Capítulo 11: Três visões diferentes
- Sr. Wayne. Sei que vai parecer deselegância da minha parte, mas acha mesmo que é uma boa ideia fazer parte disso? – Perguntou Alfred enquanto colocava o jornal na mesa de centro.
- Sim, Alfred. Não posso me dar ao luxo de deixar Gotham numa hora dessas. – Afirmou Bruce de modo decidido.
- Mas o senhor já havia deixado a cidade algumas vezes. Por que não agora? – Isso fez Bruce pensar quantos criminosos, maníacos e insanos estavam rondando e destruindo Gotham enquanto deu importância a outras coisas. O que era errado e simplesmente imperdoável para alguém que a não muito tempo atrás, tinha isso como primeira e única prioridade.
- Então acho que irei mesmo para me punir desse descuido. – Sorriu Bruce, de modo educado. Estavam descendo para o subterrâneo. Era vez de Batman interromper tudo aquilo. Sabia que Coringa não iria de mãos abanando. Porque Coringa sabia que só ao fato de se expor a todos em Gotham, faria dezenas de guardas tentarem pegá-lo. Além dos milhares que tentarão fazer a justiça com as próprias mãos pelos mais de milhares crimes cometidos pelo palhaço. Era de fato, atordoador pensar no que poderia acontecer à Gotham esta noite. Mas ele não deveria pensar no que acontecerá depois, e sim, no que deve fazer agora.
Ele teria de criar coragem o suficiente para enfrentar aqueles que não entenderam suas ações. Mas as pessoas de Gotham já entenderam o suficiente para crer que Batman não era um herói. Não era alguém que salvaria todos, que faria o sol nascer novamente e que todas as famílias felizes ficarem salvas. Não era bem assim. Gotham não merecia um herói. Gotham merecia apenas alguém que cuidasse para que ela não desmoronasse. Não precisava de alguém para segurá-la e mantê-la. Só alguém que a observasse e em silêncio, não permitisse que ela caísse.
. . .
O salto da bota preta em couro fazia barulho sobre o telhado velho das casas. E enquanto ela caminhava de modo rápido como um gato, se esguiando e com uma elasticidade incrível, exibia elegância e prática em tudo aquilo que fazia. Não era toda mulher que pulava de lugar em lugar sem tropeçar no salto. Estava anoitecendo aos poucos, e era hora dos gatos fazerem a festa. Por hoje, teria de ajudar o morcego a evitar o caos em Gotham. É claro, recebendo uma pequena recompensa pessoal. O que ela ainda não mencionou... Mas pretende.
Selina sabia que alguma coisa havia com Arkham. Estavam reforçando os sistemas de segurança e evitando qualquer exposição na mídia sobre os prisioneiros que lá residiam tímidos e quietos, esperando que alguma hora, os portões se abrissem. Parecia que estavam esperando por algum salvador que alguma hora, iria fazer os insanos e loucos voltarem a ver a luz do sol ou somente os dias nublados de Gotham. Depois da entrada e saída de Coringa num único dia, estão querendo ficar por baixo dos panos. É claro, não querem expor na mídia a péssima segurança tecnológica deles. Estavam redobrando apenas a segurança com guardas grandes e altos, daqueles que só malharam pra estar ali. Arkham poderia ser o lugar de Selina. Mas gatos se dão muito bem em jaulas para isso. Nunca conseguiram pegá-la e prendê-la naquele lugar imundo. O que era um talento, afinal, não iria perdoar si mesma se tivesse que deixar de se divertir nas noites de Gotham para ficar recebendo uma dúzia de analgésicos e dopantes, sem contar nas várias pílulas no qual é obrigado a tomar sem nem mesmo para quê serve.
Ela se dirigia com rapidez para o centro de Gotham, onde havia várias pessoas caminhando e reclamando para policiais, sentindo-se inseguras de ficarem em suas próprias casas. Os policias por sua vez, só mandam os moradores voltarem á suas casas, afinal, se não se sentem seguros em suas casas, se sentirão muito menos ficando no centro de Gotham onde Coringa pelas cartas avisou que estaria dando seu showzinho. Era difícil de aqueles moradores compreenderem que apenas desejarem segurança não era o suficiente.
Selina achava aquilo divertido até certo ponto. Ela não tem certeza se o Batman pode dar conta do recado. E ela mesmo que tente mostrar que Bruce é o novato, certa insegurança vem a nascer em seus pensamentos. "Como vai ficar a imagem dele pra essas pessoas, se resolver tentar proteger Coringa?" Era uma pergunta sem resposta, que nem mesmo ela tinha certeza se era verdade. Ela ainda não estava a par do que Bruce viria tentar a fazer esta noite. Sabia que ele iria tentar proteger Coringa, o que era um tanto confuso para ela. Não era ele que estava chantageando-o? Mas uma vez que fizesse isso, Gotham não confiaria mais em Batman. Mesmo que tentem perseguir Batman como um foragido que tenta fazer as justiça com as próprias mãos, todos os moradores com um pingo de sanidade – se é que se pode encontrar algum – sabem que precisam do Batman se não quiserem que os assaltos, o tráfico e a máfia dominem Gotham. A moça já conseguira ultrapassar as casas, observara de longe por cima de um prédio, equilibrando-se bem na ponta o alvoroço daquelas pessoas procurando por resposta e várias viaturas de Arkham tornando-o o lugar uma completa bagunça.
- É sua deixa, morcego. Apareça. – A voz da moça saiu baixa como se fosse um pedido pra onde quer que ele esteja. Recuou um pouco mais para que não fosse vista. Estava camuflada pela escuridão da noite caíra em Gotham rápido, deixando-o que fosse diferenciada somente pelo brilho da lua que se espelhava na sua roupa preta. Mais viaturas, agora do Departamento de Polícia, chegavam. Num impulso, pulou do prédio e sem medo, caía rápido. Ela confiava no que sabia fazer. Caíra no chão rolando uma ou duas vezes e ficara de pé, dando um sorriso e caminhando sensualmente. – Espero que isso não seja descontado das minhas nove vidas. – Completou.
. . .
Um caminhão andava em alta velocidade pelas ruas noturnas de Gotham. Com buzinas de motoristas revoltados uma atrás da outra, Coringa não era de se atrasar para seus compromissos. Era um homem de palavra, afinal de contas. A porta lateral da carga do caminhão estava aberta, e Coringa analisara os vários carros que tentavam ultrapassar ainda mais que o caminhão. Dando tiros em alguns pneus para sua diversão, os outros palhaços da gangue ficavam segurando seus armamentos agora um pouco mais animados. Estavam arriscando suas vidas por somente uma coisa: Anarquia!
- Ahaha. Ha. – Uma risada que não emitia graça, mas emitia a insanidade e a loucura que sentia no momento. "Caos, caos, caos." Eram palavras que ficavam cantarolando numa melodia própria em sua mente. Ele não sabia o que queria no momento. Ele queria diversão, ele queria rir, ele queria gargalhar. E era essa vontade absurda que tomara conta de sua mentalidade. Ele não entendia o que fazia no momento, mas sabia que era divertido. Ele queria simplesmente... Esquecer algumas coisas que faziam deixar de ser quem ele era.
Talvez, por um único momento, ele não desejasse estar propagando toda aquela bagunça em Gotham. Mas era um pensamento rápido e despercebido, pois a vontade de fazer a sua diversão da noite já havia lhe tomado por completo. Ele já havia se esquecido dos momentos que havia passado, já havia se esquecido das coisas que havia feito. Das coisas erradas, porém, divertidas. O capanga que dirigia o caminhão acelerava ainda mais, desviando de modo brusco de alguns carros, fazendo com que alguns dos ali presentes se segurassem para que não caíssem. Estavam chegando perto do objetivo que já havia recebido mais convidados do que esperava. Era a Prefeitura de Gotham, um lugar bom para dar um discurso no palanque para os inúteis moradores daquela cidade.
Certo que Coringa não iria enfrentar toda aquela gente sem uma carta na manga. Ele tinha um serviço a completar no qual havia deixado pendente por certos imprevistos. Quando algumas pessoas repararam o caminhão desgovernado vindo, davam gritos desesperados pedindo ajuda. O caminhão já havia passado a prefeitura, o que era estranho. Era hora de fazer uma pequena coisa antes da palestra.
- Vamos parar para fazer um lanche? – Perguntou Coringa aos palhaços dando um pequeno sorriso. Parecia que o motorista daquele caminhão estava tão animado quanto Coringa, dando um freio realmente inesperado, bem na frente do banco de Gotham.
Toda a gangue saíra do caminhão rapidamente, segurando os armamentos como se estivessem preparados para aquilo e já davam início ao plano. Coringa aparentava não estar tão animado quanto os outros, passando a língua pelos lábios sem vontade e encarando-os como se quisesse dizer "Não demorem", então decidiu dar um pulo na calçada e entrar no banco que a essas horas, já estava com o plano em prática. Não era dinheiro que ele queria. Aliás, era o dinheiro que ele não queria. Se o plano desse certo estaria assaltando o banco de Gotham somente para atrair gangues que só se interessam por dinheiro, e por fim, eliminá-las. Era um trabalho no qual ele gostava. Enquanto Batman varria os mafiosos de Gotham, Coringa sentia-se como uma pessoa que fizesse trabalho maior: Varria os mafiosos que exerciam um trabalho ruim. Coringa queria tomar Gotham. E simplesmente não gostava de dividi-la com pessoas que não sabem cuidar dela bem. Nada melhor do que alguém que conhece o bem e o mal daquele lugar para cuidá-lo, certo?
Para sua surpresa, somente ao entrar já via os atendentes daquele lugar já rendidos e implorando por piedade, quando alguns dos palhaços já traziam sacos entupidos por notas. Parecia que eles haviam treinado o suficiente para fazer um trabalho rápido. Pena que eles não haviam treinado o bastante para supostas surpresas que não estavam no cronograma. A porta giratória da entrada mostrara para aqueles homens a pessoa que acabaria com a festa. Parece que o Morcego veio adiantado para a festa. Ele veio como se fosse um monstro enfurecido, a capa preta acompanhando a velocidade no qual ele vinha até os ladrões que ameaçavam atirar em seus reféns. Mas nenhum cometia tal feito, pois mesmo que tivessem treinado fisicamente para todas as situações, não haviam se preparado o suficiente para pensar rápido quando um homem vestido de morcego viesse em sua direção. Foram chutes e socos rápidos e meticulosamente preparados para fazer todos os capangas caírem rápido, libertando os reféns. Vários dos capangas já estavam inconscientes. O último dos palhaços havia pegado uma faca e ameaçado uma mulher, usando-o como escudo e segurando com força a faca em seu pescoço.
- Não se aproxime! – Disse a voz do homem que parecia totalmente atordoada. A mulher estava com lágrimas escorrendo pelo seu rosto, tentando se debater contra o braço musculoso do homem que não tinha dó em apertá-la. – Ou eu irei matá-la!
O Homem-Morcego recuou por um mísero segundo dando a chance do homem hesitar em machucar a mulher, achando que o Batman estaria se rendendo, quando na mesma hora acertou um chute fazendo o homem cair para trás. A mulher ajoelhou-se no chão assustada, suspirando em meio aos soluços de alívio quando uma bala de um revólver preencheu sua barriga, fazendo-a soltar um grito estridente de dor quase mais alto que o próprio tiro, e em alguns segundos caindo ao chão que havia se formado uma poça de sangue. O silêncio ecoou pelo banco, fazendo os reféns nervosos simplesmente ficarem em estado de choque.
- Então, você acha que é só aparecer aqui e acabar a festa? – A voz de Coringa era algo que Batman estava querendo ouvir. – Eu acho que é melhor não se acostumar com esse hábito, é muito feio. Se você me der licença... Tenho uma entrevista para dar. Encontre-me lá. Pode fazer algumas perguntas, se tiver oportunidade. Ah, meu cartão. – Completou, tirando do terno roxo e jogando um coringa com desinteresse no chão. Os ex-reféns ficaram pasmos com a situação. Batman não havia corrido atrás para pegar Coringa, e muito menos o ameaçado ou algo do tipo. Começaram a protestar, perguntando impacientes se Batman estava no mesmo lado de Gotham. Ele simplesmente deu as costas e saíra pela mesma porta que Coringa havia saído. O caminhão já havia disparado pela frente. Estariam indo para a prefeitura, no mesmo palanque onde Harvey Dent fizera suas promessas a uma Gotham melhor. Onde Gordon prometera menos assaltos e pegar os mafiosos. E era onde Coringa estaria destruindo o guardião de Gotham. Estaria revelando para todos, de uma vez por todas, quem era o Batman. Estaria lá, prometendo apenas uma única coisa à Gotham: o caos.
- Fim do Décimo Primeiro Capítulo –
N/A: Ei, e aí galerinha bonita? Como vai? Bem, estamos chegando à minha parte favorita dessa história sádica e insana. Espero que todo mundo esteja tão viciada assim como eu! Bem, não quero dar spoilers, então, vou parar por aqui, se não, já vou começar a falar até mesmo o final da fic. O que, creio eu, seria muito chato descobrir agora né? Continuem acompanhando e não me abandonem!
Lidi25, ah, pra mim, ela é muito mais que uma mulher bonita com deveres. Pra mim ela é a gatinha mais atrevida desse planeta. E se tem algo que eu adoro, é ela pressionando o playboyzinho.
Downey, eu acredito que ele e o Bruce tenham certa comunicação mental, aí dá nisso. Ah, ela é simplesmente demais! Mesmo que seja considerada uma vilã, eu me lembro do tempo em que via Batman Ressurge e simplesmente a olhava como "Eu quero ser você" do jeito mais clichê possível. Brokeback Mountain é lindo, e eu fico morrendo de vergonha se assisto com alguém perto, por que as caretas que eu faço são simplesmente de outro mundo, afinal... Tem como não ficar toda amolecida com as cenas? Eu nem gosto de relembrar que o Heath partiu. Me deixa muito depressiva, cara. Se ele tivesse vivo, imagina quantas cenas de pura tensão (eu completaria essa frase, mas acho que você já entendeu o tipo de tensão que eu imagino) Entre o Coringa e o Batman iriam se repetir? Aquelas lutas, ameaças e um "Você me completa" ainda mais sádico o possível? Ai, ai. Sim, já está pronto, embora cada vez que eu vá postar eu sempre faço uma rápida revisão pra ver se tem algo fora do encaixe. Mas isso não atrapalha em nada. O máximo que acontece é eu postar um pouco mais tarde ou dar o intervalo de um dia. Continue dando reviews e acompanhando!
