Camus se trocou, deixou Milo dormindo no quarto do casal e foi falar com Hyoga. Respirou fundo e pediu aos deuses paciência. Tinha medo de perder o controle. O que Hyoga fez era muito grave. Bateu no quarto do adolescente e respirou fundo antes de girar a maçaneta e abrir a porta
O ruivo encontrou o filho deitado na cama, lendo. Esperou alguns segundos na porta, porém o adolescente o ignorou por completo. Foi, então, até Hyoga e puxou o livro das mãos dele, o depositando sobre o criado mudo
– Vamos conversar. - Não deu chance para o outro responder - Você tem duas opções: Ou começa a me contar direitinho o que está havendo com você, o por quê de seus últimos atos e juntos tentaremos resolver. Ou...
Hyoga o olhou com irritação
–Ou o que?Vai me mandar de volta para o orfanato? Ótimo, então faça isso! Estará me fazendo um enorme favor!
– Eu acho que já te falei... Mas se você não me entendeu vou repetir: Um pai não abre mão de um filho só por que ele causa problemas. Filho não é um brinquedo que quando a gente cansa joga fora, ou um abjeto que pegamos emprestado e depois devolvemos. Posso não ser seu pai biológico, mas quando Milo e eu decidimos te adotar o acolhemos como filho nosso. E assim será. É assim que agiremos, como seus pais! O que eu ia dizer é que se você não quiser colaborar, iremos nós mesmo escolher uma forma de educar e punir. Até acertamos e fazermos você entender que pessoas merecem respeito.
–Quando vão entender que eu não dou à mínima se vocês querem ou não me ter como filho?! Porra se querem tanto assim um filho, adotem outro! Eu não quero ser filho de vocês! Não dou a mínima para vocês! Já disse e repito, por mim vocês dois podem morrer que eu não ligo!
É... aquela doeu. Doeu forte no coração de Camus. Mas não podia baixar a cabeça.
– Marquei psicólogo pra você. Amanhã será sua primeira consulta. Durante as três semanas que você ficará de suspensão terá aulas particulares no período da manhã, para não se atrasar na escola. A tarde você irá trabalhar no meu escritório. Servirá café. Exceto nos dias que terá psicólogo. Aos sábados irá com Milo em um lugar onde ele trabalha como voluntário. Os domingos são nossos, da família. Almoço com amigos, parentes, reuniões familiares. Enfim... Essa será sua rotina nas próximas três semanas.
– Psicólogo?! Eu não vou fazer terapia, você não pode me forçar! - Se levanta, o olhando com ódio - Me levar para trabalhar com você?! Acha que eu tenho o que? Sete anos?! Acha que sou uma criancinha que acha divertido ir para o trabalho com o pai?! Vou ficar três semanas de suspensão? Ótimo, que eu fique, não me arrependo de nada. Mas me forçar a sair com vocês dois, aparecer com vocês dois na rua é demais! Eu não quero que me vejam andando com dois veados que gostam de dar o cu para qualquer um que vê pela frente!
Camus não soube precisar em que momento havia perdido o ultimo resquício de controle. Desferiu um forte tapa na face pálida do loiro, deixando ali uma marca vermelha. Não dosou sua força, quando viu, Hyoga já estava caído sobre a cama, com a mão na face.
– Nunca mais... Nunca mais repita isso! Você não tem o direito de nos tratar como vadios. Durante o tempo em que você está aqui já nos viu agir como tais? Tenho certeza que não!
– Pois nem quero ver! – O mais novo se levanta, ignorando a ardência que sentia na face, o olhando com puro ódio - Todos os veados são iguais! Vocês só pensam em dar para a primeira pessoa que aparece em sua frente! Tanto você quanto o Milo são dois putos que já devem ter dado para mais homens que conseguem contar!
O ruivo vai ate Hyoga e o levanta da cama segurando-o pelos cabelos, Não era um homem violento, mas o adolescente o fizera perder todo e qualquer controle.
– Escuta aqui seu moleque, você não passa de um pirralho mal criado que não sabe dar valors as oportunidades que a vida te dá. Você é um mimado que não tem respeito pelo ser humano, não sabe amar e não sabe ser amado! Mas você vai aprender a ser homem Hyoga, por bem ou por mal. Ser homem de verdade vai alem da opção sexual, tem a ver com honra e caráter, e isso infelizmente você não tem, mas ainda há esperanças... - Jogou o loirinho na cama e foi em direção a porta - Amanhã começa sua nova rotina, as oito o professor chega... Te quero pronto o esperando na sala! - Bate a porta sem dá tempo para respostas. Sua vontade era dar uma bela surra em Hyoga, o machucar da mesma forma que ele machucou o garoto na escola. Queria fazê-lo engolir todas as palavras ofensivas... Mas precisava se controlar ou se igualaria ao pai de Milo
Hyoga urra de raiva e abre a porta
– E você realmente acha que me importo com sua opinião?! Acha que me importo quando você diz que não sou homem?! Você é só um puto que nem homem é! Não tem o direito de falar de mim! Vá dar o cu para alguém que você ganha mais, seu veado! - Falou tudo isso aos berros, dando um forte soco na parede ao acabar. Sentiu o punho doer, mas nem ligou.
Camus entrou em seu quarto e fechou a porta atrás de si. Estava furioso, seu rosto contorcido pela raiva, pela tristeza... Sentia-se sujo por ter agredido Hyoga, o jovem já passara por tantas coisas, e agora ele lhe afligia mais uma dor. Sabia que se voltasse ao quarto de Hyoga não se controlaria e acabaria o agredindo. Escorou-se na porta e desceu ate o chão, sentando abraçado aos joelhos, sua cabeça latejava, seu coração doía, uma lagrima escorria por seu rosto. Precisava ser forte, por si e por Milo, precisava manter a racionalidade, ou as coisas fugiriam para sempre de seu controle, se é que já não haviam fugido.
Nesse instante, Milo acordou por causa da gritaria. Apalpou o lado da cama onde Camus dormia e, ao não encontrá-lo, se sentou na cama o olhou para a porta, se surpreendendo com o que viu.
–Camyu? O que foi? Que gritaria foi essa? – Se levanta e vai até ele, se agachando ao seu lado.
O aquariano olha nos olhos de Milo e sente seu coração apertar. Prometeu não deixá-lo sofrer nunca mais, e não cumprira sua promessa. Puxou o loiro para seus braços o apertando contra si, sua lagrimas aumentaram molhando os ombros do loiro.
O grego não entendeu o que estava acontecendo. Não era normal Camus chorar. Mas isso não importava, seu marido estava triste, o mínimo que podia fazer seria consolá-lo.
– Calma meu amor, calma... - O escorpião acariciava levemente as madeixas cor de fogo, tentando acalmar o amado.
– Eu bati nele Milo... Eu não podia ter feito isso... Mas não pude me controlar... Perdoa-me...
Milo não estava bravo, só chateado. Não com Camus, mas consigo mesmo por ter deixado o filho irritar Camus a tal ponto que ele deixou a raiva tomar conta dele e fazer aquilo.
– Shhh... Pronto, já passou meu rubi. Já acabou. Quer que eu vá falar com ele depois?
– Melhor não Milo. Ele está descontrolado, falando coisas pra magoar. Você não tem que passar por isso mon ange. Deixe-o sozinho hoje... Amanha é outro dia... Já falei pra ele sobre o professor particular, o psicólogo e o restante. Ele não aceitou muito bem, por isso discutimos... - Se afasta um pouco do loiro - nós vamos conseguir Mi... Vamos conseguir - queria a todo custo acreditar em suas próprias palavras.
Milo sorri gentilmente para o ruivo, o puxando novamente para si, o abraçando amorosamente.
– Sei que vamos, Camyu.
Camus afunda o rosto na curva do pescoço do loiro, sentindo o cheiro das madeixas loiras, do perfume suave de seu amado. Sentia-se um pouco mais calmo, Milo tinha o dom de acalmá-lo em qualquer circunstancia.
– Eu te amo muito Milo... Pra sempre.
– Eu te amarei até quando o para sempre acabar, Camus.
– O nosso para sempre nunca irá acabar, Milo. – O beija com carinho e devoção. Por Milo, mais que por si, até mesmo mais que por Hyoga, lutaria por aquela família, para que tudo desse certo.
oOoOoOoOo
Shaka havia acabado de chegar do trabalho, entrou em casa e foi direto para a cozinha, abriu a geladeira e retirou uma jarra se servindo de um copo de suco natural de melão, nem notou uma certa figura de cabelos tingidos de lilás se aproximar sorrateiramente e o abraçar por trás.
– Demorou... estava com saudades.
Shaka sorri apoiando as costas no peito do amado.
Eu também meu amor... como foi seu dia? – perguntou com um doce sorriso nos lábios, a melhor parte do seu dia era chegar em casa e poder desfrutar da companhia de seu esposo.
– Foi bom... - beija o topo da cabeça dele, sorrindo - O Milo e o Camus pediram para eu consultar o filho deles. E o seu dia, como foi?
– Tirando o fato que eu senti saudades de você o dia inteiro... correu tudo bem... Então, com relação ao filho do Camus, será um desafio para você, o menino parece ser bem difícil.
– Sério...? Como ele é? Camus disse que eu teria trabalho com ele, que estava pedindo um favor como amigo, só isso – encara o marido na esperança de ler algo em seus olhos - Camus lhe contou algo?
– Mu... não cabe a mim dizer nada a respeito do seu futuro paciente... mas ele é um garoto dificil, disso eu nao tenho duvidas! ah, e ele odeia homossexuais.
O ariano sorri gentilmente para o esposo.
– Bem, creio que poderei dar um jeito nisso com o tempo. Camus me disse que ele só tem quinze anos, ninguém consegue odiar realmente ninguém nessa idade. Ele só deve estar confuso com a adoção. Inseguro, com medo...
Shaka sorri para o marido, confiava plenamente em sua competência, tinha certeza que ele conseguiria ajudar o filho dos amigos.
– Eu confio em você Mu, no seu trabalho e na sua sensibilidade. - se vira no abraço beijando o esposo no rosto.
– Bem, se não confiasse em mim, não teríamos nos casado, não? – responde o ariano rindo baixinho.
– Bobo... me referi ao seu trabalho, mas é claro que eu confio em você em todos os sentidos... - sela os lábios doce do amado carinhosamente.
– Ei Shaka.. – começa após apartar o beijo - Quem sabe também possamos adotar um filho um dia. - Sorri e sai andando até a sala, calmamente sendo seguido por Shaka.
– Adotar, Mu? Você gostaria?
O ariano se senta no sofá e devolve a pergunta.
– Você gostaria?
– Por que isso agora Mu? – Shaka não estava entendendo por que o marido veio com aquela historia de adoção, nunca antes conversaram sobre isso.
Um faz biquinho fofo, ainda sentado no sofá, cruza os braços igual a uma criancinha.
– Não posso querer ter um filho para cuidar? Ou uma filhinha para mimar e chamar de minha princesinha? Um filhinho para eu poder falar que não tem nenhum monstro de baixo da cama, que sempre vou protegê-lo?
– Hei, calma meu anjo. Veja bem... também sempre quis uma criança...
– É uma linda cena imaginar você cuidando de uma criança, Shaka – o ariano fala com ar sonhador.
– Mas quem vai cuidar é você , a mãe. Eu vou ser o pai... – Shaka tentava provocar o marido.
– Ora, então vou ser mamãe, loirinho?
– Você será uma ótima mãe Mu... – o loiro responde sorrindo abertamente.
– E você será um óitmo papai, Shaka... - Sorri e deita no sofá - Mas antes de adotar, quero cuidar do filho do Milo e do Camus... O nome dele é Hyoga, se não me engano. – direciona o olhar para o loiro - Geralmente estudo um pouco meus pacientes, para saber como trata-los, mas Camus me ligou de ultima hora, então não sei muito sobre ele... Como é o Hyoga, Shaka?Camus lhe contou algo sobre ele?
– Ele é um típico adolescente problemático e traumatizado. Costuma tratar Camus e Milo muito mal, não gosta de homossexuais, é mal educado e ultimamente violento. – Pra quem não ia dizer nada a respeito do garoto, até que o loiro falou demais.
– Violento? Como assim? – Um perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
– Hoje o Camus foi chamado na escola do Hyoga... Ele espancou um garoto até o mesmo ficar inconsciente. – o tom do loiro ficou mais ficou serio, pensando nas palavras do amigo ruivo quando ligou pra dizer que não voltaria ao trabalho naquele dia.
– Hm... Talvez eu tenha um pouco de trabalho com ele... – Mu pensa alto
– Como eu disse antes, eu confio no seu trabalho carneirinho, e espero que você consiga algo com o Hyoga... pelo bem de Camus e do Milo...
– Carneirinho, é?-
– Vem cá meu Carneirinho... que tal a gente deixar os problemas pra depois e você dá um pouco de atenção pro seu marido que esta muito carente, hein? – pede o loiro manhoso.
– Hm... Que tal meu maridinho fazer o jantar, hein? O carneirinho aqui está com fome.
– Certo, mas eu quero minha sobremesa depois! – dá um selinho no outro e vai sorrindo para a cozinha.
– Só se o jantar estiver digno de sobremesa.
oOoOoOo
Camus estava saindo do trabalho, louco pra ir pra casa. Era o primeiro dia de suspensão do filho e queria ver como as coisas estavam indo em casa. Estranhara o fato de Milo não ter ligado para si nenhuma vez aquele dia e não ter atendido ao telefone quando ligara para casa. O celular do loiro era um caso perdido, Milo nunca o atendia mesmo. Caminhava a passos largos rumo ao estacionamento.
– Oi, Camus. – Essa voz atrás de si o fez parar. O ruivo fecha os olhos e respira fundo ao reconhecê-la, vira de frente para o outro.
– O que você quer Eliot? - Curto e grosso, não tinha porque ser gentil e educado com o outro
– Ora, você que veio ate mim. Eu estava aqui lendo o jornal - mostra o jornal que estava em sua mão - E você apareceu.
O ruivo não responde, passa a andar em direção ao estacionamento novamente, por que mesmo que tinha deixado seu carro tão longe? Se tivesse deixado mais próximo provavelmente não teria encontrado aquele traste asqueroso pelo caminho.
Eliot ri e o segue.
– Como vai o Milo? E o pequeno Oga, vai bem?
– Eles estão ótimos, tendo em vista que não tem você por perto, e espero que continue assim.
– já contou para meu filho sobre o querido ''filho'' de vocês? E sobre o seu irmão?
Camus para abruptamente, falando ainda de costas para seu interlocutor.
– Fique longe da minha família, e não se envolva em nossas vidas. Não te quero perto do meu marido nem do meu filho - Sua voz saia em um tom calmo, mas por dentro se segurava para não avançar no outro e fazê-lo calar aquela maldita boca a força.
O pai de Milo apenas ri.
– Eu faço o que bem entender, Camus. Mas me diga, você quer saber o que seu irmão fez com o seu filho? Ou quer que eu conte para o Milo primeiro?
O ruivo vira de frente para Eliot e avança sobre ele, apertando o pescoço dele com uma de suas mãos. A face do francês estava desfigurada de tanto ódio.
– Cala a boca seu miserável. Cala essa maldita boca ou te faço voltar para a pocilga de onde nunca devia ter saído. O lugar de um desgraçado como você é na cadeia!
Eliot não se abala nem um pouco com as palavras ou ações do genro.
– Ora, então Milo te contou sobre isso? - Ri ,com certa dificuldade - E eu pensei que aquele inútil do meu filho iria manter isso em segredo para sempre!
Camus sentia ganas de torcer o pescoço daquele maldito ate arrancar fora a cabeça. Mas precisava se segurar, se controlar ou quem acabaria na prisão seria ele.
– Você devia lavar essa boca antes de falar do Milo. Ele é uma pessoa maravilhosa e não merecia o que você fez com ele! Ele não merece ter uma escoria como você como pai! - soltou o outro, o deixando cair.
– Pois eu acho que ele merecia muito mais que aquilo! - Se levanta - Eu devia tê-lo matado quando tive chances! - O olha - Prefiro um filho morto a um filho veado.
– E eu preferia que o Milo fosse órfão a ter um pai como você! - destrava a porta do carro com o controle do alarme e entra no mesmo - Só vou te avisar uma coisa, se encostar em um fio de cabelo do meu marido eu te mato. - dá a partida e sai cantando pneus. Não era do seu feitio, mas estava tão nervoso, a única coisa que queria era ir pra casa ficar junto de sua família, abraçar seu amado.
Eliot ri e vai até sua moto com calma, montando nela e começando a pilotar Camus. Quando o ruivo para em um sinal vermelho, para ao lado dele e aproveita o vidro aberto.
– Antes de ir, queria lhe dar isto, Camus. - O entrega um envelope lacrado.
– O que... - Foi interrompido pelas buzinas dos carros atrás do seu, o sinal já estava aberto, ele teria que ir. Jogou o envelope de qualquer jeito dentro de sua pasta que estava no banco do motorista e seguiu seu caminho, em casa veria o que diabos aquele infeliz tinha lhe entregado.
"- Isso é a verdade sobre o seu querido filho, Camus. Cabe a você abrir ou não" – Eliot pensa sorrindo cinicamente, antes de ir embora pelo caminho oposto ao dele.
oOoOOOoOo
Bate três vezes na porta antes de entrar, com um enorme sorriso.
– Shu?
Shura abre seu melhor sorriso para o amado
– Oi Amor - Levanta e vai ate ele, o beijando de leve - Que surpresa...
– Pensei que ia gostar de eu lhe trazer o almoço já que você tá sempre reclamando da comida da escola. – Saga sorri, mostrando para ele o pacote do McDonald's.
– Você estava preocupado com meu almoço ou só veio tentar me agradar por conta da ultima mancada? - Arqueando uma das sobrancelhas.
– Hm... Não posso fazer um agrado inocente para o meu noivo às vezes? Eu só vim te ver, Shu. Só isso.
– Certo... - Fecha a porta e senta-se no colo do noivo, que já estava acomodado no sofá que ficava no canto da sala - Senti sua falta... - Encosta a cabeça na curva do pescoço do mais velho.
Saga ri levemente, afagando-lhe os cabelos docemente.
– Nos vimos hoje de manhã.
– Eu não posso sentir saudades do meu noivo? - Um tom falsamente irritado
– Claro que pode. –Saga beija-lhe a bochecha - Também senti saudades.
– Não parece...
– Pois eu senti. Até larguei meu trabalho para vir te ver.
– Ok, ok... - Levanta do confortável colo do amado e fica de pé a sua frente - Me acompanha no almoço?
O geminiano sorri com malicia e o puxa de volta para o seu colo, fazendo-o sentar-se com uma perna de cada lado de seu corpo.
– Prefiro almoçar outra coisa - Beija-lhe o pescoço.
Shura joga a cabeça para trás, dando uma maior acesso ao outro. Meneia o quadril pra frente a fim de intensificar ainda mais o contato.
– E eu posso saber o que você quer comer?
– Por que não tenta adivinhar? - Leva a mão até as nádegas dele e as aperta, mordendo-lhe de leve o pescoço.
O capricorniano morde o lábio a fim de conter um gemido, já sentia seu membro incomodar aprisionado dentro da roupa.
– Sa... Aqui não é lugar...
– Tranque a porta então. - Começa a desabotoar lentamente a camisa dele, mordendo e chupando cada pedacinho de pele que ficava visível.
–E você acha que não fiz isso assim que você entrou? - A sensação daquela língua quente em sua pele era maravilhosa, não conseguia conter pequenos gemidos. Às vezes se sentia um coelho, fizeram amor a noite toda e ainda assim já estavam prestas a fazer de novo. Aquele grego tinha um fogo!
– Está aprendendo, não é? – O geminiano sorri, acabando de tirar-lhe a camisa - Só tome cuidado para não gemer muito alto. Não quero que seja demitido. - O deita delicadamente no sofá, começando a morder e chupar-lhe os mamilos.
– Ahhn - Geme arrastado e morde o lábio quase o ferindo tentando conter os gemidos - Sa...ga... Anda logo... Com isso.
Saga vai até a orelha dele, sussurrando de forma lenta e sensual:
– Não quer preliminares, Shu? - Leva a mão até o meio das pernas dele, apertando-lhe o membro levemente, fazendo Shura morder forte o lábio a ponto de ferir um pouco.
– Seu... Eu quero você dentro de mim logo - Estava impaciente, toda a tensão de poder ser flagrado ou ouvido, os toques apaixonados do amante em sua pele que estava fervilhando, seu membro que de tão duro já doía...
– Sem preliminares então. - Morde-lhe a orelha, começando a tirar o cinto dele lentamente, apenas para irritá-lo com a demora.
– Saga anda logo com isso ou quem fica por cima serei eu! - Saga só podia fazer aquilo de propósito! Ah, mas se o geminiano não andasse com aquilo inverteria as posições.
– Você é muito apressado, sabia? - Tira-lhe o cinto e começa a tirar-lhe a calça, sem pressa nenhuma.
O capricorniano revira os olhos.
– Eu te odeio sabia? Você é um sádico de merda! Ou você me come de uma vez ou eu quem vou te comer! - Já estava no seu limite, seu membro doía, sua pele ardia e o maldito noivo o torturava.
Saga apenas ri e acaba de tirar-lhe a calça, indo até o ouvido dele e sussurrando:
– Posso até ser um sádico de merda, mas eu sei que você me ama, ou não teria aceitado casar comido - Se afasta dele e segura-lhe a mão, beijando a aliança que ele tinha no dedo enquanto tirava-lhe a roupa intima com a outra mão.
O espanhol geme rouco ao sentir enfim seu membro, que já estava gotejante, liberto. Puxou o geminiano pelo pescoço e tomou seus lábios em um beijo cheio de desejo.
O geminiano retribui o beijo da mesma forma, enquanto abria a própria calça e a abaixava, junto com a roupa intima.
Seu membro já pulsava, queria sentir Shura.
Precisava sentir Shura.
Começou então a lentamente penetrá-lo.
O professor geme dentro da boca do amante em um misto de dor e prazer. Penetração sem preparação não era fácil, mas sabia que logo ficaria gostoso, e era Saga ali com ele. Nos braços de seu noivo tudo valia à pena.
Sem conseguir se conter, Shura finca suas unhas nas costas do outro por dentro da camisa, que não havia sido tirada, e arqueia as costas.
– ahn... – Saga geme arrastado ao sentir-se envolvido por aquela cavidade quente que sempre lhe proporcionava um prazer sem igual. Mas não podia pensar só em si. Olhou para baixo e viu a expressão dolorosa de Shura, e no mesmo instante parou - Dói?
– S-sim... Muito... - Não podia negar, estava doendo e muito. Mas logo passaria - C-continua...
– Tem... Certeza? Posso parar... Se quiser.
– Não ouse! Se você parar eu te deixo um mês sem sexo!
Saga ri baixinho, se inclinando para voltar a beijá-lo.
– Como quiser - Fala, antes de voltar a selar aqueles lábios tão viciantes que eram o de seu amado. Começou então a lentamente voltar a penetrá-lo.
Shura se sentia tão completo com saga dentro de si, que a dor era o de menos.
– Sa...ga... - Gemeu o nome do amado assim que o beijo foi partido - Anh – É. aquilo de fato doía.
O geminiano passa a masturbar Shura para tentar afastá-lo da dor. Não queria sentir prazer sozinho.
O espanhol geme alto ao sentir aquela mão quente em seu membro. Só mesmo Saga para fazê-lo sentir aquilo, um prazer tão grande que sobrepujava a dor de ser penetrado a seco.
– Saga... Se mova.
Saga atende o pedido do amado, começando a se mover lentamente para não machucá-lo mais. Se inclinou até o ouvido dele e para sussurrar.
– Shh... Não gema alto. Vão ouvir. - Apesar das palavras, estava amando possuir Shura daquela forma, naquele local, onde qualquer um que passar pela sala do amado possa ouvir.
Shura busca os lábios do noivo, assim teria seus gemidos abafados pelos beijos. Suas mãos percorrendo o corpo já coberto de suor de saga, a dor dando lugar ao prazer.
– Mais... Quero mais rápido - Implorou ao apartar o beijo.
O gêmeo de Kanon sai quase que por completo de dentro dele, voltando a entrar rapidamente - ahnn...
– ahhh – Shura geme alto, não dava para controlar. Ser possuído dessa forma por Saga o fazia se sentir em êxtase, completo - Saga... - Sua mente estava nublada de tanto prazer, sentiu-se tocado inúmeras vezes no mesmo ponto. Saga ia cada vez mais fundo dentro de si em um ritmo que o alucinava, não demoraria muito a alcançar o clímax - Saga... Eu... Ahhhn - gozou ao sentir sua próstata tocada com mais força e não pode conter um gemido mais alto.
Saga apenas sorri, se segurando para não gozar ainda. Queria brincar mais um pouco com Shura.
Saiu então de dentro dele e o fez se apoiar no vidro da imensa janela que havia na sala, empinando a bunda dele para si enquanto voltava a estocá-lo mais rápido que antes.
–S-Saga... o.. Que... – Shura não conseguiu completar a frase, a essa altura só gemidos saiam de sua boca e seu membro já estava mais uma vez ereto.
– Só estou... ahn... Me divertindo mais um... Pouco... Shu... - Responde Saga enquanto se inclinava, sem parar de estocá-lo, para voltar a chupar-lhe o pescoço. Viu que Shura olhava pela janela, para o pátio cheio de alunos, e sorriu, passando a masturbá-lo.
Shura estava excitado com a idéia de ser possuído por Saga ali, na sua sala, em um local que qualquer um podia ver.- Mais... Rápido... Eu quero... Mais...
O grego passa a masturbá-lo e a estocá-lo mais rápido, sentindo que logo não agüentaria mais.
– ahn... Shu... N-não vou agüentar... Muito tempo... ahn... - O estoca mais algumas vezes e goza em seu interior, bem fundo - ahnn... Shura... - Geme próximo ao ouvido dele, sem parar de masturba-lo.
Shura sente o sêmen de seu amado inundando seu interior, não agüenta e goza mais uma vez nas mãos do amado sujando também a parede e um pouco da janela.
Saga sai lentamente de dentro dele e se senta na cadeira do escritório de Shura, o puxando para sentar em seu colo.
– Você é delicioso - Lambe o sêmen dele que havia em sua mão e logo em seguida o beija.
– Eu estou todo melado Saga... – O espanhol disse apos apartar o beijo - como vou ficar aqui assim? - Fazia um bico como se fosse só culpa do noivo.
O geminiano ri baixinho, achando fofo aquele bico do amado. Não resistindo, volta a beijá-lo, sentindo o gozo de dentro dele escorrer pela perna dele e ir até a sua.
Shura corresponde ao beijo sentindo seu corpo arrepiar, mas logo aparta a fim de não cair em tentação mais uma vez.
– Eu te amo sabia?
– Eu também te amo, sabia? - Sorri, se levantando e o colocando gentilmente sentado na cadeira - Tenho que voltar para o trabalho.
– Isso... Me usa e me deixa - Falou afetadamente.
– Mas você também tem que voltar para o trabalho, Shu. - Aponta para o relógio - Sua aula começou há uns dois minutos.
– Merda! – Shura começa a recolher as peças de roupa, se limpando como podia antes de se vestir - Porra Saga, você podia pelo menos ter usado camisinha... Agora eu vou ficar assim - Se referia ao fato de ter sêmen em seu corpo e não ter como tomar um banho naquele momento.
– Vai dizer que não gostou? - Sorri com malicia, ajeitando a roupa. Por sorte não havia tirado a camisa, e nem estava muito sujo. Era só colocar a calça e os sapatos.
– Hunf... - O espanhol ignora o namorado, terminando de se vestir apanha suas coisas a fim de ir pra sala de aula - Eu nem almocei, estou super atrasado e a culpa é sua! - Selou os lábios do namorado, se despedindo.
– Eu também te amo. – O geminiano o vê saindo, e antes de ele ir embora, grita para ele ouvir - E não esqueça de hoje a noite!
– O que tem hoje a noite? – O professor pergunta voltando um pouco, mas sem entrar na sala novamente.
Saga franze o cenho e cruza os braços.
– Não me diga que esqueceu...
– E-eu... - Abaixa a cabeça - me desculpa
O geminiano suspira antes de falar:
– Agente vai ver as roupas para o casamento. Lembra-se? E depois jantar lá na casa do meu irmão.
Shura faz uma careta ao ouvir a ultima parte.
– Certo... Me desculpe por ter esquecido, é que estou com tanta coisa na cabeça... A noite a gente se vê então - Dá mais um beijo no noivo, para complementar o pedido de desculpa.
– O que você tem contra o Kanon, Shura? Até fez uma careta ao ouvir que vamos lá na casa dele hoje.
– Alem do fato que ele te monopoliza e te faz me deixar sozinho em plena madrugada pra dar atenção pra ele? Nadinha.
– Ele é meu irmão gêmeo, Shura... E ele está passando por um momento difícil, só estou tentando ajudar. E ele não me monopoliza.
– Ah não? Quantas vezes você não me deixou sozinho pra ficar com ele? Quantos bolos você já me deu ao longo dos anos de namoro porque seu irmão não estava bem? Saga, eu não quero e não tenho tempo pra discutir isso agora, tenho que trabalhar.
O geminiano bufa, claramente irritado, e vai para a porta, passando por Shura.
– Ótimo, então vá trabalhar! Você acha que ele me monopoliza porque você nunca sequer tentou conhecer o Kanon! Eu já aturei seus ex-namorados e namoradas, mas você não consegue aturar meu irmão?! - O olha - E quer saber? Eu vou sozinho. Pode ficar em casa. - Vai embora, batendo a porta e não dando chances pra ele responder.
– Que droga! Tudo culpa do Kanon... – Shura diz para si mesmo, suspirando - " e Saga ainda diz que ele não o monopoliza, se ate brigar por culpa dele nos brigamos" pensa saindo pela porta irritado para mais uma tarde de trabalho.
Continua...
