XI.

— Posso estar errado, mas eles devem estar, de alguma forma, envolvidos com essas mortes suspeitas que o jornal tem anunciado — disse James andando devagar pelos jardins de Hogwarts, onde as folhas das mais altas árvores começavam a cair, indicando o outono. Os quatro Marotos acabavam de sair do Salão Principal, onde havia sido servido o almoço, e passeavam enquanto suas aulas da tarde não começavam.

— Gostaria de saber quem é esse alguém muito poderoso que está por trás disso, coordenando tudo. Alguém conhecedor das artes das trevas, é claro — deduziu Sirius franzindo a testa. Os Marotos conversavam baixo, para que somente eles escutassem o que era dito, ainda que não houvesse muitas pessoas em volta deles.

— Seja quem for que está planejando, é algo grande, maior do que imaginávamos. E o Lucius está metido nessa de alguma forma... — James falou, ajeitando os óculos de aro redondo, que lhe davam um ar intelectual, em seu rosto e sentando-se em um banco próximo.

— Assim como a maioria dos sonserinos — completou Remus sentando-se ao seu lado, tentando dar um nó em sua gravata. Ninguém reparou, mas as expressões do monitor não eram somente de simples preocupação, mas havia também uma angustia mal disfarçada em seu rosto.

— E por que não todos? — questionou Sirius — Eu poria as minhas mãos no fogo pela participação de cada um deles — disse, mostrando as suas mãos para Remus em uma dramatização um tanto quanto exagerada — Mas, eles não devem estar sozinhos... Deve haver mais gente.

Desde que a conversa fora ouvida, três dias antes, o tema estava constantemente em debate entre os amigos. Havia ainda uma imensa dúvida sobre o que pensar exatamente a respeito do que fora dito pelos sonserinos no Três Vassouras, o que deixava Remus bastante incomodado, mais incomodado que os outros três — Peter, Sirius e James pareciam mais chocados e cheios de raiva.

Remus, no entanto, não podia deixar de pensar no que Ranhoso havia dito. E se Sophie fosse aceitar realmente participar do que eles sequer sabiam, com exatidão, o que era — se é que já não tivesse feito isso, ele ponderava —, o que isso significaria?

Atordoado com as perguntas sem respostas, o monitor procurou em sua mochila um tablete de chocolate. Seu estoque havia sido reforçado depois de uma visita a Dedosmel. Pegou o primeiro que encontrou e levou-o a boca, mastigando-o com urgência.

— Acredito que eles não tenham percebido que prestamos atenção na conversa — constatou James, quebrando o silêncio inevitável de quatro jovens que discutiam sobre algo que, ainda, parecia-lhes tão surreal quanto próximo de acontecer.

— Claro que não perceberam — disse Sirius com um sorrisinho ardiloso na bela face — Estamos falando do Hallward. Ele é um idiota. E se fossem mais espertos, nunca falariam sobre o tal evento — a mencionar a última palavra, ele fez sinal de aspas com os dedos — em um lugar público e abarrotado de estudantes.

— Ainda não consigo acreditar. Deve haver outra explicação. Isso é terrível — Peter falava sozinho, sua voz soava baixa e fina, mais que o normal. Ele balançava a cabeça constantemente e olhava fixo para baixo.

— Encare os fatos, meu caro Rabicho. Algo nenhum pouco bom está para acontecer. E eu não preciso ser professor de adivinhação para prever isso. Aliás, qualquer charlatão seria capaz de entender e...

— Evans, meu docinho! — James exclamou, sem mais nem menos, levantando-se do seu banco e interrompendo Sirius em seu discurso.

— Lá vai ele de novo — comentou Remus, ainda de boca cheia, para Almofadinhas. Os dois rolaram os olhos, igualmente acostumados às cenas patéticas que James protagonizava.

A grifinória vinha também do castelo, acompanhada de Emily Greenleaf. Enquanto a última tagarelava animadamente, Lily apenas caminhava com tranqüilidade pelos jardins da escola. Ela vira o grupo de Potter antes que ele a visse, e tentara dar meia-volta para escapar de um possível encontro, mas foi naquele instante que Potter a avistara.

Evans abaixou a cabeça e apertou os passos ao ouvir a voz estridente de James às suas costas. Emily, ao seu lado, a seguiu de perto — estava mais do que ninguém acostumada àquela rotina da amiga e, no fundo, até que ela apreciava a agitação.

— Porque tu foges de mim, meu amor? — perguntou James postando-se na frente das duas garotas, com um intencional e irritante tom de formalidade exagerada. Ele correra para alcançara, o que fizera sua respiração um pouco ofegante; e ele não pudera deixar de comentar: — Havia me esquecido o quanto conseguia andar rápido, querida.

— Eu não sou o "seu amor" ou sua "querida", e muito menos o "seu docinho" — disse Lily com ênfase, e fúria dançava no verde dos olhos da grifinória — E eu odeio esses apelidinhos que você inventa, são desprezíveis assim como você, Potter — era evidente que depois de ter sido presa contra sua vontade naquela sala, Lily sentia ainda mais raiva de James. E para seu azar, isso não era motivo para o grifinório acabar com suas investidas. Enquanto Lily continuava a reclamar, ele arrumava o seu cabelo, tentando achar o penteado ideal, já que a corrida para alcançá-las havia tirado os seus fios do lugar... — E, pela milionésima vez, pare de mexer nesse seu cabelo. Isso não faz você ficar melhor, muito pelo contrário...

— Fale o que quiser, Evans, minha fada, você não me magoa — não mais. E sabe por quê? Porque eu sei que no fundo você não resiste a mim, a esse par de olhos castanhos penetrantes capazes de...

— Desapareça da minha vida, Potter! — interrompeu a ruiva sem dar chance de James terminar a sua frase nenhum pouco modesta — Para o seu bem, suma ou eu irei... humpf!— não completou o que queria dizer, mas saiu, pisando firme e deixando Emily ali.

Mais atrás os outros três Marotos aproximavam-se rindo.

— Não posso negar que assistir as suas investidas com a Evans é algo por demais engraçado, James — caçoou Sirius imitando as passadas de mão no cabelo características do amigo. A imitação era tão perfeita quanto satírica.

— Nisso, eu tenho que concordar — falou Remus que ainda tentava dar um nó em sua gravata vermelha e dourada. Em breve, sua aula começaria e seria melhor não dar razões ao professor de Runas, um homem conhecido por seu mau humor, para tirar pontos de sua casa.

— Ela me ama, só falta ela se convencer disso.

— Ahh, Emily, olá! — disse Sirius beijando a mão da garota que sorriu largo.

— Oi, meninos — disse a grifinória acenando freneticamente — Eu também preciso admitir que assistir a você e a Lily juntos é quase tão divertido quanto assistir aos duelos — comentou com displicência, um sorriso no rosto enquanto ela encarava cada um dos quatros, mas sem dar tempo para nenhum deles falar. Sua voz era corrida, alta e animada; era bastante difícil acompanhar o que ela falava, quem dirá interrompê-la — Falando neles, as apostas do duelo passado ultrapassaram minhas expectativas. Estou louca para ver quem serão os próximos a duelarem, espero que tenha alguma dupla muito boa na próxima rodada...

— Ah, Remus — ela murmurou, após uma mínima pausa para tomar ar —, deixa que eu te ajudo com isso! — disse Emily atropelando algumas palavras com o seu jeito particular de falar. Remus ainda estava tentando, em vão, dar um nó em sua gravata. Emily, então, sacou a sua varinha e apontou para o garoto, aproximando-se.

— Cuidado com isso... — disse Remus rindo nervosamente. Emily era conhecida por ser descuidada e desastrada.

— Não se preocupe, eu sempre faço isso na gravata do Oliver e... ai! — alguém havia esbarrado forte em Emily. James, Remus, Sirius e Peter, assim como a garota, olharam para o lado e se depararam com Úrsula Mascenalli e seu sorriso não muito discreto no rosto. A loira sonserina olhou para o grupo quando voltou a andar calma e casualmente pelos jardins, com a expressão mais cínica que conseguia ministrar, carregando em suas mãos um enorme pacote de roupa, com todo o cuidado que ela poupara a Emily quando nela esbarrara.

— Espero que minha fantasia não tenha sofrido muito — Mascenalli disse em tom mordaz e um sorriso sutil em seus lábios. Do seu lado, também olhando para o grupo, estava Sophie Malfoy. Com expressões duras e um olhar esmagador, ela tinha um alvo em especial, apesar da descrição.

Remus sentiu aquele par de olhos azuis acinzentados nos seus e desviou o rosto antes das garotas sumirem de suas vistas, entrando no castelo de Hogwarts.

— Vacas — resmungou Emily, e conjurando um feitiço, fez a gravata de Remus ajeitar-se.

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— Nunca pensei que um dever de Defesa Contra as Artes das Trevas fosse me dar tanto trabalho — resmungou Sirius, deitando-se sobre seus cadernos tamanho o sono que sentia.

— Não reclame de barriga cheia, Almofadinhas. E eu que tenho que fazer o trabalho do Peter também? — respondeu Remus em tom de ligeira, porém notável, irritação. Olhava constantemente para seu relógio velho de pulso, denunciando que seu mau humor não estava voltado apenas para a carga extra de deveres de Defasa Contra as Artes das Trevas. Faltavam apenas alguns minutos e ele não podia se atrasar.

James deu uma olhada de canto de olho para Peter, que roncava alto no sofá mais adiante. Sua capa era um cobertor improvisado e sua cabeça pendia de forma estranha no encosto. Pontas suspirou fundo enquanto remexia em seus cabelos e lamentou:

— Ainda faltam duas páginas para eu terminar.

— Porque não terminamos amanhã? — perguntou Sirius dando um longo bocejo. James lhe lançou um olhar como se ele fosse louco — Ah, vai — insistiu Sirius —, ainda temos muito tempo para terminar isso. Esse não vai ser o primeiro e nem o último trabalho que deixaremos para última hora.

— É uma ótima idéia — Remus apressou-se a dizer, não muito convencidamente. Queria livrar-se de seus amigos o mais rápido possível e essa era a sua melhor oportunidade. Não poderia correr o risco de ser visto saindo tão tarde do Salão Comunal.

— Está bem. Tudo bem — disse James, recolhendo suas penas, tinteiros e livros de cima da mesa e colocando dentro de sua mochila de um jeito apressado e descuidado. Olhou ao seu redor para se certificar de que não esquecia nada, e seu olhar caiu sobre Peter — E o Rabicho?

— O deixaremos aí, ao menos que você consiga conjurar um feitiço de levitação muito potente capaz de levá-lo até o quarto — Sirius respondeu com naturalidade, procurando seus sapatos embaixo da mesa em que estivera até aquele instante — Ele dorme feito pedra; só vai acordar amanhã, tenho certeza.

James deu de ombros e começou a rumar para o dormitório com Sirius em seu encalço. Ambos já estavam no pé da escada, quando notaram que Remus não os acompanhara; continuava sentado na mesa intercalando olhadelas para os amigos e para o seu relógio.

— Você não vem? — foi Sirius quem perguntou — Achei que tivesse gostado da idéia de terminarmos o trabalho depois.

— E gostei! — respondeu o garoto, não de todo surpreso com a pergunta — Vou só terminar umas anotações aqui... você sabe... para não perder o fio de raciocínio — respondeu vagamente, torcendo para que seus amigos não continuassem com o assunto e fossem de vez para o dormitório. Sirius, já com os olhos semicerrados, limitou-se a balbuciar um "só não faça barulho ao entrar, sim?". E, então, os dois marotos subiram as escadas, deixando o monitor sozinho com um sonolento Peter.

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— Aonde você vai? — O sussurro de Úrsula surpreendeu Sophie quando a monitora, gatuna e silenciosamente, espreitava-se para fora do dormitório feminino. Sophie se virou, ainda na porta, para encarar a loira sentada e bastante alerta, com os cabelos desgrenhados em volta de sua cabeça, que a observava com curiosidade óbvia.

— Fale baixo — repreendeu, olhando para as outras sonserinas dormindo em suas respectivas camas, indiferentes a conversa que se iniciava ali. Úrsula contentou-se em rolar os olhos antes de insistir em um murmúrio bastante audível:

— Não tente me enrolar, Sophie Malfoy, aonde você vai? — quando a última palavra saiu de sua boca, Neptune se revirou na cama e os olhos de Sophie se esbugalharam tão ligeiramente que quase era imperceptível.

— Você realmente acha que eu lhe devo satisfações? A você? — Sophie frisou bastante essa palavra enquanto analisava a amiga de cima a baixo — A você eu não devo absolutamente nada, exceto quem sabe um feitiço nessa sua cara ridícula de sono.

Úrsula não pareceu ofendida com as palavras e muito menos surpresa com o humor da sonserina. Ao contrário, ela esboçou um sorriso quase não identificável na escuridão do cômodo.

— Vai encontrar o Doentinho de novo — não era uma pergunta — Cuidado, ele pode estar com a Maluquinha da Greenleaf! — A loira provocou, lembrando-se da cena que ela e Sophie presenciaram mais cedo nos jardins — Quem sabe não estão no banheiro dos monitores...? — replicou Úrsula dando um ar cortante e ao mesmo tempo displicente às suas palavras, e um sorriso sarcástico formou-se em seus lábios.

Sophie olhou fixamente para Úrsula, encarando o ar de incrível superioridade contido no rosto cínico da sonserina. Com uma sobrancelha levantada, a monitora cruzou os braços e, forçando uma voz sonsa, respondeu:

— O que eu vou ou não fazer, com quem eu vou fazer e onde eu vou fazer não são detalhes que são da sua conta, Úrsula — afirmou com toda a seriedade possível, quase sibilando para dar um ar ameaçador ao que dizia. Segurou, então, a maçaneta e, antes de virá-la, olhou para Úrsula uma última vez: — E por que não se preocupa em ir se agarrar com o seu "capitão" como a mulherzinha qualquer que você é? É a única coisa que sabe fazer mesmo.

A sonserina, então, saiu do dormitório, perdendo a expressão de quase ofendida de Úrsula, descendo para o Salão Comunal da Sonserina. Andou cuidadosamente sem fazer um só ruído enquanto atravessava o amplo salão verde e prata. O silêncio era tamanho que era possível ouvir, ao longe, os sons misteriosos da Floresta Proibida. Balbuciou calmamente a senha quando alcançou o quadro dorminhoco:

— Dementador.

— Quem é que quer sair há uma hora dessas? — resmungou o quadro ao ouvir a senha.

— Cale a boca, seu quadro metido. Limite-se a fazer o seu trabalho que é sair do meu caminho.

O quadro ainda gaguejou algumas palavras que Sophie não entendeu — e tampouco queria entender — antes de deixá-la passar. Ela atravessou tranquilamente o buraco até desaparecer no corredor, um pouco antes do quadro voltar ao seu lugar.

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Remus continuou sentado, muito rígido, com sua pena na mão fingindo que terminava suas anotações até ouvir o baque que anunciava que a porta do dormitório masculino se fechara. Foi então que ele levantou-se de um salto e começou a recolher rapidamente todos os seus pertences de cima da mesa oval do Salão Comunal.

Jogou tudo, com notável descaso, dentro de sua mochila surrada; naquele instante, pergaminhos e livros amassados era o que menos lhe importava. Buscou o mapa dos marotos, apressadamente, entre suas vestes e murmurou, com a varinha apontando para o pergaminho: "Juro solenemente não fazer nada de bom". Olhou rápido, porém ele percebeu que todos os alunos estavam em seus Salões Comunais; até mesmo os monitores já haviam se recolhido após as rondas e estavam em suas camas àquela hora. Os corredores e cômodos de Hogwarts estavam desertos, com exceção de um.

— Bem como o combinado — ele disse para si mesmo, deixando os cantos de seus lábios se curvarem um pouco para cima — Malfeito feito! — murmurou e colocou o mapa dentro de sua mochila. Saiu correndo o mais rápido que conseguia, antes que pudesse se atrasar mais do que já estava.

Acabou por não perceber que o mesmo pergaminho que acabara de usar havia caído no chão.

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Sophie Malfoy não estava acostumada esperar. Enquanto estava sentada em cima de uma das enormes bancadas de mármore do banheiro dos monitores, a sonserina ponderava e tentava relembrar das poucas vezes que precisara esperar por algo. Todas e únicas vezes que lhe vinham à mente eram momentos de sua infância, quando precisava esperar seu pai conversar com seu tio para ela poder falar, ou quando precisava esperar seus pais voltarem de mais uma viagem para que ela pudesse ganhar seu presente. Só outros Malfoy fazem um Malfoy esperar, e ela, portanto, achava degradante sentar e esperar por um Lupin, um grifinório que lhe mentia cada vez mais descaradamente — e não lhe importava se esse mesmo grifinório parecia ter certo poder sobre as reações dela e de seu corpo, ele ainda não podia lhe fazer esperar quinze minutos para dar o ar de sua graça.

Ainda assim, ela esperou.

— Demorei demais? — ela ouviu a pergunta de Remus após escutar o discreto ranger da porta sendo aberta e fechada. Ela levantou a cabeça e encontrou os olhos amendoados através do espelho à sua frente.

Ali estava Remus e seus comuns e inexplicáveis arranhões sendo mal cobertos pela blusa branca do seu uniforme. A capa e o casaco grifinórios estavam jogados por um ombro, enquanto a mochila mal se pendurava em outro; e a respiração ofegante denunciava a pequena corrida que ele enfrentara para chegar ali. Ele a contemplava com um misto de inquietação e suspeição que ela não identificou.

— Estou aqui há pouco tempo — ela admitiu ao resolver poupá-lo de sua indignação hipócrita por causa do atraso grifinório, e analisou-o longamente pelo espelho. O maxilar de Remus parecia tenso conforme ele também a observava, em completo estupor, como se pensasse no que pudesse dizer para quebrar a quietude do ambiente.

Algo curioso sobre Remus John Lupin — pensou Sophie, ao estudá-lo — era que ele não sabia atuar; e esse fato só fazia Sophie odiar-se mais por deixá-lo enganá-la por aqueles anos. Quando ele mentia, suas sobrancelhas pareciam movimentar-se com certa ansiedade; a parte negra dos olhos parecia mais densa e móvel, quase trêmula; e seus gestos ficavam menos confiantes. Sophie agora reconhecia os sinais e os via, ali, tão evidentes que pareciam implorar que ela os notasse.

Arqueou a sobrancelha quando ele começou a esfregar suas mãos uma na outra, ainda próximo a porta do banheiro, e viu claramente quando ele abriu a boca e receou, antes de fechá-la. Aquele comportamento não era típico, mas ela achou que mais uma mentira estava sendo aperfeiçoada dentro da mente grifinória.

Ela questionou-se sobre o que ele diria agora. Quem ele mataria em sua cabeça para justificar uma ausência misteriosa. Seria outra tia, desta vez por parte de mãe? Uma prima distante, quem sabe. Se ele estivesse especialmente ousado, poderia até matar os próprios pais... Ou talvez fosse apenas a coruja da família?

Em vez de mentir, como ela esperava que ele fizesse, ele falou forçando uma casualidade:

— Então... soube que botou a irmã mais nova da Emily Greenleaf em detenção hoje...

Por aquilo ela não esperava.

— Por que você se preocupa com a irmã da Greenleaf? — Sophie ergueu uma de suas sobrancelhas ao falar o sobrenome da grifinória com desgosto bem disfarçado por sua conhecida frieza.

— Eu só estava comentando — Remus disse ao dar os ombros, com um olhar quase auto-repreensivo diante de sua própria escolha do assunto.

— Se quer mesmo saber, o motivo foi porque ela lançou um feitiço no meu irmão e, para o azar dela, eu estava passando bem na hora. Tenho pena das duas sonserinas que têm que chamá-la de irmã... — comentava com toda a paciência que podia administrar, bufando no fim da sentença. Virou-se para poder encarar Remus de frente, e o silêncio caiu entre eles esmagador.

Remus a olhava de forma estranha, e para Sophie isso só significava que ele iria mentir, a qualquer segundo, mas ele não disse nada. Seus olhos castanhos a invadiam com sua força peculiar, como se quisesse adivinhar o que ela pensava; ela fazia o mesmo.

— Quer dizer que foi para isso que me chamou aqui? — continuou a garota quando, enfim, o silêncio tornou-se cruciante. Levantando-se do seu lugar, e olhou-o com desgosto: — Para defender a ninhada grifinória Greenleaf? Se já sabe o que queria, melhor eu ir embora; na verdade, nem deveria ter vindo. Falar dessa gente a essa hora da madrugada não é o que se pode chamar de agradável.

Ela, então, começou a andar até a porta onde Remus parecia um cão de guarda postado imóvel. Ignorou o olhar não usual no rosto grifinório, e foi assim que ela perdeu a expressão de preocupação e indignação de Remus. Ignorou também a presença quase magnética que ele parecia ter conforme se aproximou dele para virar a maçaneta e sair dali.

Suas mãos fecharam-se sobre o objeto, porém, quando ela foi virar a maçaneta, sentiu as mãos comumente mornas de Remus na sua cintura. Suspirou automaticamente. Seus olhos caíram sobre as mãos ásperas em suas vestes, apertando-a sem cerimônia alguma, antes que ele pudesse virá-la e recostá-la na porta bem desenhada do banheiro.

Seus lábios, então, ganharam vida e arquearam-se sem que ela pudesse controlá-los. O brilho malicioso ausente em seus olhos voltou conforme ela erguia o queixo para encontrar o semblante sério no rosto de Remus. Seus narizes estavam muito próximos, tocando-se tão insignificantemente que mal se poderia dizer haver contato. O hálito dele era quente, como ele próprio era, e ela sentiu-o em sua bochecha gélida quando ele aproximou sua boca da orelha sonserina.

— Não tão rápido, Sophie — ele murmurou, e havia uma aspereza na voz dele que Sophie só conhecia quando ele se dirigia a ela. Os lábios dele tocaram, entreabertos, o lóbulo da orelha da monitora, e arrepios percorreram simultaneamente ambos os corpos — Por que a pressa? — perguntou e Sophie esqueceu-se de tudo o que há pouco eles diziam, as farpas trocadas, quando deixou seu braço envolver o pescoço dele, segurando os fios castanhos de cabelo dele, nenhum pouco dócil, afastando-o de seu pescoço para que se encarassem.

— Já estava me perguntando quando chegaríamos a essa parte — sussurrou antes de forçar a cabeça de Remus contra a sua, com energia, até que os lábios se encontrassem e os dele esmagassem os seus frágeis.

Quando a boca dele fechava-se sobre a sua, e a língua procurava sedenta pela dela, todos os pensamentos, todas as mentiras e desconfianças pareciam fazer parte das preocupações de alguém que não era ela. Ali, só havia ela e Remus, e a incrível sensação de calor que o corpo dele emanava. Os braços sonserinos cruzaram-se atrás do pescoço dele, forçando seu corpo impossivelmente contra o dele, tão familiar e quente. Ficou na ponta dos pés quando ele pressionou-a mais contra a porta, infligindo nela sensações atordoantes conforme as mãos deslizavam pela silhueta sonserina. As mãos dele subiram ardilosas por debaixo da parte superior do uniforme verde e prata e Sophie suspirou contentemente, jogando para longe o casaco no ombro de Remus, e deixou a mochila seguir o mesmo caminho, segundos depois.

Seu cérebro implorava por ar, mas ela o negava quando suas mãos deslizavam pelos ombros dele, pelas costas, por todo o pedacinho de Remus que conseguisse tocar. Ele foi quem precisou soltar-se dos lábios avermelhados da garota; deixando sua boca percorrer a linha invisível do pescoço até a pele atrás da orelha e ela arfou com o contato, os olhos agora semicerrados, quando seu cérebro mal registrava o que Remus lhe dizia:

— Da próxima vez, vamos pular direto para essa parte — ele murmurou com sua voz rouca, parecendo embriagada, enquanto depositava seguidos beijos na pele macia do pescoço sonserino. Ela concordou levianamente, sem nem saber com o quê, ansiosa por apenas sentir o contorno dos lábios do monitor contra sua pele e nada mais.

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No dormitório masculino dos grifinórios do sétimo ano, o silêncio era interrompido pelo tímido balançar das cortinas vermelhas pela brisa noturna que adentrava pelas janelas entreabertas e pela respiração baixa e com ritmo de Sirius Black.

James Potter não dormia, apesar do sono. Seus olhos castanhos estavam presos na porta do dormitório. Não podia enxergá-la perfeitamente com a ausência dos seus óculos, mas tinha certeza absoluta que, mesmo após vários minutos desde que ele e Sirius subiram para dormir, Remus ainda não chegara.

Era um fato inegável para James que Remus andava estranho naqueles últimos dias. Mais tenso e mais introspectivo do que nunca — o que, se tratando de Remus, era muito. Ele parecia frequentemente se perder dentro de sua mente, e James muitas vezes se ouvira repetir perguntas para o monitor que estava sempre distraído — o que sempre fora comum, considerando que o apelido do maroto era Aluado, mas nos últimos dias, desde Hogsmeade, ultrapassara os limites aceitáveis.

— Sirius? Está dormindo? — perguntou James de sua cama de colunas quando o silêncio pareceu demais para ele suportar. Sirius fez um som inteligível, mas bastante raivoso, de sua cama e cobriu sua cabeça. James insistiu: — Sirius? Está dormindo? Sirius?

— Estava até você fazer o favor de me chamar — respondeu o garoto de mau humor, e sua voz saiu abafada de debaixo da coberta — O que aconteceu? Sonhou com o bicho papão? Quer uma musiquinha para dormir? — suas palavras podiam ser divertidas, mas o som era cortante.

— Realmente você é muito engraçado. Na verdade, é o Remus — quando Sirius fez um ruído para James continuar, ele disse: — ele ainda não subiu.

— E o que isso tem demais? — Sirius quis saber após uma pausa imensa. Sua voz era carregada de sono, e ele bocejou no fim da pergunta.

— Não sei, mas é estranho.

— Não tem nada de estranho e me deixe dormir, sim? — disse Sirius, sem paciência, puxando suas cobertas e revirando-se na cama buscando a posição mais confortável para voltar ao seu sono.

— Vou chamá-lo.

— Isso, vá. Eu vou ficar aqui tomando conta do quarto pra você, não vou deixar ninguém dormir enquanto você não voltar — disse afundando em seu travesseiro, sua voz ficando mais fraca a cada palavra que saia de sua boca.

James apenas balançou a cabeça negativamente, e então vestiu seu roupão, calçou seus chinelos e saiu do dormitório. Em questão de poucos minutos, voltou em passos apertados, escancarou a porta e ascendeu as luzes com violência.

— Ele sumiu! — gritou para que Sirius o ouvisse. Seu tom, no entanto, era tão alto que não seria estranho se toda a torre grifinória o escutasse.

— Ahn? — Sirius revirou-se para encarar James, e uma de suas mãos taparam seus olhos por causa da claridade inesperada.

— Remus sumiu! Ele não está lá embaixo.

Demorou alguns segundos longos para a mente de Sirius processar aquele fato, lembrar-se as horas e, então, ligar os dois pontos da questão.

O que? Monitor safado! — falou o garoto descobrindo-se em um movimento rápido e saindo correndo escada abaixo sem se importar se estava ou não fazendo barulho. James seguiu-o de perto. Acharam o Salão Comunal quase exatamente da mesma forma que estivera quando o abandonaram da última vez, exceto pela presença de Remus e seu material; Peter continuava dormindo, na exata mesma posição, roncando e balbuciando palavras incompreensíveis — Peter! Peter! Acorda! — Almofadinhas sacudiu forte o amigo que sempre exigira uma força maior e insistente para acordar.

— O que foi? — resmungou Rabicho ainda de olhos fechados — Já está na hora da aula?

— Não! Não é nada disso — Sirius apressou-se a negar aquela possibilidade absurda, com uma careta exagerada. Ele e James entreolharam-se e, postando-se um em cada lado da figura arredondada de Peter, ajudaram-no a ficar de pé — Vamos levante-se.

— Você viu ou ouviu o Remus sair? — Sirius perguntou quando o grifinório parecia acordado, ainda que esfregasse os olhos para espantar o sono.

Ele saiu?

— Já era de se esperar — disse James irritado com o tom quase débil de Peter —, você não viu nada.

Peter conjurou um copo de água para que pudesse de fato acordar, enquanto Sirius e James olhavam em volta, à procura de algo que lhes indicasse onde o maroto sumido pudesse estar.

— Ele levou a mochila também — constatou Pontas vendo a mesa, onde há pouco menos de uma hora os três amigos faziam seus deveres, vazia.

— Aluado vai aparecer mais cedo ou mais tarde — Rabicho tentou tranqüilizá-los em um tom quase apático — Vai ver ele está só fazendo ronda.

— Ronda às três da manhã? — foi a vez de Sirius voltar a pronunciar-se. O Maroto olhava pela janela em busca de algum vulto nos jardins de Hogwarts que pudesse ser Remus.

— É, você tem razão — respondeu Peter baixinho, notando que havia falado besteira.

— Aháá! — James exclamou, de perto do buraco do retrato, quando avistou um pergaminho conhecido por ele e todo o restante do grupo. Agitou o objeto freneticamente em sua mão direita, chamando a atenção dos outros, que se apressaram para se juntar a James — Vejam o que temos aqui! Acho que o Aluado deixou cair o mapa quando saía.

Os três Marotos sentaram-se no sofá enquanto James tateava suas vestes a procura de sua varinha, a curiosidade tomando conta de si. "Juro solenemente não fazer nada de bom". A princípio tudo que foi visto foram os corredores vazios, nem mesmo Pirraça estava acordado. Mas, olhando melhor, os três puderam ver, no banheiro dos monitores, um ponto cuja legenda era "Remus Lupin".

— Então é lá que ele se esconde... — falou Sirius sem tirar os olhos do mapa.

— Olhem, tem mais alguém com ele — analisou James, espremendo os olhos para enxergar melhor — E é a... a Malfoy? Sophie Malfoy?

— Eles estão tão juntinhos, né? — Peter disse com um entusiasmo e ingenuidade desconcertantes — Os dois pontos estão quase no mesmo lugar. Será que ela caiu em cima dele?

— Ai meu Merlin! — Sirius murmurou, revirando os olhos em órbita — Volte a dormir, Peter. E passe isso para cá, James, deixe- me ver melhor — Sirius puxou o mapa mais para si da mão de James, que parecia bastante chocado com o que acabara de ver para protestar — Não acredito... Vocês sabem o que isso quer dizer?

—... que o Remus e a Malfoy estão juntos? — disse James como se a resposta fosse a mais obvia do mundo, mas ele mesmo não queria acreditar naquela possibilidade. Era quase repugnante pensar em Malfoy, a insuportável e prepotente da Malfoy, com Remus, seu amigo. Ele não queria acreditar, mas o mapa não mentia e aquilo explicaria — muito infelizmente — o comportamento de Remus nos últimos dias... e nos últimos meses.

— Isso não deixa de ser uma verdade, mas existe algo mais — Sirius falava tudo com entusiasmo, e quase reverência ao fato descoberto — Meu caro Pontas, meu caro Rabicho, o que acabamos de ver são provas concretas de que os boatos cabeludos do banheiro dos monitores são todos verídicos! — murmurou com simplicidade e alegria, indiferente ao fato de seu amigo estar enganando-o para ficar com Malfoy — E nosso amigo Aluado, aqui, sabe muito bem disso. Imagino o que ele não fez por lá esses dois anos que eu não o vi com nenhuma garota. E o que falar da Malfoy, hein...?

Peter uniu-se a Sirius na risada, e foi somente James quem permaneceu com o semblante preocupado quando os três começaram a observar cada movimento do casal através do mapa.

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Remus estava sentado no chão do banheiro, com as costas encostadas na parede. Em seu colo, a cabeça de Sophie descansava enquanto o garoto acariciava-lhe a face ou os cabelos. Os fios negros confundiam-se com a calça do uniforme que ele trajava, mas, quando passavam com facilidade pelos dedos grossos do grifinório, ele podia conferir o incrível contraste entre eles e a pele pálida de sua própria mão. A outra mão estava depositada no pescoço da garota, massageando-o em uma carícia lânguida. Ele não expressava em palavras sua vontade, mas queria passar horas fazendo aquilo.

— Tem lido o Profeta Diário? — Remus decidira que aquele seria o momento ideal para começar a sua abordagem sobre o que ouvira em Hogsmeade e o que o corroia por dentro há dias.

— Achei que soubesse que eu não gosto de ler esse jornal — respondeu a sonserina com um tom indiferente e, mesmo de olhos fechados, seu rosto exibia as mesmas expressões frias de sempre. Remus, no entanto, percebera a forma como ela ligeiramente ficara tensa sob o toque dele.

— Têm muitas coisas ao seu respeito que eu ainda não sei — murmurou bastante sério, suas mãos parando por um milésimo de segundo de acariciar a cabeleira escura.

— Isso é bom. Gosto de mistérios — com um inevitável toque de sarcasmo em sua voz, Sophie deu o que parecia ser um sorriso breve, antes de abrir os olhos e encará-lo intensamente. Os olhos azuis pareciam desafiá-lo em silêncio quando ela continuou: — De qualquer forma, existem várias coisas ao seu respeito que eu ainda não sei também.

A forma com que ela dissera as palavras, analisando sua reação com atenção desconfiada, fizera Remus tremer internamente. Ele sabia que não havia como ela saber sobre suas "transformações na lua cheia", mas os olhos dela lhe diziam que ela não estava inteiramente ignorante.

Balançou a cabeça, fingindo ignorar o comentário e o tímido latejar em sua cabeça que ela, inconsciente, causara:

— Deveria lê-lo, estou falando sério. Ultimamente têm sido publicadas umas notícias interessantes — continuou com a voz rouca, surpreso pela calma presente nela. Seu coração era acelerado ao observar a ausência de reações em Sophie, e ele queria-lhe perguntar diretamente sobre o assunto, mas a ironia era que faltava coragem ao grifinório.

— Tipo o que? — ela quis saber, parecendo verdadeiramente desinformada, para surpresa de Remus. Sophie sentou-se, então, e sinalizou para Remus abrir as pernas. Ali, ela acomodou-se, suas costas encaixando-se com perfeição contra o peito dele enquanto um braço a envolvia na cintura.

— Tipo umas mortes estranhas, meio misteriosas até, que vêm acontecendo nos últimos tempos — murmurou quando ela parecia confortável de novo, sua cabeça agora descansando no espaço entre o pescoço e o ombro grifinório.

— Alguém importante morreu? — perguntou Sophie, deixando claro seu tédio com o assunto ao suspirar um pouco alto. Remus sentiu-a respirar com o nariz tocando-o no pescoço, a pele sensível ali se arrepiando com o contato.

— Por enquanto, não.

— Então não deve ter nada demais nessas "mortes misteriosas", afinal são desconhecidos — constatou com uma simplicidade pouco eloqüente antes de pressionar seus lábios contra o lado do pescoço do monitor e delongar-se com gesto. Remus entendeu o que ela queria fazer; distraí-lo. E era necessário admitir que ela sabia muito bem conseguir seu objetivo.

— Você sabe de alguma coisa? — Remus perguntou de repente, após segundos de silêncio, e sua respiração era um pouco errante. Apertou-a com mais firmeza na cintura.

— Porque acha que eu saberia? — Ela murmurou quase hesitante, e Remus nunca ouvira aquele tom precisamente na voz dela. Ela continuava com o rosto colado no pescoço dele, mas seus lábios não mais tocavam no pescoço dele; permaneciam a uma distância mínima, mas Remus ainda sentia, delicadamente, seu contorno.

— Ah, não sei — disse o garoto, segurando uma mecha grossa de fios negros entre seus dedos, e torcendo-a em volta de um dedo para formar um cacho que não se formou. Sophie permaneceu quieta, ainda à espera de uma resposta mais elaborada, e ele tentou explicar-se de uma forma mais precisa, e de certa forma sincera — Sua família é influente, pensei que pudesse saber de alguma coisa.

— Sinto em decepcioná-lo, mas eu não sei de nada — ela disse com um quê distante em sua voz. Afastou-se um pouco dele, sentando-se mais ereta, de forma que seu corpo não estivesse mais apoiado no dele, e Remus achou que ela estivesse incomodada com o assunto.

Torceu internamente para que o motivo do incômodo não fosse um possível envolvimento dela naquelas mortes.

— Tudo bem, tudo bem — ele murmurou, então, desistindo do assunto. Puxou a garota pela cintura, fazendo-a voltar à posição anterior, encostada nele abraçando a garota que só se acomodou com um suspiro resignado — Era só curiosidade — admitiu fracamente, desta vez pressionando ele próprios seus lábios no pescoço sonserino, mordiscando-o uma, duas, três vezes e beijando-o depois.

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Os raios de sol penetravam pela fresta da janela do dormitório masculino, onde apenas Remus Lupin acordava lentamente. Hoje seria um daqueles dias insuportáveis — ele sabia — e o monitor não fazia questão de levantar-se. Havia os deveres como monitor para serem cumpridos, seus próprios deveres de casa que ele não terminara na noite anterior, havia as aulas e havia sua pequena investigação sobre o que Sophie sabia ou não — e tal investigação resumia-se em rondá-la com perguntas indiretas.

Revirou-se na cama, cobriu-se até a cabeça, abraçou o travesseiro, revirou-se mais uma vez e finalmente decidiu se levantar. Esfregou os olhos grudados e logo os tapou devido à enorme claridade que banhava o quarto. Enfim, notou a ausência de seus amigos em suas respectivas camas de colunas e resolveu preocupar-se com a hora. Pegou seu inseparável relógio de pulso — dado recentemente por seus pais, como presente de dezessete anos — e constatou que ainda poderia pegar o café da manhã antes de ir para sua primeira aula.

Vestiu seu uniforme vermelho e dourado e, ainda sonolento, com os cabelos desgrenhados, desceu os degraus que o levavam ao Salão Comunal, um há um. Parou ao pé da escada ao notar seus amigos em sua habitual mesa no canto do Salão. Eles conversavam e riam alto, Sirius parecia ser o mais animado, como sempre. Na mesa, havia alguns itens comuns no café da manhã de Hogwarts e Remus revirou os olhos: o dia mal começara e a cozinha já havia sido assaltada por seus amigos.

— Olhem quem acordou — foi Peter quem notou sua presença, e apontou seu dedo indicador na direção de Remus — Você perdeu nossa ida a cozinha. Os elfos pareciam eufóricos de nos dar tudo do bom e do melhor.

— Que pena, adoro as idas à cozinha — disse com um sarcasmo antes mesmo de notar o que dizia — E os elfos sempre estão eufóricos a servir quem quer que seja.

Peter apenas concordou sem graça, enquanto Sirius olhava para James e sussurrava ao seu ouvido:

— Hora de botar o plano em prática — mal terminou de dizer tais palavras e Remus sentou-se na mesa, sem notar o clima recém-instaurado com sua chegada, a expressão risonha de Rabicho ou o olhar enigmático de James.

— Dormiu muito, hein, monitor? — Sirius começou com seu costumeiro ar irônico — Deve ter trabalhado muito nos deveres ontem — Sirius disse com uma displicência intencional, observando as reações de Remus enquanto este comia um pedaço de bolo de abóbora.

Sirius estava com a blusa desabotoada e com os pés em cima da mesa, totalmente à vontade. James, que também estava com a blusa aberta, havia levado sua gravata até a cabeça, envolvendo-a, estando por demais engraçado aos olhos de Peter, que vestia seu uniforme completo. A cena era comum, e Remus de nada desconfiou.

— Ah, sim, com toda a certeza — afirmou Remus ainda concentrado em seu bolo, e sem perceber a troca maliciosa de olhares entre James e Sirius — Eles são bem chatos. E, acreditem vocês, eu sequer consegui terminar.

— Não vamos falar de deveres, não é mesmo? — James intrometeu-se, com ser ar desencanado característico, e um sorriso dissimulado no rosto — Vamos, sim, cavalheiros, falar sobre os seres mais misteriosos do mundo bruxo — diante da expressão de dúvida de Remus, ele explicou: — Elas, as mulheres.

— Vamos falar sobre a Lily, você quer dizer? — falou Remus em tom de brincadeira.

— Mal acorda e já quer bancar o engraçadinho não é, Aluado? — James falsamente repreendeu Remus em um tom grave — Mas, não. Para o seu governo, hoje faremos melhor. Eu e meu amigo, Sirius, aqui — James deu um forte tapa nas costas de Sirius que cambaleou para frente, mas conseguiu manter o sorriso malicioso e divertido no rosto — Estávamos bolando, juntamente ao Peter, uma lista das garotas de toda Hogwarts, quer dizer, apenas do quarto ano até o sétimo. Você conhece nossas regras, não é mesmo? Só maiores de quatorze anos. Mas, enfim, estávamos fazendo uma lista das garotas que nós ainda não... bem, você sabe... que nós ainda não tivemos um relacionamento, se é se podemos chamar assim...

— Nossa... uma coisa realmente interessante para se fazer em uma quarta-feira em que temos aula de Defesa Contra Arte das Trevas e não terminamos nossas lições — disse Remus com um tom irônico em sua voz. A convivência com a Sophie fazia com que ele agisse como a garota, às vezes. Sirius acenou para o monitor, como se dissesse que aqueles eram detalhes — E chegaram a algum nome?

Sim! — gritaram Sirius e James juntos com notável ânimo.

— Chegamos a alguns nomes — disse Sirius forçando uma cara de decepcionado como se fosse impossível alguma garota, ainda que fossem apenas "algumas", escaparem das garras dos dois garanhões da Grifinória.

— É, os tempos mudaram — comentou Remus — E quem são essas?

Sirius pegou um pergaminho e, ficando em uma postura séria, começou a ler os poucos nomes ali presentes.

— Bem, a Mayfera — disse com um suspiro conformado —, mas essa já era de se esperar. Fausta Macmillan, o amor enrustido do nosso querido Rabicho aqui — Sirius olhou para Peter que suspirou ao ouvir o nome da aluna da Lufa-lufa.

— Mas, também, não me espanto. Só mesmo o Peter para ficar com ela — James disse aos sussurros para Remus, que deu uma risadinha abafada. Fausta Macmillan, apesar de sua enorme simpatia e esperteza, era de longe nenhum exemplo de beleza. Era uma aluna meio rechonchuda, de curtos cabelos morenos e cacheados, olhos negros e esbugalhados e baixa estatura. Era simpaticíssima, porém, e fora a única que dera atenção para as baboseiras de Peter — o que acabara em nada, a não ser uma paixão platônica por parte do grifinório.

— Tem a Evans, é claro — continuou Sirius — e duas outras alunas comprometidas muito seriamente, do quinto e do sexto ano.

Uma pausa para efeito dramático.

— E adivinhe só — Sirius, então, continuou a sua leitura do pergaminho. Diante da expressão de ínfima curiosidade de Remus, o jogador de quadribol disse, quase sibilando, o último nome: — Sophie Malfoy. Mas, não se preocupe — continuou ele sem dar chance de Remus ter alguma reação — Já estamos, eu e James, com tudo planejado. Não podemos ficar assim nessa... pendência. Vamos fazer de tudo para conquistá-las, aí elas saberão o que é bom de verdade. Claro que tentaremos somente com as solteiras. Temos princípios. E a Evans é só para o James, então não ousarei chegar perto dela. Ou da Fausta. É feio manter um "caso" com o amor de um amigo seu, bem debaixo das barbas dele — disse Sirius reprimindo o seu riso por causa da expressão de surpresa de Remus. James e Peter também tentavam a todo custo não gargalhar.

O que? — Remus perguntou tão alto que poderia muito bem ter gritado que não existiria uma significante diferença.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou James divertindo-se com a situação em que o amigo encontrava-se. Ele próprio odiava o fato de Remus estar com Malfoy, e odiava mais ainda o fato de Remus achar que era necessário esconder aquilo quando os três haviam se mostrado tão compreensivos com a história de Remus ser lobisomem, anos antes. Porém, mesmo com todo o desgosto, ele iria divertir-se, sim. Pelo menos até encontrar uma forma de conversar com Remus ou fazer Remus conversar com ele.

— Sem querer duvidar da incrível capacidade de conquista de vocês, mas acham mesmo que vão conseguir algo com essas garotas?

— Você está falando com Sirius Black e James Potter, meu amigo — James disse com uma arrogância palpável, passando as mãos nos seus cabelos. Remus nunca sentiu tanta raiva daquele gesto. Pela primeira vez entendia o porquê de Lily reclamava dessa demonstração de narcisismo puro. O monitor sentiu sua pele quente, enrubescendo lentamente, apesar da enorme força que fazia para que aquilo não acontecesse — Pode até demorar um pouco, mas no fim nós a conquistaremos — continuou James fingindo não notar o olhar assassino em sua direção — De qualquer jeito, as mais difíceis são as melhores não é verdade?

— E também — Sirius intrometeu-se com um ar de esperteza — pode ser até que seja difícil conquistar a Mayfera ou a Senhorita-Amiguinha-do-Ranhoso, suas companheiras monitoras, mas elas não resistirão. Mais cedo ou mais tarde irão ceder. Porém, apesar da Mayfear ser uma bela mulher, combinei com James que ele se encarregará dela enquanto eu ficarei com a Malfoy. A Mayfear não o odeia tanto e... bem — a expressão sacana de Sirius tomou lugar em seu rosto, antes de ele dizer: — eu e a Malfoy temos um passado, sendo ex-noivos e tudo. Assim facilitamos um pouco essa história de conquista.

Remus respirou fundo, muito fundo. Estava a ponto de explodir. Sua testa latejava e seu cérebro trabalhava a mil por hora. Tentando se manter calmo, apesar da enorme dificuldade, moveu seus músculos faciais no que seria um sorriso e disse antes de sair do Salão Comunal e rumar para os jardins para tomar um pouco de ar:

— Boa sorte.

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Martha Mayfear era, possivelmente, a aluna de Hogwarts mais atarefada. Não somente porque optara por permanecer em quase todas as aulas em seu sétimo ano, e nem mesmo porque era monitora-chefe e o cargo exigia muito de quem era afortunado – ou desafortunado? – o suficiente para recebê-lo. O motivo de tanta ocupação da corvinal era a auto-exigência intrínseca nela.

Mayfear não gostava de fazer o que devia e ser boa; ela gostava da perfeição.

E era em busca da perfeição que ela se isolara na sala dos monitores, naquele instante, para terminar as últimas lições para aquela semana. Escrevia com uma caligrafia bonita, incomum e simétrica. Era detalhista em suas descrições e, não raramente, ia além do que o professor pedia. Nem que, para aquilo, perdesse as horas supostamente para lazer.

Estava imersa nesse mundo de deveres e tarefas quando a porta escancarou-se, de repente, e por ela Martha viu a figura elegante de Sirius Black passar.

— Black — ela murmurou com um suspiro entediado; não estava, de todo, surpresa com a aparição. Sirius Black tinha a famosa tendência de interromper as reuniões da monitoria desde os seus catorze anos, não seria por que ela era monitora que isso mudaria —, não temos nenhuma reunião para você interromper, hoje. Volte na sexta.

Sua voz era fria e mecânica e ela não demorou mais do que o tempo necessário para dar apenas uma olhadela indiferente na direção dele antes de retornar sua atenção para seus pergaminhos.

— Eu sei — ele disse, entrando na sala mesmo assim. Ele puxou uma cadeira próxima a que ela estava sentada e sentou-se, colocando seus pés na mesa, tão despojadamente que qualquer um diria que ele estava em casa —, mas eu não vim interromper uma reunião. Vim falar com você — ela parou de escrever, mas continuou a encarar o pergaminho, seus ouvidos atentos ao que ele iria dizer — Achei melhor abordar você sozinha porque, quando está com alguém, você finge que não me vê. Esse comportamento é um pouco duro considerando que foi graças a mim que você venceu o último duelo.

Ele falava em um tom tão autoconfiante quanto debochado. Martha controlou-se, fechando os olhos brevemente — que graças a sua cabeleira ele não poderia ver — e contou até dez em sua mente. Sirius Black parecia adorar que ela o odiasse, ou ao menos era isso o que o comportamento audacioso dele demonstrava.

— Eu teria vencido o Charles com ou sem a sua ajuda — ela respondeu quando o encarou. Os olhos de Sirius eram acinzentados, bastante escuros, e brilhavam com o possível divertimento de relembrá-la que ela lhe devia um favor.

— Se é nisso que quer acreditar.

— Isso é a verdade — afirmou com veemência, bastante séria — Charles é um oponente fraco.

— Exatamente — Sirius apressou-se a dizer com um ar de superioridade — Você acha que você venceria um oponente menos fraco? Eu tenho minhas dúvidas.

— Ah, tem? — ela indagou-o com uma voz maliciosa, mas também irritada e furiosa — E sabe o que você faz com as suas dúvidas?

— Não, não faço idéia — Sirius riu, deixando seu sorriso estampado em seu rosto. Gostava de provocar Mayfear. O grifinório cruzou seus dedos atrás da cabeça, os braços abertos, e deixou sua cabeça pender para trás; Martha achou a postura não somente infantil como desafiadora.

— Não banque o inocente.

— Ah, qual é, Marthinha — pela forma demorada que ele pronunciara o apelido carinhoso de infância que Andrômeda dera para a corvinal ficara clara a tentativa de irritá-la ainda mais —, você sabe que precisa da minha ajuda.

— O dia que eu precisar da sua ajuda me certificarei de beber um caldeirão inteiro de uma poção venenosa.

— Não foi isso que você disse há uns dias quando lhe ajudei.

— Existe uma diferença absurda entre "aceitar ajuda" e "precisar de ajuda", Black — ela disse em pausas, com uma voz falsamente simpática, como se ensinasse a uma criança algo bastante banal. Sirius rolou os olhos:

— Se é assim que prefere — murmurou com a voz quase indiferente se não fosse um leve quê de frustração. Ele se levantou, mas parou perto da garota ao completar: —, mas da próxima vez que perder, faça um favor a si mesma e perca com estilo, está bem? — disse com uma crueza não intencional que fez Martha apertar sua pena com força.

— Vá para o inferno, Black — ela sibilou e foi com verdadeira surpresa que ela conferiu que sua voz não transparecia a raiva que sentia.

Ele sorriu, ele realmente sorriu e murmurou ao abandonar a sala e cruzar com a garota que entrava:

— Encontrarei você lá, Mayfear — e então ele saiu, deixando uma furiosa e contida Martha Mayfear e uma curiosa Lily Evans.

A grifinória chegava com um pergaminho em suas mãos e olhou mais de uma vez para a porta que Sirius fechara no momento que saíra. Olhou então para Mayfear, e seus olhos verde-esmeralda pareciam brilhar mais:

— Onde você vai encontrar com Black? — havia uma malicia brincalhona nas palavras da ruiva recém-chegada, mas a expressão igualmente divertida morreu quando os olhos furiosos de Martha encontraram os seus.

— Espero nunca mais encontrá-lo.

— O que ele fez dessa vez?

— Nada — Martha negou rápido, rápido demais, sem lançar sequer mais um olhar na direção da amiga — Veio entregar seu relatório?

Lily bufou, mais alto do que bufaria normalmente só para deixar translúcida a sua irritação. Martha, em sua distração, não percebeu. Tampouco notou o olhar frustrado em sua direção conforme a ruiva se aproximava, em passos hesitantes. A grifinória parou muito próxima da amiga, colocou o pergaminho na mesa, e disse numa voz pequena:

— Por que você sempre faz isso, Martha?

— Isso o que? — a corvinal perguntou com apenas ínfima curiosidade, tomando em suas mãos o pergaminho abandonado.

— Isso — Lily disse irritada, sinalizando entre ela e Martha freneticamente — de sempre dizer coisas pela metade, de supor que eu sou mais ingênua do que eu sou, de omitir atrevidamente tudo, na maior cara de pau.

— Eu não faço isso — defendeu-se Martha olhando de forma fixa, agora, para a ruiva cuja face refletia uma enorme frustração que, há semanas, se acumulava.

— Mas você faz, sim, Martha. Você esconde tudo de mim, como se eu não tivesse a capacidade mental de entender as coisas — Martha abriu a boca para, possivelmente, dizer que Lily estava exagerando, mas a ruiva a interrompeu — Não, eu não falo só de agora. Agora é o que menos importa. Há meses que isso vem acontecendo. Você sugere coisas e depois se nega a falar mais do que já falou. Estou cansada das suas contínuas suposições de que eu sou tão absurdamente tola que não posso entender o que você quer falar. Você acha que eu não sei que você sabe mais do que diz saber sobre o que acontece hoje no mundo bruxo? Você acha que eu esqueço que a sua família é tradicional e seus avôs têm contatos? Você acha que eu não leio o jornal? Que eu não notei o clima entre você e a Mascenalli na semana passada?

Lily parou. Chegava a ofegar de tanto falar e articular gestos insanos, mesmo que sua voz tivesse soado tão calma e resignada. Seus olhos pareciam mais dilatados e cheios de sentimentos conflitantes. Martha piscou várias vezes — por aquela explosão ela não esperava. Encarava a amiga sem saber o que dizer e deixou o silêncio preencher o cômodo. Queria correr e fugir daquelas conversas profundas; estava perfeitamente bem com os assuntos superficiais de sempre.

— Eu não acho você tola, Lily — murmurou, enfim, com sinceridade, mas também com cansaço. Não deveria ter acordado naquele dia, aquilo era muito claro para a corvinal naquele momento.

— Não? — ela deu um risinho cínico, muito diferente do que era comum ouvir da grifinória — Pois não é isso que parece.

— Eu só não gosto de dividir tudo com os outros. Eu não sou a Emily.

— Ah, obrigada pela informação, eu não tinha notado — disse com sarcasmo, sabendo muito bem que não deveria ter dito absolutamente nada, mas sabendo também que, cedo ou tarde, o assunto iria aparecer entre elas por conta da grande irritação que só crescia com as contínuas omissões de Martha — Eu tenho aula de Defesa Contra Arte das Trevas agora, de qualquer jeito. Só vim entregar esse relatório dos alunos. Depois a gente se fala.

Falou, enfim, em um tom de pura constatação, como se seu instante de descontrole não tivesse nunca acontecido. Olhou para Martha uma única vez, o olhar opaco e impenetrável, antes de sair e rumar para sua aula, deixando para trás uma pasma Martha Mayfear que não mais se sentia capaz de fazer o seu melhor nas lições que precisava terminar.

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Os olhos escuros de Sirius Black observaram, com admiração, a sutil troca de olhares entre Remus e Sophie quando a monitora — milagrosamente não atrasada — adentrou a sala onde ocorria a aula de defesa contra a arte das trevas. Durou uma fração de segundos, mas Sirius percebeu a intensidade nos olhos de Remus, e a malícia nos olhos da sonserina. Ele sorriu para si mesmo, repassando em sua cabeça o plano que ele e James haviam inventado pela manhã com o auxílio de Peter.

Esperou a sonserina sentar-se no lugar de sempre, na última fileira do lado esquerdo da sala. As mesas eram construídas para duplas de alunos e ela sempre fazia dupla com Mascenalli – quem, ele sabia, não compareceria aquela aula. Na frente dela, Remus fazia dupla com Peter, mas, como o monitor estava sentado de lado, ele pode ver perfeitamente quando Sophie sentou-se e foi seguida por um muito maldoso Sirius Black.

A expressão de choque no rosto de Remus foi impagável. Sirius gargalhava por dentro, mas sua fisionomia não entregava seu plano; permanecia com um semblante bastante sério, ainda que calmo, no rosto.

— Por que se sentou aqui? — ela perguntou com sua típica frieza, mas seus olhos estavam ligeiramente dilatados por causa da inevitável surpresa de ter Sirius Black em sua mesa — e sim, ela considerava aquela a sua mesa.

— Serei sua dupla — ele constatou com uma naturalidade eloqüente.

— Eu tenho uma dupla — ela murmurou no mesmo tom que ele usara, mas deixou um sorriso aparecer no canto de seus lábios, como se dissesse que a presença dele era francamente inútil e que ele deveria sair dali o quanto rápido pudesse.

— A Mascenalli, eu sei — ele fez um aceno com a cabeça, e em sua voz havia um identificável quê de tédio, como se a reação da sonserina fosse exatamente o que ele esperava —, mas eu a vi no corredor com Hallward e eles não pareciam interessados em vir a aula, se é que me entende — a garota rolou os olhos, sem demonstrar nenhuma surpresa, deixando claro que, sim, ela o entendia perfeitamente — Então decidi ser sua dupla. Sirius Black não deixa uma bonita donzela sozinha em uma situação de perigo.

— Eu posso fazer dupla com Severus — ela o informou, ainda sem expressividade, jogando um olhar na direção do sonserino que deveria fazer par com Hallward, também ausente na sala.

— É exatamente isso que defino como uma situação de perigo.

Para sua surpresa — e claro desgosto de Remus, que permanecia com a mesma expressão de raiva contida no rosto —, ela lhe sorriu antes de girar os olhos em órbita. Foi um breve e pequeno sorriso, quase não notável, alguns diriam até que insignificante, mas estava ali e Remus o vira.

Sirius sorriu para si mesmo ao notar o olhar mortal do monitor em sua direção e a veia pulsante na testa grifinória: provocar Remus seria mais fácil do que ele imaginara.

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— Também não conseguiu dormir? — James quase pulou quando ouviu a voz feminina. Estivera por alguns bons minutos na mesma posição, seus olhos vidrados no tímido fogo crepitando na lareira de seu Salão Comunal. Já passara da hora apropriada para estar dormindo. Tinha jogo no dia seguinte e seus olhos não conseguiam ficar fechados por muito tempo.

A voz que chamara sua atenção permanecia a ninguém menos que Emily Greenleaf. A grifinória tinha seu cabelo todo desgrenhado, para todos os lados, emoldurando seu rosto cheio de sono. Ela vestia um pijama vermelho com estampas de pequenas vassouras por todo ele. Mas não foi isso que atraiu os olhos de James — foram as pantufas. Eram de gnomos estrábicos e horríveis que usavam chapéus também vermelhos.

— Obviamente, não — ele enfim disse quando a grifinória se sentou ao seu lado, no sofá de dois lugares. Ela recostou-se no braço do sofá e puxou seus pés para o assento. James sentia os olhos daqueles gnomos estrábicos em si — Deveria ir dormir para descansar para o jogo amanhã.

— E você também, capitão — ela murmurou, a voz levemente sonolenta. O olhou com atenção antes de querer saber: — Está preocupado com o jogo?

— Não — ele respondeu com confiança demais, rápido demais.

— Tem tanta certeza assim que ganharemos?

— Emily, é o Hallward o capitão da Sonserina — disse como se aquilo fosse o suficiente e, para ele, era mesmo.

— Eu sei, mas ele não é inteiramente incompetente — Emily parou e pensou, antes de completar com um ar brincalhão: — Só parcialmente.

— E nós somos completamente competentes — ele constatou com um sorriso quase arrogante — Vamos ganhar.

— Isto que eu gosto em um capitão: confiança — ela declarou com sua simplicidade de sempre, deixando um sorriso brotar em seus lábios. Ele nada disse e houve uma lacuna de quietude entre eles. James sabia que ela pensava no jogo; ele, no entanto, pensava na descoberta de que Remus e Malfoy estavam juntos. Fingia não se incomodar, mas volta e meia sua cabeça vagava naquela direção.

— O que está lhe incomodando, então, Pottinho? — Emily voltou a dizer, analisando com cuidado a expressão preocupada de James. A garota continuou com um ar matreiro: — É a Lily? Ela lhe deu mais um fora?

— Se eu fosse perder o sono pelos foras da Evans, eu não dormiria — constatou com uma desafetação arrancando um sorriso de Emily — É, hm — limpou sua garganta quando uma nova idéia se apoderara dele —, eu estou preocupado com, hm, uma amiga.

Emily não precisava saber que essa suposta amiga era um garoto; e que ela o conhecia muito bem.

— Uma amiga sexual?

— Emily! — exclamou James com um tom meio repreensivo e meio divertido — Por Merlin!

— Eu sou uma jornalista, Pottinho — esclareceu ao dar os ombros — Eu gosto de saber de todos os fatos para ter uma idéia geral da situação.

— Não é uma amiga sexual — ele afirmou com muita veemência e uma careta. Sua voz suavizou-se ao prosseguir: — Só... uma grande amiga.

— Eu achava que eu era a sua única amiga! — Emily falou com surpresa clara em seu semblante, deixando um sorriso provocador habitar seus lábios por breves segundos — Não sabia que James Potter era capaz de ter amizades, no plural, com mulheres sem pedir favores sexuais.

— Eu posso, é claro — ele confirmou com falsa seriedade, antes de completar com escárnio — Mas não espalhe isso. Eu gosto da fama que tenho.

— Seu pedido é uma ordem, capitão... mas, o que tem essa sua amiga?

— Descobri outro dia que ela está em um relacionamento com alguém cujos valores são, digamos, condenáveis — ele fez uma pausa para ponderar sobre as próximas palavras; ainda que adorasse Emily, não podia lhe confiar a verdade — E sabe Merlin por quanto tempo ela está nesse relacionamento. Ela vinha escondendo de mim que está com essa... pessoa. E eu sinceramente não sei o que fazer. Eu quero alertá-la que isso não vai dar certo, que essa outra pessoa não presta, mas...

— Você não sabe como — ela completou para ele com uma voz suave, bem diferente de sua voz usual animada e viva.

— Eu não sei se tenho tal direito. Ela provavelmente não quer nem a minha opinião, já que não me disse nada mesmo — a voz do garoto era pequena, mas não o suficiente para seu rancor passar despercebido.

— Só porque ela estava com medo da sua opinião não quer dizer que ela não a valorize — ela murmurou com esperteza e um olhar complacente em sua face — aliás, é bem o contrário. Ela provavelmente valoriza tanto a sua opinião que escondeu esse relacionamento porque não queria que você a desaprovasse.

— O que eu faço, então? — Perguntou um contrariado James — Finjo que não sei de nada?

— Sinceramente? — ela perguntou para ênfase — É exatamente isso que você tem que fazer — afirmou com eloqüência encantadora — James, se ela não quer que você saiba, ela não quer. Ela deve saber onde está se metendo. Ignore. Se der errado... — sua voz se perdeu e ela deu os ombros, como se aquela mera possibilidade fosse algo certo, que ia de fato acontecer — só trate de estar lá para o que ela precisar, está bem?

James apenas concordou com a cabeça, ainda bastante contrariado e insatisfeito. A situação era mais confusa do que Emily poderia saber.

— Eu vou dormir, oh capitão, meu capitão — ela o informou de repente, levantando-se toda molenga do sofá. Inclinou-se sobre a figura de James e, aproximando seu rosto do grifinório, beijou-lhe a bochecha quase demoradamente — Faça o mesmo. Não perca o sono por causa de uma amiga que nem ao menos lhe desestressa antes dos jogos... se é que me entende.

Ela piscou e ele ensaiou uma risada tímida que morreu em seus lábios conforme a garota se dirigia para a escada que a levaria para seu dormitório.

— Emily? — ele chamou-a quando ela pisou no primeiro degrau. A grifinória virou-se com lerdeza, seu cabelo todo desgrenhado caindo nos seus olhos. Ela tirou os fios de sua vista a tempo de vê-lo sorrir e dizer: — Gostei das pantufas.

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Enfim, havia chegado o grande dia. Hogwarts estava em festa. A Grifinória e a Sonserina estavam especialmente eufóricas. Era o primeiro jogo do torneio de quadribol e este seria entre as duas casas rivais. Logo na hora do café, as provocações tiveram início; alunos perambulavam fantasiados com as cores de suas preferências e caçoavam daqueles usando cores diferentes.

Na ponta da mesa da Grifinória, James olhava para a sua comida, incapaz de comer tamanha a sua concentração. Sirius acenava para as meninas mais jovens que passavam ao seu lado desejando-lhe boa sorte. O silêncio reinava entre os quatro marotos até que, por fim, ele foi quebrado com a chegada de Emily.

—Olá, rapazes! — disse a garota aproximando-se. Parecia tão animada e acordada quanto sempre. Em seu rosto, havia um pequeno leão tatuado com magia, um pouco acima da bochecha esquerda. Ela usava em todos os jogos o desenho não-definitivo para "dar sorte". Ela se espremeu entre Remus e James, antes de começar a tagarelar: — Estou tão ansiosa para a estréia. Acho que nunca estive tanto assim. Começar pegando a Sonserina, logo de cara, é uma tarefa e tanto. Juro que vou me segurar para não errar, sem querer, uma goles e jogá-la bem no meio daquela cara de fuinha do Badlock em vez de tacá-la no aro.

— E então, Emily, quem é o favorito para ganhar o jogo de hoje? — perguntou Peter se referindo as enquetes feitas pelo jornal de Emily e Elizabeth Sawyer.

— Desculpe-me, Peter, mas estive falando com a Lizzie e ela acha que eu adulteraria os resultados de uma eventual pesquisa de opiniões — disse Emily com bastante naturalidade esfarelando um pão em suas mãos — E, cá entre nós, eu realmente adulteraria. Por isso resolvemos não fazer apostas e tampouco pesquisas nessa temporada de quadribol.

— É justo — disse o menino.

— Boa sorte, Em — Lily Evans disse quando passou por onde a amiga estava sentada, indo em direção as outras meninas de sua casa. Emily lhe sorriu agradecida, enquanto James colocou um braço estendido na frente da ruiva, lhe dificultando a passagem.

A monitora o olhou com incredulidade, mas não teve tempo de nada dizer, uma vez que James já começava a falar:

— Evans, que tal fazer uma massagem em mim para aliviar a tensão? — sua voz era forçosamente sensual, e havia um sorriso de incrível malicia em seu rosto. O rosto da garota corou, mas ela conseguiu responder com cinismo:

— Que tal eu mandar uma azaração bem no meio da sua testa? — disse e, com força, puxou o braço de James e passou por ele com tranqüilidade. Virou-se para Remus por um segundo e o lembrou: — Remus, não se esqueça de ficar de olho também nos mais novos durante o quadribol.

— Pode deixar, Lily — respondeu o garoto fazendo um sinal de positivo com os dedos. A garota sorriu para ele e saiu, perdendo James rolando os olhos para aquele comportamento típico da ruiva.

Enquanto a ruiva se afastava, um grupo sonserina, que abandonava a mesa da casa verde e prata e — coincidentemente — passava por ali, parou próximo ao grupo. James não notou a presença deles a principio, até que ouviu uma voz arrastada:

— Pronto para perder, Potter? — James virou-se abruptamente e viu Jack Hallward, batedor e capitão da sonserina, com o braço envolvendo sua inseparável namorada, Úrsula Mascenalli, e, mais atrás, o goleiro da sonserina, Victor Badlock.

— Então é você, Hallward? Bem que eu reconheci essa sua voz doce e amável — James disse entediado, com sarcasmo evidente, sem se dar o trabalho de levantar.

— Se eu fosse você nem iria para o campo, Potter. A vitória já é nossa! Vocês terão uma grande surpresa hoje — disse Victor, um sonserino alto e corpulento de cabelos pretos como ébano e olhos esverdeados, conhecido por sua boa atuação no gol. Tinha fama de discutir com os professores.

— Ah é mesmo? Não sabia que você fazia previsões, agora, Badlock — foi a vez de Sirius manifestar-se; ele abrira um sorriso quase sádico que rasgava o rosto belo — Que engraçado... sempre achei que o seu cérebro fosse pequeno demais para assimilar alguma coisa de adivinhação.

— Vai se arrepender de ter dito isso Black — Victor colocou a mão no bolso interno de suas vestes a procura de sua varinha.

— Faça isso e o seu time vai ficar sem goleiro por hoje, Badlock. A sala de Troféus está bastante empoeirada a espera de alguém idiota em detenção — disse Remus olhando fundo nos olhos de Victor com as expressões fechadas.

Jack precipitou-se para responder, mas foi contido por sua namorada que o puxou pelas vestes.

— Vamos embora, Jack. Esses grifinórios ficarão surpresos quando virem o que os aguarda.

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Nota da autora: Meus planos eram atualizar a fic na semana passada, mas — notem que comigo sempre há um "mas", e caso planejem ler a fic até o fim, o que eu espero muito que façam, é melhor se acostumarem com o "mas", mesmo que eu faça de quase tudo para que ele não exista; meus "mas" são sinceros e apologéticos — mas, como eu ia dizendo, eu fiquei doente. Tosse terrível, mais a dor de garganta, dor de cabeça e completa ausência de voz. Ainda estou meio mal, meio caída, mas bem o suficiente para escrever. De qualquer forma, nem demorei tanto quanto estou acostumada... demorei?

E eu sei que eu prometi quadribol para esse capítulo, mas achei melhor deixar vocês na expectativa. Além disso, esse capítulo está grande o suficiente sem quadribol. Grifinória X Sonserina: quem vocês acham que ganha?

Queria pedir algo — de novo — a vocês. Digam-me nas reviews, se não se importarem, o que eu poderia fazer para melhorar a fic. Se há algo que os incomoda. Eu sei que eu me deixo levar pela minha óbvia preferência por Sophie/Remus, e deixo alguns outros personagens de lado, mas isso já está sendo consertado nos próximos capítulos — especialmente em relação a James/Lily. Então, fãs de J/L, tenham paciência. Quem gosta da Martha, well, em breve ela terá mais destaque, mas ainda não. Quanto a Emily, fico feliz que gostem dela, e as aparições dela também aumentarão futuramente. Tenho planos para as Greenleaf, mas não posso dizê-los aqui, porque spoilers são sem graça :D E quanto a Remus/Sophie, aproveitem o clima agradável entre os dois enquanto podem.

E só - estou num humor muito revelador hoje. Quase não me reconheço. Deve ser a gripe.

Suas reviews foram adoráveis, como sempre. A Sophie é a mais querida, e fico feliz por isso. Úrsula e Emily também são apreciadas, o que é irônico, porque não planejei para nenhuma das duas terem o destaque que elas têm. Em breve, outra enquete. Mas, até lá, algumas coisas precisam acontecer.

Eu não sou de dar títulos aos capítulos, mas, se desse, esse certamente teria como título algo relacionado a segredos ou mistérios. Não foi planejado, mas todos parecem mentir ou omitir, aqui. E isso porque ainda estamos na parte "light" da fic... Ai, ai...

Nota de autora gigantesca. Vou responder as reviews agora:

Livvy.B: Siim, você pode ter uma idéia de como será quando eles enfim se confrontarem. Mas já lhe adianto que vai demorar uns capítulos. Como pode ver, o Remus não tem a coragem de questioná-la. O relacionamento deles é – ainda – muito frágil, e acho que ele pensa que pode perdê-la facilmente... o que não é necessariamente uma mentira XD E que bom que gostou do beijo (e é, eu também quero um Remus; entra na fila), tenho que confessar que descrever beijos, pra mim, não é tão fácil. Estava com receio de ele ficar brega demais, sabe como é. E eu nem demorei para atualizar... né? Estou ficando mais competente. Quem diria.

Keel: A Emily é uma figurinha muito espontânea mesmo, eu a adoro. Ela é a personagem mais fácil de escrever por causa disso. Acabou ganhando mais destaque do que eu planejara no começo da fic, como eu disse, e é legal quando a elogiam. Quanto ao futuro da Úrsula e da Sophie, vamos apenas dizer que vai demorar até ele se definir. Não é fácil nascer em famílias poderosas, e isso vai ficar claro em alguma parte da fic – mas falta um pouco. E eu gostei do apelido "Sô"! Só acho que a Sophie não ia gostar... XD

Ellie Bones: Adorei sua review, viu? Às vezes tenho medo de estar arrastando demais a fic, demorando muito para definir os caminhos, sendo muito misteriosa, sei lá, e fico feliz que alguém ache que essa demora é boa. E que bom que você tem a Marthinha como uma das personagens preferidas. Tem horas que eu a acho chata demais, hahahaha. E a amizade da Sophie com a Úrsula é exatamente isso: as personalidades das duas se completam. Por isso que os diálogos das duas sempre estão entre os mais fáceis de escrever... Obrigada pela review e volte sempre! (x

Mich: Eu imaginei que você estivesse em época de provas mesmo, nem liga. Eu mesma não sei como vai ser quando minhas aulas começarem, como vou escrever a fic, mas sei que darei um jeitinho. E, sinceramente, acho que nem a própria Sophie sabe o que ela sente pelo Remus. Mas nos próximos capítulos, espero deixar a situação entre os dois mais clara. E sim, Emily deveria totalmente ser uma dos Marotos. No lugar do Peter, óbvio. O jornal dela e da Lizzie ainda vai render umas cenas divertidas, acho :P Emily faz de tudo por uma boa manchete. Imagine só. Espero que a cena dela com o James nesse capítulo tenha lhe agradado. E, falando nele, ele não ganhou, mas foi por pouco, eu quase o deixei ganhar... Mas, eu amo o Sirius demais para deixá-lo perder. XDDD Obrigada por ter se dado o trabalho de deixar duas reviews, moça. Apreciei demais!

brainpan: Quer dizer que você gosta do Hallward? Feliz em saber. Ele está aparecendo pouco, mas na próxima parte da fic ele fará maiores aparições. Há outros personagens masculinos originais, mas acho que eu não gosto de escrevê-los mesmo. Um deles será importante mais lá na frente, mas falta muito pra isso. E você estava certa quanto ao Remus questionando a Sophie. Não que eu possa culpá-lo, eu que não iria questionar uma Malfoy XD Well, quanto a OTH, eu sou Jeyton, mas como isso foi enterrado há anos... Leyton foi fofo na quarta temporada – mil vezes melhor que Brucas em qualquer outra temporada -, mas o Lucas nessa última temporada foi ridículo, e eles definitivamente estragaram a Peyton. Preferia que aparecesse um rock star pra ela, e o Lucas ficasse chupando dedo por ser tão babaca, mas o Mark parece adorar fazer a Peyton se dar mal, né – se bem que os spoilers pra próxima temporada dizem o contrário, mas não sei se você os viu!

Ana-Clairy: Ei, você por aqui! Achei que tivesse desistido da fic, mas fico feliz de estar de volta. Quanto aos lufos, sim, ninguém dá atenção a eles, mas isso é culpa da Rowling que, ao mesmo tempo em que condenou os sonserinos ao papel de vilões, condenou os lufos ao papel de idiotas. Mas sua review me fez mudar alguns planos e, se acompanhar a fic, verá quais são. A Sophie, na realidade, foi uma das poucas personagens que não foram baseadas em ninguém que conheço, não conscientemente pelo menos. Das duas, uma: ou sua amiga que lembra a Sophie é muito legal, ou simplesmente insuportável. Como ela é sua amiga, suponho que seja a primeira opção... não? Obrigada pela review, por sinal (:

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Próximo capítulo: Alguém perde. Alguém provoca. Alguém brinca com fogo. Alguém mente — como sempre. Alguém planeja uma vingança inconseqüente. Alguém bebe mais do que deveria. Alguém desabafa. E a lua cheia se aproxima...

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