Crystal

We're like crystal, we break easy

I'm a poor man if you leave me

I'm applauded, then forgotten

It was Summer, now it's Autumn

I don't know what to say

You don't care anyway

I'm a man in a rage

with a girl that betrayed

Here comes love, it's like honey

you can't buy it with money

you're not alone anymore

shock me to the core

you shock me to the core

Nós somos como cristal, nós quebramos fácil
Eu sou um pobre homem se você me deixar
Sou aplaudido, então esquecido
Era Verão, agora é Outono
Eu não sei o que dizer

Você não se importa de qualquer forma
Sou um homem com raiva
com uma garota que traiu
Aqui vem o amor, é como mel

Você não pode comprar com dinheiro
Você não está mais sozinha
mexeu com a minha alma.

Você mexeu com a minha alma.

Crystal (ligeiramente modificada) – New Order

Não seria Adrian que perguntaria para Faith o que ela fez no primeiro dia inteiro. Ele até tinha a intenção, mas depois de ver a expressão no rosto da loira, havia desistido. Era como se tivessem transformado-a em um zumbi no meio do caminho. Eddie o havia deixado só com sua bebida há muito tempo quando ela chegou e se sentou numa das poltronas, o olhar ligeiramente distante.
— Você quer um gole? — foi a única coisa que ele disse.
Ela assentiu. Adrian colocou um pouco da bebida num copo e lhe entregou.
— Obrigada. — ela suspirou e tomou o conteúdo de um gole só, fazendo gerações de irlandeses se sentirem orgulhosos dela. Adrian colocou mais e ela tomou de vez novamente. — Agora está bom.
Adrian, por sua vez, tomou um gole do seu copo. Apostava que conseguiria virar um copo como a dhampir havia feito, mas queria desfrutar lentamente enquanto se embebedava.
— O que aconteceu? — ele perguntou, finalmente.
— Eu achei uma casa. Amanhã nós vamos vê-la. — ela cruzou as pernas e estendeu o copo para Adrian.
— Finalmente, achei que nunca iríamos parar. — ele serviu mais bebida, observando atentamente para ver se ela iria virar o copo novamente. Não virou.
— Só porque meu próximo passo era procurar casas na França...
— França!
— Bah, oui! — ela respondeu e tomou um gole. — Mas acho que você vai gostar da casa. É grande, bem posicionada, com várias rotas de fuga. E uma cozinha grande, como você gosta.
— Por que eu tive a impressão de que os papéis estão invertidos aqui?
— Porque você é uma menininha, Adrian. — ela disse com um sorriso. — Que gosta de ter uma vista bonita pela manhã, um banheiro com um bom espelho para poder arrumar o cabelo e uma cozinha enorme.
— Eu deveria me sentir ofendido com isso, mas não vou me dar ao trabalho.
— Não foi uma ofensa. — ela se ajeitou na poltrona, encostando as costas no encosto e esticando as pernas. Seus pés não encostavam o chão. — Amanhã eu dou a primeira aula para as crianças. Você vai assistir?
— Sim. — ele encostou o pé no pé dela e balançou, descuidadamente. — Quero ver como uma pessoa de um metro e meio consegue ensinar coisas para pessoas com o dobro da altura.
— Você sabe que tecnicamente isso pode ser considerado uma vantagem? — Faith bebeu um gole do uísque. — Porque eu sou mais rápida e mais leve do que, digamos, alguém do seu tamanho. Eles vêm achando que vão me subjugar facilmente e no final, eles que acabam no chão.
— Mas se eu te pegasse de surpresa, eu teria a vantagem, não? Eu sou mais alto e mais pesado.
— Talvez. — e um sorriso surgiu no rosto dela. — Tente.
— O quê?
— Você se diz a favor do treinamento de morois, mas nunca te vi fazer nada. Vamos ver o que conseguiria fazer com essa sua vantagem. Você tem o quê? 1.90 ou mais. Pelo menos o dobro do meu peso, mesmo sendo moroi. Não deve ser difícil me prender.
— Mas você treinou a sua vida toda.
— É como se eu fosse uma moroi pequena que virou strigoi.
— Isso é algum tipo de perversão sexual?
— Adrian!
— Lembre-se que é você que está insistindo nisso... E que estamos os dois meio embriagados.
— Tudo bem se não quiser. — ela cruzou as pernas em cima da poltrona, com um ar entediado.
Ele aproveitou esse momento para se levantar e prende-la na cadeira, entre seus braços. Gostou da cara de surpresa que ela fez, mas logo a dhampir havia se recuperado e, de alguma forma que não compreendeu, havia se soltado e estava em pé na cama, quase da altura dele.
Adrian se virou e tentou segura-la, mas ela havia se movido e passado para a poltrona. Ele se virou rapidamente e conseguiu pegá-la, mas ela deu um salto, empurrando a poltrona para trás e ele para frente.
As costas do moroi bateram na cama com um barulho alto, mas ele não se machucou. Faith estava em cima dele, o segurando pelos pulsos. Adrian era maior que ela, então conseguiu inverter as posições com facilidade. Ela tentou se soltar, mas ele a segurou com força, prendendo-a com seu corpo contra o colchão.
— Quem foi que disse que tinha vantagem? — ele disse, ligeiramente ofegante por causa da luta anterior.
Faith riu e chegou bem perto do ouvido dele, antes de sussurrar:
— Você realmente acha que me venceu?
Adrian hesitou tempo suficiente para que ela pegasse impulso para inverter as posições novamente, agora ela prendendo-o com força contra a cama.
— Você trapaceou. — ele reclamou.
— Não existe jogo limpo, Addy. — ela se sentou em cima dos quadris dele, ainda segurando suas mãos. — Em nada. Nunca houve, nunca haverá.
Ele estendeu os braços, a segurando pelos quadris. Se sentou, mantendo-a junto a seu corpo. Ela passou os braços pelo seu pescoço, encostando o queixo em seu ombro.
— Não existe jogo limpo? — ele sussurrou, passando uma mão pelo cabelo dela. — Nós estamos no velho-oeste, little elf?
Ela riu e tentou se soltar, mas ele começou a fazer-lhe cócegas.
— Adrian! Isso é golpe baixo! — ela tentou empurra-lo, mas ele estava em cima dela novamente, suas mãos por todos os lugares, arrancando gargalhadas.
Ela resolveu contra atacar e instantes depois os dois travavam uma batalha em cima da cama, com gritos, protestos e risadas. Se Faith estava ofegante quando pararam, imagine Adrian? Ele tentou recuperar o fôlego, deitado ao lado dela na cama. Aquilo era bizarro.
— Quantos anos a gente tem? 5? — ela disse, com um sorriso.
Ele enrolou uma mecha do cabelo dela em seu dedo, ligeiramente pensativo.
— O que foi? — ela se virou para ele. Ele fez o mesmo e ficaram a milímetros um do outro.
— Eu nunca rolei na cama com uma mulher assim antes. — ele tinha aquele ar que adquiria todas as vezes que a loucura o tentava dominar. — Você sabe. Sem ser no sentido sexual.
— Eu queria dizer que nunca rolei com um homem assim, mas, você sabe, eu sou dhampir. Eu treino assim. E se eu fosse dormir com cada homem que eu já rolei...
— Oh, por favor. — ele fechou os olhos e a puxou mais para perto pela cintura. — Eu não preciso de imagens mentais desse tipo.
— Mas é sério. — ele sentiu os dedos dela percorrerem o desenho do seu queixo. Então ela sussurrou. — Nenhum deles é tão bonito quanto você.
Ele não precisou abrir os olhos para encontrar os lábios dela. Era uma coisa que ele queria fazer desde o beijo confuso que haviam trocado no carro algumas semanas antes. Havia sonhado com aquilo todos os dias. Ou melhor, ela havia sonhado com aquilo todos os dias.
Ele não sabia mais quais sonhos eram dela e quais eram dele.
Diferentemente dos outros beijos esse tinha uma ternura inesperada. Não tinha a pressa dos oníricos, nem a agonia do que haviam dado no carro. Sem pressa, Adrian se sentiu livre para explorar a boca de Faith enquanto a apertava contra si. A dhampir soltou um gemido, explorando o seu tórax com as mãos. Ele desceu a mão para a perna dela, passando-a por cima dos seus quadris e gemendo ao senti-la tão próxima.
Deslizou os lábios para o pescoço de Faith, roçando suavemente suas presas na pele sensível; os dedos da loira deslizaram pelo seu cabelo, bagunçando-os ainda mais e ela começou a mover os quadris contra ele de forma provocante e fazendo-o gemer.
Como que de propósito, a idéia lhe ocorreu enquanto enrolava os seus dedos na lateral da calcinha da dhampir. Ele realmente queria chegar até o fim com aquilo? Como seriam as coisas depois daquilo? Ele a respeitava o suficiente para não trata-la como um pedaço de carne e ainda havia aquela certeza de que ela não gostaria de fazer aquilo sem saber o segredo. Além disso, apesar dele não ter pensado em Rose em nenhum daqueles momentos, ainda havia o que ele sentia. Ele não estava pronto para qualquer coisa além daquilo.

O tempo que hesitou foi suficiente para que Faith parasse, ofegante e descabelada, e o encarasse. E provavelmente ela também teve algum vislumbre de lucidez, porque a próxima coisa que fez foi se levantar rapidamente, como se ele estivesse em chamas.
— Eu... eu... — ela balançou a cabeça, parecendo confusa. — Me desculpa.
Adrian se sentou na cama e passou uma mão no cabelo, visivelmente transtornado. Por que diabos ele havia parado?
— Faith. Volte para a cama. Nós não precisamos...
— Não, Adrian. — ela havia recolhido suas roupas e vestido apressadamente. — Você não merece isso. Você é mais do que isso.
— Do que você está falando?
— Eu... — ela balançou a cabeça novamente, a mão tentando domar os cabelos. — Me desculpa.
— Por que você está se desculpando por algo que eu também quero? — ele se levantou, ligeiramente irritado. Quem tinha ataques de loucura era ele, não ela.
— Não é justo.
Ele a segurou pelo braço e ela o encarou. Ela tinha lágrimas nos olhos, mas fazia cara de durona.
— Não é justo você me deixar aqui, assim.
Ela ficou na ponta dos pés e o beijou e ele a agarrou. Ela o empurrou novamente, com delicadeza, e se afastou.
— Não. Não. Não. Ouviu? Não assim.
Virou de costas e saiu do quarto, a passos firmes, deixando-o para trás.
Maldita hora em que a sua consciência havia escolhido para agir!

Xxx

Ela poderia muito bem fazer como todas as outras vezes: chegar até o fim, fingir que nada tinha acontecido e seguir em frente. Não era como se ela tivesse se mantido celibatária desde o seu último relacionamento estável (Patrick, 4 anos antes, pego na cama com a própria irmã). Não era nem como se ela não tivesse usado outros dhampirs e morois para preencher o vazio que ela sentia de vez em quando. Então por que DIABOS havia escolhido o momento mais inoportuno possível para se sentir culpada por aquilo?
Se jogou embaixo do chuveiro e encostou a cabeça na parede, esperando sinceramente que a água a acalmasse um pouco. E ela ainda estava chorando, que patética era. Deu uma gargalhada e se perguntou se estava ficando insana de verdade.
Provavelmente era porque ela considerava Adrian. Se colocava em seu lugar, até. Tinha respeito e consideração suficiente para não usá-lo uma vez e depois jogar fora. E sabia que se ela começasse com aquilo, não iria parar.
Adrian não era o tipo de cara que você só queria uma vez.
De qualquer forma, torcia para que de manhã ele não quisesse conversar. Era só o que faltava, ter que ter uma DR depois de tudo o que ela havia passado naquele dia. Ter que explicar porque ela pediu desculpas não era uma opção, não ainda. Se Faith ficava daquele jeito depois de andar na mesma rua em que tudo aconteceu, como seria ter que recontar?
Doloroso, no mínimo.
Se deitou na esperança de não ser atormentada por mais um sonho, em vão. Lá estava ela novamente, sentada na mesma poltrona onde tudo havia começado naquela noite. Adrian andava pelo quarto como um animal enjaulado, sua mão bagunçando ainda mais os seus cabelos.

Ela o seguiu com os olhos, as lembranças do que haviam feito ainda recentes o suficiente para ela sentir um calor na barriga e um aperto no peito.
— Eu tenho que te dizer algo. — ele disse.
— Algo? — foi o que ela conseguiu responder.
— Sim. — ele se sentou na cama e começou a brincar com os pés dela como havia feito mais cedo. — Você já reparou como esses sonhos parecem reais? Como você sempre se lembra deles?
— Isso é normal. Eu não preciso do meu subconsciente me dando dicas que sou louca.
— Não, eu não sou o seu subconsciente. E isso não é normal.
— Como é que é?
— É parte da minha magia. — ele falava apressado, quase atropelando as palavras. — Com o espírito, você pode fazer várias coisas: ver auras, curar, compelir as pessoas, visitar sonhos. O que eu faço é isso, visito sonhos. Eu caminho por eles, eu os controlo.
O silêncio se instaurou e Faith piscou algumas vezes. Sua mente havia ficado silenciosa.
— O quê?
— Eu te mostro. — ele lhe estendeu uma mão e a levantou. — Paris?
E, de repente, estavam embaixo da Torre Eiffel, no meio do dia, vestidos com roupas ridículas de marca. Faith estava boquiaberta.
— Istambul? Tóquio? Sidney? A corte? — a cada palavra e a cada passo que davam, o cenário mudava para algum ponto turístico de cartão postal.
Ela estava desorientada quando finalmente pararam, no quarto de Adrian na Corte. Como começar a formar uma opinião sobre aquilo?
— Eu sei que você achou que era você e a sua cabeça, mas os sonhos dos últimos meses foram nossos. Eu e você. — ele voltou a andar pelo quarto — E algumas noites, a única coisa que me manteu longe de encher a cara era saber que eu iria dormir e te encontrar. Mesmo quando eu não quero, sou arrastado para você e seus sonhos, como se fosse um imã. Então eu vejo as coisas se tornarem realidade e você me pede desculpas? Desculpas por que? Por querer fazer exatamente o que eu quero?
— Adrian. — ela levantou uma mão, sem fôlego. Sua mente estava prestes a explodir, as informações girando e girando sem fazerem nexo.
— Faith?
— Vamos começar do começo, com calma. Foi você que começou isso?
— Isso o quê?
— Esses sonhos.
— Eu só queria ver como você estava. — ele falou, numa voz que a faria perdoar qualquer coisa que ele fizesse.
— Não responda perguntas imaginárias. — o tom dela foi meio duro e ela viu Adrian se encolher um pouco. — O quanto você controla os sonhos?
— Até onde eu sei, posso mudar aparências, mas não influenciar ações.
— Isso quer dizer que...
— Não chegue aí! — ele disse, segurando-a pelo braço como havia feito mais cedo. — Tudo o que você fez foi por vontade própria.
Faith estava confusa. O que exatamente significava aquilo? Estava com raiva, mas não conseguia descobrir exatamente o motivo.
Ah, sim. Se sentia traída. Havia se sentido culpada por usa-lo, mas ele havia mentido por ela. E ainda parecia agir como se aquilo fosse natural e como se esperasse que com aquela revelação, ela se jogasse nos seus braços e abrisse as pernas.
— Você não cogitou por um instante sequer me contar? Não se perguntou se eu me irritaria ao saber que você se aproveitou da minha ignorância enquanto para mim você estava sofrendo? Não pensou que eu me sentiria ofendida por ter sido usada como uma válvula de escape, quando eu te considero muito?
Adrian não havia esperado aquilo. Se ela começasse a gritar e jogar coisas, ele saberia como lidar. Mas aquela calma contida e aquele tom mortífero? Era assustador. E desconcertante. E ligeiramente desesperador, porque ela falava cada palavra como se estivesse jogando facas. E cada uma delas acertava exatamente no alvo.
— Eu sinceramente achei que você me considerava só um pouquinho. Assim, o mínimo para manter a dignidade e não me usar como se eu fosse uma prostituta. Não quando eu fiz o que fiz para que você se sentisse melhor. — ela deu uma gargalhada gelada — Opa, exatamente por que fiz o que fiz, não é?
— Eu não achei que as coisas fossem chegar a esse ponto, Faith. — ele finalmente encontrou palavras. — Eu queria contar, mas perdi a única oportunidade que tive. Depois daquilo, qual seria a sua reação? O que você faria? Exatamente o que está fazendo. Eu não quero que você fique com raiva de mim.
Havia como ter enxaqueca em um sonho? A cabeça de Faith parecia prestes a explodir e, como sempre, seus olhos estavam cheios de lágrima. Ela odiava como conseguia ser emotiva e chorar nas horas mais idiotas possíveis. Ao matar um strigoi? Pode ter certeza que ela vai chorar. Ao ler um livro idiota de romance? Um rio. Ao se desapontar? Há, pior ainda.
— Eu não sei porque me importo tanto, na verdade. — foi o que ela disse. — Você se divertiu, não?
— Faith. — o tom de Adrian indicava que ele não queria que ela fosse por esse caminho. — Eu te respeito. Muito. Talvez até-
— Não. — ela o interrompeu e o segurou pelo pulso, cessando o contato da mão dele com o seu braço. — Responda às perguntas, Adrian. Você se divertiu?
— Eu não vou responder a essa pergunta. Te respeito o suficiente para isso.
Ela soltou o ar com um barulho alto, parecendo frustrada. Era provavelmente a primeira vez que ele a via daquela forma, visivelmente sem saber o que fazer.
— Faith. — ele disse e passou uma mão no cabelo dela. — Me desculpa. Eu não queria ter te ofendido.
— Por que você só me contou agora? — ela se desvencilhou. Não iria deixar que ele achasse que com palavras gentis e um afago ela ficaria calma, como um cachorrinho.
— Porque é melhor você saber de mim do que por outra pessoa, não concorda?
— Bom que você é sensato, quando quer.
Isso encerrou a conversa, de certa forma. Adrian não sabia o que dizer. Ela também não.
— Nós conversamos amanhã. — ele finalmente disse.
— Não. Nós não vamos conversar sobre isso amanhã. — ela disse, finalmente. — Você sabe que eu estou certa, eu entendo o seu lado. Isso não me deixa menos ofendida, mas também não quer dizer que estamos em guerra.
— Você quer que eu acorde amanhã e finja que nada disso aconteceu, Faith? É isso? Você quer que eu tome café da manhã ao seu lado, que encoste na sua mão enquanto você me passa o açúcar e não pense no que horas antes nós estávamos fazendo? — ele se irritou. — Não é assim que o mundo funciona!
— É assim que funciona para mim! — o tom dela se elevou para alcançar o seu. — E se você não quer que seja assim, nem se dê ao trabalho de falar comigo.
Ela caminhou até a porta e saiu, batendo-a com força. Adrian estava ligeiramente furioso com aquilo, com a relutância dela de encarar a realidade. Será que ele também era assim? Quantas pessoas ele havia irritado se recusando a enfrentar os seus problemas e se escondendo na bebida?
Faith voltou pela porta, agora sim a máscara de fúria que ele tinha esperado.
— Como eu saio desse lugar? — o tom dela ainda era de raiva contida, mas as bochechas dela estavam vermelhas e, surpresa, surpresa, ela chorava.
— Desculpa. Eu esqueci de deixar você sair. — ele balançou a cabeça.
A última imagem que Faith teve antes de cair num sono profundo, sem sonhos, foi a de Adrian sentado na beirada da cama, as mãos no rosto e o olhar ligeiramente perdido.