BOM , COMO TODO MUNDO SABE, HP E CIA. NÃO ME PERTENCEM, ENTÃO NÃO ME ENCHA O SACO!

CAPÍTULO 11

Talvez seja melhor falar um pouco do final do outono e do inverno de dois anos atrás. Certo, vocês já devem ter reparado que eu estou enrolando um pouco. Não é fácil falar dos acontecimentos daquele ano e vocês vão entender porque.

Era o outono mais frio de que se tinha notícia e era difícil deixar de pensar que o Lorde das Trevas e os dementadores, que agora estavam sob o seu domínio, não estavam envolvidos nisso. Era muito estranho o fato que o frio terrível coincidiu com a fuga dos dementadores de Azkaban e os ataques a trouxas, sangue-ruins e bruxos que não eram simpáticos às trevas.

Em Hogwarts, aparentemente livres do caos lá fora, os alunos buscavam se aquecer e procurar o calor humano dos amigos, amantes e namorados. Hermione Granger, que eu já disse que estava muito bonita, estava encolhida em suas roupas bruxas de inverno e se aquecia com um fogo azul que havia conjurado (Droga! Nunca consegui fazer esse feitiço direito!). Harry Potter, Rony Weasley e outros estudantes voavam sobre o campo de quadribol observados pela jovem bruxa.

- O time de vocês vai ganhar fácil o campeonato esse ano – disse para puxar assunto, enquanto conjurava duas canecas de chocolate quente e estendia uma para a garota, que me olhou surpresa.

Num primeiro momento ela ficou me encarando, esperando por certo que eu fosse lhe dirigir alguma ofensa, depois, como se relutasse muito em realizar tal ato, um bonito sorriso iluminou sua face corada pelo frio.

- Obrigada, Malfoy – disse, aceitando a caneca, mas hesitando um pouco antes de bebê-la.

- Vamos, Granger, pode tomar, eu não iria envenená-la à luz do dia com testemunhas - falei apontando para as outras pessoas que, encolhidas de frio, assistiam o treino dos grifinórios.

- Sabe, Malfoy, eu não o agradeci por você ter nos chamado naquele dia. Muito obrigada, você evitou que aqueles maníacos molestassem os garotos.

- Não por isso, Granger – disse um pouco encabulado, enquanto admirava as evoluções do Potter nos céus. O cara parece que nasceu numa vassoura.

- Ele voa bem não? – perguntou Hermione depois de tomar um gole do seu chocolate.

"Claro, Granger", pensou meu demoniozinho interior, "e tenho certeza que ele faz você voar também, se é que você me entende". Então aconteceu uma coisa estranha. Ela me olhou nos olhos e foi como se eu tivesse sido dissecado e colocado nu numa lente de aumento. Na minha família havia vários bruxos com esse poder. Ela era uma "empata". Lógico, esses bruxos são geralmente muito inteligentes e sagazes. Diabos, ela iria saber o que sinto pelo Potter! Desviei os olhos.

- Nem vem, garota, não tente saber o que se passa na minha mente! – disse contrariado

Ela não se abalou nenhum pouco. Apenas continuou me olhando com aqueles grandes e bonitos olhos castanhos e disse depois de tomar mais um gole do seu chocolate:

- O seu segredo está protegido comigo, Malfoy.

- Você... você não tem ciúme – gaguejei meio constrangido.

- Meu namorado é o Rony, lembra?

- Bem, é que dizem na Sonserina... – arrisquei. Ora, por que eu não conseguia ser aquele cara cínico e dissimulado?

- Dizem que eu sou uma piranha que dorme com dois dos garotos mais legais da Grifinória – disse Hermione, corando um pouco mas ostentando um sorriso desafiador. Esses grifinórios me surpreendem às vezes.

- Acredite, Granger, metade da Sonserina, digo, a metade legal, morre de inveja de você se os boatos forem verdadeiros. E as meninas dos primeiros anos a têm como heroína. "A Granger sabe-tudo devoradora de garotos" Eu não me surpreenderia se erguessem uma estátua em sua homenagem.

Hermione Granger sorriu, agora sem nenhum constrangimento. Vê-la sorrir aquecia um dia frio como aquele. Os sonserinos idiotas e preconceituosos nunca perceberiam como aquela garota "sangue- ruim" era adorável. Se naquele momento eu não estivesse cego por um certo moreno de olhos verdes eu não me importaria de dividir a minha cama com ela. Harry me diria depois que os seus beijos tinham gosto "de chá de ervas com açúcar". Ele diz que os meus têm gosto de cerveja amanteigada gelada. Muito poético de uma maneira adoravelmente erótica esse Harry Potter!

- E você, Malfoy? – perguntou ela ainda sorrindo – Me considera uma piranha devoradora de garotos?

- Se eu fosse você não me preocuparia com a minha opinião. Mas já que você perguntou, "se" os boatos forem verdadeiros, você subiu muito no meu conceito, Srta. Granger. Mas você não respondeu a minha pergunta.

- Ciúme do Harry? Sinceramente não. Gostaria muito que ele encontrasse alguém que o amasse como ele merece. Tanto quanto eu e o Rony - acrescentou - Depois de tudo que lhe aconteceu... Mas você não me procurou para discutir minha vida sexual e a do Harry, não é mesmo?

- Certo. Avise seus amigos da Ordem da Fênix que "você-sabe-quem" está aprontando alguma coisa grande. Você sabe que os sonserinos ligados ao Lorde não confiam em mim, mas eu tenho a minha turma, principalmente do quarto ano pra baixo. E estou sempre atento aos rumores. Você viu que eu reassumi as funções de monitor. Um verdadeiro Malfoy sempre procura se proteger – acrescentei orgulhoso – Eu acho que nem Delusco e seus amigos, aprendizes de Comensais da Morte sabem o que está acontecendo. Mas parece algo grande e tem a ver com a escola.

Hermione Granger me encarou por um momento, como se avaliasse a informação. Dessa vez deixei que ela olhasse dentro dos meus olhos, sabendo que o que tinha para ocultar já tinha sido desmascarado. Por fim ela disse:

- Obrigada mais uma vez, Malfoy. Eu vou reportar essas informações a quem de direito.

- Eu já avisei Dumbledore e Snape. E saiba você que eu não estou fazendo isso apenas por causa daquilo que você sabe. Acho que o mundo vai ser uma bosta se os partidários das trevas vencerem essa guerra. E acho que você e mesmo aquele seu namorado ruivo tapado são pessoas decentes. Não mereceriam morrer ou virar escravos daqueles maníacos. E, Granger...

- Sim?

- Tome conta do Potter. Ele pode ser poderoso e tal, mas você é a pessoa mais inteligente do trio.

- Eu bem que tento tomar conta dos dois – suspirou Hermione, olhando as maluquices que o namorado e o amigo faziam pelos ares.

- Eu sei que você consegue...- e acrescentando meu velho cinismo sonserino, arrematei : - E cuide do traseiro do Potter. Seria uma pena se aquele belo traseiro congelasse nesse frio.

Para minha surpresa a "sabe-tudo" Granger deu mais um belo sorriso e analisou pelas costas o "garoto que sobreviveu" que desmontava da vassoura no campo a alguns metros de nós e disse:

- Pode deixar, eu não vou deixar a bunda dele congelar. Seria um desperdício – afirmou ela fazendo uma cara travessa.