O Final do terceiro ano estava se aproximando e como sempre diversas e diversas provas estavam sendo marcadas. Vincent como sempre estava preparado para todas elas, ao contrário de todos os seus outros amigos da sonserina, incluindo seu irmão que não gostava muito de comentar o desempenho dele nas aulas, para falar a verdade, ele e Vince não conversavam há algum tempo.
– Senhor Selwyn, posso conversar com o senhor por alguns minutos? – A Professora de Transfiguração Minerva McGonagall anunciou ao fim da aula, enquanto todos os alunos saíam.
– Claro, professora, algum problema com meu ultimo trabalho? Eu bem que achei que havia me perdido um pouco no assunto... – Vincent não conseguiu terminar de falar, a professora o interrompeu.
– Não, nada disso, Vincent. Seu trabalho foi excelente, será um grandioso transfigurador. – Minerva falou calmamente. – Meu assunto é em relação ao seu irmão, o Sr. Leander. – Minerva inspirou antes de começar a falar. – Ele não está conseguindo assimilar os conteúdos corretamente, se atrapalha até mesmo nas menores demonstrações com a varinha, parece que a habilidade não saiu ao sangue. – McGonagall comentou pesarosamente.
– Eu não sabia dessas dificuldades dele. – Vincent comentou pensativo, coçando os cabelos um pouco. – E como eu posso ajudá-lo, professora?
– Talvez você deva conversar com ele, tentar ensiná-lo nas horas vagas, imagino que o senhor e ele possuam algumas horas vagas em comum. – McGonagall respondeu caminhando em direção a sua mesa, pegando um trabalho que estava marcado com um P de Péssimo. – Esse é o trabalho de seu irmão, ajude-o apontando onde ele errou, e por hora eu mudarei o conceito para Aceitável. Mas eu gostaria de ver resultados, seu irmão tem potencial.
– Claro, professora, o ajudarei a melhorar, a senhora verá que ele se tornará um dos melhores alunos de sua turma. – Vincent disse um tanto emburrado, afinal estava com mais um problema para resolver: ajudar o irmão que era inferiormente acadêmico.
Vincent então resolveu sair da sala, e deu de cara com uma menina de longos cabelos louros, e com um belo par de olhos azuis: Era Astória Greengrass, uma garotinha do primeiro ano que aparentava ter uma queda por Draco.
– Está muito tarde para você perambular por aqui, Astória. – Vincent ralhou segurando a menina pelos ombros, empurrando-a levemente.
– Eu estava só passeando por aí, e ouvi a conversa com a professora. – A garotinha deu um sorriso um tanto quanto oportunista. – E ouvi que seu irmãozinho tem problemas com a matéria, e olha que não é a única... – Ao dizer a ultima frase ela parou de falar subitamente, como se estivesse disposta a fazer suspense.
– Meu anjo... – Vincent forçou a voz o máximo que pôde, sentindo seu estômago embrulhar completamente. – Por que não continuamos seu passeio e você me conta o que sabe? – Vincent perguntou largando o ombro de Astória, que deu um sorriso um tanto maroto.
– Claro papai. – A garotinha respondeu em tom debochado, caminhando ao lado de Vince. – Quero ir ao corredor proibido do terceiro andar... – Ao terminar de falar ela olhou para os lados, como se procurasse alguém. – Seu irmão faz parte do meu grupo na aula de Feitiços, ele tem dificuldades até mesmo em manejar um simples flipendo.
– Então vamos ao terceiro andar. – Vincent respondeu calmamente enquanto ouvia, finalmente, a garotinha dar com a língua nos dentes. – Como é? Na idade dele eu já conseguia lançar feitiços estuporantes com perfeita maestria.
– Sim, o senhor Selwyn consegue tudo. – Astória disse tentando imitar o tom de voz de Leander. – Mas seu irmão não é você, papai. – Astória riu gostosamente, tentando acompanhar o ritmo de caminhar de Vince. – Seu irmãozinho consegue ser bom apenas em Defesa Contra as Artes das Trevas, tem alguns argumentos válidos, conviver com um bruxo das trevas fez bem para ele.
– Sim, o senhor Selwyn consegue tudo, meu tio é uma pessoa excepcional. – Disse Vincent debochado, ele ainda não era o senhor Selwyn. – Ele deveria me pedir ajuda, e não esperar tirar notas deploráveis para os professores me procurarem. – Comentou aborrecido, afinal era uma vergonha para ele ter um irmão com notas tão ruins. – Bruxo das trevas? Anda ouvindo coisas muito ruins ao meu respeito.
Astória segurou a mão de Vince e continuou a caminhar lentamente. – Sim, deve ser mesmo, papai conta muitas histórias sobre ele. – A garotinha comentou passando as mãos no longo cabelo, jogando-o para trás. – Ele diz que não quer incomodar você e seus amigos, deve ter ciúmes de seus amigos, Vincinho. – Ela riu ao perceber que havia inventado um apelido para ele. – Eu andei vendo, ouvindo e falado muita coisa certa ao seu respeito, Vincinho, você e seus amigos são maus. Principalmente o Malfoy, é tão mau que eu fico nas nuvens. – Ela disse distraída, sem perceber que estava indo um pouco longe de mais. – Você não ouviu nada disso, Vincinho. Seu irmão em Poções é a coisa mais desastrosa que eu já vi! O professor Snape não o deixa mais chegar perto do caldeirão, em consideração a você ele manda seu irmão fazer um relatório sobre o que foi estudado na aula.
– Você é uma garotinha muito abusada, sabia? – Vincent comentou, em relação ao apelido que Astória havia arrumado para ele. – Ele não tem ciúmes de mim, na verdade eu duvido que ele me trate como irmão, faz meses que não nos falamos. – Vincent puxou levemente os cabelos de Astória, arrancando alguns grunhidos de dor da menina. – Nós não somos maus, apenas fazemos o que ninguém mais quer fazer, minha admirável nova amiga. – Vincent passou a puxá-la em direção ao corredor do terceiro andar, tudo estava vazio, nem mesmo o zelador da escola estava fazendo a sua ronda habitual, e mesmo que estivesse não havia sinal nenhum dele e de sua gata.
– Minha irmã me diz isso o tempo todo. – Astória respondeu como se aquilo fosse motivo de orgulho imperial. – Ele não fala com você, porque tem ciuminho dos seus amigos, conversamos uma vez, e ele me disse que se pudesse cuidaria para você só conversar com ele. – A bruxinha novamente falou em seu tom debochado. – Se eu fosse você, Vincinho, eu tomava cuidado, um dia ele vai te sequestrar e te trancar em uma caixa, e aí coisas estranhas irão acontecer... – Uma risada diabólica foi ouvida de Astória, seguida de uma gargalhada infantil. – Eu sou de mais, eu sei. – A bruxinha então assumiu uma expressão mais séria. – Não abuse da minha aparente falta de conhecimento, minha irmã Dafne conta tudo o que vocês fazem, aliás... – Novamente a expressão curiosa reapareceu nos olhos de Astória. – Ela não tira os olhos de você... É o Selwyn isso, o Selwyn aquilo, ele tem uma proeminência em feitiços que deixa qualquer garota perdida em seus encantamentos... – Ao terminar de falar, ela deu uma risada, Vincent já havia ligado aquela risada à pessoa, nunca mais esqueceria.
– Dafne, estuda comigo há três anos, e nunca nos falamos muito. – Vincent concluiu mais para ele, do que para a garota de longos cabelos louros a sua frente. – Deixe de ser besta, Astória, esse tipo de coisa só acontece em filmes de trouxas, e você não faz parte desse mundo, ou você é uma trouxinha? – Ele perguntou rindo, fazia tempo que não tinha uma conversa descontraída daquela forma. – Você é realmente muito convencida, trouxinha. – Vincent respondeu passando as mãos nos cabelos louros de Astória, bagunçando-os. – A Dafne disse o quê? – Vincent perguntou visivelmente sem graça, afinal ele e Dafne nunca trocaram maiores palavras, apenas um "bom dia" aqui, outro "boa noite" ali, e apenas isso.
– Sim, eu sei disso... – Astória comentou, caminhando, ou melhor, fazendo uma espécie de roda em volta de Vince, ela era uma garota bastante hiperativa. – Não sou uma trouxinha. – Ela respondeu, emburrando, ficando com o rosto levemente vermelho. – Já disse que não sou trouxinha, Vincinho. – Ela disse ficando com o rosto vermelho novamente. – Se bagunçar meu cabelo de novo, eu te mato enquanto você dorme, pode apostar que eu faço isso, eu coloco um rato faminto dentro da sua boca, e ele te devorará durante a noite, Vincinho. – Ela disse rindo gostosamente, sendo acompanhada por Vince. – Mas minha irmãzona disse tudo isso, ela vive suspirando por você pelos cantos, você devia conversar com ela.
Astória mal terminou de falar quando eles finalmente chegaram no corredor onde ela gostaria de ir, após abrir todas as portas do corredor, e olhar todas as salas, vazias diga-se de passagem, ela resolveu ir embora, levando Vincent junto. Os dois passaram a ser grandes amigos nos dias seguintes, Astória parecia ser uma espécie de luz do sol na vida de Vince, uma presença loura, de alegria imensurável que quebrava um pouco do retículo cristalino que o envolve. Já Vince era o irmão mais velho de Astória, uma verdadeira muralha a qual ela poderia se apoiar sempre que precisasse.
Alguns dias depois, no dormitório feminino da sonserina:
– Astória Greengrass, do que se tratam essas cartas? – Dafne Greengrass entrou apressada dentro do dormitório, Dafne era uma menina muito bonita, de olhos azuis celestes, longos cabelos louros, era de uma cor branca bastante apreciável, parecia ter sido desenhada e pintada a mão, e uma feição mais séria do que a irmã mais nova.
– Você andou mexendo na minha correspondência? – Astória perguntou visivelmente irritada, descendo de sua cama. – Eu não te dei esse direito!
– E eu não te dei o direito de se aproximar tanto dele, oras! – Dafne disse colocando a mão dentro de um dos bolsos, e retirando uma carta com a caligrafia de Vince. – Cara trouxinha, encontre-me às 19h no corujal, sinto sua falta. Vince. – Dafne leu impaciente a carta de Vince.
– Nojenta! Você não deveria mexer na minha correspondência. – Astória refletiu por alguns segundos. – Que coisa mais linda! A Dafnezinha está com ciúmes do Vince, sua boba, Vince não gosta de mim do jeito que você imagina. Ele é como se fosse meu irmão, e vai ser, se você tomar coragem e for falar com ele. – Dafne crispou os lábios por alguns segundos. – Haja vista que até sua irmã mais nova já falou com ele, você está assaz atrasada.
– Não seja tão atrevida. – Dafne disse ríspida, enquanto escutava a irmã. – Pare de me pressionar tanto, você sabe... Ele parece ser tão inatingível que eu fico com receio de me aproximar. – Dafne respondeu, sentando-se na cama da irmã.
– Ele não é tão inatingível quanto você pensa, ele me adotou, e eu não sou tão fácil de se aguentar. – Astória disse pensativa. – Na verdade, ele é bem paciente por me aguentar, e bem prestativo, anda me ajudando com transfiguração... – Astória deu um pulo. – É isso, peça ajuda a ele em alguma matéria que você possui dificuldade, ele vai te ajudar, e coisa vai, coisa vem vocês viram Miss e Mister Hogwarts! – Astória riu malignamente, arrancando outra risada de Dafne. – É o plano perfeito, Daf.
– Talvez você esteja certa... – Dafne respondeu pensativa. – Amanhã temos o terceiro tempo de feitiços, já que eu estou com um pouco de dificuldade, eu vou pedir ajuda a ele, e hoje no encontro de vocês dois, você bem que poderia dissuadi-lo a me ajudar. – Ela pediu com certo tom suplicante.
– Dissuadir o Vince? Você precisa aprender um pouco mais sobre ele, minha querida irmãzona. – Astória riu, enquanto caminhava em direção ao espelho, ajeitando-se um pouco. – Estou indo, maninha, eu falo com ele para te ajudar. – Ao terminar de falar, Astória saiu correndo do dormitório, para se encontrar com Vince.
No dia seguinte, Dafne e Vince de fato se encontraram na aula de feitiços, e talvez por alguma maquinação do destino, os dois se sentaram juntos.
– Boa tarde, Dafne. – Vincent apressou em cumprimentá-la, não faria aquilo normalmente, mas na noite anterior Astória havia lhe pedido para falar com sua irmã.
– Boa tarde, Vince. – Dafne ruborizou um pouco ao cumprimentar Vince. – Eu andei pensando, se depois da aula, você poderia me ajudar com feitiços, estou com um pouco de dificuldade. – Ao terminar de falar, Dafne passou a encarar o professor de feitiços, que começara a falar.
– Claro, depois das aulas nós conversamos. –Flitwick começou a explicar o feitiço Protego, Vincent já conhecia o feitiço a longa data, portanto se dissociou completamente da aula.
– Senhor Selwyn? – A voz de Filius ecoou pela sala, chamando por Vince.
– Pois não, professor? – Vincent respondeu rapidamente, saindo do transe.
– Poderia nos dizer uma desvantagem do feitiço Protego, por favor? – Flitwick perguntou, fazendo um gesto para que todos prestassem atenção na resposta de Vince.
– Posso citar duas, senhor. – Vincent começou, e só suas palavras já arrancaram alguns resmungos do discentes grifanos. – Bloqueia apenas feitiços de força média e fraca, e conforme a varinha é manejada, um ponto vital sempre fica desprotegido, na maioria dos casos é o coração. – Flitwick bateu palmas com suas pequenas mãos.
– Esplendido, esplendido. – Flitwick sorriu. – Mais 10 pontos para a sonserina. Bem meus queridos, é só isso por hoje, nos vemos semana que vem, sim? – Enquanto alguns grifanos saiam da sala, ouviram algumas ameaças para Vince, que não ligou.
– Pronto, Dafne, podemos ir. – Vincent disse se levantando, enquanto guardava seu material, não havia feito uma anotação sequer da aula, não havia necessidade. Dafne apenas sorriu um tanto tímida, e guardou seus materiais, caminhando ao lado de Vince em direção a saída da sala.
– Muito obrigado por me ajudar, Vince. – Dafne falou sorrindo, caminhando próxima a Vince.
– Não há de quê. – Vincent respondeu de forma cortês. – Está com dificuldade em quê, exatamente?
– Nisso... – Dafne não esperou Vince esboçar reação, aproximou-se de uma forma lenta e suave de seu rosto, e selou os lábios dele com os dela, sem se preocupar com a reação que Vincent poderia ter.
