Onmyou Oni

Twist 11 – Crows in Guise

Música de entrada: Bonds Kizuna by Antic Café

O relatório oficial feito por Ginnosuke contava o ocorrido da seguinte maneira: Shinsei infiltrara demônios no quartel da OZ a fim de sabotar as pesquisas de alta importância. Pesquisas estas que trariam um progresso considerável na luta contra os demônios conhecidos como onis. Informado sobre o intruso, o presidente da OZ designou Anako para averiguar a situação, pois Nikaidou possuía grandes esperanças na agente e tinha-a em vista para promoção. O infortúnio começara quando Anako descobre a identidade do intruso, o traidor Shinsei e tenta convencê-lo a se entregar sem resistência. Porém o apelo da nobre agente foi em vão, a resposta que recebera foi um ataque covarde da parte do traidor. Informado de que a situação não corria bem para Anako, resolveu acudi-la. Porém quando o magnificente líder finalmente chega ao campo de batalha, já era tarde demais. Tomado pela tristeza da perda de uma companheira que tinha em tão alta estima, o líder supremo não pôde lutar em seu melhor estado, além disto, o traidor recebia apoio dos onis que havia infiltrado na base. Através de métodos covardes, o presente, Ginnosuke Hiko, Alita Hosencheisser e Kabuto Arimaki entram em combate para apoiar o presidente. Porém, os artifícios do traidor eram muitos e, após causar a ferida profunda no grande líder e em mais três agentes de alta patente, o traidor finalmente escapa do quartel quando o alarme é soado.

Este relatório foi colocado ao lado do cartaz da missão de nível 0 "Captura do Traidor" de maneira que todos os agentes da OZ foram instruídos à atacar o traidor caso fosse avistado. A comoção que a notícia causou foi grande, pois tanto Anako quanto Shinsei eram conhecidos pela maioria dos agentes. Desde seu ingresso, Shinsei não demorara até começar a realizar missões de alta periculosidade sozinho. Da mesma maneira, o crescimento de Anako foi surpreendente ela nunca fora uma agente que realizava grandes feitos, mas era esforçada. Porém nos últimos tempos ela estava crescendo rapidamente, tanto que das missões básicas sem graduação, ela passou às missões de nível 2 em questão de alguns meses.

A maioria dos agentes reagiu com tristeza ante a perda da companheira e da traição. Outros ficaram enfurecidos e tentavam fazer com que os outros agentes se levantassem para vingar Anako. Porém um pequeno grupo de agentes que convivia diretamente com aqueles dois, não conseguia simplesmente acreditar. Claro, eles não duvidavam de um dos cabeças, mas também não conseguiam engolir que Shinsei era um traidor. Na verdade, esta não era bem a questão que criava a dúvida. Shinsei atacar Anako? Isso sim era um absurdo. Para qualquer um que tivesse conversado alguns minutos com eles fora das missões entenderia. Porém, Shinsei havia conseguido escapar e desapareceu sem deixar rastros. Consultaram a família, o mestre, outros conhecidos, mas ninguém tinha notícias. Era como se ele tivesse desaparecido no ar. Com o tempo as coisas começaram a esfriar, mas a missão continuava lá, num canto esquecido do quadro de avisos.

Cinco anos se passam desde então. Eiji e Saitou estão em uma missão de exorcismo nível 1. Um grupo grande de onis vinha causando problemas no centro da cidade. Os rapazes vigiavam a região de atuação dos demônios. Como não havia um padrão para os ataques, já fazia alguns dias que eles procuravam em vão o grupo. Porém, nesta noite, parecia que eles iam agir. Um grande número de energias incomuns começou a se reunir em um ponto. Sendo o tal grupo ou não, era necessário que averiguassem a situação. Em um instante eles chegam ao cerca de quinze onis que acuavam um rapaz contra a parede de um prédio. Sem nenhuma dúvida, Eiji e Saitou atacam o grupo de demônios. Os quinze são jogados para trás e começam a debandar, porém a bola de ferro de Saitou não estava para brincadeiras naquela noite. Com um movimento circular, cinco dos demônios são arrastados pela enorme esfera metálica. Os outros dez tentavam escapar dali pelas ruelas laterais, porém, assim que chegam nas vias de acesso, percebem que todas estão barradas por resistentes fios. Eiji havia se preparado e bloqueou as rotas de fuga com linha de seu iô-iô fortalecida com ki. Sem ter por onde fugir, os demônios se preparam para contra-atacar. Porém antes que pudessem se virar contra seus agressores, todos são nocauteados instantaneamente pelos ataques dos agentes da OZ.

Neste momento o rapaz que estava sendo atacado pelos demônios estava se escondendo em algum canto do beco. Eiji estava amarrando os demônios enquanto Saitou foi se encarregar do rapaz. O procedimento padrão era verificar se ele possuía algum talento natural para se tornar agente, caso contrário, ele deveria ter sua memória alterada. O rapaz é arrastado para fora de seu esconderijo por Saitou. Este dá uma olhada rápida e chega a conclusão de que ele não possuía talento algum para trabalhar na OZ e começa a se preparar para realizar o procedimento de alteração de memória. Ele chama Eiji que carregava o aparelho para o processo. Para alterar a memória de uma pessoa, eles utilizavam um tratamento com ondas sonoras. Após colocarem fones de ouvido no sujeito, eles tocam uma freqüência de ondas que estimulam determinadas áreas do cérebro procedimento semelhante ao i-Doser. Porém, para potencializar o efeito, algum ki é injetado de maneira que as memórias não são dadas como alucinações e também não sobra nenhuma lembrança do incidente.

- É isso aí, velho! Tá cada vez mais raro achar alguém com talento. – Diz Saitou

- A ultima vez que tu achou foi a gente! Hahaha! – ri Eiji

- Pois é. Eu to ficando cansado de usar essa coisa o tempo todo. Aliás, será que esse negócio de ficar injetando ki no cérebro dos outros não dá galho?

- Se der também, ninguém vai saber. Mas eu acho que não iam deixar a gente fazer algo desse tipo o tempo todo assim.

- É, mas a idéia é a gente não deixar gente normal se envolver. Na verdade, a gente não devia fazer essas coisas o tempo todo, velho.

- Ih, relaxa, eles devem saber que essas coisas são inevitáveis.

- Inevitável? Não acho que arremessar um demônio contra um prédio em construção tenha sido inevitável.

- Putz, nem me lembre, aquele dia eu tomei a maior bronca por causa da quantidade de envolvidos e do prejuízo que foi o prédio cair.

- Pois é velho. Justificar aquilo depois foi tenso. Tiveram que colocar a culpa na empresa que fornecia materiais. Sorte que descobriram que eles estavam usando material de segunda mão.

- Nem me fala. Mas deu tudo certo no final, ninguém se machucou porque eu segurei o prédio com os fios do meu iô-iô tempo suficiente pra todo mundo fugir.

- Por falar em fugir. Velho, cadê os demônios que cê amarrou?

- Que? Eles... Sumiram!

Eles então começam a discutir como os demônios haviam simplesmente desaparecido. Havia alguns relatos nos últimos tempos que após a captura, alguns onis simplesmente desapareciam no ar, alguns foram vistos posteriormente e recapturados. Outros relatos contam que havia algum tipo novo de demônio protegendo os onis, já que alguns agentes afirmam terem sido atacados quando estavam para exorcizar os onis. Segundo o testemunho de um dos onis recapturados, quem estava salvando-os era uma dupla de jovens mascarados. Um deles usava um topete pompadour enorme e o outro era um baixinho de cabelos espetados.

Imediatamente eles ligaram as percepções espirituais para tentar localizar os demônios ou quem quer que os tivesse salvo. Porém, não conseguem localizar nenhuma presença anormal. Obviamente, os onis se camuflaram assim que foram salvos. Assim sendo, eles decidiram que não valia a pena ir atrás deles. Já haviam salvo o rapaz, era o suficiente pela noite. Porém Eiji lembra que assim eles não receberiam pagamento. Nos últimos anos, as recompensas só eram entregues mediante a entrega dos onis vivos ou mortos. Saitou acha que não tinha problema, eles só precisavam pegar outro trabalho depois de apresentar o relatório, talvez eles recebessem algo pelo resgate.

Na noite seguinte, eles se juntaram a Kyoshiro, Hideki e Kojirou em uma missão de escolta. Um demônio altamente perigoso havia sido capturado, porém o grupo que havia realizado o feito foi dizimado no processo. Apesar disso, eles conseguiram confinar o demônio de classe 1 em um contêiner de um trem. A equipe técnica já havia preparado tudo, eles só tinham que vigiar para que o oni não escapasse. Era um oni da espécie "Trickster". Um tipo de deidade travessa que gosta de criar o caos. Um dos onis mais poderosos dessa espécie é Loki, o deus da mitologia nórdica. Os tricksters nem sempre agem com maldade no coração, na verdade eles agem pelo instinto da diversão. Porém, não é raro as brincadeiras se tornarem um pouco mais perigosas, especialmente quando o trickster em questão é poderoso. Por ser extremamente infantil e agir pelo desejo de se divertir, os tricksters acabam não sabendo os limites nas brincadeiras e podem ferir ou até mesmo matar os alvos de suas traquinagens.

Antes de embarcarem no trem, Saruman entrega a ficha do demônio para Saitou e alerta-os para não serem enganados. As chances de um deles ser levado a soltar o oni era de quase 100%. Esta observação gera uma discussão inútil com argumentos absurdos. Obviamente, este tipo de situação servia para descontrair o ambiente, afinal o trabalho não deveria ser muito difícil, os tricksters não são solitários por natureza, mas porque ninguém consegue socializar com um demônio zombeteiro. Nem mesmo dois onis da espécie trickster se misturam de maneira social. Em geral, eles se relacionam através de laços de competição e rivalidade. Quanto às outras espécies de oni, nenhuma consegue suportar os trotes constantes dos tricksters, então é senso comum entre as várias espécies de onis evitá-los a todo custo.

Enquanto Saitou lia a ficha durante a viagem, começa a sentir uma estranha sensação de estar subindo. O que não era de todo estranho, mas pelos cálculos que fizera, eles já deveriam estar subindo tempo suficiente para chegar no topo de um prédio.e não haviam variações de terreno desse tipo no trajeto que deveriam fazer. Então ele olha pela janela e nota que o trem estava realmente subindo e estava muito acima das casas. Ele avisa a todos sobre a situação e os quatro que jogavam conversa fora pulam para a janela mais próxima e se espantam ao ver o quão alto estavam. Como o trem podia estar se deslocando fora dos trilhos e sem estar ligado à rede elétrica? Kojirou abre a janela para averiguar. Desde o teste em que teve que lutar contra o Pazuzu, Kojirou treinou para ter grande resistência à ventanias. Ele almejava derrotar o verdadeiro e conseguir os tesouros prometidos. Então, os ventos causados pelo trem se movimentando a mais de 100km/h não eram mais nenhuma dificuldade para Kojirou. Uma vez do lado de fora, ele nota que o trem está indo em direção ao norte. Então ele retorna ao interior do trem para avisar seus companheiros.

- Aí galera. O trem está indo em linha reta, apesar de estar subindo sem parar. Acredito que ele deva descer em algum momento. Mas é certeza que estamos indo para o norte.

- O Saitou foi verificar se os maquinistas estão bem. Ele deve estar voltando.

- Velho, os maquinistas sumiram!

- O que? Então quem tá dirigindo essa coisa?

- Boa pergunta, velho!

Os cinco correm para a cabine do maquinista. Realmente, ela estava vazia. Porém não havia vestígios de como os maquinistas haviam saído dali. A janela frontal estava intacta, e não aviam buracos nem sinais de arrombamento nas portas laterais. Pelo lado de dentro do trem eles não podiam ter saído sem que um dos cinco notasse. A única maneira de obter alguma resposta era aguardar. Talvez tentassem levar o trickster ainda no ar, ou talvez levassem o trem para então levar o oni. Outra possibilidade era que o confinamento não conseguisse conter os poderes do demônio e tudo isto fosse parte de seu plano de fuga quem sabe fosse alguma opção que ninguém imaginou. Não importava qual das opções fosse, os cinco ali preferiam assim, lidar com o desconhecido era muito mais emocionante e era por isso que eles trabalhavam para a OZ. Hideki não conseguia mais esconder a felicidade por algo ter acontecido, algo diferente dos onis fracos que enfrentava toda noite ou de ficar sentado numa patrulha entediante.

Após tomarem as devidas medidas preventivas, eles ficam de prontidão para qualquer tipo de ataque. Seus sentidos espirituais ligados em tudo que acontecia num raio de mais de 50m ao redor do trem. Kyoshiro preparou shikigamis e ofudas por todo o trem, Eiji espalhou suas facas para atuarem como sensores, Kojirou se conectou ao sistema do trem caso algo mudasse a direção em que estavam indo. Hideki e Saitou subiram no teto do trem e se prepararam para entrar em combate.

O trem pára de subir e começa a andar em linha reta. Agora eles estavam acima até mesmo dos prédios, mas de alguma maneira, ninguém os via. Até mesmo alguns helicópteros que passaram por perto, simplesmente ignoraram a presença deles. Após o ultimo vagão de trem chegar ao patamar da subida, acontece o primeiro ataque. Uma revoada de corvos de Badb. Hideki dá um passo à frente e aponta seu braço direito em direção aos corvos. Em um instante, o bracelete que vestia se transforma em uma espécie de canhão de energia. Um enorme raio de ki é disparado contra os corvos. Alguns conseguem se esquivar, mas grande parte é atingida pelo disparo ou pela explosão subseqüente.

Os corvos remanescentes mergulham em direção ao trem, porém, Saitou arremessa sua esfera de metal, levando mais uma parte dos corvos. Ainda assim, alguns corvos conseguem chegar ao trem, entrando nas sombras. Um instante de calmaria ocorre antes de uma enorme sombra se erguer do chão, atrás de Hideki e Saitou. Por reflexo, ambos conseguem escapar da investida. Antes mesmo de a sobra conseguir avançar para o segundo ataque, Hideki dispara múltiplos projeteis de energia, causando algum dano na criatura. Apesar de ser uma sombra, tratava-se de um ser sólido, saitou se aproveita disso e lança sua bola de aço dando-lhe um soco potente que atinge a criatura, lançando-a no ar. A sombra, disforme até então toma a forma de um enorme corvo que dispara o que parece ser uma esfera de trevas em direção ao trem. Saitou então empunha seu bastão de baseball e rebate a esfera em direção ao enorme corvo que desvia como pode, mas Hideki o golpeia com seu bastão de três partes. Então, ele dispara uma rajada com seu braço direito, reduzindo o demônio a pó e impulsionando-se de volta para o trem.

Vitoriosos, os rapazes comemoram. Afinal, era Badb quem estava atrás do trickster. Saitou fica imaginando qual era o interesse da deidade no oni que escoltavam. Não muito longe dali, um corvo pousa próximo a um grupo de cinco pessoas.

- Gh. Não foi isso que combinamos! Você não me disse que aqueles caras eram poderosos. Veja só, meus queridos corvinhos estão machucados.

- Você achou mesmo que a OZ ia deixar um trickster como aquele mal protegido?

- Hnf. Seja lá o que for, eu fiz muito mais do que deveria.

- Você é quem sabe, minha querida Badb. Agradeço sua ajuda. Daqui a pouco eles devem estar chegando. Pelo jeito, vamos ter que trabalhar hoje, meus amigos.

- E-espere. Você disse que tudo que tem que fazer é salvar aquele oni que está no vagão, certo?

- Exato, minha amiga.

- Deixe comigo. Eu tenho um plano. Não se esqueça que eu sou uma deusa da guerra.

- Muito bem, então, pode falar, que eu ouvirei com toda atenção.

O trem continuava a seguir em linha reta. Eles já estavam nos subúrbios da cidade em uma parte pouco movimentada. De repente, o trem começa a descer. Ele descia em linha reta. Ia se chocar contra o solo e nenhum dos cinco ali conseguia pensar em uma solução. Porém, pouco antes do impacto o trem se estabiliza e pára normalmente. Eles esperam alguns instantes antes de saírem, mas como nada acontece, se vêem obrigados a ir para fora. Eles estavam dentro de algum tipo de galpão abandonado. Estava tudo escuro caso o inimigo fosse o mesmo de antes, ele teria muitos lugares para se esconder. Os cinco descem do trem. Preparados para tudo, não baixam a guarda um instante sequer. Porém, em um instante, os cinco são separados à força. Eiji se vê amarrado por fios até mais resistentes que o cordão de seu iô-iô revestido por ki e é puxado para cima. Uma enorme mão de esqueleto agarra Kojirou, puxando-o para longe. Hideki é engolido por uma sombra. O chão se parte embaixo de Saitou que cai no andar subterrâneo e Kyoshiro apenas observa o oponente que se aproximava, logo a sua frente.

Agora separados, cada um deles tem um oponente para enfrentar. Assim que chega ao telhado do galpão, Eiji é solto dos fios que o arrastaram. À sua frente, um corvo de 1,92m puxa os fios que o prendiam. O esqueleto finalmente solta Kojirou, mas sua situação não melhora muito, um corvo fêmea do tamanho de um humano materializava aquele enorme esqueleto com sua energia. Cuspido para fora da sombra, Hideki encara Badb, agora em sua forma humana. Nesta forma, Badb é uma garota de cabelos castanhos, bastante armados e amarrados atrás em um volumoso rabo, quase parecendo a juba de um leão. Sua estatura era de pouco menos de 1,70m de aparência frágil. Porém ela utilizava como se fosse uma espada curta, um objeto de 75cm, não era possível definir exatamente o que era, pois estava coberto por uma capa de couro. Além de tudo, não parecia estar muito contente com o fato de Hideki ter acabado com a maioria de seus corvos. Saitou aterrissa após uma breve queda, sem nenhuma injúria. Porém, assim que pousa, começa a suar frio. Nunca tinha sentido uma energia tão poderosa. Ele não sabia nem de onde vinha, mas sabia que o oponente não ia ser nem um pouco fácil. Kyo em vez de ficar e esperar seu oponente avançar mais retorna para dentro do vagão. Obviamente, seu oponente o segue. Uma vez dentro do trem, Kyo nota que seu oponente é um corvo de um pouco mais de 1,80m. Apesar de dizermos aqui que eram corvos, a fisionomia dos onis era semelhante a de humanos, apenas possuíam bico e penas, apesar de estarem vestindo roupas.

Vamos descrever as batalhas uma a uma, a começar com Kojirou que enfrentava um enorme esqueleto. Este era muito grande e veloz, o que dificultava qualquer tentativa de aproximação por parte de Kojirou. Cansado de ficar na defensiva, Kojirou saca suas pistolas e atira contra a conjuradora. Porém ele descobre que ela podia modificar o esqueleto que conjurava facilmente. Outros dois braços brotam, protegendo-a dos disparos. Os problemas de Kojirou duplicaram. O esqueleto atacava sem parar, a garota não precisava fazer coisa alguma, apenas ficava ali, observando Kojirou se esquivar. Ele tenta alguns disparos, mas nada muito eficaz. Desta maneira, ele apenas desperdiçava munição. A garota-corvo começa a caçoar do rapaz, a OZ estava realmente recrutando qualquer um para as missões. O trickster que eles escoltavam era valioso para a OZ, Kojirou estava decidido a não deixar que levassem o prisioneiro pelo bem da humanidade. Porém, foi pego de surpresa por um terceiro par de braços que acabavam de surgir enquanto ele se esquivava dos quatro já existentes. Após o primeiro golpe, os seis braços investem contra Kojirou, prensando-o contra o solo.

Eiji cumprimenta seu oponente por usarem armas semelhantes. O enorme corvo se surpreende com o fato. Seria então um duelo de mestres dos fios. Porém Eiji alerta que ele não utiliza apenas fios para lutar. E para demonstrar, ele inicia a batalha, arremessando seu iô-iô contra seu oponente. O enorme corvo se desvia facilmente, porém o iô-iô altera sua trajetória e o segue. Mas ainda assim, ele se esquiva facilmente do ataque. Após algum tempo, Eiji pega seu iô-iô.

- Hehe. Tu caiu direitinho no meu plano!

- O que?

- Você achou que tava desviando do meu ataque, mas na verdade, eu estava simplesmente te induzindo a pensar assim.

- Explique melhor, pois eu ainda não compreendi.

- Pois então veja bem, eu acabei de completar a minha armadilha, a linha do meu iô-iô criou uma rede a nossa volta, agora é impossível você escapar.

- Isso vale para você também, além do mais, ninguém aqui estava pensando em fugir. E fora isso, você gastou uma grande quantidade da linha do seu iô-iô para criar esta teia.

- Pode ser, mas devo lembrá-lo que a linha do iô-iô está revestida com o meu ki. E delo alertá-lo. Se qualquer outra pessoa que não eu tocar estas linhas, elas irão disparar uma rajada de energia semelhando a uma corrente elétrica.

- Muito bom, mas pelo visto, foi você quem caiu na minha armadilha.

Eiji, a principio não compreende o que seu inimigo quis dizer, mas então ele percebe que ao seu redor, uma enorme teia estava armada. O corvo não estava apenas se esquivando do iô-iô. Ele estava preparando seu ataque, a medida que se desviava, aproveitando que Eiji tentava criar a arena. Ambos utilizaram estratégias semelhantes, porém o homem-corvo pensou dois passos adiante e por isso conseguiu enganá-lo. Após algumas breves palavras, o corvo puxa seus fios cortantes que envolvem Eiji.

Hideki encarava a fúria de uma deusa da guerra. Combinando ataques de lança com projéteis em formato de corvo, ela atacava impiedosamente. Ela não era apenas habilidosa com a lança, seu poder era incomparavelmente maior do que o corvo que abatera mais cedo. Como se não bastasse uma habilidade monstruosa com a lança que atacava continuamente sem dar uma brecha, os corvos de energia que ela disparava voavam como corvos de verdade, dificultando ainda mais a esquiva. Completamente acuado, Hideki não tinha tempo para armar uma contra-estratégia. Isto também fazia parte do plano da deusa, fazendo com que seu oponente tenha que se defender continuamente, não abria nenhuma chance para que ele parasse para pensar em um plano. Obviamente, isto só era possível por ela ser uma deidade, pois esta estratégia necessitava de habilidade para atacar com a lança sem parar, grande quantidade de energia para criar projéteis sem parar, sabedoria para administrar a energia gasta em cada parte do ataque e experiência para prever como o oponente vai agir.

Finalmente acuado contra a parede, Hideki não vê outra opção senão avançar, inevitavelmente ele iria ser atingido, porém, já que era o caso, ele pretendia causar algum dano também. Desviou a estocada da lança com seu bastão e protegeu-se o máximo que pode dos corvos, porém ao fazer isso, disparou uma rajada com seu braço direito robótico. Assim que a poeira abaixou, um enorme corvo de energia o atacou. Por trás do corvo, ele pode ver que Badb havia se protegido de seu ataque com uma parede de fogo criada pela lança.

Saitou não conseguia mais raciocinar adequadamente, a energia emanada por seu oponente era tamanha que ele não se concentrava direito. A fonte da energia não se movia, ao que tudo indicava, estava logo ali à sua frente, sentada nas sombras, apenas esperando. Se a situação continuasse assim, ele não ia conseguir fazer nada. Se os outros oponentes fossem fortes assim, talvez eles estivessem precisando de ajuda. Ele se lembra de ter visto Eiji ser puxado para cima e uma enorme mão de esqueleto passando por cima do buraco em que caiu. Eram muitas preocupações para que ele pudesse se concentrar. Após um turbilhão de pensamentos, ele ouve alguma movimentação à sua frente.

- Bem, bem. Desse jeito não vai dar. Eu achei que você era o mais forte deles, mas parece que eu me enganei. Ou melhor, me enganaram.

Saitou ouve a voz feminina se aproximando, então, finalmente ela é iluminada pela luz que vinha do buraco de onde caiu. Era uma corvo fêmea de 1,70m, carregava um machado com uma lança na outra ponta. Ela diz que segundo algumas informações, ele era o mais forte dentre os cinco ali. Se esse fosse o caso, eles não tinham a menor chance de vencer, pois os companheiros dela conseguiam enfrentá-la, não de igual para igual, mas pelo menos causavam alguma dificuldade. Saitou respira fundo e explode seu ki. Parece que a conversa o acalmou, agora ele estava pronto para enfrentá-la. Sua energia aumentou também, o que a surpreendeu um pouco. Porém, ela queria saber se ele era bom o bastante para derrotá-la. Saitou investe com seu bastão de baseball. Ele atinge seu alvo na cabeça. Por um instante nenhum dos dois se move, mas então, a cabeça da garota-corvo começa a rachar.

Kyoshiro havia entrado no trem não para fugir de seu inimigo, mas sim para atraí-lo para as diversas armadilhas que havia preparado dentro do trem. Vários shikigamis eram ativados e atacavam o enorme corvo. Ofudas explodiam, prendiam, lançavam espinhos e facas, disparavam correntes elétricas. Porém, o perseguidor não parecia se importar com nada disso e continuava se aproximando de Kyoshiro. Finalmente, chegam ao ultimo vagão e o estoque de armadilhas estava no fim. Kyo resolve que o trem é um espaço muito apertado para utilizar sua espada e pula para fora do trem pela janela. Logo em seguida, o corvo também o faz. Kyo finalmente ia enfrentá-lo de frente. Estava um pouco decepcionado ao notar que ele não tinha nenhum arranhão. O corvo explica que usava os shikigamis para ativar os ofudas, portanto ele não foi afetado uma vez sequer. Kyoshiro alerta-o que sua Jinsaiga foi feita a partir das presas de um hellhound, portanto era extremamente poderosa. O corvo diz que então eles eram irmãos de armas, pois as garras que ele tinha nas mãos eram produzidas a partir das presas de um Cérbero. Kyo concentra seu ki na espada e dispara-o contra seu oponente, porém o corvo se defende com as garras e avança em direção a kyo. A espada e as garras se chocam. As armas eram igualmente resistentes, porém a força de Kyo é sobrepujada e ele começa a ser arrastado para trás. O rapaz sente seus pés perderem o chão e logo em seguida, ele é jogado para longe, quando o corvo faz um movimento abrindo os braços para empurrá-lo. Em seguida, o corvo pula e em um movimento ascendente, avança com uma estocada das seis garras em direção a Kyo. Este utiliza todos os ofudas que restaram e arma uma barreira. Felizmente, a barreira é forte o suficiente. Kyo então adiciona um encantamento e grita "Raijin", e bate na barreira com sua espada. Isto dispara um raio em direção ao corvo que é atingido em cheio. Kyo se levanta, torcendo para aquilo ter sido o suficiente. No entanto, o inimigo se levanta novamente. Mas a cabeça dele estava se despedaçando. O que faz Kyo se assustar.

O esqueleto retira as mãos de cima de Kojirou. Depois de um golpe desses, não eram muitas as pessoas capazes de se levantar. Contudo, este rapaz era uma dessas pessoas, muito para a surpresa da garota-corvo. O disparo finalmente a atinge, quebrando parte de seu bico. O enorme esqueleto começa a investir novamente contra Kojirou, porém desta vez, ele atira rapidamente nas mãos, destruindo-as. A garota não entende, como é que os tiros podem afetar o esqueleto feito de pura energia. Kojirou responde que desta vez os disparos eram feitos do ki dele. Ele teve tempo suficiente para armazenar bastante ki enquanto estava em baixo das mãos do esqueleto. Ele dispara novamente contra a garota, o esqueleto tenta defendê-la, porem o tiro atravessa sua mão e arranca mais um pedaço do bico dela. O garoto avisa que o próximo tiro seria o definitivo.

Eiji havia sido enrolado em fios cortantes e estava prestes a ser retalhado. Bastava um puxão e os fios iriam cortá-lo em pedacinhos. O corvo diz para que ele se rendesse, caso o fizesse, ele iria poupá-lo. Porém, Eiji se recusou, afirmando que a vitória era dele e quem deveria se render é o corvo. Este não entende o que ele quer dizer, e puxa os fios. Para sua surpresa, nada acontece. Somente então, ele nota que os fios de Eiji impediam que seus fios o retalhassem.

- Muito bom, rapaz! Se protegeu bem! Mas o que você vai fazer? Ficar preso aí para sempre?

- Eu te disse, cara! A vitória é minha!

Eiji utiliza seus fios para criar uma corrente elétrica. Como os fios do corvo estavam conectados aos de Eiji, eles também conduzem a corrente que chega até o corvo, o eletrocutando. O enorme corvo cai, afrouxando os fios e libertando Eiji. Vitorioso, o rapaz recolhe a rede que fez com a linha de seu iô-iô. No entanto, quando se preparava para descer para ajudar Kyo, ele pressente o perigo e salta para o lado, se esquivando do ataque de seu oponente que também levantou. O ataque elétrico não foi o bastante para derrotar definitivamente o corvo. Mas ele ainda estava atordoado e um ataque com o iô-iô de Eiji atinge a cabeça do corvo que voa longe. Então era esse seu ponto fraco? Um simples golpe arrancou a cabeça do corvo? Eiji se assusta, mas então percebe que aquilo não passava de uma máscara. O mesmo acontece com Kyoshiro, Kojirou e Saitou. Todos os oponentes eram pessoas usando máscaras de corvo. Kojirou enfrentava uma garota de cabelos azulados e curtos, a franja cobria-lhe a fronte até a altura dos olhos. O oponente de Kyoshiro era um rapaz de aspecto sério, usando uma bandana preta. Eiji encarava um rapaz alto mais ou menos da mesma idade que ele, porém ele notou que este era o rapaz do topete pompadour que falavam os relatos. Saitou se surpreende, pois lutava contra uma garota de cabelos castanhos muito familiar, mas o mais impressionante era que apesar de receber um golpe seu com o bastão na cabeça, a garota sequer esboçou alguma reação. Não era como se ela tivesse desmaiado em pé, pois Saitou sentia a energia que ela emanava inalterada.

E então. Quem serão essas pessoas que se aliaram a Badb para resgatar o trickster? Uma organização dedicada ao onis? E o rapaz de cabelos espetados? Onde estará? Parece que Saitou reconheceu a garota por baixo da máscara. As respostas você confere nos próximos capítulos de Onmyou Oni!

Música de encerramento: Black Jack by Janne da Arc.