Mil perdões por ontem meus amores. Eu sei que disse que ia postar vários capítulos ontem mas a minha internet caiu bem na hora. Ninguém merece. Tá um pouco difícil pra mim postar todos os dias. Acho que prefiro vir quando der e postar vários de uma vez. To tentando adiantar os outros capítulos a partir do 26 que foi aonde realmente paramos. Me perdoem e não me abandonem, adoro vcs s2


Quatro esquilos, dois coelhos, vários punhados de cogumelos e um monte de verduras para Peeta - essa é a remessa que eu trago de volta pra casa. Meu plano era distribui-los, mas Peeta está sentado melancolicamente na minha porta. Sua postura é curvada e ele nervosamente põe em ordem algumas folhas de papel, pelo menos as que Buttercup não está deitado em cima.

"Olá," eu me sento ao lado dele.

Ele geralmente fica feliz ao me ver, mas hoje a expressão dele não muda. Ele tem más notícias, eu posso dizer. "Espia só isso".

Ele me entrega um punhado de jornais, tirados debaixo de um silvo de gato desafiador. São desenhos feitos à mão de quartos com certas áreas apontadas. Há algo de familiar nos quartos, e depois tudo clareia: Estes são os desenhos da minha casa, que é muito semelhante à casa de Peeta e a casa de Haymitch.

"Seu problema de ontem", diz ele em voz baixa. "Eu liguei para Beetee. Ele enviou esses esboços correndo".

"Então é verdade?" Eu suspiro. É claro que é verdade. É claro que eu ainda estou sendo espionada. Eu não sei por que eu nunca pensei de outra forma, mas ver a expressão no rosto de Peeta e ter a prova em minhas mãos faz parecer muito mais real.

Peeta move sua cabeça para meu ouvido. "Por enquanto. Achei que você podia querer se livrar de alguns deles".

Ele está falando sério? Eu vou fazer o que precisar ser feito. Eu não quero minhas conversas privadas terminando no noticiário noturno. Eles provavelmente estão montando um especial sobre minha raiva assassina em curso, porque eu matei uma aranha na minha cozinha no outro dia. Peeta me disse para levá-la para fora. Eu disse que minha bota foi uma maneira mais rápida de lidar com isso, especialmente porque Buttercup parecia querer adota-la como companheira.

"Tem uma tempestade vindo em breve," Peeta diz apontando para as inchadas nuvens brancas acima, de aparência pouco alegre. "Eu não sei, se a sua casa fosse atingida por um raio e toda a rede eletrônica fritasse, seria uma pena, não é?".

"De chorar de vergonha," Eu concordo e me pergunto se esse não é o meu tipo favorito de Peeta. O 'empertigado-pela-manhã' definitivamente não está na disputa.

"Certifique-se de dizer ao Dr. Aurélius sobre a tempestade", ele instrui. "Eu duvido que venham colocar novos dispositivos, e se tentarem, nós vamos descobrir." Esta parte ele diz tão silenciosamente que eu sinto as palavras no meu ouvido, o roçar de seus lábios, mais do que eu as ouço.

Ele gastou o seu tempo apenas para me ajudar com isso... Estou tão grata que eu poderia beijar Peeta. Digo isso no sentido figurado. Literalmente, faria com que todos os tipos de problemas aparecessem.

"Então o que devemos fazer?" Eu pergunto. Eu quero acabar com isso. Eu estou cansada de viver nos Jogos.

Ele me dá um martelo e uma chave de fenda pequena. "Vamos encontrá-los".

A noite passada foi uma distração. Agora sim, estamos de volta para o mundo que eu conheço: privacidade zero e conspiração constante. Estou certa de que os dispositivos de escuta não faziam parte da minha libertação. Eu tolero Dr. Aurélius, os telefonemas e pílulas. Espionagem é inaceitável. A guerra acabou. Eu sou apenas uma garota louca que quer ser deixada sozinha.

Os dispositivos estão escondidos nas paredes, rodapés, armários de cozinha, sanitários, armários, até mesmo o porão. Peeta me diz que temos sorte de as casas serem mais velhas e não termos os novos dispositivos do tamanho de uma purpurina, o que seria impossível de encontrar.

Eu seguro a lanterna e Peeta tenta arrancá-los com o mínimo de danos para a casa possível. Às vezes, recorre a uma pinça. Peeta encontra uma câmera debaixo da mesa da sala onde Snow me visitou. Eu não fui lá desde que eu joguei fora as rosas.

"E a sua casa, Peeta?" Eu pergunto, enquanto ele está erguendo um disco fora da gaveta de cosméticos do banheiro.

A chave de fenda provoca arranhões na parte inferior da gaveta de madeira e a moeda metálica aparece. Peeta a joga na pia e corre um pouco de água sobre ela.

"Aprendi isso com Haymitch", ele faz um gesto para a pia enchendo. "Eu fico triste com suas bebedeiras, mas pelo menos serviram pra alguma coisa. Isso certamente nos salvou de alguns problemas. Acho que ele já tinha descoberto o tempo todo e é por isso que ele manteve sua casa de modo confuso. Essas camisas jogadas e cobertores abafaram o barulho... Nem pense nisso, Katniss". Ele é taxativo

Eu sorrio, pensando em grandes montes de roupa estrategicamente empilhados ao redor de uma casa. Que divertido seria ver Buttercup tomar banho de sol em pilhas de toalhas, se escondendo atrás de lençóis e camisas apenas saindo para atacar tornozelos indefesos. "Vamos ver", é toda a resposta que eu lhe dou.

No meu quarto, o diagrama mostra que o dispositivo de escuta pode estar em um compartimento secreto em uma das colunas da cama, mas fora da cabeceira. Este dispositivo deve ser operado se o meu médico descobrir algo sobre os meus pesadelos. Eu me pergunto se Dr. Aurelius ouviu a voz de Peeta nas noites que ele passou aqui, ou se alguém mais está escutando. Peeta e eu temos discutido muito nesta casa. Não é o meu segredo número um, no entanto. É seguro.

Sentada no colchão, eu pego a chave de fenda e acho um disco do tamanho de uma unha na minha cama. "Você pode imaginar?" Eu coro e rio ao mesmo tempo, pensando sobre as coisas que a Capital deve ter escutado em cima de uma cama. Eu sinceramente duvido que eles estivessem ouvindo os vencedores falarem em seu sono.

Mas Peeta não compartilha da minha risada. Ele ficou longe da cama quando entrou no quarto, mas agora ele está apoiado contra a parede, com as mãos enfiadas nos bolsos. A cor se esvaiu do seu rosto. "Na realidade...", ele começa. Quando seus olhos encontram os meus, ele parece perdido. Eu já vi essa expressão antes, ele a usa quando quer desesperadamente se lembrar de algo.

"Oh", e a revelação do que ele está tentado dizer suga cada gota de riso pra fora do meu corpo, deixando apenas a triste verdade.

Talvez ele não possa imaginar, não sem saber o que é real ou não. Peeta conhece o que ele viu nos vídeos e está lentamente começando a se lembrar, mas suas lembranças de mim são as mais adulteradas possíveis. Eu não sei o que a Capital o fez pensar ou se os fragmentos que ele tem permitem que ele ache que aconteceu mais do que realmente aconteceu.

Eu ouço o baque da chave de fenda batendo no chão. Eu deveria ter esperado por isso. Claro que viria, como as amoras. Ele perguntou sobre as noites no trem, mas eu nunca consigo passar dos pesadelos e histórias alegres antes um de nós adormecermos.

Peeta pega a chave de fenda de debaixo da cama e pega o dispositivo dos meus dedos. "Eu sei o que vai fazer você se sentir melhor", ele sussurra como nunca fez antes.

Ele é o único com buracos em suas lembranças. Eu tenho algumas de suas respostas, mas não consigo encontrar a minha voz para simplesmente dizer-lhe que não, não aconteceu nada, mas minha cabeça está cambaleando com a maneira certa de responder. E realmente, com a nossa história, não é tão simples assim.

Ele oferece a sua mão e me leva para fora da sala para a calçada de concreto em frente a casa.

O distrito não é muito pavimentado, mas as calçadas da Vila dos Vitoriosos são. Eu preferia ter grama ou um caminho de terra, mas isso faz parecer um pouco mais como a Capital, mesmo que a pavimentação não seja roxa como eu vi lá.

Peeta despeja os dispositivos de escuta que coletou na calçada. As calçadas eram originalmente brancas, mas viraram cinza por causa da poeira de carvão.

Ele me entrega um martelo e me dá um sorriso tão deslumbrante e cheio de dentes que eu sei que ele não está fingindo.

"Sim, por favor!" Eu finalmente encontro a minha voz.

A primeira martelada é por Peeta e as memórias que ele perdeu. Por mais difícil que seja lembrar alguns eventos no meu passado, deve ser mais difícil para Peeta não se lembrar de nada. O martelo vem com força sobre o disco de prata. Eu aterro o disco à poeira pensando no que teria acontecido se Peeta e eu tivéssemos sido forçados a nos casar. Eu direciono a minha raiva da Capital nos dispositivos restantes. Eu os atinjo com muita força, todos eles estão no chão ao longo da calçada. E quando eu acho que usei toda a minha energia, Peeta atinge o que sobrou com uma ferocidade surpreendente. A Capital o machucou muito, talvez ele tenha sido mais danificado do que eu, mas não importa.

Terminamos. Até o último ponto é esmagado e varrido para dentro de um saco, que será jogado fora amanhã. Hoje à noite, estamos exaustos.

Eu poderia entrar em colapso aqui na calçada, mas eu vou para dentro e lavo todos os vestígios da Capital das minhas mãos antes de cair no sofá.

Peeta vem e se senta na cadeira mais próxima ao sofá. Há uma pergunta que precisa respondida. Eu a tenho evitado tempo suficiente e nós nos sentamos em silêncio enquanto eu penso no que dizer.

Eu não passei muito tempo pensando sobre Peeta dessa forma, mas eu não posso dizer que o pensamento nunca passou pela minha cabeça. Certamente, isso é o que os outros pensavam que estávamos fazendo todas aquelas noites no trem e no centro de treinamento. E nós deveríamos nos casar.

"Me desculpe, eu tenho que perguntar", diz ele em voz baixa, pedindo-me para falar.

Ainda as palavras não vêm.

Ele se inclina em direção ao sofá, me perfurando com um olhar expectante.

Não. É a palavra na ponta da minha língua. Atinge os dentes, mas nunca escapa dos meus lábios. Tudo que posso fazer é olhar para Peeta, o que provavelmente faz com que ele ache que algo aconteceu.

"Então, aqui está o que eu sei", ele começa. "Eu sei que estávamos envolvidos. Poderia ter sido para o show, mas eu sei que passamos muitas noites juntos e você me disse que não foi por causa das câmeras. Tenho algumas memórias de nós... Eu não me lembro. "

"Apenas dormimos", eu finalmente consegui dizer duas palavras num tom bastante sincero antes que seu discurso permanecesse por mais tempo. "Nada mais."

A conversa deve terminar aqui. Peeta deve agradecer e fazer o seu caminho de volta pra casa, para o caminho da noite. Mas ele morde o lábio. Ele faz isso quando algo sobre o passado não faz sentido ou não era o que ele esperava.

"Você pensou que nós tivéssemos?" Pergunto antes que meu cérebro possa filtrar esta pergunta. Ele nem sequer tem que responder. Eu posso ver isso em seu rosto e eu tenho a súbita vontade de me trancar em um armário.

"Eu não sei", ele tenta encontrar o meu olhar, mas eu me escondo sob as almofadas do sofá. "Haymitch não sabia."

Ele esteve falando com Haymitch sobre isso? Se o sofá começasse a entrar em colapso pelo chão e caísse lá embaixo, no porão, nada disso seria capaz de me distrair do quão horrivelmente envergonhada eu estou.

"Claro que não", ele diz isso como se ele estivesse tentando se convencer. Eu aperto as almofadas firmemente sobre os meus ouvidos com medo do que está por vir. "Eu não faria isso... você não... Havia algumas coisas... talvez não seja verdade... o que me fez pensar que era mais do que-"

"Peeta!" Eu jogo a almofada nele tão forte o quanto eu posso para interromper seja lá o que estava acontecendo.

"Eu odeio ter essas lacunas na minha memória!" Ele está falando com as mãos novamente, gesticulando descontroladamente. "Não andar por aí, sabendo... Sinto muito, Katniss. Sério. É melhor assim então, muito melhor." Ele está segurando a cabeça dele como se ele estivesse tentando empurrar suas memórias brilhantes para fora. "É mais ou menos como se eles me dessem uma chance de começar de novo."

Ele continua a falar, cada palavra fazendo-me encolher um pouco mais. Seu pé começa a fazer aquela coisa de espasmos nervosos novamente.

Pense, Katniss. O que posso fazer para fazê-lo parar de falar?

Eu aperto a minha mão sobre a sua boca e as palavras param de fluir. Só então é que posso limpar a minha cabeça e descobrir como lidar com isso.

"Peeta", eu digo com toda a compostura que posso conseguir. "Você não sabia. Está tudo bem."

Eu removo a mão de sua boca. Ele pega a dica e não se joga de cabeça imediatamente em um monólogo de desculpas.

Depois de tudo o que foi feito para que ele pensasse coisas erradas, eu não posso ficar brava com ele. Tudo que posso fazer é ajudar a registrar o correto. Cabe a ele se quer acreditar ou não. Eu posso ser uma mentirosa. Eu minto o tempo todo. Mas eu não minto sobre memórias para Peeta e eu não quero que ele desconfie de mim.

Então, eu lhe dou mais uma memória de nossas noites juntos. "Peeta, quando você estava se sentindo especialmente corajoso, você beijava a minha testa ou minha bochecha, mas só porque você achava que eu estava dormindo. Confie em mim, isso foi o máximo que aconteceu."

Eu quis dizer isso para provar a ele que nossas noites eram inocentes, mas assim que eu termino eu desejo não ter dito. Eu não quero esconder as memórias dele, mas levando em conta os últimos dias, não é algo que eu deveria trazer à tona.

Ele toma algumas respirações profundas para processar a notícia. Ele para de balançar seus pés, o que diminui a minha culpa em ter dito.

"Só mais uma pergunta?", pergunta ele.

Não há nada mais que eu gostaria do que mudar de assunto. "Claro." Afinal de contas, o que poderia ser pior do que perguntar algo a uma garota que você já amou uma vez, se você se esqueceu de algo importante?

Peeta pega outra almofada na extremidade do sofá, à espera de um convite para sentar-se ao meu lado. Chego para o lado e dou espaço para ele. A maneira como ele olha para mim me faz pensar que ele vai fazer algo nostálgico e estúpido. Eu sinto um nó no estômago e me assusto com o que eu acho que vai acontecer. Então, eu sinto sua mão no meu estômago. É quente e o nó começa a derreter.

"Então, nunca houve um bebê?" Sua voz é lenta e silenciosa.

Eu coloco minha mão sobre a dele. "Não." Na verdade, eu estive esperando por isso, então eu não estou chocada e fico em silêncio novamente.

"Haymitch me disse que não havia e os médicos do 13 disseram o mesmo. Mas eu queria ouvir isso de você."

Estou pensando em como deveria ter sido eu a dizer, mas eu não estava lá para ele. Eu não estava bem o suficiente para ajudá-lo.

"A memória só não está correta e eu não sei por que. Eu vi as fitas, e eu quase posso me lembrar porque eu menti, mas uma parte de mim estava inclinada ao fato de que talvez não fosse uma mentira. Sei que nunca houve um bebê, mas eu não consigo me livrar desse sentimento vazio, quase como se eu quisesse um. Isso faz algum sentido para você? "

Eu traço as linhas de sua mão, onde cada osso está. Ninguém mais no mundo pode ter essa conversa com ele. Ele pode não se lembra daquela noite perfeitamente, mas ele se lembra da emoção. "Senso de percepção perfeito, Peeta."

Este é o ponto onde eu deveria continuar a lhe dizer por que eu o entendo, mas eu só brinco com sua mão. Eu não estou parando de falar de propósito, apenas acontece. E o tempo todo eu estou pensando em uma versão minúscula de Peeta: um menino que ele pudesse ensinar a lutar, uma menina que ele pudesse mostrar como fazer uma massa. Isso é o que ele merece, sem nenhum apego à memória de um bebê que foi inventado ao vivo na TV, um bebê que eu tenho certeza que ele queria. Eu tento dizer a ele sem dizer as palavras. "Você seria o melhor pai", eu sussurro. É a única coisa que eu posso pensar que não vai quebrar o seu coração demasiado frágil.

Peeta coloca sua cabeça em meu colo. Ele não pede um convite, não neste momento. Ele olha para mim. "E você? Você não seria uma boa mãe?"

A pior. Para mim, não haverá qualquer criança: sem filhos para herdar a depressão da minha família, sem filhos para nunca serem colhidos se os Jogos retornarem, sem filhos para contar sobre as mortes que causei nas arenas e na guerra. Porém também sem filhos para ensinar a caçar, a cantar ou passar o livro de plantas de minha família de geração em geração.

Isso não muda minha mente em tudo e nós dois estamos tendo cuidado para não implicar a nós mesmos em um futuro compartilhado. Mas Peeta tem algo para olhar para frente. Ele está abraçado comigo e estamos falando de bebês. Dois anos atrás, eu teria ficado mortificada por esta situação, mas não me incomoda mais. Não depois de tudo o que foi dito e feito hoje. Na verdade, eu me sinto como se um peso fosse tirado.

Eu estou perdida em meus pensamentos quando Peeta começa a roncar levemente. Ele parece tão cansado que eu o deixo onde está e tento manter minhas mãos longe de seu cabelo.

Eu ouço a porta da frente abrir e eu sei que é Haymitch. A maneira como ele fecha a porta não é tão delicada como Sae. Ele se move em torno de onde o seu conjunto de chaves de fenda foi deixado.

"Pegando as minhas ferramentas de volta, querida, se você estiver aqui", ele anuncia.

"Obrigada", eu meio que grito, meio que sussurro isso.

Eu pensei que ele iria apenas sair, mas ele caminha até a sala de estar. Ele provavelmente está procurado pelo jantar. "A comida está no balcão", eu digo o mais alto que eu ouso, mas os passos continuam na parte de trás do sofá.

Ele espia para baixo, para o padeiro roncando. "É bom saber que vocês fizeram as pazes", ele zomba. "Eu estava ficando cansado de pão queimado."

Ele se vira para ir embora. "O que isso tem a ver com um pouco de pão queimado?" Eu pergunto.

"Aparentemente nada", ele resmunga e volta pra sua casa.

Distraidamente, eu estou correndo os dedos sobre o braço cheio de cicatrizes de Peeta. É demais. Ele acorda.

"Uhmmm, devo ter caído no sono, me desculpe", ele se espreguiça. "Me dê um minuto e eu vou volto para casa."

"Você pode f..." Eu me paro. "Você cochilou, tudo bem. Parecia cansado."

"Os pesadelos estão piores."

Eu não estava esperando uma resposta tão contundente de Peeta.

"Todas aquelas coisas terríveis que me confundiram com um mix dos meus pesadelos dos jogos e nossa última missão. Algumas noites eu não quero nem ir dormir."

Eu posso ver o horror em seus olhos. "As pílulas para dormir não ajudam, não é?" Para mim, pelo menos, torna-se mais difícil de escapar dos pesadelos. Em vez de deixar dormir como uma pedra, eu fico em um mundo paralelo, em algum lugar entre explosões de fogo e meu quarto, não realmente acordada e não realmente dormindo. As minhas mãos voltam a encontrar o caminho para sua cabeça, em um gesto que é mais pra me acalmar do que a ele.

"Não. Eu estou bem, Katniss. Não se preocupe comigo. Tenho certeza de que os pesadelos vão desaparecer em breve."

Peeta dizendo isso só me faz pensar que ele não está bem. Ele me observa. Eu mal o enxergo. "Alguma coisa em que eu possa ajudar?"

Ele olha para mim por um longo tempo. "Eu tenho uma boa noite aqui e ali."

Peeta não é o único que está cansado. Minhas pálpebras começam a ficar pesadas e eu não consigo parar de bocejar. Peeta ocupa todo o comprimento do sofá, e eu estou caida contra o braço, na extremidade, cochilando só para me manter acordada.

Piscadela. Peeta está me fazendo uma pergunta. Piscadela.

"Espere", diz ele. Ele está com cheiro de alecrim hoje. Estou vagamente consciente de ser carregada. Por que o sofá está em movimento?

"Você pode me deixar ir", ele me diz. "Ou não", eu acho que isso é o que eu ouço quando ainda estou acordada.

"Peeta". Peeta. Tente ficar acordada por mais alguns minutos.

"Ssshh, eu estou aqui." Ele esfrega meu braço. Piscadela.

Minha cabeça está no meu travesseiro agora. Ele não cheira a alecrim.

O cobertor é puxado para cima de meus ombros, dobrado. Piscadela. Peeta coloca minhas botas em seu lugar de sempre sob a cadeira no meu quarto. Piscadela. As luzes estão apagadas. Seus passos se aproximam da minha cama. "Bons sonhos, Katniss."