Mary não imaginava que sua vida poderia mudar tanto em apenas uma semana, mas a verdade era que sua vida nesses últimos dias se resumia a visitas diárias ao hospital. Com a tentativa de suicídio de Regina e a sua constante inconsciência, Emma se recusara a deixá-la sozinha e quando o fazia voltava pouco tempo depois. Sua filha não era mais a mesma desde que tudo havia acontecido. Sentia que parte dela havia ficado presa naquele fatídico dia em que Regina tentou se matar. Não sabia mais o que fazer para ajudar Emma. Parecia que ela havia escolhido não compartilhar com sua mãe tudo o que sentia. Na verdade Mary infelizmente sabia o que era. Emma ainda não a via como sua mãe.

Mary andava de um lado para o outro na sala de espera do hospital, e mesmo assim não conseguia se acalmar. Não havia nada que fizesse a mulher parar de andar. Era ansiedade acumulada. Medo de que acontecesse algo com Regina porque não poderia imaginar como Emma reagiria se acontecesse algo pior. Ela mal tinha visto sua filha durante a semana que se passou. E sua preocupação com ela aumentara consideravelmente quando entrou no quarto de Regina para tentar convencê-la que precisava descansar um pouco, mas praticamente fora expulsa do quarto por sua filha. Com o seu olhar acompanhara quando Henry entrou no quarto. Os dois sofriam muito com aquela situação, cada um a sua maneira e cada um com um jeito de reagir às circunstâncias.

E isso a machucava por dentro, porque ela sabia que tudo o que havia acontecido com Regina tinha abalado Emma de uma forma que ela nunca tinha visto antes. Emma já passara por tantas coisas difíceis em sua vida, mas nada se comparava ao estado devastador que sua mãe via através dos olhos da xerife. Quando estava com Emma dentro do quarto de hospital, sua filha não parava de repetir para Regina que a amava. Será que Emma realmente a amava e por isso toda essa proteção e cuidado? Essa era a pergunta que não saía da cabeça da mulher. Logo fora desperta de seus pensamentos quando Henry saiu do quarto com lágrimas em seus olhos. Ficara preocupada, pensando que algo tivesse acontecido com Regina.

– Henry? O que aconteceu? – Mary se aproximou e a puxou para junto dela lhe dando um abraço. – Por que está chorando? É algo com Regina? – a morena começou a encher o neto de perguntas, e Henry nada lhe respondia. O garoto apenas deixava suas lágrimas rolarem por seu rosto. Essa falta de resposta a deixava cada vez mais angustiada. – Henry, você está me assustando. Aconteceu alguma coisa com sua mãe. Fale alguma coisa.

– Aconteceu! – simplesmente foi apenas o que seu neto lhe respondera. Os olhos da mulher começaram a se encher de lágrimas, e o pior se passava em sua cabeça. O garoto deu uma leve fungada em seu nariz e logo em seguida um leve sorriso brotou em seu rosto. – Ela acordou! – exclamou Henry. – Ela acordou depois que Emma a beijou. O amor de Emma acordou minha mãe. Foi um beijo do amor verdadeiro. – respondeu, mas logo o menino se entristecera de novo.

– Se sua mãe recobrou a consciência, por que então toda essa tristeza estampando o seu rosto? – perguntou Mary.

– Eu tenho medo. – respondeu com um sussurro quase inaudível. – Eu deixei Emma lá dentro com minha mãe, mas ela está chorando muito. Tenho medo de ela tentar fazer alguma besteira de novo. – respondeu Henry cheio de preocupação.

– Não se preocupe Henry. – disse Mary tentando passar algum tipo de confiança para seu neto. – Tenho certeza que ela nunca mais fará uma besteira como essa.

– Eu tenho medo vó. Eu só sossegarei quando ela tiver um sorriso em seu rosto. Enquanto ela estiver chorando ou com a aparência triste eu não conseguirei deixar de me preocupar.

– Você já parou para pensar que esse choro dela pode ter sido porque ela se arrependeu da besteira que ela fez? – Mary esboçou um pequeno sorriso confortando Henry.

– Eu não parei para pensar nessa possibilidade. – Mary viu nascer uma confiança em seu neto. Tinha dito o ele precisava escutar. – Mas, preciso falar com Dr. Whale. Somente ele saberá saber se minha mãe está bem. – Henry disse rapidamente com seus olhos cheio de preocupação. Ela acompanhou com seu olhar Henry sumir pelo corredor do hospital para procurar o neto. Queria ele mesmo dar a notícia para o médico.

Pouco tempo depois que Henry saiu correndo pelos corredores do hospital, o garoto voltara praticamente arrastando o médico pelas mãos. Um misto de ansiedade tomava conta do corpo do garoto. Ele precisava ter certeza de que sua mãe estava bem. E só o médico lhe daria as respostas que precisava. – Ela acordou, ela ficou sozinha com Emma e como ela estava chorando eu fiquei preocupado. Você precisava ver se está tudo bem com ela. – disse o garoto sem dar uma pausa sequer para respirar.

– Calma Henry! Pare um pouco para respirar. Se não daqui a pouco eu terei que arrumar um quarto de hospital para você. Acabará tendo um treco de tanta ansiedade. – o médico falou colocando suas mãos sobre os ombros do garoto. E em seguida entrou no quarto.

Mary não conseguiu trocar muitas palavras com o neto. O olhar de Henry tinha se fixado na porta do quarto de Regina e dali não saía. Ela nem precisava tentar saber o que Henry pensava, até porque parecia estar escrito em sua face. Mesmo começando a ter uma melhor relação com Regina, Henry ainda se sentia culpado de todo o tempo que Regina passava sozinha. E de certa forma ele sabia que a solidão tinha contribuído para tudo o que aconteceu. A porta do quarto se abriu e de lá saiu Dr. Whale seguido por Emma. Mary não deixou de perceber que o olhar de Emma estava bem melhor, parecia que o brilho pela vida havia voltado aos seus belos olhos verdes.

– Garoto! – chamou Emma pelo seu filho, tirando ambos que estavam na sala de espera sair do estado de devaneio. – Sua mãe quer falar com você agora. Não precisa se preocupar que ela está bem. Recuperação perfeita e sem nenhuma sequela. – disse afagando os cabelos do filho.

Henry não esperou mais nenhum segundo e foi correndo para a porta do quarto de sua mãe. Mas, prestes a entrar ele parou e ficou sem saber o que fazer. Henry deu longas respiradas até que entrou lentamente onde Regina estava o esperando.

– Emma... – finalmente Mary encontrou suas palavras. – Então Regina acordou? – ela sabia que era uma pergunta óbvia demais, mas fora o que conseguira pensar e quando viu já tinha sido contundente.

– Finalmente ela recobrou a consciência. – fora a resposta de sua filha, mas logo em seguida ela esboçou um sorriso que poderia ser equiparado a um diamante raro. E ver sua filha feliz era o suficiente para Mary. – Bem, eu vou tomar um café agora.

– Mas... – Mary tentou chamar a atenção de Emma, mas mais uma vez fora deixada de lado por sua filha.

Dr. Whale fora atrás de Emma, e com certeza eles iriam conversar sobre Regina. Será que tinha algo de errado com Regina que não quiseram falar perto de Henry? Por isso ela não deixara de ficar preocupada. E essa conversa de Emma com o médico? Sobre o que seria? Parecia que o relógio estava com preguiça de trabalhar. Olhava em direção da cafeteria e nada de Emma aparecer e Henry também não dava as caras desde que tinha entrado para falar com Regina. Longos minutos depois finalmente sua filha estava de volta.

– Emma... E Regina, como ela está? Vocês foram tão vagos quando saíram do quarto dela. Eu sei que eu e Regina não somos melhores amigas, e estamos longe de ter uma relação amigável, mas é que toda essa história mexeu muito comigo. Porque eu vi que você ficou bastante envolvida com isso. E eu quero apenas o melhor para você minha filha. – disse passando suas mãos sobre o rosto da filha. Sua voz já estava bastante embargada. – Eu sei que você não me enxerga como sua mãe, mas eu só consigo me enxergar dessa forma. Como sua mãe. Sei que se sente um pouco insegura pela forma que eu tive que te deixar ir. Sei que não foi justo com você te colocar naquele guarda-roupa para fazer com que quebrasse essa maldição. Não era minha intenção te deixar sozinha e desamparada num mundo que até então era totalmente desconhecido para nós. Mas, eu queria o melhor para você. Não queria te condenar a uma vida amaldiçoada. Emma, por favor, me deixe ser a mãe que você precisa. – lágrimas rolavam pelo rosto da mulher misturado a uma expectativa de como Emma reagiria a todo aquele desabafo que certamente estava guardado há muito tempo no coração de Mary.

– Mary... Eu não acho que é o momento certo para conversar sobre isso. Eu não quero lhe dizer coisas sem pensar, porque eu não quero te magoar. Eu gosto muito de você, mas eu preciso de tempo até que eu possa te enxergar como a mãe que quer ser para mim. Eu vivi muito tempo sozinha, e ainda é estranho estar cercada com tantas pessoas que se importam comigo. Parece que não é real. Que eu irei acordar de um sonho e ver que nada disso é real. Sobre Regina, não precisa se preocupar que ela está bem. – disse sorrindo timidamente. – E sim, eu a acordei com um beijo de amor verdadeiro. – por mais que Emma não enxergasse Mary como mãe, a verdade era que ela a conhecia melhor do que imaginava. Sabia até que pergunta ela iria fazer. –Preciso de um favor. Que leve Henry para fazer um lanche. Agora eu quero conversar um pouco com Regina. Eu preciso disso.

E assim mais uma vez Mary ficara sozinha. Emma novamente entrara para fazer companhia para Regina. E a solidão era a companhia da morena sentada na sala de espera. Até que Henry novamente saiu do quarto de Regina. Mas, dessa vez sua fisionomia estava mais tranquila. Ele parecia mais leve e sem o peso sobre suas costas.

– Emma quer conversar com minha mãe. – informou o garoto. – Ela disse que você me levaria para lanchar. Eu estou mais aliviado. Ela me pediu desculpas e disse que nunca mais faria o que fez. Eu tenho minha mãe de volta. – disse não se contendo de tanta felicidade.

Depois de Henry se alimentar, o telefone de Mary tocou. Era David que logo foi lhe informando que ia aos estábulos examinar alguns cavalos e ele perguntou se Henry gostaria de lhe fazer companhia. O loiro sempre chamava Henry para fazer atividades, porque dessa forma ele poderia espairecer sua cabeça e desligar sua cabeça da internação de Regina. Mas, o menino de onze anos sempre recusava e nesses últimos dias, quando não estava no hospital ele ficava em casa sem disposição para fazer qualquer coisa.

– É o seu avô no telefone. – informou Mary para Henry. – E ele quer saber se gostaria de ir aos estábulos fazer companhia para ele.

– Eu não sei... – respondeu pensativo. Pela primeira vez Mary tinha visto no olhar de Henry que ele sentia vontade de fazer alguma coisa. – Emma disse que eu poderia ficar com minha mãe, mas há muito tempo que não vou aos estábulos. Está bem. Pode dizer que eu lhe faço companhia.

– David... – anunciou calmamente. – Henry disse que ele lhe fará companhia.

– O que? É verdade mesmo? – contestou David tão alto que até Henry pudera escutar a reação de seu avô.

– Sim, eu receio que seja a verdade. Isso se deve ao fato de Regina ter acordado. – ela lhe informou.

– Finalmente. Não aguentava mais ver nosso neto sofrendo pelo estado de Regina. Que bom que ela recobrou a consciência. Diga-lhe para me esperar na porta do hospital que eu já passo para lhe buscar. – Mary desligou o telefone e se encaminhou para falar para o neto quando o mesmo lhe interrompeu.

– Não precisa me falar. É para eu esperar o meu vô na entrada do hospital que ele já virá me buscar. Acho que ele se animou quando eu disse que iria aos estábulos com ele e falou mais alto. – completou dando uma risada gostosa, esta afinal que estava desaparecida desde toda essa tormenta emocional que rondara a família. Mary acompanhou com seu olhar, até que Henry não estava mais a vista.

Mary resolveu esperar por Emma, mas nada da loira sair do quarto. Lanchara com Henry. Falara com David pelo telefone. Henry saiu para se encontrar com o avô, mas nenhum sinal de sua filha. Emma havia entrado para falar com Regina e ainda estava no quarto com ela. Pessoas passavam pelo corredor e permaneciam ali por poucos minutos, exceto por Mary que não aguentava mais toda essa espera. Uma enfermeira entrara no quarto de Regina e na saída a morena parara a enfermeira.

– Está tudo bem lá dentro? – perguntou. – Sou a mãe de Emma Swan e ela ainda não saiu do quarto.

– Fique tranquila. Está tudo bem com as duas. Elas estão conversando. Não precisa se preocupar. – a enfermeira lhe acalmou.

– Obrigada pela informação. – disse Mary com um sorriso sincero.

Depois do que parecia uma hora de espera Mary Margareth não se aguentava mais de ansiedade. Ela se preocupava com sua filha e por incrível que pareça, com Regina também. Ela pensara muito se devia fazer o que estava em sua mente. Mas, quando deu por si, suas mãos já tinham se encostado à maçaneta da porta e lentamente Mary entrou onde sua filha e Regina se encontravam. E ela acabou se deparando com uma das imagens mais lindas de sua vida. Regina e Emma adormecidas juntas, com a morena com a cabeça encostada no peito de sua filha. Naquele momento nada mais lhe importava. As duas mulheres dormiam tranquilamente com o rosto sereno. E ela podia ver o amor que transbordava pelo quarto. Elas eram o verdadeiro amor uma da outra. Mary percebera que existia um laço muito forte entre Emma e Regina. Um sorriso brotara no rosto da morena e ela se aproximou das mulheres adormecidas e fez carinho no rosto de ambas. Antes de sair do quarto sussurrou para si mesma.

– Emma, que você faça Regina muito feliz. Regina que você faça Emma muito feliz. Vocês se amam e isso é suficiente para mim. – disse a mulher com uma lágrima silenciosa escorrendo por seu rosto. Dessa vez não eram lágrimas de tristeza e sim de felicidade. Porque seria o reinício de sua família.