Capítulo 10
Obrigado, Zangetsu Õ-san
Ichigo foi posto a descansar num colchão na loja de Urahara. Inoe fechou a sua ferida, mas a reiatsu ainda não recuperou a sua intensidade. Ele está inconsciente há doze horas. Ulquiorra apenas se aninhou junto dele, pousou a cabeça sobre o seu peito. Os outros observam-no, pensativos. Rukia perde o controlo.
― Afasta-te do Ichigo. Primeiro tentaste matá-lo e agora tens essa reacção estranha. Tira a cabeça do peito dele. Ele assim não consegue respirar. ― não obtém qualquer resposta. Ulquiorra parece um corpo sem alma, os seus olhos estão baços. Ela enerva-se ainda mais ― Estás a ouvir? ― dá-lhe com a zampakutou nas costas com toda a força.
Os restantes assustam-se por um momento, prevendo uma resposta violenta vinda dele, mas nada acontece. Ela desiste. Ulquiorra acaba por adormecer.
Ichigo acorda sobre a fachada de um edifício. Ele senta-se e de imediato reconhece o seu mundo interior. Há qualquer coisa diferente, mas não é nada que possa detectar com a visão. Zangetsu está á sua frente.
― Õ-san?
― O que fizeste, Ichigo?
― Eu…
― Achas que este mundo vai continuar em equilíbrio por muito tempo? Tu perdeste-o e depois foste atacado por ele. Essa ferida não vai cicatrizar, continuará aberta até retomares o teu equilíbrio.
Ichigo ouve-o sem o poder compreender. Ferida? Ele olha para o seu ventre e vê o buraco que Ulquiorra lhe fez jorrando sangue.
― Porque é que estou a sangrar aqui? Eu só fui atingido no mundo exterior, e os outros já me devem ter tratado, a esta hora. Então, porquê?
― Essa não é uma ferida qualquer. Foi ele quem ta fez, foi a zangetsu branca que te atravessou. Não importa o quão o teu corpo recupere, a ferida foi feita na alma. ― ele faz uma pausa, depois continua. ― Lembras-te do dilúvio? ― Ichigo diz que sim com a cabeça ― E lembras-te que nós arriscamos tudo pela tua vontade, mesmo quando o nosso maior objectivo era proteger-te?
― Eu…lembro…
― Então, porque é que estás a pôr-te a ti e a nós em risco? É esse o valor que nos dás, Ichigo?
― O que estás a dizer? Que eu não quero saber de ti? Que eu estou a ser inconsciente? Que devia ter matado o Ulquiorra na primeira oportunidade?
― Pensa de novo. Lembras-te do dilúvio, Ichigo?
Ichigo olha-o confuso. Depois fecha os olhos em tom de satisfação, com um sorriso nos lábios.
― É claro. Não, eu não tenho dúvidas. Sei bem o que vi. Por muito que o Ulquiorra diga que me quer matar, naquele instante, ele não conseguiu ferir a Inoe. E depois de me ter atravessado com a zangetsu, eu pude sentir a dor nos seus olhos. Eu sei…ele tem um coração. ― Ichigo sente-se um pouco aturdido com esta conclusão expressa em voz alta. Ele levanta-se e encara Zangetsu ― Não voltarei a hesitar. Vou proteger o Ulquiorra e os outros, vou trazer o Zangetsu branco de volta. Prometo não quebrar a confiança que me depositaste naquele dia, quando toda esta paisagem estava submersa. Obrigado, Õ-san.
Ulquiorra acorda. É de noite, está escuro, só se vê a si e a Ichigo, dormindo mesmo ao seu lado. A frieza sombria está de volta no seu olhar. Materializa a zangetsu branca na sua mão, ergue-a sobre o shinigami.
― Tu realmente és um homem de ideias fixas, Ulquiorra.
Ele baixa a zampakutou e olha para trás, para o vulto que aparece vindo da sombra.
― Yoruichi.
― Achavas mesmo que te íamos deixar sozinho com ele nesse estado? Caso ainda não tenhas percebido, nós não confiamos em ti.
― Estou a ver. Não faz mal, na verdade, estava mesmo á espera de uma oportunidade para ficar a sós contigo.
― Hum? Se achas eu sou esse tipo de mulher, estás muito enganado. Lamento, mas por muito belo que sejas, não fazes o meu género.
― Não digas disparates, mulher. Não é o teu sexo que eu quero. Eu quero o teu coração.
Ele atira-se sobre ela de zampakutou em posição de ataque. Ela foge com o shunpo para fora da loja pensando na segurança de Ichigo. Ulquiorra persegue-a. Eles lutam de igual para igual.
― Porque não usas o Bankai? ― pergunta ela, estranhando o facto de ele não estar a lutar com seriedade.
― Estou esfomeado. Não posso arriscar destruir o teu peito.
― Muito bem. Infelizmente, eu também não posso lutar a sério contigo, tens algo que não te pertence. Hadou nº 58-Tenran!
Um tornado avança para Ulquiorra, Yoruichi perde a visão deste por trás do próprio ataque. Espera para ver os resultados, mas, quando repara, ele já está á sua frente, com a mão como uma garra aquilina pronta a perfurar o seu peito. Duas espadas se atravessam ao mesmo tempo perante o pescoço pálido dele, forçando-o a travar. Os seus olhos verdes giram para o recém-chegado do lado esquerdo. É Hirako Shinji.
― Porque estás aqui? ― pergunta-lhe Ulquiorra.
― Hirako-san está aqui porque nós presumimos que tu irias atacar de novo. ― responde Urahara, sem nunca tirar a zampakutou da garganta do adversário.
― E por isso vós fostes-lhe pedir para me vir impedir.
― O que se passa, Ulquiorra-san? Achas que eu não seria capaz disso? ― Shinji tem um sorriso aberto de um lado ao outro da cara. ― Porque não tiramos isso a limpo?
Ulquiorra começa a recuar.
― Vocês estão a tentar fazer-me rir. Lamento, eu não me riu, por maior que seja o disparate. ― responde. ― Mas é verdade que uma luta contigo me traria muitas desvantagens. ― ele retira qualquer coisa do bolso que os outros não conseguem ver o que é ― Não há razão para tal. Eu sei onde conseguir algo melhor e mais facilmente. ― ele desaparece.
― Finalmente acordaste, Kurosaki-san. ― Urahara estende-lhe uma chávena de chá ― Receio ter más notícias.
― O que foi?
― Esta noite, em quanto dormias, Ulquiorra-san atentou novamente contra ti. É claro que Yoruichi estava a vigiar, então eles lutaram. Ele disse que queria o coração dela, antes do Hirako-san e eu chegarmos.
― Hirako?
― Ulquiorra não quis continuar a luta. Mas ele fez algo que nós não esperávamos. Ele desapareceu de novo, mesmo á frente dos nossos olhos. Yoruichi-san diz que ele foi atrás do Byakuya para a Soul Society. Ela e o Hirako-san já estão lá também á procura dele. Não sabemos quais as suas intenções.
― Eu também não sei o que ele pretende. ― Ichigo levanta-se e pega na zangetsu ― Mas eu vou pará-lo.
― Hum? Então já não pensas que vale a pena protege-lo? De qualquer forma, pará-lo parece-me uma ideia acertada. E não te esqueças que tens de recuperar a tua máscara hollow.
― Eu não disse que não o ia proteger. Eu vou protegê-lo de todos aqueles que lhe quiserem fazer mal. Acima de tudo, eu vou protegê-lo dele próprio.
Notas Finais
-Não te ris? Isso é o que vamos ver. - Shinji começa a fazer cocegas a Ulquiorra, faz-lhe caretas, etc, mas este nunca se ri. Shinji enerva-se, saca a sua zampakutou -Se nao te ris a bem, hás-de te rir a mal... -Ulquiorra enfia-lhe um mao pela boca dentro e rouba-lhe o hollow, deitando a fugir em seguida. - Ááááááá! Devolve-me o meu hollow, seu maldito! Eu só sou famoso por ser um Vizard!
-E depois? Eu só sou famoso por ser um emo. É uma pena que não possas tirar isso de mim...Ó_Ò
XD
