AAAAA, eu tive que dividir o cap. 11 em duas partes pq iria ficar ENOOOOOOOOORME! Eu programei tanta coisa para um cap. só, por isso segue a 1ª parte com essa rodada de acontecimentos. Posto a parte II nos próximos dias, okay? ENJOY IT. (AH, não tem smut, mas tem porrada! xD)


Capítulo 11: Part I

Finn.

Esperava qualquer coisa, esperava que ele gritasse, que lhe apontasse o dedo, que o xingasse, absolutamente qualquer coisa, menos uma agressão, menos um soco. E que soco. Aquele pai de Rachel era um poço de arrogância e superioridade, conseguiu manter a cabeça baixa e engolir aquelas humilhações por um tempo, até que foi recorde. Com o nível de paciência que ele tinha, realmente, era algo para se considerar como um recorde. Mas esperar que ele continuasse ali, caído, tonto com a pancada, cuspindo sangue e permitisse que mais ofensas fossem dirigidas a ela era um tanto demais. Ou saia de uma vez dali ou deixaria os seus instintos de auto-defesa vencerem, sendo assim acabaria numa luta corporal com Leroy. Por mais furioso que estivesse, aquela medida extrema só daria a Rachel um motivo para odiá-lo. Por isso resolveu sair calado, respirando pesadamente e com a língua inchada com a jaqueta numa das mãos e o capacete na outra. Ignorou os gritos dela, estava com raiva, queria urrar, chutar alguma coisa, lidar com Rachel estava fora de questão até segunda ordem.

O primeiro dia após a briga foi pior do que podia ter imaginado, não conseguiu dormir pensando em tudo que tinha acontecido, deixou o seu celular vibrando chamada após chamada, não precisava pegá-lo para descobrir quem ligava. Não falou com ninguém, começou a sua jornada de trabalho normalmente – aliás, um pouco mais cedo do que o de costume -, limpou, esfregou, anotou pedidos e rezou para todas as entidades possíveis que Rachel não aparecesse no Journey's. Ainda não estava preparado e só pensar fazia o sangue pulsar vigorosamente em suas veias. Nem Puck, Sam, Blaine, Quinn ou Will ousaram trocar palavras com ele, sabiam que algo tinha acontecido e o conheciam perfeitamente bem para saber que numa hora dessas é melhor deixar Finn Hudson sozinho.

Rachel.

Por quanto tempo ficou ali sendo reconfortada pelos braços de Santana? Quanto tempo se passou até ela ter coragem o suficiente para sair daquele transe? Daquela crise de choro? Não tinha noção, quando ergueu a cabeça o céu do lado de fora já estava escuro e a neve que caía era pesada. Sentou-se ao lado dela, a amiga nada disse durante todo o tempo em que ficou ali, contentava-se em apenas passar a mãos em seus cabelos, beijar sua têmpora carinhosamente e por um único instante de lucidez ela jurou que a viu chorando também. Talvez estivesse vendo coisas demais. Provavelmente. Passado o choque o nervosismo inicial ela recolheu-se ao conforto do seu quarto, ainda com o cheiro dele impregnado naqueles lençóis, no travesseiro, no colchão, estava em todos os lugares. Finn já tinha dominado aquele pequeno cômodo num curto espaço de tempo. Com o celular numa das mãos, vestida com roubada camisa dos Beatles e agarrada com a jaqueta dele, Rachel perdeu novamente a noção do tempo ligando, ligando, ligando, ligando, ligando, ligando... E recebendo nada em resposta. Por fim o cansaço acabou lhe vencendo.

O primeiro dia foi embaçado como as nuvens que cobriam o grandioso céu de Nova York e instável como a neve fofa e fresca das calçadas. Acostumada com a rotina há muito tempo adaptada, acordou, bebeu uma xícara de café, pegou o seu material, foi para o trabalho, limpou, serviu, recebeu gorjetas, agradeceu. Mas ao ser dispensada deixou o Sue's Corner ignorando completamente a tradicional mesinha de amigos na hora do almoço. Queria o isolamento, queria um lugar desprovido de tumulto onde pudesse liberar mais uma carreira de lágrimas sem ter que ficar respondendo perguntas de preocupação deles. Acabou escolhendo a última fileira do Teatro. Sozinha.

Santana

Nada mais fazia sentido, tudo deixou de existir exceto a pequena bolha que ela e Rachel eram capazes de criar em situações como essa. Sem querer soar egoísta, mas eram momentos assim que Santana percebia o quão sólido e verdadeira era a amizade entre elas, vê-la daquele jeito fez com que todas as suas preocupações, todos os seus problemas, Brittany, faculdade, exercícios, vida, nada importava a não ser sua Hobbit, ali, naquele instante. Mas o que falar? Ao mesmo tempo em que era reconfortante saber que estavam tão unidas a ponto de terem o dom de se isolarem do mundo, a latina começou a sentir uma dor dilacerante dominando-a, era um misto de emoções, um conflito de sentimentos. Era raiva, ódio, pena, compaixão, tristeza, arrependimento, desprezo, fúria e culpa, tudo ao mesmo tempo. E o que falar? O que dizer a Rachel? Não tinha palavras, a realização começava a atingi-la. Tinha a sua parcela de culpa naquela confusão e preferiu o silêncio a dizer algo. Culpa e vergonha. Suas companheiras daqui para frente.

O dia seguinte continuou sendo preenchido pelo silêncio, tomaram o café somente com o barulho dos talheres cintilando. Rachel saiu primeiro, como de costume e ela ficou com o apartamento ainda mais mergulhado naquela solidão. A mancha – agora já seca -, de sangue no carpete como a constante lembrança de que aquilo só estava ali porque ela de alguma formo forçou a situação. Sua manhã na faculdade fora improdutiva presa num conflito interno se deveria ou não incluir Kurt no meio, pois depois dela, o garoto era o amigo mais próximo de sua Hobbit. Acabou por decidindo deixá-lo de fora e quando chegou ao habitual almoço – hoje às portas fechadas dentro do Sue's Corner diante do frio mortífero do lado de fora – a sua culpa só faltou se materializar ali mesmo no seu lado ao notar o tradicional assento de Rachel ao lado do amigo gay vazio.

Finn

Silêncio e isolamento mais uma vez. Celular desligado, mas a única diferença era que os seus amigos já estavam cientes de que era algo entre ele e Rachel. Qual era a pior parte, afinal de contas? Conviver com a raiva pulsante e o vazio doloroso minutos após minutos ou saber que todos eles cochicham quando vira as costas? De novo, limpou, serviu e anotou pedidos, inclusive do sujeito do cupcake que mais uma vez deus as caras querendo puxar papo, lhe entregou o bolinho e sem uma palavra se afastou. Puck foi o primeiro a tentar uma aproximação e acabou ganhando uma passagem só de ida para um lugar muito feio, Quinn veio em seguida achando que teria chance por ser mulher, pela sua voz suave e pelo modo como tinha o dom de persuadir as pessoas, mas quando ela deu o primeiro passo ele já estava saindo pela porta dos fundos. E por fim veio Will, este ainda teve a sorte de conseguir pronunciar algumas frases antes da moto de Finn arrancar pelo asfalto deslizante.

Quando retornou para casa o relógio beirava a meia noite. Chegou com o apartamento escuro e com Blaine parado feito um fantasma no sofá dizendo que queria conversar com ela. Finn cruzou direto o corredor trancafiando-se no próprio quarto. Em cima da cama um bilhete com a caligrafia de Sam dizendo que Rachel tinha ligado umas trinta vezes durante a tarde e pedindo urgentemente que ele retornasse. Amassou o papel em forma de bolinha e o jogou com força numa das paredes, olhou para o celular e teve a vontade de fazer o mesmo, mas decidiu deixá-lo sem vida ainda, com a bateria descarregada. Ainda não estava pronto.

Rachel

Acordar. Comer. Trabalhar. Estudar. Simples assim. Robótico desse jeito.

O segundo dia foi mais complicado com Sue berrando nos seus ouvidos exigindo uma explicação para o atípico comportamento e tentou comprá-la com a desculpa de um resfriado.

Servir, recolher e limpar. Servir, recolher e limpar. Outra rotina motorizada no seu trabalho. O horário do almoço chegou e hoje tanto ela quanto Santana desapareceram, e de novo escolheu o aconchego do teatro para deixar suas frustrações saírem. As lágrimas escorrendo enquanto os dedos rediscavam incessantemente o celular de Finn. Dois dias e nada, embora começasse a considerar a idéia de ir ao Journey's, mesmo que isso significasse matar algumas aulas se fosse preciso.

Não. Não. A ínfima parte racional e lógica que ainda restava dentro dela gritava para que ela saísse daquele estado vegetativo. Tinha responsabilidades, tinha uma média para manter em Julliard, um emprego para se dedicar – ainda mais agora que a sua ajuda mensal tinha sido cortada -, as coisas teriam que ser racionadas naquele apartamento. Apesar da dor sufocante e da raiva imensurável pelos seus pais, ela tinha que viver.

Fácil é falar, tente fazer isso na prática.

Santana

Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa filha da puta.

Ela tinha que parar com aquilo. O tratamento de silêncio, embora não fosse forçado, era insuportável. Quanto mais as horas se passavam, mas a maldita culpa a consumia. Tinha que sentar de uma vez com Rachel e conversar seriamente com ela. Assumir a sua responsabilidade, que por um ato infantil na tentativa de ter mais uma oportunidade de tirar um sarro com a cara dela e por essa atitude a situação toda virou uma bola de neve e desencadeando aquele infeliz desfecho. Por isso não deu as caras no Sue's Corner, sabia muito bem onde encontrá-la.

Dois dias tinham se passado com Rachel enclausurada em seu quarto, saindo somente quando estava prestes a desmaiar de fome e ir ao banheiro, não tinha conversa, nada. O telefone residência não parava de tocar, as únicas pessoas com quem manteve contato nesse meio tempo era Tina e Kurt, ambos muito preocupados querendo saber o que tinha acontecido, de uma forma ou de outra sabiam que era algo que envolvia Finn, mas Santana disse que a coisa estava complicada, mas que estava fazendo possível para arranjar um jeito de normalizar a situação. Ela tinha. Ou fazia isso ou morreria de culpa. Por isso, quando o relógio marcou meio dia ela deixou a NYU em direção a Julliard, mas ao invés de parar no Sue's Corner – tentador, ainda mais sabendo que o aquecedor lá dentro estava ligado, contratando fortemente com o frio absurdo do lado de fora. -, passou direto seguindo para o Teatro. Como conhecia Rachel muito bem, certamente era lá que ela estaria.


Empurrou a pesada porta lateral após despistar um dos seguranças do campus que rondava o local, e uma lufada reconfortante e quentinha de dentro do Teatro a recebeu. Sacudiu o gorro abarrotado de neve e retirou as luvas. O lugar era enorme e tinha dois andares, Rachel poderia estar em qualquer fileira encolhida numa cadeira, e com a estatura que tinha e a iluminação parcial ali dentro seria como achar uma agulha no palheiro. Estava fora de questão gritar o seu nome, a não que quisesse ser expulsa dali e ainda levar uma notificação da NYU quando Julliard comunicasse a sua faculdade acusando-a de invasão e vandalismo. Começou a andar pelos corredores laterais com a vista atenta a qualquer movimento, a seção da esquerda completamente deserta. Deu a volta e desceu pelo corredor que dividia essa seção da central, de novo... Deserto. Fez a mesma coisa com a seção da direita e nenhum sinal de Rachel.

- Hobbit, cadê você, hein? – sussurrou tentando se lembrar para que lado ficavam as escadas para o segundo andar do teatro.

Infelizmente teve que fazer o caminho todo de volta, pois as escadas do lado direito estavam interditadas. Subiu os degraus de dois em dois e finalmente identificou a cabeça de sua amiga na penúltima fileira do conjunto de cadeiras centrais. Rachel também a viu assim que as pisadas das botas de Santana começaram a ecoar no piso de madeira. A latina se aproximou se fazendo confortável no lugar ao lado dela e não só notou a maquiagem borrada escorrendo pelas bochechas de Rachel, como também percebeu as mãos da menina tremendo e roxeadas de frio. Sem trocarem uma palavra, a futura médica pegou suas próprias luvas e as colocou nas mãos da amiga, e em resposta Rachel apoiou a cabeça no seu ombro fungando.

- Esqueci as minhas no trabalho.

A voz dela saiu tão baixinha e fragilizada que Santana sentiu como se alguém estivesse apertando o seu coração. Levantou o braço da cadeira que separava as duas e acomodou a baixinha no seu abraço ninando-a por uns minutos. Com os polegares secou o caminho das lágrimas dela, conseqüentemente acabou por manchar ainda mais o rosto de Rachel.

- Piorei o seu estado. Agora você tem lápis de olho espalhado por toda a sua bochecha. – comentou descontraída e sentindo a amiga rir de leve pela primeira vez em dois dias.

- Não me importo.

Era algo assustador essa conexão entre elas. Jamais tivera a intenção de se afastar de Santana, mas precisava de espaço, precisava digerir a fatídica discussão com os seus pais e o jeito como tudo tinha terminado dois dias antes e para isso, tinha que ficar sozinha, isolada. Agradeceu muito internamente a habilidade da amiga de sentir que ela precisava disso e tentar não forçar a barra – e se tivesse sorte, Santana não teria aberto a boca para o restante dos seus amigos, sendo assim reservando o problema todo somente para elas. Mas voltando a conexão que as duas partilhavam, se não fosse a amiga ter ido procurá-la, com certeza teria sido ela. Estava disposta a sair daquele estado deplorável e se quisesse a começar a viver de novo, a primeira coisa era conversar, se abrir com ela. Mesmo contra a sua vontade acabou por se levantar e o que viu a sua frente a deixou completamente assustada.

Santana estava chorando.

- San o qu—

Rachel acabou engolfada num forte abraço com o corpo de sua melhor amiga tremulando em seus braços. O choro dela se tornou ainda mais intenso e num piscar de olhos os papeis tinham se invertido, agora era Rachel quem consolava Santana.

- A-a-a cul-culpa é-é mi-minha. E-eu, e-eu... Você e o... O... Fran-Frankenteen... Ho-Ho-Hobbit, me-me perdoa.

A baixinha largou a latina, as duas de frente, uma fitando a outra. Rachel procurava algum sentido no que Santana estava falando, o choro intenso dela, os soluços fortes estava deixando-a ainda mais apavorada. Dificilmente sua melhor amiga abaixava as guardas, nos quase quatro anos em que a conhecia era possível contar nos dedos a quantidade de vezes que pegou Santana chorando descontrolada desse jeito. Os seus problemas à parte, Rachel pensou que aquilo tinha alguma coisa a ver com Brittany. Era uma explicação plausível.

- Hey, hey. Calma. Respira, vai. Para dentro e para fora. – Rachel falou fazendo exercícios de respiração com ela. – Isso. Devagar, Santana. – chamou-lhe a atenção quando ela começou a se afobar de novo. – O que aconteceu? O que foi? Você e Britt discutiram mais uma vez?

Ela estava surda? Rachel era retardada? Santana pensou irritada, contudo tinha que dar algum crédito a ela com esse truque da respiração. Voltou ao controle em questão de segundos, enxugou as lágrimas com as costas das mãos e a sua Hobbit soltou uma risada pegando-a de surpresa.

- Amigas até com os rostos borrados de maquiagem! – explicou e arrancando um sorriso da outra. – Agradeço a solidariedade e a compaixão, Santana. – completou.

- Isso não tem nada a ver com a Britt, isso tem a ver com nós duas e a nossa amizade. Entenderei perfeitamente se quiser me odiar pelo resto de sua vida, mas o que aconteceu entre você, Finn e os seus pais é culpa minha, Rachel. – a futura médica explicou fitando a notória expressão de interrogação da outra como se não estivesse entendendo absolutamente nada. É, Rachel era retardada.

- E como isso é possível?

- Eu sabia que Leroy e Hiram estavam do outro lado da porta quando eles tocaram a campainha, mas ao invés de correr e avisar a você e o Finn... – ela pausou tentando conter a nova onda de choro. – Eu os deixei entrar com o único motivo de me divertir quando os Berry pegassem a princesinha deles fazendo aquele escândalo no quarto. – disse sentindo as bochechas serem molhadas de novo com suas próprias lágrimas. – Eu sei, eu sei. Foi uma atitude ridícula, infantil e que resultou naquela discussão toda. Pode me odiar Rachel, eu estou me odiando tanto no momento. – finalizou escondendo o rosto nas mãos e retornando com o seu choro.

Parou e contemplou por um momento as palavras dela. Certamente teria evitado algumas coisinhas, e sinceramente? Não estava surpresa com a confissão dela, era algo completamente esperado de um ser humano com a personalidade engenhosa e às vezes maldosa como Santana. Raiva? Nenhuma. Decepção? Hum, talvez, um pouco. Ódio? Jamais.

Delicadamente afastou as mãos dela fazendo com os seus olhos se encontrassem de novo. E dessa vez os seus polegares foram designados para fazer o trabalho de secar aquelas lágrimas.

- Não acho que isso tenha feito muita diferença. Com você nos avisando de antemão ou não, acho que o resultado teria sido o mesmo. – respondeu calma e tranqüila enquanto entrelaçava suas mãos com as dela.

- Sério, qual é o seu problema, Rachel Berry? Eu passei dois dias inteiros sendo consumida por essa culpa maldita e além de me preparar psicologicamente para perder a minha única melhor amiga para você me dizer que não teria feito diferença? – retrucou um pouco exaltada, mas baixando o tom de voz imediatamente quando escutou o seu timbre ricocheteando pelo teatro deserto.

- Os meus pa- interrompeu-se. Balançou a cabeça e voltou a encará-la – Aqueles dois teriam, principalmente Leroy, a mesma atitude nos flagrando ou não. O problema todo gira em torno do emprego do Finn, o estilo de vida dele. – pausou sentindo o seu coração sufocar dentro do peito só com a menção do nome dele. – Eles simplesmente não aceitam que ele seja de uma banda e que às vezes faz bico de garçom. Creio que tenha ouvido também quando Leroy classificou Finn como um vagabundo, não ouviu? – perguntou com a voz carregada de raiva. Pensar naqueles dois seres que chamava de "pais" desencadeava uma fúria descomunal dentro dela.

Ela respondeu concordando com um leve aceno.

- Mas confesso que você nos avisando teria nos privado da hostilidade inicial entre nós dois e eles. Porém a conversa teria tido o mesmo rumo e desfecho no final das contas. – concluiu com um suspiro cansado. – Portanto, pare de se sentir culpada. Eu não tenho motivos nenhum para odiá-la, Santana. Eu preciso da minha melhor amiga perto de mim, me oferecendo o seu ombro quando eu quiser chorar, ainda mais quando eu ligo, ligo, ligo, ligo e sou ignorada por ele e tudo o que eu sinto é frustração, raiva e saudade. – falou com os lábios já trêmulos, para em seguida piscar e senti-las descendo mais uma vez em seu rosto.

Novamente, sem aviso prévio a latina jogou os seus braços ao redor dela prendendo num outro forte abraço. Separam-se brevemente presenteando Rachel com um carinhoso beijo na testa e como de costume enxugando o rosto dela.

- Não sei como você tem essa habilidade assustadora de perdoar os outros. Eu fiz da sua vida um inferno no colégio, Rachel. Passei os últimos três anos implicando o dia inteiro com você, faço as minhas burradas, provoco, sou irritante, forço os meus limites, me afundo na bebida, ligo para o seu celular no meio da madrugada pedindo para me buscar porque estou bêbada demais até para ir para casa, faço tudo isso e ainda assim persiste em me ter ao seu lado. Porque, Rachel? Por quê? Como me atura? – discursou gesticulando freneticamente ignorando a expressão de pura bipolaridade da amiga à sua frente com mais lágrimas descendo e um pequeno sorriso se formando.

- Porque eu te amo, Santana. Apenas aceite o fato. E pare de me chamar de "Rachel". – respondeu testemunhando a expressão dela se suavizando.

- Argh, como é que você consegue me reduzir às lágrimas com três palavrinhas, Hobbit? Que raiva! Que esse chororô todo meu não saia daqui, que isso fique entre nós duas! Não abra essa sua boca grande aí tagarelando a sua proeza de fazer Santana Lopez chorar! – resmungou limpando pela enésima vez o próprio rosto em menos de dez minutos. – Eu te odeio, sabia?

Rachel agora soltou uma forte gargalhada, mas abafou o riso com as mãos.

A partir daí a latina fez o que sabia fazer de melhor: aumentar a auto-estima de sua Hobbit. Evitando a todo custo que Finn e Brittany fossem os assuntos do momento – poxa, depois de dois dias inteiros mergulhadas naquela fossa era compreensível que quisessem manter o bom humor conquistado com aquela simples conversa. -, elas falaram de coisas aleatórias até que o ponteiro menor do relógio chegasse a marca de quinze minutos para uma hora e as duas deixaram o teatro para seguirem para o restante de suas aulas.

Sorriram simpáticas e cínicas para o segurança quando atravessaram a porta lateral do teatro e combinaram de conversar as coisas pendentes- leia-se Finn e Brittany – mais tarde quando Santana voltasse do seu trabalho como tutora. Rachel acompanhou a amiga até o metrô e durante o abraço de despedida ouviu a confissão dela:

- Que fique claro que eu também te amo, Hobbit.

- Eu sei.

- Metida.

- Eu sei.

- Não torra o saco!

- Boa aula, Santana. – desejou aos risos dando um tchauzinho para ela enquanto a via desaparecer pelas escadas subterrâneas.


Se fosse um dia normal e agradável com o Sol torrando a cabeça dos Yankees às três horas da tarde, ele estaria dentro da sala de aula confortável e como bom aluno que era, estaria prestando atenção e tentando ignorar o barulhinho irritante da lapiseira de Rachel que sempre dava um jeito de tirá-lo do sério, mas não. O dia estava longe de ser normal e muito menos agradável – frio de rachar e sem prospectiva de Sol algum nas próximas semanas -, não estava em Julliard, não estava sendo o aluno exemplar – pois estava matando aulas importantes em pró de um motivo maior – e o barulho da lapiseira de sua amiga era o menos das suas preocupações. Kurt perdera meia hora perdido pelo Brooklyn querendo saber onde diabos ficava esse tal Bar/Lanchonete chamando Journey's. Acabou achando eventualmente, após algumas informações desencontradas, mas graças a um mecânico ele lhe deu a direção correta.

Já tinham se passado três dias e Rachel continuava agindo como um zumbi/máquina, sem contar que era o terceiro dia que ela não aparecia na hora do almoço e se recusava a falar qualquer coisa que não fosse assunto de faculdade com ele ou com Tina nas aulas. Santana era outra que não adiantava as ameaças ou a pressão não abria a boca, e Kurt estava ficando irritado com essa falta de informações. Só tinha a certeza de uma coisa: Era algo relacionado a Finn. Isso estava estampado nos olhos inchados da amiga. E foi pensando no pior que Kurt resolveu procurá-lo, se não teria a história contada pelo lado de lá, de alguma forma conseguiria arrancar algo dele.

Era a primeira vez que pisava ali, e teve que morder a própria língua quando disse uma vez que aquele tipo de lugar deveria ser esquisito tanto pela localidade quanto pelo nome, mas enganou-se ao se deparar com um estabelecimento limpo, aconchegante, quentinho, e confortável. Estava vazio, era de se esperar, quem mais teria a coragem de enfrentar a neve do lado de fora? Logo reconheceu Quinn servindo algumas mesas, estava ocupada demais para reparar nele. Cumprimentou um senhor de cabelos encaracolados que sorriu simpático ao passar pelo balcão onde continha uma vitrine tentadora de doces e salgados e sem contar o inebriante cheiro de café. Mas nenhum sinal de Finn... Ou Blaine.

Não. Não estava aqui para resolver esse seu rolo com o estudante de Direito. Estava aqui para tirar toda a história a limpo envolvendo Rachel. Com classe, caminhou entre as mesas retirando o cachecol grosso de lã, as luvas de couro e o gorro. Sentou-se numa das mesas do canto onde continha uma grande janela e a vista do lado era, literalmente, branca. Pegou o menu com uma das mãos e instantaneamente uma garçonete brotou na sua frente, uma plaquinha de metal identificando-a como Jennifer.

- Capuccino, por favor. – ordenou. Pediria um chocolate quente com chantily, mas o cheiro de café era forte demais para ser ignorado. – Ah, uma informaçãozinha, se não for incômodo? – perguntou e Jennifer alargou ainda mais o sorriso disposta a ajudá-lo. – Finn? Finn Hudson se encontra?

- Sim, ele está lá trás arrumando o estoque de bebidas. Vou chamá-lo.

Cruzou as pernas e continuou a observar o local. Um pouco mais ao fundo do bar era visível ver a estrutura de um palco, embora estivesse coberto com uma cortina vermelha. O homem de cabelos encaracolados veio até a sua mesa e perguntou se ele já sido atendido e confirmou com um sorriso sendo contagiado pela simpatia dele. Quinn continuava atolada com um grupo de jovens fazendo milhares de pedidos ao mesmo tempo, se tudo corresse bem falaria com ela mais tarde antes de voltar para casa. A porta dos fundos se abriu e de um corredor saíram Sam e Puck, e este último vinha com uma criança em seus braços. Lembrou-se então que ele e Quinn eram casados e tinham uma filha, aquela deveria ser Beth. Loira que nem a mãe. Os viu se acomodarem numa das mesas ao lado do palco, nenhum dos dois também não o notara.

- O que você quer?

Kurt pulou de susto não só com a repentina presença dele – era a segunda vez que Finn chegava sem aviso prévio e pegando-o de susto. -, mas como ele tinha depositado o seu café em cima da mesa, com uma agressividade desnecessária.

- Sente-se. – pediu recompondo-se e dando o primeiro gole no capuccino.

- Estou trabalhando, Kurt. O que diabos você quer comigo? – perguntou de novo se sentando contra a vontade na cadeira em frente a ele.

- Rachel. – respondeu simplesmente e se assustando de novo quando Finn se levantou abruptamente, mas teve tempo de segurá-lo pela manga do casaco surrado do time de Hockey do Canadá, os Canucks. – Devo assumir que você contou a ela sobre o seu passado?

Finn voltou a se sentar. O bar estava com um silêncio ensurdecedor, sem contar a pura falta de movimento de carros nas ruas. E se duvidasse era provável ouvir a batida de um coração há quilômetros de distância de tão silêncio que estava. Ouviu o rapaz a sua frente bebericar de novo o café e soltar uma exclamação de puro deleite, tinha passado muito bem três dias fazendo um ótimo trabalho em ignorá-la, mas sabia que mais cedo ou mais tarde alguém daquela laia apareceria por aqui – mas tinha que confessar que esperava Santana -, ou até mesmo a própria Rachel apareceria.

- Não. Isso não tem nada a ver com o meu passado. – respondeu evitando os seus olhos.

- Então o que aconteceu?

- Porque não pergunta a ela? – retrucou passando a mão em cima do corte no lábio onde Leroy tinha lhe acertado o soco. – Sinceramente? Não estou com cabeça para lidar com isso agora, Kurt. Então faça o favor de me deixar em paz. – completou contemplando a paisagem do lado de fora do vidro da janela na direção de um grupo de jovens que realmente não se importavam em ficar expostos naquele frio mortífero.

- Rachel montou um forte ao redor dela nos últimos três dias e aparentemente a única que tem acesso é Santana, mas nenhuma delas abre o jogo. Acredite, também não me agrada perder uma tarde inteira de aula e tê-lo como companhia, mas ela é minha amiga e você, infelizmente, é meu meio-irmão e vocês dois estavam num relacionamento, e eu estou preocupado. – disse bebendo mais um pouco de café. Aquilo estava delicioso, tinha que admitir.

- Comigo? – indagou sarcástico e apontando para o próprio peito.

- Vai sonhando, querido. – refutou com o mesmo sarcasmo. – Estou preocupado com ela, é óbvio.

- WILL, PUCK, SAM...ALGUÉM! AJUDA! AQUELE RAPAZ, O VOCALISTA DE VOCÊS ESTÁ ENCURRALADO NO BECO ALI DA FRENTE APANHANDO DE UM GRUPO DE VÂNDALOS! – o mesmo senhor que tinha ajudado Kurt a se localizar entrou no Journey's vermelho, ofegante e aos berros.

A mobilização dentro do bar foi instantânea, e muito antes que Kurt ousasse erguer uma perna para se levantar – pois ainda processava a informação de que aquele mecânico tinha acabado de entrar gritando que Blaine estava apanhando de um grupo. Um grupo! -, Finn, sua companhia já atravessava a porta com uma rapidez sobre-humana. Quinn passou pela sua mesa com a filha nos braços, Puck e Sam na frente enfurecidos derrubando cadeiras e pouco se importando com a bagunça que estavam deixando.

Largou luvas, gorro, cachecol tudo em cima da mesa, a neve caindo levemente sobre sua cabeça, o nariz avermelhado de frio, os lábios rapidamente mudando de cor, batendo o queixo freneticamente. Enfiou as mãos nos bolsos do casaco e seguiu para onde um pequenino aglomerado de gente se juntava. A rua estava praticamente deserta, o asfalto coberto com fina camada de neve, e pelo caminho teve que ser cuidadoso para não escorregar.

Quando chegou ao local viu uma verdadeira pancadaria rolando. Puck, Sam e Finn aos chutes e socos com os agressores. O velho mecânico – aquele que tinha ajudado Kurt a chegar ao Journey's – erguia a sua bengala gritando os mais diversos palavrões O homem de cabelos encaracolados se colocou no meio e acabou levando um gancho certeiro no meio do queixo. Mas no meio dessa confusão toda, onde estava Blaine?

Aos poucos os vândalos foram se dispersando, mas um insistia em manter uma luta corporal com Finn. Os dois rolavam pela grossa camada de neve da calçada trocando socos, cotoveladas, tapas e joelhadas.

- Defendendo o namoradinho, é? Veado bom é veado morto! E tu é o próximo, playboyzinho de merda! – o agressor falou ficando por cima de Finn e tentando socar a cara dele, mas por um golpe de reflexo ele virou o rosto fazendo o soco ir direto na neve.

Com um urro gutural e até mesmo barbaresco, o baterista rolou de novo e agora estava por cima. E impiedosamente começou a deferir socos e mais socos, cada um mais violento e mais forte do que o outro. O agressor numa hora dessas já tinha perdido a consciência, mas isso não serviu de motivo para ele parar, Finn continuava com o ataque. Estava descontrolado. Gritavam o seu nome, o cara de cabelos encaracolados foi o primeiro a se aproximar dele puxando-o pelos ombros. Inútil. Então Sam e Puck vieram em auxílio e foi com a força dos três que Finn foi retirado.

- Calma cara! CALMA! Acabou, meu irmão! – Puck gritava tentando contê-lo que persistia em partir para cima do sujeito completamente ferido afundado na neve fofa da calçada e com a cara coberta de sangue.

De um lado um dos agressores inerte e completamente nocauteado, do outro Blaine em pior estado, surrado da cabeça aos pés e com um corte profundo na testa onde o sangue escorria sem controle enquanto a garçonete Jennifer enrolava a cabeça do rapaz com o seu avental. Quinn um pouco atrás com Beth em pé agarrada nas suas pernas e com a visão tapada com uma das mãos da mãe enquanto a outra chamava a emergência com o celular. Will, Puck e Sam formando um paredão humano na frente de Finn impedindo-o de avançar de novo.

- Finn! Finn! FINN! – Will o chamava desviando a atenção dele do corpo caído. – Acabou. Ele apagou, okay? Calma. Já vamos levar Blaine para o hospital, está bem?

Kurt em pé ao lado do corpo desacordado de Blaine catatônico demais para perceber que chorava completamente apavorado com o que tinha acabado de acontecer ali, porém não tão paralisado para perceber a mais verdadeira fúria ainda queimando dentro dos olhos de Finn.


Finn continua revolts! xD Blaine apanhou, gento! T_T Desculpa, infelizmente tive que fazer isso.

E Santana e Rachel? RAINBOWS! Até eu me derreti aqui com essas duas! AÇSLAKKDLKDÇDKSAÇLK Meu lado Pezberry tá descontrolado. xD

Well, como expliquei logo no início. Se eu fosse postar o cap. 11 todo daria umas vinte páginas no word. VINTE PÁGINAS! Muita coisa. E para o bem dos meus dedos que sofrem com tanta digitação, eu resolvi dividi-lo em duas partes. Espero que tenham gostado da Part I.

E vou cumprir a minha promessa, Finchel volta na parte II, okay?

Reviews?

;)