Capítulo Onze: Colheita Distrito Onze
Billy Burt (15 Anos):
Eu estou com meu cachorro, Carnat, sentado à sombra de um pessegueiro. Estou pensando sobre a Colheita. Não quero ir à Praça para ver outro conhecido meu ir de encontro com a morte. Desde meu primeiro ano como candidato, ao todo três pessoas que conhecia foram à Arena: meus amigos Cosmo e Lily, e, ano passado, meu primo Anthy.
Foi muito difícil vê-los partir tão rapidamente. A sensação foi devastadora, fiquei sem comer durante semanas, é como se uma onda de azar percorresse em minhas veias. Fico absorto em meus pensamentos, e não percebo quando meu irmão, Iry, se aproxima e se posta ao meu lado. É seu segundo ano como candidato, e ele ainda – ainda – não foi atingido por minha maldição.
Nós ficamos deitados à sombra do pessegueiro, quando a hora de iramos à Praça para a Colheita chega. Eu me levanto rapidamente, mas Iry fica pregado no chão. Quando tento erguê-lo, ele começa a espernear dizendo que não pode ir.
"Não há mais ninguém que você conheça para ir aos Jogos, o que quer dizer que eu serei o sorteado este ano.", ele diz, seus olhos começam a marejar.
Eu o abraço e sussurro para ele:
"Não se preocupe. Você não irá para a Arena. eu não permitirei."
Ele se anima um pouco e nós vamos para a Arena, descobrir quem serão os tributos deste ano, a perturbação em minha mente de que se Iry for sorteado não poderei fazer nada crescendo. Deve haver algo que possa fazer para que Iry não vá. Deve haver uma solução.
E é quando eu me lembro. Há algo que eu posso fazer. Como não pensei nisso antes. Quando uma luz finalmente me ilumina, Dahlia Forsy, a acompanhante do Distrito, já começou a falar. Ela conta com sua voz entusiástica a trágica história dos Dias Escuros e da criação dos Jogos Vorazes, com um leve sadismo ao pontuar que "somente um dos tributos pode sobreviver."
Após isso, chega a hora de conhecermos o tributo feminino. Ela diz com o mesmo sadismo com que recitou seu discurso o nome da garota.
"Gardenia Protea."
Eu a vejo vindo na direção do palco, com uma leve apreensão em seu rosto enrubescido de pavor.
Gardenia Protea (12 Anos):
Eu estou chocada. Minha vida não podia estar em situação pior: eu sou um tributo. Eu tento me manter a mais calma o possível, pois se perder a paciência, acabarei colocando o local abaixo. Você realmente nunca espera que algo como isso aconteça com você, principalmente em seu primeiro ano como candidata, e agora que tudo voltou a fazer sentido, vejo que não há escapatória.
Eu já estou no palco, mas Dahlia resolve falar novamente sobre a história dos Jogos Vorazes, então me permito refletir um pouco. Minhas chances de vencer são praticamente inexistentes, salvo o fato de que não serei morta envenenada por alguma planta, visto que reconheço facilmente qualquer espécie.
Tirando este fator, que pode me garantir alguns dias – ou horas – de sobrevivência, sou completamente inútil: nunca manejei nenhuma arma, e não tenho conhecimentos de sobrevivência.
Quando me permito parar de pensar, Dahlia já está prestes a revelar quem será meu oponente na Arena, quando um garoto grita do meio da multidão:
"Não! Iry não irá a Arena! Eu me ofereço! Eu me ofereço com tributo!"
Imediatamente, minha reação é o pânico e indignação. Pânico, pois o garoto adivinhou o nome do garoto que seria sorteado: Iry Burt. Mas ao mesmo tempo indignação, pois qual a importância de Iry para o garoto.
Ele chega rapidamente ao palco, quando posso vê-lo melhor: pele esplendorosamente morena, olhos cor de mel, um corpo franzino, mas mesmo assim másculo o suficiente para alguém de sua idade, que não deve passar dos dezesseis. Seus negros cabelos, nem lisos nem crespos, contrastam com a luz do sol maravilhosamente. Mas sua expressão não faz jus à sua linda aparência, pois ele está a ponto de entrar em estado de choque.
"Qual seu nome, querido?", diz Dahlia gentillmente.
"B-Billy Burt.", é a única coisa que ele diz antes de seus olhos revirarem e ele cair inconsciente no chão. Imediatamente, um grupo de Pacificadores o leva para dentro do Edifício da Justiça e eu sou guiada juntamente. Agora tudo faz sentido. Ele era irmão de Iry, mas como ele sabia que ele seria sorteado?
Não tenho tempo de pensar agora que receberei visitas.
Billy Burt (15 Anos):
Eu acordo um pouco desconfortável em uma sala branca, forrada com tecidos cor de salmão. Estou praticamente sozinho, tirando pela presença de Iry e de nosso avô. Eles me contam o que aconteceu na Praça rapidamente, e eu os ouço pensativo. Meu avô acha que pode ser o estresse de ter me voluntariado que tenha causado o ocorrido.
Após isso, Iry vem dar-me uma bronca por ter me voluntariado. Eu o abraço fortemente e começo a chorar em seu frágil e magro ombro, enquanto ele se junta a mim.
"Eu não podia permitir que você fosse. Não iria perder mais ninguém, muito menos a pessoa mais importante em minha vida.", eu digo fraternalmente.
Ele me encara, seus olhos marejando, e diz, antes de serem levados embora pelos Pacificadores:
"Vença por mim."
"Não se preocupe,", eu digo a mim mesmo. "eu vencerei."
Fico todo o resto do período sozinho, pensando em minha oponente, Gardenia, e de que terei de matá-la se quiser voltar.
Gardenia Protea (12 Anos):
O período de visita me perturba. Meus pais não param de me sugerir milhares de coisas ao mesmo tempo para minha sobrevivência na Arena, o que aumenta minha preocupação. Após eles irem embora eu aguardo ansiosa para poder ir à estação embarcar no trem. Finalmente, após alguns minutos, essa hora chega.
Eu e Billy ficamos juntos aguardando o trem chegar. Enquanto ele não chega, eu digo a ele carinhosamente:
"Ei, Billy... É que eu queria saber, como sabia que seu irmão foi sorteado? E por que desmaiou durante a colheita?"
Ele me olha desanimado com seus apaixonantes olhos cor de mel por fim, conta-me que desde o primeiro ano em que se candidatou, três dos seis tributos escolhidos nesse período de tempo eram pessoas por quem ele zelava, que a única que sobrava era Iry. Eu ouço atentamente cada palavra e que o que causou seu desmaio na Colheita foi o estresse de ir à Arena e não vencer por Iry. E só nesse momento percebo como sua voz é doce e angelical.
Por fim, após sua trágica história, nós nos encaramos por alguns minutos, quando finalmente o trem chega, trazendo com si o nosso provável trágico destino.
