Daniele não conseguia entender o que aquilo significava. Em um momento de crise, quando Hera e suas bestas estavam assassinando um Cavaleiro após o outro, o Mestre decide, de uma hora para a outra, desfalcar o Santuário de um dos Cavaleiros de Ouro. O Cavaleiro de Aquário já estava enfermo e, aparentemente, só Athena e o Mestre tinham consciência da quantidade de Cavaleiros de Ouro disponíveis. Até mesmo o Cavaleiro de Câncer não conhecia todos.

- Perdão, Mestre, mas qual tipo de assunto eu, um Sagrado Cavaleiro de Ouro de Athena, teria para tratar na Ilha da Rainha da Morte?

Daniele imagina que uma missão além do Santuário deveria ser cumprida por um Cavaleiro de Prata. Com exceção de Kyriakos, e dos Cavaleiros de Prata que ainda não haviam sido convocados ao Santuário, nenhum outro havia ultrapassado as fronteiras nos últimos tempos. Na verdade, fazia muito tempo que um Cavaleiro de Prata ou Bronze não saia em missão. Se contar os Cavaleiros de Ouro, apesar de todo o mistério por trás deles, talvez nenhum tenha saído em missão na última década, com a exceção da missão de Valentin a Sibéria que, no caso, já morava no local, e a soube através de uma carta. Os Cavaleiros de Ouro só deixam de proteger as suas Casas Zoadicais em situações de extrema urgência.

- Muito bem. Você tem conhecimento dos sucessivos ataques do Leão de Neméia a nossos Cavaleiros. Estamos em um momento de crise e precisamos reunir todos os Cavaleiros de Athena no Santuário. Preciso de todos os guerreiros disponíveis. Estamos em Guerra.

Daniele, de joelhos no chão, ainda não tinha entendido onde o Mestre queria chegar. Aquilo parecia contraditório. Com as sobrancelhas levemente franzidas, olhava atentamente a máscara de Ionnius. Após uma pausa curta, Daniele indaga-o

- Por favor, continue Mestre.

- Os Cavaleiros espalhados pelo mundo concordaram em retornar ao Santuário, com exceção de alguns poucos que têm minha autorização pessoal para ficarem onde estão, por razões estratégicas e outros motivos que não vem ao caso. No entanto, há muito tempo eu tenho enviado cartas a Ilha da Rainha da Morte para que Eric, o Cavaleiro de Bronze de Fênix, retornasse imediatamente ao Santuário, desde que ele se tornou Cavaleiro. Não recebi nenhuma resposta.

O Cavaleiro de Câncer ficou um pouco ofendido com o que acreditava estar insinuando o Mestre sobre essa tal missão. Mesmo assim, tentava manter a compostura, na medida do possível.

- Compreendo, Mestre. Peço, por favor, que diga aonde quer chegar.

- Nesse intervalo, eu obtive algumas informações. Dizem que ele matou seu mestre com as próprias mãos e tomou o controle da Ilha para si. Como deve saber, lá também é o lar dos Cavaleiros renegados por Athena, os Cavaleiros Negros. Eric dedicou-se a reuni-los e não prestou contas ao Santuário sobre suas intenções nesse sentido. Neste momento você deve estar imaginando o porquê da necessidade de um Cavaleiro de Ouro ir até lá. Pois bem, existem duas razões.

Novamente o Mestre fez uma pausa e Daniele, cada vez mais incomodado, teve de interpelar.

- Estou escutando, Mestre.

- Em primeiro lugar, dizem que o Cavaleiro de Fênix está tocando o Sétimo Sentido, talvez até já o tenha dominado a estas alturas. A possibilidade de existir um Cavaleiro tão poderoso, com tal postura ambígua, e em uma hora tão inoportuna, é inadmissível.

Câncer arregalou os olhos surpresos. Sua reação seguinte foi de ceticismo, e um leve sorriso no rosto.

- Mestre, eu tenho certeza absoluta que o senhor refletiu bastante antes de considerar a veracidade destas informações. Mas é inegável que o fato de um Cavaleiro de Bronze sequer conhecer o significado do Sétimo Sentido, ou dominar completamente o seu cosmos, é um absurdo. Todavia, eu entendo as suas preocupações, e me comprometo a fazer o que senhor ordenar. Após todas as informações que me passou, conclui que a minha missão deve ser matar o Cavaleiro de Fênix. Estou correto?

- Eu confio no seu julgamento, Cavaleiro de Câncer. Se o Cavaleiro de Fênix continuar recusando-se a vir ao Santuário, não lhe der uma razão convincente para estar reunindo Cavaleiros rebeldes e, por fim, for mesmo uma ameaça iminente, você deverá exterminá-lo.

- Entedi, Mestre. Mas, Mestre: recordo que o senhor havia dito que haviam dois motivos.

- Larisa, a Amazona de Ave do Paraíso, enquanto seguia os rastros da reencarnação de Iolaus, Anatolyi, na Sibéria, me enviou uma mensagem alegando ter sentido o cosmos do Cavaleiro de Fênix. Junto dele havia um cosmos enfraquecido, ao qual ela acredita ser o de Anatolyi. É muito provável que tenha sido Eric o corruptor de Anatolyi. Neste momento, ele deve estar na Ilha da Rainha da Morte junto dos outros Cavaleiros Negros. A outra parte da missão consistirá em destruir a armadura negra de Anatolyi, símbolo de sua teimosia, e arrastá-lo a força para o Santuário.

- Mas... não deveria matá-lo também, Senhor? Não compreendo: por que devo trazê-lo para cá, mesmo sendo um rebelde? Nós, os Cavaleiros de Ouro, poderíamos, sozinhos, derrotar as Bestas de Hera. Valentin foi derrotado por um deles, é verdade, mas tenho certeza absoluta que foi por algum descuido.

- Daniele, não foi descuido algum. As Bestas de Hera são tão fortes quanto os cavaleiros de Ouro, talvez até mais fortes. A nossa esperança é reunir Hércules, ao qual já está no Santuário junto com seu receptáculo, e Iolaus. Por serem semi-deuses, tem potencial para alcançar o Oitavo e o Nono Sentido.

Daniele novamente se espantou, erguendo um pouco o corpo.

- Oi.. tavo... Nono Sentido? Sentidos além do Sétimo?

- O Oitavo sentido também é conhecido como Arayashiki, ou seja, a capacidade de romper os laços efêmeros que nos ligam a carne, a imortalidade. Você pode ir até os limites do Yomotsu Hirasaka. Mas, caso caia em seu interior, não poderia retornar. Com relação ao Nono sentido, ele se refere a Vontade Divina, o poder de converter-se em um Deus. Você é privilegiado por estar conhecendo agora esses segredos, Cavaleiro de Câncer. Inclusive, peço que mantenha a discrição, até mesmo para os seus colegas Cavaleiros de Ouro. Porém, nem Raisa, nem Anatolyi, creio eu, estão próximos de alcançar o Sétimo Sentido, baseando no que pude sentir do cosmo da Amazona de Cisne. Nesse caso, sua missão pode não ser tão difícil.

O orgulho de Daniele ficou um pouco ferido naquele momento. Não imaginava que poderiam existir guerreiros mais fortes que os Cavaleiros de Ouro. E, para piorar a situação, um deles era uma Amazona de Bronze e, o outro, um mero Cavaleiro Negro. Resignado, voltou-se a Ionnius.

- Manterei em segredo, Mestre. Mas, como pode ter esta certeza, de que eles estão longe de alcançar o Oitavo e o Nono Sentidos?

- Para que Raisa e Anatolyi alcancem o Poder Supremo, é necessário que seus cosmos e almas estejam em comunhão completa com Hércules e Iolaus. O Nono Sentido, em específico, não foi alcançado completamente nem por estes, com seus corpos originais, nos tempos mitológicos. Mas, como o sangue de Zeus corria em suas veias, eles tem potencial. Até agora, você compreendeu a sua missão, Cavaleiro de Câncer?

- Não entendi uma coisa, Mestre. Após trazer Iolaus até aqui, como pretende persuadi-lo a se juntar ao Santuário? Pelo que entendi, ele se tornou um Cavaleiro Negro, então não deve ser confiável.

- Eu, como Mestre do Santuário, tenho meus próprios métodos de persuasão, você não deve se preocupar com isso. Aliás, com relação aos demais Cavaleiros Negros, eu o autorizo a levar consigo um Cavaleiro de Prata para eliminá-los. Eles não passam de estorvo, e você deve se focar totalmente em sua missão. Recomendo que leve o Cavaleiro de Lagarto, um dos mais poderosos desta classe.

- Compreendi, Mestre. Cumprirei a missão como ordenado. Neste momento irei pedir para que me tragam o Cavaleiro de Prata.

- Conto com você, Cavaleiro de Câncer.

Com exceção dos Cavaleiros de Ouro, que moravam em suas respectivas Casas Zoadicais ou em habitações longe do Santuário, quando autorizados, os demais Cavaleiros, Aprendizes, e Soldados viviam em alojamentos nos arredores. Alguns preferiam morar sozinhos, reclusos. Outros moravam em alojamentos duplos.

Este era o caso de Julienne e Raisa.

Elas planejaram procurar por Hera, para deter a guerra sozinhas, tendo inclusive sido autorizadas pelo Mestre. Mas não sabiam sequer por onde começar, tendo em vista que não puderam nem sentir o cosmo de nenhuma das Bestas de Hera, quanto mais da própria Deusa.

Naquele momento, Raisa estava na varanda de frente de seu alojamento, sentada sobre a cerca de madeira. Ao seu lado havia alguns vasos com plantas e flores, ao qual ela estava passando as folhas entre seus dedos, calmamente. Aquela planta, em específico, era um crisântemo, com uma bela flor recém desabrochada.

Mas a sua mente ia longe, mas especificamente, chegava até a Sibéria. Ela gostaria, e julgava dever, estar se preocupando com o estado de saúde de seu pai. Na última carta que recebeu de sua mãe, ela dizia que seu estado não havia mudado.

Aliás, sua mãe não havia respondido, na carta, se estava bebendo ou não naqueles tempos em que estavam separadas. Quando era apenas uma criança, Raisa havia cansado de ver sua mãe em estado lastimável. O Zui Quan é uma técnica poderosa, mas exige uma quantidade cavalar de bebida alcoólica para ser executada com perfeição. Acrescente-se também todas as vezes em que Larisa bebeu para aprender a executá-la com perfeição. Adicione-se também todas as vezes em que ela bebeu apenas para conter os tremores da abstinência. Era um círculo vicioso. Tudo isso transformou Larisa em uma alcoólatra.

Fazia muito tempo que ela não bebia, pois não precisava lutar. Mas, depois do ataque de Apostolis, ela voltou a beber.

Raisa lembrava também das vezes em que seu pai ficava melancólico pela sua mãe. Mas, como Cavaleiro de Athena, e ponderado como ele era, entendia, sem deixar de tratá-la com severidade quando Larisa ultrapassava todos os limites. E por causa dessa severidade toda que ela havia largado o álcool.

No entanto, Raisa não conseguia manter seus pensamentos focados nessa preocupação.

Raisa poderia, também, estar pensando na responsabilidade que recaiu sobre suas costas, ao descobrir que era a reencarnação de um herói mitológico, e personagem principal naquela guerra. Guerra ao qual não escolheu participar, mas aceitava seu destino de bom grado, como Amazona fiel a Athena.

Nada disso também estava nos pensamentos de Raisa naquele momento.

O que ela não conseguia tirar de seus pensamentos, nem naquele momento, nem em qualquer outro desde que derrotou Apostolis, era Anatolyi. No começo ela se sentia uma pessoa horrível por deixar de lado as suas preocupações para com sua mãe e seu pai para pensar em um garoto que ela mal conhecia. Também se sentia uma Amazona horrível por não se concentrar com o rigor devido em sua missão. Mas, por mais que tentasse evitar, esses pensamentos eram inevitáveis.

O que a deixava mesmo intrigada não eram as escolhas erradas de Anatolyi. Era outra coisa.

Na verdade, aquilo estava no campo dos sentimentos humanos. Ela não pensava nos atos de Anatolyi, mas na sua pessoa. O rosto do Cisne Negro não saia de seus pensamentos.

Aquilo a incomodava profundamente.

Mas, ao mesmo tempo, este incômodo parecia mais uma hipocrisia de sua racionalidade, e aquilo não se aplicava aos sentimentos que sentia. Mas, quais sentimentos eram aqueles? Por que Anatolyi não saia de sua cabeça?

Os pensamentos de Raisa foram interrompidos bruscamente por Julienne, que havia se aproximado furtivamente, como um leão espreitando uma presa distraída. A Amazona de Andrômeda havia colocado dois dedos sobre o queixo de Raisa, e aproximado seu rosto do dela, de forma a mirar-lhe profundamente nos olhos, a uma distância tão curta que ambas podiam sentir a respiração da outra sobre seus lábios, lhe disse:

- O que te preocupa tanto, cherrie?

Raisa ficou um pouco desconfortável com aquela investida. Inclinou um pouco o corpo para trás e olhou o chão de forma dispersa.

- Bem... estou preocupada com a nossa missão.

Julienne encarava com seriedade a Raisa, permanecendo imóvel. Ela se ajeita ao lado da Amazona de Cisne, sentando-se também na cerca. Ela põe, amigavelmente, a mão na coxa de Raisa e, olhando o horizonte agora, lhe dirigiu a palavra.

- Hm... Sabe que não pode esconder seus sentimentos de mim. Lembre-se que minha especialidade é reconhecer nas pessoas as sensações, intenções, a consciência e tudo o mais que possa estar sentindo. Não posso ler pensamentos, mas mesmo se pudesse, ainda assim preferiria perguntar-lhe a invadir sua privacidade.

Raisa olhava, com estranheza, aquela mão tocando seu corpo, que nem prestou tanta atenção no discurso de Julienne. E estranhou mais ainda quando Julienne recostou a cabeça sobre seu ombro. A Amazona de Andrômeda continuou.

- Eu sei que o seu pesar deve-se a alguma pessoa. Não é Hera, nem seus guerreiros, nem seus pais. É uma outra pessoa, porque sinto um sentimento muito... carinhoso... vindo de você. Se eu fosse tentar adivinhar, diria que é por algum garoto ao qual nutre sentimentos... incomuns... mas não tão incomuns quanto você deve achar ser.

Julienne vira seu rosto e recosta-se ombro de Raisa, sorrindo. Esta não disse nada e, por um momento, elas ficaram lá, naquela posição. Raisa não deixava de se impressionar com a ousadia de Julienne, e, um pouco menos, com sua intuição, sua capacidade de ler as expressões das pessoas, decifrando os dados subjetivos transmitidos por sua corrente. Apesar de, naquele momento, ela estar usando aquela capacidade de forma banal, em combate, poderia ser a diferença entre a vida e a morte, principalmente caso um oponente resolva atacar de forma inesperada. Julienne poderia prever tal ataque antes de eles acontecerem, deduzia Raisa. Mas, apesar de tudo, a Amazona de Cisne não conseguia irritar-se com ela.

De forma brusca, Julienne salta da cerca, assustando Raisa. Seu semblante agora estava muito sério.

- Julienne, o que foi?

- Minhas correntes estão agitadas. Veja!

As correntes se movimentavam agressivamente sobre os braços de Julienne. Pareciam um animal assustado, ou em fúria. A corrente com a lança, em um piscar de olhos, avança em linha reta, totalmente ereta, como se apontasse uma direção.

- Sinto um cosmo invasor... um cosmo cheio de ódio, nunca senti nada assim. Naquela direção... lá é...

Raisa salta da cerca rapidamente e corre na direção apontada pela corrente, na frente de Julienne. Alguns metros depois, ela completa a frase.

- O Cabo Sunion! Vamos, Julienne!

As duas Amazonas correm em direção do cabo Sunion, com muita pressa.

O alojamento delas, na verdade, não era tão longe da prisão. Provavelmente era o mais próximo daquele local, em todo o Santuário. Elas esperavam serem as primeiras a chegar lá. Mas não foram.

O local estava completamente destruído. Como alguém poderia escapar de lá? Aquele lugar era selado por Athena!

Quando as duas chegaram, uma terceira amazona estava agachada, checando os destroços, segurando alguns pedaços de rocha na mão direita. Prontamente, com a chegada das duas, ela se ergueu e as olhou preocupada. Julienne lhe dirigiu a palavra.

- Você é Kendall, a Amazona de Camaleão, não é?

- Sim, mas como sabe quem eu sou?

- Eu tenho memória fotográfica, e sim, já a vi antes, há muito tempo. Isso não é importante. O que aconteceu aqui?

Mesmo assustada por uma aparente estranha lhe conhecer pelo nome, Kendall continuou.

- Bem... havia um prisioneiro aqui, Agapius, o antigo General do Santário, que cumpria pena por ordens do Grande Mestre. Eu estava encarregada de vigiá-lo. Mas... foi tudo muito rápido. Eu... não sei descrever o que aconteceu, perdoe-me.

Raisa tomou a palavra.

- Não podemos perder tempo. Vamos, temos que encontrar o fugitivo.

Julienne pois sua mão a frente de Raisa, detendo-a.

- O que... por que faz isso?

- O inimigo está aqui, Raisa.

A Amazona de Andrômeda franzia a sobrancelha e encarava ferozmente a Kendall, que devolvia um olhar assutado, sem entender. Julienne entra em posição de combate e, de seu braço direito, a Corrente de Andrômeda parte em uma velocidade incrível.

- Corrente Nebulosa de Andrômeda!

- Mas o quê? Por que está me atacando, está louca?

A corrente envolve Kendall e a constringe, como a uma cobra. Kendall grita de dor, enquanto a corrente esmigalha sua armadura, rasga sua carne e quebra seus ossos.

- Pare com isso, por favor!

- Julienne, você... não estará enganada? Ela é nossa inimiga?

- Raisa, eu nunca estou enganada! E quanto a você: acabe com esta farsa agora! Revele-se!

Kendall, que até pouco tempo atrás, se contorcia em dor, agora parecia não sentir mais nada. Ela apenas mirava Julienne com um olhar ferino, mas ao mesmo tempo frio, como se estivesse perante a um inseto insignificante.

- Insolente... não tenho assuntos a tratar com você. Mas como se pois em meu caminho...

- Diga, quem é você?

As correntes caem no chão, em espiral, como se tivessem perdido a vitalidade.

- O quê? Minhas correntes!

Kendall ergue um dedo e, no instante seguinte, a corrente com a esfera ergue-se do chão e enrola-se no pescoço de Julienne, enforcando-a. Com as mãos, ela tenta, desesperadamente soltar-se, enquanto tenta respirar. O sangue escorre por debaixo das lesões da esganadura.

- Julienne!

Raisa tenta ajudá-la a se soltar, mas a corrente emite uma descarga elétrica de alta voltagem. A mão de Raisa sofre queimaduras severas, fazendo com que ela segure o pulso ferido enquanto grita de dor.

No instante seguinte, a corrente com a lança avança contra o rosto de Raisa, a uma velocidade incrível. Não havia como se esquivar.

Porém, a uma distância muito curta do alvo, Julienne detém a lança com a palma da mão. A força do impacto foi tão grande que acabou por perfurá-la, causando mais dor em Julienne, que mal conseguia gritar. Raisa lhe olha nos olhos, enquanto Andrômeda a olha de volta, com os olhos quase fechados pela dor, e muito pálida.

- Raisa... eu vou te proteger... sempre!

A Amazona de Cisne queima seu cosmos o máximo que pode e mira nas correntes.

- Pó de Diamante!

Elas se congelam e caem no chão. Julienne cai de joelhos, com as palmas das mãos no chão. Ela arfava muito, tentando recuperar o fôlego. Raisa revolta-se com o estado em que Julienne ficou e refere-se agressivamente a oponente.

- Maldita... não me importa quem seja. Eu vou acabar com você!

Ainda de maneira fria, a Amazona de Camaleão olhava para Raisa, enquanto seu cosmo aumentava de uma forma absurda. Aquele cosmo era... mais forte que o dos Cavaleiros de Ouro! Será possível que aquele cosmos era maior que... o da própria Athena! Raisa não podia controlar o medo, que nunca tinha sentido antes naquela intensidade. Seu corpo inteiro tremia.

- Sem dúvida, é importante que saiba quem eu sou, assim como todos os mortais deste mundo. Eu vim até aqui e possui este corpo, que nem sequer é meu receptáculo, com o único intuito de encontrá-la e resolver todos os meus problemas de uma vez. Hércules, você resolveu reencarnar novamente com o único intuito de estimular a minha cólera, a ira divina! Ó, Bastardo... eu, Hera, a Deusa que prega os valores familiares, irei, eu mesma, garantir que nunca mais retornará do mundo dos mortos!