X.x.x.x.x [Em Recuperação]
- Bzzz... Bzzzzzzzzzzz - Dare fazia na orelha de Miss Aubrey, como uma abelha.
Duas semanas depois do ataque a DCI, os agentes se recuperavam do controle mental. Ninguém teve sequelas mais graves do que Aubrey. Angel ficou apenas com queimaduras nas costas e em seus dedos.
Ele, é claro, ficou feliz por encontrá-la, mas ela ficou bem doente. Em todo o tempo de coma induzido da ruiva, Angel queria estar por perto quando Miss Aubrey acordasse. Estaria lá para ver os olhos verdes inspecionar cada pedaço de decoração e moda do recinto.
Angel dormia profundamente na cadeira desconfortável da ala médica da DCI. O quarto estava todo cheio de presentes, balões e flores. Dare e Angel se revezavam para ficar com Miss Aubrey.
Os médicos não sabiam como ela acordaria, mas de acordo com exames feitos anteriormente, a área de mémoria e coordenação motora foram as áreas mais afetadas pelo capacete.
- Bzzzzzzzzzzz... - Dare continuava a fazer o barulho de abelha perto de Aubrey. Ela sabia que a ruiva não gostava, e isso, acreditava ela, poderia fazer Miss Aubrey acordar mais rápido.
Dare podia ser o tipo mais maluco de pessoa, mas era o mais perto de amiga de Aubrey que ela chegava. Além do mais, Dare ajudara os dois na "sala de tortura" de Dr. Tan, como dizia ela.
- Bzzzzzz, Miss Aubrey, bzzzzzz, está na hora de acordar... Seu latino vai ficar com uma tremenda dor nas costas... Bzzzzz, acorde ele para tirá-lo daqui, bzzzzzzz... - Dare olhou para Angel, todo torto na cadeira ao lado da cama de Aubrey.
Ele não parecia desconfortável, mas Dare sabia da dor nas costas que ele teria assim que levantasse. Isso lhe dava vontade de rir, porque mesmo sabendo da dor que sentiria, Angel não sairia de perto de Aubrey. Nem mesmo se ela o ameaçasse a jogá-lo da janela, como sempre fazia.
Dare olhou para o rosto de Aubrey, estava tranquilo, e olhou para o pescoço dela. A marca roxa que Angel vira, agora nem existia. Os pulsos sequer tinham marcas.
- Bzzzzz... - Recomeçou ela.
Miss Aubrey começou a mexer os olhos.
- Ah, cara! - Ela exclamou, batendo com o pé na cadeira que o moreno dormia - Angel, seu traste! Levanta aí, sua rainha tá acordando, cara!
Meio zonzo, ele pula da cadeira, esfregando os olhos.
- Aubs? Aubs? - Ele se apoiou na cama e a chamou no ouvido dela.
De olhos fechados, ela apenas fez uma careta, virando para o lado.
- 5 minutos. - Aubrey coloca o travesseiro na cabeça.
Angel não acreditou no que estava vendo, ela havia acordado depois de tudo aquilo.
- Dare, chame os médicos, por favor. - Pediu ele, já sorrindo.
- Sim, senhor! - Ela bateu continência, e saiu correndo como uma louca.
Sem saber como prosseguir, ele deu a volta na cama, ficando de frente para Miss Aubrey.
- Uh, hm. Senhorita? - Ela tirou um pedaço de travesseiro do rosto, olhando para ele.
- O que quer? Quero dormir, por Deus. - Aubrey tentou afastar Angel com uma mão, mas errou.
Ela tirou todo o travesseiro do rosto e se sentou, olhando para sua mão.
- Miss Aubrey, está tudo bem com você? - O latino perguntou, claramente preocupado.
- Estou bem, mas... Quem é Miss Aubrey? - Ela olhou ao redor, para o quarto, a confusão atravessando seu rosto pálido.
- Olha quem eu trouxe, meu anjo... - Dare chegou com o irmão de Angel, Roberto. Era médico.
- Roberto, ela não sabe quem é. - Angel chegou perto de Roberto, preocupadíssimo.
- Eu lhe avisei que isso poderia acontecer, mas vamos fazer alguns testes. - Ele pegou uma pequena lanterna e examinou os olhos de Aubrey.
- Quem é você? Onde estou? - Ela começou a perguntar.
- Eu sou médico, estou cuidando de seu caso, e você está em um hospital. Agora, siga o meu dedo com os olhos. - Ele movimentou o indicador para um lado e para o outro.
Miss Aubrey não conseguiu acompanhar.
- O que eu tenho? O que aconteceu comigo? Quem são eles? - Ela começou a ficar nervosa, por não se lembrar de nada.
- Dare é sua amiga e Angel... - Ele pausou, pensando melhor.
Ela o olhou, esperando novas explicações. Angel o encarou. O que seu irmão iria dizer?
- Ele é seu namorado. Não consegue lembrar de nada mesmo? - Perguntou rapidamente, evitar perguntas desnecessárias.
- Me lembro do meu sabor favorito de sorvete. Não ajuda muito. Namorado? Você é meu namorado? - Ela olhou para Angel. Não estava mais tão nervosa, parecia confortável com as novas descobertas.
- Err... Hm.. Sim, sou seu namorado. - Ele abriu um largo sorriso para ela. Falaria com Roberto depois.
- Aaaaai, Aubs, estou tão feliz que você acordou! - Dare deu um abraço forte em Aubrey e saiu saltitante do quarto - Miss Aubrey acordou, gente! Acordou!
A ruiva olhou para Angel. Parecia confusa, e sem graça.
- Amiga, é? Uh. - Ela passou as mãos no cabelo, e alguns fios saíram - Está na hora de trocar de shampoo, sim, sim.
Suspirou e deitou novamente. De fato, o latino parecia um conhecido íntimo seu. Não deveria ser motivo de desconfiança.
- Meu nome é Aubrey? Então por quê me chamam de Miss? Eu tenho algum título? Qual é seu nome, mesmo? - Olhou para Angel, que estava longe da cama.
- Você preferia que lhe chamassem de Miss Aubrey. Você é filha de um rico empresário, tem posses. Meu nome é Angel, Aubs. Não lembra de mim?
Ele se encostou na cama, pegando a mão dela. Macia.
- Sinto que te conheço, só. Quando eu saio daqui? - Perguntou pegando uma pequena caixa no criado mudo, com uma pequena dificuldade.
- Daqui a cinco dias. Quanto à perda de memória, só fazendo testes. E a coordenação motora... Você vai precisar de ajuda por uns tempos, seu cérebro vai aprender os lugares certos das coisas, e isso é só uma questão de tempo. - Roberto sorriu para Miss Aubrey, um largo sorriso, como o de Angel. E saiu com as mãos no bolso do jaleco - Volto mais tarde, cuide dela, Ang. Não a deixe escapar outra vez, viu?
Ele riu, descontraído. Angel fechou os olhos, sorrindo e concordando com a cabeça.
- E então, não vai abrir? Esse é meu para você - Ele contou orgulhoso.
Aubrey lembrou da caixinha azul em sua mão e a abriu. Seu conteúdo era minúsculo, porém dourado.
- Você foi treinada no ballet clássico, então, né, achei que seria legal você ver sua própria miniatura. A saia é diamantes, antes que você brigue comigo. - Ele puxou a fina corrente com o pingente de bailarina e mostrou para ela.
Aubrey a pegou nas mãos e examinou a pequena jóia. A saia da bailarina tinha pequenas pedras brilhantes, em relevo. Ela estava na clássica pose de ballet, na ponta dos pés e mãos para cima.
- Angel, eu... - Aubrey começou, mas Angel fechou a mão dela delicadamente.
- É sua, e além do mais, gastei minhas economias na saia. Vamos, aceite, é sua. É você. - Ele fez um biquinho.
Miss Aubrey se perdeu no calor dos olhos dele, sorrindo desajeitadamente.
- Então, o que está esperando? Coloque-a em mim, sim? - Ela abriu a mão, entregando a pequena peça para Angel. Ele a pegou e com cuidado, passou a corrente no pescoço dela e prendeu. Com certa dificuldade, claro.
- Muito linda. - Comentou Aubrey tocando a bailarina.
- Igual a você. - Angel sorriu, arrastando a cadeira para sentar perto da ruiva.
Ambos ficaram se olhando, mas Miss Aubrey parecia examinar o moreno.
- O que foi? Estou bagunçado? - Ele estranhou o modo dela o observar.
- Nada, mas... - Ela pediu para Angel se aproximar - Precisa cortar o cabelo.
Ele riu quando ela pegou uma mecha de seu cabelo.
- Eu sei, você vivia dizendo para cortar. E agora ele realmente está grande. Estava com saudades de você de volta.
Aubrey assentiu, e sorriu.
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N/A: Originalmente, eram para ser 11 capítulos, mas eu me empolgo demais (segundo umas 30 pessoas), e ia ficar cansativo para vocês lerem o último capítulo do tamanho da minha lista de desejos. Então, boazinha do jeito que sou, cortei o capítulo no meio, criando o 12. A parada da Bailarina foi um lance bem fofinho que eu enxerguei no horizonte. No último, último mesmo, pode haver algo bem quente, então se não quiserem ler, é algo bem pequeno, perto do fim. Parabéns para a Miss Aubrey, e que viva bem feliz do lado do moreno gostoso, hahaha. 28 anos, é o que parece. O Angel pode ter uns 28, fazendo ano que vem, 29. 14 de fevereiro, gente. Não vão errar. 3 Reviews...
