Três anos depois
Lily
Terminei meu curso de arquitetura e agora fazia minha especialização em edificação. A cada dia me via ainda mais apaixonada pelo meu curso e pela minha própria vida.
Quando estava indo para o segundo ano, consegui um estágio em um escritório de arquitetura e percebi que finalmente estava pronta para sair de casa e seguir meu caminho.
Com isso, Emmeline, Marlene e eu decidimos dividir um apartamento perto do campus da faculdade. Nas horas vagas, saía com meus amigos ou nos reuníamos na casa dos Potter.
Dorea e Charlus gostavam muito deles e adoravam quando íamos lá. Geralmente passávamos nosso fim de semana na piscina e depois íamos para alguma balada.
Emmeline tinha razão, formávamos um ótimo grupo. O único problema era que às vezes eu me sentia um pouco deslocada por estar cercada por dois casais. Eu até cheguei a ficar com alguns garotos quando saíamos, mas isso nunca evoluía para um encontro. Na maioria das vezes, por minha culpa.
- Eu tenho alguém perfeito para você conhecer - Emmeline disse toda animada enquanto caminhávamos pelo campus da faculdade. Antes de abrir seu ateliê, Emmeline decidiu fazer uma pós-graduação em administração. Éramos as únicas da turma que ainda estudavam.
- Emmeline, eu não quero conhecer ninguém - choraminguei. Eu tentava, mas ninguém parecia interessante o suficiente para que eu quisesse algo a mais.
- Deixa de ser chata, tenho certeza que vai adorar esse cara - paramos debaixo de uma árvore e nos sentamos.
- E eu tenho certeza que não - fui incisiva.
- Sabe o que eu acho? - perguntou me olhando seriamente. Suspirei sem paciência com o assunto.
- Não. O quê?
- Que tudo isso é culpa do James - olhei para ela chocada. Emmeline sabia de toda minha história com James e mesmo sem conhecê-lo, o odiava.
- O quê?! Claro que não! - esbravejei.
- Você ainda o ama, Lily. E inconscientemente ou não, ainda acha que quando ele voltar vocês vão ficar juntos - no mesmo instante me levantei indignada. Que droga de papo era esse?
- Isso é ridículo! Eu nunca mais terei nada com James. Nem que ele implorasse - falei irritada.
- Então prova - desafiou se levantando também.
- Não tenho nada que provar. Será que uma pessoa não pode querer ficar sozinha? - questionei.
- Lily, eu não acho que tenha problema em querer ficar sozinha, mas eu vejo o jeito que você olha para mim e o Remus e para a Marlene e o Sirius. Você mesma me confessou que adoraria ter uma relação assim.
Nem pude revidar. Ela tinha razão. Apesar dos conselhos da minha mãe biológica, eu queria ter aquela relação de cumplicidade, amor e carinho com alguém. E mesmo depois do que ocorreu com James, eu ainda acreditava que podia ter isso.
- Eu não tenho culpa se não encontro ninguém que me agrade - tentei me defender.
- Porque fica pensando no James - respondeu diretamente. Suspirei derrotada.
- Emmeline, quer parar de dizer que é por causa do James. Não é! Já faz quatro anos. Eu o esqueci - retruquei chateada. - Para mim ele é passado, só isso - ponderei desejando que isso encerrasse o assunto. Não gostava e nem queria pensar em James.
- Tá bom, desculpa. Não falo mais nisso. Juro - prometeu cruzando os dedos sobre a boca.
- Você é uma chata - expressei emburrada. Ela riu e me abraçou.
- Quero que encontre alguém que te faça feliz, amiga. Só isso.
- É o que eu quero também, mas vamos deixar as coisas acontecerem. Ok? – respirou fundo e assentiu.
- Ok, agora vamos sentar aqui e terminar o planejamento dessa festa - sentamos e voltamos a pensar em como seria a festa surpresa que faríamos para o Remus.
Logo em seguida, apareceram Sirius e Marlene e dividimos as tarefas. Enquanto Marlene, Emmeline e eu iríamos arrumar o apartamento dos rapazes, Sirius ia distrair o Remus até a hora da festa. Terminamos de combinar tudo e nos separamos para colocar nosso plano em prática.
- O que você acha? - Marlene perguntou quando terminou de arrumar os balões. Já estávamos aprontando tudo para festa. Tudo estava decorado em tons de branco e preto.
- Ficou ótimo - elogiei. - Gostei das cores que Emmeline escolheu - comentei enquanto ajeitava a mesa. Tínhamos comprado vários salgadinhos e bebidas.
- Verdade - concordou sorrindo. - Falando nela, onde se meteu?
- Foi se arrumar para o amado - respondi sorrindo.
- Isso é muito injusto - Marlene reclamou colocando as mãos na cintura. - Ela pode ficar linda e eu tenho que ficar toda desarrumada? - olhei para ela.
- Do que está falando? Você está linda, Marlene.
- Certeza? - perguntou balançando os longos cabelos ondulados da cor cobre.
Marlene usava uma calça de couro justa e uma blusinha de frente única vermelha. Estava linda. A roupa destacava bem sua altura e corpo curvilíneo. Marlene era um amor de pessoa, muito simpática e carinhosa com os amigos e principalmente com Sirius, seu namorado.
- Absoluta - falei confirmando. - E eu? - perguntei meio tímida. Usava um vestido azul sem mangas rendado, que ficava um pouco acima do joelho.
- Está linda, estou achando que alguém vai deixar de ser solteira hoje - cantarolou com um sorriso no rosto.
- Quem sabe? Se tiver alguém interessante estou dentro - disse animada. O difícil era aparecer alguém assim.
- É isso aí, menina! - exclamou entusiasmada. Rimos.
- E o Sirius, sabe onde ele está com seu primo?
- Rodando com ele por alguma joalheira. Sirius disse que precisava da ajuda dele para comprar um presente para mim.
- Aposto que isso não é mentira - olhei desconfiada para ela.
- Não mesmo - confirmou. - Aproveitei e já pedi meu presente de aniversário. Remus é muito melhor nisso que o Sirius - falou torcendo os lábios.
No mesmo instante, lembrei de quando Sirius deu para Marlene um controle de vídeo game, dizendo que assim eles podiam jogar juntos. Enquanto Marlene contava até dez, todos nós morríamos de rir. Pior foi Sirius, que ficou completamente perdido, perguntando porque estávamos rindo. Ele era muito sem noção.
- Está se lembrando do meu último aniversário, não é? - assenti ainda rindo. - Nem me lembre, pelo menos agora o Sirius não é nem louco de fazer aquilo de novo.
- Também acho - concordei.
Ouvimos a porta abrir e Emmeline aparecer toda pomposa em um vestido cor ameixa.
Sorria largamente com uma maquiagem bem leve.
- Como estou? - perguntou girando em um salto agulha da mesma cor do vestido.
- Linda, amiga - elogiei. - Amei o vestido.
- Maravilhoso, Emmeline! - Marlene disse concordando.
- Mesmo? - assentimos.
- Foi você que desenhou? - perguntei curiosa.
- Foi - respondeu sem esconder o sorriso.
- Emmeline, você vai desenhar um para mim, não é? - Marlene lhe pediu, ou melhor exigiu. Emmeline só sorriu.
- Também vou querer - aproveitei e já pedi o meu.
- Pode deixar, afinal vocês merecem - ela virou olhando o apartamento. - Capricharam na decoração, o apê está lindo - elogiou.
- Caprichamos para o seu amor - respondi sorrindo, ela nos abraçou.
- Ficou perfeito, meninas. Agora só falta esperar o povo chegar.
- Enquanto eles não chegam, vamos comemorar só entre nós - Marlene se afastou. Colocou vinho em três copos e fizemos um brinde.
- À nós. As mulheres que os homens não vivem sem - Emmeline falou. Marlene e eu rimos.
- E as melhores amigas do mundo - completei e brindamos a nossa amizade.
Os convidados começaram a chegar e o apartamento lotou. Marlene avisou para Sirius trazer Remus. Não demorou muito e logo eles chegaram. Assim que Remus abriu porta, gritamos:
- SURPRESA!
Remus ficou em choque. Emmeline pulou no seu pescoço e o encheu de beijos, Remus finalmente despertou e a apertou em seus braços, a beijando em seguida. Foi uma cena tão linda que todos fizeram festa e aplaudiram. Emmeline tinha toda a razão quando disse que era isso que eu queria.
Respirei fundo e balancei a cabeça tentando afastar tais pensamentos.
Durante a festa vieram diversos carinhas sem noção me perturbar, mas hoje estava sem paciência para paquerar ou ficar com qualquer idiota.
Observava sem ânimo a festa em um canto, quando Emmeline apareceu puxando um cara.
Eu bem sabia o que ela estava planejando. Se pudesse me esconder em um buraco, eu o faria.
- Lily, quero que te apresentar alguém - Emmeline falou toda sorridente ao se aproximar de mim. Eu lancei um olhar irado para ela e um sorriso tímido para o tal cara. Ele era realmente lindo. Aparentava ter no mínimo uns vinte e sete anos. Tinha o cabelo castanho, olhos azul acinzentados, corpo forte, alto e um sorriso deslumbrante.
- Lorenzo Di Massi, esta é Lily Evans. Lily, este é Lorenzo - ele estendeu a mão e nos cumprimentamos. Sempre evitava usar o sobrenome da família Potter. Chamava muita atenção. Felizmente Emmeline sabia disso.
- Prazer, senhor Di Massi - ele sorriu.
- Por favor, só Lorenzo, senhorita Evans.
- Então, me chame de Lily - seu sorriso cresceu ainda mais.
- Com prazer, Lily - respondeu com a voz levemente rouca.
- Bom, se me dão licença, o Remus está me chamando. Divirtam-se - eu juro que quase pulei no pescoço da Emmeline quando ela me largou ali com aquele belo estranho.
- Emmeline não tem jeito - reclamei o olhando. - Desculpa por isso - ele sorriu desconcertado.
- Se for por me apresentar, sou eu que devo me desculpar - encarei ele confusa.
- Por que?
- Fui eu que pedi para conhecê-la - revelou me encarando com intensidade.
- Ah - foi só o que consegui dizer. Ele pigarreou e tentou procurar outro assunto.
- Então, Lily. O que você faz? - perguntou enquanto bebia seu vinho.
- Estou fazendo uma especialização na área de arquitetura, e estagiando em um escritório. E você?
- Sou chef em um restaurante italiano.
- Mesmo? - ele assentiu sorrindo.
- Sim, eu amo cozinhar.
- E onde aprendeu? Fez algum curso?
- Fiz alguns, mas aprendi mesmo com mia nonna.
- É italiano?- perguntei interessada.
- Infelizmente, não por completo - respondeu sorrindo, acabei sorrindo também.
- Meu pai era italiano e minha mãe americana, mas nasci e morei muito tempo lá – não pude deixar de perceber que ele usou o passado para falar dos pais.
- E qual a sua especialidade? - perguntei mudando o foco do assunto.
- Acho que vou ter que ser bem básico nessa e escolher uma bela macarronada com molho. Modéstia à parte, a minha fica uma delícia - sorri.
Ele parecia ser um homem bem interessante. Talvez fosse isso que eu precisasse. Alguém mais maduro.
- E você, gosta de comida italiana? - balancei a cabeça negando. Ele me olhou um pouco decepcionado. Antes que dissesse algo, eu completei.
- Eu amo comida italiana – Lorenzo abriu um sorriso enorme. Parecia aliviado com minha resposta. - Aliás, eu amo comida - ele sorriu satisfeito.
- Muito bom saber disso. Tem mulheres que nem dá vontade de levar para jantar. Não comem quase nada - reclamou torcendo os lábios.
- Pode ter certeza que eu não tenho esse problema - antes que pensasse que estava me convidando para jantar, mudei de assunto. - É amigo do Remus?
- Não, vim com um amigo. Ele falou sobre a festa e como estava entediado resolvi vir.
- E o que está achando? - perguntei interessada.
- Estou gostando, mas devo admitir que melhorou e muito há uns cinco minutos – encarei ele incapaz de dizer qualquer coisa.
Resolvi disfarçar e bebi um gole da minha bebida que até então estava esquecida em minha mão. Mudei de assunto novamente e perguntei de que região da Itália era sua família e se ele falava italiano. Quando começou a dizer algumas palavras, quase me atirei em seus braços.
Esse homem definitivamente mexia comigo e não era pouco. Nós conversávamos sobre tudo. Não conseguia me lembrar a última vez que tinha me divertido tanto com um homem que não fosse James. A diferença, é que aquilo havia sido uma mentira, e isso aqui era real.
- Oi, gente! - aquela tinha sido a primeira vez que éramos interrompidos e tinha que ser pela Emmeline. - Vocês vão dormir aqui? - perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
- Do que está falando, Emmeline? - quando me virei para olhar ao nosso redor, estava tudo vazio. Todos já tinham ido. Marlene estava deitada sobre Sirius no sofá e Remus desmontado em uma poltrona.
- Que horas são? - questionei assustada.
- São cinco da manhã.
- Puta merda! - assim que falei tapei a boca envergonhada, Lorenzo riu.
- A companhia estava tão boa que nem vi a hora passar - ele elogiou. Sorri timidamente. - Posso te dar uma carona? - ofereceu solícito.
- Obrigada, mas eu moro nesse prédio - falei um pouco decepcionada. Adoraria passar mais tempo com ele.
- Mas não precisa se preocupar, Lorenzo. Vou cuidar muito bem dela - Emmeline garantiu e ele sorriu para mim. - Vou deixar vocês se despedirem - Emmeline falou e saiu.
- Espero que ela cuide mesmo de você - disse carinhosamente. Sorri. - Posso pedir seu telefone? - perguntou sem jeito. Assenti sem parar de sorrir.
- Claro. Afinal, eu quero experimentar aquela macarronada - respondi sem esconder minha vontade de vê-lo de novo.
- Eu adoraria cozinhar especialmente para você - falou de modo sedutor. Meu coração acelerou como há muito tempo não acontecia.
- Pode dizer o número - pediu. Conforme dizia, ele anotava em seu celular. - Eu vou ligar, hein - avisou.
- E eu irei atender - garanti. Ele sorriu e se aproximou, me dando um beijo casto nos lábios.
- Ciao, mia Lils - senti um arrepio desagradável ao ouvir ele me chamar daquele modo. Isso estragou um pouco o meu bom humor.
- Por favor, me chame de Lily - pedi educadamente. Ele assentiu sem se chatear.
- Como quiser, mia Lily - acariciou meu rosto e me beijou de novo. Despediu-se de Emmeline e foi embora.
- Oh. My. God! - Emmeline disse pausadamente vindo na minha direção e quicando igual uma criança. - O que foi aquilo? - perguntou animada.
- Eu não sei. Ele parece ser incrível, né? - ela assentiu sorrindo. Olhei para ela desconfiada. - Era esse cara que você queria me apresentar?
- Juro que não. O que eu queria te apresentar era um amigo do Remus, que posso te garantir, não tem metade do charme desse cara. Estou tão animada! - exclamou dando pulinhos e batendo palmas.
- Emmeline, menos - adverti.
- Menos nada, Lily. Mais, muito mais. Você vai sair quando ele ligar, não é?
- Vou, mas vamos devagar. Não quero me empolgar demais - ela me olhou e pareceu entender. - Além disso, nem sei se ele vai me ligar.
- É claro que vai. Não viu o modo deslumbrado como te olhava? - falou sorrindo. – Eu sei que vai achar que estou imaginando coisas, mas eu tenho certeza que esse cara vai te fazer muito feliz.
- Acha mesmo? - perguntei incerta. Eu realmente tinha gostado da companhia dele. Só estava com muito medo de estar errada de novo e me magoar.
- Tenho certeza! - garantiu. - Agora vamos pegar nossas coisas e ir embora que estou morta - assenti e assim que nos despedimos dos meninos fomos para nosso apartamento.
No instante que deitei na minha cama naquela manhã, o sorriso deslumbrante de Lorenzo ainda estava na minha mente. Porém no momento que fechei meus olhos, foi com James me chamando de Lils que eu sonhei.
Encarei meu armário sem fazer ideia de que roupa colocar. Lorenzo havia ligado no dia seguinte da festa me convidando para jantar e eu estava uma pilha de nervos. Decidi colocar um vestido laranja bem ajustado ao meu corpo e como acessório somente uma pulseira simples dourada. Olhei no espelho e fiquei satisfeita com o resultado.
- Lily, o Lorenzo chegou! - Marlene avisou. Caminhei até a porta e a abri.
- O que acha? - perguntei mostrando minha roupa.
- Está linda! - respondeu com um sorriso. - A Emmeline vai querer se matar por não estar aqui - assenti concordando.
Infelizmente Emmeline teve que viajar, pois seu pai havia ficado doente. Ela até tinha combinado de me ajudar com minha roupa, mas com tudo o que aconteceu, não deu.
- Deixa eu tirar uma foto - Marlene pegou o celular e tirou a foto a enviando logo em seguida para Emmeline. - Pronto, agora ela vai ver.
- Obrigada, amiga - abracei-a.
- Imagina, eu não fiz nada.
- Só de estar aqui, me apoiando, já é mais que o suficiente. Estou tão nervosa, Marlene - confessei.
- Não fique, Lily. Só relaxe e aproveite - aconselhou serenamente. Assenti sorrindo e segui até a sala.
Lorenzo levantou do sofá e sorriu assim que me viu. Seu sorriso sempre me deixava com as pernas bambas, era deslumbrante.
- Você está linda - corei diante do elogio.
- Você também não está nada mal - Lorenzo usava uma camisa azul e calça social, estava perfeito.
- Tudo por você - respondeu de modo sedutor. Balancei a cabeça sorrindo. - Vamos? - assenti e saímos do apartamento de braços dados.
Durante todo o caminho até o restaurante, conversamos e rimos. Não demorou e chegamos em um local muito aconchegante.
- Esse é o primeiro restaurante que trabalhei, mas não é italiano - comentou me levando até a entrada. Franzi o cenho.
- Você fez tanta propaganda da comida italiana do restaurante que trabalha. Achei que íamos comer lá - comentei confusa.
- Ainda não. Preciso te manter interessada para um segundo encontro – outro encontro? Sorri. Era bom saber que as coisas estavam indo tão bem.
Entramos no restaurante e a recepcionista nos levou até nossa mesa. Trazendo o cardápio em seguida.
- O que sugere, chef? - questionei sorrindo.
- Que tal um carneiro com molho de maçã acompanhado com batatas e um vinho tinto? - perguntou me olhando.
- Hum. Isso parece delicioso. Vou aceitar a sugestão - ele assentiu sorrindo. Chamou o garçom e fez nossos pedidos. Logo em seguida, o sommelier trouxe o vinho pedido.
- Um brinde? - perguntou erguendo a taça.
- E a que vamos brindar?
- À nós, e que esse seja o primeiro de muitos encontros - sorri enrubescendo levemente.
Lorenzo tinha esse poder sobre mim. Sempre parecia tímida perto dele. Ergui minha taça e brindamos. Também esperava que esse encontro fosse o primeiro de muitos.
O restante da noite foi muito agradável. Fiquei surpresa ao descobrir que Lorenzo tinha acabado de completar 31 anos. Apesar da diferença de idade, nos dávamos muito bem. Ele era divertido, engraçado, atencioso, carinhoso e me sentia cada vez mais a vontade em sua presença.
Depois do jantar, ele me acompanhou até em casa e insistiu em me deixar na porta do apartamento. Perguntei se queria entrar para um café, mas se negou. Achei que talvez fosse um indício que o encontro não tivesse sido tão bom para ele quanto foi para mim. Porém, todas essas dúvidas se dissiparam assim que ele me puxou pela cintura e me beijou.
E que beijo!
Lorenzo definitivamente sabia o que estava fazendo. Sua língua provocava a minha com astúcia e perícia. Mesmo assim eu senti falta de algo a mais. Antes que pudesse identificar exatamente o quê, nos separamos.
- Está livre amanhã? - perguntou ainda muito próximo de mim. Fiquei feliz ao saber que ele já queria sair de novo comigo.
- Não, mas estarei na sexta - ele abriu um sorriso encantador.
- Perfeito. Te pego às oito da noite? - assenti.
- Finalmente vou conhecer o restaurante em que trabalha? - indaguei sem esconder minha curiosidade.
- Ainda não - encarei ele confusa. Por que se negava a me levar até o tal lugar?
- Por que não? - perguntei fazendo um bico.
- Que tal quando completarmos um mês?
- Acha que vou aguentar você até lá? - brinquei. Ele riu.
- Espero sinceramente que sim - se aproximou me prensando na parede e me beijou novamente. Mais uma vez aquela sensação de que algo estava faltando voltou a me atormentar. Resolvi bloquear esse incômodo e tentei me deixar levar pelos seus lábios sedosos.
- É uma pena que eu tenha que ir - murmurou próximo a minha boca acariciando meu rosto com delicadeza.
- Sexta nos veremos - disse o consolando.
- Sexta - repetiu me beijando novamente.
Em seguida, se despediu e foi embora. Entrei no apartamento com um sorriso bobo nos lábios. Fui toda animada para o meu quarto. Tomei um banho e quando estava indo para cama meu celular tocou, era Emmeline.
- Como foi? Pode me contar tudo - ordenou assim que atendi. Ri de seu inquérito.
- Calma, Emmeline. Vamos por partes. Seu pai está melhor? - perguntei me ajeitando na cama.
- A pressão dele caiu e se sentiu mal, mas já se recuperou e está bem melhor. Sua vez - exigiu.
- Ai, Emmeline. Foi perfeito. Lorenzo é maravilhoso, não tenho palavras para descrever. Essa noite foi incrível - contei entusiasmada.
- Eu sabia! Assim que vi vocês conversando tive a certeza que ia dar nisso. Estou tão feliz por você, Lily - disse empolgada. - Agora me conta. Quando vai ser o próximo encontro?
- Sexta.
- Que über!
- Über, Emmeline? - perguntei confusa.
- Significa o top, máximo, demais - acabei rindo da sua animação. - Estou vendo que logo estarei desenhando um vestido de noiva para alguém - cantarolou. Acabei rindo.
- Vamos com calma, ok? Não quero apressar nada. Afinal de contas, não conheço ele direito.
Depois do que aconteceu com James, eu preferia levar as coisas com mais calma. O medo de me magoar ainda existia, tanto que não me sentia totalmente a vontade com Lorenzo. Talvez com o tempo.
- Lily, confia em mim. Eu meio que tenho um sexto sentido com essas coisas. Além do que, você não pode achar que todos os homens são uns crápulas como aquele James - suspirei tentando evitar que minha mente se perdesse mais uma vez na lembrança daqueles olhos azuis.
- Eu sei disso, Emmeline - aquiesci. - Mas vamos falar de outra coisa. Quero te contar os detalhes da noite - disse a fim de mudar de assunto e cortar o mal pela raiz.
Emmeline na mesma hora se empolgou. Disse que viu a foto do que eu estava vestindo e adorou. Depois contei tudo o que tinha acontecido. Ficamos a madrugada conversando e combinando o que eu deveria usar no próximo encontro.
Lorenzo e eu estávamos saindo há um mês quando ele finalmente me levou para jantar no restaurante que trabalhava. Ele só havia esquecido de dizer que era dono de um dos restaurantes mais badalados de New Haven. Além de ter uma cadeia espalhada pelo país e Europa.
Entretanto, nada disso me surpreendeu mais, do que ele ter fechado o seu restaurante para comemorarmos nosso primeiro mês juntos. Isso havia sido a coisa mais romântica e linda que fizeram para mim. Mas Lorenzo era assim. Perdi a conta de quantas vezes recebi ramalhetes de flores na faculdade e no apartamento. Era um romântico incurável. E eu amava isso nele.
Durante nosso jantar, ele confessou que não confiava fácil nas pessoas, pois muitas se aproximavam por puro interesse. Contou que desde que me viu tinha certeza que eu não era assim. Porém depois de tantos relacionamentos conturbados, achou melhor me conhecer, antes de revelar qualquer coisa mais íntima sobre sua vida. Talvez saber que eu era de alguma forma uma Potter, tenha ajudado nessa revelação.
- Já estava cansado de sair com pessoas interesseiras, Lily - explicou tomando um gole de seu vinho.
- Eu entendo - respondi simplesmente. Se existia alguém que compreendia bem o que isso significava, essa pessoa era eu.
- Espero que não tenha ficado chateada comigo por causa dessa omissão - murmurou me observando atento.
- Não, Lorenzo. De modo algum. Sei o que é ter um monte de gente ao seu redor só interessada no seu dinheiro ou em status. Eu me lembro que na escola todo mundo queria ser meu amigo só por causa do meu sobrenome, mas meu irmão adotivo fez questão de dizer a todos que eu era só uma adotada que não tinha direito a nada.
- Ele pegou pesado.
- Acho que até me fez um favor, sabe? Percebi que ninguém estava ao meu lado porque gostava de mim. Depois disso, todo mundo que se aproximava eu achava que era por interesse, por isso amei quando o colégio acabou e fui para a faculdade. Foi como se finalmente tivesse a chance de ter ao meu redor pessoas que realmente gostam de mim e não do sobrenome e dinheiro de meus pais adotivos - ele assentiu concordando e segurou minha mão sobre a mesa.
- É tão bom conversar com você, Lily. Temos tanta coisa em comum, inclusive nossa história - Lorenzo apertou minha mão e a acariciou.
- Verdade - concordei.
Nesse um mês de relacionamento, Lorenzo havia me contado um pouco sobre sua vida, assim com eu. Seus pais morreram em um acidente de avião quando estavam retornando para a Itália. Sua guarda ficou com seus avós paternos, com quem ele já estava enquanto os pais viajavam. Lamentei e contei sobre como os meus morreram e como fui adotada pelos Potter, mas não entrei em detalhes sobre meu "relacionamento" com James. Isso era algo que eu não gostaria de ficar compartilhando e sim esquecer.
- E quando poderei conversar com seus pais novamente? - perguntou. Encarei-o desconfiada. Meus pais o conheciam somente como meu amigo. Já havíamos até almoçado juntos.
- Posso saber por que gostaria de conversar com eles?
- Gostaria de me apresentar oficialmente como seu namorado - fiquei estática.
- Namorado? - questionei perplexa.
- Isso se você aceitar - falou me estendendo uma caixinha preta com uma linda aliança na cor prata com pequenos brilhantes ao redor.
- Aceita ser minha namorada, Lily Evans Potter? - meus olhos iam da caixinha para ele e só o que consegui fazer foi assentir. Lorenzo se levantou sorrindo e me puxou para os seus braços me beijando. Pegou minha mão trêmula e deslizou o anel pelo meu dedo.
- Cuore mio - sorri entendendo a tradução de "meu coração" em italiano. Lorenzo beijou meu dedo com a aliança. Olhava para ele admirada.
- Isso foi lindo, Lorenzo - consegui finalmente dizer.
- Tu sei bella, Lily - sorri. Eu amava quando ele falava italiano. Já tinha até aprendido algumas coisas e soube identificar muito bem sua resposta, "você é linda". Naquele momento percebi que me apaixonar por Lorenzo seria algo inevitável.
O domingo estava quente e ensolarado, algo anormal para o clima ameno da primavera de New Haven. Coloquei uma roupa leve, peguei meu carro e fui para a casa dos Potter.
Já tinha virado um tradição ir almoçar com eles todo o domingo. A exceção era quando os compromissos não deixavam. Depois que me mudei, Dorea me fez prometer que não iria esquecer deles.
Como eu poderia?
Eles eram as pessoas mais importantes da minha vida.
Estava muito animada para contar sobre meu namoro. Lorenzo queria conversar com eles pessoalmente para pedir permissão e essas coisas. Achei até fofo da parte dele, mas preferi conversar com eles sozinha. Para então, ele se apresentar formalmente em um jantar.
Cheguei em casa e fui recepcionada por Gianna, a governanta.
- A senhora Potter está lhe esperando na sala - avisou. Agradeci e segui até o local.
Assim que me viu, Dorea veio na minha direção com um sorriso enorme no rosto.
- Meu bem, que bom que veio - exclamou alegre.
- Eu disse que não iam se ver livre de mim tão facilmente - brinquei, ela riu.
- Fico feliz por isso, sua visita sempre alegra minha semana. Vamos almoçar?
- Claro. E Charlus?
- Está no escritório, já pedi que Gianna o avisasse - fomos abraçadas em direção da sala de jantar. Antes que me sentasse, Charlus apareceu.
- Filha, que saudades - disse me abraçando.
- Também.
- Você nos abandonou - acusou se sentando à mesa.
- Eu sei. Semana passada foi uma loucura, tinha tanta coisa para fazer na segunda que não deu para vir almoçar com vocês no domingo - comentei também me sentando.
- Sentimos falta dos seus amigos também - Dorea falou sorrindo.
- Todo mundo está se matando de trabalhar. Desculpem mesmo - Charlus sorriu.
- O que importa é que está aqui agora - declarou segurando minha mão sobre a mesa.
- E virei com mais frequência, senti saudades também.
- Ótimo, sabe como adoramos ter você por perto - assenti sorrindo enquanto me servia.
- E como está indo tudo? O curso, o trabalho? - Dorea perguntou.
- Tudo perfeito, estou amando a especialização em edificação e aprendendo muito no escritório. Lembra daquele projeto que te mostrei, Dorea? - ela assentiu. - Foi aprovado pelo meu chefe - contei feliz.
- Isso é maravilhoso, Lily. Meus parabéns, meu bem.
- Muito bem, filha. Estou orgulhoso de você - Charlus disse me deixando emocionada.
- Obrigada. Estava muito animada para contar a vocês, sempre me incentivaram tanto.
- Você merece, amor - sorri e voltamos a comer.
Assim que terminamos de almoçar, avisei que precisava conversar com eles. Fomos até a sala e Dorea e Charlus se sentaram lado a lado.
- Aconteceu alguma coisa, Lily? - Charlus perguntou sério. Respirei fundo.
- Lembra que falei para vocês sobre um rapaz que estava saindo? E até chegamos a almoçar juntos?
- Claro. Lorenzo Di Massi, não é? - Dorea perguntou, eu assenti.
- Isso mesmo.
- O que tem ele?
- Ele me pediu em namoro e eu aceitei - a expressão no rosto de Dorea caiu um pouco, mas logo ela abriu um sorriso enorme, disfarçando. Achei estranha sua reação.
- Meu amor, ficamos tão felizes por você - disse tentando parecer animada. - Não é, Charlus? - ele se manteve sério.
- Acho que seria mais nobre da parte dele que viesse falar primeiro conosco - reclamou.
- Charlus! - Dorea ralhou com ele. - Não estamos no século XVII.
- A culpa foi minha, Charlus. Eu queria falar com vocês antes dele vir. Saber o que achavam - quando almoçamos juntos eles pareceram se dar muito bem, mas na época ainda éramos só "amigos". Charlus pareceu mais aliviado ao saber que tinha sido minha ideia falar com eles antes.
- Nossa opinião é tão importante assim? - perguntou interessado.
- Claro que sim, vocês são meus pa... - travei antes de concluir, Dorea me olhou atenta, engoli em seco.
- Meus pais - completei, eles me olharam emocionados.
Tinha tido uma conversa séria com Lorenzo sobre a minha vida e os Potter. Especialmente sobre meu receio em chamá-los de pai e mãe. O que Lorenzo me disse fez com que eu visse as coisas de um modo diferente.
"Temos que valorizar e mostrar as pessoas o quanto as amamos enquanto elas estão aqui, Lily. Tenho certeza que eles iam amar que os chamassem de pai e mãe."
Eu já sabia disso, mas vendo a reação deles agora. Percebi como isso era realmente importante para eles. Dorea sentou do meu lado e me abraçou.
- Somos mesmo seus pais e ficamos muito felizes por você - disse sorrindo largamente.
Charlus levantou e se sentou do meu outro lado.
- Se esse rapaz fizer um "A" contra você, eu acabo com ele - falou sério.
- Vou avisar ele - proferi sorrindo.
- Obrigada - agradeci ao dois. - Por tudo, mas principalmente por sempre me amarem como uma filha.
- Porque é isso que você sempre foi para nós, Lily. Nossa filha - Dorea disse emocionada beijando meu cabelo.
- Eu não poderia pedir por um pai e uma mãe melhor - respondi orgulhosa.
- Não sabe como ficamos felizes em ouvir você nos chamando assim - Charlus confessou.
Sorri satisfeita por finalmente conseguir chamá-los de pai e mãe. Ficamos conversando e contei que queria fazer um jantar para apresentar Lorenzo oficialmente para eles. Dorea parecia mais conformada com a notícia do meu namoro e já começou a planejar o jantar. Charlus e eu demos risada da sua empolgação.
Antes de ir embora, subi para usar o banheiro e visitar meu ex-quarto. Por fim, não resisti e caminhei até o quarto dele. Abri a porta e entrei. Estava do mesmo jeito. Olhei para a cama e não pude segurar as lembranças que isso me trazia. Mesmo sem querer meu peito apertou.
- Também sinto falta dele - ouvi Dorea dizer, me virei e a olhei.
- Como ele está? - sem perceber me vi perguntando.
- Sabe como é o James, não é? Raramente liga, eu que tenho que ficar caçando ele. Na faculdade parece estar indo muito bem. Quanto ao resto, nem faço ideia. Imagino que deva estar se divertindo e muito. - assenti.
Com certeza devia estar rodeado de mulheres e amigos fúteis iguais a ele.
- Meu bem, posso te dar um conselho? - perguntou se aproximando e segurando minhas mãos.
- Claro.
- Não guarde rancor ou raiva de ninguém - olhei desconfiada para ela. Por que estava me dizendo isso?
- Só quem sofre com isso é você mesma - Dorea completou serenamente. Foi então, que tive a certeza de que de uma forma ou de outra, ela sempre soube sobre meu relacionamento com James.
- Sei disso - concordei. Eu tinha tentado odiar James, me vingar, mas tudo o que consegui foi me machucar ainda mais.
- Eu te amo muito, filha - declarou emocionada, me abraçando e deixando o assunto James de lado.
- Eu também, mãe - ela me apertou em seus braços e ficamos ali. Presas naquele momento perfeito, como mãe e filha.
Olá gente! Como prometido a Lily está dando a volta por cima, tem um namorado lindo de morrer, amigos verdadeiros, é uma profissional competente e principalmente tem o amor de Dorea e Charlus, seus pais do coração :) E antes que reclamem, eu sei os Marotos apareceram pouco, mas apareceram, não é? A partir do 12º capítulo eles vão ter bastante destaque na história.
Se você achou lindo Nanda, a Lily pondo as cartas na mesa com a Dorea e o Charlus, o que me diz de ela finalmente chamá-los de pais? Esse é um momento muito importante de Orquídea Azul e vai ser fundamental ao longo da fic a Lily saber que eles a consideravam de fato sua filha. É claro, ela é bem diferente de James, ele fez muita m**** mesmo, mas como será que ele vai voltar da Inglaterra? Será um novo James ou o mesmo de sempre?
O que você achou do Lorenzo, Deby? Ele é gato o suficiente para Lily? Uma coisa eu sei, ele é homem suficiente para encarar James ;) É muito bom mesmo Lily ter amigos verdadeiros, principalmente agora que está dando tudo certo para ela :)
Ela vai ser feliz sim ClauMS, mas como vimos ela ainda pensa em James e tem sentimentos por ele, embora ela diga que não. Mas agora Lorenzo está na parada e pelo visto ele também mexe com ela, hehehe. Quanto ao reencontro da Lily e do James, vamos aguardar os próximos capítulos e a reação do James quando vê-la linda e feliz ao lado do namorado ;)
Muito obrigada meninas pelas reviews e até mais. Beijos :*
