Corações Transformados

Capítulo Anterior: Milo descobre os planos de June e a seduz. Shun, Ikki, Hyoga, Shaka e Kamus vêem a menina e o grego juntos. Após ter sido flagrada, a amazona conta o que o russo sente por Andrômeda e o cavaleiro de Fênix fica furioso.

...Shun estava petrificado. Olhou para o russo. Não podia ser verdade. O loiro o amava ? Sorriu. O Aquariano estava paralisado. A forma do cavaleiro de Fênix descobrir não poderia ter sido pior. June sorria. Ao menos estava vingada.

- Hyoga, seu maldito, eu vou te matar - Ikki crispou as mãos e aproximou-se do russo com ódio no olhar.

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Corações Transformados - Cap XI – Medidas Extremas

Tema: Coração Desesperado

(Desesperado (cf Aurélio) - Que perdeu a esperança, desanimado, desalentado. Extremamente aflito)

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No Santuário...

Ikki avançou no cavaleiro de Cisne, mas antes que Milo se pusesse na frente, o indiano o fez.

- Shaka, SAIA DAÍ. – Fênix disse com ódio - Você sabe que eu te respeito, mas se você continuar na frente deste verme, eu vou te machucar também.

- Não precisa Ikki. – Shun falou se aproximando – O Hyoga não tem culpa. Ele não está dando em cima de mim como a June falou. EU sou o culpado. – revelou – EU estou dando em cima dele e não o contrário.

- Shun, não minta para proteger este desgraçado. Eu sei que ele é seu amigo, então, por você, não vou matá-lo. Só vou machucar bastante.

- Não estou mentindo. Eu o seduzi hoje e o beijei. Na semana passada eu já tentei, mas ele desviou do meu beijo. Hoje, ele não escapou.

- Shun, pare de falar estas coisas. – Fênix pediu.

- Fui EU Ikki. EU fui atrás dele. EU me aproximei. EU seduzi. EU.

- Então se você me traiu primeiro... – June começou a falar.

- Se você tentar tocar nele, - Hyoga disse com ódio da menina – eu TE MATO !

- Shun, por favor diz que isso é mentira. – o irmão suplicou - Diz que você só está me desonrando deste jeito para proteger este...

- Sinto muito Ikki. Fui eu. – Andrômeda disse tranqüilamente - Se alguém aqui merece o seu ódio, este alguém sou eu. Se você quer estraçalhar alguém, sou EU quem deve pagar e não ele – apontou para o russo - O erro é MEU. Se quer bater em mim, fique à vontade. Infelizmente tenho que te alertar que isso não vai mudar o que eu sinto pelo Hyoga. Você ou outras pessoas podem chamar de imoral, sujo e vergonhoso, mas eu não acho que um sentimento tão bonito mereça qualquer um destes adjetivos.

Fênix aumentou seu cosmo e se aproximou do irmão pisando fundo. Shun nem se mexeu. O Aquariano tentou impedir, mas Shaka o segurou.

Ikki parou na frente de Andrômeda e colocou as mãos em seus ombros.

- Você desistiu de ser meu irmão ? Não me ama mais como sua família ?

- Ikki, eu te amo muito. Eu te peço perdão pelo aconteceu, mas aconteceu. Eu não quero te desonrar e nem te magoar, mas não acho que gostar de outro homem é o fim do mundo pois...

- EU FALHEI ! – disse alto e soltando o irmão – Falhei como exemplo, como educador e como irmão mais velho. Eu NÃO fui capaz de te mostrar o que era certo. – olhou para o caçula – Eu errei MUITO Shun, mas não serei responsável por outro grande erro. – deu uma pausa - Escolha. – ordenou.

- Como ?

- Escolha. Ou eu, ou ele.

- Ikki, você não pode fazer uma coisa destas. – Milo se meteu – Você não pode obrigar o Shun a escolher entre a família dele e alguém que ele am...

- CALE A BOCA, SEU ESCORPIÃO NOJENTO. – gritou com o grego – Você é sujo demais para dar qualquer opinião. Foi capaz de machucar uma flor destas – apontou para a menina, que se abraçava e estava muda – e por SUA culpa agora tenho que obrigar meu irmão a escolher.

- Ikki, não jogue esta responsabilidade nas costas do Milo. – Shaka começou – Desaprovo o que ele ou a June fizeram, mas ainda que eles não tivessem feito nada, não me parece que isso mudaria o interior do seu irmão. Reflita melhor. Veja o que você está pedindo para ele escolher.

- Ele VAI escolher Shaka. Vai escolher a família ou isso que ele chama de amor, paixão ou a pxxxx que seja.

- Pronto. – Kamus falou voltando.

- Kamye, você voltou ? – o Escorpiniano perguntou.

- Já falei com a deusa. Quando você acabar por aqui Hyoga, venha até meu templo. Você passará a ficar sob minha supervisão. Não irá mais morar com os cavaleiros de bronze e somente sairá do Santuário com a minha permissão. Pedirei para buscarem suas coisas.

- Mas mestre... – o russo começou.

- Ousa me contestar ? – perguntou aumentando o cosmo.

- Não senhor. – o pupilo replicou baixando o olhar.

- Ótimo. Espero você em meu templo. – disse e saiu novamente, deixando um Escorpiniano de olhar triste a acompanhar seus passos.

O cavaleiro de Cisne suspirou. Amava o belo garoto de olhos verdes, por isso não podia fazer isso com ele. Não podia fazê-lo escolher.

- Vou nos poupar esta dor Shun. – Hyoga disse com os olhos marejados - Não quero te obrigar a perder sua família. Não é assim que eu quero você. E não pense que eu não te amo. Se faço isso, é porque te amo demais. – disse e virou-se para sair.

- Hyoga. – tentou ir atrás do outro, mas Fênix se colocou em sua frente.

- Se você der mais um passo, pode parar de me chamar de irmão. – ameaçou-o.

Andrômeda olhou-o com tristeza. COMO seu PRÓPRIO sangue fazia isso ? Lágrimas correram pela face do Virginiano, enquanto via o loiro se afastar.

Milo saiu rapidamente atrás do russo.

- Shun ? – a amazona que estava quieta até então, se manifestou – Você me perdoa ? – suplicou.

- June, pela nossa amizade eu te perdôo, mas não dá mais para namorarmos. – respondeu e voltou a olhar para Fênix – Ikki, por favor, não me faça sofrer assim. Você não sabe o quanto eu gosto del...

- Você é quem sabe Shun. Escolha o que achar melhor. – e saiu da frente, deixando o caminho livre.

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- Hyoga ? – o grego chamou-o e suspirou – Por favor me perdoa. Eu tentei ajudar e fiz uma grande burrada. Deu tudo errado. O Ikki descobriu tudo. – deu uma pausa e olhou para baixo – Você também me detesta ? Também vai parar de falar comigo ?

- Eu não esperava Milo. – respondeu sem olhar para o Escorpiniano – Não esperava que fosse o meu mestre. – deu uma pausa – Se eu falar que gostei de saber disso, estarei mentindo.

O grego se aproximou mais.

- Não precisa se preocupar. – replicou com os olhos marejados e se segurando para não chorar na frente do menino – Não vai rolar nada. Ele... me odeia. – disse com um nó na garganta e fechou os olhos com força para evitar as lágrimas.

- Milo, - olhou para o Escorpiniano e aproximou-se – eu não te odeio. – colocou a mão no ombro do grego - Eu tenho muito ciúme do meu mestre, mas talvez eu até me acostumasse com a idéia. – deu uma pausa - O que aconteceu, aconteceu porque eu deixei que acontecesse. Não foi só culpa sua. – deu outra pausa – Ao menos agora não tenho que me preocupar se a June vai... – parou de falar e começou a chorar, sendo abraçado pelo Escorpiniano – Acabou, Milo, acabou... – disse entre lágrimas.

O grego não respondeu. Apertou o abraço mais forte e deixou as próprias lágrimas caírem.

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Dois meses depois.

- Shun ? – Fênix bateu na porta do quarto.

- Entra. – respondeu.

- Eu e a June vamos pegar um cinema. Tá a fim ?

- Não. Obrigado. – e voltou a ler seu livro.

O outro saiu e fechou a porta.

Há mais de um mês Ikki e June namoravam. Shun apostava que a menina perdera a virgindade com o irmão. Fênix era muito mais atrevido. Mas no caso de Andrômeda, havia um outro agravante. Suspirou e se levantou. Teve a certeza que o irmão tinha ido embora e abriu sua gaveta. Tirou uma foto de dentro de um caderno. Era a foto dos cavaleiros de bronze. Os cinco amigos faziam pose. Hyoga estava ao lado de Seiya e sorria.

Suspirou novamente. Desde que tudo aconteceu, o garoto estava arredio e não saia mais de casa. Kamus conseguira uma outra escola para o russo e agora o loiro estudava mais perto do Santuário. Desde aquele fatídico dia, não se viram mais e nem se falaram. O francês era um verdadeiro cão de guarda. O Virginiano suspeitava que o mestre de Hyoga fizera isso com receio de Ikki machucar o pupilo. Kamus era assim: inseguro. Amava o pupilo, mas insistia em colocá-lo em uma redoma de vidro, como se ele fosse algo frágil demais.

Andrômeda suspirou. Tentara de várias formas falar com o amigo, mas o francês sempre barrava. Shun até imitara a voz de uma menina e disse que era uma amiga do loiro, mas não colou. Kamus não caiu.

Hyoga... Fechou os olhos e o rosto do russo surgiu em sua mente. Ah, como tinha saudades daqueles belos olhos azuis. Sim, podia quase sentir o hálito quente se aproximando para beijá-lo. Humm... lábios quentes, beijo delicioso. Suspirou. Agora estavam longe um do outro. Se Andrômeda o quisesse, perderia o irmão. Suspirou e olhou para o livro que lia. Romeu e Julieta. Dois jovens de famílias rivais, marcados pela fatalidade de um amor proibido. Amor proibido... fatalidade... Levantou-se e foi até o guarda-roupa. Trocou-se. Certificou-se que Ikki já havia mesmo saído e dirigiu-se para o Santuário. Se não conseguisse falar com Hyoga, falaria com Milo.

De qualquer forma, Kamus selaria o destino do garoto.

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Sábado. No Santuário...

Como previu, o francês não o deixou falar com o loiro. Seguiu até o oitavo templo decidido. Entrou na casa do Escorpiniano e encontrou o grego.

- Milo, o Hyoga me contou que você tinha um livro que falava de vários venenos. Você ainda tem este livro ? – perguntou diretamente.

- Para quê ? – questionou desconfiado.

- Se não tem, basta dizer. Vou até a biblioteca e procuro por lá ou então vejo na internet. – respondeu secamente.

- Calma. Não precisa ficar nervoso. Eu também discordo do que o Kamus está fazendo. Ele não pode colocar o Hyoga o tempo todo debaixo da asa.

- Eu tento toda semana. Três vezes na semana. Já cansei. – disse com uma frieza que não lhe era característica.

- Shun, você...

- Tem, ou não tem ? – voltou a perguntar, interrompendo o outro.

- Tenho. Vou pegar.

Voltando, o grego entregou-lhe o livro.

- Espero que saiba o que está fazendo.

- Nunca tive tanta certeza Milo.

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Templo de Escorpião. Duas semanas depois. Sexta-feira, fim de tarde.

- Milo, obrigado pelo livro.

- Conseguiu encontrar o que queria ?

- Consegui.

- O que você procurava ?

- Um antídoto para resolver meus problemas.

- Você não vai me falar não é ?

- Não, Milo.

- Vou te ver novamente ? – perguntou com uma certa tristeza.

- Obrigado pela ajuda Milo. Apesar de tudo, você foi um grande amigo. – e saiu sem responder ao questionamento.

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Fundação. Mesmo dia.

O belo menino de olhos verdes chegou em casa e se preparou para o dia seguinte. Conferiu se o vidrinho comprado com tanto custo estava em sua gaveta e escondido debaixo das roupas. Estava.

Abriu seu caderno. Precisava deixar uma carta cuidadosamente escrita. Esperava que Hyoga entendesse o recado. Foi uma pena não conseguir falar com ele. Suspirou. Mesmo sendo como seria, era difícil escrever. Suspirou mais uma vez e pegou a caneta. Era melhor escrever logo. Não queria deixar para a última hora.

"Queridos amigos,

Perdoem minha fraqueza. Talvez vocês não compreendam porque cheguei a este extremo, mas só posso dizer que não dava mais. De qualquer forma, obrigado por tudo que fizeram por mim. Saibam que gostei muito de conhecê-los, especialmente vocês, Seiya e Shiryu.

Ikki,

Por favor não se culpe. Também não culpe o Hyoga. Sou o único culpado pelo que aconteceu. Eu sei que você vai achar que não precisava disso, mas entre te perder como irmão e viver longe da pessoa que amo, eu prefiro abandonar a vida.

Peço que deixe o Hyoga ir ao meu enterro e se despedir de mim. Entenda isso como o meu último desejo.

Hyoga,

Sinto imensamente por não podermos viver os nossos sentimentos. Perdoe-me por esta atitude e peço por tudo o que é mais sagrado, pelo que você sente por mim, que não tome nenhuma atitude precipitada. Você é muito jovem. Certamente encontrará alguém para preencher seu coração. E saiba, que onde quer que eu esteja, te amarei eternamente.

Adeus a todos.

Só gostaria que soubessem que o que mais me envenenou não foi esta substância que ingeri, mas minha imensa solidão.

Espero que entendam e me perdoem.

Shun."

Releu a carta. Fechou o caderno. Novamente olhou para o livro de Shakespeare, Romeu e Julieta. Sua inspiração. Suspirou. Agora faltava pouco.

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Fundação. Sábado.

No dia seguinte o Virginiano acordou entristecido. Já se decidira sobre o que ia fazer, mas realmente se achava ousado. Era um risco muito grande. Suspirou. Tinha que fazer o que tinha que ser feito.

No café e no almoço, mal falou com os amigos. Ikki, June, Shun, Seiya, Jabu e Shiryu combinaram de jogar boliche. Sairiam de casa às 4 da tarde e este era o assunto da vez, mas Andrômeda estava distante. O menino estava triste e pensava em Hyoga. Em Hyoga e no que faria dentro de algumas horas.

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Faltavam poucos minutos para as quatro horas da tarde. O garoto de belos olhos verdes pegou a roupa que mais gostava e deixou sobre a cama. Em cima da roupa deixou a carta suicida. Esperava que o irmão entendesse o recado. Respirou fundo e pegou o vidrinho de sua gaveta. Pegou o porta-retratos com a foto que o loiro sorria. Uma lágrima caiu por seu rosto. Não tinha mais tempo a perder. Destampou o frasco e virou-o de uma vez na garganta. Pegou um patinho de pelúcia que Hyoga lhe dera e, tirando as pilhas, guardou o vidrinho vazio lá. Os efeitos ainda demorariam um pouco, mas não queria que descobrissem o que tinha tomado.

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- Cadê o Shun ? – Jabu questionou.

- O que ele tanto faz naquele quarto ? – Ikki perguntou irritado – SHUN ! – gritou no início da escada que dava para o andar dos quartos.

Fênix ouviu um grande barulho, como se algo houvesse sido derrubado. Subiu rapidamente e bateu na porta. O irmão não respondeu. Entrou. Andrômeda estava caído no chão. Devia ter desmaiado. Na queda provavelmente esbarrara na estante onde mantinha sua coleção de carrinhos e motos. Todos os objetos estavam no chão. Ikki se aproximou, virou o garoto e viu que sua boca estava arroxeada.

O jovem de cabelos esverdeados mantilha os belos olhos abertos. As pupilas estavam dilatadas.

- Ikki, o que aconte... Shun ! – o Dragão ajudou-o a levantar o garoto – Coloque o aqui na cama. – falou e foi quando notou o bilhete, pegando-o e começando a ler.

- Shun, você está me ouvindo ? – Fênix perguntava para o que mais parecia ser um fantoche deitado na cama – Acho melhor levá-lo ao médico, Shiryu.

- Ikki ? – chamou-o com a voz embargada pelo choro e mostrou-lhe a carta.

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Seiya e Jabu riam na sala, quando ouviram um grito sonoro. Era o cavaleiro de Fênix.

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O telefone tocou e o francês atendeu.

- Kamus falando.

Ouviu em silêncio.

- Para onde vocês vão ? Tem quem dirija ? Já chamaram uma ambulância ?

O russo ficou alerta. Será que algum cavaleiro de ouro estava passando mal ?

- Hyoga. - disse cuidadosamente assim que desligou – Preciso que você seja muito forte.

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No Hospital...

- Como ele está ? – o russo perguntou adentrando em desespero a sala de espera, onde rostos chocados olhavam o vazio.

Foi Fênix quem lhe entregou a carta. Não demonstrava emoção nenhuma. Por dentro estava destruído, mas precisava ao menos respeitar a memória do irmão. O último desejo de Shun era que deixasse o loiro vê-lo em seu leito de morte, não ?

O russo leu. Sentiu suas entranhas se contorcerem. O coração parecia ter parado. O amor de sua vida tinha se envenenado.

O choro convulsivo cortou o silêncio hospitalar. O menino caiu no chão. Shiryu levantou a amigo com dificuldade. Hyoga, soltou-se das mãos do Dragão e aos prantos, ficou de joelho entre as pernas de Fênix, que permanecia sentado e com o olhar perdido.

- Nós vamos perdê-lo, Ikki, nós vamos perdê-lo. – disse entre lágrimas e abraçou o outro.

O irmão olhou para o jovem ajoelhado à sua frente, que se abraçava a sua cintura e o sacudia com seus soluços, e sucumbiu. As lágrimas começaram a descer grossas e o cavaleiro abraçou o russo. Fez tanto para separá-los e em pouco tempo eles estariam separados eternamente.

Ninguém encontrou o vidro do veneno. Os médicos não conseguiam identificar o que o garoto ingerira e tentavam vários procedimentos para reverter a situação de uma substância desconhecida. A pressão do menino estava muito baixa e continuava a cair. Os batimentos cardíacos diminuíam.

Ikki não conseguiu mais se manter inteiro e deitando a cabeça por cima do corpo do Aquariano, que permanecia ajoelhado à sua frente, chorou. O choro era um misto de culpa, tristeza e desespero. Nada precisava ser falado. Todos sabiam onde erraram.

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Dentro da sala médica, o médico responsável olhou para o menino estendido na cama e virou-se para um outro colega de trabalho.

- Como deixam uma criança fazer uma coisa destas ?

- Meu filho também tem quinze anos e eu o imagino no lugar deste garoto.

- Cuide do seu filho. – o velho médico disse ao colega de trabalho – Cuide para que ele também não faça coisa igual. Virou-se para a enfermeira que acompanhava o procedimento. – Parece que ele tem um irmão lá fora. Chame-o.

A jovem enfermeira assentiu e saiu.

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- Como ele está ? – Fênix perguntou em desespero ao ver uma enfermeira vindo em sua direção.

- Você é irmão do jovem ? – profissionalmente, a enfermeira nunca se traia. Independente do estado físico do paciente, NUNCA usava verbos no passado. Deixava sempre a cargo do médico a responsabilidade de dar as notícias aos familiares, fossem elas boas ou ruins.

- Sou. Sou o irmão dele. Como ele está ?

- O doutor falará com você.

Ikki engoliu seco. Por que eles não diziam logo que estava tudo bem, que era só mais uma molecagem do irmão ?

Enquanto acompanhava a enfermeira, seus olhos marejaram.

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Fênix lembrou-se do nascimento de Shun e de como ele era um bebê tão lindo. Recordou-se da infância do irmão e de sua própria irritação já que Shun o chamava O TEMPO TODO. As lágrimas simplesmente caiam, não conseguia mais segurá-las. Cavaleiro de Andrômeda. Shun tornara-se o cavaleiro de Andrômeda por sua causa. Ikki tinha certeza disso.

Também se lembrou do quanto odiava quando o irmão era motivo de chacota. O caçula ele era seu sangue e não podia ser tratado daquela maneira.

Ah, como Ikki temia que Shun se interessasse por outro homem. Quase nunca via o irmão com garotas e sabia que isso também seria motivo de chacota. Não. Não deixaria. Não deixaria seu irmãozinho, sua preciosidade, virar motivo de escárnio.

Em suas lembranças Shun seria um eterno garotinho... Mas não. Via claramente que o garotinho, que o SEU garotinho crescera e se tornara um homem. Agora tinha quinze anos. Quinze anos. Apenas QUINZE anos. COMO alguém pode querer jogar a vida fora aos quinze anos ?

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- Este é o irmão do paciente, doutor.

- Obrigado Lisa.

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Hyoga seguira Ikki e a enfermeira até a porta de uma sala onde estava escrito "PROIBIDA A ENTRADA". Através de um pequeno vidro na porta podia visualizar, um pouco ao longe, o médico conversando com Fênix. Não era possível ouvir, mas acompanhava as reações do outro cavaleiro. Falaram mais um pouco e de repente Ikki colocou a mão no rosto e começou a chorar. O profissional de branco pousou a mão em seu ombro, como se o consolasse.

O loiro não quis ver mais nada. Encostou-se na parede e também chorou. Tudo acabara. Era o fim. Nada mais restava.

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Próximo Capítulo: Como o próximo capítulo será o último, não há resumo.

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Nota da autora - Agradecimentos

Milhões de beijos a todos os que acompanham. Espero que leiam até o final. Obrigada por todos os comentários que fizeram. Tentarei não demorar muito para postar. Agradeço todos os que leram e em especial os que deixaram review: Anjo Setsuna; Litha-Chan; Ilia-Chan; Kitsune Lina; Guilherme; AnnaChanHxS; Ghost (que não consegui responder a review, mas envio beijos agora); Aninhaaaaaaaa; Carla Ferracini e Hakesh-chan.

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Nota da autora - Contato

Contatos no erika (ponto) patty (arroba) gmail (ponto) com (sem o BR) ou via review neste site. Aguardo sugestões, críticas, AMEAÇAS (sei que depois deste cap fase má HIPER ON virão muitas, mas pode mandar) e comentários. Podem escrever também para brigar (está liberado), reclamar e desaprovar o rumo da fic. Responderei a todos. Apenas, por favor, evitem ameaças com bombas. Rsrs.

Até o próximo cap.

Bela Patty .

- Março / 2006 -