EU SEIII!!
Me desculpemmmmmmmmm
Eu demorei mas do que deveria
no final eu conto por que
agora vem o ultimo capitulo!!
CAPÍTULO 10
Rin girou nos calcanhares, confrontando-se com Sesshoumaru.
— É verdade? — questionou, incrédula. — Kohako desviou dinheiro da SSI?
— É.
— Como? Quando?
— No dia em que morreu.
— E você não recuperou esses fundos? — Com os lábios trémulos, Rin esforçava-se para manter a compostura. — É por isso que estamos em dificuldades financeiras.
— Não, não recuperei — respondeu Sesshoumaru, por fim. — E, sim, é por isso que estamos em dificuldades financeiras.
— Mas o que foi que ele fez com o dinheiro? Por que você não conseguiu encontrá-lo? — Vendo-o esquivo, ela soube que havia mais. — Sesshoumaru?
Ele passou a mão pela nuca e, por fim, encarou-a.
— Quer a verdade?
— Seria bom, para variar.
— Encontrei o dinheiro, mas optei por não recuperá-lo. — Rin ficou estupefata.
— Mas por quê? Sesshoumaru, ele deve ter levado milhões!
— Levou.
— Por que não quis de volta?
— Sente-se, Rin.
— Não! Quero que responda a minha pergunta!
— Sente-se. — Só depois que Rin se acomodou na cadeira, Sesshoumaru revelou: — Ele deu o dinheiro a Akemi Fugimoto.
— A assistente dele? — Rin levou cinco segundos para compreender. — Ele ia se separar de mim para ficar com ela. Estava indo a seu encontro quando espatifou o carro.
— Isso mesmo.
— Mas isso não explica...
— Ela estava grávida.
Rin experimentou uma súbita tontura.
— Não...
— Teve um menino. Ambos encontram-se na Europa.
— Não pode ser. Ele era estéril!
Sesshoumaru deu um sorriso irônico.
— Parece que não. Foram realizados testes, Rin. Apesar da probabilidade ínfima, é verdade. O bebê é de Kohako.
Rin descabelava-se.
— Ela está mentindo! Deve ter usado parte do dinheiro para falsificar o resultado dos exames!
Sesshoumaru balançou a cabeça.
— Por que acha que passei tanto tempo na Europa? Tive que investigar a respeito.
— Como a encontrou?
— Os documentos que você me entregou na véspera de ano-novo forneceram todos os dados de que precisava para rastreá-la.
— Por que não a entregou à polícia?
— Para quê? — Ele tinha os lábios duros, tensos. — Para vê-la na cadeia, ao mesmo tempo que o bebê era entregue à assistência social? Para tirar do filho de Kohako o direito à herança? Você teria feito isso?
Rin balançou a cabeça negativamente.
— O dinheiro era de Kohako, assim como metade da SSL — Esforçou-se para falar sem emoção. — Eu só peguei uma carona.
— Se ele houvesse me oferecido a parte dele, eu teria comprado — garantiu Sesshoumaru. — Acho que ele preferiu roubar porque a gravidez de Akemi os pegou de surpresa. Se não agissem rápido, se veriam amarrados a um interminável processo litigioso.
Rin fitou o tapete.
— Mesmo vendendo a parte dele, ele teria me abandonado.
— Sem dúvida. E teria se apossado dos proventos antes de pedir o divórcio. Você teria levado um tempão para pôr as mãos em algum dinheiro. Ele cuidaria disso.
Rin imaginou-se falida, despojada financeiramente, sem trabalho, nem meios de se sustentar. Levou a mão à boca.
— Oh, não...
Sesshoumaru devia ter-lhe lido os pensamentos. Agachando-se a seu lado, tomou-lhe os ombros.
— Você é minha mulher agora, Rin. Nada mais importa. Kohako não importa. O dinheiro não importa. Vamos viver nossa vida. Temos Abigail. Vamos superar tudo isso.
— Você me sustentou todo esse tempo, não é?
— Já lhe disse: não importa!
— Importa, sim. — Rin endureceu o queixo, contendo as lágrimas. — Para mim, importa. Por que não me contou?
— Pelo mesmo motivo que a levou a esconder sua gravidez de mim. Eu sabia que tomaria alguma atitude desastrada se descobrisse. Uma atitude nobre e abnegada.
Furiosa, Rin levantou-se e foi até a janela, apertando os braços em torno do corpo. Então, voltou-se para Sesshoumaru.
— Você tomou decisões a respeito da minha vida. Decisões que não tinha o direito de tomar.
— Você também. Ou já esqueceu o motivo de nosso casamento? — Sesshoumaru esperou que ela digerisse a acusação antes de perguntar: — O que teria feito se eu tivesse contado a verdade?
Rin pensou um pouco.
— Eu... teria vendido a casa. Com o dinheiro, teria me sustentado até arranjar trabalho.
— Quando Kohako morreu, a casa de vocês já estava hipotecada.
Rin tentou conter o pânico.
— Não, não estava! Era propriedade nossa, sem ónus!
Sesshoumaru balançou a cabeça.
— Kohako hipotecou a casa e juntou o dinheiro obtido àquele que roubou da empresa. E ainda fez com que as prestações mensais fossem debitadas de uma conta da SSI. A primeira ocorreu exatamente três semanas após a morte dele. Eis como descobri. Quitei a dívida com o banco imediatamente. Enxergue a realidade, Rin! Kohako não ligava a mínima para você! Pretendia deixá-la sem um tostão. Fez tudo o que estava a seu alcance para magoá-la.
Rin não conteve mais a torrente de lágrimas.
— Por quê? Por que ele teria feito isso comigo? Eu era mulher dele. Eu o amava. E ele...
Sesshoumaru tomou-a nos braços, apertando-a com força.
— Ele lhe fez um favor. Não vê? Se ele não a houvesse abandonado, você não teria tido Abigail.
— Mas e se nao houvesse acontecido aquilo na véspera de ano-novo? E se eu não houvesse engravidado? Você teria continuado fingindo que eu era sua sócia?
— Você é minha sócia.
Rin balançou a cabeça.
— Não, não sou. Kohako me excluiu da empresa ao roubar o dinheiro. — O orgulho obrigou-a a encará-lo. — Responda, Sesshoumaru: por quanto tempo continuaria com os subterfúgios?
— Pelo tempo que fosse necessário.
— Concordamos num casamento de um ano. Daqui a dez meses, você compraria minha parte na empresa. Só que não existe tal parte. O que planejava? Anunciar, ao final desse período, que eu não tinha direito a dinheiro nenhum? Que Kohako levara tudo? — Rin arrepiou-se, gelada. — Sem fundos, eu não poderia sair desta casa, nem iniciar meu próprio negócio. Tampouco poderia sustentar Abbey. Você teria todo o controle. Você teria a nós duas exatamente onde queria.
Sesshoumaru retraíra-se a cada palavra, voltando a ser o homem de gelo que ela conhecera muito tempo antes.
— E assim que pensa?
— Não sei mais o que pensar! Nossas vidas têm sido uma grande mentira! Afinal, onde terminam as mentiras e começa a verdade? — Rin desvencilhou-se do abraço.
— Por que não me contou a verdade? A única coisa que lhe pedi foi honestidade.
— Você não quer honestidade. Por causa de Kohako, quer uma garantia. Quer as palavras, ainda que não tenham validade. E quer que eu lhe dê algo que não tenho. Onde está sua honestidade?
— Você disse que eu podia confiar em você. Esta noite não significou nada?
Sesshoumaru endureceu o queixo.
— Se quer a verdade, não me peça para mentir.
Era a resposta de que Rin precisava.
— Pois bem. Basta de mentiras. — Num supremo esforço, evitou a histeria. Não daria rédeas às emoções que ele tanto desprezava. — Falta me contar alguma coisa?
— Só uma.
Rin não sabia se suportaria outro golpe, ainda que fraco.
— SENHOR TAISHO?
— Agora não, Gem.
— ALERTA DE EMERGÊNCIA NA RESIDÊNCIA DO SENHOR TAISHO PAI.
— Transmita a mensagem — ordenou Sesshoumaru.
— Sesshoumaru, é sua mãe. Houve um acidente no laboratório. Precisamos de ajuda.
— Já estou indo! Gem, monitore a ligação e peça à polícia que me encontre em frente à casa em dez minutos.
Sesshoumaru fitou Rin no rosto perturbado. — Ainda vai estar aqui quando eu voltar?
— Não sei. Juro que não sei.
— Apesar de tudo, eles são a minha família. Tenho que ir.
— Eu entendo.
— Ainda não acabamos, Rin. Se você não estiver aqui quando eu voltar, vou encontrá-la de qualquer maneira.
Com isso, Sesshoumaru se foi.
Rin passou as horas seguintes tentando definir um curso de ação. Perturbara-a muito o fato de Sesshoumaru ter mentido, de tê-la sustentado financeiramente por quase dois anos sem que soubesse, além de ter mantido em segredo a vida dupla de seu falecido marido. Que chance tinha o amor sem honestidade? A vontade de fugir era ainda maior do que quando Sesshoumaru aparecera à sua porta às vésperas do nascimento de Abigail. Ansiava por ordenar todas as informações que ele lhe transmitira. Mais que tudo, queria assumir o controle da própria vida.
Sabia de apenas um lugar onde isso poderia acontecer: a casa de seus pais. Lá, pensaria nas opções. Eles a ajudariam a definir a situação e a descobrir uma maneira de se desvencilhar da bagunça em que se transformara seu casamento.
No quarto, puxou uma mala de baixo das caixas de papelão que atravancavam o armário. Pensando primeiro nas necessidades de Abigail, foi ao quarto dela e começou a enchê-la de roupinhas.
— REQUISITO INFORMAÇÃO.
Rin parou de revirar a gaveta e olhou para o teto.
— Que informação?
— ATIVIDADE ATUAL NÃO FAZ PARTE DA ROTINA NORMAL. EXPLICAR ANOMALIA.
— Estou fazendo as malas.
— UM MOMENTO. ACESSANDO. — Segundos depois, o computador voltou a se manifestar: — EXPLICAR MOTIVO PARA ESTAR FAZENDO AS MALAS.
— É simples, Gem. Abbey e eu vamos embora.
— DESTINO?
Que computador xereta!
— Qualquer lugar, menos este.
— PRAZO DE RETORNO?
— Nunca. — Ajoelhada no chão, Rin completou a mala com um monte de fraldas. — Processe isso, seu monte de sucata.
— ERRO NÚMERO ZERO-ZERO-DOIS. — De pé, Rin fitou o alto-falante.
— E o que é um erro número zero-zero-dois?
— SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM ANDAMENTO. — Rin franziu o cenho e pousou as mãos nos quadris.
— Um momento! Que emergência está em andamento?
— DESVIO RELATADO.
— Eu não relatei um desvio, seu monte de placas enferrujadas! Estou indo embora, não me desviando!
— TODOS OS SISTEMAS EM ALERTA TOTAL.
— Não se atreva a chamar Sesshoumaru, está me ouvindo?
— TAISHO DESAUTORIZADO.
Rin arrepiou-se, imaginando o computador descontrolado e enlouquecido.
— Gem, não faça nenhuma bobagem! Isto aqui não é a Toy Company, sabe disso!
— PROCESSANDO. DESVIO INACEITÁVEL. PROCEDER A TRAVAMENTO TOTAL.
— Pare já com isso, Gem! — ordenou Rin, em pânico. — Não há nenhuma emergência em andamento e não se atreva a travar o que quer que seja! Gem? Gem? Responda! Abortar travamento!
— PEDIDO NEGADO.
— Tenho nível de segurança um! Não pode negar meu pedido!
— DESVIO ANULA NÍVEL DE SEGURANÇA UM.
— Desde quando?
— CORREÇÃO PROGRAMADA NOS ÚLTIMOS DEZ PONTO QUATRO SEGUNDOS.
Rin esforçou-se para controlar a fúria.
— Você mudou as regras há dez segundos?
— HÁ DEZOITO PONTO DOIS SEGUNDOS.
Rin correu para a porta. Trancada. Só tinha acesso ao banheiro.
— Considere-se um computador morto, Gem! Está me ouvindo?
A única resposta foi um "bip" indiferente.
— Rin?
A casa jazia em silêncio mortal. Sesshoumaru cerrou os dentes. Então, ela partira. Bem que adivinhara.
— Gem, relatar situação.
— ALERTA DE SEGURANÇA — sussurrou o computador. — DESVIO EM ANDAMENTO.
— Por que está sussurrando, Gem?
— A SENHORA TAISHO ESTÁ NO QUARTO COM O REBENTO FEMININO.
Rin não fora embora? Sesshoumaru suspirou de alívio e correu para o quarto do bebê. Qual não foi sua surpresa quando a maçaneta não girou!
— O que está havendo?
— Sesshoumaru? — chamou Rin, lá de dentro.
— Por que trancou a porta?
— Pergunte ao seu maldito computador!
— Gem!
— ALERTA DE SEGURANÇA. DESVIO EM ANDAMENTO. PROCEDER A TRAVAMENTO TOTAL.
— O quê? Quem ordenou travamento total? — Silêncio. — Gem? Gem? Destranque a porta!
— A SENHORA TAISHO FAZIA AS MALAS PARA IR A DESTINO NÃO-ESPECIFICADO. PRAZO DE RETORNO DECLARADO: NUNCA. INFORMAÇÃO INACEITÁVEL. TRAVAMENTO TOTAL NECESSÁRIO A FIM DE IMPEDIR A OCORRÊNCIA DENOMINADA "PARTIDA".
— Gem, não se pode manter o que não se tem — ensinou Sesshoumaru. — Não podemos obrigar Rin a ficar, se ela não quer.
— PORTA TRAVADA IMPEDE PARTIDA.
Fechando os olhos, Sesshoumaru encostou a testa na fria superfície de carvalho.
— Destranque a porta, Gem. Executar imediatamente.
Vinte segundos inteiros se passaram antes de se ouvir o trinco da porta.
— ORDEM EXECUTADA.
Rin abriu a porta. Tinha Abigail nos braços. Ao fundo, Sesshoumaru viu a mala quase cheia.
— Oi, Sesshoumaru.
— Você vai embora.
— Estou tentando.
— Não programei Gem para impedi-la.
— Eu sei. Ela fez tudo sozinha. Não sei como, mas fez.
— Gem quer que você fique, e não é a única. Não vá, querida. Vamos superar todos os nossos problemas se você der ao nosso casamento meia chance.
— Não posso — murmurou Rin. — Não me tome como ingrata. Aprecio o que tentou fazer. Mas eu lhe disse, já no início, que não conseguiria sobreviver a outra relação vazia. Preciso de amor, Sesshoumaru. E preciso de um companheiro honesto. Caso contrário, não vai dar certo.
Desesperado, Sesshoumaru agarrou-se ao primeiro argumento que lhe veio à mente:
— Você prometeu um ano. E prometeu não afastar Abigail de mim.
— Eu sei. Não vamos para longe. — Rin estudou o rostinho da filha. — Abigail. "Meu pai alegra-se". Sabia o significado do nome quando o sugeriu?
— Sabia.
— E por isso o escolheu.
— Claro.
Rin deixou entrever a impaciência nos olhos negros.
— Gostaria que falasse, para variar, para eu não ter de adivinhar o tempo todo. — Após breve pausa, concluiu:— Mas suponho que seja esperar demais. Pode levar a mala para o carro?
Sesshoumaru passou a mão pelos cabelos, contendo um grito de negativa, forçando-se a não reagir, a não perder o controle.
— Tenho escolha?
— Tem. Posso arrastá-la eu mesma. Retraído, Sesshoumaru buscou forças nas entranhas.
— Eu levo.
Cinco minutos depois, Sesshoumaru acomodava Abigail no assento junto ao banco traseiro do carro. Rin brincava com o chaveiro.
— Vou estar na casa dos meus pais, caso queira entrar em contato — informou.
Sesshoumaru endireitou-se, rígido. Precisou reunir todas as forças para não colocar Rin sobre o ombro e carregá-la de volta para casa.
— Há algo que eu possa dizer para que mude de ideia?
Ela o fitou detidamente nos olhos. Por fim, balançou a cabeça.
— Acho que não. Parece que as palavras necessárias não existem no seu vocabulário.
Rin acomodou-se ao volante e ligou o motor. Sesshoumaru buscou refúgio em casa. Não suportaria vê-la partir. Seria como ver a própria vida se escoar. Não olhou para trás nem uma vez.
Rin começou a dar marcha a ré no carro, mas brecou. Precisava de mais uma resposta antes de partir. Horas antes, indagara a Sesshoumaru se havia algo mais que ela deveria saber, e ele dissera que sim. Não, não partiria sem saber do que se tratava. Tratava-se do último segredo. Desligou o motor e saltou.
Sesshoumaru estava parado no meio do escritório, sem saber o que fazer. Sensação terrível. Nunca sentira-se perdido antes. Sempre houvera o trabalho. Desde o início, a SSI tanto o cativara quanto motivara. Agora, não tinha o menor interesse. Desaparecera, junto com Rin e Abigail.
Baixou a cabeça, os músculos tão tensos que se ressentiram dolorosamente. Por que Rin fora embora? Não percebia que se tornara parte de sua vida, junto com Abigail? As palavras eram assim tão vitais? Ela não era capaz de adivinhar aquilo que ele era incapaz de dizer? Não ouvia as palavras trancadas dentro dele? Não ouvia o anseio lutando por liberdade?
O que não daria para ir ao quartinho de Abbey e vê-la em seu berço. O que não daria para ir ao quarto de hóspedes e encontrar Rin discutindo com Gem enquanto revirava caixas de papelão. Mais que tudo, o que não daria para ir ao próprio quarto e encontrar Rin sob os lençóis bordados com o monograma de ambos, os cachos negros esparramados sobre a seda cor de marfim, os olhos escuros seduzindo-o com o brilho do desejo.
Um som débil chamou-lhe a atenção. Um soluço de bebê. Voltou-se devagar e viu Rin à porta, com Abigail nos braços. Tentou dizer qualquer coisa, mas as palavras faltaram-lhe.
— Ficou uma questão pendente — explicou ela. — Ou melhor, duas questões. Esqueci de perguntar sobre seus pais. Eles estão bem?
Sesshoumaru aquiesceu e recuperou a voz, embora as palavras saíssem em tom baixo, grave, devido à tensão.
— Foi alarme falso. Meu pai derramou alguns produtos químicos e o laboratório foi lacrado automaticamente.
— Fico feliz que estejam bem.
— Qual é a segunda questão?
— Depois que me contou a verdade sobre Kohako, você disse que havia outra coisa que eu deveria saber. O que é?
Sesshoumaru estremeceu, querendo sumir. Se já não perdera Rin, iria perdê-la agora.
— Você não vai gostar de saber.
— Eu já desconfiava.
Sesshoumaru optou por não poupá-la.
— Eu sabia o que Kohako planejava fazer.
Rin encarou-o incrédula, branca como giz.
— Você sabia?!
— E não fiz nada para detê-lo.
— Por quê?
Ele contraiu a boca.
— Não consegue adivinhar?
— Queria o controle total da SSI?
— Nada disso.
— Queria Kohako fora de seu caminho?
Sesshoumaru divertiu-se, sem deixar de lado a amargura.
— Não, querida. Eu o queria fora do seu caminho. Rin olhou-o atônita.
— Não entendo...
— Vou explicar. Ele era um péssimo marido, Rin. Não a amava. Não lhe dava o carinho e a atenção que você merecia. Eu queria que ele a abandonasse. Facilitei tudo.
— Mas por que você faria isso?
Sesshoumaru não respondeu, embora quisesse. Empenhara-se tanto por exercer controle sobre as emoções. Como explicar sentimentos que passara cinco anos negando, até para si mesmo? As palavras necessárias não existiam.
— Sesshoumaru, responda. Por que fez isso?
— Tem razão. Desculpe. Eu não tinha o direito de interferir.
— Obrigada pela honestidade — concluiu ela, por fim.
— Vai mesmo embora?
Rin ergueu os olhos negros, que cintilavam úmidos.
— Vou.
— Por causa de umas poucas palavras? — Sesshoumaru deu um passo na direção dela. — Precisa tanto assim ouvi-las?
— Receio que sim.
Rin deu meia-volta. Antes que pudesse sair, a porta se fechou e trancou.
— Gem, nada disso! — rosnou Sesshoumaru. — Abra já essa porta!
— NEGATIVO. PARTIDA NÃO-AUTORIZADA.
— Eu estou autorizando a partida dela. Agora, destranque a porta e deixe-a sair.
— INCAPAZ DE EXECUTAR.
— Como assim?
— A SENHORA TAISHO IRÁ EMBORA.
— Gem, está programada para obedecer a minhas ordens. Estou ordenando que abra a porta.
— A SENHORA TAISHO IRÁ EMBORA. PALAVRAS SÃO NECESSÁRIAS PARA QUE A SENHORA TAISHO E O REBENTO FEMININO FIQUEM. CONCEDA AS PALAVRAS REQUERIDAS.
Sesshoumaru não acreditava no que ouvia.
— Quer dizer que, se eu não disser a Rin que a amo, não vai abrir a porta?
— ACESSANDO. SENHORA TAISHO?
Rin olhou para o alto-falante, sem saber se ria ou chorava.
— Sim, Gem?
— "EU TE AMO" SÃO AS PALAVRAS REQUERIDAS PARA EVITAR SUA PARTIDA?
As lágrimas venceram, escorrendo pelo rosto de Rin.
— Sim, Gem, são essas mesmas. Preciso saber que ele nos ama. Que se importa conosco. Que nunca irá nos deixar.
— ACESSANDO.
O conjunto de monitores de vídeo atrás da escrivaninha de Sesshoumaru se iluminou. Imagens encheram as telas, de Rin com Abigail, de incontáveis momentos ao longo daqueles dois meses de casamento. Exibiram-se também imagens mais antigas, dos cinco anos de trabalho conjunto na empresa.
— Mas o que é isso? — indagou Rin.
Todas as imagens se apagaram e uma única tomou conta dos monitores, formando uma grande tela. Tratava-se de um incidente ocorrido anos antes, pouco depois de Rin começar a trabalhar na SSI. Kohako saíra da sala, deixando-a sozinha com Sesshoumaru. Intimidada pela inteligência e sucesso do novo sócio, ela concentrava-se em suas anotações. Ou melhor, fingia concentrar-se, uma vez que estava nervosa demais para falar. A câmera focalizou Sesshoumaru. Ele a observava. Seu rosto expressava um desejo imenso, mas totalmente sem esperança.
— Apagar imagem! — ordenou Sesshoumaru. — Já!
— APAGANDO.
Rin ainda não se refizera do que acabara de ver quando outra imagem gigante ocupou todos os monitores. Tratava-se da vez em que ela e Sesshoumaru ficaram trancados no armário enquanto executavam o projeto Kilburn. Aninhada nos braços dele, com a cabeça apoiada em seu ombro, ela dormia profundamente.
— Não a mereço após ter tramado tudo isto, mas juro que tudo farei para protegê-la — sussurrava ele. — Eu devia deixá-la em paz, para cuidar de sua própria vida, mas não posso. Preciso de você, querida. Sempre precisei e acho que sempre precisarei.
Rin sentiu os joelhos fraquejarem e Sesshoumaru amparou-a, junto com o bebê.
— Desligue isso, Gem! — ordenou. — Desligue isso já!
— INCAPAZ DE EXECUTAR. PALAVRAS NÃO FORAM DITAS.
E surgiu outra imagem. Fora gravada minutos antes. De pé no meio do escritório, Sesshoumaru mantinha a cabeça baixa e os punhos cerrados, o rosto pura agonia.
Só então Rin compreendeu.
— Você não consegue dizer, não é? Não é que não sinta. Só não consegue expressar os sentimentos.
Ou seja, já que as palavras não saíam por si sós, ela teria que forçá-las para dentro. Desvencilhando-se de Sesshoumaru, acomodou Abbey no sofá entre almofadas. Então, ajoelhou-se ao lado do marido e tomou-lhe o rosto nas mãos, obrigando-o a encará-la.
— Sesshoumaru...
— Por favor, Rin. Chega disso.
— Ouça, meu querido marido. Todos esses meses, estive esperando que você me dissesse as palavras, que confessasse que me amava. Só agora percebo que nunca disse as palavras a você. — Passou as mãos pelos cabelos platinados dele. — Eu te amo. Amo você de todo o coração e alma. Amo você há muito tempo.
— Não vá embora, Rin. Não sou Kohako. Juro que não.
— Eu sei. — Ela roçou a boca na dele, sentindo a recepção imediata. Encheu-se de esperança. — Quebrei a cabeça tentando entender por que Kohako me deixou sem nada. Era um homem egoísta, mas nunca foi cruel. Agora, acho que ele fez isso para obrigar você a se manifestar. Você não teria me deixado à míngua. Kohako sabia disso.
Sesshoumaru fechou os olhos, o rosto tenso. Rin sentia o coração dele palpitando, como o de um corredor diante de uma disputa impossível de vencer.
Por fim, as palavras jorraram, derrubando as barreiras de toda uma existência.
— Apaixonei-me no instante em que nos conhecemos. Era errado, e eu sabia disso. Mas você era tudo o que sempre sonhei numa mulher. Odiei Kohako por tê-la encontrado antes de mim. E odiava o descaso dele para com seu amor.
Sesshoumaru abriu os olhos então. Pela primeira vez, refletiam paz, como os de um homem que finalmente encontrara a salvação.
— Oh, Sesshoumaru... — emocionou-se ela, o queixo trémulo.
— Você perguntou sobre o nome de Abigail. Acho que lhe devo a verdade. — Ele tomou-lhe o rosto nas mãos, acariciando-o com sua respiração. — Quando soube que você estava grávida, mal acreditei. Sempre quis ter um filho, uma família, mas não esperava tê-los.
— Por quê?
Ele a puxou para mais perto.
— Porque achava que nunca ia me casar.
— Mas por quê?
— Porque a única mulher que jamais quis já estava comprometida. Se não fosse com você, eu jamais me casaria. Quando descobri que você estava esperando um filho meu, quando Abbey nasceu...
— Deu-lhe o nome que significava "meu pai alegra-se" — completou Rin, sentindo nova torrente de lágrimas.
— Comecei a comemorar no instante em que você abriu a porta e eu vi seu estado. Você me deu esperança e amor, algo que eu nunca tinha tido antes. Algo que eu nunca esperara ter. — Sesshoumaru dedicou-lhe um olhar em que oferecia amor e compromisso pela eternidade. — Esperei tanto tempo por você. Tive tantos dias vazios.
— Não terá mais. Temos o hoje, cheio de vida, e temos o amanhã, que será ainda mais rico. Eu prometo.
— Eu te amo, querida. Sempre amei e sempre amarei.
Sesshoumaru reclamou-lhe a boca então, reclamou-a como companheira, reclamou-a por toda a eternidade. Baniram-se as sombras de seu coração e de sua alma. Nunca mais precisaria controlar as emoções, esconder-se atrás de muros gélidos. Nunca mais. Encontrara a salvação no abraço doce da esposa.
Um "bip" satisfeito ecoou dos alto-falantes.
— PALAVRAS REQUERIDAS ACESSADAS. REBENTO FEMININO NÃO MAIS DE PARTIDA. ALERTA DE SEGURANÇA CANCELADO.
E ai?? gostaram?? Eu tenho uma boa e uma má noticia.
Bem a má...eh que eu n vou responder as reviews.
A boa...tchan tchannnnnnnnn
É que tem mais UM capitulo!! eeeeeeeeeee
Surpresaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
xD
Tem o Epilogo claaaro
ele eh bem curtinho mas uma graça;
Ai ssim o a fic acaba.
Na verdade eu nem queria acabar com a fic
tava taaao boaaa
YY
Mas assim mesmo eu agradeço a TODOS que leram deixaram recados, opinaram, ameaçaram a minha pessoa, enfim!
Entao ate o proximo e juro pela minha maezinha que essa semana ainda eu posto...
Beijos lindos e lindasssssssssssssss
