O SEAL ficou surpreso pela ação repentina do parceiro e apenas observou o homem loiro caminhar em sua direção. Ele ainda estava constrangido por tudo o que havia acontecido entre eles, o rosto rubro pelo que poderia acontecer, e caminhava devagar. Steve não se moveu, esperou para ver o Daniel faria.
A mão trêmula do detetive tinha dificuldade em abrir os botões da camisa, mas ele continuou até que todos estivessem abertos. Logo a camisa deslizou pelos braços e caiu no chão. A calça e a cueca tiveram o mesmo destino. Durante todo o tempo ele manteve a cabeça baixa, por mais ousado que o gesto parecesse, ele não tinha coragem de olhar para Steve naquele momento.
Sentia as orelhas queimarem de tanta vergonha. Embora não fosse a primeira vez que ficava despido diante do outro homem, essa provavelmente era a primeira em que podia ser admirado em sua nudez. Duvidava que Steve tivesse reparado em seu corpo quando transaram das outras vezes, tinha sido tão intenso e tão rápido.
Deu alguns passos para trás e subiu novamente na mesa, sentou e se arrastou mais para o centro. Deitou e dobrou os joelhos enquanto afastava as pernas lentamente se abrindo para o outro. Seu rosto e orelhas estavam quase entrando em combustão de tanto que sentia esquentar. O nervosismo era tanto que sentia as pernas fraquejarem. As mãos transpiravam e a respiração parecia travada em suas vias aéreas.
Por todas as divindades havaianas! O que Daniel estava fazendo?! Suas calças há muito estavam apertadas e seu corpo implorava por alívio. Esse alívio só seria alcançado quando seu membro estivesse devidamente enterrado no traseiro do parceiro. A simples menção desses fatos lhe excitava de tal forma que não conteve um gemido.
-Ahn... droga! Danno...
-Steve... Eu te desafio... lembra? Possua-me...
Como confirmação, o loiro afastou mais ainda as pernas e tocou o próprio membro gemendo longamente. Depois dessa ação o comandante não viu mais nada. Toda a razão deixou de existir, sua mente estava vazia. Ele era apenas instinto e seu corpo gritava para saborear o homem loiro e excitado esparramado sobre a mesa. Ele não se importava se estavam no trabalho, se alguém poderia chegar e assistir o que aconteceria.
Steve simplesmente voou até a mesa. Seus dedos se atrapalhavam em abrir o zíper da calça. Não sabia como tinha conseguido desfazer a braguilha fechada e abaixar a boxer o suficiente para tirar o membro rígido do aperto da roupa. Tateou os bolsos a procura de algum preservativo, sempre tinha um na carteira. Quando achou, rasgou a embalagem com os dentes e colocou o mais rápido que sua coordenação motora abalada pela excitação permitiu.
O detetive estava esperando ansiosamente ser tomado pelo comandante, preocupou-se com a demora e levantou a cabeça para olhar. Sorriu ao ver Steve colocando a camisinha. Dessa vez não haveria nenhum problema. Estavam usando proteção. Na próxima vez que encontrasse a médica maluca, amiga do chefe, ia esfregar na cara dela que não precisava passar pelo exame pervertido dela novamente.
-Danno... não tem nada pra usar como lubrificante. Eu posso procurar na minha sala.
-Não mesmo! Eu estou quase subindo pelas paredes e você quer dar uma pausa pra buscar algo que sirva pra lubrificar?
-Não quero te machucar outra vez.
-Eu não sou de vidro! A camisinha é lubrificada, Eu vou ficar bem.
McGarret postou-se entre as pernas do loiro e o ergueu pelas coxas, usaria a boca para prepará-lo. Da outra vez que o fizera, Danny quase enlouquecera. Sua língua percorreu o membro ereto e desceu pelo saco até o períneo, pressionou a língua nesse ponto e escutou um grito estrangulado sair da boca de Daniel.
-Ohhh!... Steve!... Por Deus...
Estava tão entregue que seu corpo parecia querer entrar em colapso a qualquer momento. A boca do SEAL fazia maravilhas, mas Danno não queria gozar apenas com a língua dele invadindo seu traseiro. Queria algo maior, duro e menos delicado.
-Ahn! Droga! Faz logo... FAZ!...
-Eu preciso te preparar!
-Vem com tudo, eu aguento.
O corpo do detetive protestou contra a invasão. Por mais excitado que ele estivesse após todos as preliminares, seu corpo não tinha abertura suficiente para suportar o tranco e o tamanho de Steve. O problema era sua boca grande. Ele sabia que aquelas palavras causariam um efeito devastador. Não em McGarret, mas em seu traseiro.
-Ohhhh!...
Depois daquele apelo, o líder do 5-0 deixou de ver ou ouvir qualquer coisa que não estivesse relacionado ao corpo que lhe era oferecido sobre a mesa. Ele não podia se conter diante de tais palavras. Todo o autocontrole que ele reuniu até o momento virou geleia quando Danno proferiu as últimas palavras que Steve compreendeu antes de arremeter com força e velocidade no corpo de seu subordinado.
-Tenha cuidado!... Ahn...
-Pediu... Então aguenta...
Sentar seria o maior desafio que Daniel enfrentaria depois daquela transa. Se conseguisse ficar em pé ou andar outra vez já seria um milagre. Não sabia que seu corpo possuía flexibilidade para executar todos aqueles movimentos e posições exigidos pelo SEAL. Pelo menos não sentiu qualquer desconforto. O problema viria depois que toda adrenalina descarregada no organismo perdesse o efeito. Pronto-Socorro na certa.
-Ahhhh... Ahn... Com força!...
-Vou meter... Ugh! com tanta força que... você vai... desmaiar!... Ahh...
O loiro nem percebia mais o que acontecia a sua volta. Há muito deixara de emitir gemidos baixos e ôfegos contidos. Estava aos berros pedindo por mais. A garganta ainda tinha forças para suportar o que estava por vir. Os membros formigavam a cada investida funda em seu interior, a próstata foi alcançada e, depois disso, os gritos ecoavam livremente pelo prédio.
O SEAL segurava as coxas de Daniel contra seus quadris. Teria fortes dores na pélvis por bater contra as nádegas do loiro com tanta força e tantas vezes consecutivas. Não conseguia entender. Nunca se descontrolava durante o sexo. Jamais encontrou alguém que o fizesse ferver e perder o senso daquele jeito. Não era mais um adolescente para ter esse tipo de comportamento tão ávido.
Daniel sentia as estocadas o alcançarem tão fundo que tinha receio de romper algum tecido. Ao mesmo tempo se sentia tão excitado que não se importava mais. Suas pernas foram soltas e seu interior ficou vazio por um instante. O parceiro deixou de segurar as coxas para colocá-las sobre os ombros e o segurar pelo quadril.
-Nem pense em parar, cretino! Ahh!
Mal concluiu a frase e sentiu o corpo ser invadido novamente. Seus dedos estavam pálidos pela força empregada ao se segurar nas bordas da mesa. Sabia que duraria muito e soltou uma das mãos para se tocar. O moreno estapeou essa mão, puxou novamente as pernas dele ao encontro de sua cintura e o fez cruzar as pernas em suas costas. Puxou Danny pelos braços até estar quase sentado, enquanto prendia as mãos dele contra a mesa.
-Vai gozar apenas com o que estou fazendo no seu traseiro.
O homem não tinha mais forças para conter o orgasmo iminente. O prazer veio a tona pela penetração. Curvou as costas num arco enquanto gritava palavras desconexas com a voz enrouquecida. Sua semente jorrou com abundância e sujou os abdomens de ambos. A cabeça pendia para trás enquanto ele tentava normalizar o funcionamento de seu corpo com os olhos fechados.
McGarret não resistiu às contrações do interior do parceiro e gozou pouco depois que o primeiro alcançou o ápice. Os braços fraquejaram e ele precisou soltar as mãos de Danny para se apoiar na mesa. Sentiu as pernas dele escorregarem soltas até penderem da mesa. O corpo tombou sobre a mesa quando as mãos foram soltas. Ele parecia estar arrebatado pelo êxtase que o acometera.
O militar se retirou do interior de Danny e se desfez adequadamente do preservativo no lixo. Apenas conseguiu subir a calça e a peça íntima. Jogou-se na mesa ao lado do parceiro desacordado. Um torpor o deixou meio aéreo por um tempo. Um sorriso involuntário brotou em seus lábios. Estava satisfeito.
(*)
Kono almoçou na companhia de Adam e precisou sair às pressas. Ainda não tinha visto Daniel desde que ele fora resgatado. Sabia que ele precisava conversar primeiramente com Steve e depois poderia atender aos outros colegas preocupados. O namorado da moça tentou dissuadi-la da ideia, mas não conseguiu.
A policial parou o carro na frente do prédio que abrigava a sede do Five-0 e desceu animada e aliviada por ter o loiro novamente na equipe. Abriu a porta silenciosamente na intenção de fazer uma surpresa, mas ela é quem foi surpreendida quando se aproximou do espaço central onde ficava a mesa touch. Ficou escondida atrás de uma das portas.
Só podia ser uma brincadeira, não?! Seu chefe e colega de trabalho estavam numa cena aparentemente íntima demais e bem suspeita. Aqueles gemidos não podiam significar outra coisa. Era óbvio que eles estavam fazendo sexo. A ideia era insana e ao mesmo tempo excitante. Ela nunca pensou que um dia assistiria de camarote dois homens nessa situação.
Depois do ato consumado, Danny estava deitado na mesa touch e não vestia absolutamente nada. O corpo dele estava marcado com mordidas e chupões até nas coxas. Ele parecia exausto e sem forças para levantar da mesa.
O chefe estava com as calças abertas e suando como se tivesse feito um grande esforço há pouco tempo, a camisa aberta mostrando alguns chupões, mordidas e marcas de unhas. Ele ajudou o detetive a se vestir e a descer da mesa. De repente os dois começaram a discutir e ela finalmente começou a entender.
-Precisamos de um banho com urgência. Quer que eu te leve pra casa?
-Não. Você já teve o que queria. Agora pode me deixar em paz.
-Como é?! Você chega aqui todo carente, me beija abraça e pede pra transar comigo. Depois fica agindo como uma donzela desvirtuada e me culpa pelo que aconteceu?!
-Eu acabei de passar por um trauma. E precisava me sentir seguro.
-Precisava se sentir seguro? Eu vou te falar o que está precisando ouvir faz tempo. Desde Vegas você coloca a culpa em mim. Eu não transei sozinho nenhuma vez. Foi mútuo.
-Eu...
-Você esteve lá o tempo todo com as pernas abertas pra mim. Agora, repete o episódio e vem me falar de trauma! Segurança? Você não queria segurança, queria ser fodido. Eu atendi.
-A culpa é minha então?! Você viaja para o Caribe pra encontrar sua noiva e me larga aqui sozinho.
-Pare de agir como se eu tivesse te abandonado. Desde que voltamos de Las Vegas você está me evitando. Eu fui me desculpar com a Lori pelo que aconteceu e quando voltei você ficou se comportando feito criança.
-Você ficou três dias se desculpando com ela! Estavam fazendo era outra coisa! Pensa que não vi as fotos do casal feliz na praia, dormindo junto!
-Eu achei que você queria ficar sozinho para colocar a cabeça em ordem e aproveitei que ia falar com ela para repeitar seu espaço. Porque, ao contrário de você, eu não tenho dúvidas do que estou sentindo.
-Você não passa de um insensível. Um soldadinho de chumbo sem coração. Bruto e arrogante!
Steve não se deu conta do que aconteceu. Seu punho fechado havia disparado ao encontro do rosto do companheiro. Um silêncio mortal se instalou no recinto. Os dois homens se encararam com descrença. Não podiam ter feito escolha mais errada para resolver seus assuntos. O SEAL simplesmente deixou o prédio no mesmo instante e não olhou para trás.
Kono não via mais motivo para ficar escondida. Saiu do esconderijo e correu para Danny. Avaliou o estrago e suspirou aliviada, era apenas um corte no lábio. Procurou pelo kit de primeiros socorros que tinha nas salas e passou um spray antisséptico no ferimento do loiro.
-Eu demorei pra entender o que estava havendo entre vocês. No começo pensei que estivessem brigando pela Lori. Mas aí voltaram estranhos da despedida de solteiro em Vegas.
-Ele só estava querendo se divertir. Percebeu que não amava Lori e não tinha que se casar com ela. Eu apenas fui um instrumento de distração pra ele.
-Não. Você é só um idiota que não se esforça para entender as coisas. Você se apaixonou e tem medo de se machucar novamente. Steve é um homem honrado, ele gosta muito de você e não deixaria nenhum mal te acontecer.
-Ele só estava confuso quando se envolveu comigo.
-Pare de criar obstáculos! Ele desistiu de um casamento porque descobriu que estava apaixonado por você. Ele passou esse tempo todo tentando declarar esses sentimentos por você. Enquanto você dava chiliques e fazia cu doce.
-Kono, você não entende...
-Eu entendo perfeitamente. Você apenas acusou o Steve de te usar. Ele foi sincero o tempo todo. Você ficou bancando a vítima e ele perdeu a paciência. Eu vi o que aconteceu entre vocês aqui. Você parecia tão entregue ao momento.
-Você não viu o que aconteceu em Vegas!
-Está na hora de parar com essa mania de culpar as outras pessoas pelas suas decisões erradas, assumir o que você realmente quer. Está na hora de agir como homem. Steve não vai te esperar pra sempre.
Até a moça tinha perdido a paciência e deu um chega pra lá no colega chato. Estava cansada ver aquela novela se desenrolar tão devagar e presenciar os dramas diários do detetive loiro. Até Grace percebeu o que estava rolando entre os dois e confessou, secretamente, a tia Kono que estava torcendo pra eles serem um casal.
No dia seguinte todos chegaram cedo à sede, menos Daniel. Quando Kono perguntou por ele, Chin foi o único que respondeu. Ela pensou que Steve falaria alguma coisa, qualquer coisa sobre o sequestro ou a discussão. Mesmo que não falasse os detalhes que ela já sabia. Mas ele apenas abriu a garrafinha de água que estava em sua mão.
-Ele me ligou quando eu estava saindo de casa. Disse que estava indisposto, dor no corpo ou qualquer coisa parecida.
-Ah, ele deve estar com problemas pra sentar. Depois de ontem...
Quando a moça percebeu o que tinha falado, repreendeu-se internamente. Ela não podia dar mostras de que sabia sobre o relacionamento estranho que eles tinham. Porém um silêncio mortal pairou na sala depois de seu comentário. Steve engasgou com a água e correu para a própria sala.
Chin estranhou o comentário esquisito da prima, mas não se manifestou. Porém ficou com a pulga atrás da orelha depois que Steve engasgou como se tivesse culpa no cartório. Infelizmente, mesmo com sua natureza pacífica e controlada, a curiosidade falou mais alto.
Começou a juntar os fatos estranhos que aconteceram envolvendo Steve e Danny. A recaída do detetive que ocasionou um breve envolvimento com a ex-mulher e a possibilidade de ser pai novamente quando Rachel ficou grávida; a decepção ao descobrir que a criança era de Stan.
O tenente Kelly não gostava de desconfiar, mas notou a aproximação dos dois colegas no 5-0. Danny morando com Steve deixou essa aproximação ainda mais íntima. No entanto, ele não desconfiaria dos dois homens. Steve tinha Catherine e Danno, qualquer coisa com Gaby, a mulher que trabalhava no museu. Até aí não parecia haver indícios de algum interesse entre os dois.
O relacionamento com Gaby não andava e Chin percebeu que o loiro não estava realmente interessado na mulher. Então surgiu Lori. Bonita, loira e inteligente. Steve e Danny pareciam disputar a atenção da novata o tempo todo. O prêmio foi para o SEAL e eles começaram a namorar. Cath estava longe e não se importou.
O único que demonstrou ciúmes foi o detetive Williams. Até mesmo Malia foi capaz de notar e comentou com o marido sobre o comportamento de Danny. "Parece que ele não quer dividir Steve com ninguém." Na época, Chin achou graça do comentário da amada, mas não fez caso disso.
Ainda tinha alguma coisa sobre a despedida de solteiro de Steve em Las Vegas que ele não sabia. Ou sabia e não quis acreditar. O DVD do casamento de Steve e Daniel ainda estava guardado com ele. Em um cofre junto com a hipoteca de sua casa. Ele não teve coragem de entregar. Os colegas estavam bêbados quando aconteceu e ainda teve toda a confusão de Steve abandonar Lori no dia do casamento.
Chin pensou que, se mostrasse o DVD, as pessoas associariam o casamento em Vegas como motivo para Steve não se casar com a oficial Weston. Será que isso não era o motivo real? Então ele se lembrou de quando acompanhou Joe White até o Cesar's Palace para buscar Steve e acabou descobrindo que Danny estava com ele na suíte. E mais, ambos carregavam indícios de que estavam envolvidos em atividade sexual intensa. No momento, sua mente apenas registrou isso e acreditou que houve mulheres.
No hotel, Joe deu uma gorjeta gorda para uma camareira e ela contou que as mulheres ficaram apenas a primeira noite e que os dois homens hospedados não saíram do quarto durante toda a estadia. Se eles não saíram do quarto e as mulheres só ficaram por uma noite, o tenente Kelly tinha até receio de fazer a próxima pergunta.
Depois de todas essas constatações e possíveis descobertas estarrecedoras, ele teve uma dor de cabeça daquelas e foi almoçar em casa mais cedo. Precisava discutir com a esposa essas conclusões comprometedoras que havia tirado.
Durante a refeição, ele expôs todos os pensamentos e divagações que tivera a manhã toda. Malia tinha os olhos brilhantes e sorria em expectativa. Ele ficou assustado com a reação da esposa. Só podia ser coisa de mulher.
-Chin, seus amigos estão apaixonados!
-Não. Isso é impossível.
-Eu nem vi tudo isso e tenho certeza. Você convive com os dois e nem percebeu. Presta atenção nas ações, nos olhares e nas poucas palavras que eles trocam apenas entre eles. Vai perceber que essas coisas entre eles mostram mais carinho que o que eles fazem com outras pessoas.
-Não, eles sempre se comportaram assim. Todo mundo os trata como um casal porque se comportam assim. Mas não há nada entre eles.
-Depois do DVD e do que você presenciou no hotel, ainda tem dúvidas? Eles estavam bêbados, mas ninguém se casa sem ter vontade, mesmo bêbado.
Nesse ponto, ele não tinha mais argumentos para prolongar o assunto. Apenas era estranho pensar em seu chefe tendo um relacionamento amoroso com o amigo. Ao mesmo tempo parecia tão natural. Ele estava confuso. Será que Kono suspeitava de algo?
(*)
Daniel deixou a sede após o sermão de Kono. Não quis aceitar a carona que ela ofereceu, não depois de ouvir as piadas que ela fez sobre seu estado dolorido e impossibilitado de sentar. Seu rosto queimava de vergonha. Ele foi visto transando com o chefe sobre a mesa de trabalho! Eles estavam realizando alguma fantasia sexual. Nem imaginava que Steve tinha fetiches com aquela mesa.
Só esperava que Kono fosse discreta e não comentasse com ninguém sobre o que tinha visto. Pensou que ela ficaria confusa, mas ela parecia bem à vontade com tudo isso e até falou como se soubesse de tudo.
Voltar pra casa dirigindo foi um suplício. Não conseguia sentar corretamente no banco e não podia colocar o cinto de segurança. Resultado: um guarda parou o Camaro e lhe passou uma multa por dirigir sem o cinto. Ainda bem que não demorou muito para chegar em casa.
Quando parou o carro, lembrou-se que estava hospedado na casa do SEAL e não sabia o que fazer. A caminhonete de Steve não estava lá, então ele não tinha chegado ainda. Danny entrou na casa e correu para o banheiro. Precisava de um banho. A água morna relaxou seus músculos tensos e o acalmou. Sentiu algo pegajoso escorrer por sua perna e viu horrorizado o rastro de sêmen e sangue que seguia por sua coxa até o chão.
Ele tinha certeza que Steve usara camisinha! O sangue ele entendia, foi invadido com força e acabou machucado, mas sêmen?! Oh, por todos os abacaxis da ilha! O preservativo tinha estourado. Por sorte eles estavam limpos, os exames que fizeram com a doutora pervertida deram negativos. Se ele fosse uma mulher, estaria surtando pela possibilidade de engravidar.
As semanas que se passaram depois desses acontecimentos foram um tanto conturbadas. Tudo aconteceu depressa. Jenna retornou e contou a Steve que havia encontrado o noivo e precisava da ajuda do SEAL para o resgate. No fim, tudo acabou resultando no sequestro de Steve. Jenna o atraiu para uma armadilha de Wo Fat.
Joe juntou uma equipe para salvar Steve antes que este fosse morto pelo seu maior inimigo. Durante a operação, Danny ficou bastante apreensivo com a possibilidade de não encontrar o chefe vivo. Passou o tempo todo amargando um arrependimento por não assumir seus sentimentos em relação ao militar.
Kono percebeu a inquietação do colega loiro, mas manteve-se afastada. Não se envolveria mais do que já estava nesse caso dos dois. Embora estivesse se divertindo com o desencontro dele.
Antes de Jenna aparecer, Danny pediu a policial que guardasse sua aliança do casamento em Vegas. Para não levantar suspeitas, ele ficou com a aliança de Steve, seu nome estava gravado nela. As alianças foram trocadas antes de retornarem ao Hawaii. Como nenhum dos dois estava usando, Steve não percebeu a troca.
Por mais discreto que Daniel tentou ser, não contava com Steve fazendo o mesmo. No fim, Kono estava em posse das duas alianças e simplesmente juntou os fatos. As alianças tinham os nomes de Steve e Danny respectivamente gravados e a mesma data de casamento. Simples, ele haviam se casado durante a despedida de solteiro em Las Vegas. Mas ela tinha certeza que não foi esse o motivo que impediu Steve de chegar a tempo de casar-se com Lori Weston.
Depois de resgatar o SEAL vivo, Daniel pensou em conversar com ele sobre seus atos deploráveis após a última vez que estiveram juntos. Infelizmente aconteceu mais uma, Steve reencontrou a mãe que acreditava estar morta. Foi uma surpresa e um susto um tanto desagradável. O Comandante não parecia estar confortável com a presença da mãe.
Doris McGarrett não era exatamente uma mulher comum e Danno chegou a conclusão de que realmente a maçã não cai muito longe da árvore. Steve era idêntico a mãe. O detetive sabia que não era normal agir feito Steve. Essa loucura dele era hereditária. Com a mãe por perto, ficou difícil para os dois homens se acertarem.
Kono se viu obrigada a pedir ajuda pra a macaquinha de Danno. Caso contrário não aconteceria nada entre os dois cabeças-duras. Ela só não pôde detalhar o que estava acontecendo entre o pai da menina e o tio Steve. Pobre Kono. Descobriu tarde que estava equivocada.
-Tio Steve e o papai estão brigados, tia Kono?
-Acho que sim, princesa.
-Papai gosta muito do tio Steve e tio Steve gosta muito de papai também.
-É, parece que você está certa sobre isso.
-Eles parecem namorados.
-Hã?!
-Eu sei que papai ficou com ciúmes da moça loira e bonita que ia casar com tio Steve. Ele disse que ela era oferecida.
-Oh, ficou mesmo?
-Antes dela chegar, tio Steve só andava com o papai. Eles viviam rindo e faziam tudo juntos. Mesmo quando a moça da Marinha estava por perto.
Era melhor ter ficado calada. A oficial Kalakaua estava chocada com as revelações da garotinha. Pelo jeito Grace notou o envolvimento do pai com Steve antes deles mesmos perceberem. Talvez ela fosse realmente de grande ajuda. Embora houvesse a mãe de Steve no meio de tudo.
A primeira aproximação entre o casal se deu quando Doris chegou a casa de Steve. Alguns policiais foram designados para proteger a ex-agente da CIA, mas o filho dele queria alguém de sua confiança por perto. Devido a um chamado, ele não poderia ficar com a mãe e pediu que Danny fizesse esse favor.
-Danno, eu sei que temos nossas diferenças, mas você é a pessoa a quem eu confiaria minha vida. Pode cuidar da minha mãe por mim?
Steve se repreendeu internamente. Ele não planejava usar o apelido carinhoso naquele momento, infelizmente havia escapado pelo hábito. Torcia para que Danny não estivesse notado esse seu deslize.
-É claro que posso fazer isso.
-Wo Fat está à solta e certamente virá atrás dela. Eu só queria trabalhar em paz, sabendo que ela está segura com você.
-Eu cuidarei dela como se fosse minha mãe.
-Como?
-Quero dizer, cuidarei dela como se fosse da família. Oh, droga! Esquece o que eu disse!
Steve tentou conter um sorrisinho de satisfação pelo estado confuso e embaraçoso do parceiro. Ele estava afim, só não tinha coragem para admitir e o militar não iria pressionar para obter resultados rápidos. Infelizmente ele não podia fazer mais nada, não iria rastejar pela atenção de Danny, ainda tinha seu orgulho e não se desfaria dele.
Doris estava explorando a casa. Há muito tempo não entrava ali. Percebeu que o filho morava sozinho. Sem indícios de mulheres. Exceto algumas camisas diferentes no armário do filho. Ela tinha certeza que não era dele. A numeração era menor, assim como os sapatos que encontrou na lavanderia. Desconfiou do detetive loiro. Ele se comportava como se estivesse familiarizado com a casa.
-Williams, certo?
-Sim, Detetive Danny Williams. Mas pode me chamar de Danny.
-Está tentando criar um vínculo?
-Não, senhora. Apenas quis...
-Percebi que meu filho te chama de Danno e não Danny. Isso me parece tão íntimo.
-Não temos intimidade alguma.
-Claro, porque deixar suas roupas intimas no armário de Steve não é nada íntimo.
-Deve ser apenas impressão. São cuecas dele.
-Espero que tenha sido impressão minha, mas aquelas cuecas estendidas na lavanderia não servem no Steve. Em você, eu acredito que sirva.
O loiro mordeu a língua diante da perspicácia da senhora McGarrett. "Devia imaginar que, sendo mãe dele, iria implicar comigo. Coisa de McGarrett's." Ele preferiu se calar e deixou a mulher sozinha na cozinha com a desculpa de ir ao banheiro.
Para Steve, as coisas estavam ficando cada vez mais complicadas. Tanto tempo acreditando que sua mãe estava morta por vinte anos e, de repente, Doris McGarrett está viva. Pior, ela é Shelburne. O nome misterioso que ele nunca conseguiu associar a algo ou alguém. Nas bastasse isso, seu pai morreu acreditando na morte da esposa e que era o culpado pelo acidente que a matou.
O SEAL suspirou pesadamente e tentou se concentrar no caso que estavam resolvendo, mas a história da mãe não lhe deixava em paz e ainda tinha o risco de Wo Fat encontrá-la. O chinês passou tanto tempo procurando por Shelburne e finalmente consegue seu intento. Shelburne veio até ele.
Kono também estava preocupada com o chefe. Ele tinha passado por tantos problemas e não parecia se abalar. Mas ela sabia que aquilo tudo era apenas a casca, ele não se permitia demonstrar o quanto os últimos acontecimentos o afetavam. O sumiço de Catherine, o fiasco com Lori, o sequestro por Wo Fat, o envolvimento polêmico com Danny e a rejeição e, por fim, o aparecimento da mãe que ele julgava morta há tantos anos.
-Hey, chefe...
-Kono.
-Acho que deveria ir pra casa. Chin e eu damos conta desse caso. Charlie e Max estão investigando os últimos detalhes e o caso estará concluído.
-Obrigado. Mas eu preciso colocar a cabeça em ordem e minha casa não é exatamente o lugar que preciso agora. Mas agradeço sua preocupação.
Poucos minutos depois foram avisados que alguém tinha invadido a casa de McGarrett. Chin, Kono e Steve correram pra lá e confirmaram o inevitável. Wo Fat finalmente aparecera e confrontara Doris. No entanto, quando chegaram ao piso superior, a mulher estava acompanhada apenas por Daniel, o invasor já havia partido e não causou qualquer dano.
Doris não podia ficar exposta, precisava de proteção. Foi providenciada a saída da ex-CIA da ilha havaiana e ela seria encaminhada a proteção correta. Finalmente Steve e Danny puderam respirar aliviados, nunca precisaram lidar com uma mulher madura o suficiente para ser mãe de ambos e experiente o suficiente para fazer um SEAL e um detetive de bobos com toda habilidade de agente da CIA.
Naquele momento, apenas os dois homens estavam ocupando a casa. Daniel assistia TV na sala e Steve, que tinha acabado de sair do seu banho de três minutos, desceu até a sala. Sua presença foi solenemente ignorada.
-Vai continuar me ignorando?
Danny não se dignou a responder. Tinha medo de abrir a boca e falar o que não devia para o Comandante.
(*)
Já havia se passado pouco mais de um mês desde a última briga deles que culminou em um flagra de Kono. Danny saiu da casa do chefe e se hospedou num hotel próximo até encontrar um lugar para morar. Ele não sabia se era efeito psicológico, mas nos últimos dias seu organismo estava estranho. Dores de cabeça, enjoos matinais e fraqueza. Acreditava que era a resposta de seu corpo a tanta tensão passada no último mês.
Naquela manhã, ele tomou o desjejum e se preparou para ir a sede quando uma tontura violenta o obrigou a voltar para o sofá enquanto caminhava até a porta. Sentia que iria desmaiar e entrou em pânico. Será que estava morrendo? Estava sozinho no momento e nem conseguia se mover para alcançar o telefone e pedir ajuda.
Tão rápido como veio, o mal-estar passou. Ele seguiu para o trabalho e até se esqueceu desse pequeno evento. Durante o dia todo sentia seu estômago embrulhar a menção de algumas comidas e ao sentir algum cheiro. Reclamou do perfume de Kono e do almoço de Steve. Ambos lhe causavam enjoos.
O dia passou voando e logo o detetive pôde voltar para o hotel e descansar em paz. Sem cheiros lhe enjoando ou comidas causando asco. Dormiu por algumas horas e acordou a tempo para o jantar. Assim que voltou ao quarto, precisou correr para o banheiro. Vomitou a refeição e passou o resto da noite abraçado ao vaso sanitário.
Tomou um remédio para cortar as ânsias de vômito e um analgésico para a dor de cabeça. Conseguiu dormir quando já estava quase amanhecendo. Foi despertado pelo celular. Era Kono lhe avisando que estava atrasado. Quando sentou na cama para calçar os chinelos, uma vertigem o acometeu e precisou deitar novamente até a sensação ruim passar. Tentou comer alguma coisa antes de sair, mas o cheiro da comida lhe dava náuseas.
Chin se assustou ao ver o colega chegar quase se arrastando no prédio. Ele estava literalmente verde e parecia que ia vomitar a qualquer momento. Quando Kono veio cumprimentar, ele não teve tempo nem de responder. Correu para o banheiro e colocou para fora o pouco de suco que conseguira ingerir no caminho.
-Uau! Eu nem estou usando perfume hoje!
Danny apenas ouviu a voz da colega do lado de fora do banheiro. Isso não era normal. Será que estava doente? Logo quando Rachel tinha planos de se mudar novamente e levar Grace para longe dele. Não podia comparecer a um tribunal para a audiência naquele estado. Se procurasse um médico, seria afastado do trabalho e a ex-esposa usaria isso contra ele, como se ele fosse incapaz de cuidar de si mesmo.
Passou o resto do mês vomitando tudo o que colocava no estômago e enjoando com qualquer imagem mais pesada em alguma cena de crime. Em uma investigação, ele deixou o governador falando sozinho porque não aguentou o perfume forte que o homem usava. Durante um interrogatório, vomitou no suspeito e deixou Steve nervoso. A pessoa em questão era amiga de Denning.
Em alguns finais de semanas com Grace, passou o dia trancado no quarto aos cuidados da garota. A filha tinha medo de contar a alguém e não deixarem o pai ficar com ela durante as poucas visitas que tinha direito. Ela não sabia o que fazia. Ficava assustada com a frequência que seu Danno vomitava e desmaiava.
Chegou um fatídico sábado em que as coisas ficaram bem ruins. Steve tinha dispensado Danny naquela semana para descansar. Como o detetive disfarçava os sintomas, o SEAL acreditou que era apenas fadiga. Ele não conseguia comer e mal saía da cama.
Grace se compadecia do pai que emagrecia e parecia tão abatido sobre a cama. Naquele dia, a mãe a levou até a porta do quarto. A menina temeu que a mãe entrasse e descobrisse que Danny não tinha condições de cuidar da filha naqueles dias. Felizmente para a sorte da garota, Rachel se despediu na porta.
A pequena entrou no quarto e notou que o pai estava sentado sobre a cama bebendo refrigerante. Mal chegou a metade da lata e despejou no banheiro o que tinha ingerido da bebida. A filha percebeu que ele não tinha conseguido se alimentar e pediu uma sopa leve. Não teve sucesso. Por fim, ele desmaiou e Grace ficou preocupada porque o tempo passava e ele não voltava a consciência. Ligou para Kono e pediu ajuda.
A policial ficou assustada com a ligação da filha de Danny durante a madrugada e atendeu a chamada. Entendendo a gravidade da situação, correu ao encontro do amigo. Adam, que estava na cama com ela, se levantou e foi junto. Chegaram ao hotel e encontraram Grace na porta do quarto. Após algumas manobras, o detetive voltou do desmaio e se recusava a ir a pronto-socorro. Ninguém conseguiu convencê-lo. Restou a filha uma única opção.
-Alô? Grace? O que...
-Tio Steve?! Preciso da sua ajuda.
