Meia-noite. Corujal. A respiração de Ana estava ofegante. Depois de perseguir George e Lino a todo vapor pelo castelo todo, os dois se meteram entre as corujas. Já estava tarde e eles corriam o risco de serem pegos, mas os rapazes não pareciam ligar. Apenas continuaram agitando a varinha dela diante de seus olhos, se divertindo com as vãs tentativas da garota de pegar o objeto de volta.

Quando a porta do Corujal tornou a se abrir, Ana prendeu a respiração e se escondeu nas sombras. A lua estava cheia, iluminando bem o local. O lado bom era que por isso também projetava largas sombras em alguns pontos do lugar. De repente, algo rolou até seus pés. Ela baixou o olhar. Era sua varinha. Então George e Lino tinham ido embora e largado ela ali simplesmente? Não, talvez eles continuassem lá, só tivessem soltado o objeto.

- George…? Lino…? – ela tinha a voz saindo em um sussurro.

Uma outra voz, diferente das esperadas, soou próxima à morena.

- Ana…? – era Fred e ele parecia bem surpreso com a presença dela.

- Ah, ótimo. – foi tudo que ela conseguiu dizer, entre os dentes.

- O que você está fazendo aqui…? – o ruivo estava confuso.

- Eu devia perguntar o mesmo a você, Frederick Weasley, o cara mais idiota possível nesse mundo. – ela tinha um tom frio.

- Hei, hei. O que eu fiz agora? – ele pareceu se ofender e deu um passo a frente, como Ana conseguiu perceber ao vê-lo surgir sob a luz da lua.

Ela sentiu a respiração falhar por um breve instante.

- Simples. Você conseguiu ser tremendamente estúpido. – ela logo recuperou o tom frio de antes.

Sem hesitar, ela também deu um passo à frente, agora com a varinha em mãos. Fred apenas a observou se aproximar, sorrindo de canto. Nunca a tinha visto sob a luz da lua, desejando que ela não estivesse tão brava naquele momento. O luar lhe conferia um brilho tão bonito e diferente…

- Pare de sorrir feito um idiota. – ela revirou os olhos e cruzou o braço diante do corpo.

Fred chacoalhou a cabeça e tornou a olhar para a garota.

- Por que está tão brava comigo? – ele franziu o cenho.

- "Jantar" significa alguma coisa para você?

- Só por que não fui muito amigável com o tal do Boulevard? – o ruivo pareceu se indignar.

- "Só" por isso? Tem noção de que está manchando o nome da casa? Da casa à qual eu também pertenço? – foi a vez de Ana se indignar – Ou será que aquilo foi mais um ataque seu de sei lá eu o que? Eu poderia dizer ciúme, mas você não tem nada de que sentir ciúme.

Os dois sussurravam, mas era possível perceber a raiva na voz de Ana, depois também na de Fred, como se eles estivessem falando normalmente.

- Ah, me desculpe, madame Perfeita. Acontece que um Frederick já está de bom tamanho na nossa turma!

- Madame Perfeita?! Você me chamou de Madame Perfeita?! Escute aqui, Frederick Weasley, não é só porque eu gosto – ela fez questão de reforçar o verbo ao falar – de ser uma boa aluna que você pode me chamar como quiser!

- Se fosse mesmo uma boa aluna, não estaria no Corujal a essa hora da noite!

- Só estou aqui porque o idiota do seu irmão e o imbecil do Lino roubaram minha varinha e fizeram questão de devolver só depois de chegarmos aqui!

Fred se incomodou mais com a forma como ela tinha chamado seu irmão e Lino.

- Uma coisa é você estar com raiva de mim! Não meta George e Lino nessa história assim! – ele os conhecia tinha mais tempo do que a ela… Então por que ele sentia como se não se importasse tanto com os amigos quanto queria mostrar?

- Por que? Vai ter outro ataque infantil? – Ana estava gostando de provocá-lo.

- Cansei. Se você não liga de ter outro Frederick ao seu lado, então que fique com ele. Eu vou começar a andar com outras pessoas.

Ana pareceu se incomodar com o comentário.

- Você é mesmo um idiota…


George e Lino ainda estavam no Corujal quando Ana e Fred começaram a discutir. E continuaram durante todo o tempo. Queriam saber como as coisas terminariam, apesar de o resultado ter se tornado óbvio. Fred tinha conseguido ferir a garota de forma (provavelmente) irreparável. O plano de George tinha dado errado.


- Pare de me chamar assim, Ana. – Fred tinha um tom frio.

- Vai embora de uma vez. – Ana o fuzilou com o olhar.

- Ou então o que? – ele parecia desafiá-la.

- Ou então eu juro que vou fazer você se arrepender de cada segundo que passou aqui comigo. – ela falava entre os dentes.

Fred jurou ter visto uma lágrima escorrer pelo rosto da garota.

- Ana, me escute. Eu sei que você está extremamente irritada comigo, mas me escute. – ele deu mais um passo na direção da garota, que automaticamente recuou e se escondeu nas sombras – Ana, por favor…!

Ela não respondeu. Pouco depois, o som da porta se abrindo e fechando pode ser ouvido. Fred suspirou. Mais uma vez, tinha conseguido feri-la da pior forma possível. E naquela vez, podia ser algo irreparável. Com um ar triste e derrotado, Fred se apoiou no beiral da janela do Corujal e ficou vendo a lua. Estava cheia e alta no céu. Seria uma cena linda, mas só se ele não tivesse acabado de brigar com uma das pessoas mais importantes em sua vida.

George logo saiu de onde estava, indo até o irmão. Calmamente colocou uma mão em seu ombro e ficou ao seu lado, olhando para a lua também. Não era preciso dizer nada. Fred sabia que, se George estava ali, ele tinha estado desde o começo. George, por sua vez, sabia que se tentasse conversar com o irmão, tudo o que conseguiria seria fazê-lo pôr para fora tudo que estava segurando dentro de si. As lágrimas.