Shinn Asuka estava em uma sala de interrogatório há pelo menos 3 horas. Sob uma lâmpada extremamente forte, parecia que ia derreter, mas
incrivelmente mantinha a calma. Nada muito parecido quando naquela manhã, um pouco antes do meio dia, 4 agentes do serviço de segurança
de Orb estiveram à sua procura para pedir-lhe explicações, enquanto estava no C.I.R.O. e o levaram algemado, sob olhar vexatório de outras
pessoas ali presentes.
Nenhum copo d'água lhe fora servido desde então e essa lâmpada sempre ligada. Seus captores, no entanto não esperavam que ele, como
coordinator, tivesse uma resistência maior ao clima; isso, aliado ao treinamento de Z.A.F.T. o fazia agüentar mais algumas horas daquele
suplício, antes de afetar-lhe.
Apesar da representante Attha ter proibido terminantemente qualquer tipo de tortura física, o gênio explosivo do tenente Asuka culminou por
exasperar os agentes que, mais de uma vez, descarregaram a tensão acumulada na cara do rapaz. Os agentes entravam por turnos de 20
minutos, cada um com um tipo de abordagem diferente, mas o prisioneiro resistia a todas elas. Levou mais uma hora para que a governante de
Orb se aproveitasse da folga de sua agenda ministerial e baixasse para ver como andava o interrogatório. Enquanto andava pelos corredores,
viu alguns dos agentes conversando:
- O garoto é durão. Não falou nada desde que chegou, a não ser para ofender a gente.
- Isso não é o nosso estilo. Se pudéssemos usar alguns aparelhos com ele, já teríamos a história toda – respondeu o outro, com desdém.
- Eu pensei ter sido clara, quando disse que não queria que o torturassem! – vociferou a loira.
- Cagalli-sama! – os dois agentes bateram continência, assustados.
- Então o que tem a dizer? – inquiriu a jovem.
- O homem conhecido por Shinn Asuka não colaborou com as investigações. Ele passou a ofender e tentar agredir alguns agentes que se viram
no direito de se defender – um dos agentes falou, enquanto a jovem mulher entrava na sala adjacente à sala onde estava Shinn Asuka.
- E seguramente, terei alguma mostra dessas tentativas de agressão? – continuou a representante – Não vejo nenhum agente nesta sala com
um sequer ferimento. Em contrapartida – olhou pela janela, onde via o coordinator algemado e levemente surrado – vejo um homem algemado
sozinho e que não oferece perigo para ninguém. Ele foi algemado quando, Yasutora-san? – perguntou para seu guarda-costas.
- Assim que foi preso – respondeu o homem, assumindo papel marcial entre seus subordinados.
- Entendo, nesse caso ele nunca ofereceu perigo de agressão, correto? – enfureceu-se a dona do poder oficial de Orb. Ela não gostava de ver
suas ordens saindo ao controle. Isso a lembrava do quanto falhou em evitar que Orb estalasse novamente em chamas, na última guerra. E o
fato dos Seran estarem envolvidos nisso, não era de auxilio nenhum para ela.
- Cagalli-san, estes homens estão sob minha responsabilidade e tratarei de castigá-los no momento apropriado. Agora, devemos nos
concentrar em obter informações deste homem.
- Eu vou entrar. Ele não dirá nada para mim, provavelmente não dirá nada para nenhum de nós. Mas devo, pelo menos um pedido de desculpas
a ele. – disse, abrindo a porta da sala.
Shinn olhou para a porta, mas não podia ter certeza de quem entrava, devido ao reflexo da lâmpada. Estas foram apagadas, deixando apenas
uma luz normal do aposento, cegando-o com a diferença de luminosidade. Quando seus olhos se acostumaram à essa nova claridade, viu a loira
que encontrara naquele mesmo dia.
- Attha... sua hospitalidade deixa a desejar – disse, encarando-a.
- Sinto muito por isso, Shinn. Não aprovei o comportamento de meus homens e eles serão castigados, eu lhe asseguro.
- No entanto... eles não agiriam sem ordens suas, ou melhor, como souberam que eu estava no C.I.R.O.?
- Meyrin me disse que você tinha pedido baixa de Z.A.F.T. e tinha vindo viver aqui. Por que? – perguntou Attha.
- Já lhe disse que não é da sua conta. Pensei ter sido bem claro nessa questão.
- Há algo que me diz para não acreditar que você veio para essa ilha, um ano após termos aquela conversa, tão mudado assim e disposto a
refazer sua vida aqui.
- E havia algo me dizendo também que a sua oferta de amizade era tão genuína quanto o afagar de uma cobra!
- Isso não é verdade! Minha oferta de amizade ainda está de pé!
- Depois de como vi você tratar seus amigos? Não, obrigado! – respondeu no mesmo tom, o coordinator.
Enquanto isso, dois homens se encontravam no saguão de uma casa colonial, usada para ser a sede de uma instituição de ajuda aos novos
refugiados.
- E então, o que pode me dizer sobre Shinn Asuka? – perguntou Phistopollis.
- Ele é encrenca da grossa. Para um refugiado que está a poucos dias, ele arrumou um bocado de problemas.
- Explique-se.
- Nem 24 horas depois de chegar, ele já está no hospital Norte, sendo atendido. Na noite do segundo dia de estada, arrumou uma briga no
Spartan´s, onde mandou um cara para o hospital com o braço quebrado sem nem suar. O garoto estava hoje de manhã conversando com uma
jornalista. Não deu pra ouvir a conversa, mas parece que ele já tentou matá-la antes, mas agora seria de utilidade em uma matéria. Nisso, uma
limusine parou e desceu ninguém menos que a Representante Attha em pessoa. Cumprimentou a repórter que estava com ele e quando o viu,
começaram a discutir como dois inimigos mortais. Um dos gorilas da segurança dela tentou intervir, mas o garoto não afinou e sustentou a
parada. Depois disso, a turma do "deixa disso" entrou e ele saiu fora. Uma hora mais tarde, um monte de agentes de segurança veio buscá-lo
para um interrogatório. Isso foi há 5 horas. Ele passou boa parte do tempo livre antes de virem prendê-lo, trabalhando em um aparelho
eletrônico. Pelo visto, ele manja daquilo, pois estava usando coisas que eu ainda não cheguei lá, com a maior facilidade.
- Aqui está seu dinheiro – disse o líder da Mão invisível – você foi novamente útil para a causa.
- Sabe que eu não ligo para a causa. Enquanto tiver dinheiro, terá as informações – retorquiu Judas Traveller, informante da organização no
C.I.R.O.
Alguns minutos depois de sair, Pichard entra por uma porta lateral na sala. Olha para o nada que é a parede daquele lugar e diz:
- O que você acha, Phisto?
- Ele tem o potencial que nossa organização precisa.
- Mas pode também ser um agente duplo.
- E ele trabalharia para Attha? Você o viu no bar ontem. Ninguém em sã consciência confiaria em um moleque daquele.
- Ele passou muito tempo em PLANT. Poderia ser de Z.A.F.T. – rebateu Pichard.
- Mas também poderia ser mais um homem como nós, que perdeu tudo o que tinha e que teve que sobreviver. Se esse for o caso, acho que os
ganhos superam as perdas. Mesmo que não goste da presença de Attha, ele a conhece e isso pode nos ser útil. Devemos trazê-lo para a
organização. Se demonstrar qualquer fraqueza...
- Então os peixes terão um novo almoço – completou Pichard.
Eram quase 11 da noite, quando Shinn Asuka chega à recepção do C.I.R.O. novamente escoltado por agentes de segurança. Estes deram a
ordem de, reunirem todos os refugiados em uma sala e desculparem-se oficialmente com Shinn, dizendo que tudo havia sido um estranho caso
de identidade trocada. Nem é necessário dizer que alguns mais exaltados pegaram pedras para atirarem nos agentes quando as marcas no
rosto do jovem se fizeram presentes. Enquanto alguns enfermeiros atendiam o jovem, os agentes eram escorraçados do local. Judas olhava
tudo com extremo interesse, já pensando no novo maço de notas que viria junto da informação.
O jovem não conseguira descansar antes do início da madrugada, sem antes de receber uma ligação de Youlan, mas estava cansado demais
para contestar.
- Shinn, onde você estava? Tentei ligar para você o dia todo.
- Youlan... estou muito cansado... não consigo pensar direito... falo com você amanhã – queixou-se.
- Shinn... você parece moído.
- Você não tem idéia, Youlan... você não tem idéia.
Pois é Danizinha...
Aos 45 minutos do segundo tempo, eu cumpro minha promessa.
Não se preocupe, eu vou publicar essa fic até o fim, e depois dessa tenho mais duas Fics do Universo Gundam para publicar: uma Oneshoot e uma em poucos capítulos . espero contar com você e com os outros leitores até o fim.
Thierry Harry:
Eu também adoro você! espero que tenha gostado dos capítulos.
Nos lemos,
Fan Surfer
