Capítulo 12 - Pesadelos, parte II

O Hotel Imperial, construído no século XVIII, ostentava beleza e luxo, destacando-se das demais construções da cidade de Albuquerque. Ponto referencial destinado às pessoas com significante poder aquisitivo, resguardava aos clientes um atendimento digno de reis e rainhas.

Suas paredes brancas, adornadas pela cor marfim, destacavam os detalhes sutis contornando portas e janelas em madeira e vidro.

No sétimo andar, na janela do meio, uma mulher observava sem realmente prestar atenção, o fluxo de veículos e transeuntes que circulavam pela avenida. Seus pensamentos, alheios ao luxo e pompas que a envolvia, inertes, perdidos em meio à massa humana que se aglomerava lá embaixo com o avançar das horas. Ela só queria ter seu filho de volta. Ela só queria ter a oportunidade de lhe pedir perdão.

- Luce?

A voz preocupada de Hellen tirou Luce Lawless de seus devaneios. Olhou para a outra com uma expressão carregada de tristeza e medo.

- O detetive Pellegrino ligou. Ele disse que viria a tarde para conversar com você...

- Ele encontrou o meu filho? - Cortou-a abruptamente.

- Bem... Não, mas...

- Então ele e eu não temos nada o que conversar. - voltou sua atenção para além da janela.

- Mas, Luce... Você sabe que...

- Se ele não tem alguma notícia sobre o meu filho, então não temos nada o que conversar, eu já disse!

- Essa sua atitude em nada ajuda. Precisamos nos unir à polícia na busca por Jared.

- Você não entende, Hellen!

- QUEM NÃO ENTENDE É VOCÊ!

O grito da amiga chamou a atenção de Luce que voltou a olhá-la, mas dessa vez exibia um olhar inquisitivo.

- Eu sei o que está acontecendo com você e isso se chama remorso.

Não gritou, mas seu tom de voz denunciava a revolta que sentia contra a outra.

- Isso mesmo que você ouviu! – respondeu quando a amiga a olhou raivosa. – Lembra-se das suas tentativas frustradas de arrumar um namorado? Lembra-se do último namorado que finalmente arrumou e de que quase perdeu seu filho por causa dele?

- O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO? QUE COMPORTAMENTO É ESSE?

- POR ACASO ESTOU ERRADA? COMO SE NÃO BASTASSE O SEU CASO FRUSTRADO COM O FALESCIDO PAI DO JARED, DEIXOU A CRIAÇÃO DO SEU FILHO APENAS EM MINHAS MÃOS PORQUE NÃO CONSEGUIA FECHAR AS PERNAS PARA O PRIMEIRO QUE LHE PROCURAVA.

- COMO SE ATREVE HELLEN...

- EU ME ATREVO PORQUE É ISSO QUE VOCÊ MERECE OUVIR!

- Desde que o Jared nasceu, cuidar dele e de você é mais do que um trabalho para mim. Vocês dois são a minha família e eu amo seu filho como se ele fosse meu. Então, não se julgue mais triste ou preocupada com ele do que eu, porque eu garanto que você não está!

Baixara a voz, mas a mágoa soou nítida em suas palavras. Era um desabafo. Na verdade, nunca perdoara a amiga pelo que fizera ao garoto quando finalmente arrumou-lhe um padrasto e desconfiava que Jared também não.

Com um suspiro de resignação, Luce escorou-se na parede atrás de si, escorregando devagar, agachando-se. Pôs as duas mãos no rosto. Incapaz de conter as lágrimas que vieram em abundância. Sentia tristeza, remorso e vergonha de si mesma. Sentia seu passado cada vez mais presente. Olhou novamente para a amiga, encarando-a antes de falar:

- Eu sei! Você acha que eu esqueci? E como se não bastasse isso para me atormentar, lembro-me perfeitamente da discursão que ele e eu tivemos dois dias antes dele ser sequestrado. Hellen... E se eu nunca mais ver o meu filho? E se ele não voltar para casa vivo? E se...

Sentiu dois pares de mãos levantando-a com violência e sacudi-la pelos ombros. A governanta vencera rapidamente a pequena distância entre as duas, agarrando os ombros da amiga, sacudindo-a, como se com esse gesto descontasse toda a raiva que sentia pelo que acontecera ao seu menino causado por ela e pelos sequestradores.

- Não se atreva a perder as esperanças, ESTÁ ME OUVINDO! Não se atreva e eu estou falando sério!

Empurrou-a contra a bancada da janela, saindo furiosa da sala, deixando a amiga perdida em suas lágrimas de tristeza, arrependimento ou qualquer outro sentimento que não fazia questão de saber. Gostava de Lawless. Ela era como uma irmã para si. Mas, o fato de vê-la titubear sobre a crença da volta do filho era demais para os seus nervos abalados. Três dias sem o seu menino que para Hellen parecia três anos. E como se não bastasse, ultimamente vinha remoendo acontecimentos que preferia esquecer. Um passado regado a discursões, lágrimas do seu pequeno e a mágoa que ainda sentia pela mãe dele. Sem falar na culpa que a consumia, pois estava com o garoto quando os bandidos o levaram, foi por causa dela que Jared foi ferido e só Deus sabe como ele estava. Pensava.

Zona rural de Sioux Falls, Dakota do Sul, 10h35min da manhã.

- Jensen, você não entende? Ela é minha irmã! Ela é a única família que eu tenho. Você não pode tirá-la de mim! – o loiro o olhava sem emoção.

- Problema seu! Como irmão mais velho deveria vigiar melhor a vagabunda da sua irmã caçula.

- COLLINS, OLHA COMO FALA DA MINHA IRMÃ!

- EU FALO DO JEITO DE EU QUISER!

Um barulho sobre a mesa chamou a atenção dos dois homens.

- Parem com isso, agora! Eu já não aguento mais ouvir os dois brigando. Quem vai decidir o que será feito com Danneel sou eu!

Apesar do tom de voz normal, falou pausadamente e não menos raivoso do que os seus dois comparsas. Há mais de três horas, os membros da quadrilha Dark Moon, com exceção de Danneel, reuniram-se para discutir o futuro da ruiva. Mas, durante esse tempo Jensen manteve-se quase a maior parte do tempo calado, perdido em seus pensamentos, distante, apesar de sua expressão denunciar a raiva pela ex-amante. Mais raiva pelo que fizera a Jared do que pelo pedido de resgate frustrado.

Não aguentava mais a discursão entre Misha e Michael. Pois, enquanto um acusava Danneel fervorosamente, o outro a defendia com o mesmo fervor.

- Não podemos matá-la enquanto o refém estiver em nosso poder. Temos que esperar o sequestro acabar. – Tom se pronunciou chamando a atenção do loiro.

- Por que acha isso, Welling? Por que não damos um fim nela hoje mesmo? – perguntou Jensen, curioso com a sugestão do comparsa.

- Lembra quando você executou Andrew Havene? Nem mesmo a polícia sabe que temos um membro a menos. Você disse que isso possivelmente nos daria uma vantagem, já que somos procurados pela polícia.

- Welling e todos vocês me escutem e eu não quero precisar repetir isso novamente: nunca mais toquem no nome desse traidor, entenderam? NUNCA MAIS! – levantou-se, derrubando a cadeira, encarando-os furioso. Respirava forte, buscando se acalmar. Falar sobre Havene o irritava. Há oito meses, desde sua morte, proibira seus homens de falar sobre aquele que fora seu braço direto antes de Danneel, antes de Misha. Ele foi o primeiro bandido recrutado por Jensen.

- Tudo bem, Jensen! Isso não vai mais acontecer. Mas... E a Harris? O que fará com ela? Vai mesmo matá-la?

- O que? Não! Por favor, Jensen! Eu imploro! Não dê ouvidos aos comentários dos outros, principalmente do Misha! Você sabe que ele e minha irmã nunca se deram bem. Dê-lhe uma chance pelo amor que ela sente por você!

- Hora, por favor, Rosembaum! Aquela lá não ama ninguém! – falou com desprezo, finalmente respondendo pela primeira vez às súplicas de Michael.

- COMO PODE FALAR ASSIM, ACKLES! – gritou, levantando-se da cadeira. – COMO PODE TRANSAR COM DANNEEL E SIMPLESMENTE AGIR COMO SE ELA NÃO SIGNIFICASSE NADA?

- Simplesmente porque sua irmãzinha realmente não significa nada para mim. Além do mais que culpa eu tenho se ela me procura? Eu que não vou rejeitar uma boa transa.

- CAFAJESTE!

Gritou, levantando abruptamente da cadeira, derrubando-a, indo contra o outro intencionando golpeá-lo, mas antes de conseguir, Jensen que já estava de pé, segurou-o pela gola da camisa, derrubando-o no chão, pondo-lhe uma cadeira sobre o pescoço e sentando nela.

- Acho melhor você se acalmar, Michael. – o rapaz o olhou em um misto de raiva e surpresa. Ackles era realmente muito ágil e forte, pensava.

- Não... Pode matar... Minha irmã. Não... É justo! – falou com dificuldade.

- Não é? Por que não é justo? Ela arruinou nosso plano de resgate e se não fosse por isso, o moleque já estaria com a família a essa hora e nós ainda mais ricos. – falou Jack, indignado com a afirmação do comparsa.

- Sem falar que o tal de Jared está doente e Danneel pode ser a culpada por isso. E se ele morrer?

Ao ouvir isso, Jensen sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Levantou-se da cadeira, libertando o outro, pouco se importando com os gemidos de dor dele. Olhou assustado para Lindenberg. Não! Jared não podia morrer. Não devia morrer. Não mesmo.

- Por que você disse isso, Chad? Como assim morrer? Acaso o estado de saúde dele se agravou? – tentou esconder sua preocupação, falhando miseravelmente.

- O garoto está muito doente, Ackles! Meningite ou pneumonia? Sério? Acha mesmo que ele vai sobreviver? Eu não acho.

- VOCÊ NÃO TEM QUE ACHAR NADA, ENTENDEU? – todos o olharam espantados, sem entender o porquê de sua irritação ao ouvir sobre a morte de um refém.

- Calma, Jensen! Você não perderá o dinheiro desse resgate, eu lhe asseguro. Sabemos o quanto a mamãe "daquele bebezão" é rica. Confie em nós. Afinal, você sempre confiou. Daremos um jeito.

Dando crédito as palavras de Collins, os outros fizeram gestos de aprovação, em um claro sinal que entendiam a raiva do loiro. Nem sequer imaginavam que sentimentos invadiam a alma e os pensamentos do líder em relação ao menino Padalecki. Eles não sabiam, porém Misha, depois do que viu, tinha suas suposições.

- Isso mesmo Jensen! Olha, cara, eu tenho um plano e talvez possa resolver nossos problemas com relação ao resgate do garoto.

- Um plano Tom? Que eu saiba, tudo foi programado antes...

- Antes da sua irmã por tudo a perder, resultando na doença do garoto e a anulação do pedido de resgate no correio Fox. Sim, Michael, nós sabemos disso. - Rosenbaum o olhou furioso, mas não disse nada.

- Jensen, devemos ir para Portland, no Origon, como programado, mas antes disso, enviamos um novo pedido de resgate, eu mesmo posso me responsabilizar por isso. Esqueça as agências dos correios que tínhamos programado para infiltrar um de nós lá. Mandamos uma pequena mensagem de radio utilizando a própria frequência da polícia. Isso será fácil. Jack é um exímio haquer.

- Deixa comigo, cara! Vai ser moleza. – Jack Abel falou para o amigo com um sorriso vitorioso.

- E depois, o que acontece? Aonde será deixado o dinheiro? Como eles vão saber se não matamos o garoto? Depois do que Danneel fez a polícia certamente intensificou os meios de buscas. – Jensen perguntou receoso. A possibilidade de devolver Jared à família, golpeando-o como um soco no estômago.

- Não se preocupe! Tenho um esquema para que o Jack e eu possamos nos infiltrar entre os policiais, no dia do pagamento do resgate. Esqueceu que antes de nos recrutar, já éramos sequestradores?

- E em quanto tempo esse plano será concluído? Dois dias, três...

- Em um dia apenas. Com o helicóptero da polícia federal a nosso favor, Jack e eu só precisamos de um dia para...

- Não!

- Não? Jensen, esse sequestro era para durar um dia, um dia e meio, no máximo. Se não fosse pela Harris...

- Welling, eu sei o quanto estamos atrasados e sei também que já devíamos está no Origon, mas não vou por a vida do garoto em risco, nunca fizemos isso.

- Eu sei, mas...

- Sem mas... Escutem-me todos vocês – voltou a sentar ao lado dos comparsas – seu plano é perfeito, Tom, no entanto esperaremos Jared se recuperar, ok?

- Sinceramente, Ackles, eu não intendo. Você estava possesso com Danneel por ela ter arruinado o plano inicial e agora que o Tom e o Jack podem dá um jeito, você simplesmente diz não! – a dúvida exibida por lindenberg era a mesma dos outros, com exceção de Misha que formulando em sua mente algumas razões para a negativa do líder, falou em seu favor:

- Claro que não, pessoal! Vocês esquecem que trouxemos o garoto em perfeitas condições de saúde? E se por acaso ele morrer por falta de cuidados? Nunca matamos um refém, seria a primeira vez. E caras... Nós somos sequestradores e não assassinos. Concordo com Jensen. O garoto deve está bem de saúde, depois seguimos com o novo plano. – o loiro soltou a respiração. Nem sequer percebera que a tinha prendido. Alívio era o que estava sentindo. Teria o adolescente ao seu lado um pouco mais. Queria isso.

Continua...


Boa noite, pessoal!

Infelizmente, não deu para postar na quarta-feira, mas farei o possível para o capítulo 12 ser postado na quarta, ok?

Espero que gostem do capítulo. Aguardo os comentários de vocês, tudo bem?

Jozy, Nadine e Silpsuper, obrigada pelos comentários e não se preocupem que eu não vou mais abandonar a fic, ok? Espero que possa contar com vocês, sempre.

Beijos a todos e um excelente fim de semana.