Olá, minna! ( sempre quis escrever isso...) Não vou encher o saco de vocês, apenas desejar uma "Boa leitura" e que tenham saco suficiente para continuar comigo por pelo menos mais uns 20 capítulos. (20 é exagero, acho que serão apenas 19 a mais!) Abraços...

Rostos iguais; corações diferentes...

Sesshoumaru e Yuki deixaram o vilarejo da sacerdotisa por volta do meio-dia. Enquanto o youkai se afastava do local, a jovem humana ainda parava a cada dois passos e olhava para trás, acenando para Rin que os observaria até que desaparecessem de sua vista. Quando por fim conseguiram caminhar lado a lado, permaneceram em silêncio por um bom tempo, apenas escutando os cantos dos pássaros e o vento que balançava as árvores.

- O que irá fazer agora, Yuki? – perguntou Sesshoumaru acabando com aquele silêncio.

- Acho que devo ir para casa – ela respondeu pegando algumas flores pelo caminho – Preciso ver se meu irmão voltou.

- E se ele não tiver voltado? Ficará sozinha lá?

- Talvez... – respondeu ela sorrindo e cheirando a flor que pegara.

- Eu esperarei junto às fontes termais – disse Sesshoumaru - Se seu irmão não tiver voltado, quero que vá para lá e fique comigo.

- Isso é uma sugestão agradável.

- Não é uma sugestão – disse ele sério – Considere mais como uma ordem.

- Está bem – disse ela pegando mais uma flor e dessa vez estendendo para ele – Veja. É essa a flor que procurava aquele dia?

Sesshoumaru olhou para a pequenina flor amarela na mão de Yuki, depois a pegou com uma delicadeza incomum para ele.

- Não... – respondeu ele – Isso não é um narciso – ele levou a flor até a boca e a comeu – Mas é muito saborosa.

- Você comeu minha flor? – ela disse surpresa – Eu ia levá-la para casa e...

- Era uma flor de beleza inferior – disse ele – Há flores mais belas, e que seriam melhores para você.

- Ainda assim, era minha flor – disse ela fingindo ficar emburrada.

- Não... não era – ele disse firme – Um dia você encontrará uma flor que seja tão bela quanto você.

Yuki não conseguiu deixar de ficar vermelha com aquele elogio. Ainda mais com o olhar que recebera do youkai junto com a frase. Sorriu, feliz por estar ao lado dele, mas logo se lembrou do engano na caverna e a insegurança voltou a atormentá-la.

"Será que ele diz isso pensando na outra?" pensou desfazendo o sorriso.

- Vamos continuar – disse ele.

Ela concordou e voltaram a caminhar. Pararam somente quando chegaram ao castelo. Sesshoumaru olhava fixamente para a construção, tentando encontrar um único rastro de algum de seus inimigos.

- Eu já estou indo... – disse Yuki encarando o youkai como se esperasse alguma reação dele – Então... tchau...

Ele a olhou sério.

- Não espere que eu dê algo além de um tchau a você, Yuki – disse ele – Aqui não é o local mais apropriado para demonstrações de intimidade. Se seu irmão nos visse você estaria com muitos problemas.

- Sei... – disse ela sorrindo envergonhada – Não pensei em nada além de um tchau mesmo... – mentiu já corada – Deixa eu ir, senão...

- Vá, Yuki – ele a incentivou – E não se esqueça que se seu irmão não estiver em casa, você deve me procurar nas fontes.

- Certo...

- E tem mais – disse ele – Assim que o dia começar a se despedir, você irá me procurar na caverna.

- O quê? – perguntou Yuki sem entender – Procurá-lo na caverna essa noite?

- Não só essa noite – explicou ele – Hoje, amanhã e depois. Enquanto eu não tiver matado Hiko, você não dormirá em sua casa. Não preciso que meu ódio por ele aumente mais, e se eu sequer imaginar que ele a tocou...

Yuki sorriu. Um sorriso apaixonado, de quem se sente especial. Nem mesmo a insegurança tiraria do rosto dela aquele sorriso.

- Mas e se Heitaro estiver em casa à noite...?

- Mesmo que ele esteja em casa... – repetiu Sesshoumaru dando as costas e se afastando – Eu a quero ao meu lado.

- Também é uma ordem? – ela perguntou sorrindo ainda mais.

- Vejo que está começando a me conhecer – disse ele desaparecendo entre as árvores.


Hiko parecia convencido do sucesso de seu plano para acabar com Sesshoumaru. Instruíra sua "fantoche" em tudo o que ela precisava saber sobre seu inimigo e agora esperava calmamente a hora certa de voltar para o Leste e agir.

- Quantos dias ainda ficaremos aqui, Hiko? – perguntou Heitaro sentado no galho de uma árvore, olhando para o mestre.

- Uns dois dias... – respondeu o youkai observando atentamente a mulher criada por Goru – Por que quer saber? Quer voltar logo para casa e pedir desculpas à sua irmã?

- Não é isso... – mentiu Heitaro – Não pedirei desculpa à Yuki por nada...

- Veremos... – disse Hiko – Veremos...


Yuki não escondeu seu descontentamento quando mais uma vez viu que Heitaro não havia voltado para casa. Mas dessa vez não se preocupou tanto. Hiko também não tinha voltado, o que provava mais uma vez que eles estavam juntos. Decidiu não perder mesmo tempo ficando ali sozinha e assim que trocou de roupa e se arrumou um pouco saiu do castelo. Decidiu tirar o máximo proveito de seu dia ao lado de Sesshoumaru. Buscou em um dos aposentos um pote de tamanho médio, cheio de mel. Saiu de casa, tomando um caminho pelo qual encontraria muitas macieiras, onde pegaria maçãs para comer juntamente com o youkai.
Encontrou-o sentado serenamente sob uma das árvores que cercavam as fontes. Um sorriso dele, discreto, mas tão bonito, a fez sentir-se ainda melhor.

- O que é isso? – perguntou ele sobre as frutas enroladas num lenço branco e o pote de cerâmica azul que ela trazia.

Yuki ajoelhou-se frente a ele, depositando no chão as maçãs que pegara, sempre sob o olhar atento de Sesshoumaru. Depois colocou o pote bem ao lado das frutas

- Eu trouxe frutas e mel - respondeu ela – Acredito que um youkai goste de mel...

- Trouxe isso para "nós"? – ele perguntou surpreso.

- Sim... – disse ela – Pensei que estivesse com fome, depois de ter comido minha flor daquela maneira.

- Aquela flor só servia mesmo para se comer – ele se defendeu – Tanto que é considerada uma especiaria muito comum.

- Que seja. Mas agora você vai ter de comer comigo – disse ela pegando uma das maçãs e cortando-a com uma pequena faca que também havia levado.

Yuki dividiu a fruta em quatro pedaços, depois mergulhou um deles no pote de mel, oferecendo-o ao youkai em seguida. Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha ao olhar para a fruta, mas a pegou sem reclamar.

- Coma – disse ela mergulhando um outro pedaço da maçã no mel – Isso não é venenoso, pode ter certeza.

- Não tenho fome – disse ele – Comerei apenas para que não me incomode com isso.

Ele levou a fruta à boca sem muita animação. Yuki sorriu com a expressão que ele fez, parecendo estar provando aquilo pela primeira vez na vida.

- Está bom? – ela perguntou recebendo um leve balançar de cabeça dele como confirmação – Ótimo.

Yuki comeu seu primeiro pedaço, e mais uma vez o olhar de Sesshoumaru a observou atentamente. Ele tomou a dianteira e pegou um outro pedaço da fruta, mergulhando-a no mel por completo, depois a erguendo frente aos olhos de ambos, deixando o mel escorrer pelos dedos, como uma brincadeira de criança.

- Tome – disse ele estendendo a mão com a maçã para Yuki.

Ele levou a mão para pegar a fruta, mas ele a afastou, balançando a cabeça negativamente.

- Assim não – disse ele – Com a boca.

Ela sorriu e levou os lábios até a mão dele. Passou a língua pelo caldo adocicado que escorria pela mão, depois alcançou a fruta, mordendo-a delicadamente. Mas não chegou a arrancar nenhum pedaço. Sesshoumaru puxou a mão, e antes que Yuki percebesse, já tinha seus lábios colados ao dele, num beijo ainda mais doce que o natural. Abraçaram-se e ficaram se beijando por um longo tempo, enquanto as mãos procuravam percorrer o corpo um do outro. Como era inevitável, logo estavam se entregando um ao outro. O mel serviria para continuar adoçando os lábios e algumas curvas do corpo de Yuki, enquanto Sesshoumaru deixava sua língua percorrer cada rastro aleatório que o líquido fazia ao ser derramado sobre o corpo da humana.

Ficaram nas fontes até o anoitecer. Depois rumaram para a caverna dos ancestrais de Sesshoumaru. O youkai não permitiu que Yuki fosse embora para casa. Queria evitar qualquer chance dela ser maltratada por Hiko, e também gostaria de aproveitar a noite sentindo o calor dela mais uma vez.

Passaram mais uma vez a noite nos braços um do outro, até que o dia amanheceu, trazendo com ele a necessidade de se separarem, mas conscientes de que assim que fosse possível, retornariam àquele lugar e continuariam a alimentar aquele fogo que se tornava cada vez mais longe de se apagar.

- Você irá buscar a Rin? – perguntou Yuki trançando os cabelos para poderem ir embora.

- Sim – ele respondeu observando com atenção os movimentos dela – Quer ir comigo?

- Claro – respondeu ela sorrindo – E depois eu irei até em casa.

- Não vá. Acha mesmo que eu não seria procurado se seu irmão e Hiko tivessem retornado? Aliás, queria saber o porquê deles terem sumido dessa forma... Principalmente Hiko. Queria saber onde ele se escondeu - comentou Sesshoumaru – Não há explicação lógica para o que ele fez. Ele poderia ter continuado a lutar comigo naquele dia, mas, simplesmente abandonou a luta, como se ele estivesse em uma desvantagem muito grande. Algo não cheira bem nessa atitude.

- Acha que ele planeja algo? – perguntou Yuki já pronta – Uma estratégia especial, talvez...?

- Sinto que sim... Mas ele não acha que é fácil acabar comigo, acha? Como se um youkai inferior pudesse derrotar este Sesshoumaru... o Sr das Terras do Oeste.

Yuki o encarou curiosa.

- Sr das Terras do Oeste? – ela repetiu surpresa.

Sesshoumaru balançou a cabeça confirmando.

- Agora sei porque minha intuição diz que você logo irá embora – disse ela – Você não é mesmo um simples youkai... Você não é alguém sem rumo e sem lar. Chegará o momento de você retornar à suas terras, não é?

- Certamente – respondeu ele – Eu retornarei ao Oeste, pois sou senhor daquelas terras. Mas esse dia não me parece tão próximo, Yuki. Ainda há algo que tenho de encontrar antes de voltar ao meu lar.

- Satsumi... – sussurrou Yuki cabisbaixa.

- Sim... ela mesma – disse ele se levantando e rumando para a parede que protegia a caverna – Vamos. Não quero vê-la se entristecer por algo que não é necessário nesse momento.

Ela forçou um sorriso e o acompanhou. Agora sim, sentia que estava mesmo apaixonada por Sesshoumaru. O simples pensamento de perdê-lo, hoje, amanhã ou daqui há anos, a fazia sofrer. Queria estar ao lado dele eternamente. Mas isso era impossível...


A chuva desabou forte antes de alcançarem o vilarejo da sacerdotisa. Protegida debaixo de um carvalho, Yuki notou algo que não vira no dia anterior. Estavam já bem perto do vilarejo, e ela sabia que aquele cemitério não existia antes.

- O que há de errado? – perguntou Sesshoumaru ao notar que ela estava confusa.

- Esse cemitério... – respondeu ela – Ele é novo...

- Sim... é novo – disse ele – Consigo sentir o cheiro de cadáveres recém enterrados aí.

- São muitas covas... o que aconteceu para que morresse tanta gente assim? – perguntou ela sem ainda imaginar que seu irmão é quem tinha criado a necessidade de um novo cemitério.

- Peste... – mentiu Sesshoumaru – Pelo que a sacerdotisa me contou, muitos pereceram com uma doença estranha. Muitas das casas foram queimadas para que não se espalhasse a doença.

- Peste? – repetiu Yuki ainda intrigada – Acha mesmo que é isso?

- Por que a velha mentiria?

- Não sei... mas minha intuição diz que isso não parece verdade... só isso.

- Sua intuição também diz quando a chuva cessará? – ele tentou desviar o assunto – Seria muito mais útil para nós se soubéssemos quando essa tempestade acabará...

Yuki sorriu. Mesmo usando seu tom sério para falar aquilo, ela notava um certo carinho na voz dele.

- A Rin deve estar desesperada para ir embora – comentou ela depois de um tempo – Ela gosta muito de você...

- Vai dizer também que ela me vê como um pai? Poupe sua voz, a velha já disse isso.

- Eu não vou dizer isso – sorriu Yuki – A própria Rin já disse isso para mim. Você seria um bom pai, Sesshoumaru...

Sesshoumaru permaneceu calado, olhando para o vilarejo ao longe, do qual era possível ver os telhados dos casebres. De que adiantava saber que seria um bom pai, se não podia provar isso da maneira que gostaria.

- Sim... eu seria um bom pai... – disse ele deixando a proteção da árvore e saindo na chuva – Eu irei na frente... se quiser, pode esperar a chuva passar.

Yuki não entendeu o porquê dele fazer aquilo. Concluiu que era a usual inquietação youkai que o fizera deixá-la para trás, e decidiu esperar mesmo pelo fim da chuva. Só não imaginava que demoraria tanto. Ficou ali sozinha por um bom tempo, até que um frio percorreu sua espinha. Olhou para os lados, assustada. Era a mesmo sensação que tivera na fonte no dia em que Rin fora ferida por seu irmão.

- O que é isso? – perguntou-se cruzando os braços – Por que essa sensação de que algo ruim acontecerá? Não quero sentir isso...

Com a sensação ruim crescendo dentro de si, Yuki saiu correndo pela mata, seguindo em direção ao vilarejo. Mas antes que chegasse na metade do caminho, viu surgir na sua frente um vulto branco, que desapareceu tão rápido quanto se formou. Isso a assustou, fazendo-a cair no chão lamacento. Tentou se levantar, mas uma força parecia mantê-la presa na lama.

- Cuidado com ela... ela veio para enganar...seu desejo é matá-lo...

Uma voz firme ecoava na cabeça de Yuki, enquanto ela ainda tentava se erguer. Quando a voz por fim cessou, Yuki sentiu como se retirassem todas as suas forças, e caiu desmaiada no chão, sob a chuva forte.

Quando acordou, a chuva já havia cessado, mas ainda estava sozinha. Levantou-se, tentando entender o que acontecera, mas a cabeça doendo não a deixava sequer se lembrar das palavras que ouvira, ou do estranho vulto que aparecera em seu caminho.

"Eu desmaiei... apenas isso" pensou levando a mão à cabeça "O que há de errado comigo?".

- SRTA YUKI? – ouviu Rin gritar seu nome de longe.

Olhou para o caminho à sua frente, encontrando a menina correndo em sua direção. Depois, mais depressa do que seus olhos poderiam acompanhar, Sesshoumaru chegou ao seu lado, parecendo preocupado.

- O que aconteceu? – perguntou ele olhando atentamente em todas as direções.

- Eu não sei... – respondeu Yuki se levantando – Acho que eu tropecei... Depois desmaiei... Devo ter batido a cabeça ao cair.

- Você tropeçou? – perguntou Rin chegando ao seu lado.

- Acho que sim... minha cabeça está doendo muito.

Sesshoumaru olhou a cabeça dela em busca de algum ferimento, mas não encontrou nenhum ferimento ou sangue. Apenas lama e um rasgo na parte de trás da roupa dela.

- O que é isso? – perguntou ele tocando a roupa dela – Há um rasgo nessa roupa... Parecem marcas de garras.

- O quê? – perguntou Yuki confusa – Mas ela estava inteira quando a vesti...

O olhar de Sesshoumaru se apertou ao notar que o rasgo na roupa se localizava justamente sobre a cicatriz de Yuki.

- Parece que você foi atacada por algum youkai – ele disse – Talvez por isso você tenha desmaiado.

- Eu não lembro de sentir nada tocando minhas costas... – disse Yuki pensativa – Espere... lembro apenas que senti como se alguém me prendesse contra o chão... mas não havia ninguém...

- Um espírito? – Rin comentou parecendo assustada – A sacerdotisa disse que alguns espíritos gostam mesmo de seguir as pessoas vivas.

- Bobagem – disse Sesshoumaru olhando novamente para os lados – Vamos, vou ajudá-la a se levantar.

Yuki se levantou e encostou numa das árvores com a ajuda do youkai. Só então começou a se lembrar um pouco mais do que tinha acontecido. Agarrou a mão de Sesshoumaru com força quando se lembrou do vulto que passara rápido na sua frente.

- Eu vi alguém... – disse ela assustada – Agora me lembro... eu vi alguém. muito rápido e que desapareceu no ar.

- Conseguiu ver o rosto? – perguntou Rin assustada se agarrando na roupa de Yuki.

- Não... – respondeu ela – Mas lembro também que depois ouvi algo... parecia um aviso...

- Vamos sair daqui – disse Sesshoumaru – Vamos voltar às fontes term...

- Não! – recusou Yuki – Não quero voltar lá... Vou para casa. Sinto que algo de estranho está prestes a acontecer...

- E o que seria? – perguntou o youkai incrédulo.

- Não sei... – respondeu ela – Mas senti a mesma sensação quando Heitaro feriu Rin... Não quero imaginar que seja algo querendo me avisar que meu irmão está fazendo alguma besteira novamente.

Sesshoumaru não discutiu a decisão de Yuki de voltar para o castelo.

- Eu a esperarei à noite – disse ele – Você já sabe onde, não é Yuki?

Ela fez que sim com a cabeça.

- Vamos, Rin – ele chamou pela garotinha e começou a caminhar.

Yuki tomou o rumo de sua casa, correndo pela mata como se estivesse mesmo certa de que havia algo de errado com o irmão. Mas não encontrou nada quando chegou no castelo. Estava vazio, como nos últimos dois dias.

"- Cuidado com ela... ela veio para enganar... seu desejo é matá-lo...".

As palavras voltaram à sua mente de repente. Olhou para os lados, procurando pelo vulto que vira na mata, mas nada viu.

- O que está acontecendo comigo? – ela se perguntou confusa – O que significa esse aviso?

A voz feminina voltou a ecoar pela sala, mas dessa vez com muito mais firmeza.

- Ela o matará se você não impedir... não deixe que ele se engane... mostre a "verdade" a ele...

- Quem está falando isso? – Yuki se perguntou tapando os ouvidos – Deixe-me em paz...

A voz cessou imediatamente. Yuki tirou as mãos das orelhas, e sem perceber já estava chorando.

- "Mostre a verdade a ele..." o que isso quer dizer? – ficou repetindo a frase sem entender – O que acontecerá? Quem tentará matar quem?

Temia que o aviso fosse mesmo sobre Heitaro. Mas quem tentaria matar o irmão dela?

- Quem é "ela" cuja essa voz está avisando? – perguntou-se preocupada – Que "verdade" é essa?


Hiko pediu a Heitaro que fosse buscar algo para sua "fantoche" comer. Assim que o hanyou se afastou, o youkai agarrou Asako pelo braço com violência.

- Tire sua roupa – ordenou ele à jovem que o olhava confusa – E não fique com medo, não farei nada com você. Quero guardá-la ainda pura para o meu inimigo. Um agrado antes da morte dele... Quero apenas ver essa marca nas suas costas.

Asako desfez o laço do kimono recém ganhado e jogou-o no chão. Depois tirou a roupa sem nenhum problema nem vergonha.

- Isso é mesmo estranho... – disse Hiko passando a mão levemente sobre o sinal em forma de meia lua nas costas de Asako – Se essa marca fosse um pouco mais para baixo, seria no mesmo lugar que a cicatriz de Yuki...

- Yuki, senhor? – a jovem perguntou curiosa.

- A irmã de Heitaro... – explicou Hiko – A única mulher capaz de me tirar do sério... Vista-se!

Hiko estava decidido. Partiriam dali tão logo o dia seguinte começasse. Sentia que seu plano devia ser posto em prática o mais rápido possível, pois algo o inquietava em relação ao youkai inimigo.

"Algo também me inquieta sobre Yuki..." pensou ele olhando para o céu já quase totalmente escuro "É a primeira noite de lua crescente... Se ela não estiver esperando um filho meu, sangrará ainda nessa lua...".


Yuki sentou-se ao lado do quase inutilizado ofurô do castelo. Nem se preocupara com o fato da água estar gelada, apenas se banhou rapidamente, deixando de lado o conforto e relaxamento que aquela banheira poderia dar. Estava mais preocupada em retirar do corpo a lama já seca, depois de passar quase o dia todo de um lado para o outro da casa, pensando nos avisos da voz misteriosa. Como pedira Sesshoumaru, iria ao encontro dele assim que a noite chegasse. Sabia que estaria protegida daquela estranha voz enquanto estivesse junto do youkai. E também temia que agora só conseguisse descansar um pouco o corpo se este estivesse abraçado ao de Sesshoumaru. O pequeno filete de lua no céu indicava que a hora de procurá-lo tinha chegado. Mais uma vez muniu-se com uma lamparina e deixou o castelo.

- Rin está lá dentro – a voz suave de Sesshoumaru a surpreendeu – Pretende entrar agora?

Yuki encarou o youkai, séria. Já fazia alguns minutos que estava ali, parada, apenas olhando para a entrada da caverna. Por um momento teve dúvidas se devia ou não passar a noite ali.

- Estou pensando... – disse ela – Não sei se entro ou não... Talvez eu devesse voltar para casa.

- E por que voltaria para casa? – Sesshoumaru perguntou – O que a inquieta tanto? Desde que disse ter visto um vulto está desassossegada.

- É que aquele aviso não me sai da cabeça – disse ela.

- Que aviso? Conseguiu se lembrar do que ouviu?

- Sim... – disse ela – Eu ouvi me avisarem sobre... – o aviso novamente desapareceu de sua lembrança, deixando-a espantada – Não... eu não me lembro... O que está acontecendo afinal? – ela perguntou irritada.

- Esqueça o que quer que seja – disse Sesshoumaru – Tenha em mente apenas uma coisa...

- O quê? – perguntou sem perceber o modo como ele se aproximava e dava a volta ao redor dela.

- Preocupe-se apenas em diminuir esse calor que eu sinto... – ele sussurrou ao ouvido dela, envolvendo seu braço pela cintura dela, abraçando-a por trás – Não vou deixá-la pensar em mais nada até que apague esse fogo que você mesma provocou...

Yuki sentiu a respiração dele bem perto de seu pescoço, e assim como ele dissera, toda e qualquer preocupação desapareceu de sua cabeça.

- Te dei a chance de entrar na caverna... – ele sussurrou beijando o pescoço dela – Não diga que eu a proibi...

Os lábios quentes dele eram uma tortura. Era como se ele fosse capaz de tocar diretamente em sua alma, tomando-a completamente para si.

- Seu corpo ainda tem gosto de mel, Yuki – disse ele livrando o braço dela do kimono - Como uma humana pode ser tão doce...

- Da mesma forma que um youkai frio pode ser o melhor amante... – ela deixou escapar entre os lábios – Da mesma forma que uma mulher que nunca se imaginou nos braços de nenhum homem acaba se apaixonando tão facilmente...

Ele a virou de frente e a encarou. Os olhos dourados brilhavam com a luz da lamparina.

- Paixão... – disse ele – É isso que sente por mim?

- Sim... – respondeu ela fechando os olhos e procurando a boca dele num beijo ardente.

- Vou recompensá-la pela dor que essa paixão causará no seu coração... – disse ele fugindo toda vez que ela tentava beijá-lo – Essa noite, Yuki, pode imaginar que também sinto o mesmo por você...

- Então diga... – ela abriu os olhos – Mesmo que seja apenas mentira... diga que está apaixonado por mim...

Ele deu um meio sorriso. A mão deslizou pelo lado do corpo dela, depois ergueu delicadamente o kimono azul que ela vestia. Ouvia um coração bater acelerado, e concluiu que era o de Yuki. Mas se enganou ao não perceber que era o seu próprio.

- Vou fazer melhor do que dizer isso... – sussurrou ele – Vou mostrar o quanto estou apaixonado por você, humana...

Com a habilidade e rapidez de youkai, deitou Yuki no solo, e sorriu antes de possuí-la.

- Acha que precisamos mesmo de paixão para entender que nos completamos? – ele perguntou – Acho que amantes não necessitam de sentimentos, Yuki. Precisamos apenas de nossos corpos... e o calor que emana deles... Enquanto tivermos isso, nada nos manterá afastados...

Mais uma vez fizeram amor até o amanhecer. E antes que fossem vencidos pelo sono, procuraram abrigo dentro da caverna, onde Rin, Jaken e Aruru dormiam tranqüilos ao redor da lagoa. Ousaram deitar-se abraçados, não se incomodando em serem flagrados pela manhã.


Hiko abriu os olhos, olhando com espanto para Heitaro. O hanyou conversava animadamente com Asako, parecendo amigos de longa data.

- Não se apaixone por ela, Heitaro – ele aconselhou assustando os dois coleguinhas – Ela não foi criada para você.

- Oras, Hiko – disse Heitaro sorrindo sem-graça – Eu e Asako estamos só conversando.

- É assim que começa – riu Hiko – Mas eu permito que você a tome para si após matarmos Sesshoumaru. Ela não terá mesmo para onde ir, pode acabar fazendo companhia para sua irmã.

- Eu até agradeceria isso – riu Heitaro – Nem teria como te pagar...

"Tem sim, hanyou..." pensou Hiko sorrindo "Basta que morra e deixe sua irmã livre para mim...".

- Vamos embora daqui! – ordenou Hiko guardando sua espada na cintura – Heitaro e Asako, vamos, não posso esperar para chegar ao Leste.


Yuki acordou indisposta. O ventre doía demais, e ela sabia que isso era, de certa forma, um bom sinal.

- Está tudo bem? – perguntou Rin.

- Sim... – respondeu Yuki se levantando – Apenas uma dor natural. Onde está Sesshoumaru?

- Ele disse que ia até as fontes termais – respondeu Jaken que estava um pouco afastados das duas – Pediu que a srta o procurasse lá.

- Eu posso ir junto? – pediu Rin.

- Não! – respondeu Jaken firme – A amo Sesshoumaru pediu que eu mandasse apenas a srta Yuki atrás dele.

- Por quê? – perguntou a menina contrariada.

- Porque eles estão namora... – Yuki tapou a boca do pequeno servo antes que ele falasse mais besteiras.

- Eu e Sesshoumaru somos apenas amigos – ela corrigiu – Talvez ele queira apenas conversar sobre meu irmão... por isso só eu posso ir lá. Mas depois eu a buscarei e ficaremos passeando pelo resto do dia, está bem?

Rin concordou e deixou Yuki sair sozinha. Assim que a jovem saiu da caverna, Rin se aproximou de Jaken toda animada.

- Sr Jaken? Acha mesmo que o Sr Sesshoumaru e a srta Yuki estão namorando?

- Oras, isso é óbvio... – respondeu o servo – Senão não estariam agarrados quando acordaram... Isso é mesmo uma tristeza... pobre amo Sesshoumaru, caiu na mesma desgraça que o pai – suspirou Jaken.


Sesshoumaru desviara seu caminho em direção das fontes um pouco. Estava procurando por mais frutas, e quem sabe, encontrasse também uma colméia da qual se arriscaria a arrancar um favo de mel. Isso tomaria um tempo precioso, visto que não se contentava apenas com as frutas nada bonitas que encontrava pelo caminho. Queria as melhores, queria as perfeitas. Tentaria comparar os sabores das frutas com o dos lábios de Yuki. Não conseguia evitar o desejo que ela despertava sobre ele. Uma simples humana, domando com luxuria um youkai tão poderoso.

"Vejo que precisarei de muitas maçãs..." ele pensou um pouco admirado com a sensação que seu corpo experimentava "E muito, muito mel...".


Heitaro seguia Hiko, que caminhava bem mais à frente, puxando Asako pelo braço. O youkai de vez em quando parava e erguia o nariz ao alto, procurando o cheiro de Sesshoumaru.

- Aqui... – disse Hiko sorrindo – Ele passou por aqui... – virou-se para Heitaro – Onde esse caminho leva?

- Ás fontes termais – respondeu Hiko – Mas não podemos entrar lá...

- O youkai que procuramos está nas fontes? – estranhou Hiko – Então ele tem aproveitado para relaxar enquanto estávamos fora? Pena que o fim do descanso chegou...

- O que eu devo fazer, meu senhor? – perguntou Asako olhando curiosa para os lados.

Hiko pensou um pouco, olhando ao seu redor, sentindo a presença de Sesshoumaru fraca.

- Ele não está por perto – comentou ele - Talvez ele somente tenha passado por aqui... e ido embora depois.

- Além das fontes não há nada – disse Heitaro – Há uma montanha que leva ao mar... ninguém segue esse caminho. Mas há muitas árvores frutíferas pelo caminho, talvez ele tenha ido arranjar alguma para a menina que o acompanha comer.

- Eu não sinto a presença da menina – comentou Hiko – Espero que ele volte pelas fontes... já sei o que faremos.

Hiko avançou um pouco mais na mata, até que sentiu um poder forte que parecia querer barrar sua entrada.

- É a força da fonte – explicou Heitaro - Ela é protegida por espíritos de youkais bons que viveram nessas terras antigamente.

- Oras...- zombou Hiko – Youkais bons? Não é a toa que não existem mais. Asako, venha cá!

A jovem chegou bem perto do youkai, esperando atentamente por suas ordens.

- Eu a deixarei sozinha nas fontes, está bem? – disse Hiko – Se tivermos sorte, Sesshoumaru aparecerá logo, e aí, você segue o plano que eu te contei, está bem?

- Sim, meu senhor – disse Asako abaixando a cabeça respeitosamente e indo na direção das fontes.

Hiko virou-se com um sorriso para Heitaro.

- Que a brincadeira comece! – disse ele entusiasmado.


Yuki estava esperando junto da maior fonte. Queria se irritar com o fato de que Sesshoumaru não estava ali quando ela chegou, mas não conseguiria manter o olhar sério na frente do youkai. Ficou apenas brincando, mergulhando a mão e agitando a água quente. Estava distraída, e nem notou quando uma jovem, vestida num kimono todo branco passou pelo lugar.

"Espero que não demore, Sesshoumaru..." pensou Yuki suspirando "Estar longe de você parece um martírio...".


Asako escolheu a menor fonte para se banhar. Seguira o conselho de Heitaro que dissera que a menor fonte era a que se localizava bem no meio do lugar, tornando-se passagem obrigatória para quem fosse lá. Despiu-se sem pressa, expondo o corpo e o sinal nas costas, aproveitando o fato de que o youkai poderia estar por perto e já vê-la. Colocou a roupa ao lado da fonte, e enrolada nela, um punhal dado por Hiko. Mas usaria a arma só num caso extremo. O plano de Hiko era seduzir Sesshoumaru e depois fazer o mundo dele desmoronar ao ver que ela não era a mulher que ele procurava. Hiko se encarregaria do final merecido de Sesshoumaru.

"Asako... meu nome é Asako..." ficou repetindo em pensamento "Mas me lembro de algo quando sou chamada de Satsumi...".


Sesshoumaru sentiu uma presença humana ao se aproximar das fontes. Imaginou que mais uma vez Yuki tivesse tirado o colar que a protegia, embora o leve aroma que sentia no ar não era em nada parecido com o dela. Mas esse detalhe pouco lhe importou ao encontrá-la brincando com a água.

- Você demonstra mesmo ser uma criança – disse ele chamando a atenção de Yuki.

- Onde? Onde está a criança? – perguntou ela virando-se para ele com um sorriso – Pois não pode ser de mim que está falando.

- Trouxe algo para você – disse ele mostrando as mais belas e vermelhas maçãs que Yuki já vira – Acho que gostei do sabor delas misturado ao mel...

- Mas não temos mel... – ela disse.

- Não? – disse ele – Pensei que você tivesse sido encarregada desse detalhe.

- Ninguém me disse nada...

- Não se preocupe... – disse ele estampando nos lábios um pequeno e malicioso sorriso – Eu já lhe disse que seu corpo tem gosto de mel... preciso apenas das maçãs mesmo...

Yuki sorriu. Primeiro de forma tímida, depois tão maliciosa quanto o próprio youkai. Parecia estar sonhando. O melhor sonho possível, certamente. Sentir-se tão desejada, mesmo que soubesse que o que Sesshoumaru sentia não era nada além de atração física, era uma glória nunca antes imaginada por ela.

Mal sabia que seu sonho estava prestes a terminar. Tornaria-se um pesadelo, do qual ela não conseguiria acordar até que sofresse o bastante.

Sesshoumaru deu um passo em sua direção, só então notou o colar ainda preso ao pescoço de Yuki.

- Há mais alguém nas fontes? – ele perguntou intrigado.

- Mais alguém? – Yuki estranhou a pergunta – Não vem ninguém aqui já há um bom tempo... apenas nós dois...

- Não... – ele confirmou ao sentir a presença de outra pessoa por perto – Não estamos sozinhos. Sinto a presença e o cheiro de mais uma pessoa.

- Eu não vi ninguém...

Foi quando começaram a ouvi-la. A canção ecoou pelas fontes, num volume baixo para Yuki, mas perfeitamente audível para Sesshoumaru.

"Fukai fukai mori no oku ni
Ima mo kitto
Okizari ni shita kokoro
Kakushiteru yo...

Sagasu hodo no chikara mo naku
Tsukarehateta
Hitobito wa eien no
Yami ni kieru..."

Sesshoumaru e Yuki se entreolharam surpresos.

- Quem pode ser? – perguntou Yuki – É uma mulher com bela voz...

O youkai permanecia imóvel, encarando Yuki ainda mais confuso. Aquela voz... a voz tão bela a que Yuki se referia o lembrava de alguém... mas era impossível que fosse a mesma pessoa.

- Eu irei ver quem é – disse Yuki se levantando – Quem sabe não é a chance de eu conhecer alguma mulher do vilarejo vizinho...

Antes que ela terminasse de sugerir isso, Sesshoumaru já partiu na frente, seguindo a voz.

Ele caminhava rápido, mas conteve a vontade de sair correndo atrás da mulher que cantava tal canção. As maçãs colhidas para Yuki tinham sido largadas pelo chão, já com suas belezas sem a mesma importância.

Parou de repente, sabendo que chegara no limite máximo para evitar a invasão de privacidade. Um passo a mais o colocaria no local certo para que a visão alcançasse a fonte de onde vinha o melodioso canto.

Ouviu os passos de Yuki atrás de si, mas não olhou para vê-la chegar. Estava mais preocupado com a desconhecida na fonte à frente.

- Sesshou... – chamou Yuki.

- Shhh! – a ordem dele para que ela fizesse silêncio foi acatada.

Deu o definitivo passo à frente, fixando o olhar na visão mais atordoante, e isso ele não entendia o porquê, de sua vida.


Asako ouvira bem quando alguém chamou pelo nome de sua vítima e foi repreendida.

"Sesshoumaru..." ela repetiu em pensamento "Então, finalmente eu o encontrei...".

Fingiu não ter escutado nada, e permaneceu se banhando e cantando, tão sensual quanto antes. Estava sentada na fonte, aguardando o momento certo de se levantar e exibir aos olhos de sua presa o sinal em forma de meia lua nas costas. Mantinha-se calma, já que nem imaginava o quanto corria perigo se o plano de Hiko viesse por água abaixo. Acreditava que o youkai que precisava enganar era apenas um qualquer, sem poderes nem força.

"Chiisai mama nara kitto
Ima demo mieta kana

Bokutachi wa ikiru hodo ni
Nakushiteku sukoshizutsu
Itsuwari ya uso o matoi
Tachisukumu koe mo naku..."

"Estou pronta para agir..." pensou Asako respirando fundo antes de se levantar "Vamos ver quem é o homem que procura tanto por Satsumi...".

Ergueu-se lentamente, envolvendo as mãos nos cabelos médios, espremendo-os e retirando o excesso de água antes de enrolá-los e prendê-los num coque.


O olhar de Sesshoumaru nunca pareceu tão vidrado como naquele instante. Mais uma vez as fontes eram o cenário do encontro tão esperado. Não sorriu, não franziu a testa em irritação, nem mesmo moveu um músculo sequer da face, apenas observou em aparente calma quando a jovem deixou as águas, mostrando nas costas um sinal que deveria causar uma euforia inigualável no youkai, como ele esperava que acontecesse, mas... que não aconteceu.

- Satsumi... – sussurrou ainda incrédulo com a visão.

A jovem continuou de costas, aparentemente não escutando o nome que escapara dos lábios do youkai. Foi Yuki que chegou mais perto dele, tentando entender o motivo de tamanho torpor por parte de Sesshoumaru.

- O que houve? – ela perguntou sem prestar atenção na jovem em si.

- Satsumi... – ele repetiu num tom mais alto, causando espanto em Yuki e fazendo a desconhecida jovem virar o rosto para trás.

- O que disse? – perguntou Yuki sentindo um nó apertar sua garganta.

Sesshoumaru quase caiu de joelhos no chão ao olhar para a desconhecida.

- Satsumi... – ele repetiu arrancando um sorriso da jovem – Não pode ser...

- Satsumi? – Yuki também repetiu ainda mais perdida – Como assim...?

- Olá! – a desconhecida cumprimentou os dois – Perdoe-me, eu não imaginava que tivesse mais alguém por aqui... Meu nome é Asako... eu estou de passagem por essas terras. Como se chama?

- Essa marca em suas costas... – Sesshoumaru pouco se importou em responder a questão de Asako.

- O quê? – ela fingiu não entender – Pergunta sobre essa meia-lua? Ela é de nascença...

Yuki estremeceu. Não podia ser mesmo quem ela imaginava, e quem Sesshoumaru parecia ter certeza. Balançou a cabeça negativamente, não acreditando na mulher.

- Onde conseguiu essa marca? – perguntou Yuki nervosa – De onde você é? Quem é você?

- Asako...

- Fique quieta, Yuki – disse Sesshoumaru ainda sereno.

- Não! – recusou Yuki – Não acha que essa mulher...

- Cale-se! – ele ordenou com voz firme – Isso não é um assunto seu. Vá para sua casa.

- Como? – Yuki perguntou sem acreditar.

- Volte para o castelo – ele repetiu – Se o momento que eu tanto esperei chegou, não darei as costas a ele por sua causa, Yuki.

- O quê? Sesshoumaru...? – Yuki disse sentindo que o fim de seu sonho havia mesmo chegado

- Sesshou... maru? – Asako repetiu pensativa. Depois fingiu sentir uma dor e levou a mão até a cabeça – Esse nome... não me é estranho...

- E o nome Satsumi? – ele perguntou sério - Também lhe parece conhecido?

"Estou indo muito bem..." pensou Asako satisfeita "Ele será muito fácil de se enganar".

- Quem é você, youkai? – Asako perguntou fingindo temer a presença dele – De onde me conhece? Quem é essa Satsumi... pois eu já escutei esse nome em meus sonhos. E seu nome também...

Sesshoumaru permaneceu parado, encarando a mulher a sua frente por um bom tempo.

- Você retornou igual ao que era antes... – ele sussurrou por fim - ... minha Satsumi...

Yuki não conteve sua dor. Então aquela mulher era mesmo a reencarnação que Sesshoumaru tanto esperava. Sentiu-se irritada, e pensou que a tal Satsumi não chegava nem aos pés de sua beleza, mas era inegável que ela era muito mais bonita e mais caprichosa do que a própria Yuki.

"Veja os cabelos dela, Yuki..." uma voz rancorosa invadiu seus pensamentos "Veja as mãos dela, as unhas bem cuidadas... ela é mesmo uma princesa, como era antes... e como você nunca será...".

- Sesshoumaru... – chamou pelo youkai, numa última tentativa de fazê-lo se lembrar que ainda estava ali.

Mas ele não respondeu. Nem ao menos virou a cabeça para olhá-la e dizer nada. Tinha perdido a luta que mal começara a lutar. Deu as costas e saiu correndo deixando o youkai e a reencarnação do grande amor dele para trás.

"Yuki..." pensou Sesshoumaru ouvindo o som dos passos dela se afastando.

Tradução da música Fukai Mori:

Agora no fundo da densa, densa floresta, certamente
Despertou o que estava escondido dentro do meu coração
Quanto mais me esforço a procurar o poder, mais me canso
Todos irão desaparecer na escuridão eterna
Mesmo se for pequena, certamente verei a tristeza...

Quanto mais vivemos
Mais coisas perdemos pouco a pouco
Perdido num vale, num chão inseguro
Nos impossibilitando de falar e chorar...

Hehe! Eu sou má, muito má! Eu sou a mulher má! Hehe... Agradeço as reviews e quero que comentem mais, adoro vocês por isso... Acham que eu exagerei na quantidade de vezes em que o Sesshie e a Yuki deram uns amassos nesse capitulo? Eu adoro isso! E sei que eu enrolo bastante a história, então me perdoem se está meio complicado para seguir o fio da meada. No mais, um grande abraço a todos...

Liv-chan: Não faça isso comigo, não desista no meio da leitura... prometo que o fim não será tão doloroso quanto o do Antigo Amor... abraços!

Gheisinha Kinomoto: Eu também teria rodado a baiana se o Sesshie me chamasse por outro nome (hehe, como se eu pudesse ter um homem como o Sesshie... Se isso acontecesse mesmo ele poderia me chamar até de Catifunda que eu não me importava), mas a Yuki é meio insegura; pouco confiante; então é um pouco normal ela se achar o amendoim estragado do pacote... Abraços!

Natane: Fico feliz que tenha apreciado também as minhas outras fics. Viu que com o nome Kali-hime eu sou palhaça e destruo geral os personagens do Inuyasha? Adoro isso! E agradeço as reviews que manda para essa fic. E eu darei sim um fim merecido ao Heitaro... acho que vou casá-lo com o Hiko! Não sei, mas quando eu penso no Heitaro eu o vejo meio gayzão... coitada da Yuki, que decepção. Abraços!

Kagura Fan 17: Obrigada pela review. E quanto ao Sesshie cair no golpe da boneca falsa... er, bem... acho que você já leu esse cap e percebeu que ele não está tão inteligente como de costume... desculpe por isso. Mas isso não durará para sempre, logo ele recupera a consciência e vê que está bancando o bobo. Abraços!