. Chegou o momento de nos encontramos. Mandarei uma mensagem.
-Irá se encontrar com ele. – Nêmesis confirma. –Sim, Hades, eu irei. E vou propor um acordo ao ruivo.
-Como assim? Um acordo? Por que? Você disse que iria eliminá-lo.
-E vou. Esse será o acordo. A vida dele pela segurança de Suna. – As palavras de Nêmesis surpreendem todos.
-Acha que Gaara irá concordar? – Zeus pergunta em dúvida. – Acha mesmo que ele oferecerá sua vida assim, sem mais nem menos? Irá colocar seu pescoço na corda?
-Ou isso, ou destruiremos Suna. E você, meu amigo, estará liderando o ataque contra a Vila da Areia, enquanto eu e Gaara estaremos nos enfrentando em um duelo de morte. Para ambos.
-Deixe que eu cuide de Gaara, tenho contas á acertar com ele.
Nêmesis analisa o rapaz loiro com os olhos semicerrados, se encostando á cadeira. Passado alguns minutos em silêncio, volta á falar. – Você seria capaz de matar Gaara?
-Sou muito mais forte do que ele.
-Eu sei, não tenho dúvidas de suas habilidades e força, mas você seria capaz de matar seu amigo de campanha? Estiveram do mesmo lado na guerra. Salvaram a vida um do outro. Você seria capaz de olhar em seus olhos e eliminá-lo?
-Sim, eu seria. –Havia segurança nas palavras de Zeus. –Você não precisaria morrer, Nêmesis. Deixe-me fazer isso por você. Posso matar Gaara sem perder minha vida no processo.
-Eu agradeço, Zeus, mas Gaara é meu. Eu cuidarei dele, também tenho contas á acertar com o kazekage.
-Espere, Nêmesis. Zeus tem razão, não há motivo para você lutar contra Gaara. Zeus o fará pagar pelos erros.
-Hades, você conhece meus motivos.
-Pensei que os motivos fossem de todos, não apenas seus. – Artemis se manifesta, parando em frente a Nêmesis. –Zeus pode eliminar Gaara sem morrer durante á luta. Continuaríamos todos juntos, cumpriríamos nossa missão auto-imposta.
- Esqueça, Artemis, eu cuidarei do Kazekage, terei minha vingança, há anos que espero por isso. Irei me banhar no sangue dele. Não me importo em morrer desde que leve Gaara comigo.
Nêmesis profere essas palavras com calma, tranquilidade transparecia em sua voz. Não havia medo ou indecisão em sua expressão. Apenas segurança e certeza de seus atos e Zeus sente um calafrio na espinha.
-Quando mandará a mensagem?
-Ainda falta uma providência importante para tomarmos que ira desestabilizar Gaara por completo. Temos que tirar algo que lhe é vital.
-Nyaara. – Hades fala com calma, espantando Zeus. – Vocês irão matar a garota?
-Não. Nunca iria ferir uma criança, Zeus. Vamos tirar Nyaara de Gaara.
-Como?
-O pai biológico de Nyaara irá reclamá-la. A garota é uma herdeira milionária, quem tiver a guarda da menina, terá o controle do dinheiro.
-E sabemos quem é o pai?
-Ela é filha de Ares. – Hades esclarece. – Você o conheceu, foi ele quem o contatou na prisão. –Zeuz acena com cabeça. – E ele irá reclamar a guarda da criança?
-Sim, ele irá. –A resposta é dada por Nêmesis.
- Ares saiu do controle, ele não estava tão estável quanto imaginamos. Está claro que ele é o responsável pela morte de Keylass. E pode estar por trás do sumiço de Hermes. Ainda não temos noticias dele.
-Acalme-se Artemis, assim que Ares assumir a paternidade da garota e reclamar sua guarda, eu tomarei providências quanto á ele. Concordo com você, ele não é estável. Contudo, preciso que ele assuma a paternidade de Nyaara. Este é o melhor momento para isso. Irá deixar Gaara ainda mais perdido. Antes, porém, preciso obter a colaboração de Ares. E isso não será fácil.
-Me deixe cuidar disso, Nêmesis. Eu convencerei Ares. –Hades aguarda a resposta de Nêmesis.
-Tome cuidado, Hades, você é muito importante para o grupo e para mim.
-Não se preocupe, Nêmesis, ele pode ser o Deus da Guerra, porém eu sou o Senhor do Submundo, o Deus do Inferno.
-Eu sei, confio em sua força. –Nêmesis analisa o grupo á sua frente. – Muito bem, tempos planos para colocar em pratica, me ouçam, vocês tem muito para fazer. O fim de Gaara está próxima e em breve Suna será nossa. A vida de todos irá correr perigo. – Os outros se olham e depois voltam a atenção para Nêmesis, ouvindo suas orientações. Como ele dissera o fim do Kazekage estava próximo.
