Cap. XI – O Pensatório

Uma notícia menos agradável espalhara-se pelo castelo. Barty Crouch fora encontrado morto na floresta proibida por Hagrid na noite passada. Segundo Dumbledore, fora vítima da maldição da morte. O problema seria descobrir o culpado. Dumbledore reforçou a segurança de escola, mantendo Aurores a vigiar as entradas do castelo.

Na mesa dos Gryffindor Hermione lia o Profeta Diário.

- "Barty Crouch fora encontrado à noite morto na floresta de Hogwarts por o metade-gigante Haigride, escreve-vos Rita Skeeter. O ministério da magia encarregou-se de falar com o metade-gigante e com o director da escola, Albos Dambledor. Segundo o próprio, reforçou a segurança da sua escola pondo Aurores completamente qualificados prontos a dar as suas vidas por um monte de alunos insignificantes. O Profeta Diário pensa que toda a segurança esteja centrada em Harry Potter, um jovem rapazinho que perdeu os seus pais à nascença e que entrou num torneio altamente perigoso à espera de conseguir alguma atenção ou uma morte vitoriosa. O Profeta Diário manter-se-á a par das novidades."

Hermione resmungou batendo com o punho na mesa assustando Ron e Harry.

- Esta mulher só escreve disparates! Nem o nome das pessoas sabe escrever! Já para não falar das barbaridades que diz sobre o Harry!

- Já estou habituado… Mas quem poderia ter morto o Crouch? E que razões teria para fazê-lo? – questionou-se Harry.

- Tinham de ser mesmo boas razões, pois não se mata ninguém sem mais nem menos, não acham? – disse Ron.

Harry e Hermione concordaram, era tudo muito estranho mesmo. Harry lembrara-se de ter visto Crouch à tarde e de ter trocado umas palavras, parecia normal, não tinha o aspecto de estar nervoso ou com medo de algo.

Harry abriu a porta do gabinete do director, Dumbledore estava sentado na sua cadeira como de costume.

- Chamou professor?

- Sim Harry, senta-te – disse calmamente apontando para uma cadeira.

Harry sentou-se e olhou Dumbledore com curiosidade.

- Porque me chamou professor?

- Apenas quero saber o que falaram tu e o Barty na tarde de ontem.

- Erm… não foi nada de mais, falámos da segunda tarefa. Esteve a felicitar-me e assim.

- Percebo – Dumbledore mantinha o olhar calmo e sereno – E viste para onde foi depois da tua conversa?

- Sim – lembrou-se – para a floresta! Isso significa que…

- Fora morto pouco depois, ou seja, nessa mesma tarde – interrompeu-o Dumbledore – O Hagrid só o encontrou à noite, mas é claro que isso já deves saber. As notícias aqui correm rápido. Mas diz-me uma coisa Harry.

- Diga professor.

- Viste mais alguém dirigir-se à floresta nessa tarde?

Harry tentou lembrar-se.

- Não professor, não vi ninguém. Mas como é que o professor sabe que…

Entretanto a professora McGonagall entrara de rompante no gabinete.

- Albus, aquele maldito poltergeist inundou o terceiro andar, os professores e eu não conseguimos dar conta daquele verme. Vem rápido ajudar-nos.

- Vou a caminho. Harry espera por mim aqui. Volto já.

E saiu atrás da professora a passos largos.

Harry ficara a observar a sala, sempre igual todos os anos: cheia de quadros de antigos directores, livros, objectos esquisitos e Fawkes, a fénix de Dumbledore, que permanecia no seu poleiro. Mas houve uma coisa que chamou a sua atenção. Uma luz azulada que vinha de trás da cadeira de Dumbledore que dava a uma pequena sala. Levantou-se e seguiu até à luz. Encontrou uma espécie de recipiente que suportava um líquido azul brilhante.

Harry curioso aproximou-se mais e mais até que foi puxado para dentro e começou a cair.

Caiu numa cadeira, estava numa sala rodeado por pessoas, aprecia uma espécie de julgamento. Harry olhara para o lado e vira Dumbledore e Moody mais novos.

- Professor?

Este não lhe respondeu. Tentou tocar-lhe mas a sua mão atravessou-lhe o corpo.

O arguido chegara, Harry ficara pasmado. Karkaroff!

- Silêncio – disse uma voz sua conhecida. Barty Crouch estava na posição de juiz.

- Igor Karkaroff, condenado por ser um Devorador da Morte e por passar informações ao Quem-Nós-Sabemos, tem alguns nomes a proclamar.

Karkaroff dissera três nomes, nos quais um estava morto, outro seriam feitas buscas e o último:

- Snape! – disse.

Dumbledore levantou-se e fez o seu depoimento:

- Severus Snape foi de facto um Devorador da Morte, mas devido ao desaparecimento de Lord Voldemort, Snape decidiu aliar-se a nós e aceitar o cargo de professor em Hogwarts. Eu confio no Severus, portanto é tanto Devorador da Morte quanto eu!

- Muito bem, visto que não há mais nomes… - começou Crouch.

- Oh, não, não… ainda há mais um – interrompeu-o Karkaroff.

- Quem?

- Responsável pela tortura de Frank Longbottom e da sua mulher pela maldição Cruciatus e por ter passado informações ao Quem-Nós-Sabemos…

- Diga o nome!

- Barty Crouch – a multidão silenciou-se – Júnior.

Barty Crouch Júnior que se encontrava perante a multidão tentou fugir mas fora apanhado.

Entretanto Harry fora puxado para cima e voltou à pequena sala. Dumbledore estava ao seu lado.

- Isto é um Pensatório, permite-me ver e rever as minhas memórias para ver se não me escapa nada em relação a todos estes acontecimentos recentes e mais antigos. É claro que a curiosidade não é pecado, mas devias exercê-la com cautela.

Harry anuiu e perguntou-lhe:

- O filho de Barty Crouch ainda está preso?

- Não, escapou de Azkaban, não sei como, mas tenho a certeza que devera estar com Voldemort nesta altura. Ele está muito fraco e precisa dos seus velhos companheiros por perto, digamos.

Depois de conversar com Dumbledore, Harry voltou para as aulas ainda pensativo.