Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens pertencem ao mestre Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

E asism From Hell ressurge das cinzas, feito uma fênix!

Ok, isso foi meio... Ou melhor dizendo, completamente... Exagerado.

Mas o importante é que a fic voltou, né gente!

E chega de lero, vamos ao capítulo! Que, para variar, nos apresenta ainda mais pontas e pontas soltas pelo ar... Olha, rimou!

Tá, parei!

Boa leitura!

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Capitulo X – Pesar

Escrito ao som de "Gods and Monsters", Lana del Rey, mas na versão cantada por Jéssica Lange em "American Horror Story: Freak Show"

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Como havia sido dito por Shion, não houve velório, apenas o enterro rápido, sem cerimônias. Mais próximo à cova, Mu trazia às mãos um cravo branco, que lançou por sobre o caixão. O olhar vazio, mas de feições duras. Desta vez não deixaria passar.

O sentimento de vingança batia forte no peito.

Mais atrás, Shion, Aiolos, Aiolia e Shaka, este último de olhos fechados, como se fizesse uma prece pela alma do caçador morto. Peace, sempre tão altiva e pronta para perturbar alguém, estava em silêncio. Talvez Aldebaran era o único entre seus companheiros que realmente respeitava. Na última fileira, sozinha, estava Aileen, absorta em seus próprios pensamentos, uma lágrima corria por sua face. Poucos dias de convivência, mas suficientes para considerar o caçador como um amigo.

Mal os coveiros iniciaram o trabalho de enterrar o caixão e os poucos presentes se dispersaram, muito trabalho começaria a partir daquele momento. Não viram quando duas pessoas aproximavam-se do local.

-Eu não tenho a sua experiência, amigo... Mas não permitirei que esses monstros tomem conta da nossa cidade... – disse Aiacos, deixando um pequeno ramalhete de flores sobre o túmulo.

Pouco depois, uma jovem mulher aproximou-se também. Aiacos levantou os olhos e viu Faith ajoelhar-se diante da lápide, onde estava escrito apena o nome do amigo e as datas de nascimento e morte.

-Eu não sei como farei, Alde, mas eu... Eu prometo que não vou deixar Dandara sozinha. Eu cuidarei dela para você.

Faith fez uma pequena prece e então partiu, acompanhada de Aiacos. Juntos, foram para um café que ficava próximo ao cemitério, não haviam comido nada durante toda noite. Ambos pediram um capuccino, mas não apreciam muito afeitos a tomá-los de fato.

-Como a Dandara está? – perguntou Aiacos, para quebrar o incômodo silêncio entre eles.

-Eu dei a ela um calmante a deixei dormindo, vou voltar para lá daqui há pouco.

-Ela ficou muito abalada com a morte do Alde, eu nunca a vi com aqueles olhos tão cheios de dor e fúria.

-Dandara vai querer vingança, Aiacos, eu sei. E se a conheço bem, ela não vai descansar enquanto não acabar com o vampiro que matou o Alde, nem que perca a própria vida nisso.

-Eu sei... – Aiacos suspirou, brincando com a colher de chocolate que acompanhava o pedido – Mudando um pouco de assunto, tem algo que preciso fazer. E vou precisar da sua ajuda.

-E o que é?

-Aldebaran me pediu um registro das famílias que fazem parte da comunidade indiana que vive no Broklyn... Eu acredito que ela estava investigando algo de extrema importância e quero continuar com esse trabalho. Ele parecia muito preocupado quando me procurou.

-Entendi. Vou conversar com a Dandara, ver se ela sabe de algo, também tenho um contato nessa comunidade. Se o Aldebaran estava trabalhando em alguma coisa realmente importante, nós não vamos deixar essa investigação morrer.

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Assim que retornaram à Fundação, a primeira atitude de Mu foi ir até o quarto que pertencia à Aldebaran. Queria ele mesmo encaixotar as coisas do amigo para guardar da maneira que julgava adequada suas lembranças. Mas, assim que abriu a porta, deparou-se com Heaven em pé próxima a um dos criados mudos, segurando um porta retrato.

-O que faz aqui? – ele perguntou de maneira brusca, caminhando até ela.

A jovem o olhou um tanto assustada, uma vez que não havia percebido sua presença. Sem dizer uma única palavra, ela mostrou a ele o porta retrato e então Mu teve que se segurar para não dar um tapa na jovem.

Com violência, ele arrancou o objeto das mãos dela.

-Saia daqui, Heaven!

-O que eu fiz?

-Saia daqui AGORA!

-Mas...

-AGORA!

Assustada, ela saiu. Mu bateu a porta do quarto com tudo, e se sentou sobre a cama, observando a foto que tinha em mãos. Era uma foto de Aldebaran, da cintura para cima, gargalhando. E, sobre seu ombro direito, ele segurava sentado um menino que deveria ter uns sete ou oito anos, ruivo e de sorriso aberto. Sobre os olhos azuis, as mesmas pintas que tanto Mu quanto Shion possuíam.

-Kiki e agora você, meu amigo... E tudo por culpa daquela aberração...

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Nota: cenas descritas aos som de "Hurricane", 30 seconds to Mars

A noite havia chegado na cidade. E com ela, uma atmosfera de sensualidade na boate Freedom. Era uma noite especial. Uma vez por semana, Scarlet deixava os negócios trancados no escritório por algumas breves horas e se dedicava a algo que lhe dava prazer e a maior de todas as sensações de poder que podia sentir sobre os homens, mulheres e criaturas: sedução.

Naquela noite, o palco era somente dela.

A luz baixou em toda Freedom, ao mesmo tempo em que um homem vestido todo de preto tomava seu lugar no mezanino principal, na penumbra. Sentado confortavelmente em uma poltrona, ele tinha seus olhos totalmente voltados para o palco.

Ao centro dele, uma cadeira de veludo vermelho e espaldar largo. Quando a música soou no salão, nada mais se ouvia a não ser os acordes instrumentais. E o som de passos ritmados, que vinham dos bastidores.

Usando um colant preto todo cravejado em cristais que formavam desenhos de rosas pelo corpete, os cabelos presos em um coque arrematado por uma rosa negra uma saia de franjas que mais revelavam do que escondiam, até a altura dos joelhos, Scarlet surgiu, dançando de maneira sensual, como se seus quadris e braços tivessem vida própria e não fizessem parte de um mesmo corpo.

A cadeira era sua parceira de dança, para movimentos de perna ou de braços que fazia quando sentada. A canção era forte e marcante, assim como seu olhar e seus passos. Olhar que se direcionava ao mezanino.

Ah, sim, ela sabia que ele estava por lá. Podia sentir seu cheiro.

Não dava para ficar apenas sentado observando Scarlet dançar, era preciso se aproximar mais, se pudesse desceria até aquele palco apenas para aspirar mais de perto o doce perfume que ela exalava. Levantou-se da poltrona e se debruçou sobre a mureta do mezanino, afrouxando a gravata que começava a apertar seu pescoço.

Aquela mulher era com uma droga para ele, não conseguia ficar muito tempo longe daquela pele macia ou daqueles olhos de tempestade.

E pensar que era apenas uma humana...

Ao final do show, sob os aplausos e olhares de deleite, Scarlet deixou o palco, subindo direto ao mezanino, onde foi recebida pelo homem, que lhe sorria.

-O que achou da performance desta noite, querido?

-Simplesmente encantadora... – ele disse, puxando-a para um beijo ardente, ao passo que suas mãos deslizavam de maneira possessiva sobre as costas da jovem mulher.

-Vamos para o escritório, Dohko... – ela disse, apartando com dificuldade o beijo e chamando um dos seguranças – Cassius!

-Sim, senhora.

-Diga a Louise para cuidar de tudo por esta noite... Estarei em meu escritório, incomunicável.

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Quando Faith deixou o apartamento de Dandara, a amiga ainda dormia. Pensou em ligar para o editor do jornal e pedir uma folga para ficar com ela, mas aquela ideia não lhe pareceu muito boa. Foi com preocupação que chegou à redação, onde encontrou Aileen já ajeitando sua câmera, acompanhada de um rapaz que Faith não conhecia, mas que também não lhe parecia estranho.

-Boa noite, Faith e... Nossa, que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

-Perdi um amigo, namorado da minha melhor amiga... Foi assassinado na noite passada.

-Nossa, eu... Nem sei o que dizer.

-Deixe, está tudo... Tudo bem, eu acho. – ela tentou sorrir e então se voltou para o rapaz – Você é quem?

-Ah, desculpe... Meu nome é Aiolos, sou o novo diagramador do turno da madrugada.

-Eu estava mostrando ao Aiolos onde fica a mesa que ele irá ocupar.

-Entendi. Seja bem vindo, Aiolos... Se você não for do tipo que se deixar impressionar fácil, vai gostar de trabalhar aqui.

-Não entendi.

-Deixa quieto, é só mais uma das frases de efeito que a Faith adora. Bem, eu vou pegar um café, alguém vai querer?

-Eu, e bem forte.

-E sem açúcar, já sei. Até mais, Aiolos.

-Então... – Faith deixou a bolsa sobre a mesa, enquanto se sentava – Você vai ficar com a mesa ao lado da minha?

-Ah, acho que vou. Pelo menos foi o que a Aileen disse.

-Fique à vontade. Importa-se se eu ligar o MP3? Gosto de trabalhar ouvindo música.

-Não tem problema, não me atrapalha.

Faith sorriu e então se voltou para seu computador, pensativa. Aiolos então relaxou, a tensão que sentia por mais um trabalho infiltrado começava a se desfazer.

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A bem da verdade, assim que ouviu Faith trancar na porta do apartamento, Dandara se levantou. Lavou o rosto rapidamente, trocou de roupa e saiu, nem mesmo o porteiro do prédio a viu. Correndo a toda velocidade com sua moto, ela logo chegou ao seu destino.

O cemitério central.

Pulou um dos muros e então passou a procurar pela lápide de Aldebaran, tinha certeza de que ficava naquele ponto do cemitério onde estavam plantados dezenas de ipês amarelos, árvore que, segundo o rapaz, lhe fazia lembrar de sua cidade natal no Brasil.

De fato, ficava em uma das ruas por ali. Aproximando-se devagar, apoiou-se na lápide e então lágrimas vermelhas começaram a correr pelo rosto pálido e já marcado de tanto chorar.

-Ele vai pagar caro pelo que te fez, meu amor... Eu juro! Máscara da Morte vai ter o que merece! – ela disse, de maneira firme, para a voz embargar logo em seguida – mas o que vou fazer sem você agora? Como vou proteger a Faith dos lordes vampiros?

-Você não está sozinha, Dandara... – ela ergueu o rosto e viu Saga alguns passos atrás de si – Nunca esteve, lembra-se?

-Eu sempre pude contar com você.

-E com a Fundação, agora. Aldebaran contou ao Shion sobre a Faith, ele pediu a Aiolos que cuidasse da proteção dela.

-Aiolos? Então sei que minha amiga está em boas mãos, mas ainda há muito o quer fazer Saga. Precisamos encontrar os manuscritos, a criança e o descendente de Arthur.

-Espere... Isso significa que Faith é descendente de Seymour? – Dandara assentiu, no que Saga esbravejou um tanto – Merda!

-O que foi, Saga?

-Se Faith é a descendente de Seymour, então Dohko mandará Shura atrás dela... E isso não será nada bom.

-Não estou entendendo, dá para ser mais direto!

-Digamos que Aiolos e Shura compartilham uma parte de seu passado... E um encontro dos dois seria uma tragédia...

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Continua...