Ela estava...
Quebrada.
Se Lin já estava catatônica pelos duas em que ficara em claro, agora estava em frangalhos, seu corpo inteiro doía, sentindo enxaquecas absurdas pois não conseguia parar de pensar na misteriosa tela.
-O que Serpa que ele queria dizer... –Murmura Lin bebendo um pouco de chá.
-Ah!Olá Lin, desculpa a demora!Eu estava ocupado com outras coisas! –Disse Milo puxando uma cadeira e se sentando perto da professora.
-Hum?Mas o q...
-A "psicopata do quadro" está atrás de mim. –Sussurra ele tentando fingir descontração.
-...Psicopata do quadro?
-É, a mulher quer saber sobre o Kamus e não para de me perseguir, tenta não chegar perto quando estou com alguém, o problema é que, tirando o Kamus, só conheço você. –Explica ele em tom de súplica, como se pedisse para que ela ficasse ali.
-Hum...Acho que eu tenho um tempinho antes de ir para aula...-Murmura Lin. -...Mas como você fará enquanto eu estiver em horário de serviço?
-Eu me tranco no banheiro masculino. –Responde ele corando levemente, não acreditava que estava fugindo de uma garota, mas a estranha tinha uma aura amedrontara, ele jurava que a qualquer momento ela tiraria uma faca e o mataria. –O problema é que eu não consigo nem sair para comer por causa dessa maluca.
-Oh...Ok então, Wah~-Boceja a professora.
-Você ficou sem dormir de novo? –Pergunta Milo arqueando a sobrancelha. –Cara, você é mais viciada em trabalhar que o Kamus!
-Não pude dormir muito bem esses dias...
-Quer que eu pegue a comida pra você?Parece que você mal vai se aguentar em pé.
-...Não é necessário, eu tenho uma marmita aqui, além disso, tem a sua "perseguidora".
-Eu dou um jeito. –Responde dando uma leve tossida nervosa. –Mas é melhor você descansar, eu duvido que vá conseguir dar aula desse jeito, não é melhor ir a enfermaria?
-Está tudo bem, não precisa se preocupar.
-Hum...
Milo não comentou mais nada ao ver que não adiantaria, no entanto, para se assegurar que tudo ficaria bem ele ia ficar de olho na professora.
...Mesmo com a psicopata louca a solta.
-00-
-Grande, ele está acompanhado. –Resmunga Jennel.
"Apareça amanhã à noite na escola, eu vou ajudá-la a recobrar a sua habilidade de dançar."
Fora isso o que o professor lhe dissera, o que a deixou-a ainda mais irritada, com esse jeito todo misterioso e de nunca dar respostas diretas.
Tinha pensado em perseguir o amiguinho dele para arrancar alguma informação que o forçasse a revelar logo de uma vez, no entanto, não estava tendo muito sucesso, o cara era tão escorregadio que parecia um profissional em fugas.
-Eu disse para a senhorita aparecer à noite. –Disse Kamus se aproximando.
-Não podia esperar. –Retruca sarcástica, já acostumada com o jeito silencioso do outro de se aproximar.
-Nom, já que a senhorita está aqui... Estaria interessada em tomar o café da manhã comigo? –Pergunta ele arqueando uma sobrancelha. -...E dar um descanso para o Milo?
-Não. –Responde ela de forma resoluta. –Eu não vou descansar até descobrir o que está escondendo.
-Está perdendo o seu tempo, o Milo é especialista em escapar de suas "fãs" desde o colegial, acredite, você não é tão perigosa quanto aquelas loucas.
-Mesmo assim eu vou continuar.
-Você é persistente.
-...Você é irritante, porque você não se preocupa com a sua colega?Ela parecia bem acabada.
-O Milo está com ela, tenho certeza que ficará bem.
-00-
-Como não pensei nisso antes?-Ri Victorio enquanto se dirigia a mansão dos Admons.
-Wah~Bom dia Victorio... Hum...É costume seu acordar de madrugada para ir aos lugares? –Pergunta Leon esfregando os olhos enquanto estava ainda de pijama e pantufas.
-Desculpa, é que ligam super cedo para a Monica. –Fala o fotógrafo. –Eu preciso que você esconda o celular dela.
-Ok, farei isso. –Concorda o garoto sonolento. –Agora, se me der licença, eu vou dormir.
"..."
Lalita olhava para o número de celular com ansiedade, tinha estudado bastante sobre a cultura ocidental e mal podia esperar para mostrar os seus conhecimentos para o seu amigo italiano.
No entanto, ela hesitava ligeiramente por causa da noiva dele, tinha receio de ligar em um horário inapropriado e causar problemas para o mesmo (apesar de ele ter garantido que a noiva não ia se importar).
-Hum... Acho que mandar uma mensagem não fará mal.
"..."
"Bom dia, Lalita!
Recebi sua mensagem e estou indo até aí daqui a pouco, só vou demorar porque estou a pé."
-00-
-Onde está o meu celular?Tenho certeza que o vi aqui. –Murmura Monica enquanto procurava o objeto freneticamente.
Ela tinha acordado cedo como sempre, e quando ia checar as mensagens para ver se precisavam de sua ajuda lá em Milão, notou a ausência do aparelho nas suas coisas.
-Victorio, você viu o meu celular?
-ASHWQH...Hummm...Não vi não. –Boceja ele murmurando algumas coisas incoerentes.
"Será que perdi na exposição?"
-Eu vou até a exposição checar se está lá.
-Ainda falta 1 hora até a abertura.-Murmura ele. –Por que não tomamos um café da manhã enquanto isso?
-...Você não o pegou, não é?
-Não. –Nega com o dedo enquanto enterrava a cabeça no travesseiro para esconder a leve risadinha.
"..."
-Não vai pedir nada? –Pergunta o fotógrafo tomando café.
-Victorio, preciso saber se perdi mesmo o celular para fazer um boletim de ocorrência.
-É, eu sei mas... –Começa quando seu celular anuncia que recebeu uma mensagem. –Oh, é da Lalita.
-Lalita?
-É, uma pessoa que eu conheci na galeria. –Explica ele. –É uma indiana que tem curiosidade de saber como é a cultura além da sua terra natal, e eu me ofereci para ensiná-la um pouco dos nossos costumes.
-Não compreendo como você sempre ajuda pessoas que mal conhece depois de tantas vezes que isso lhe prejudicou. –Constatou a administradora.
-Bom, eu fico com consciência pesada se não fizer nada. –Concorda ele dando uma leve tossida. –É como ver um mendigo pedindo esmola na frente da igreja.
-Você não tem jeito. –Afirma Monica. –Hum...Acho que já deu o horário, eu vou checar se os portões estão abertos.
-Hum...
-O que foi? –Pergunta ela ao notar a hesitação do noivo.
-É que eu prometi para a Lalita que ia ajudar ela hoje sabe? –Responde o fotógrafo sem jeito. –Então infelizmente não vou poder ajudar na sua busca.
Aquilo era uma desculpa esfarrapada, já que ele não queria estar por perto caso a noiva descobrisse que fora ele que escondera o celular.
-00-
-Você já viu quem está na porta?
-Sim, um maior gato!
-E pelo jeito está encarando a professora Lin, será que estão juntos ao algo do gênero?
-Classe, por favor, foco.-Repreende a professora dando um suspiro.
-Desculpe professora, é que tem um rapaz aí fora... Você o conhece?
-Não muito. –Responde piscando os olhos com rapidez para tentar afastar o sono, mas começando a ver tudo meio turvo. –Na verd...
-PLOF-
-CÉUS!A PROFESSORA DESMAIOU!
-Precisamos levar ela até a enfermaria!
-Onde é a enfermaria? –Pergunta Milo abrindo a porta rapidamente e carregando a professora desmaiada.
-Eu mostro o caminho! –Fala um dos estudantes correndo na frente.
-00-
-Olá Lalita, desculpe pela demora!
-Olá Victorio. –Acena ela com um sorriso. – O que aconteceu com o carro?
-Ah, isso?Aquele dia eu peguei emprestado de uma agência que precisava urgentemente de alguém para substituir o fotógrafo que faltou.
-Deveria ser importante.
-E como!Era para tirar fotos do super modelo Afrodite, os caras estavam tão aliviados que eu fiz um bom trabalho que deixaram eu pegar o carro emprestado sem perguntar!Quem sabe eu até dê sorte e me indiquem no futuro?
-Mas... E Monica?Ela não ficou chateada por vir tão cedo para me encontrar?
-Está ocupada procurando o celular que eu escondi. –Responde ele despreocupado. –Quando ela descobrir que fui eu que dei sumiço com o aparelho eu vou acabar apanhando.
-Oh...-Murmura Lalita arregalando os olhos de forma surpresa.
-Ah!Eu não quis dizer ao pé da letra, era uma forma de dizer que ela vai ficar brava! –Explica ele ao notar a expressão de espanto da indiana. –A Monica é muito controlada, não é do tipo de surtar.
-Hum...Apesar de parecer muito "fechado", você parece se estar bem com a sua noiva.
"Dar bem". –Corrige ele. –Olha, eu devo dizer que ela é a única pessoa que cheguei ao status de "noivo", eu tenho um azar horrendo no amor.
-?Por que? Você parece ser uma ótima pessoa.
-Como fotógrafo eu tenho que participar de sessões para fotografar tudo, cenários, construções, cães, homens... E mulheres. E as minhas namoradas anteriores não gostavam disso, sentiam um terrível ciúme e diziam para que eu não tirasse mais fotos de mulheres, elas desconfiavam muito de mim apesar de eu não ser dessas coisas. –Responde ele dando um sorriso amarelo e uma gota na cabeça. –Na verdade, eu gosto da Monica porque ela sabe como eu sou e confia em mim, o fato de ela se focar muito na carreira é um ponto negativo, mas com isso ela entende a minha posição no trabalho.
-Hum... –Murmura Lalita.
De fato, a relação de seu amigo com a noiva era a relação mais estranha que vira, e desconfiava que independente do país, aquilo poderia ser considerado "esquisito".
-00-
-Senhorita Monica? –Diz Shion surpreso ao vê-la na portaria.
Depois do modo como ele agira na última vez em que se encontraram, fazendo tantas perguntas indiscretas, ele duvida que a herdeira dos Mazzei quisesse por os pés de novo naquele lugar.
-Senhor Shion.
-O que a traz aqui?
-Receio que tenha perdido o meu celular e desconfio que esteja aqui. –Responde de forma sucinta.
-A sim, eu posso checar a sala de achados e perdidos para a senhorita, espere um momento.
-Obrigado.
-É o mínimo que poderia fazer, depois da forma deselegante de agir no nosso último encontro.
-Não há razão para se preocupar, eu não me senti ofendida.
-Mas ainda assim...
-...O meu celular.
-Ah claro, um momento. –Responde ele atrapalhado.
"..."
-As chaves não estão aqui?!Mas onde é que.. –Murmura ele procurando freneticamente.
-Há algum problema?
-...As chaves da sala onde colocamos os achados e perdidos não está aqui.
Se pudesse, a essa hora, o curador enfiaria a cara em algum buraco tamanha era a sua vergonha e constrangimento, desde que se encontrara novamente com Monica, parecia que só fazia besteiras que prejudicavam a sua imagem perante ela.
"Eu não sou assim geralmente, somente com pessoas difíceis de lidar como o..."
Ele teve um estalo.
-Leon... –Xingou o curador.
-?O que disse?
-O Leon deve estar com as chaves. –Suspirou irritado enquanto ligava para o garoto.
-...Alô?
-Leon, você está com as chaves para a sala de achados e perdidos?
-Hum?Ah sim, estou.
-Tem como vir até aqui e abrir a sala?
-Xii...Agora não vai dar não, eu tenho que chegar até a sala, a aula vai começar daqui a pouco.
"Droga, eu tinha esquecido desse detalhe."
-Eu passo aí na hora do intervalo para pegar as chaves então.
-Nossa, que desespero, qual é a emergência?
-A senhorita Monica perdeu o celular.
-E como ele é?
-Um touch, prata.
-Eu encontrei um desses.
-Oh, é uma ótima notícia, obrigado. –Disse Shion desligando o aparelho. -...Senhorita Monica, estaria tudo bem para a senhorita esperar 1 hora?Leon vai entrar em uma aula e ele está um pouco atrasado com a matéria.
-...Creio que sim.
-Se a senhorita quiser eu posso pegar o celular e entregar no hotel onde está hospedada, não há a necessidade de ficar aqui.
-Não, está tudo bem, além disso, há a chance de não ser o meu aparelho, é mais fácil se eu mesma confirmar. –Garante a administradora.
-...Está bem. –Responde ele dando uma leve tossida.
"Depois de tantos erros cometidos, não é de se espantar que ela não confie nas minhas capacidades para fazer uma coisa tão simples..."
"Espero que seja mesmo o meu celular, do contrário, vou ter que comprar um novo e eu já tinha muitos contatos adicionador ali."
-00-
-...Onde estou? –Balbucia Lin ao acordar.
-Na enfermaria. –Respondeu uma voz.
A professora se esforçou para se levantar, mas foi impedida por uma mão, ainda um pouco cansada, ela se virou na direção da pessoa, constatando que era o amigo de seu colega de trabalho.
-Eu preciso dar aula.
-Nem pensar, o diretor disse que você está liberada e que é melhor descansar.
-Mas...
Sem "mas", quando eu carreguei você aqui deu pra sentir como todos os seus músculos estavam duros feito pedra, está com um enorme acúmulo de cansaço ou estresse.
-Não precisa se preocupar, um chá de camomila e alguns relaxantes musculares serão o suficiente.
-Não mencione isso.
-?O que?
-O que acabou de dizer.
-?Não precisar se preocupar?
-Não, o resto.
-Chá e relaxante muscular?
-Isso!Sabe como essas "coisinhas" tiram o meu trabalho!-Fala Milo de forma exasperada. –Todo mundo acha que pode resolver tudo com os malditos relaxantes musculares!
-...No que você trabalha? –Pergunta Lin de certa forma, curiosa.
-Fiz fisioterapia e cursos de aculputura e massagem, por isso notei que está cheia de nós na musculatura. –Explica. –Eu estou acostumado a lidar com isso, se quiser eu faço pra você, e de graça.
-Ãh?Ah, não é necessário! –Nega ela freneticamente, enrubescendo ligeiramente ao pensar na possibilidade de o rapaz encostar nela. –Eu estou bem!
-Não adianta me enrolar que eu aprendi a ler o silêncio com o Kamus. –Fala ele arqueando a sobrancelha. –Além do mais, eu estou fazendo de graça por você ser amiga do meu amigo, então qual o problema em aceitar?Pelo menos você não vai jogar dinheiro fora com aquelas "coisas".
-Hu...Hum...Ok. –Aceita ela de forma relutante ao ver que o rapaz a sua frente não desistiria tão fácil e que iria surtar se ela mencionasse "relaxantes musculares" de novo.
-Certo, eu vou comprar o óleo de massagem.
-Hum?
-Eu não trouxe as coisas do trabalho. –Explica Milo. –Ah, e eu vou ter que fazer isso na sua casa já que eu não tenho a cadeira comigo ok?
-00-
-?O que está acontecendo? –Pergunta Lalita de forma curiosa ao ver uma multidão bem vestida em frente a uma construção.
-Hum?Deve estar acontecendo uma cerimônia de casamento na igreja. –Explica Victorio. –Oh, a noiva está saindo!
-Por que ela está vestida de branco?
-...Não entendi a pergunta?
-Não seria melhor ela não mostrar que é viúva?
-Viúva?Por que diz isso?
-Na Índia, as mulheres viúvas só podem vestir branco.
-Ah!Então é isso!Bem, para nós, outros ocidentais o branco é a cor da "pureza" por isso é usado em casamentos.
-Oh... –Murmura Lalita. –Os seus costumes quanto a união de famílias é realmente estranho... Para começar, são os noivos que decidem os seus pretendentes.
-Hum...Eu não acho que há nada errado em casar com alguém que goste. –Comenta o fotógrafo.
-Eu li um pouco a respeito de como é o processo de escolha dos pretendentes mas não entendi muito, não nada específico.
-HAHA, nós chamamos isso de cortejar, paquerar ou flertar.
-E... Como funciona esse "flertar"?
-Como é que eu explico isso...?Bem, você tenta chamar a atenção da pessoa que você gosta de forma que ela acabe gostando de você sabe? –Diz Victorio tentando explicar, apesar de não saber ao certo como. –Fazer com que apreciem e se sintam feliz de estar contigo.
-O que estamos fazendo agora...Pode ser contado como "flertar"? –Pergunta a indiana, já que ao seu ver, o tempo que passava com o rapaz fazia com que ela apreciasse cada vez mais a presença do outro.
-Não. –Responde ele. –Pelo menos não neste contexto.
-E como sabemos a diferença entre as intenções?
-Essa é uma pergunta difícil... –Murmura Victorio pensativo. –Há gestos de afeto especiais que você só demonstra para quem você está interessado, mas isso varia de um para o outro, então é difícil saber se você não conhecer a pessoa em questão.
-Parece complicado.
-Sentimentos são complicados. –Concorda. –Mas posso dizer uma coisa que vale para quase todo mundo: Quando estamos seriamente apaixonados, é difícil demonstrar o nosso amor para alguém, ás vezes, até para nós mesmos.
-00-
-Olá Shion!Ah...Vejo que trouxe a senhorita Monica junto. –Observa Leon.
-Leon, as chaves por favor.
-Ah sim, espere um pouco enquanto eu procuro na mochila, você poderia aproveitar e me contar porque está com essa cara de muxoxo.
-Eu não...
-O que ele disse a senhorita?-Pergunta Leon se virando para Monica.
-Hum?
-Ultimamente, parece que ele só faz essa cara quando a coisa envolve você. –Explicou o garoto ignorando os gestos do mais velho para que parasse de falar.
-Acabei cometendo alguns deslizes. –Tossiu Shion de forma nervosa.
-Oh, é mesmo?-Murmura o herdeiro dos Admons. –...Quer saber de uma coisa?Vamos conversar um pouco até o meu intervalo de 30 minutos acabar!Ei Monica, me conte um pouco sobre a sua vida.
-...O Victorio não contou tudo? –Pergunta a administradora arqueando a sobrancelha.
-Há!Quero saber dos fatos sem as flores. –Diz o excêntrico garoto. –Vamos~Senão, eu não dou as chaves.
...No fundo Shion começava a xingar mentalmente o seu azar e o herdeiro dos Admon por piorar ainda mais a sua imagem.
-00-
-...Tenho mesmo que ficar de biquíni?-Pergunta Lin vermelha como um tomate.
-Sim, eu tenho que tirar esses "caroços" na sua musculatura, e o calor da minha mão ajudará a circulação do sangue também. –Explica ele passando o óleo nas mãos. –Cara, pare de me olhar com medo, se a massagem for ruim eu te devolvo o dinheiro.
-...Você disse que estava fazendo de graça?
-Ok, eu te dou o dinheiro de quanto valeria esta sessão se fosse paga.
-Não quis dizer isso...Na verdade, eu preferiria pagar.
-Nem pensar, por acaso, quando você oferece ajuda para alguém você cobra a ajuda?
-Bem...Não.
-Eu quero te ajudar, então não vou aceitar o dinheiro, anda, não complique, isso só vão piorar o seu estresse.
Fim do assunto, a professora deu um suspiro resignado e deitou-se de forma relutante no tapete da sala(ela havia se recusado a fazer isso na cama, já era constrangedor o suficiente ela estar de biquíni e ter aceitado a massagem).]
Seu corpo enrijeceu com o primeiro contato das mãos, mas após algum tempo, depois de o fisioterapeuta realizar a massagem com habilidade, ela foi lentamente relaxando.
O silêncio ajudava, ela não poderia dizer se ele não tentava conversar por estar concentrado ou por perceber o desconforto dela, mas de qualquer forma, ela agradecia o gesto, podia dizer a massagem estava surtindo efeito, já que as dores em suas juntas, que a estava incomodando fazia um tempo, estavam desaparecendo.
"Talvez eu realmente precisava relaxar..."
-Pronto, acho que consegui tirar tudo, nossa, eu já tive que lidar com um monte desses nós, mas você ganha o prêmio pela quantidade... –Comenta Milo. -...Lin?
Ele olhou para a professora e percebeu que ela caíra no sono, com uma face relaxada e serena, e... Apesar de não conhecê-la muito bem podia dizer que deveria ser a primeira vez em muito tempo, que a professora estava tranquila.
-00-
-...Acorde Jennel. –Chamou Kamus suavemente.
A bailarina abriu os olhos relutante, depois do almoço ela decidiu por esperar o professor na sala de descanso, acabando por cair no sono, sentada na poltrona confortável.
-Que horas são?
-Tarde, a escola já fechou.
-Bom, pelo visto já deu o horário.
-...Pelo visto ainda não esqueceu do que eu disse...Bom, é bom que esteja determinada, vai precisar disso.
"..."
-Por que me trouxe aqui? –Pergunta Jennel ao ver que estava em um ginásio coberto.
-Porque há espaço o suficiente para dançarmos valsa.
-"Dançarmos"?"Valsa"?
-Valsa é uma das danças mais lentas e fáceis, creio que será um bom começo.
-Escuta, se você não viu as reportagens eu não posso dançar, estou com um problema na perna!
-Não combina com você desistir tão facilmente.
-Tch, não é como se eu não tivesse tentado antes. –Retruca a bailarina olhando para o chão.
-Não custa nada tentar novamente. –Diz Kamus estendendo a mão em direção a Jennel. –Sabe dançar valsa?
-...Um pouco.
Ela ficou encarando aquela mão por mais alguns minutos, dando depois, um suspiro resignado e aceitando de forma relutante, se sentindo um pouco desconfortável enquanto assumia a posição de dança, colocando uma mão na lateral do corpo do rapaz e se aproximando demais (em sua opinião) dele, podia jurar que até conseguia sentir o perfume que ele usava, talvez Calvin Klein?
-Vamos começar sem música.
Jennel se atrapalhou toda apesar de irem devagar, não sabia exatamente se era por causa do seu problema na perna ou nervosismo, mas isso não mudava o fato que ela estava tropeçando demais, por vezes, pisando no pé de seu parceiro, que parecia não se alterar.
-...Eu disse que não ia conseguir. –Murmura ela constrangida enquanto mirava o chão.
-Você não consegue porque está com muita coisa na cabeça. –Fala ele de forma calma. –Feche os olhos.
-Isso é perda de tempo. –Resmunga ela, mas fechando os olhos de qualquer forma.
-Respire e Inspire.
-...
-Agora não pense em mais nada e apenas acompanhe a minha voz, não se preocupe se errar alguns passos, continue a acompanhar o meu ritmo.
Kamus esperou até que a bailarina ficasse relaxada e focada, então recomeçaram a dançar.
A diferença entre a primeira e a segunda foi perceptível, mesmo que ela errasse alguns passos ela parara de dançar de forma desajeitada e parecia até um pouco em sintonia com o seu acompanhante, no fim da música imaginária que tocava em suas mentes os dois pararam, ainda sem desconectarem as mãos.
-...Você se saiu muito melhor agora. –Fala ele dando um pequeno, e quase imperceptível, sorriso.
-000-
Christ, esse deve ser o capítulo mais comprido que eu escrevi e provavelmente vá escrever o_O
...Olha... Eu devo dizer que estou muito grata por vocês, estava morrendo de medo de ver a reação de todas, fico aliviada em saber que não estão zangadas comigo...
E... Bem, desculpe se eu falar alguma coisa no masculino, certos hábitos demoram para mudar :/
Essa parte sobre a cultura indiana pode ter algumas inconsistências já que eu procurei o conteúdo na internet, e eu até queria comprar um livro para ser o mais verossímel possível, no entanto, eu não acho que meus pais ficariam felizes em saber que gastei dinheiro com coisas que não são da faculdade :/
Ah sim, depois de muitos capítulos... Eu usei a sua sugestão, Petit-sama.
Ok, agora aos reviews:
Tsu-baka-chan: Calma, não bata na Lorena que a pobre ficou com trauma depois do que aconteceu com o irmão dela, e até que ela amoleceu um pouquinho hahah
É...O moleque vai dar o que falar, às vezes não vai dar pra saber se ele está bancando o cupido de propósito ou não XD
Não há problema algum em demorar, eu sei como é isso X_x
Chibi Haru-chan17:Eu tenho tara por mistérios e suspense, talvez seja por isso que o Aioros ficou assim lol, xiii... O Leon ainda vai fazer os dois passarem por mais coisas embaraçosas e sem tentar!XD
Notte di Luce: a Jennel é uma pirada mesmo, e eu me divirto muito com essa psico louquete!LOLOLOL, Ah, o Dohko aparece no próximo capítulo se minhas contas estiverem corretas ^^
Gabu Sevs: Eu gusto de dar nomes estranhos aos meus ,personagens e eu tenho uma conta masculina no Ragnarok chamada "Elhienn Hovercast", sei lá, eu sou melhor em criar personagens masculinos?
Sim, o Milo é o melhor amigo folgado, quero ver quando ele notar que o Kamus não está em casa e vai ter que dormir fora hahahah XD
Teella: Não há problema algum, pelo visto, todo mundo pensou…(Acho que isso significa que eu penso muito como moleque...), e eu que deveria me desculpar por não ter tido coragem de contar mais cedo, e eu tenho fetiche por "crossdressing" aí já viu *tosse nervosamente*
Eu também queria viver no mundo de fanfics, seria muito louco, desde que não fosse "deathfics"
Lebam: Na verdade, como eu comentei com a Suellen, eu tenho problema com yaoi em alguns fandoms, eu por exemplo, não tenho muito problema com shounen-ai no Yu-Gi-Oh, mas eu não curto no Saint Seiya, me sinto desconfortável.
Agradeço a todas por serem maravilhosas.
See Ya!
