XI
Josep e Carles entraram na casa do Mago Clow, onde, segundo orientações de Pere, estariam guardadas as cartas que a Generalitat necessitava.
Por dentro da casa, as paredes não eram de madeira, mas de blocos. Um papel de parede roxo cobria a superfície das paredes. O teto e o chão eram de madeira e luminárias estavam penduradas no teto. Haviam quinas nas divisórias entre parede e chão, de madeira reforçada, com detalhes em vermelho.
O sobrado por fora parecia ser pequeno e não daria muito trabalho para ser explorado.
Mas, por dentro, estava cheio de corredores.
No começo, os dois correram, esperando que os soldados viessem atrás deles; precisavam ser rápidos e pegar logo as cartas e a chave! Porém, eles andaram e andaram pelos corredores, sem perceber, mas depois, se deram conta que caminhavam demais.
– Josep!
– Carles…
– Isso aqui virou um labirinto, cara! É por isso que eu não senti nada! Por isso que os caras não vieram atrás da gente até agora! Tamo ferrado!
Assim que Carles gritou, as paredes roxas começaram a se mover, separando os dois, depois elas pararam.
– Josep!
– Tou aqui, Carles, na parede na sua frente!
– Fica aí, cara, eu tou indo até você! Se eu encontrar as cartas, eu dou um grito!
– Tá…
"Se eu ficar aqui esperando, eu vou ser passado pra trás… Você vai fugir e eu vou me ferrar nas mãos dos ingleses… eu não…"
Josep andou pelos corredores e outra parede se moveu. Outra e mais outra parede se moviam e os caminhos se abriam e se fechavam,
– Cara! Essa merda tá se mexendo toda hora!
– Deve ser porque a gente tá se mexendo… Elas se mexem juntas… até mesmo quando a gente fala elas...
Assim que Josep gritou, uma parede se moveu. Os dois ficaram cara a cara e Carles viu que Josep estava se mexendo a todo tempo.
– Merda, Josep! Eu pedi pra você ficar parado!
– E sou só eu! Você também tá se mexendo e falando, droga! Não é só se mexer! É falar também.
Outra parede se mexeu atrás deles.
– Essa merda tá se mexendo porque a gente tá se mexendo com ela, poxa!
– Qual é a tua ideia então, gênio, pra gente sair dessa?
Uma parede atrás de Josep se mexeu.
Uma enorme biblioteca apareceu atrás deles.
Uma fraca luz prateada saía de uma janela no teto e iluminava aquela sala, fazendo os outros livros e prateleiras serem vistos.
No ponto onde a luz era mais forte, ela caía diretamente sobre um pedestal de madeira. No meio do pilar, havia um livro de capa vermelha com detalhes dourados e uma chave presa no livro com uma corrente dourada. A chave tinha forma de cabeça de pássaro.
"São essas as Cartas Clow?" – Indagou Josep.
Ele correu antes que a parede fechasse o caminho de novo, deixando Carles para trás.
– Josep, espera!
Carles correu até Josep, tentando alcançá-lo, mas, quanto mais corria, mais percebia que o barulho dos seus passos estava diferente.
O chão havia mudado.
De madeira, havia se transformado em vidro.
– Mas…
Com o peso de Carles, o vidro começou a rachar. Um fundo escuro era tudo o que havia embaixo dele.
– Droga! Que Merda!
Carles correu freneticamente até a biblioteca, mas uma parede apareceu entre ele e Josep.
Não era uma parede de pedra com papel de parede roxo. Era uma parede branca, brilhante, com algumas linhas arco-íris, como as ranhuras de uma pedra de mármore. Era uma parede feita de luz pura.
A rachadura do chão aumentava e o chão de vidro caía no vazio.
Carles desesperou-se.
– Droga! Droga!
Carles começou a atacar a parede de luz com magia aero de ar e, por um tempo, nada aconteceu, mas depois de uns golpes, a parede começou a se romper como uma cortina rasgada.
Carles aproveitou a brecha que apareceu e entrou na rachadura antes que o chão se rompesse sobre seus pés e a parede de luz voltasse a se fechar de novo.
Estava suando e sua respiração era ofegante.
Do outro lado, um pequeno corredor levava para a biblioteca.
Josep já estava lá.
Carles precisava correr.
