Aquilo lhe doeu de todas as formas inimagináveis. Aquele tapa a assustou de uma forma que ela havia esquecido. Sua bochecha ardeu quase que instantaneamente e ela levou a mão ao local que já começava a aderir a um tom avermelhado. Jack não esperava qualquer reação dela naquele momento mas Sharon o surpreendeu ao dar-lhe um soco no rosto, mas aquilo não foi o suficiente sua ira e sua adrenalina pediam-lhe para que ela fizesse algo mais e ela ouviu seus instintos gritando dentro de si, desferiu um tapa e quando ele recuou ela bateu onde conseguiu enxergar, a adrenalina que fazia seu coração acelerar e seus olhos ficaram turvos estava no controle.

Jak recuava para trás tentando contê-la, mas ela parecia cada vez mais irada. Um momento de descuido, quando ela parou uma fração de segundos para normalizar a respiração ele aproveitou-se, segurando suas mãos com força e a puxando para si. Sharon pensou rápido o chutando nas partes baixas o que fez Jack recuar, curvando-se com a dor intensa e repentina que sentiu entre as pernas.

"Cadela." Ele rosnou com raiva enquanto seu rosto branco tornava-se vermelho e uma veia começava a pulsar em suas têmporas.

Sharon viu naquele momento a possibilidade de fugir. Correu até a porta mas Jack foi mais rápida, segurando-a pelo cabelo e a trazendo-a de volta para o mesmo lugar.

"Sua cadela desgraçada." Ele amaldiçoou-a e segurou com extrema força pelo pulso, novamente ela sabia que haveriam marcas ali.

Jack a puxou até a cama, arrastando-a com força e a jogou sobre o colchão. Deitada naquela cama Sharon começou a sentir flashbacks sufocando sua respiração e tudo tornou-se mais real quando Jack subiu em cima de seu corpo. Você precisa sair daqui, a voz dentro de sua cabeça gritou. Ela lutou com veemência mas ele segurava suas mãos.

"Tire suas mãos de mim." Ela ordenou com os dentes cerrados. "Ou eu juro que começarei a gritar."

Jack segurou o rosto dela entre as mãos, apertando com força.

"Sabe por que você nunca vai fazer isso? Porque você é muito orgulhosa."

Ela era, sabia que se gritasse a equipe inteira entraria naquele quarto e a veria daquela forma, a equipe inteira veria a Rainha de Gelo quebrar-se lentamente, Sharon pensou no que diriam sobre ela pelos corredores da F.I.D, os sussurros, os olhares e os dedos que aprontaram por trás. Ficar ali a destruiria, em uma só tacada tudo que ela havia construído dentro de si mesma, as muralhas que havia demorado para erguer contra Jack seriam quebradas.

Ela estava ciente do que aconteceria a seguir se não conseguisse se livrar daquele. Jack colocou todo o peso de seu corpo sobre o dela e suas mãos agora livres trabalhavam em passear sobre o corpo dela, Sharon sentiu seu estomago embrulhar e a vontade de correr fez seu coração acelerar ainda mais, ela desejava respirar mas o peso dele totalmente sobre si não permitia que ela o fizesse normalmente. Ela virou inúmeras vezes a cabeça todas as vezes que ele tentou beijá-la, fechando os lábios negando-se a deixar que os dele encostar nos seus mas novamente, apenas com uma mão ele segurou seu rosto e conseguiu beijá-la, mesmo que ela não respondesse, ao termino do beijo ele mordeu seu lábio e ele incha rapidamente, sangrando um pouco.

"Seja uma boa menina, certo?" Ele zombou. Jack sempre teve prazer em sentir-se superior, mais forte, controlador aquilo fazia com que ele se sentisse mais homem.

Com o que ela havia casado? Havia comprado uma ilusão sobre Jack que nos primeiros anos ele conseguiu sustentar, mas com os anos ele havia se mostrado realmente, ele era aquilo. Na primeira vez que ele agiu daquela forma repugnante Sharon o deixou fazer, não considerando aquilo estupro, ela apenas focou seu olhar na luz do quarto enquanto tentava ignorar o que acontecia com seu corpo, dois anos se passaram e ele não voltou a fazer aquilo. Mas ali estava, as consequências por ter fechado os olhos para as atitudes dele.

Ela quando ele tirou o cinto, a forma rapida que ele tirava o cinto de couro. Deus, ela precisava sair dali ou o pior tornaria a acontecer. Ela desejou correr mas ele estava esmagando suas pernas com todo seu peso. Seria questão de minutos ou segundos para que ela voltasse a se sentir péssima, suja novamente.

Sua cabeça calculou rapidamente um plano. Podia funcionar ou simplesmente não.

"Socorro." Ela gritou alto o suficiente para assustá-lo mas não para atrair a atenção de todos. Ela queria que ele acreditasse que ela seria capaz de acreditar.

Em resposta Jack pôs a mão na boca dela, abafando qualquer tentativa de gritar. E foi aí que ela sentiu uma pontada de esperança, seus dentes fecharam-se ao redor da mão dele, Jack gritou, ela podia sentir o gosto do sangue dela invadindo sua boca lentamente até que ele puxou a mão levantando-se involuntariamente.

"Desgraçada."

Ele analisava a mão e Sharon tentou novamente correr, quando sentiu que ele a pegaria novamente e pensou que estaria mais irado do que antes, ela segurou o jarro de vidro que ficava ao lado do criado mudo, atingindo-o na cabeça com força e Jack caiu.

Corra, a voz na sua cabeça gritou e quando ela viu que infelizmente o desgraçado ainda respirava e que o sangue no chão havia sido apenas um corte ela correu. Para onde ir, perguntou-se. Ela estava péssima, sua roupa estava brevemente rasgada, seu cabelo provavelmente desgrenhado, sua boca inchada pela mordida, seu rosto extremamente vermelho pelos tapas consecutivos e a adrenalina ainda presente em seu corpo.

Com as pernas trêmulas ainda doendo ela saiu apressadamente pelo corredor, ela não voltaria assim para o quarto. Ela queria, precisava de seu momento.

Enquanto Sharon Raydor saiu rapidamente do hotel em busca de um refugiu Provenza a viu, todos do time estavam ocupados demais jogando cartas ou comendo. Ele aderiu como distração observar as pessoas pela câmera e viu o momento em que Sharon deixava o hotel, ela parecia atordoada.

"Eu sou saindo." Ele avisou e todos reuniram em protesto, quando um deles saiam do quarto ninguém mais podia sair.

"É minha vez e eu estou guardando." Reclamou Mike.

"Eu volto logo."

Provenza pensou enquanto caminhava pelo corredor em ir até Andy, mas ele mesmo havia aconselhado o amigo a não correr atrás da capitã, e era exatamente isso que ele estava fazendo. Ele a seguiu a distância, ela jogava o cabelo para trás, parecia cada vez mais irritada, ou talvez nervosa ele não podia saber. O tenente viu quando ela entrou em um bar, ele estava enxergando bem? Ela estava indo a um bar? Provenza repensou naquela situação, mesmo que não quisesse ele precisava entrar lá, vê-la andando nervosa daquela forma já não era um bom sinal, mas vê-la entrando em um bar atordoada era ainda pior.

Quando Provenza entrou no bar, após sete minutos de indecisão sobre entrar ou não, deparou-se com uma capitã completamente diferente da que ele conhecia. Bebendo como um do homens ali presentes, mas a aparência física dela era ainda mais incomum, os olhos vermelhos estavam vermelhos como se tivesse chorado, o rosto dela vermelho e a boca dela estava inchada como se alguém lhe tivesse dado um soco ou algo do tipo. O estranho sentimento de preocupação cresceu dentro dele.

Provenza aproximou-se da mesa e demorou um minuto até Sharon dar-se conta de que era ele quem estava ali parado.

"O que você está fazendo aqui, tenente?" Ela perguntou e pôs uma parte do cabelo na frente da bochecha na tentativa de cobrir a área vermelha.

"Eu vi você deixando o hotel e fiquei preocupado." Ele disse antes de sentar-se, Sharon abriu a boca para protestar mas ela lembrou-se que estava lidando com Provenza.

"Eu estou bem." Quem em sã consciência acreditaria nisso? Ela perguntou-se, não havia nenhum justificativa para seu estado exceto a verdade

"Sim, eu acredito nisso." Ironizou.

"Eu realmente não quero falar sobre isso, tenente." Ela admitiu de passar o dedo sobre uma lágrima que queria insistentemente cair.

"Capitã, eu vim aqui como amigo do Andy, o que está acontecendo? Alguém bateu em você e isso está óbvio."

"Eu não quero falar sobre isso, tenente." Ela repetiu, agora mais firme implorando mentalmente para que ele simplesmente parasse de falar sobre aquilo, doía falar, doía lembrar e a última coisa que ela queria era se permitir quebrar na frente dele, ela não podia se permitir, o que ele pensaria dela?

"E o Andy, ele está preocupado com você."

"Não se atreva a falar com o Flynn sobre isso, eu jamais lhe perdoaria se você fizesse isso, por favor não."

"O que você quer que eu faça?"

"Quando tudo esse caso acabar eu prometo resolver esse problema."

"É meu trabalho denunciar coisas assim e prender quem fez isso."

"Eu não quero que nada aconteça antes desse caso acabar, entendeu tenente?" Ela não soou firme como queria, ao contraria, sua voz saiu trêmula.

"Quando tudo acabar você irá denunciar ou eu mesmo farei isso." Ameaçou, Sharon deu-se conta que Provenza já havia percebido que foi realmente Jack quem lhe esbofeteou, não havia como lutar contra as isso.

"Obrigado." Forçou um sorriso para tentar reconfortar o tenente a sua frente.

Eles ficaram em silêncio, ela concentrada apenas no líquido em seu copo e ela não podia parar de analisá-la.

"Você pode por favor parar de me olhar como se eu fosse um animal no zoológico."

"Eu odeio admitir mas eu estou realmente preocupado Por que o Jack fez isso com você?."

"Eu agradeço a preocupação tenente mas eu prefiro não falar sobre isso no momento, eu sei me cuidar, volte para o hotel antes que mandem alguém atrás de você. "

"Eu estarei observando e não exite em me chamar."

Provenza deu a ele um sorriso antes de sair. Ele realmente sorriu? Ela questionou a si mesma incerta do que havia visto. Agora além de Andy ela teria Provenza vigiando seus passos. O tenente sabia que algo estava errado, mas não era só com ela, ele sempre deixou em evidência sua raiva pela capitã da F.I.D, a maneira com que ela enviaria seu espaço e insistia em impor suas regras. Mas agora, mesmo que odiasse admitir, estava preocupado e começava a nutrir certo apreço por aquela demônio de olhos verdes e postura imponente.

Sharon passou o resto do dia no bar, ela não bebeu ao ponto de ficar bêbada quanto da última vez que esteve ali, mas o suficiente para não receber olhares do barman se perguntando porque ela continuava sentada ali sem beber nada. Estava no hora, ela repetiu para si mesma, já passava da hora na verdade. Ela precisava ir para o hotel, seu rosto ainda estava vermelho, ainda havia contusões pelo seu corpo. Andy, a imagem do tenente veio a sua cabeça, o que ela faria? Ele notaria! Mas ela precisava voltar para lá antes que o mesmo se desse ao trabalho de ir buscá-la.